Tema do CG26: DA MIHI ANIMAS, CAETERA TOLLE

Comissão Pré-Capitular do CG26

Roma, 29 de outubro de 2007

INTRODUÇÃO

[1] O tempo que vivemos, com todas as suas contradições, nos interpela e desafia; é um καιρός, que Deus oferece a cada um de nós para uma caminhada de conversão da alma, da mente e da vida; é uma oportunidade para reforçar a experiência espiritual e portanto apostólica das nossas comunidades; é um tempo favorável para reavivar com entusiasmo a nossa ação pastoral.

A experiência do Pentecostes marcou o nascimento da comunidade apostólica. A força do Espírito criou nos primeiros discípulos a superação do medo que fecha e paralisa, e os tornou comunidade evangelizadora, aberta e projetada rumo a todas as culturas, com a audácia e a coragem da força dinâmica de Cristo Ressuscitado; assim todos puderam compreender os apóstolos na própria língua. Assim também hoje o Espírito nos constitui a nós como comunidade evangelizadora, doa-nos a coragem de propor o evangelho e nos dá uma "nova língua", que pode ser compreendida pelos jovens de hoje.

Deus chama cada salesiano, cada comunidade e cada inspetoria da Congregação a deixar-se penetrar pela força transformadora do Espírito, para que a exemplo de Dom Bosco, junto com os leigos e a Família salesiana possamos evangelizar os jovens. Ajudamo-los assim a viver a plenitude das suas vidas e a conhecer e acolher o evangelho do Senhor Jesus Cristo.

[2] Jesus Cristo "ontem, hoje e sempre" (Hb 13,8) é o plano pastoral da Igreja do terceiro milênio. Como educadores dos jovens, a Igreja e a sociedade esperam que sejamos capazes de lhes traduzir esse programa em orientações pastorais, a fim de que o anúncio evangélico chegue a cada jovem e que cada um possa encontrar-se com o Senhor Jesus.

O encontro de Dom Bosco com Bartolomeu Garelli, jovem sem família e imigrado, marca o início do Oratório. Para nós, salesianos, anunciar e testemunhar o Senhor Jesus é missão prioritária. Toda vez que estendemos a mão a uma criança, adolescente ou jovem, por meio da promoção humana, e lhes oferecemos os dons da graça e a riqueza do Evangelho, desenvolvemos neles aquelas potencialidades pelas quais eles podem ser "bons cristãos e honestos cidadãos".

Educação e evangelização são a maior oferta que posamos dar à sociedade de hoje no espírito, com os métodos e conteúdos do sistema preventivo. Há jovens que poderão dizer-nos, como a Dom Bosco e aos primeiros salesianos: "Nós vos estávamos esperando". Outros talvez se nos mostrem indiferentes, mas o encontro com o Dom Bosco de hoje, através da pessoa de cada salesiano, fará emergir quanto há de melhor nos seus corações, "no ponto em que se acha a sua liberdade" (C 38).

[3] Na era do mercado, da eficiência tecnológica e da onipotência da ciência, mas era também das fragilidades, das incertezas e dos medos, acreditamos na experiência maior do mistério de Deus. A esperança vive em cada um de nós e nas nossas comunidades. Se todos os dias abrirmos espaços ao Espírito, poderemos abandonar-nos às surpresas de Deus. Vemos o futuro da Congregação em pessoas espirituais, que decidem viver como crentes fidedignos e consagrados apóstolos, e viver a experiência da fé e do amor. "Deus caritas est": por isso nós acreditamos no amor. O Capítulo Geral 26 é a ocasião que Deus nos oferece para um verdadeiro e novo Pentecostes, experiência do Espírito vivificante, de modo que com a volta a Dom Bosco, a nossa identidade carismática se veja fortalecida e o coração de cada salesiano seja reavivado pela paixão do "da mihi animas".

"Prometi a Deus que até o meu último respiro seria pelos meus amadíssimos jovens". Dom Bosco é a nossa riqueza e nele descobrimos como Deus hoje nos chama a estar com os jovens no seu viver cotidiano, empenhando-nos por ouvir os seus apelos, conhecer o seu mundo, encorajá-los no seu protagonismo, envolvê-los na construção da sua caminhada de vida. Como Dom Bosco teremos a coragem de anunciar Jesus Cristo a fim de neles despertar um relacionamento pessoal com o Senhor.

"Não deu passo, não disse palavra, não deu início a nenhuma empresa que não tivesse em vista a salvação da juventude. Realmente sua única preocupação eram as almas"; assim dizia o P. Rua. Dom Bosco convocava os jovens como seus colaboradores; também nós nos sentimos empenhados em chamar os jovens a participar com zelo apostólico da missão educadora e evangelizadora.

Tudo isto nos pede uma verdadeira paixão por Deus e pelos jovens, convencidos de que o Senhor se manifesta através das urgências do momento e dos lugares. Será então possível – através do testemunho de vida pessoal, da decidida atitude de desprendimento e de liberdade perante os bens materiais e os nossos desejos – colocar tudo a serviço dos outros e viver o "cetera tolle".

Vivemos num período de total transformação. Em muitos segmentos da sociedade a solidariedade está ameaçada. Encontramo-nos perante o desafio de pensar de maneira nova e de tornar solidário o nosso tempo. A nossa visão é a de uma igreja-comunhão, que fala uma língua nova e se encaminha com coragem para as novas fronteiras da cultura e da sociedade.

[4] O bicentenário do nascimento de Dom Bosco, que viveremos em 2015, nos oferece um tempo oportuno para realizar um significativo percurso de preparação. A aplicação das linhas de ação do CG26 nos acompanham na definição de um itinerário profícuo: para nós, para os jovens e suas famílias, para os leigos e para Família salesiana. Esta celebração jubilar é um convite a invocar Dom Bosco para que volte ao meio de nós, e um empenho para que cada um de nós volte para o meio dos jovens. Repartamos de Dom Bosco e voltemos para o meio dos jovens. Ambos, Dom Bosco e os jovens, são para nós inseparáveis: Dom Bosco é o nosso modelo e os jovens o lugar em que nós achamos Deus (cf. C 95).

[5] Confiamo-nos à Virgem Maria, presença solícita com Jesus em Caná e presença orante com os discípulos no Cenáculo. Ela, Auxiliadora e Mãe da Igreja, far-nos-á atentos ao Espírito de Deus, que renova a face da terra e faz novas todas as coisas. Ela nos ajudará a estar disponíveis ao Espírito de Cristo, que sabe renovar o nosso amor a Dom Bosco. A Basílica de Maria Auxiliadora em Turim, restaurada em sua luz e esplendor, seja um apelo a acolher Maria em nosso coração e em nossas comunidades. Envolvidos pela força do Espírito, com Ela reencontramos o impulso para que o "da mihi almas, cetera tolle" seja a alma da nossa missão entre os jovens.

VOLTA A DOM BOSCO

CHAMADO DE DEUS

"O Senhor nos deu Dom Bosco como pai e mestre. Nós o estudamos e imitamos, admirando nele esplêndida harmonia de natureza e graça. Profundamente homem, rico das virtudes do seu povo, era aberto às realidades terrenas; profundamente homem de Deus, cheio dos dons do Espírito Santo, vivia como se visse o invisível. Esses dois aspectos fundiram-se num projeto de vida fortemente unitário: o serviço dos jovens. Realizou-o com firmeza e constância, por entre obstáculos e canseiras, com a sensibilidade de um coração generoso. Não deu passo, não pronunciou palavra, nada empreendeu que não visasse à salvação da juventude…. Realmente tinha a peito tão somente as almas. (C 21)

[6] Volta a Dom Bosco

Deus nos chama a voltar a Dom Bosco, para conhecê-lo melhor e amá-lo mais, estudando o contexto em que viveu, compreendendo a evolução da sua mentalidade, tomando consciência das etapas da sua vida. As riquezas das fontes e dos estudos salesianos, de que ora podemos dispor, pedem-nos conhecer a sua caminhada espiritual em seus elementos centrais, suas dinâmicas e seus momentos de mudança. Elas impõem-nos outrossim aprofundar: as motivações que o conduziram a determinadas opções; as metas claras que o inspiraram; a pedagogia e a pastoral que o guiaram. Isto é, pedem-nos conhecer melhor o sistema preventivo. Elas intimam-nos especialmente a descobrir a sua rica humanidade, que o tornava imediatamente amigo dos jovens, e a sua profunda espiritualidade, que o fazia totalmente apaixonado de Deus e da sua missão.

