Rada Zasoby

BS Mozambico lulho-agosto 2014

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Boletim Nº 59 Julho/Agosto 2014 Moçambique Salesiano “ Esta é a minha casa ” BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE DOM BOSCO 2014 + 16 Agosto + 2015 “ Esta é a minha casa ” P. Marco Biaggi Novo Provincial Sdb de Moçambique2 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Rezando com...

Boletim Salesiano Julho / Agosto 2014 Ano XIV Nº 59 PROPRIEDADE: DIRECTOR: CONSELHO DE REDAÇÃO: AUTORES: A. Artime; A. Chaquisse; A. Galhardo; A. Kazembe; A. Savane; ANS; G. Alves; I. Reun goat; J.A: San Martin; L. José; M. Biaggi; Mouzinho D.; Sdb.org; S. Monachello; MAQUETAÇÃO: FOTOGRAFIAS: Oh! Dom Bosco Santo! Vós que fostes sempre tão compassivo com as humanas desventuras, dirige uma olhar a nós tão necessitados de teu auxílio.

Oh! Dom Bosco Santo! pelo amor grande com que amaste a juventude e lhe fizeste de Pai e Mestre, e pelos heroicos sacrifícios que fizestes por sua salvação; fazei que também nós amemos com um amor santo e generoso a esta porção eleita do Sagrado Coração de Jesus, e que em todo jovem contemplemos a pessoa adorável de nosso divino Salvador.

Fazei descer sobre nós e sobre nossas famílias as maternais benções de Maria Auxiliadora; alcançai- nos todas aquelas graças espirituais e temporais que necessitamos: intercedei por nós na vida e na morte, a fim de que possamos cantar eternamente as divinas misericórdias no Paraíso Celestial. Assim seja.

São João Bosco3 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Editorial Queridos amigos do Boletim Salesiano: A nossa capa a cores (gentil oferta da Visitadoria para todo o ano do Bi- centenário), com a imagem da casa onde Dom Bosco cresceu e sonhou, nos introduz em cheio neste Ano de Graça Salesiano que começaremos no próximo dia 16 de Agosto. Por esta razão, o BS de Moçambique quer ser uma proposta viva de Dom Bosco: olhando para ele, olhamos para o futuro! Este Ano de Graça começa, para os Salesianos de Dom Bosco, com o recebimento do novo Inspector Salesiano na pessoa do padre Marco Bia- ggi, do Brasil. Desde já o acolhemos com carinho e desejamos que a sua presença entre nós nos traga ares frescos de Dom Bosco para os sale- sianos e para os jovens de Moçambique.

Acabamos recentemente o campeonato mundial de futebol. Quanto esfor- ço para conseguir a Taça e tudo o que ela simboliza! Dom Bosco nos convida, a todos os membros da Família Salesiana, a que saibamos também oferecer aos jovens, principalmente aos mais pobres, a oportunidade de entrar na ‘Taça da santidade’. Uma taça que Deus oferece a todos, ninguém fica excluida dela. Todos a podem ter. Só é necessário querer.

A proposta que temos de lançar aos jovens das nossas obras, e aos que estão fora delas, é descobrir que o autêntico prémio, pelo qual vale a pena todo o esforço, é ‘Alcançar Jesus Cristo’. Os jovens que viveram com Dom Bosco e com as primeiras gerações assim o compreenderam.

Muitos conseguiram a ‘Taça da santidade’: Rua, Sávio, Ceferino, Vicunha, Rinaldi, Mazzarello, Palomino, Romero, Zattti e tantos outros que estão na longa fila da santidade salesiana.

Um desafio emocionante que nos impele a todos a trabalhar como Famí- lia, unidos no mesmo Carisma, na mesma Missão, com o mesmo Ideal.

Trabalhemos para que o Senhor faça florescer nas nossas terras de Mo- çambique filhos e filhas de Dom Bosco santos! Rapazes e raparigas san- tos! Ésta é a melhor Taça do Mundo! P. Rogelio Arenal Sumário 2 Rezando com… 3 Editorial 4 Para que a beleza renasça 6 Conhecendo ao novo Provincial 7 O sonho do Jardim Salesiano 8 Os lugares de Dom Bosco 9 Pensamentos: Gratuidades 10 O jovem dos Dez Diamantes 11 Carlos Acutis 12 Os 7 segredos para evangelizar nas RS 13 Em Famíla 14 ANS de Moçambique 16 Com Maria, testemunhas e anunciadores de alegria 17 Espiritualidade salesiana 21 Carta do Regional de África 22 Por uma sociedade reconciliada 23 Cristãos em formação 24 Ambiente familiar são! 26 As ‘Mãe Margarida’ existem 28 Visita da Delegada Mundial AA 30 Crianças e adolescentes missionários 31 Missionário moçambiano em terras lusas 32 Mundo salesiano 34 Ni landzi– Ir. Laura José 35 Ni landzi- P. A. Galhardo Santidade A riqueza da nossa Família4 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Mensagem do Reitor Mor O pensamento central da minha mensagem, desta vez, é o seguinte: o olhar salesiano. Ver a vida, o mundo e os jovens com os olhos de Dom Bosco é, e deve ser sempre, um olhar de esperança, olhar de quem crê nas sementes de bem e bondade que estão no coração de cada pessoa, de cada jovem, de cada pai e mãe.

Para demonstrar com mais intensidade o que lhes quero dizer, inicio a minha reflexão através de contrastes. A partir de uma das páginas encontradas na internet, em diversos sites, que são copiadas e reproduzidas muitas vezes. Esta página descreve o nosso tempo como um tempo cheio de contradições e de paradoxos.

O texto assim se expressa: «O paradoxo do nosso tempo na história é que temos edifícios sempre mais altos, mas moralidades mais baixas, estradas sempre mais largas, mas horizontes mais restritos.

Gastamos mais, mas possuímos menos; compramos mais, mas alegramo-nos menos. Possuímos casas maiores e famílias menores; temos mais comodidades, mas menos tempo. Temos mais instrução, mas menos bom senso; mais conhecimento, mas menos juízo; mais especialistas, e ainda mais problemas; mais remédios, mas menos bem-estar. Guiamos com mais velocidade, mas ficamos com mais raiva; trabalhamos até altas horas, e levantamo-nos cansados; assistimos muito à televisão, e rezamos raramente.

Multiplicamos as nossas propriedades, mas reduzimos os nossos valores.

Falamos muito, amamos muito pouco e, com frequência, odiamos muito. Aprendemos como ganhar para viver, mas não como viver.

Acrescentamos anos à vida, mas não vida aos anos.

Fomos e voltamos da Lua, mas não conseguimos atravessar a rua para encontrar um novo vizinho de casa. Conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior.

Criamos coisas maiores, mas não melhores. Purificamos o ar, mas poluímos a alma. Dominamos o átomo, mas não os preconceitos.

Escrevemos mais, mas aprendemos menos.

Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a resolver as coisas, mas não a esperar.

Construímos computadores maiores para conservar mais informações, para produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos sempre menos.

Estes são tempos de fast food e de digestão lenta, de grandes homens e pequenos caracteres, de lucros acentuados e relações vazias.

Estes são tempos de dois salários e muitos divórcios, de casas muito bonitas, mas famílias destruídas.

Tempos de muitas coisas na vitrine e nada no depósito».

Com tons semelhantes, o texto continua a descrever os paradoxos do nosso tempo... Devo admitir que alguns destes contrastes são certamente verdadeiros, mas o que desejo ressaltar de modo evidente é que o único mundo que temos aqui na terra é justamente este, não o imaginário, que só podemos conceber com nostalgia.

Temos apenas este no qual despertamos a cada dia, e a atitude mais corajosa, mais séria e mais profunda de um coração cristão e salesiano é dirigir olhares cheios de verdadeira esperança para esta realidade a fim de descobrir todos os indícios de positividade que nela se escondem e transformá- los no que for possível.

Trata-se de um verdadeiro mandamento para o nosso coração salesiano quando se PARA QUE A BELEZA RENASÇA TODOS OS DIAS NO MUNDO Desta janela que o Boletim Salesiano me oferece todos os meses, apresento-me para cumprimentar os meus irmãos salesianos, os pertencentes à nossa família alargada no mundo e os muitos amigos e amigas de Dom Bosco que lhe são próximos e o amam em muitas casas salesianas.5 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) refere à educação e evangelização dos jovens.

Quando se trata deles, rapazes e moças, o empenho fundamental é trabalhar, com todo vigor da nossa fé, para que prevaleça sobre todas as realidades o valor absoluto da pessoa e da sua inviolabilidade, valor que é superior a todo bem material e a qualquer estrutura.

Esta forte convicção, com a linguagem de hoje, mas com a mesma paixão educativa que moveu Dom Bosco, permite-nos olhar de modo crítico para todas as situações do nosso mundo que sejam eticamente inadmissíveis (como a corrupção, o uso das pessoas, a violência, a fraude, o abuso) e decidir por muitas opções pessoais e comunitárias fortes diante desses desapiedados mecanismos de manipulação.

É natural que, diante dessas realidades, possamos nos sentir muitas vezes subjugados pelas muitas negatividades dessa parte de existência que nos desgosta, mas como crentes não podemos permitir que a nossa esperança se torne frágil. Pelo contrário, precisamos ousar ainda mais intensamente para anunciar que estamos, e mais do que nunca, na hora da verdadeira esperança! Nem por isso, contudo, podemos fechar os olhos diante das realidades injustas, mas, graças à fé, é preciso abrir o coração ao Deus da Vida, Ele que jamais passa (nem de moda nem ao largo), e mergulhar na vida cotidiana, crendo firmemente que podemos contribuir para torná-la melhor.

Isso é possível graças à ação do Ressuscitado e à presença do Espírito em nossa História, história de luzes e de sombras, mas jamais longe de Deus. O papa Francisco, no número 276 da Evangelii Gaudium, diz explicitamente: «A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da escuridão, sempre começa a desabrochar algo novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto. Num campo arrasado, volta a aparecer a vida, tenaz e invencível. Haverá muitas coisas más, mas o bem sempre tende a reaparecer e espalhar-se. A cada dia renasce no mundo a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história».

E, por esta segurança da Fé, da ação do Senhor e da História na nossa história, através da contribuição do nosso empenho e da nossa missão de educadores e evangelizadores, sentimo-nos intimamente solidários com este nosso mundo e a sua história.

Por que para nós, salesianos, educadores cristãos, pais que acreditam na educação, educar significa participar com amor do crescimento de cada pessoa, na construção do seu futuro.

Qualquer passo nosso, aqui e agora, seja realmente marcado por este esforço vital.