[7] Identidade carismática e paixão apostólica

Conhecendo e amando maiormente o Dom Bosco da história, somos convidados a dele re-partir para propor, atualizar e reforçar a identidade carismática. Istoé: somos chamados a fazer brilhar o fascínio do seu carisma, a mostrar-lhe a beleza, a comunicar-lhe a força de atração. E isso nos pede desenvolver uma cultura carismática da excelência, um testemunho visível e crível da nossa vocação consagrada salesiana, um forte sentido de pertença à comunidade e à Congregação. Sem uma proposta carismática, fascinante e envolvente, torna-se difícil o processo de identificação vocacional. O que atrai e fascina na figura de Dom Bosco é o seu programa de vida espiritual e pastoral, o "Da mihi animas, cetera tolle", que faz de Dom Bosco um santo educador e evangelizador que só teve a peito a salvação das almas.

Todo salesiano é chamado a olhar Jesus Cristo com os olhos de Dom Bosco, a pôr-se na sua seqüela com um estilo de vida obediente, pobre e casto, a dedicar-se aos jovens com um coração livre e aberto, a evangelizar os pobres, a estar disposto a ir às periferias e aos lugares de fronteira, a ser santo. É chamado a superar a atonia espiritual, a falta de coragem apostólica, a mediocridade; a viver com júbilo e generosidade a própria vocação; a despertar a paixão apostólica em seu próprio coração. O Senhor Jesus, em cuja seqüela a exemplo de Dom Bosco nos colocamos, é o Bom Pastor, que conquista com a mansuetude e o dom de si, que conhece e acompanha, que busca os frágeis, que expende prodigamente a vida. Temos consciência de que há variados modos de viver o carisma de Dom Bosco na Família e Movimento salesianos. Nós somos chamados a vivê-lo na modalidade da vida consagrada, sem a qual esmaece a fidelidade, a fecundidade e a continuidade do mesmo carisma.

Dom Bosco, que entrega as Constituições ao P. João Cagliero antes de partir para a Patagônia, nos indica a via com que construir hoje a "bella copia" da Congregação: as Constituições, ou seja, o projeto de vida dos SDB, são o modo de torná-lo presente e atual. A cruz, ao depois, que nos é entregue na profissão perpétua, com as imagens que traz esculpidas, nos convida a expender a nossa vida com os jovens e para os jovens, "até o último respiro", seguindo o exemplo do Bom Pastor e acolhendo o convite de Dom Bosco a cada salesiano: "procure fazer-se amar".

[8] Volta aos jovens

Voltar a Dom Bosco e re-partir dele significa sobretudo estar com os jovens. Volta Dom Bosco para o meio dos jovens de hoje através da pessoa de cada salesiano que vive e opera com a sua comunidade. Ele se torna presença legível e inculturada, crível e profética, com a autenticidade e a radicalidade da própria vida e doação. Dom Bosco nos pede a cada um de nós encontrar-nos com alegria com os jovens no seu viver cotidiano, empenhando-nos por estar com eles, ouvindo os seu apelos, conhecendo o seu mundo, encorajando o seu protagonismo, envolvendo-os na construção do seu caminho de vida, propondo-lhes itinerários de santidade segundo a espiritualidade salesiana. Pede-nos Dom Bosco enfrentar com audácia os desafios juvenis, dar respostas corajosas à crise de educação, assumir o seu critério de leitura da história, agir como ele com otimismo segundo o que o Espírito nos sugere, compartilhar a caminhada com a Família salesiana.

SITUAÇÃO

[9] Volta a Dom Bosco

Dom Bosco é sempre atraente e atual. São tantos os irmãos que alimentam o desejo de conhecê-lo melhor e de imitá-lo na própria vida. Isto é possível graças ao rico material à disposição, sobretudo às fontes históricas e aos estudos científicos, que permitem o estudo da espiritualidade e da pedagogia salesiana. Os irmãos estão cada vez mais abertos a participar de momentos formativos que remetem às origens do carisma de Dom Bosco. Também os leigos colaboradores e os jovens se interessam cada vez mais pela figura de Dom Bosco, pela sua espiritualidade e pelo seu modo de educar, para atualizá-los e vivê-los na situação de hoje.

As instituições e os ambientes em que trabalhamos nos estimam pelo trabalho educativo e se interessam pela pedagogia salesiana. A presença de tantos jovens nos nossos ambientes faz-nos ver a atualidade e a necessidade do carisma salesiano no mundo de hoje.

Infelizmente acreditamos conhecer Dom Bosco, mas com freqüência nos limitamos apenas a um conhecimento afetivo, sem qualquer estudo sistemático e profundo. O nosso saber é superficial e não nos empenhamos em conhecer a espiritualidade salesiana e as suas motivações mais fundas. Com freqüência não dedicamos o tempo suficiente à leitura das fontes, sequer das nossas Constituições, em que se encontra uma atualização do nosso carisma.

Nestes anos os centros universitários da Congregação têm concentrado maiormente o seu estudo no âmbito histórico e têm dado menor espaço à pesquisa sobre a pedagogia salesiana e sobre a espiritualidade salesiana. Tudo isso influi no fato de que o sistema preventivo de Dom Bosco, desprovido de uma sua mediação cultural no hoje, é pouco atuado na práxis educativa; vale isto também para a apropriação pessoal e comunitária da experiência espiritual salesiana.

[10] Identidade carismática e paixão apostólica

Como expressão de fidelidade ao nosso ser-consagrados e ao carisma herdado de Dom Bosco, muitas comunidades se empenharam num esforço de renovamento da vida espiritual e da vida de família, com experiências que buscam relacionamentos autênticos e profundos entre os irmãos e a abertura aos leigos. É visível nas nossas obras a presença complementar da comunidade salesiana, sinal do primado de Deus, e da comunidade educativo-pastoral, que realiza a missão.

Além das numerosas testemunhas de santidade reconhecida, constatamos a presença de uma santidade vivida no cotidiano, que transparece em irmãos simples e nas comunidades em que se respira clima sereno e dinamismo pastoral. Muitos irmãos anseiam por uma vida espiritual profunda; e encontraram, quer no projeto pessoal de vida quer no projeto da comunidade, uma ajuda para o seu próprio crescimento.

Numerosos são os irmãos e as comunidades que testemunham a dedicação a Deus e a paixão pelos jovens, e que lhes oferendam alegria, esperança, espírito de família, acolhida, propostas de fé. Há especialmente tantos irmãos idosos e doentes que vivem com serenidade, verdadeiro espírito de fé e sentido salesiano a sua situação de saúde e de limitação na atividade pastoral.

Infelizmente devemos reconhecer que nas nossas comunidades entrou por vezes o modelo liberal de vida consagrada, caracterizado pelo individualismo, propensão às comodidades, aburguesamento, rejeição aos sinais de visibilidade da vida religiosa – modelo que favorece uma "normalidade" que nos confunde com o mundo. Tudo isto faz esmaecer a centralidade do "da mihi animas" e extingue a paixão apostólica.

Com freqüência falta na vida comum a profunda comunhão das almas, a atenção à pessoa do irmão e a partilha da experiência de fé. O ativismo e a busca de resultados sufocam a vida de oração; cessa a vida interior, especialmente a frequência ao Sacramento da Reconciliação e a prática do acompanhamento espiritual. Quando falta o projeto comunitário de vida, é difícil garantir a comunhão de intentos, proceder à adequada avaliação, refletir conjuntamente, fazendo da vida cotidiana uma oportunidade de crescimento espiritual e de formação permanente.

Achamo-nos imersos num processo eclesial de renovação da vida consagrada, no qual entretanto os novos modelos custam a achar a síntese entre os valores fundantes da seqüela e a encarnação no mundo de hoje. Especialmente a crise da relação essencial entre "carisma" e "instituição" debilita com frequência a relação com a instituição, levando a viver o carisma de modo subjetivo.

[11] Volta aos jovens

Há irmãos e comunidades forte e devotadamente empenhados no trabalho educativo-pastoral. Realiza-se um intenso trabalho pelos jovens, pelos pobres, pelos marginalizados; existe uma enorme pluralidade de obras a serviço da juventude. O empenho dos irmãos na animação juvenil constitui um elemento de entusiasmo e de contágio para a comunidade educativo-pastoral. Perante as situações de urgência educativa, deixamo-nos interpelar e sabemos achar meios para dar uma resposta apropriada. Em nossas obras presenciamos o protagonismo de tantos jovens que, encaminhados a ser apóstolos de outros jovens, chegam a amadurecer opções vocacionais de especial consagração.

Por outro lado, para muitos de nós, o mundo dos jovens é cada vez mais difícil de se compreender, e distante, por causa do medo e da sensação de não se estar adequadamente preparados . Temos dificuldade de compreender a sua linguagem e de estar realmente presentes no meio deles. Por causa de uma avaliação que é fruto do preconceito e do desalento não nos empenhamos a descobrir neles o ponto de acesso ao bem. Os papéis que assumimos não nos põem sempre em contato direto com os jovens. Há por isso necessidade de renovar a nossa visão e a prática da assistência. Em algumas inspetorias sofremos por causa de um número reduzido de irmãos e de um envelhecimento que, com freqüência, se torna um obstáculo.

LINHAS DE AÇÃO

Volta a Dom Bosco

[12] Voltar a Dom Bosco, estudá-lo e imitá-lo num caminho de redescoberta e reapropriação do carisma que o Espírito suscitou nele e que ele nos legou para a salvação dos jovens.

[13] Cada salesiano

[14] Cada comunidade

[15] Cada inspetoria

o fortalecimento dos estudos salesianos na formação inicial;

[16] A Congregação

Identidade carismática e paixão apostólica

[17] Voltar ao "da mihi animas" vivido como programa de vida espiritual e pastoral, para reforçar a nossa identidade carismática e despertar a paixão apostólica.

[18] Cada salesiano

[19] Cada comunidade

[20] Cada inspetoria

Volta aos jovens

[21] Voltar aos jovens com o coração de Dom Bosco, para aprender a compreender o seu mundo, para ir ao encontro das suas exigências de educação e de experiência de Deus, a fim de lhes estar ao lado e acompanhá-los, a fim de exercitar a paternidade espiritual.

[22] Cada salesiano

[23] Cada comunidade

[24] Questionar-se

Chamados por Deus a ler os apelos da hora presente e a avaliar a situação em que nos achamos a fim de assumir empenhos concretos, nos sentimos provocados a converter a nossa mentalidade e mudar as estruturas, passando:

URGÊNCIA DE EVANGELIZAR

CHAMADO DE DEUS

"Esta Sociedade em seu início era um simples catecismo". Também para nós a evangelização e a catequese são a dimensão fundamental da nossa missão. Como Dom Bosco, somos chamados todos e em qualquer ocasião, a ser educadores da fé. Nossa ciência mais eminente é, pois, conhecer Jesus Cristo; e a alegria mais profunda, revelar a todos as insondáveis riquezas do seu mistério. Caminhamos com os jovens para conduzi-los à pessoa do Senhor ressuscitado, a fim de que, descobrindo nEle e em seu Evangelho o sentido supremo da própria existência, cresçam como homens novos" (C 34).

[25] Comunidade evangelizada

Deus nos chama a realizar comunidades salesianas evangelizadas, que vivem e testemunham a acolhida do evangelho, constituídas por salesianos autênticos, crentes e críveis, nutridos da Palavra de Deus, plenamente empenhados com Jesus Cristo, entregues com transparência ao primado de Deus na vida pessoal e cotidiana. O testemunho evangélico de cada salesiano e da comunidade é a primeira via de evangelização; por meio dela ensinamos aos jovens aquilo em que acreditamos e mostramos a eles com a vida o que ensinamos. Tal testemunho se torna mais visível, quando somos amistosos e acessíveis aos jovens, irradiando uma alegria gaudiosa, pondo-nos ao seu lado no caminho de seqüela, olhando juntos os sinais dos seus tempos.

[26] Centralidade da proposta de Jesus Cristo

Somos fiéis à nossa missão evangelizadora quando anunciamos com coragem e audácia a centralidade de Jesus Cristo aos jovens, para suscitar um relacionamento pessoal com Ele, para promover neles o desejo de segui-Lo através de uma caminhada de formação cristã pessoal e comunitária, para ajudá-los a ser apóstolos do evangelho. Isto nos pede uma retomada do empenho de catequese sistemática; e ao mesmo tempo suscitar nos leigos a paixão apostólica e envolvê-los mais e mais em tarefas pastorais. Fazendo a todos os jovens a proposta de viver a existência humana como a viveu Jesus Cristo, nós superamos aquela pastoral do só entretenimento e da só promoção social, e reavivamos neles a consciência de que o Evangelho é fonte de humanização.

[27] Educação e evangelização

Na experiência de Dom Bosco e na tradição salesiana o relacionamento entre evangelização e educação se exprime no binômio "evangelizar educando e educar evangelizando", que exprime o modo típico com que acompanhamos os jovens. A todos propomos que sejam "bons cristãos e honestos cidadãos". A evangelização especialmente, oferece à educação uma contribuição de humanização; isto nos pede criar ambientes de clara identidade cristã em que se respira o evangelho e comunidades educativo-pastorais em que seja fácil assumir a proposta de fé.

Também a contribuição da educação à evangelização é notável. Como Dom Bosco somos chamados a desenvolver quanto o jovem traz em si como dinamismo e desejo positivo, a pô-lo em contato com uma proposta rica de valores, a inseri-lo na realidade social em que se sente parte ativa, através do trabalho, da participação e do empenho pelo bem comum. Somos interpelados a encontrar-nos com os jovens onde quer que estejam, também fora dos nossos ambientes; a ir para o meio das situações de pobreza; a morar onde eles vivem. Isto nos pede alargar as áreas do empenho educativo. Sujeitos do empenho de evangelização e educação são cada vez mais as famílias, às quais devemos oferecer acompanhamento e atenção pastoral. Hoje somos chamados a fazer com que a pastoral juvenil seja também cada vez mais pastoral familiar. Deste modo a família se torna verdadeiro sujeito de humanização e evangelização.

Deus nos chama a interagir com a cultura, que lança grandes desafios à ação evangelizadora. Novas sensibilidade-s atravessam os lugares da experiência cotidiana: a família e o amor, o trabalho e a festa, a cidadania e o empenho sociopolítico; há crise de esperança; constata-se a marginalização dos jovens e das populações pobres. Desafiam a nossa ação pastoral também a multiculturalidade e a multirreligiosidade, os modelos de secularização exacerbada, a crise dos valores e o relativismo ético, a disseminada indiferença ou a tendência a relegar à esfera do privado a dimensão religiosa.

[28] Evangelização nos contextos regionais

A evangelização hoje apresenta novas urgências nas várias áreas regionais. A Igreja, através dos Sínodos continentais, nos chama a dar a nossa contribuição à evangelização, levando em consideração a diversidade dos contextos e das culturas. Somos sensíveis para os povos ainda não evangelizados; estamos abertos ao diálogo, ao anúncio e à colaboração relativamente às outras religiões; estamos prontos a levar o anúncio do evangelho aos contextos de pobreza; estamos empenhados em achar os caminhos do evangelho nos contextos de secularização, relativismo ético e marginalização da fé cristã; somos sensíveis às instâncias ecumênicas de diálogo e colaboração; estamos atentos ao fenômeno das migrações de povos, que oferece novas oportunidades de evangelização.

SITUAÇÃO

[29] Comunidade evangelizada

Olhamos para Dom Bosco não somente como educador dos jovens mas também como evangelizador. Nas comunidades cresce a exigência de conversão e a necessidade de viver uma vida consagrada de maior qualidade. É vivo o interesse em tantos salesianos de inspirar o próprio trabalho pastoral, partindo de um estudo e de um confronto pessoal com a Sagrada Escritura. Há comunidades em que os irmãos, vivendo e trabalhando juntos, dão do carisma um testemunho vivo, que atrai os jovens a confrontar-se seriamente com a proposta de vida cristã e com a mesma vida consagrada.

Por outro lado, quer em nível pessoal quer comunitário, se percebe um certo influxo do ambiente secularizado: o relativismo ético, a indiferença religiosa e a superficialidade favorecem nas comunidades individualismo e ativismo, débil testemunho evangélico, incapacidade de oferecer sinais de esperança, habitualidade, cansaço. Há por vezes uma certa timidez apostólica; e também vezes há que o irmão reluta em assumir a tarefa do acompanhamento espiritual ou iniciativas capazes de fazer amadurecer profundas convicções de fé e de fazer emergir a própria identidade de consagrado.

[30] Centralidade da proposta de Jesus Cristo

A par do empenho de educação à fé, promovido pelo CG23, e das suas multíplices aplicações, deparamo-nos ainda com atrasos e lentidões. A carecente experiência de fé e de encontro pessoal com Jesus Cristo, na maioria dos destinatários que freqüentam as nossas obras, por vezes obstaculiza a oferta de uma autêntica proposta de catequese; fraco é também o primeiro anúncio ou um renovado anúncio do Evangelho dirigido a todos.