Uma saudação com pleno e sincero afeto, Ángel Fernández Artime Reitor-Mor “Educar significa participar com amor do crescimento de cada pessoa, na construção do seu futuro”6 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Conhecendo o novo Provincial P. Marco Biaggi: quém é você? Sou padre salesiano há mais de 30 anos. Eu nasci em Santa Bárbara d’Oeste, cidade do interior do estado de São Paulo, Brasil, no dia 08 de abril de 1956. Sou o terceiro de oito filhos. Meu pai Victório Biaggi, era carpinteiro, falecido, minha mãe Terezinha Muzzi Biaggi, dona de casa, está com 84 anos. Minha família sempre foi muito religiosa. Aos 11 anos entrei para o seminário salesiano. Nesta ocasião meu irmão mais velho, Antonio Gaspar já estava há um ano no mesmo seminário. Mais tarde outros dois irmãos, Geraldo e Aramis também foram seminaristas salesianos. Dos quatro, dois sairam, o Gaspar e o Geraldo. O Aramis e eu perseveramos até hoje. Fiz o noviciado em 1974.

Fui ordenado padre em 10 de dezembro de 1983.

Como padre trabalhei em vários colégios salesianos como vice-diretor, ecônomo e director. Fui ecônomo inspetorial por oito anos e inspector por seis anos.

Actualmente em que estava a trabalhar? No momento da minha nomeação como Superior de Moçambique eu era o director da obra Salesiana de Piracicaba. Nesta cidade eu já havia trabalhado cinco anos, no início do meu sacerdócio, como vice-diretor.

Esta obra hoje compreende 3 colégios de ensino básico; uma faculdade, com 4 cursos superiores; uma paróquia urbana; uma obra social; dois oratorios festivos e os ramos da Família Salesiana.

Quais os seus sentimentos quando foi convidado a ser ‘missionário’ em Moçambique como Superior da Visitadoria? No início senti muito medo por ser um local que não conheço. Depois rezei e ouvi conselhos de algumas pessoas mais próximas e senti que deveria confiar na Providência Divina. Quando disse ao Reitor- mor que me colocava à disposição para a missão, senti uma paz interior muito grande. Logo percebi a acolhida fraterna dos salesianos da Visitadoria que me enviaram mensagens e orações. Hoje sinto vontade de conhecer logo a Visitadoria com todos os irmãos salesianos. Rezo para que Maria Auxiliadora, padroeira da Visitadoria, nos indique o melhor caminho e nos acompanhe sempre.

Dom Bosco e os jovens: o que são para si? São a razão de minha existência. Quando entrei para o seminário era ainda pequeno e não sabia das coisas salesianas. À medida que fui caminhando e conhecendo Dom Bosco fui me apaixonando por tudo que ele fez e nos deixou em legado. Não consigo ver Dom Bosco separado dos jovens. Por isso esta paixão é a mesma para o fundador e para os destinatários da missão que abraçamos.

Uma mensagem para a Família Salesiana de Moçambique.

“Deus colocou-nos neste mundo para os outros” (DB).

Devemos entregar a nossa vida para a maior Glória de Deus e a Salvação de todas as pessoas que Ele nos confia. Para isso precisamos fazer sempre a vontade dEle e permitir que Ele conduza nossos passos. Só assim receberemos dEle o Espírito Santo que vai nos iluminar e impulsionar em nossas ações.

Fiquem Com Deus e na companhia de Maria Auxiliadora e Dom Bosco.

Marco Biaggi No passado dia 17 de Junho, o Reitor-Mor nomeou Inspector (Provincial) da Visitadoria de Maria Auxiliadora de Moçambique o Padre Marco Biaggi.

O BS pediu ao novo Provincial para que nos apresente a sua pessoa, para assim melhor o conhecermos. Obrigado!7 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Dom Bosco sonhador “Os sonhos são material interessante para captar mais em profundidade as caraterísticas da mentalidade e do discurso espiritual de Dom Bosco” (Aldo Giraudo) Aos 22 de dezembro de 1876 Dom Bosco teve este sonho. O ambiente do mesmo desenvolvia- se numa ‘planura semelhante ao mar quando está em perfeita calma, mas formada por brilhantes cristais. A vista perdia-se na sua vasta superficie’.

Neste ambiente de beleza e envolvidos por uma musica instrumental ‘via-se um número imenso de habitantes’. ‘Conheci muitos deles. Mas os que se aproximaram mais de mim foram: Domingos Sávio, o padre Alasonatti, o padre Chiala, o padre Giulitto...’.

Nesse momento se inicia um diálogo entre Domingos e Dom Bosco, onde o seu querido aluno (falecido em 1857) lhe vai indicando o sentido de tanta beleza que vê, que representa simbolicamente o paraíso.

Num momento da conversa, Domingos diz a Dom Bosco: ‘Estás a receber ordens severas da parte do Senhor e ai de ti se não te empenhares em cumpri-las.

Algumas coisas são referentes ao passado, outras ao presente e não poucas referem-se ao futuro.

Em relação ao passado é a falta de fé, demasiada timidez. Olha quantas almas conduziram ao céu os Oratórios e vemos multidões delas. Seriam mais de cem mil, se tivesses tido a fé viva como devem ter os ministros do Rei dos reis.

Para o presente tens aqui um ramo de flores, toma-o e faz dele um O Sonho do Jardim Salesiano presente para todos os teus filhos de todas as idades e condições, e garantir-lhes-ás o reino dos céus.

- Mas não compreendo o sentido disto -disse Dom Bosco- - Dar-te-ei uma explicação: a rosa é a caridade; a violeta a humildade; o lírio a castidade; o girasol a obediência; a perpétua a perseverança; a hera a mortificação; a espiga de grão a sagrada comunhão; a genciana a penitência. Cada uma destas coisas será devia e longamente explicada, e darás aos teus um tesouro finito que os conduzirá a um prémio infinito.

- Diz também -comentou Dom Bosco- alguma coisa referente ao futuro.

- Já não sou eu que falo -disse Domingos-, mas é Deus misericordioso que só Ele sabe e se exprime assim: Para a Congregação Salesiana despontará uma luminosa aurora dos quatro cantos da terra.

Batalhas e triunfos, mas as suas forças crescerão bastante, se os chefes não deixarem desviar as rodas do carro no qual o Senhor se sentou.

- Qual é o estado atual dos meus rapazes? -perguntou Dom Bosco.

- Deves dizer dos filhos de Deus, que tos confiou e dos quais a seu tempo deverás prestar contas...’ ‘Naquele momento, acordei.

Levanto os olhos, mas tudo era escuridão, não vi mais ninguém e foi só então que me dei conta de estar na cama, mas tão abatido e tão atormentado com aquele sonho, que não consegui dormir nem pensar noutra coisa senão naquele sonho...’8 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Os lugares de Dom Bosco 2 ”De manhã cedo cheguei a Chieri e, na tarde do mesmo dia, dei entrada no seminário. Depois de cumprimentar os superiores e de fazer a minha cama, comecei a passear com o amigo Gargliano pelos dormitórios, pelos corredores e finalmente pelo pátio. Levantando a vista para um relógio de sol, li este verso: As horas passam lentas para quem está amargurado e depressa para quem é feliz». «Eis, disse o amigo, eis o nosso programa: estejamos sempre alegres e o tempo passará depressa»” (Os textos são tirados das Memórias do Oratório) 1 ”No dia 30 de outubro daquele ano de 1835 devia dar entrada no seminário (de Chieri)...

Na noite da véspera dea partida chamou-me junto de si e fez-me este memorável discurso: «Meu querido João, recebeste a veste sacerdotal, sinto toda a consolação que uma mãe pode sentir pela felicidade de um filho. Mas recorda-te de que não é o hábito que honra o teu estado, é a prática da virtude. Se porventura viesses a duvidar da tua vocação, ah por caridade! não desonres este hábito.

Despe-o logo»” (Na foto da direita a entrada principal do Seminário) 3 ”Não raramente, o meu recreio era interrompido por Comollo. Pegava-me pela batina e, dizendo- me que o acompanhasse, levava-me à capela para a visita ao Santíssimo Sacramento pelos agonizantes, a rezar o terço ou ofício de Nossa Senhora em sufrágio das almas do purgatório. Este maravilhoso companheiro foi a minha sorte”9 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Pensamentos Gosto do canto dos pássaros que me acordam das noites mais compridas.

Gosto do sopro da brisa quando o calor aperta.

Gosto do silêncio.

Gosto muito do silêncio.

Podíamos ficar aqui, a elencar as coisas boas da vida, as que nos fazem bem.

Coisas boas e gratuitas.

Coisas belas e gratuitas.

O que nos enche o peito não tem preço: nem os sorrisos, nem os abraços, nem o bem-querer.

Nada.

E isso, nos dias que correm, é extraordinário, não é verdade? A gratuidade é um dom maior.

O universo, a terra ou o mar nunca esperam que retribuamos o que nos oferecem, todos os dias.

Deus não nos pede o reembolso do que nos dá.

Pedem-nos, apenas, que lhes sigamos o exemplo.

Que dêmos.

Que nos dêmos.

Gratuidades A verdade é que a partilha nos deixa mais leves, com mais espaço para as coisas que valem efetivamente a pena.

Perdemos tanto tempo a chorar o que não podemos ter, que nos esquecemos de apreciar as sombras que a luz semeia sob os nossos pés ou o beijo do vento que, tantas vezes, nos enxuga as lágrimas.

Perdemos tanta vida a procurar meios para ter coisas que nos preencham os vazios.

Perdemos tanto na luta de cada dia, à espera do tempo em que já não seja preciso lutar mais . E, depois, depois é tarde.

Demasiado tarde.

Gosto das flores e do rolar dos calhaus debaixo das marés.

Gosto da delicadeza das flores e das gargalhadas dos miúdos no recreio da escola.

Coisas gratuitas.

Como o sol e o luar.

Como o sossego.

Como a vida. Como nós.

O que nos faz felizes é presente.

Gratuito, portanto.

Hoje, agradecemos a Deus esta gratuidade, esta coisa de podermos gostar das coisas pequenas, dos gestos simples, das pessoas transparentes e de isso nos deixar com vontade de sermos assim, nós também: gratuitos.

Graça Nóbrega Alves10 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Jovens com vida Nos dias 12 e 13 de julho, no Centro de Es- piritualidade ‘Emaús’, da Ma- tola, 30 jovens realizaram um retiro sobre o famoso sonho de Dom Bosco dos ‘Dez dia- mantes’.