Muitas atividades das nossas obras são socialmente relevantes. Elas entretanto mui escassamente suscitam ou reforçam a fé: contentamo-nos em que os jovens fiquem conosco. A falta de itinerários de fé nos leva a atuar uma pastoral de eventos e não de processos. Transparece por vezes pouca clareza nos critérios e processos educativos. A mentalidade diversificada e a multiplicidade de impostações teológicas e culturais não nos permitem expressar uma pastoral evangelizadora unitária e sistemática.

Temos envolvido muitos leigos em nosso empenho educativo, mas com freqüência não nos temos preocupado com a sua formação e o seu envolvimento apostólico: deparamo-nos por isso com tantos dependentes, mas não colaboradores; com numerosos colaboradores, mas não evangelizadores.

[31] Educação e evangelização

Percebemos que o carisma salesiano é parte viva das Igrejas locais e é por elas estimado. O sistema preventivo de Dom Bosco é mais atual do que nunca e dotado, em qualquer lugar que seja, de uma grande força de atração. A espiritualidade salesiana é capaz de lançar os jovens numa segura e plena realização humana e cristã. Os jovens de hoje, não diversamente dos de ontem e de sempre, são sensíveis à busca do sentido da vida e a uma proposta educativa e cristã séria e corajosa.

Encontram-se grupos de jovens que são protagonistas da evangelização de coetâneos, especialmente no âmbito do associacionismo. Constatamos o crescimento numérico de leigos formados que desejam colaborar e sentir-se responsáveis, não só em aspectos organizativos mas também na assunção de tarefas pastorais nas nossas obras e no mesmo ambiente de vida.

Estamos presentes no mundo dos MCS e os usamos eficazmente em favor da evangelização, especialmente nos lugares de mais recente evangelização. Mantemos uma intensa tradição na área da pesquisa e das publicações no setor da catequese. Por outro lado há irmãos que não estão convencidos disso e por isso não conhecem e não utilizam as novas tecnologias como instrumentos para a evangelização.

A família debate-se em várias e graves dificuldades. A sua instabilidade, o não reconhecimento da sua identidade, a falta de incisividade do seu papel, um crescente impulso ao isolamento, a descristianização e a pobreza afetiva: tudo isso lança novos questionamentos; estamos conscientes das situações, mas os concernentes empenhos assumidos são ainda muito fracos.

[32] Evangelização nos contextos regionais

Nas regiões de recente evangelização encontramos um ambiente favorável à evangelização, evidenciado pela abertura ao Evangelho, pela possibilidade cotidiana de levar o anúncio a tantos jovens nas escolas, nos oratórios, nas paróquias. A colocação popular das nossas obras é objeto de estima por parte do povo; empenhamo-nos especialmente por conhecer e compreender as culturas, as línguas, os ritos e as situações locais a fim de inculturar o anúncio do Evangelho. Nos países em via de desenvolvimento alguns salesianos revestem um papel profético na área da justiça social.

Muitas das nossas obras vivem num contexto multirreligioso e multiétnico que lança novos questionamentos e novos desafios à evangelização. Enxertar a evangelização na educação e a educação na evangelização não é coisa fácil: há sempre o risco de privilegiar a educação esflorando apenas a proposta de fé ou de propor um anúncio explícito separado das dinâmicas de crescimento. A atual orientação da formação salesiana inicial se mostra por vezes inadequada para fornecer uma oportuna metodologia de anúncio do Evangelho no mundo de hoje.

Constatamos uma desproporção entre a nossa fundamental tarefa de evangelizadores dos jovens e os outros encargos de natureza administrativa, que tiram espaço e pessoas à centralidade da atividade pastoral. A complexidade da gestão das obras implica um excessivo dispêndio de energias humanas da parte de muitos irmãos, mais gestores que pastores. Para agravar a situação contribuem a adiantada idade de tantos irmãos e a diminuição das vocações.

Em alguns territórios de missão ad gentes existe o problema da falta de vocações locais. Nas áreas mais pobres do mundo, um obstáculo por superar é representado pela escassez dos meios financeiros e materiais para sustentar a pastoral. Somos débeis na atenção à dimensão ecumênica, enquanto mostramos maior atenção ao diálogo inter-religioso.

LINHAS DE AÇÃO

Comunidade evangelizada

[33] Empenho por tornar-se "comunidades evangelizadas", reunidas ao redor da Palavra, constituídas por discípulos autênticos, crentes e críveis, formadas para as novas exigências da comunicação do Evangelho, como primeiro passo para uma evangelização eficaz.

[34] Cada comunidade

[35] Cada inspetoria

Centralidade da proposta de Jesus Cristo

[36] Anunciar com coragem e íntima convicção de fé aos jovens a proposta de viver a experiência humana como viveu Jesus Cristo, que é modelo de vida para cada ser humano, homem ou mulher. Assumir especialmente o empenho da missão "ad gentes" e garantir em cada presença a sistematicidade do primeiro anúncio e da catequese.

[37] Cada inspetoria

[38] Cada comunidade

Educação e evangelização

[39] Pesquisar operativamente as contribuições típicas da educação à evangelização, como resposta à urgência da evangelização, com atenção especial ao envolvimento das famílias, aos desafios da cultura juvenil, à mídia. Aprofundar também os contribuições da evangelização para a educação.

[40] Cada inspetoria

[41] Cada comunidade

Evangelização nos contextos regionais

[42] Contextualizar e inculturar a nossa evangelização como caminho essencial para u'a missão encarnada, respeitosa e eficaz no tempo.

[43] Cada região

[44] Cada inspetoria

[45] Questionar-se

Chamados por Deus a ler os apelos da hora presente e a avaliar a situação em que nos achamos para assumir empenhos concretos, sentimo-nos provocados a converter a nossa mentalidade e mudar as estruturas, passando:

NECESSIDADE DE CONVOCAR

CHAMADO DE DEUS

"Respondendo às necessidade do seu povo, o Senhor continuamente e com variedade de dons chama a segui-lo para o serviço do Reino. Estamos convencidos de que muitos jovens são ricos de recursos espirituais e apresentam germes de vocação apostólica. Ajudamo-los a descobrir, acolher e amadurecer o dom da vocação laical, consagrada, sacerdotal, em benefício de toda a Igreja e da Família Salesiana. Com igual solicitude cuidamos das vocações adultas" (C 28).

[46] Testemunho de vida salesiana como primeira proposta vocacional

Deus nos chama à vocação consagrada salesiana e a um testemunho de vida alegre, toda gasta pelos jovens, vivida em comunidade, na seqüela de Cristo obediente, pobre e casto. Esta é a primeira e a mais bela proposta vocacional que possamos oferecer aos jovens: a vida de cada irmão e o exemplo de cada comunidade salesiana, em que brilha o primado de Deus.

Estamos conscientes de que um jovem escolhe a vida consagrada salesiana porque achou uma comunidade significativa ou um modelo em que identificar-se, um ambiente em que experimentar a doação de si e um guia que o acompanhou na opção por Cristo. Se os jovens encontram em nós esse testemunho de vida e descobrem a paixão pastoral que nos anima, eles mesmos podem perceber e valorizar o dom da vocação consagrada salesiana na sua vida.

Cada irmão e cada comunidade são chamados por isso a fazer sentir aos jovens a beleza da vida consagrada e a alegria que ela suscita. Também a evangelização deve ser uma alegria, não só uma tarefa; esforçamo-nos pois em tornar isso visível, mostrando que o nosso empenho de evangelizar, além de um dever, é um "prazer"; desejamos na verdade comunicar aos jovens a alegria de ter achado Aquele que buscávamos (cf. Jo 1, 45).

[47] Vocações apostólicas

Como Dom Bosco convocava os jovens a serem os seus colaboradores, assim nos sentimos nós empenhados para chamar os jovens a participar com paixão apostólica da missão educadora e evangelizadora. A comunicação do carisma de Dom Bosco nos pede tornar os jovens apóstolos dos seus coetâneos e ajudá-los a descobrir o chamado de Deus.

Sentimos hoje, mais intensamente do que nunca, o desafio de criar uma cultura vocacional em todos os ambientes, de modo que toda a pastoral juvenil possa ser realmente vocacional. Não podemos deixar de fazer propostas concretas e explícitas que motivem e orientem os jovens rumo de uma opção pelas vocações apostólicas, sejam elas laicais, presbiterais, consagradas.

Estando no meio dos jovens com simpatia e confiança, cuidando de dar testemunho como de pessoas contentes e identificadas, expressando estima e colaboração fraterna, oferecemos propostas que os ajudem a amadurecer no conhecimento de si, na interiorização, na espiritualidade sacramental e mariana, e no empenho apostólico, para que descubram mais facilmente os sinais do chamado de Deus.

[48] Proposta da vocação consagrada salesiana e acompanhamento dos candidatos

Deus nos chama a reconhecer entre os jovens os sinais da vocação consagrada salesiana e a promover com eles e para eles um caminho de discernimento. Por isso cada irmão e cada comunidade são chamados a mediar o chamado de Deus entre os jovens. Ao mesmo tempo, para a proposta da vocação consagrada salesiana é cada vez mais importante o envolvimento e a formação das famílias e dos leigos colaboradores, e também da Família salesiana.

Comunidade salesiana, famílias, leigos, jovens e família salesiana são chamados à oração constante e a buscar novas iniciativas, instrumentos e formas de acompanhamento, que permitam aos jovens viver o carisma e a convivência salesiana. No caminho do discernimento vocacional temos a coragem de propor aos jovens ficarem sempre com Dom Bosco numa opção de vida consagrada, e de pensar formas novas de aspirantado para os jovens em busca e para os candidatos.

[49] Vocação do Salesiano Coadjutor

Nas origens e tradição do nosso carisma, Dom Bosco desejou que a Congregação se caracterizasse pela presença complementar de salesianos consagrados presbíteros e leigos. Somos por isso chamados a dar visibilidade com a nossa vida ao primado de Deus, fazendo perceber que as comunidades salesianas são, primeiramente, compostas de consagrados e, depois, de presbíteros e leigos.

A figura do salesiano coadjutor requer seja repensada na sua identidade, a partir da experiência de Dom Bosco, das mudanças da vida consagrada de hoje, do alargamento das frentes laicais da missão salesiana, do envolvimento dos leigos, dos novos modelos de salesianos irmãos de hoje. Tal identidade não pode estar ligada somente ao profissionalismo.

Conscientes de que, se a Congregação perde o seu componente consagrado laical, põe em risco a sua identidade, somos chamados a redescobrir com intensidade a identidade do salesiano irmão, a propor aos jovens a originalidade desta figura, a dar-lhe maior visibilidade e a oferecer-lhe um sólido programa de formação.

SITUAÇÃO

[50] Testemunho de vida salesiana como primeira proposta vocacional

A nossa vocação é apreciada pela sociedade e pela Igreja, e o nosso serviço, desejado e valorizado. As nossas comunidades acreditam na validade e na riqueza de relacionamentos caracterizados pelo espírito de família. Há em muitíssimos irmãos consciência e vontade de viver jubilosamente a própria vocação e de criar um ambiente familiar, favorável às novas vocações. A atitude de muitos salesianos que acolhem os jovens com gestos simples mas significativos, quais a saudação afetuosa, o entretenimento cordial, a presença animadora, torna-se testemunho vocacional.

A dificuldade devida à carência de vocações aumentou muito a reflexão e sensibilização das comunidades e dos irmãos sobre o modo de fazer animação vocacional em nosso tempo. Muitas comunidades rezam pelas vocações, convidando também jovens, leigos e famílias, com a adoração eucarística mensal ou semanal, o rosário comunitário, a intenção de oração nas Vésperas.

A nossa experiência de vida religiosa nem sempre manifesta um efetivo "desprendimento do mundo", arriscando envolver-se com a cultura do consumo, da posse e do comodismo. Por vezes a capacidade de acolhida nas comunidade não é suficiente; nem sempre estamos prontos a deixar-nos "incomodar" nos nossos hábitos pelos jovens. Eles são atraídos pelo nosso viver juntos, mas com freqüência os irmãos se isolam no próprio setor; cessa assim a visibilidade do viver e trabalhar juntos. E isto em detrimento da eficácia do nosso testemunho, que se torna por isso menos crível.

[51] Vocações apostólicas

Nos nossos ambientes temos tantos jovens cuja presença é uma ocasião para cultivar o diálogo educativo, despertar a confiança e ajudá-los a descobrir o desígnio de Deus a seu respeito. As propostas vocacionais são hoje diversificadas: grupos apostólicos, grupos de reflexão vocacional, empenho de animação, responsabilidade partilhada com os jovens.

Embora, com freqüência, exista uma boa animação vocacional inspetorial, o empenho em nível local é fraco. Neste caso a animação inspetorial preenche, pelo menos em parte, o vazio existente. Nota-se em algumas inspetorias uma separação entre pastoral juvenil e animação vocacional. Há o risco de fazer com que os jovens façam belas e significativas experiências, mas isoladas, às quais não se dá continuidade.

Vivemos numa situação de profundas mudanças, que gera insegurança. O predominante modelo secularizado de vida e o impacto negativo da mídia estão em contraste com a vocação religiosa; isto torna menos atraente a nossa vida e mais difícil a proposta vocacional. A fragilidade vocacional de numerosos irmãos que deixam a Congregação é um contra-testemunho que pesa negativamente sobre as opções dos jovens. A crise da família, causada pela secularização e pelo desmoronamento dos valores cristãos, constitui um grande obstáculo à criação da cultura vocacional.

Nem sempre se leva em consideração a dimensão vocacional na atividade das comunidades educativo-pastorais. A co-responsabilidade com os leigos nem sempre é valorizada plenamente, embora a contribuição testemunhante dos leigos colaboradores acrescente significatividade. Fraco é o trabalho em sinergia com a Família salesiana na proposta vocacional. Exíguo é o número dos salesianos que estão com os jovens, também porque por vezes eles não estão empenhados em tarefas de animação e de acompanhamento; às vezes isso se dá igualmente com a figura do diretor.

[52] Proposta da vocação consagrada salesiana e acompanhamento dos candidatos

Constatamos que é significativo o encontro entre os jovens em busca vocacional e os jovens salesianos. Através do testemunho desses irmãos os jovens se habituam a ver a vida consagrada como uma modalidade de realização da vida cristã. Por isso, para fins vocacionais, consideram especialmente válida a contribuição apostólica dos jovens salesianos e a valorizam (Cf. C 46).

Há inspetorias com intenso empenho vocacional, estruturado e partilhado pelas comunidades. Existem experiências e comunidades para acolher os candidatos à vida consagrada salesiana; há novas formas de aspirantado, comunidades-propostas, experiências de voluntariado vocacional. Também os novos MCS favorecem quer o conhecimento do carisma de Dom Bosco quer o primeiro contato com jovens interessados na vocação consagrada salesiana. Embora considerando positivos os aspectos do nosso empenho pastoral, o fato de que outras entidades eclesiais pareçam ser mais propositivas e fecundas nesse âmbito vocacional não nos pode deixar indiferentes. Os adolescentes e os jovens são generosos, mas mostram dificuldade em assumir um empenho continuado; além disso, um grande número daqueles de quem nos aproximamos se encontram ainda em situação de primeira evangelização. Perante propostas de opções irreversíveis, eles arriscam bloquear-se vocacionalmente ou passar de uma opção a outra visando acumular experiências. A mentalidade do recrutamento leva por vezes a ter jovens candidatos à vida consagrada com formas de fragilidade e fraqueza nas motivações. Infelizmente alguns jovens são levados às fases formativas sem possuir a idoneidade suficiente e a convicção de assumir empenhos por toda a vida. Se em algumas regiões a opção vocacional contrasta radicalmente com a sensibilidade comum, em outras torna-se um modo seguro de promoção social. A animação vocacional orienta-se quase que exclusivamente aos jovens estudantes; descuram-se os jovens trabalhadores.

No acompanhamento vocacional existem dificuldades também porque faltam salesianos preparados; resulta por vezes também difícil convocar com propostas adequadas e corajosas os jovens e os colaboradores. Quando não existe a continuidade projetual, torna-se especialmente delicada a troca de encargo dos irmãos empenhados na animação vocacional.

[53] Vocação do Salesiano Coadjutor

Com freqüência os jovens desejam tornar-se salesianos para seguir Dom Bosco, sem se perguntar que tipo de vocação consagrada salesiana pretendam escolher: se a de presbítero ou de salesiano irmão. Joga por isso um papel fundamental a apresentação da figura do salesiano coadjutor, feita no aspirantado, no pré-noviciado e no noviciado. Além disso, a presença de um número significativo de salesianos irmãos, cultural e profissionalmente qualificados, postos em encargos de responsabilidade, favorece a visibilidade dessa vocação e suscita nos jovens o desejo de a escolher. Positivo tem sido, para a fase da formação específica, o nascimento da colaboração em todas as regiões.