Uma proposta salesiana para os jovens realizarem um ca- minho para alcançar a ‘Taça da Santidade’, a todos ofere- cida por Deus.

Nos próximos números do BS iremos aprofundando nesta espiritualide.

Neste ano do Bicentenário do nascimento de Dom Bosco, a proposta de SANTIDADE aos jovens que, o Pai e Mestre dos jovens, lhes oferece através do sonho dos Dez Diamantes, é um convite a criar uma estrutura espiritual e humana que permita ao jovem crescer em humanidade, em vida cristã, em santidade.

Para melhor perceber os Diamantes, os dividimos da seguinte maneira: Grupo A- 3 diamantes centrais na nossa vida de testemunho cristão: Fé, Esperança e Caridade.

Grupo B- 3 diamantes centrais na nossa vivência interior de vida cristã: Obediência, Pobreza e Castidade.

Grupo C- 3 diamantes que marcam o estilo de vida cristã: Trabalho, Temperança e Jejum.

Grupo D- 1 diamante para o futuro e a eternidade: Paraíso.

Com estes Dez Diamantes, o jovem cristão pode organizar o seu PROJECTO DE VIDA, tendo em conta, que os Dez formam uma REDE onde todos eles estão inter-ligados e inter-dependentes.

A melhora dum deles, melhora os outros. Ao contrário, o enfraquecimento do brilho dum deles, enfraquece os outros.

A vivência destes Dez Diamantes, adaptados à vida do jovem cristão, vai permitir que o jovem passe a viver uma vida mais consciente, com um interioridade de vida no Espírito, uma vida com esperança e alegria, guiada pelo amor e cheia de Deus Olhando os 4 grupos em que dividimos os Diamantes, eles nos levam ao coração da vida do cristão (A); uma vida que segue as atitudes fundamentais de Jesus (B); que gera uma maneira de viver no mundo (D) e cujo fim é a vida eterna com Deus Amor (E).

O Jovem dos Dez Diamantes11 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Jovens santos de hoje Carlos Acutis (1991-2006) O jovem Carlo Acutis morreu com só 15 anos por causa duma leucemia fulminante, mas deixou na lembrança de todos aqueles que o conheceram um grande vazio e uma profunda admiração pela seu breve e intenso testemunho de vida autenticamente cristã, vivida de maneira heroica, alimentada pelo seu grande amor pelo Senhor, presente sobretudo no Sacramento da Eucaristia e pela devoção filial à Nossa Senhora.

Rezava o Terço e participava na Eucaristia todos os dias.

Muitas vezes fazia a Adoração Eucarística. Nele, o jovem moderno de hoje soube estar em harmonia com a sua profunda vida eucarística e mariana, que fizeram dele um rapaz especial, admirado e amado por todos.

Era um jovem estudante, dedicado, jogava ao desporto, gostava muito dos animais domésticos, tinha muitos amigos.

Carlo esta dotadíssimo para o mundo da informática, de tal forma que os seus amigos e também os adultos licenciados em engenharia informática o consideravam um gênio. Neste mundo digital Carlo programava computadores, realizava vídeos, criava páginas de internet, publicava jornaizinhos, e ainda se dedicava ao voluntariado com os mais necessitados, com as crianças e os anciãos.

Este jovem, da diocese de Milão (Itália) foi uma presença de Deus no meio de todos. Quando os médicos lhe informaram da sua doença que não tinha cura, Carlos não chorou. Não se queixou.

Somente disse: a ofereço pelo Papa e pela Igreja.

Foi iniciado recentemente o processo de Beatificação e Canonização.

Um novo modelo de santo jovem, da era da internet, para apresentar 1- Tens de querer com todo o coração querer ser santo e, se ainda não o desejas, o deves pedir com insistência ao Senhor.

2- Procura ir todos os dias à Santa Missa e de receber a Santa Comunhão.

3- Lembra-te de rezar cada dia o Santo Rosário.

4- Lê cada dia um trecho da Sagrada Escritura.

5- Se consegues fazer um momento de Adoração Eucarística diante do Sacrário, onde realmente está presente Jesus, verás como aumentará prodigiosamente o teu nível de santidade.

6-Se podes, confessa todas as semanas, mesmo os pecados veniais.

7- Frequentemente faz propósitos e ‘flores espirituais’ ao Senhor e Nossa Senhora para ajudar os outros.

8- Continuamente, pede ajuda ao teu Anjo da Guarda que deve de ser o teu melhor amigo.

aos nossos jovens de hoje.

Na sua página web (www.

carloacutis.com), ainda em funcionamento, Carlo partilha os seus segredos especialíssimos para conseguir velozmente a santidade:12 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 6º SEGREDO: NÃO TENHAS MEDO DE REPETIR OS TEUS AVISOS, MAS SEM EXAGERAR! Nas RS anunciar uma coisa não é suficiente, porque ao longo do dia na própria conta se mistura com outras mensagens e se pode perder e não chegar ao conhecimento dos destinatários.

Poder lembrar a noticia várias vezes, mas de distintas formas e em vários horários diferentes, com imagens e apresentações diferentes e palavras novas. Um anuncio simples e breve. Os jovens o reenviarão aos outros.

7º SEGREDO: NÃO DIGAS NAS RS O QUE NÃO DIRIAS NA VIDA REAL Temos de ser sinceros e honestos com os adolescentes e jovens. O que lhes dizemos em internet o dizemos a eles na vida real.

Por motivos de segurança, os grupos devem ser ‘públicos’, que toda a gente possa ver e ler.

Em certos países, devemos ter autorização dos pais para colocar a menores de idade no grupo da RS.

Em Comunicação Todos somos conscientes de que as ‘redes sociais’ digitais fazem parte da vida do povo, e não só dos jovens, embora é neste grupo social onde mais incidência têm.

O Papa Francisco diz que internet ‘é um dom de Deus’. Como educadores devemos saber valorizar estes novos dons e ‘saber estar’ para também educar e evangelizar nestes meios. Mas não só isto, devemos também ajudar os jovens a saber viver nas redes sociais, e a saber testemunhar a sua vida cristã neste novo contexto.

E como diz o Papa Bento XVI, fazer que esse mundo digital seja mais ‘verdadeiro, bonito e belo’.

Seguindo a experiência do americano, o P. Mattew P.

Scheider, apresentamos 7 maneiras válidas de saber estar nas redes sociais com os jovens e para os jovens.

1º SEGREDO: SÉ TU MESMO Quem sabe ajudar os jovens na vida real, também saberá ajudá-los em Internet. Não temos de mostrar o que não somos para ‘agradar’ mais aos jovens. Geralmente, os ‘freelances’ (mensagens livres) fazem isso: não mostram o que são na verdade! 2º SEGREDO: NÃO É ORGULHO DAR-TE A CONHECER É normal que possamos publicar nas redes sociais (RS) aquilo que nós fazemos. É um meio moderno para nos dar a conhecer e dar a conhecer o que fazemos. Agora bem, temos de usar equilíbrio: não ser cansativo com uma mesma notícia.

3º SEGREDO: É NECESSÁRIO DEDICAR ALGO DE TEMPO Nas RS temos de inter-agir: ler aos outros, responder, relacionar-se… É importante ter a muitas pessoas conectadas contigo, mas que realmente estejam conectadas.

Tem de saber que estás aí, que conservas o contacto (não o endereço, mas sim a relação).

Isto exige tempo para revisar e responder.

4º SEGREDO: MOSTRA QUE VALORIZAS AOS TEUS CONECTADOS Na vida real, não digital, quando falamos ou escutamos, mostramos com gestos a nossa aprovação, alegria, desagrado, tristeza… Em Internet, também devemos de exprimir isto como breves respostas: Gosto, bem dito… Em Facebook existe o ‘eu gosto’.

Quem trabalha nas ‘paróquias’ de rede (grupos de catequese, de jovens…) deve de ler e comentar o que os seus jovens colocam nas redes. «Se conectas com eles, eles conectarão contigo».

5º SEGREDO: SEPARA A TUA CONTA PESSOAL DA CONTA DO TEU APOSTOLADO JUVENIL As contas devem ser criadas para unir pessoas por afinidades. A tua conta pessoal é para aquelas pessoas que fazem parte da tua historia ou vida pessoal e íntima.

Todos os que estais unidos nela vos interessais pelo que colocais.

A conta com o grupo dos jovens com quem trabalho é diferente.

Aí colocamos todo o que nos interessa a todos e todos desejamos saber o que se passa ou vai suceder… Os 7 segredos para evangelizar os jovens nas redes sociais13 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Em Família A Família Salesiana de Moçambique ficou enriquecida com um novo grupo da nossa Família: As Irmãs Missionárias de Maria Auxiliadora.

A pequena comunidade que está realizando a fundação da sua presença em Moçambique, está formada por duas irmás, à espera das outras irmãs que virão nos próximos meses.

A pedido do Sr. Arcebispo de Maputo, a sua comunidade está a trabalhar em Ponta de Ouro.

Na fotografia, as duas irmãs actualmente presentes (esquerda e meio) junto à Conselheira Geral que veio para as visitar (direita).

Irmãs Missionárias de Maria Auxiliadora Na Casa Geral dos Salesianos, em Roma, os representantes dos Grupos da Família Salesiana (FS) reuniram-se para o anual encontro da Consultoria Mundial da Família Salesiana, desta vez, com o novo Reitor-Mor.

Entre os temas desenvolvidos: partilha de planos, projetos e experiências dos diferentes grupos; reflexão sobre o sentido que o Bicentenário de nascimento de Dom Bosco assume para a FS...

Estavam representados 23 dos 30 Grupos que formam a FS.

No sábado, 5 de Junho de 2014, e como preparação para o início do Bicentenário, a Família Salesiana do sul de Moçambique, rez um retiro intenso nos locais do Instituto Superior Dom Bosco.

Participaram quase 80 membros de quase todos os grupos.

O pregador foi o mesmo que o dos salesianos para este ano: P.

António C. Galhardo, do Brasil. As suas reflexões trataram sobre Dom Bosco e sobre Mamã Margarida, muito apreciada esta segunda palestra por todas as participantes.14 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 O dia 22 de Setembro começará, em Roma, o XXIII Capítulo Geral das FMA.

O tema central do CG é: ‘Ser, hoje com os jovens, casa que evangeliza’.

Moçambique será representado pela Provincial Irmã Paula C.

Langa e a Delegada Ir. Carolina.

O dia 19 de Outubro, o Diácono salesiano, António Ernesto, será ordenado Sacerdote na Missão Salesiana de Moatize.

O Bispo ordenante será D.

Grachane, da Diocese de Nacala.

António Ernesto é natural de Changara (Tete) .

NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES No dia 13 de Setembro, o P.

Marco Biaggi, tomará posse como Superior da Visitadoria Salesiana.

A sua chegada para Moçambique está prevista a partir do dia 10 de Agosto.

Será o Regional de África que presidirá a cerimónia religiosa em nome do Reitor-Mor.

ANS de Moçambique Tempo de férias paras os alunos é tempo dos Exercícios Espirituais: para os Salesianos em Mumemo, em dois grupos, e para os noviços em Bilene (mas, sem praia!).

Iniciou o campeonato Dom Bosco Sub-13 na Obra salesiana de Moamba.

E, os mais novos, se manifestaram para lembrar os Direitos das Crianças Africanas.15 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES NOTÍCIAS BREVES No dia 16 de Agosto será o início das Celebrações do Bicentenário do nascimento de Dom Bosco.

A Família Salesiana do sul vai- se encontrar na Missão de São José de Lhanguene.

Após a solene eucaristia, haverá momento de convívio e de partilha na mesa.

No dia 9 de Agosto se realizará novamente a MARCHA DA SANTIDADE: iniciará em Infulene (FMA) e terminará na Matola (SDB).

Esta actividade promovida pelos Amigos de Domingos Sávio e aberta a todos os adolescentes,quer convidá-los, através do caminho, levá-los a metas mais altas.

No Centro de Espiritualidade ‘Emaús’, dos Salesianos de Ma- tola, pouco a pouco, estão cres- cendo os grupos que pedem a utilização dos locais, mas sobre- tudo, a ajuda dos salesianos para lhes animar os encontros.

Neste ano de 2014 já passaram pelo Emaús mais de 1.000 parti- cipantes.

Visita pastoral do Bispo de Pemba à missão de Santa Isabel de Chiúre, onde as Filhas de Maria Auxiliadora tem uma forte presença pastoral e educadora naquela Vila.

Durante a semana que durou a Visita, o Sr. Bispo crismou a 1.400 cristãos daquelas comunidades. Um autêntico Pentecostes! A festa anual da Gratidão, da Provincia de São João Bosco das FMA -momento de homenagem a todo o trabalho salesiano que se realiza- encontrou o seu momento central nas celebrações no Chiúre e na pessoa da Provincial Ir. Paula C. Langa.16 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Maria no carisma salesiano Olhemos para Maria que deu um luminoso testemunho de fidelidade em cada instante da sua existência. Poderemos assim descobrir a beleza de nos sentirmos envolvidos no amor de Deus que não se cansa de vir até nós com novas anunciações.

A alegría é um valor irrenunciável para quem escolheu seguir Jesus.

Atrevo-me a dizer que a nossa vocação é uma vocação de alegria que Dom Bosco e Madre Mazzarello testemunharam de uma forma excelente e indicaram- no como caminho de santidade, guiados e amparados por Maria Auxiliadora. A alegria tem a sua origem em Deus. A alegria vem da presença do Senhor, do estar em relação vital com Ele. O Senhor é alegria.

Esta palavra é pronunciada na casa onde Maria habita, na vida de cada dia: lugar de silêncio, de atenção, de liberdade, de relação, de proximidade; um lugar pobre e humilde, mas que tem a porta aberta para o infinito. A casa de Maria conserva a beleza daquilo que é humilde, escondido, onde tudo tem sabor de família e de autenticidade. Nesta casa a Palavra de Deus pode ecoar com liberdade. O Anjo vem ter com ela.

Pede-lhe que se abra à alegria. A Boa Nova não pode ser acolhida se o coração não acreditar, não esperar, não estiver disposto ao inédito de Deus. O sim de Maria explode então cheio e confiante: acolhe o mistério.

Olhar para Maria na sua vida quotidiana e contemplá-la nos momentos fortes em que Deus a chamou para voltar a dizer o seu sim abre-nos horizontes infindos de luz. Encontramo-la no momento do seu primeiro sim em Nazaré e seguimo-la no seu caminhar ao encontro de Isabel onde a casa se enche de alegria e brota o canto do Magnificat que ressoa ainda hoje com todo o seu esplendor.

Gozamos com a intuição de Maria em Caná da Galileia e sofremos com ela aos pés da cruz, momento igualmente difícil e alegre quando, entregue por Jesus, João acolhe Maria na sua ‘casa’, na sua vida, no seu coração. Paremos com ela no Cenáculo, uma casa que recorda a intimidade de Jesus com os seus e que agora, vazia da presença física do Filho, é habitada pelo Espírito Santo fonte de alegria.

Maria, em toda a sua vida, é para nós um testemunho luminoso de como construir a casa, como habitar na casa, como ser casa.

É um percurso de forte espessura pedagógica que nos reporta às origens carismáticas, quando Dom Bosco e Madre Mazzarello se deixaram guiar, passo a passo com imensa confiança, pela sua presença.

Podemos dizer que Valdocco e Mornese são ‘terras da alegria’ nas quais se saboreia o reflexo de Deus, a alegria do coração que irradia e difunde a beleza de uma vida doada a Deus na totalidade e sem condições, como a de Maria fundada sobre a rocha, sobre a fé na Palavra. Um grande motivo de alegria é a presença dos jovens na nossa vida e na nossa oração.

Eles enchem-nos de alegria! Ir. Ivonne Reungoat, Fma Com Maria, testemunhas e anunciadores de alegria Este artigo recolhe os pensamentos da carta enviada pela Madre Geral às FMA (Nº 945 – Abril 2014).

É uma leitura actualizada da presença de Maria no carisma M aria, é para nós um testemunho luminoso de como construir a casa, como habitar na casa, como ser casa.17 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) A espiritualidade salesiana Estamos celebrando, a partir do dia 16 de Agosto, o Bicentenário de Dom Bosco e, por isso, desde estas páginas centrais do BS, queremos que os nossos leitores tomem contacto directo com o coração e a espiritualidade de São João Bosco.

Apresentamos a seguir, os textos de duas cartas que D.

Bosco escreve a um aluno que se encontra de férias (p.17), e ao grupo dos ‘aprendizes’ (os alunos da formação profissional) que estão em Valdocco (p.20).

Em ambas as cartas, descobrimos que o amor de Dom Bosco por cada jovem, não é fruto da procura de amores afectivos, vai muito mais além: o amor que Dom Bosco nutre por cada um tem uma finalidade grande, eterna: levá-los ao céu, ao paraíso, ao encontro eterno com o Amor, que é Deus.

Um desafio e um convite para cada membro da Família Salesiana, para cada educador e evangelizador e, em fim, para cada pai e mãe de família.

«A Stefano Rossetti S. Ignazio presso Lanzo, 25 de julho de 1860 Amadíssimo filho, A carta que me escreveste encheu-me de satisfação. Com ela mostras que compreendeste qual é a minha atitude para contigo.

Sim, meu caro, eu amo-te de todo o coração, e o meu amor por ti tende a fazer o que posso para te ajudar a progredir no estudo e na piedade e guiar-te pelo caminho do céu.

Recorda as inúmeras orienta- ções que te dei em várias circunstâncias; vive alegre, mas a tua alegria seja verdadeira como a de uma consciência limpa do pecado.

Procura tornar-te muito rico, mas rico de virtude, sendo a maior riqueza o santo temor de Deus.

Foge dos maus e sê amigo dos bons; coloca-te nas mãos do teu pároco, segue os seus conselhos e tudo correrá bem.

Dá cumprimentos meus aos teus pais; reza por mim ao Senhor e, enquanto Deus te conserva longe de mim, suplico-Lhe que te mantenha sempre na sua graça até que estejas de novo connosco, enquanto te sou com paterno afeto.

Af.mo Pe. João Bosco» 18 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 A espiritualidade salesiana « Um dia disse Deus a Moisés: “Lembra-te bem de cumprir as minhas ordens, e faz tudo segundo o modelo que te mostrei na montanha”( Es 25, 40). O mesmo diz Deus aos cristãos.

O modelo que cada cristão deve copiar é Jesus Cristo. Ninguém pode gloriar-se de pertencer a Jesus Cristo se não se empenha em imitá-l’O. Por isso na vida e nas ações de um cristão devem encontrar- se a vida e as ações de Jesus Cristo mesmo.

O cristão deve rezar como rezou Jesus Cristo no monte com recolhimento, com humildade, com confiança (Lc 6, 12).

O cristão deve ser acessível, como era Jesus Cristo, aos pobres, aos ignorantes, às crianças (Lc 18, 15-17).

E le não deve ser orgulhoso, nem pretensioso nem arrogante. Faz-se tudo para todos a fim de ganhar a todos para Jesus Cristo.

O cristão deve tratar com o seu próximo como tratava Jesus com os seus discípulos: por isso as suas conversas devem ser edificantes, caridosas, cheias de gravidade, de doçura e de simplicidade.

O cristão deve ser humilde, a exemplo de Jesus Cristo, que de joelhos lavou os pés aos seus apóstolos e lavou-os também a Judas, embora soubesse que aquele pérfido iria traí-l’O (Jo 13, 4-15).

O verdadeiro cristão considera-se menor que os outros e servo de todos (Mc 9, 35).

O cristão deve obedecer como obedeceu Jesus Cristo, que se submeteu a Maria e a S. José (Lc No livro ‘A chave do Paraíso na mão do católico que prática os deveres de bom cristão’ (OE VIII, 1856, pp 20-23), Dom Bosco apresenta num bonito texto, que reproduzimos a seguir, a figura de Cristo como modelo para todo cristão: a fé em Jesus nos leva a viver como Jesus, a ser outros Jesus.

2, 51), e obedeceu ao seu Pai celeste até à morte e morte de cruz (Fil 2, 8). O verdadeiro cristão obedece aos seus pais, aos seus patrões, aos seus superiores, porque neles reconhece Deus mesmo, de quem fazem as vezes (Ef 6, 1-7).

O verdadeiro cristão, no comer e no beber, deve ser como Jesus Cristo nas bodas de Caná da Galileia e de Betânia (Jo 2, 1-11; Lc 10, 38-42), isto é, sóbrio, temperante, atento às necessidades de outrem e mais ocupado do alimento espiritual do que dos pratos de que o corpo se nutre (Jo 4, 34).

O bom cristão deve ser com os seus amigos como era Jesus Cristo com João e com Lázaro. Deve amá-los no Senhor e por amor de Deus; confia-lhes cordialmente os segredos do seu coração; e se eles caem no mal, emprega toda a solicitude para os fazer voltar ao estado de graça.