Nem sempre é fácil apresentar de maneira eficaz a figura do salesiano coadjutor; e isso torna difícil a identificação dos jovens com essa vocação. Motivo fundamental é o enfraquecimento da identidade e da visibilidade da vida consagrada, como estado de vida, nas nossas comunidades. Persiste em alguns salesianos a subtil mentalidade de que afinal a Congregação pode continuar a trabalhar em benefício dos jovens com apenas os salesianos presbíteros. Infelizmente, por causa do limitado número de vocações, do envelhecimento e do prevalente empenho do salesiano irmão em mansões de gestão e não nas de animação, são poucos os irmãos coadjutores empenhados na atividade juvenil. Em alguns contextos culturais continuam presentes preconceitos sobre a figura do salesiano irmão, vista ainda como vocação não plenamente realizada.

LINHAS DE AÇÃO

Testemunho de vida salesiana como primeira proposta vocacional

[54] Cada Salesiano e cada comunidade se conscientizem de que são eles a primeira proposta vocacional dirigida aos jovens, e assumam um compromisso de testemunho de vida e de envolvimento dos jovens na vida comunitária e na ação apostólica.

[55] Cada irmão:

[56] Cada comunidade:

[57] Cada inspetoria

Vocações apostólicas

[58] "A descoberta e a orientação das vocações" sejam o verdadeiro "coroamento de toda a nossa ação educativo-pastoral" (C 37). Empenhem-se cada inspetoria, comunidade local e comunidade educativo-pastoral por criar gradualmente uma cultura da vocação no seu trabalho pastoral e, sobretudo, por suscitar e acompanhar vocações apostólicas entre os jovens.

[59] Cada comunidade

[60] Cada Inspetoria:

Proposta da vocação consagrada salesiana e acompanhamento dos candidatos

[61] Cada inspetoria, comunidade local e cada salesiano se convençam de que o só testemunho não basta para suscitar o desejo de seguir mais de perto ao Senhor Jesus, mas que é preciso, igualmente, fazer ao jovem uma proposta explicita da vocação consagrada salesiana; e que depois é necessário ajudá-lo, com formas adaptadas de acompanhamento, a madurar a decisão vocacional.

[62] Cada salesiano

[63] Cada comunidade

[64] Cada inspetoria

Vocação do Salesiano Coadjutor

[65] A Congregação nos vários níveis se empenhe por compreender, aprofundar e explicar a identidade e o sentido da vocação do salesiano coadjutor; reveja e promova qualificados e específicos itinerários formativos; procure dar maior visibilidade a esta figura, sobretudo entre os jovens; busque modalidades novas de proposta vocacional.

[66] Cada comunidade:

[67] Cada inspetoria:

Questionar-se

[68] Chamados por Deus a ler os apelos da hora presente e a avaliar a situação em que nos achamos para assumir empenhos concretos, nos sentimos provocados a converter a nossa mentalidade e mudar as estruturas, passando:

POBREZA EVANGÉLICA

CHAMADO DE DEUS

"Dom Bosco viveu a pobreza como desapego do coração e generoso serviço aos irmãos, com um estilo austero, industrioso e rico de iniciativas. A seu exemplo, também nós vivemos no desapego de qualquer bem terreno e participamos com espírito empreendedor na missão da Igreja, no seu empenho pela justiça e pela paz, de modo especial mediante a educação dos necessitados. O testemunho da nossa pobreza, vivida na comunhão de bens, ajuda os jovens a superar o instinto de posse egoísta e os abre ao sentido cristão da partilha" (C 73).

[69] Estilo de vida pessoal simples e austero

Cada irmão é chamado a manifestar na vida que Deus é a única verdadeira riqueza. Ele exprime a pobreza com o trabalho incansável, a disponibilidade, a simplicidade, a temperança, a austeridade de vida, a partilha com os pobres. No empenho por assimilar o estilo de vida e os sentimentos de Cristo, Dom Bosco entregou-se todo inteiro a Deus e aos jovens; como ele o salesiano é disponível ao "cetera tolle".

Isto demanda verdadeira paixão por Deus e compaixão pelos jovens, testemunho de vida pessoal, decidida atitude de desapego afetivo e efetivo, liberdade perante os bens materiais, os desejos, as qualidades e os dons intelectuais que cada um possui, para colocar tudo a serviço dos jovens, em solidariedade e comunhão com os mais necessitados.

[70] Testemunho profético e crível da comunidade

A comunidade é chamada a viver o trabalho e a temperança, de modo que o seu testemunho de pobreza seja profético e crível. O seu estilo de vida assume deste modo um valor intensamente educativo: afirma o primado do ser sobre o do haver; realiza uma autêntica solidariedade cristã com os pobres; contesta estilos de vida consumistas, eficientistas e orientados ao desperdício.

Ela é chamada a desenvolver um trabalho ordenado, distante da preguiça e do frenesi, com sentido de partilha da missão e de interdependência. Isso implica estar disponíveis para qualquer missão, trabalho e serviço pelo Reino de Deus e não ficar amarrados a uma obra ou a coisas que por vezes parecem irrenunciáveis. Ela se sente também solicitada a viver a pobreza, cultivando a comunhão dos bens entre os irmãos, as comunidades, as Inspetorias e a Congregação.

[71] Missão entre os mais pobres

Deus nos chama a ter uma especial sensibilidade humana e evangélica perante o grito dos pobres, que se manifesta na opção preferencial pelos mais necessitados, na solidariedade e no trabalho pela sua promoção, na partilha da sua vida e no estar com eles. A pobreza se manifesta na solidariedade com todos, no trabalho assíduo pela justiça e pelo desenvolvimento, respeitando o ambiente, evitando gastos e consumos inúteis, no empenho por acudir às novas formas de pobreza.

Somos chamados a oferecer meios suficientes a tudo quanto se necessita para a missão; a sair da mentalidade paternalista e assistencialistas, a fim de dar aos pobres a possibilidade de participar do seu desenvolvimento integral. Cada irmão e comunidade são chamados a superar as contradições e as incoerências que lhes não permitem viver com plenitude o serviço aos jovens sem reservas, superando a concepção da missão part-time, vencendo a sedução do aburguesamento e a indiferença perante o drama mundial da pobreza.

[72] Gestão responsável e solidária dos recursos

A pobreza se reflete na gestão responsável e na partilha solidária dos meios disponíveis. Os bens que Deus nos dá são dos pobres e Ele nos pede contas de uma administração vigilante, transparente e partilhada, e da prática da justiça para com os nossos dependentes. Os desafios da ilegalidade, da injustiça planetária e do açambarcamento dos bens por poucos, nos chamam a elaborar uma cultura da essencialidade, da équa distribuição dos recursos, do desenvolvimento sustentável, como alternativa à cultura do consumo e do supérfluo.

SITUAÇÃO

[73] Estilo de vida pessoal simples e austero

Em geral os irmãos dão bom testemunho de vida, caracterizado por trabalho incansável, sem horários e com sentido de gratuidade até à idade avançada. Com freqüência somos alvo, tanto em nível pessoal quanto de Congregação, de condecorações desvanecedoras, pelo espírito de trabalho e simplicidade de vida. Muitos irmãos dão testemunho de vida sóbria e austera, pondo ao serviço dos mais pobres o que têm e o que são.

Por vezes somos menos sensíveis em compreender as diferentes dimensões da pobreza e a reduzimos apenas à questão do uso de dinheiro na dependência do superior. Constata-se que nem sempre a pobreza é vivida no alimento, no alojamento, nas viagens, no uso dos instrumentos de comunicação e na organização do tempo de descanso; não nos falta nada. Há irmãos que põem em risco a própria saúde trabalhando de modo desordenado e sem dedicar-se à necessária recuperação das energias físicas e espirituais.

Há além disso situações deficientes: dificuldade para dialogar; pouca transparência na gestão do dinheiro e em contas pessoais; desinteresse pelas atividades da comunidade; busca exagerada de tempo livre e de meios para necessidades pessoais. Em alguns contextos verifica-se uma excessiva vinculação à família, dedicando-lhe atenções e adminículos não condizentes com a pobreza. O superior encontra dificuldades com alguns irmãos para valorizar as suas aptidões e para envolvê-los de maneira proporcionada às suas capacidades.

[74] Testemunho profético e crível da comunidade

O trabalho permanece um componente importante do nosso ser-pobres. Apesar da diminuição numérica, as comunidades levam adiante com dedicação, graças ao trabalho sacrificado de tantos irmãos, uma multiplicidade de iniciativas em frentes diversificadas.

Em numerosas comunidade existe partilha dos bens; presta-se atenção às situações de pobreza dos jovens, cobrando mensalidades suaves, instituindo bolsas de estudo, ajudando os filhos de famílias pobres; há participação dos irmãos em serviços humildes para o cuidado e a manutenção da casa. A pouca partilha e a falta de envolvimento da inteira comunidade na gestão econômica da obra, embora respeitando as responsabilidades, acarreta nos irmãos o desconhecimento do custo de vida. Com freqüência o scrutinium paupertatis é feito de modo superficial: não consegue por isso envolver cada um dos irmãos e a comunidade. Há comunidades em que a presença de pessoal pago a serviço dos irmãos aumentou consideravelmente, em detrimento por vezes da co-responsabilidade nos serviços comuns.

Os desafios que a sociedade lança à missão salesiana estão a reclamar a sinergia de todas as nossas forças fazendo-as convergir e orientar a um só projeto partilhado. Notam-se confrades não envolvidos, «des-empenhados», que devotam mui pouca atenção à missão comum. E há outros cujo empenho se concentra todo nas próprias iniciativas, mesmo assim de modo dispersivo e isolado.

Na formação inicial parece por vezes seja pouca a atenção à pobreza evangélica, vivida concretamente no cotidiano. Sublinha-se a dimensão teórica do voto de pobreza, mas com freqüência não se ensina praticamente a pensar e a viver como pobres.

[75] Missão entre os mais pobres

Parecem crescer em número atividades e obras educativas que previnem formas de pobreza, que ajudam a superá-la e que educam à solidariedade, com multíplices iniciativas em favor dos mais necessitados e excluídos. Entre estas se destacam especialmente a «missio ad gentes», o acolhimento dos imigrados, os projetos de apoio ao desenvolvimento, o auxílio às populações provadas pela guerra e pelas calamidades naturais. O envelhecimento e a falta de vocações nos ajudam a tomar consciência da nossa fragilidade, da dependência da Providência e nos abrem a colaborar em rede. Estamos ligados à nossa experiência passada, condicionada por estruturas e atitudes que não favorecem a livre abertura a novas opções. Trabalhamos pelos pobres, mas por vezes não perto deles. E, vezes há, em que não favorecemos o seu protagonismo nos projetos de desenvolvimento. Detecta-se em alguns irmãos a resistência e a dificuldade para ir aos jovens mais necessitados, para ser solidários com os mais pobres, para abrir novas presenças proféticas nas frentes das pobrezas juvenis.

As edificações imponentes, as conduções com freqüência caras e vistosas, a grande disponibilidade de dinheiro, não dão testemunho de pobreza comunitária e institucional. Algumas obras, iniciadas em favor dos mais pobres, gradualmente se foram voltando para as classes médias.

[76] Gestão responsável e solidária dos recursos

A pobreza exige uma gestão responsável e solidária dos recursos. Em tal sentido se fizeram muitos esforços para conseguir uma transparência maior na administração, adotando particularmente a feitura dos orçamentos, a melhor utilização dos edifícios a serviço do território, u'a maior sensibilidade a respeito da legislação vigente, uma concreta e ativa solidariedade em nível inspetorial.

Pode-se com satisfação constatar em muitos países que instituições eclesiásticas, estatais e internacionais de assistência continuam a prodigalizar fundos e equipamentos, para desenvolver as nossas obras e para ajudar as nossas atividades em favor dos jovens mais pobres e necessitados. É um sinal da sua confiança, porque tudo quanto é doado chega aos destinatários e é bem administrado.

A gestão dos recursos econômicos das obras requer hoje competência; mas esta não se improvisa. Este encargo entretanto é com freqüência confiado a irmãos que aceitam a obediência, mas que não têm a preparação exigida para exercer tal incumbência.

Trabalhar em co-responsabilidade com os leigos requer da nossa parte u'a maior e mais atenta justiça social para com eles; e faz emergir a necessidade de promover participação, envolvimento e co-responsabilidade, também nas opções de gestão.

As urgências e a complexidade crescente de certas atividades arriscam transformar a obra salesiana numa empresa, com todos os perigos de um excessivo funcionalismo e de uma estéril eficiência. Na condução de projetos de grandes dimensões relativos a novas estruturas e reestruturações, arrisca-se com freqüência perder energias, tempo e dinheiro.

LINHAS DE AÇÃO

Estilo de vida pessoal simples e austero

[77] A pobreza evangélica nasce de um coração livre e da íntima convicção. É portanto necessário que cada salesiano assuma a sua própria responsabilidade pessoal de se pôr constantemente à escola de Cristo, imitando a pobrezas austera, concreta e industriosa de Dom Bosco.

[78] Cada salesiano

Testemunho profético e crível da comunidade

[79] A pobreza vivida pelo evangelho é sinal de que Deus e o seu Reino nos bastam. Cada comunidade dê testemunho profético e crível aos jovens de hoje que vivem numa cultura consumista e hedonista. Atente para o seu estilo de vida, as suas opções prioritárias, o empenho pelos pobres.

[80] Cada comunidade

[81] Cada inspetoria

Missão entre os mais pobres

[82] "O Senhor indicou a Dom Bosco os jovens, especialmente os mais pobres, como primeiros e principais destinatários da sua missão" (C 26). O nosso voto de pobreza induz-nos a corajosas opções preferenciais e encontra concreta expressão na solidariedade com os pobres.

[83] Cada inspetoria

[84] Cada comunidade

Gestão responsável e solidária dos recursos

[85] "Lembrai-vos bem – nos adverte Dom Bosco – que tudo o que temos não é nosso, mas dos pobres" (C 79). Como servos e administradores, preocupamo-nos por fazer uma gestão responsável e um uso solidário dos recursos confiados, pondo-os sem reservas a serviço da missão comum.

[86] Cada comunidade:

[87] Cada inspetoria

Questionar-se

[88] Chamados por Deus a ler os apelos da hora presente e a avaliar a situação em que nos achamos para assumir empenhos concretos, nos sentimos provocados a converter a nossa mentalidade e mudar as estruturas, passando:

NOVAS FRONTEIRAS

CHAMADO DE DEUS

"Nossa ação apostólica realiza-se em pluralidade de formas, determinadas em primeiro lugar pelas exigências daqueles a quem nos dedicamos. Realizamos a caridade salvífica de Cristo, organizando atividades e obras de escopo educativo-pastoral, atentos às necessidades do ambiente e da Igreja. Sensíveis aos sinais dos tempos, com espírito de iniciativa e constante flexibilidade, nós as avaliamos e renovamos, e criamos outras novas. A educação e a evangelização de muitos jovens, sobretudo entre os mais pobres, movem-nos a procura-los no ambiente em que vivem e encontra-los em seu estilo de vida com formas adequadas de serviço" (C 41).

[89] Novas exigências da missão salesiana

Perante as multíplices situações e as diversas necessidades da juventude, pede-nos Deus que individuemos as prioridades da missão salesiana hoje. Movidos pelo Espírito, seguimos o exemplo de Dom Bosco que saiu às ruas de Turim, viu as necessidade da "juventude periclitante" e respondeu prontamente, abrindo novas frentes e agindo mesmo com "temeridade", contanto que "ganhasse almas para Deus". Convencido de que Deus se manifesta através das urgências do momento e dos lugares, o salesiano atenta para os sinais dos tempos e está pronto a dar respostas concretas.

Deus nos pede olhar para as novas pobrezas com olhar atento e decisões oportunas, para intervir nas situações em que a juventude vive experiências marginais, como a imigração, a exploração sexual, o trabalho de crianças e adolescentes, a pobreza afetiva, a situação de famílias fragmentadas e desestruturadas, a violência interfamiliar, a toxicodependência, a pandemia HIV/AIDS, a desadaptação social, o desemprego, a exploração e a injusta retribuição do trabalho, a pobreza cultural. Pede-nos também prestar atenção a alguns lugares, como as periferias das cidades e as favelas, e atentar para algumas situações, como as dos jovens periclitantes, refugiados, meninos de rua, indígenas, ciganos e outras minorias étnicas.

Pede-nos além disso Deus responder aos desafios e oportunidades que são dirigidas à evangelização e à educação dos jovens, como o secularismo, a indiferença religiosa, o diálogo ecumênico e inter-religioso, a perda do sentido da vida e a precariedade das opções vocacionais, a difusa cultura de morte que não aprecia a vida, a instabilidade da família, a mentalidade consumista, o permissivismo e o relativismo ético, a deturpação da natureza e o desperdício dos recursos, a globalização da comunicação social.

[90] Mudanças na realização da missão

Dom Bosco ouviu o chamado de Deus e o grito dos jovens. Hoje as suas invocações desesperadas chegam ao nosso coração. Como salesianos somos chamados a fazer experiência de Deus e a ter um coração oratoriano como o de Dom Bosco, reafirmando a nossa opção pelos jovens mais pobres, indo a eles no lugar em que se encontram, mesmo fora das nossas obras, colocando-nos nos seus locais de vida, abrindo novos espaços além de quanto nós já fazemos.