O verdadeiro cristão deve sofrer com resignação as privações e a pobreza como as sofreu Jesus O modelo que cada cristão deve copiar é Jesus Cristo19 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) O retrato do verdadeiro cristão Cristo, que nem sequer tinha onde apoiar a cabeça (Jo 11, 5; 13, 23-25). Sabe suportar as contradições e as calúnias, como Jesus Cristo suportou as dos escribas e dos fariseus (Mt 27, 12-14), deixando a Deus o cuidado de o justificar. Sabe suportar as afrontas e os ultrajes, como fez Jesus Cristo quando lhe deram uma bofetada, lhe cuspiram na face e o insultaram de mil maneiras no pretório (Mt 27, 27-31).

O verdadeiro cristão deve estar disposto a suportar as penas de espírito, como Jesus Cristo quando foi traído por um dos seus discípulos, renegado por um e abandonado por todos (Mt 26, 45-50. 56. 69-75).

O bom cristão deve estar disposto a sofrer com paciência qualquer perseguição, qualquer doença e até a morte, como fez Jesus Cristo, que com a cabeça coroada de espinhos pungentes, com o corpo dilacerado pela flagelação, com os pés e as mãos trespassados pelos pregos, entregou em paz a sua alma nas mãos do seu Pai celeste.

D e maneira que o verdadeiro cristão deve dizer com o apóstolo S. Paulo: Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (Gal 2, 20). Quem seguir Jesus Cristo, segundo o modelo aqui descrito, tem a certeza de um dia ser glorificado com Jesus Cristo e reinar com Ele eternamente».

O quadro de Bogani, que está ao pé desta página, mostra a Dom Bosco, discípulo fiel de Jesus, durante a multiplicação dos pães. Dom Bosco, apóstolo de Jesus, faz-se colaborador do Mestre para distribuir o ‘Pão de Jesus’ aos jovens. O texto apresentado nos mostra esta ideia fixa de Dom Bosco para levar os jovens a Jesus, e para que Jesus seja o elemento central na vida diária do jovem. Desta convicção e vivência sairam os jovens santos do Oratório e das Casas Salesianas.20 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 A espiritualidade salesiana «À comunidade dos aprendizes de Valdocco Roma, 20 de janeiro 1874 Caríssimo padre Lazzero e meus caríssimos aprendizes, Embora eu tenha escrito uma carta a todos os meus amados filhos do Oratório, todavia, sendo os aprendizes como a menina dos meus olhos e, além disso, tendo pedido para eles uma bênção especial do Santo Padre, penso que ficareis contentes por eu dar largas ao meu coração com uma carta.

Que eu sinta um grande afeto por vós não é necessário dizer-vo-lo, disso vos dei claras provas. Que vós me queirais bem, não é preciso que o digais, porque constantemente mo demonstrastes. Mas em que se baseia este nosso afeto recíproco? Na bolsa? Na minha não, porque a gasto por vós; nem na vossa, porque, não leveis a mal, não a tendes.

Portanto, o meu afeto baseia-se no desejo que tenho de salvar as vossas almas que foram redimidas pelo precioso sangue de Jesus Cristo, e vós amais-me porque procuro conduzir-vos pelo caminho da salvação eterna. Por isso o bem das nossas almas é o fundamento do nosso afeto Af.mo Pe. João Bosco» CELEBRAÇÕES OFICIAIS NOS LUGARES DE DOM BOSCO Apresentamos o calendário com as celebrações oficiais principáis que se vão realizar no Colle Dom Bosco-I Becchi (lugar do nascimento de D. Bosco - foto da direita) e em Valdocco (lugar do nascimento da Família Salesiana).

A estas, haverá que ajuntar outras celebrações que os países com presença salesiana e as suas Inspectorias, organizem nestes mesmos lugares e nas suas terras.

A celebração especial (ainda sem datas marcadas) é a visita do Papa Francisco aos lugares de Dom Bosco.

A Diocese de Turim, exporá durante os meses de Abril a Agosto a Síndone para as peregrinações dos jovens.

ANO 2014 16/08: Colle Don Bosco : Eucaristia do Início do Bicentenário 28/09: Valdocco: Envio dos novos missionários 19-23/11: Roma: Encontro do Instituto de História Salesiana ANO 2015 15-18/01: Roma: 33º Jornadas de Espiritualidade da Família Salesiana 19-21/03:Roma: Congresso Pedagogico na Universidade Salesiana 21-25/05: Valdocco: Encontro de Bispos Salesianos 6-09/08: Valdocco: Encontro Internacional das ADMAS 11-16/08: Colle Dom Bosco: Encontro Mundial do Movimento Juvenil Salesiano 16/08: Colle Don Bosco: Encerramento do ano do Bicentenário com os jovens21 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Testemunhos Caríssimos irmãos e irmãs, É com muita alegria que vos escrevo estas breves palavras para saudar-vos e contar um pouco da minha vida desde que comecei a ser membro do conselho geral, como Regional de Africa e Madagáscar.

No dia 2 de Junho iniciamos as reuniões do conselho geral que se prolongam até o dia 11 de Julho: Por dia temos cerca de duas horas de reunião. Tratamos vários assuntos da vida congregação.

Particularmente neste tempo se nomeiam os provinciais e os diretores das comunidades.

Estando no início do sexénio, período de seis anos, que trabalharemos juntos, agora estamos empenhados em fazer a programação para os próximos seis anos, 2014 a 2020. É um bom exercício de planificação a longo prazo. Estamos a fazer um bom esforço de coordenação para melhor harmonia e comunicação.

Além destas reuniões de cerca de dois meses cada semestre, tenho a missão de visitar os salesianos de Africa e Madagáscar e trabalhar diretamente com os provinciais e seus conselhos.

Por isso, normalmente, estarei 4 meses em Roma, na casa geral e 8 meses fora visitando os salesianos que vivem e trabalham em Africa. É um trabalho árduo mas bonito e enriquecedor.

Os dias que tenho passado na casa geral, tem sido de muita aprendizagem . Pela nossa casa passa gente de todo o mundo, salesianos e muitos leigos que trabalham connosco.

Nestes dias têm se realizado vários encontros de planificação e avaliação. Na casa somos cerca de 60 salesianos mas cada um tem um empenho especifico e entre nós há muita interação e espírito de mutua ajuda. Cada um faz o mais que pode para que se atinjam os resultados de animação e governo de toda a congregação e da família salesiana.

No meio do trabalho há espaço para recreação e convívio .

celebram-se os momentos da vida pessoal de cada irmão: o onomástico, o aniversário da profissão religiosa, o aniversario da ordenação sacerdotal… O tempo passa veloz, com muitas ocasiões especiais. A vida torna- se uma verdadeira festa. Vivemos como irmãos e amigos. Rompemos barreiras culturais e procuramos acolhermo-nos e respeitarmo- nos nas nossas diferenças que na verdade são uma riqueza.

Aos sábados e domingos repousamos das reuniões mas se intensifica a gestão do tempo pessoal: há quem aproveite para rezar, outros para descansar, visitar a Roma histórica, o Vaticano e outras igrejas importantes na tradição cristã, e finalmente alguns fecham assuntos que ao longo da semana não conseguiu terminar.

Ao viver isto tudo gostaria que cada salesiano, cada um de nós pudesse ser feliz onde se encontra e pudesse partilhar com os outros o melhor de si.

Termino, lembrando que brevemente, no dia de 16 de Agosto será a abertura das celebrações do bicentenário do nascimento de Dom Bosco.

Não nos esqueçamos do percurso que fizemos como congregação e Família salesiana para conhecer melhor Dom Bosco. O nosso Reitor-Maior de então, dom Pascual Chávez tinha-nos proposto uma caminhada de três (3) anos de preparação deste bicentenário, para conhecer a história de Dom Bosco, a sua pedagogia e a sua espiritualidade.

Durante esse período, em Abril de 2012, em Moçambique acolhemos a peregrinação das relíquias de Dom Bosco. Foi um momento especial e de graça. Ao vivermos este ano da celebração do bicentenário do nascimento de Dom Bosco devemo-nos empenhar em identificarmo-nos com Dom Bosco na sua paixão pelo jovens de modo particular os mais pobres. Seria belo que também os salesianos e membros da Família salesiana de Moçambique realizassem um novo tipo de presença no mundo juvenil e organizassem uma peregrinação pela terras que viram Dom Bosco crescer e gastar a sua vida pelos jovens.

Faço votos que Dom Bosco inspire a cada um nós a descobrir nos jovens a missão da sua vida, a sua vocação.

P. Américo Carta do Regional de África, P. Américo R. Chaquisse à Família Salesiana de Moçambique22 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Vida da Igreja O nosso país vive nos ultimos tempos perturbações de armas, de violencias, mas também de situações de injustiças, de benefícios para uns poucos e de pobreza para muitos, de percas de terra pelos pobres campesinos e enriquecimento exagerado dos que já têm. Os jovens ficam na rua porque não têm trabalho.

Os cristãos, temos de saber ler a realidade social em que vivemos -e na qual também sofremos-, desde a óptica evangélica.

A Igreja, com o seu Compêndio de Doutrina Social, publicado em 2004, vai-nos indicando linhas por onde devemos caminhar, para que que o ‘Reino de Paz e de Amor’ seja uma realidade em Moçambique e no mundo.

Os cristãos, jovens e adultos, não podemos ficar parados diante de tantas situações que fazem sofrer, e muito menos, devemos ser protagonistas de actos que originem injustiça e desgraça para os outros.

Os discípulos de Jesus também devemos ser ‘missionários’ do Senhor no mundo social, no mundo da política, no mundo da economia. Cada um desde o lugar que ocupa na sociedade, deve ser Por uma sociedade reconciliada na justiça e no amor ‘sal e luz’ para fazer que a nossa sociedade viva em paz e harmonia, fruto da justiça verdadeira.

Tiramos do Compêndio algumas afirmações que nos podem iluminar: + «Com a doutrina social, a Igreja se preocupa com a vida humana na sociedade, ciente de que da qualidade da experiência social, ou seja, das relações de justiça e de amor que a tecem, depende de modo decisivo a tutela e a promoção das pessoas, para as quais toda comunidade è constituída» (nº 81).

+ «Na sociedade estão em jogo a dignidade e os direitos das pessoas e a paz nas relações entre pessoas e entre comunidades de pessoas. Bens estes que a comunidade social deve perseguir e garantir» (nº81).

+ «A doutrina social comporta também um dever de denúncia, em presença do pecado: é o pecado de injustiça e de violência que de vário modo atravessa a sociedade e nela toma corpo. Tal denúncia se faz juízo e defesa dos direitos ignorados e violados, especialmente dos direitos dos pobres, dos pequenos, dos fracos, e tanto mais se intensifica quanto mais as injustiças e as violências se estendem, envolvendo inteiras categorias de pessoas e amplas áreas geográficas do mundo, e dão lugar a questões sociais, ou seja, a opressões e desequilíbrios que conturbam as sociedades» (nº 81).

+ «A missão evangelizadora e salvífica da Igreja abraça o homem «na plena verdade da sua existência, do seu ser pessoal e, ao mesmo tempo, do seu ser comunitário e social» (nº82).

+ «A Igreja visa a um «humanismo total», vale dizer à «libertação de tudo aquilo que oprime o homem» e ao «desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens» (nº 82).

O Papa Francisco está constantemente convidando a toda a Igreja, desde Bispos até simples cristãos, a ter uma atitude evangélica de SAÍDA, imitando ao Senhor que com a sua Encarnação, saiu desde Deus até nós para nos salvar.

A presença cristã na transformação de Moçambique para que seja um pais justo e feliz, equitativo e solidário, tem de ser mais forte, mais incissiva através de grupos sociais, associações, dos mesmos grupos religiosos das paróquias e comunidades, e estar com voz activa nos poderes de decisão, nas estruturas económicas, nos meios de comunicação social.

O cristão não é só para rezar ‘Pai Nosso’, mas fazer que esta oração de Jesus seja realidade na vida de cada pessoa, de maneira especial, naqueles mais marginados na nossa sociedade.

Os jovens cristãos também tem de ser uma nova força no país para associar-se com todos aqueles homens e mulheres de boa vontade para conseguir uma sociedade onde todos tenham um lugar digno para viver.

É tempo de trabalhar pelo Reino!23 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Cristãos em formação Será que na Igreja Católica posso conhecer com certeza e totalidade a doutrina de Cristo? É esta a missão da Igreja: que todos cheguem a conhecer a verdade de Cristo.

Cristo mandou seus apóstolos ensinar toda a sua doutrina a todos, por todos os séculos (v. Mat. 28,16-20). Cabe a nós escutá-los: “Quem vos escuta, a mim escuta; quem vos rejeita, a mim rejeita” (v. Luc. 10,16).

Hoje há muitos que pregam a Cristo e, como São Paulo, nos alegramos; porém, queremos escutar somente aqueles que Cristo enviou. Estes são os apóstolos e seus legítimos sucessores. Estude Lumen Gentium nº 8.

Afinal, porquê você é católico? Eu sou católico porque é a única Igreja que me oferece Cristo como Pão da Vida.

Não quero que Cristo me reprove: “Examinais as Escrituras... porém não quereis vir a Mim para ter vida” (v. Jo. 5,39-40). Ele me convida: “Eu sou o Pão da Vida...

o que vem a Mim não o encontra fora” (v. Jo. 6,34.37).

Eu sou católico porque Cristo me confiou a sua Mãe. O discípulo amado ao pé da cruz representava todos os cristãos. Se Cristo me disse: “Eis aí a tua Mãe” como vou mudar para uma igreja que me diz: “Não, Maria não é a tua Mãe”? Eu sou católico porque me entusiasma o testemunho de seus santos, o heroísmo de seus mártires, a multidão de suas virgens, o zêlo de seus pregadores, o ardor de seus missionários.

Eu sou católico porque Cristo não se agrada com as divisões e quer que todos formemos, unidos, um só rebanho sob um só pastor.

Jesus Cristo quer a unidade (v. Jo.

17,21).

O sectário primeiro semeia a dúvida e a desconfiança; depois, corta e separa; por fim, monopoliza.

Jesus Cristo quer que em sua Igreja exista um só rebanho e um só pastor (v. Jo. 10,16).

Os apóstolos nos exortam à unidade. “Um só corpo e não membros divididos, um só Espírito e não muitos espíritos, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai” (v. Ef. 4,4).

É a fé dos meus Pais em que fui educado e sou testemunha.

André Kazembe, sdb Eu sou Católico!24 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Construindo Famílias Ambiente familiar são, criança sã! (4ª parte) pais passam por um processo de separação, os filhos apresentam dificuldades escolares.

E dependendo de como os pais vão fazer, como falarão com seus filhos, estes poderão deslocar ou extinguir os sintomas. Sendo muito importante que eles falem com seus filhos, que expliquem o que lhes aconteceu para tomarem tal decisão.

O que mais encontramos são famílias que não querem falar sobre o assunto, calam-se e o não saber sobre sua história, desloca- se para o não-saber em sala de aula.

Uma psicóloga conta a experiência feita num atendimento a uma criança de 4 anos que não conseguia aprender na escola infantil e quando fez a entrevista aos pais, descobriu que a menina era tratada e cuidada como um bebê; usava fraldas, tomava o leite no biberão, chupava chupeta e não conversavam com ela, “pois achavam que ela não entendia”.

A consequência disso foi o fracasso que a criança tinha na escola “pois os bebês não podem fazer coisas relativas à criança de 4 anos”.

À medida que esses pais foram tratando sua filha como uma criança capaz, ela foi se desenvolvendo na escola.

A criança quando não tem dificuldades de ler ou escrever, de fazer uso das letras, de mostrar o que sabe, geralmente é porque está convivendo em uma boa harmonia familiar, quando não tem obstáculos em suas relações familiares.

Mas também, é fundamental que os ensinantes, os educadores, tenham uma boa formação, conhecimentos e desejo para transmití-los aos seus alunos.

Um professor com pouco desejo terá pouca ou n e n h u m a possibilidade d e t r a n s m i s s ã o , pois ele não “contagiará” seu aluno, se ele não tiver causado.

Em contrapartida, encontramos exemplos de alunos que têm bons professores, escolas e condição ambientais favoráveis (materialmente), mas não se desenvolvem como esperado, pois a causa reside em conflitos familiares.

Podemos encontrar pais que não se interessam por seus filhos (porque acreditam que eles vão para a escola para brincar); brigas na família; doença em algum familiar; pouca expectativa no filho, crianças muito mimadas.

Enfim, a relação pode ser extensa.

Podemos encontrar um exemplo bem comum que é, quando os 25 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) As diferentes expectativas que o homem e mulher criam em torno da parentalidade, faz prever que o pai e a mãe têm diferentes papéis a desempenhar na vida dos seus filhos.

É o equilíbrio entre as diferentes funções que os pais desempenham, mostrando di- ferentes comportamentos, sen- timentos e formas de comunicação que perfaz um desenvolvimento saudável da criança.

De um modo geral, a mãe tende a ser mais flexível e compreensiva enquanto o pai tem um papel mais exigente e rigoroso, preocupando- se mais com o seu papel na idade escolar e adolescência dos filhos, participando a mãe nas necessidades físicas e emocionais imediatas das crianças.

Enquanto as mães tendem a proteger das contrariedades e a promover a segurança, os pais procuram preparar para as dificuldades, incentivando a autonomia.

Embora os estudos apontem para o facto de os pais passarem menos tempo com as crianças, importa salientar que a qualidade da interacção (mais do que a quantidade) é um importante preditor do desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

A transição para a parentalidade pode conduzir a alterações na qualidade e satisfação maritais.

Comparativamente com ca- sais sem filhos, os casais que incorporam novos papéis decorrentes da parentalidade referem, com frequência, um declínio na qualidade da relação. Estas mudanças estão Na educação não existem receitas: existe o Amor! associadas à diminuição de aspectos românticos da relação e ao aumento de aspectos instrumentais/pragmáticos.

Para a funcionalidade da parentalidade contribuem di- ferentes factores, existindo por um lado as características da própria criança e também dos pais, e por outro lado os factores de natureza contextual, como o trabalho e o apoio social que influenciam o desempenho dos novos papéis.

(Continuará) Silvana Monachello, Fma O papel do Pai e da Mãe na educação26 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Olhando à vida Isabel, quem lhe comunicou a noticia da nomeação do seu filho como novo Reitor Mor da Congregação Salesiana? A primeira pessoa em me informar foi o Provincial de León (Inspectoria original do P. Angel), P. José Rodriguez Pacheco. A surpresa foi muito grande, não podia acreditar.

Depois, recebi uma chamada do P. Pascual Chávez, até esse momento o Reitor-Mor. Não lhe pude responder por que comecei a chorar de emoção. Recebi também a chamada do Secretário do Reitor Mor, P. Juan José Bartolomé e do P. Filiberto González, Conselheiro para a Comunicação Social.

Que sentimento teve quando lhe comunicaram a eleição? Disse: ‘Meu Deus, ajudai-o; ele te necessita’. Mas não sabia o que pensar nem fazer. Veio o sentimento da preocupação, pois é um serviço de muita responsabilidade e, como tal, teria de enfrentar dificuldades. Mas também… de esperança. Sempre lhe disse que os dons que Deus lhe deu não são para enterrá-los, mas para dá-los aos outros. Como mãe, sei o que ele vale.

Quando lhe chamou o P. Ángel, o que lhe pode dizer? Não foi ao momento. Após duas horas das primeiras chamadas é que pude falar com ele. Disse-lhe que eu já sabia e que Deus ajudá- lo-á quando seja necessário. Ele disse-me que estivesse tranquila, porque não lhe iam faltar essas ajudas. Foi uma conversa muito curta. Nesse momento ele tinha muitos assuntos e me disse que voltaria a me chamar para falar com mais calma.

Como conheceu o P. Ángel aos Salesianos? A mão de Deus está muito clara nas nossas vidas. O meu marido e eu nos dedicávamos à pesca: ele pescava e eu vendia o peixe na nossa pescadaria. Um dia, quando Ángel tinha nove anos, a senhora Maria Sánchez Miñambres, benfeitora de León, e com a qual tínhamos muita amizade, perguntou-lhe se queria ir a estudar aos Salesianos de León.

Ángel disse que ia pensar. Foi no ano seguinte, com dez anos, quando decidiu ir estudar ali. Após quatro anos teve a possibilidade de estudar o nível médio em Luanco (a sua aldeia natal), mas não quis. Queria continuar em León. Desde esse instante, os Salesianos entraram a fundo na sua vida.

Quais são as qualidades do seu filho de que você mais gosta? É bondoso. Tem uma grande doçura e é muito carinhoso. Está atento a tudo, à sua família e às suas tarefas. Tudo isto recebeu, porque desde pequeno lhe demos a fé. Somos uma casa cristã.

Qual é o conselho que lhe deram, como pais, ao longo da sua vida? O que falei antes, o dos talentos, que não eram para ele. Que não O salesiano Jose António San Martin, da atual inspetoria ‘Santiago el Mayor’, com sede em Madrid (Espanha), realizou uma entrevista Dona Isabel Artime, mãe do nosso novo Reitor-Mor.

Podemos afirmar que, as ‘Mães Margaridas’, mulheres simples e de fé, como mães e educadoras, continuam fazendo os Sucessores de Dom Bosco.

Nesta entrevista podemos conhecer melhor as origens do 10º Sucessor de Dom Bosco, P. Ángel Fernández Artime.

As ‘Mãe Margarida’ existem!27 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) os deve de sepultar, que os tem de dar aos outros.

Fazendo memória, lembra Isabel todos os lugares por onde Ángel passou na sua vida salesiana? Não posso esquecer. Primeiro esteve em Astudillo (Palencia).

Logo em Cambados (Pontevedra), onde por questões econômicas não o pudemos visitar. Depois veio a Leon onde esteve até aos 17 anos. Depois foi a Mohernando (Guadalajara) onde fez os primeiros votos. Foi a Valladolid para fazer os estudos universitários de Filosofia. Regressou novamente a León e a Santiago de Compostela (La Coruña) onde fez a sua Profissão Perpétua e estudou teologia. Seguidamente, ordenou-se de sacerdote em León. Foi um tempo à casa salesiana de Avilés (Astúrias), depois a Madrid para fazer os estudos universitários de Teologia Pastoral e Filosofia, regressando a León como Delegado da Pastoral Juvenil, Vigário da Inspectoria e, a continuação, Provincial. Orense foi outro dos seus destinos, vários anos como Provincial em Argentina e, agora, em Roma, de Reitor Mor.

Qual é o presente que lhe fez Ángel e que mais gostou? Uma imagem de Maria Auxiliadora que me trouxe de León quando foi Provincial. Desde que a trouxe, está aqui, em casa, 24 horas ao dia com a sua vela acesa, nunca se apaga. Gostei muito.

Lembra alguma brincadeira de quando era criança? Era tão bom que nunca fez nenhuma brincadeira má.

Quando nasceu não chorava e nos preocupou muito. Mas, nos três anos seguintes, chorou sem parar. Chegou-nos a desesperar, mas, ao regressar à casa dos meus pais, com outros membros da minha família, já não voltou a chorar mais. A sua infância foi difícil, porque esteve muitos dias sozinho em casa. Nós estávamos com a pescadaria.

O que pede a Deus e a Maria Auxiliadora pelo seu filho? Que o ajude muito, que possa levar as coisas adiante. Eu sou de Deus e depois dos santos.

Pedi-lhes que lhe ajudaram na sua nova tarefa. Sem a sua ajuda, nenhuma pessoa humana pode fazer nada. A Congregação Salesiana é um barco que precisa dum bom timonel no mar. Deus e Dom Bosco, como Sucessor dele, o ajudarão nestes anos.

(Na fotografia inferior os pais do Reitor Mor, sua irmã e uma sobrinha)28 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Filhas de Maria Auxiliadora Sexta feira, dia 2 de Maio, chega a Maputo a nossa querida irmã Maritza, Delegada Mundial das e dos antigos alunos das FMA.

O momento de acolhimento se realizou na casa provinciail, um acolhimento típico da nossa cultura carregado de diversos simbolos significativos. E com este gesto para dizer HOYO-HOYO Irmã Maritza à nossa Inspectoria.

No dia 3 de Maio, partimos em direcção a Namaacha ao encontro das antigas e antigos alunos, das irmãs das duas comunidades, das noviças e das meninas do colégio Maria Auxiliadora, onde foi acolhida calurosamente com um canto de boas vindas.

A seguir foi o momento do encontro com as antigas alunas da União da Namaacha, iniciado com as palavras de boas vindas da vice-preisdente da Federeção dos Antigos Alunos, Ana Bocado.

Neste encontro, a irmá Maritza apresentou o tema: IDENTIDADE DOS ANTIGOS ALUNOS DAS FMA À LUZ DAS PRIMEIRAS FONTES. Foi muito rico, seguido com vivo interesse por parte de todas as participantes e muita novidade pudemos perceber sobre a identidade.

Depois partimos da Namaacha rumo ao Jardim à Casa Madre Rosetta, onde nos esperavam as antigas alunas da União de Infulene e da União de São José de Lhanguene e as novas antigas aluna. Por volta das 16 horas iniciou o encontro, onde a Irmá Maritza ajudou a entrar e a perceber a identidade e o papel da\o antiga\o aluna\o (=AA).

No dia 4 de Maio foi a grande assembleia das AA com a irmã Maritza, no Centro de Acolhimento Dom Bosco do Infulene. Foi o momento do acolhimento das AA das Uniões todas, e este dia iniciou com a Eucaristia presidida pelo Padre Leal,sdb.

Iniciamos o encontro, após o intervalo da manhã, com as palavras de acolhimento da Presidente da Federeçáo dos AA, Ana de Lurdes Caia. A seguir foi a leitura do relatório das actividades realizadas pelas AA e a apresentação da Federação e das Uniões.

Após este momento, tomou a palavra a irmã Maritza onde apresentou novamente o tema da identidade. Com este tema pretende dar respostas às muitas perguntas que nascem ou que podem nascer no AA: Visita da Delegada Mundial dos Antigos Alunos e Antigas Alunas 29 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) ‘Quem são os AA? Porque razão é que se fundou a Associação? Qual é a missão e a visão da Associação?’ Dizia também a irmã Maritza, que voltar às origens da Associação permite-nos conhecer a sua natureza e sem alterar a sua substância, inculturá-la no aqui e agora como leigas e leigos comprometidos que vivem a espiritualidade salesiana na família, na Igreja e na sociedade.

Após a apresentação do tema, houve o momento de partilha e de perguntas sobre a formação do Conselho da Federação dos AA, do procedimento das cotas e qual a percentagem que a Federeção deve enviar ao centro, sobre a questão de ser antigo aluno e ao mesmo tempo ser salesiano cooperador. Estas e outras questões foram levantadas.

No fim da apresentação a irmã Maritza manifestou a sua gratidão pelo trabalho que está sendo levado pelos AA, as actividades realizadas nas paróquias, na província, no lugar onde cada um se encontra na sociedade...

De tarde, e após terminar o momento de confraternização, a irmã Maritza reuniu-se com o Conselho da Federeçaõ dos AA, com a presença da irmã Paula Cristina Langa, Provincial das FMA, da irmã Isoleta do Nascimento, responsável da Família Salesiana a nível de Inspectoria e delegada da União de Infulene, a irmã Zvonka delegada da União de Namaacha e a irmã Amélia Savane delegada da Federeção a nível da Inspectoria.

Em primeiro lugar, a irmã Maritza agradeceu a organização do encontro e a participação, enalteceu o trabalho que realizam os AA, o dinamismo da presidente da Federação. A seguir, recomendou a leitura e o estudo do Estatuto da Associação e enviar as propostas de alguma mudança caso haja.

Comunicou a realização do primeiro Congresso dos AA na Páscoa que será no Congo, e a Assembleia electiva a realizar-se em Agosto de 2015, em Roma.

Terminado este encontro, retomamos as actividades para o momento de algumas considerações e para o momento de festa, de gratidão e para reviver o momento do oratório nos ambientes salesianos por onde passaram os AA. Cada União preparou um numero recreativo para manifestar a sua gratidão, com canto,dança e jogo.

Chegados a este momento, o que nos resta senão a viva voz dizer o nosso muito obrigada à nossas querida irmã Maritza por estes dias vividos.

Ir. Amélia Savane, Fma ‘Ser AA é uma GRAÇA: porque é um dom gratuito pela educação recebida.

Ser AA é um COMPROMISSO: viver, partilhar e difundir no próprio ambiente os valores da educação recebida numa casa salesiana. Isto é, transmitir ao mundo a herança educativa de Dom Bosco e de Maria Domingas Mazzarello.

Ser AA é ser EPIFANIA DO CARISMA SALESIANO NO MUNDO’.30 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Páginas missionárias A criança é um grande bem que Deus confiou à humanidade inteira. Ela é ternura, amor, simplicidade, alegria e esperança.

Educar uma criança é educar a sociedade de amanhã. Ela quer ser reconhecida como alguém e ter um lugar na família, com os amigos e amigas, nos divertimentos, na escola, no trabalho e na sociedade. Ela vive na sociedade.

Como Jesus, é capaz de crescer em idade, sabedoria e graça.

P ara responder a este ideal surge uma verdade sempre afirmada por nós SDB: “uma CASA SALESIANA é uma casa que acolhe, uma paróquia que evangeliza, um pátio onde encontrar-se como amigos e uma escola que prepara para a vida”.

A ssim, a Missão-Paróquia de São João Baptista de Moatize, no passado dia 18 de maio, quinto Domingo de Páscoa, pelas 08:00 horas, recebeu uma visita da Pontifícia Obra da Infância Missionária da Sé Catedral - São Tiago Maior, da cidade de Tete, representada por um grupo de, aproximadamente, 60 crianças e adolescentes. O grupo estava acompanhado pelos seus assessores, de modo particular, a senhora Alice, já de idade avançada, que acompanha esta obra do Papa na Sé Catedral de Tete, desde há tempo.

A visita deste grupo teve como objetivo principal, partilhar a alegria de ser missionário(a) “mesmo pequeno”, como diz o próprio hino desta Obra Pontifícia, fundada a 19 de maio de 1843, por Dom Carlos Forbin Janson, Bispo de Nancy, França, cuja motivação principal foram as cartas e notícias que os missionários, principalmente da China, escreviam ao bispo Dom Carlos, contando a realidade triste e dura das crianças dos países de missão: doenças, mortalidade, analfabetismo, abandono, etc.

D iante destes problemas, o Fundador, ajudado pela jovem Paulina Jaricot, teve a ideia original de empenhar as próprias crianças da França na solução dos problemas dos colegas da China. Assim, fundou a “Santa Infância”, chamada, mais tarde, de “Infância Missionária”, com o objetivo de suscitar o espírito missionário universal nas crianças e adolescentes, desenvolvendo o seu protagonismo na solidariedade.

E m contexto de festa, amizade e alegria, após a missa dominical houve vários divertimentos e um almoço partilhado com o grupo Crianças e adolescentes missionários na Missão de Moatize de Infância Missionária local, cuja existência nesta Missão-Paróquia, arrancou no dia 02 de março de 2014, com o salesiano Félix Mário António, ajudado por alguns jovens, nomeadamente, Brain, Bruno, Tereza e Lucas. Na tarde do dia, foi aberta a sessão cultural que se estendeu até à hora da partida dos visitantes aos lugares de proveniência.

E m geral, as crianças e adolescentes viveram um dia muito feliz pela presença animadora e fortificante dos seus homólogos, pertencentes a este grupo que, pouco a pouco, começa a ganhar maior vigor e dinamismo.

Félix Mário António, sdb 31 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) O meu nome é Mouzinho Domingos Joaquim Mouzinho. Sou salesiano coadjutor há cinco anos e pertenço à inspetoria de Maria Auxiliadora de Moçambique; e atualmente encontro-me em Portugal na casa Dom Bosco (casa provincial) com objetivo de me formar na área Musica: a arte que para além de ser o pedido da minha inspetoria, é a arte de que gosto desde infância – “louvar o Senhor cantando”.

O que faço realmente por aqui? Sem querer autoelogiar-me, digo: “quem é salesiano é mesmo salesiano”. Como já referi na apresentação, o meu objetivo (evidentemente o nosso objetivo) aqui é a minha formação musical; por isso sou estudante na escola musical onde este ano tenho como cadeiras a Técnica vocal; Coro; Formação musical (teoria musical); História da Música; Guitarra Clássica. É uma formação que desde já tem-me ajudado muito, e espero colher mais frutos.

Duas vezes por semana, recebo aulas de Língua Portuguesa que tem sido uma ocasião para limar o meu pobre Português.

Ao mesmo tempo, sendo salesiano, não posso; não devo e não convém viver sem pastoral. Por isso, no meio da semana, tenho dado catequese às segundas- feiras e quartas-feiras. Durante fim de semana, desloco-me rumo a casa São Domingos Sávio (em Vendas Novas) onde realizo as minhas atividades pastorais, dirigindo o grupo coral da Paróquia desta casa com o mesmo nome; dando catequese ao grupo que se prepara para o santo de confirmação.

E a nível da formação salesiana? Tendo em conta que sou salesiano jovem e em formação inicial, estou a ser acompanhado pelo diretor, de modo que tenho semanalmente às quartas- feiras, uma hora de aulas de salesianidade; momento que me ajuda a refletir sobre a minha vocação salesiana.

Deixem-me vos confessar que: estou feliz por ser salesiano e sinto que alguém está orientar-me para seguir Jesus nos passos de Dom Bosco.

Termino dizendo que é dentro da vida onde se encontra o seu próprio sentido. No nosso caso como salesianos, é na confusão e no barrulho dos meninos onde se encontra o sentido da nossa vocação salesiana.

Por isso rezemos uns pelos outros para que tenhamos força de aproximar e entrar no meio da confusão e barrulho dos meninos para encontrar o sentido da nossa vocação… Coragem! Ir. Mouzinho Ir. Mouzinho, Missionário moçambicano nas terras lusas32 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Mundo salesiano Roma: A Secretaría Mundial dos Salesianos Cooperadores reuniu- se por primeira vez com o Reitor- Mor P. Ángel. Na sua direita está a Coordenadora Mundial dos Salesianos Cooperadores.

Nairobi (Quénia): Do 14 ao 18 de Julho, 45 salesianos e leigos colaboradores estiveram reunidos no DBYES para um encontro internacional sobre o ensino profissional salesiano em África.

Junto aos delegados das Inspectorias de África, participaram também os conselheiros para a Pastoral Juvenil, Missões e o Regional de África e Madagáscar.

Moçambique esteve representada pelo P. Pedro Garcia e P. Jose Angel Rajoy.

Siria: Em Alepo, a poucos quilômetros de distância onde ainda continuam os combates, cerca de uma centena de crianças frequentam a obra salesiana de Alepo este ano durante as férias: ali vários jovens animadores e Salesianos buscam promover os valores evangélicos do respeito e do amor recíproco.

“Graças a Deus, os Salesianos e os jovens estão bem!” – informa o Inspetor Salesiano do Oriente Médio, P. Munir El Rai,nestes dias em Alepo.33 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) India: O Centro para os Direitos da Criança e do Adolescente “Snehalaya” festejou, no dia 12 de julho, seus primeiros alunos diplomados com o ‘Master’ em Direitos Humanos (Direitos da Criança e do Adolescente, e Desenvolvimento) pela “Assam Don Bosco University” (ADBU).

A cerimônia se realizou no “Guwahati Press Club”. E cada aluno diplomato recebeu também uma placa comemorativa. Seis os alunos formados. A segunda turma já conta com treze alunos Angola: ‘Há populações que vivem em situações incríveis: sem escolas, sem professores, sem hospitais, sem postos de saúde, sem médicos, sem enfermeiros, sem medicamentos; e isso depois de tantos anos de paz!’.

Este o comento de Dom Tirso Blanco SDB, Bispo de Lwena, (quase 200 mil km²).

Entretanto também ali, nessa realidade tão complexa “a obra de Deus progride, a passos lentos, com dificuldades; mas há evangelizadores, sacerdotes, consagradas, que vivem a sua Fé com força e heroísmo” Zambia: Os jovens que frequentam as obras dos SDB da Visitadoria ‘Zambia-Malawi- Zimbábwe-Namíbia’ e das FMA, da Zâmbia, realizaram na semana passada o Congresso anual do Movimento Juvenil Salesiano.

Ao encontro, realizado em Chingola, chegaram 210 jovens, pertencentes a escolas, centros de formação, oratórios e centros juvenis das duas Congregações34 BS Nº 59 Julho/Agosto 2014 Ni Landzi - Eu fico com Dom Bosco A Ir. Laura José, FIlha de Maria Auxiliadora, realizou a sua entrega definitiva ao Senhor através da Profissão Perpétua na Paróquia dos Santos Mártires de Uganda, em Tete.

Ni Landzi, publica algumas partes da mensagem que a Ir. Laura dirigiu a todos os presentes ao final da importante celebração.

Que o seu testemunho seja atração para que os jovens sintam alegria em oferecer a sua vida a Jesus e aos jovens como Dom Bosco.

Caros irmãos irmãs e irmãos em Cristo: É com grande alegria e graça de Deus, que hoje pronunciei com viva voz a minha consagração para sempre ao Senhor no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.

Estou convicta que o Sim que hoje dei, precisará de ser alimentado com a oração, palavra de Deus, Eucaristia e confiança em Deus e em Maria, mãe sempre presente em todos os momentos da minha vida. Pois sem a graça de Deus e sem ajuda dos irmãos, dificilmente poderia afirmar com total certeza de que serei fiel à minha opção de vida até a morte, portanto, é necessário esforçar-me na vida, para ser fiel e manter sempre acesa a chama do amor que me moveu a tomar determinado caminho de vida.

A fidelidade não é algo conquistado de forma definitiva, mas um caminho que se faz caminhando.

Por isso, agradeço a Deus Pai, que me chamou pelo nome a lhe seguir radicalmente na Congregação das Filhas de Maria Auxilidora e pedir a Ele, que continue a sustentar-me e a conceder-me todas as graças necessárias para permanecer no seu amor.

A Maria, Mãe, companheira e modelo da vida consagrada, vai a minha gratidão pela sua presença na minha vida.

Agradeço aos meus pais, que já se encontram junto de Deus, a Deus deu-nos a vida para que possamos partilhá-la aos outros interceder por nós seus filhos, pela educação, paciência e dedicação, para que o Senhor os recompensem pelo bem que fizeram e os concedam o descanso eterno junto de Deus.

Foi no ambiente salesiano em Moatize, onde Deus suscitou em mim a vocação de me consagrar ao Senhor, no Instituto das F. M. A.

A todas as pessoas que colaboraram direta ou indiretamente, no meu crescimento humano e espiritual, vai a minha gratidão por tudo.

A todos os jovens aqui presentes, que sois a razão da minha entrega a Deus, digo-vos que valeu a pena entregar a minha vida pela vossa salvação e vos deixo a seguinte mensagem: Não tenhais medo de dizer sim ao chamado de Deus.

A nossa missão no Mundo é de sermos plenamente pessoas que saibam realizar o projecto que Deus traçou para a nossa vida.

Ir. Laura José35 «Fazei o bem e tereis um coração alegre e feliz» (D. Bosco) Os salesianos de Moçambique tiveram no mês de Junho e Julho os Exercícios Espirituais anuais. Tempo de paragem para estar mais com o Senhor e escutar a voz do Espírito. Tempo de ‘carregar’ as baterias de Deus no nosso coração e na nossa missão salesiana. Do Brasil veio o P. António Galhardo, da Inspectoria Salesiana de São Paulo. O BS fez-lhe uma pequena entrevista para a nossa página vocacional. Deixamos aos nossos leitores jovens o seu bonito testemunho.

P. Galhardo, pode fazer-nos uma breve biografia da sua vida salesiana? Como foi a sua chamada vocacional? Entrei para a vida salesiana com 14 anos. Frequentava o Oratório salesiano do meu bairro e no Oratório senti que poderia ser feliz como era feliz o salesiano que nos acompanhava. Fui ordenado sacerdote em 1980, pelo Santo João Paulo II. Na vida salesiana trabalhei muito anos na formação dos novos salesianos, especialmente com os estudantes de filosofia (pós-noviciado). Fui também mestre de noviços. Além de ter trabalhado na formação, atuei no trabalho nas escolas salesianas onde atualmente vivo minha vocação salesiana.

Após tantos anos de vida salesiana, diga aos nossos jovens moçambicanos alguns motivos para ‘ficar com Dom Bosco’.

Após mais de 40 anos como salesiano, olhando pra trás, agradeço ao bom Deus por estar ‘envelhecendo’ na casa de Dom Bosco. Como sou feliz por tudo o que já vivi como salesiano de Dom Bosco! É um caminho que vale a pena ser percorrido.

Deus nos chama para gastar a vida pelos outros e nisso está a nossa felicidade. Deus continua chamando. Não tenham medo de dizer: sim, Senhor, conte comigo! Quero vviver a proposta de Dom Bosco! Uma sua palavra sobre Maria Auxiliadora na vida vocacional.

No sonho que o menino João Bosco teve aos 9 anos, foi-lhe Como sou feliz por tudo o que já vivi como salesiano de Dom Bosco! Como sou feliz por tudo o que já vivi como salesiano de Dom Bosco! dado uma Mestra: a Mãe de Jesus! Ela guiou Dom Bosco ao longo de toda a sua vida.

Vocé está com dúvidas sobre o que fazer com a sua vida? Peça a Nossa Senhora Auxiliadora que o oriente para seguir os passos de Jesus. Coloque sua mão nas mãos de nossa Mãe táo querida, que aprendemos a chamar de Auxiliadora, justamente para nos auxiliar em todas as horas da vida.

Jovens, sejam generosos! Venham!