O Espírito nos impele a ouvir as razões do jovem oprimido, imigrado, excluído, marginalizado, não alcançado ainda pelo evangelho. Como o bom samaritano somos solícitos em ir para os jovens e não só esperá-los. Trata-se de uma nova solidariedade, que conta também com o intenso desenvolvimento do voluntariado e dos colaboradores leigos e que não opera em termos de proteção, mas de enriquecimento recíproco. Isso requer nos coloquemos em permanente estado de formação e atualização para responder aos problemas juvenis e às novas pobrezas.

Como salesianos e como comunidades educativo-pastorais, sentimos mui intensamente o apelo, de redescobrir e atualizar a força educativa do sistema preventivo, que permanece a metodologia fundamental de todas as nossas intervenções, especialmente na capacidade de recuperação dos jovens em dificuldade.

As situações de pobreza e os novos desafios culturais nos pedem especialmente, de favorecer uma educação dos jovens ao empenho social e político, à tutela dos direitos humanos, à cidadania ativa, à assunção de um estilo de vida sóbrio e solidário, à atenção ao ambiente e às opções éticas, à superação da exclusão.

[91] Mudanças no modelo e na gestão das obras

Deus nos chama a ter a coragem e a audácia profética de re-configurar ou redimensionar as nossas obras, tendo como perspectiva as novas fronteiras juvenis e a significatividade da missão. Isto inclui a necessidade de estruturar a vida das comunidades segundo as necessidades dos jovens e de dar início a obras mais simples e ágeis.

A resposta às novas necessidades pede a cada um de nós a capacidade de viver a "espiritualidade da poda" para poder-nos aliviar dos pesos organizacionais e podermos nos dedicar mais à causa da evangelização. Tal resposta reclama outrossim que se preparem tanto irmãos quanto leigos e, mais em geral, educadores qualificados, a fim de responder aos novos desafios que os jovens nos lançam.

Sentimo-nos empenhados em trabalhar não somente dentro das nossas obras, mas também em rede com outras organizações e agências educativas, em sinergia com a Igreja local, com o território e com todas as forças interessadas, a partir dos grupos da Família Salesiana.

SITUAÇÃO

[92] Novas exigências da missão salesiana

Cresceu entre os salesianos e os leigos colaboradores a sensibilidade pelos desafios que apresenta o mundo juvenil de hoje: novas formas de violência, abusos sexuais, desemprego e trabalho precário, toxicodependência, imigração, insucesso e deserção escolar, falta de moradia, famílias em dificuldade, sensibilidade ecológica, abertura religiosa e uso de novas tecnologias. Intenso é o empenho da Congregação em favor do crescimento humano e da promoção social das áreas onde mais evidente seja a pobreza. Nas nossas obras os jovens são acolhidos sem discriminações e a todos é oferecido o nosso serviço educativo pastoral.

Foram potenciados os centros de educação superior e universitária, dando assim atenção aos jovens também nas suas exigências de preparação acadêmica e profissional. Em tais centros podemos também refletir sobre as novas fronteiras da missão juvenil, desenvolver respostas maduras, projetar intervenções, promover iniciativas e preparar os formadores. Com freqüência tais instituições são freqüentadas por jovens de nacionalidades, culturas e religiões diferentes.

A situação cultural de hoje, caracterizada por hedonismo, perda de valores e relativismo, torna difícil a elaboração de um projeto pessoal de vida. Os jovens se encontram em situações de fragilidade, de falta de sentido da vida, de extravio afetivo, cultural, de valores. A progressiva desagregação da família – matrimônios que falham, convivências, famílias monoparentais, abandono educativo, violências interfamiliares, maternidades precoces – reverbera sobre o crescimento dos filhos, os quais apesar disso mantêm a família como ponto de referência e na qual confiam.

Constatamos que o cenário da situação dos jovens hoje ampliou-se grandemente. Existem novos espaços de presença juvenil, incluído o espaço da noite e da internet. Abriram-se novas fronteiras não só de tipo geográfico mas também e sobretudo na comunicação: isto implica um desafio estimulante para o renovamento da nossa missão. Ainda que haja realidades presentes nas novas formas de comunicação, a nossa presença nelas é ainda fraca.

[93] Mudanças na realização da missão

Nas inspetorias nasceram experiências positivas, objetivando conter o desconforto juvenil e responder às pobrezas emergentes. Desenvolve-se o trabalho em rede, em colaboração com a Família salesiana, com educadores e voluntários das comunidade educativas pastorais, com agentes do mundo eclesial, social e associativo, com as ongs. Aspectos positivos, que favorecem a abertura às novas fronteiras, são a intensificada vontade e capacidade de pensar e atuar com projetos, a confiança e a disponibilidade das instituições políticas, o empenho por investir na formação para habilitar salesianos e leigos em modalidades e respostas adequadas.

Por outro lado, existe uma certa resistência a renovar, requalificar, converter a nossa mentalidade. Estamos mais preocupados em manter e melhorar as nossas obras que em dar respostas aos novos desafios e que em re-situar-nos onde há necessidade. Resulta fraca a formação de salesianos e leigos quanto a saber ler os sinais dos tempos e esconjurar o perigo de distanciar-se dos jovens. Por vezes além disso o nosso empenho educativo não consegue chegar a quem está fora do nosso ambiente.

Para responder às novas pobrezas, as inspetorias em geral se confiaram à iniciativa de algum confrade sensível e nem sempre puseram em prática iniciativas planejadas, dedicando estudo, recursos econômicos, envolvimento de outras pessoas. Infelizmente um obstáculo que bloqueia a iniciativa em não poucas inspetorias nasce da redução do número dos coirmãos e do seu envelhecimento.

[94] Mudanças no modelo e na gestão das obras

Em algumas inspetorias com a formação, o envolvimento e a co-responsabilidade dos leigos, obtiveram-se bons resultados no trabalho em favor dos jovens pobres. Embora se notem resultados positivos, há ainda inspetorias em que não é fácil caminhar nessa direção. Restam ainda por achar, pois, formas adequadas de envolvimento e de partilha das responsabilidades.

Com freqüência o nosso empenho educativo-pastoral continua estruturado segundo critérios "tradicionais" e "colegiais", enquanto o mundo já sofreu mudanças culturais radicais. A condução das atividades segundo regras precisas, leva a excluir por demais facilmente crianças e adolescentes difíceis, sem lhes oferecer respostas alternativas. Nem sempre se dá atenção aos lugares de vida dos jovens. Os novos desafios da missão salesiana encontram lentidões ao fazer as opções e as mudanças que ocasionam, sobretudo quando, por isso, se devem fechar outras presenças menos significativas, às quais estamos ligados.

Para responder às necessidades dos jovens, temos com freqüência adotado a estratégia de ampliar as nossas obras, levando-as no tempo a dimensões de grande complexidade, difíceis de administrar e não mais em condição de responder às novas pobrezas com a agilidade e a urgência que estão a pedir.

Releva-se na Congregação uma certa discrepância generacional na assunção de responsabilidades pela condução das nossas obras: de um lado, os irmãos de maior idade custam a partilhar a responsabilidade com os irmãos mais jovens e, de outro, constata-se a pouca formação ao governo por parte dos jovens irmãos e a sua resistência a assumir-lhe o peso.

LINHAS DE AÇÃO

Novas exigências da missão salesiana

[95] Desempenhar a nossa missão em favor dos jovens, especialmente os mais pobres, discernindo aqueles sinais dos tempos que são as urgências do momento e dos lugares, e assumir um empenho forte por novas respostas bem estudadas, concretas e inculturadas, mudando, se preciso for, estratégias, intervenções e meios.

[96] Cada comunidade

[97] Cada inspetoria

Mudanças no cumprimento da missão

[98] Ir aos jovens com o coração de Deus e a paixão de Dom Bosco, fazendo-se tudo para todos, e atuar projetos e atividades, para contribuir à salvação das almas e para ajudar os jovens em dificuldade a enfrentar a vida con esperança.

[99] Cada inspetoria

[100] Cada comunidade

[101] Cada salesiano

Mudanças no modelo e na gestão das obras

[102] Estar prontos a, com coragem e audácia profética, re-configurar e redimensionar as nossas obras, superando a tentação de contentar-nos com o trabalho já feito, recusando a fechar-nos em esquemas superados e tendo como perspectivas quer as novas pobrezas juvenis quer a significatividade da missão.

[103] Cada inspetoria

[104] Cada comunidade

Questionar-se

[105] Chamados por Deus a ler os apelos da hora presente e a avaliar a situação em que nos achamos para assumir empenhos concretos, nos sentimos provocados a converter a nossa mentalidade e a mudar as nossas estruturas, passando: