CG28

Proposta programática do Reitor-Mor à Congregação Salesiana após o Capítulo-Geral 28

PROPOSTA PROGRAMÁTICA DO REITOR-MOR À CONGREGAÇÃO SALESIANA APÓS O CAPÍTULO-GERAL 28

Meus caríssimos Irmãos salesianos do mundo todo,

dirijo-me a todos vós com muito prazer após o Capítulo-Geral e a conclusão da primeira sessão plenária do novo Conselho-Geral. Com esta carta, que compartilhei com o Conselho-Geral, quero oferecer-vos, caros Irmãos, uma “tabela de marcha” adequada ao próximo sexênio, desde que a interrupção do Capítulo-Geral, bem no meio da sua realização, não nos permitiu ter os documentos capitulares que deveriam servir de norma e guia para os próximos seis anos.

Em nosso caso, contudo, a interrupção dos trabalhos capitulares não significa de modo algum que o Capítulo-Geral 28 tenha sido pobre de significado e nem tenha produzido uma riqueza de conteúdo. Ao contrário, os capitulares retornaram às suas Inspetorias (alguns depois de diversos meses de espera em Valdocco) enriquecidos da experiência acumulada e de um sentir salesiano nutrido e reforçado nas “fontes de Valdocco”, fontes do nosso nascimento carismático.

Não obstante a ameaça da pandemia e o risco da suspensão da Assembleia, durante a última semana, o Capítulo-Geral pôde eleger o Reitor-Mor e os membros do Conselho-Geral, e confiar-nos a tarefa de continuar a reflexão sobre os pontos que não foram enfrentados.

Esta carta e todo o conteúdo do volume intitulado “Reflexão pós-capitular” quer ser uma resposta fiel ao mandato recebido da Assembleia capitular.

Acrescente-se a isso o sentimento de profunda gratidão ao Senhor pelo que vivemos, sobretudo por tê-lo vivido em Valdocco. O nosso CG28 ficou marcado de modo especial por ter acontecido em Valdocco, berço do nosso carisma, lugar santo onde o nosso Pai Dom Bosco respondia «à vida dos jovens com um rosto e uma história».[1] Vivemos, assim, o nosso Capítulo-Geral em Valdocco com a clara consciência de que é a casa de todos. Foi o que nos recordou o Santo Padre Francisco, que desejava fazer a Dom Bosco, na pessoa dos seus filhos reunidos em Assembleia capitular, o belíssimo presente de ir encontrar-se conosco.

O Papa já me antecipara há alguns meses o seu desejo de ir pessoalmente a Valdocco. No início do Capítulo-Geral os diálogos mantidos com os responsáveis das visitas do Papa confirmaram a visita prevista para os dias 6 e 7 de março. Estava tudo preparado. Nós o esperávamos ao meio-dia de sexta-feira 6 de março. Ficaria conosco até a manhã do dia 7 e, depois, visitaria seus familiares. Infelizmente, a pandemia do coronavírus e as restrições impostas em todo o Estado italiano tornaram a visita impossível; teria sido um evento único na história, ao menos pelo tempo da presença do Santo Padre e da sua participação direta no Capítulo-Geral, como era seu desejo.

Por telefone, o Papa deixou-nos uma saudação que compartilhei com a Assembleia capitular; e no dia seguinte tivemos nas mãos a Mensagem enviada por ele ao CG28, que encontrareis no interior desta publicação.

Vivemos, desde o início do CG28, com uma forte consciência que nos levou a colocar-nos na disposição mediante a qual “o Espírito faz reviver o dom carismático do [nosso] Fundador”. Era o que o Santo Padre desejava, evocando o primeiro Oratório, ao convidar-nos a não fechar as janelas ao vozerio e aos alaridos que subiam do pátio de Valdocco. Este “rumor de fundo” deve acompanhar-nos, tornar-nos inquietos e intrépidos no nosso discernimento.

Disso nos ocuparemos nos próximos seis anos pelo bem dos jovens do mundo. Jovens que tiveram um rosto concreto e visível no esplêndido grupo que durante alguns dias viveu o Capítulo-Geral conosco, nos desafiou, nos falou com o coração e com a mente, e nos comoveu.

E como em Valdocco tudo nos fala de Dom Bosco e dos seus jovens, e como os jovens de hoje nos chamam, falam conosco e esperam por nós, propomos como Congregação algumas metas que nos porão na posição de responder à realidade atual, fazendo-nos sair dos nossos medos e das nossas “zonas de conforto”, onde quer que estejam e o que quer que sejam.

A proposta que vos envio, caros Irmãos, quer ser um programa de ação para o próximo sexênio, em absoluta continuidade com o caminho percorrido anteriormente pela Congregação e que, também por este motivo, infunde-nos força e coragem.

São vários os desafios que devemos enfrentar nos próximos seis anos. Apresento-os como fruto da reflexão feita durante o Capítulo-Geral e depois dele. E proponho-os a toda a Congregação, tendo conhecido detalhadamente nos seis anos passados a realidade que estamos a viver e, ultimamente, o caminho da Igreja. Proponho-os a todas as Inspetorias, depois de tê-los compartilhado com os membros do Conselho-Geral, porque estes desafios devem ser o espelho diante do qual cada Inspetoria do mundo é chamada a confrontar-se e devem ser os critérios para definir as finalidades, os objetivos, os processos e as ações concretas para o próximo sexênio, em todos os lugares onde o carisma dos filhos de Dom Bosco se enraizou.

Os desafios aos quais dar a nossa resposta e os objetivos a perseguir são estes:

  • SALESIANO DE DOM BOSCO PARA SEMPRE. Um sexênio para crescer na identidade salesiana
  • Numa Congregação à qual somos convidados pelo “DA MIHI ANIMAS, CETERA TOLLE”
  • A viver o “SACRAMENTO SALESIANO DA PRESENÇA”
  • A formação para ser SALESIANOS PASTORES HOJE
  • PRIORIDADE ABSOLUTA pelos jovens, os mais pobres e os mais abandonados e indefesos
  • COM OS LEIGOS NA MISSÃO E NA FORMAÇÃO. A força carismática que os leigos e a Família Salesiana nos oferecem
  • É TEMPO DE UMA MAIOR GENEROSIDADE NA CONGREGAÇÃO. Uma Congregação universal e missionária
  • Acompanhando os jovens rumo a um FUTURO SUSTENTÁVEL

 

1. SALESIANO DE DOM BOSCO PARA SEMPRE: «Frade ou não frade, eu fico com Dom Bosco» (Cagliero). UM SEXÊNIO PARA CRESCER NA IDENTIDADE SALESIANA.

 

« O Senhor nos deu Dom Bosco como pai e mestre.

Nós o estudamos e imitamos, admirando nele esplêndida harmonia de natureza e graça. Profundamente homem, rico das virtudes do seu povo, era aberto às realidades terrenas; profundamente homem de Deus, cheio dos dons do Espírito Santo, vivia “como se visse o invisível”» (C. 21).

Em minha última fala na aula capitular, durante o discurso de encerramento do CG28, referi-me a um diálogo tido com um irmão no primeiro dia. Ele pediu para conversar comigo e disse-me: «Não nos deixeis sozinhos. Precisamos de ajuda para ser verdadeiramente Salesianos, para não perder a nossa identidade».

Senti profundamente que naquele momento o Senhor nos falava também através desse nosso irmão. E fazia-nos entender a importância e a urgência de crescer e consolidar a identidade carismática na nossa Congregação.

O ponto de partida essencial e fundamental é a nossa condição de consagrados. O futuro da vida consagrada, e a vida salesiana para nós consagrados, tem a sua razão de ser no seu fundamento que é Jesus Cristo. Como consagrados, a sequela de Cristo plasma a nossa identidade integrando nela a nossa formação pastoral. Como consagrados, como Salesianos de Dom Bosco, Deus faz de nós «memória viva da forma de existir e atuar de Jesus».[2] E o desafio vocacional, para toda a vida consagrada, e para nós de modo particular como Salesianos de Dom Bosco, é a de «retornar sempre a Jesus», renunciando a tudo o que não é Ele ou que nos afasta d’Ele.

Com muita humildade e clareza de visão devemos reconhecer que a via de saída da crise da vida religiosa, da vida salesiana, das dificuldades de todas as Inspetorias, não será encontrada em novos projetos nem em planos estratégicos nem numa “programação 3.0”. Na maior parte das vezes, diante da decepção, do cansaço existencial, da falta de motivação..., trata-se de retornar a Cristo, à vida religiosa, à vida consagrada salesiana, porque podemos viver acreditando erroneamente que tudo encontra um sentido em fazer coisas. Não, caros Irmãos, sem Jesus Cristo no centro do nosso pensar, sentir, viver, sonhar, trabalhar... não há futuro, e não podemos oferecer nada de significativo. Nas palavras do Papa Francisco: «O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa».[3]

Não esqueçamos que a missão salesiana e a mesma Congregação nasceram de Deus, suscitadas pelo seu Espírito: «Com sentimento de humilde gratidão, cremos que a Sociedade de São Francisco de Sales não nasceu de simples projeto humano, mas por iniciativa de Deus» (C. 1); e que cada um de nós, Salesianos de Dom Bosco, é enviado aos jovens pelo próprio Deus (cf. C. 15).

Depois do Capítulo-Geral 28 “especial”, creio que se espera de nós Salesianos, 162 anos após o início da nossa Congregação, que vivamos prontos e sejamos ágeis na escuta do sopro do Espírito de Deus, o Espírito Santo, para continuar a ter Jesus Cristo Senhor como fundamento e centro da nossa vida, para renovar a profecia que deve caracterizar a nossa vida e para continuar a crescer em humanidade até sermos os “especialistas em humanidade” que sabem olhar e contemplar, até deixar-se comover, pela dor e pelas necessidades dos nossos irmãos e irmãs (a começar daqueles das nossas comunidades), dos adolescentes, dos jovens e das jovens e suas famílias. Devemos assumir com seriedade o nosso serviço profético. A nossa contribuição específica é sermos ícones do estilo de vida de Jesus, totalmente consagrado ao Pai e ao Seu projeto para a humanidade: o Reino. Por isso, espera-se de nós que sejamos sinais e testemunhas da presença paterna de Deus – que é uma presença afetuosa, capaz de um olhar de ternura e com os braços abertos, alargados sobretudo aos mais pobres, aos nossos jovens –, fazendo ser realidade a nossa fraternidade, tornando-a atraente, fascinante, e vivendo com simplicidade e sobriedade.

O Senhor ressuscitado convidava os seus discípulos a voltarem à Galileia para encontrá-Lo e revê-Lo. Esse convite é extremamente atual para nós e, expressando-me em chave salesiana, gostaria de dizer que hoje a nossa Galileia, para o encontro com o Senhor, como Salesianos de Dom Bosco, passa por Valdocco, pelos inícios de Valdocco, também frágeis, mas com a força e a paixão da frase que o jovem João Cagliero expressou com tanto ardor e entusiasmo juvenil: «frade ou não frade, eu fico com Dom Bosco». Valdocco é, de fato, a atmosfera espiritual e apostólica em que cada um de nós respira o ar do Espírito, onde alimentamos e reforçamos a nossa identidade carismática. É o lugar da “transfiguração” para cada Salesiano que, dando atenção a todos os elementos da nossa espiritualidade, poderá contribuir para tornar cada uma das nossas casas um autêntico Valdocco, onde seja possível encontrar, face a face, na vida quotidiana, o nosso Senhor Jesus Cristo.

Jesus passa, olha para nós com amor e chama-nos a segui-Lo. E no mistério desse chamado, nesse olhar que não nos julga, mas nos sonda por dentro e nos olha, na aventura de caminhar nas suas pegadas, todos nós podemos descobrir o projeto que Deus concebeu para cada um de forma original. Hoje, muitos dos que decidem abandonar a Congregação sofrem de uma mesma coisa: não ter entrado em contato com o Senhor Jesus e não ter tido a mesma paixão do jovem Cagliero de ficar com Dom Bosco para seguir Jesus. Eis porque, às vezes, qualquer outra oferta pastoral que tenha indícios de autonomia, de autogestão, de independência, de gestão de si e dos seus recursos econômicos, exerce em alguns irmãos um fascínio suficiente que os leva a pedir para ir a outros lugares. Precisamos reconhecer honestamente que é esse o caso. Às vezes, o dom do ministério presbiteral também não é compreendido plenamente e é instrumentalizado e vivido como “poder”. Isso ofusca a aliança que Deus estabeleceu conosco com o dom da consagração religiosa que está no centro da nossa vida pessoal e comunitária.

PROPOSTA

Este sexênio deverá distinguir-se na Congregação por um profundo trabalho de crescimento na profundidade carismática, na identidade salesiana, em todas as fases da vida, com um empenho sério em todas as Inspetorias e em cada comunidade salesiana, para chegar a dizer como Dom Bosco: «Prometi a Deus que até meu último alento seria para meus pobres jovens».[4]

Por essa razão:

  • Em todas as etapas da formação, com a profundidade que lhe corresponde, daremos atenção como urgência e necessidade imprescindíveis os elementos que dão identidade carismática a cada Salesiano e que nos fazem enamorar-nos de Dom Bosco e dos jovens com o coração de Jesus Bom Pastor.
  • Daremos prioridade às características da nossa identidade carismática de pessoas consagradas que fazem de nós sinais proféticos: uma vida feliz com raízes no Evangelho, uma fé viva ancorada em Deus; uma comunhão que torna atraente a vida comunitária, uma atitude profética diante da injustiça e do mal e um olhar de esperança com o desejo de conversão.
  • Será necessário, nas Inspetorias, um atento discernimento em relação às obediências dadas aos irmãos, para não correr o risco de se perder o sentido autêntico e a paixão do coração salesiano e não cair em formas de genericismo carismático ou orientar-se para realidades pastorais diocesanas que levam ao afastamento da Congregação.
  • Como Congregação, continuemos a ter muita atenção para não contrairmos o “vírus do clericalismo e do carreirismo».[5]
  • Em cada comunidade, na reflexão e na partilha, valorizemos a primeira parte do documento «Animação e governo da comunidade. O serviço do diretor salesiano», que apresenta a “identidade consagrada salesiana”.

 

2. Numa Congregação em que é URGENTE o “DA MIHI ANIMAS COETERA TOLLE”

 

«Com sentimento de humilde gratidão, cremos que a Sociedade de São Francisco de Sales não nasceu de simples projeto humano, mas por iniciativa de Deus. Para colaborar na salvação da juventude, “a porção mais delicada e preciosa da sociedade humana”, o Espírito Santo, com a maternal intervenção de Maria, suscitou São João Bosco.

Formou nele um coração de pai e mestre, capaz de doação total: “Prometi a Deus que até meu último alento seria para meus pobres jovens» (C.1).

Os testemunhos dos primeiros tempos da nossa história congregacional e a reflexão que a Congregação desenvolveu ao longo dos anos, evidenciam um fato muito significativo: a expressão que mais bem exprime o zelo e a caridade pastoral dos Salesianos de Dom Bosco é “Da mihi animas, coetera tolle”.

O menino, Domingos Sávio, que, na presença do jovem sacerdote de 34 anos, que era Dom Bosco, viu essa frase escrita no ingresso do seu escritório, compreendeu-a perfeitamente: «Compreendi: aqui não se trata de dinheiro, mas de almas».[6] Contemplando Dom Bosco, compreendemos a sua profunda espiritualidade e as qualidades especiais de educador que marcaram o seu modo de relacionar-se com os adolescentes e os jovens. Em Dom Bosco e na sua história encontramos a base da nossa ação educativo-pastoral, que se caracteriza por uma proposta de vida cristã muito concreta; pela atenção diante de cada jovem, com o interesse de oferecer respostas concretas às suas exigências; pela confiança na presença de Deus.

A nossa missão, sobretudo no acompanhamento dos jovens, deve caracterizar-se pela capacidade pedagógica e espiritual criativa típica do nosso Pai Dom Bosco, com que podemos superar as distâncias em relação à sensibilidade das novas gerações, oferecendo-lhes uma escuta amável e uma compreensão misericordiosa, suscitando os grandes questionamentos sobre o mistério da vida e ajudando-os a buscar o Senhor e encontrar-se com Ele.

O Capítulo-Geral 26 enfrentava precisamente isso tudo ao refletir sobre o lema de Dom Bosco: “Da mihi animas, coetera tolle”. Pois bem, com a visão de hoje e com o conhecimento da nossa realidade, creio que posso dizer: é necessário e urgente para nós que a nossa Congregação viva, respire e caminhe procurando fazer do “Da mihi animas, coetera tolle” uma realidade no anúncio do Evangelho, para vantagem dos nossos jovens e para o nosso próprio bem.

A nossa missão coloca-nos com frequência na fronteira, onde entramos habitualmente em contato com cristãos de outras confissões, com membros de outras religiões, com não crentes ou crentes afastados: também com eles e para eles queremos realizar a missão. Todos os tempos e todos os lugares são adequados ao Evangelho.

Meus caros Irmãos, agora, após o CG28:

  • É urgente dar prioridade absoluta ao empenho pela evangelização dos jovens com propostas conscientes, intencionais e explícitas. Somos convidados a levá-los a conhecer Jesus e a Boa Nova do Evangelho para suas vidas.
  • É urgente ajudar os jovens (e suas famílias) a descobrirem a presença de Cristo em suas vidas como chave para a felicidade e o significado da existência.
  • É urgente acompanhar as crianças, os adolescentes e os jovens em seu processo de educação à fé, para poderem aderir pessoalmente à pessoa de Cristo.
  • É urgente ser “verdadeiros educadores” que, por experiência pessoal, acompanham o jovem no diálogo com Deus na oração e na celebração dos sacramentos.

Sem isso, caros Irmãos, outros esforços titânicos da Congregação tenderão à benignidade da promoção humana e à assistência social – que sempre são muito necessárias e pertencem à nossa identidade carismática – mas não nos levarão à primeira razão pela qual o Espírito Santo suscitou o carisma salesiano em Dom Bosco: «Fiéis aos compromissos que Dom Bosco nos transmitiu, somos evangelizadores dos jovens» (C. 6). A primeira finalidade da nossa pastoral juvenil é a conversão das pessoas ao Evangelho de Jesus Cristo.

Com todas as tonalidades da sensibilidade histórica, que queremos ter presentes, e a compreensão linguística da época, que acreditamos ser necessária, não podemos prescindir do elemento essencial e constitutivo que caracterizou a ação educativo-pastoral de Dom Bosco, como foi expressada pelo Reitor-Mor P. Vecchi: «A pedagogia de Dom Bosco é uma pedagogia da alma, da graça, do sobrenatural. Quando se chega a ativar essa energia, começa o trabalho mais profícuo da educação. O outro, válido em si, é propedêutico e concomitante a ele, que o transcende».[7]

O “coetera tolle” faz com que vivamos disponíveis a deixar tudo que nos impede de ir ao encontro de quem mais precisa de nós. É a ascese que emana da opção precedente, renunciando a muitas coisas (gostos pessoais, preferências e até mesmo atividades e serviços legítimos), ao que não nos permite dedicar todas as energias do coração pastoral àquilo a que damos prioridade.

PROPOSTA

  • Por isso, proponho à nossa Congregação para o próximo sexênio que sejamos exigentes conosco mesmos ao responder à «URGÊNCIA DE REPROPOR O PRIMEIRO ANÚNCIO COM MAIS CONVICÇÃO porque “nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio” (ChV, 214)».[8]

Por essa razão:

  • O Reitor-Mor e seu Conselho, com todas as Inspetorias, estão empenhados neste sexênio em tomar as decisões oportunas para qualificar a presença salesiana na evangelização e na educação à fé. Trata-se de uma autêntica conversão pastoral, pessoal e comunitária, a que somos chamados.
  • Promoveremos uma pastoral juvenil que acompanhe os jovens em vista do seu amadurecimento pessoal, do crescimento na fé e tenha como princípio unificador a dimensão vocacional (DF 140, ChV 254).[9]
  • Continuaremos a empenhar-nos em todos os níveis da nossa Congregação para realizar «uma mudança de mentalidade diante da missão a realizar» (Papa Francisco ao CG28).[10]
  • Daremos a conhecer e faremos estimar como coluna fundamental da nossa obra de evangelização e educação o que foi essencial para Dom Bosco e para muitas gerações de Salesianos: a belíssima presença da nossa Mãe Auxiliadora nas nossas propostas educativas e na oração com os jovens.

 

3. VIVER O “SACRAMENTO SALESIANO” DA PRESENÇA

 

«Nossa vocação é marcada por um dom especial de Deus, a predileção pelos jovens: “Basta que sejais jovens para que eu vos queira muito”. Esse amor, expressão da caridade pastoral, dá sentido a toda a nossa vida.

Pelo bem deles oferecemos generosamente tempo, dotes pessoais e saúde: “Por vós estudo, por vós trabalho, por vós eu vivo, por vós estou disposto até a dar a vida”» (C. 14)

O Papa Francisco, em sua Mensagem ao Capítulo, falou-nos de “opção Valdocco e carisma da presença”, carisma que me permito qualificar livremente como “sacramento salesiano” da presença. O Papa escreve que «antes ainda de o que fazer, o Salesiano é memória viva de uma presença em que a disponibilidade, a escuta, a alegria e a dedicação são as notas essenciais para suscitar processos. A gratuidade da presença salva a Congregação de todas as obsessões ativistas e de todos os reducionismos técnico-funcionais. O primeiro chamamento é ser uma presença alegre e gratuita entre os jovens». O nosso ser discípulos do Senhor, o nosso modo autêntico e profundo de ser apóstolos dos jovens passa antes de tudo pelo nosso viver entre o povo e, de modo especial, entre os jovens e as jovens.

O que foi dito de modo coloquial não pode ser expresso de maneira melhor. Trata-se, caros Irmãos, de recuperar o primeiro amor vocacional, aquele que todos nós experimentamos quando sentimos que o Senhor nos chamava a ser presença alegre e gratuita entre os jovens. Ouso dizer que não existe um só Salesiano que, de uma maneira ou de outra, não tenha sentido isso no seu coração.

Refletimos sobre esse aspecto durante o CG28. Tomamos ciência de que muitos jovens vivem numa verdadeira situação de orfandade mesmo tendo os pais. Os próprios jovens nos disseram em sua mensagem ao CG28: «Temos medo, vivemos confusos, frustrados, e temos grande necessidade de ser amados... Um resultado do nosso temor é a dificuldade que sentimos diante do comprometimento... Acreditamos que a nossa sociedade é individualista e que, muitas vezes, também nós somos individualistas... queremos ser capazes de retornar ao primeiro amor que é Cristo, àquele ser companheiro e amigo dos jovens que é próprio dele. Temos um desejo intenso de realização espiritual e pessoal. Queremos caminhar no crescimento espiritual e pessoal e queremos fazê-lo convosco, Salesianos».[11]

Não ponhamos em dúvida essa verdade dos próprios jovens, que também reconhecemos na aula capitular: «Pedem-nos tempo e nós lhes damos espaço; pedem-nos relação e nós lhes prestamos serviços; pedem-nos vida fraterna e nós lhes oferecemos estruturas; pedem-nos amizade e nós lhes proporcionamos atividades. Tudo isso nos empenha a redescobrir as riquezas e as potencialidades do “espírito de família”».[12]

Os próprios jovens que nos acompanharam durante o Capítulo-Geral dirigiram-nos um forte apelo a sermos uma presença significativa para eles. Disseram-nos explicitamente: «Temos um desejo intenso de realização espiritual e pessoal. Queremos caminhar no crescimento espiritual e pessoal e queremos fazê-lo convosco, Salesianos... Gostaríamos que fosseis aqueles que nos orientam, no interior da nossa realidade, com amor... Salesianos, não vos esqueçais de nós jovens porque nós não nos esquecemos de vós e do Carisma que nos ensinastes! Queremos vos dizer com força, de todo o coração: estar aqui foi para nós um sonho que se tornou realidade, neste lugar especial que é Valdocco, onde a missão salesiana começou, com Salesianos e jovens para a missão salesiana, com a nossa vontade comum de juntos sermos santos. Tendes os nossos corações em vossas mãos. Cuidai desse vosso tesouro precioso. Por favor, jamais vos esqueçais de nós e continuai a escutar-nos».[13]

Caros Irmãos, é um grande privilégio sentir a pulsação de vida do coração dos jovens! E não tenho nenhuma dúvida de que, em toda a Congregação, somos muitos os irmãos que vivem hoje para os jovens como verdadeiros Dom Bosco. Todavia não me satisfaço com isso. Todos nós precisamos sê-lo. Devemos continuar no caminho da conversão. Esse empenho exige de nós uma mudança de mentalidade e de ritmos de vida, abertura de mente e de coração, superação de hábitos enraizados e cristalizados. Os jovens dizem que nos amam, que precisam de nós, que nos esperam. A expressão de Dom Bosco «procura fazer-te amar» é plenamente atual hoje. Estar presente não consiste unicamente em passar algum tempo com os jovens como grupo, mas em encontrá-los individualmente, de modo pessoal, para criar uma relação que permita conhecer e escutar os seus desejos, as suas dificuldades e cansaços e, às vezes os seus medos e os seus temores. É uma relação que quer ir além do conhecimento superficial, oferecendo uma amizade caracterizada pela confiança mútua e a partilha recíproca. A amorevolezza ou a bondade tornou-se assim forma substancial da caridade de Dom Bosco. Ele pede-nos hoje, como na carta de Roma de 1884, a capacidade de encontrar-nos, a disponibilidade à acolhida, a familiaridade. Como Dom Bosco, precisamos cultivar também a arte de dar o primeiro passo, eliminando distâncias e barreiras e fazendo nascer a alegria e o desejo de encontrar-se, de ser amigo. Esta arte consiste em criar, com paciência e dedicação, uma atmosfera rica de humanidade, um clima familiar em que adolescentes e jovens se sintam muito livres e capazes de se exprimirem e serem eles mesmos, assimilando com alegria os valores que lhe são propostos. Esta pedagogia do espírito de família é também uma escola de fé para os jovens. Oferecemos amor e acolhida incondicionada, para que possam descobrir progressivamente a partir da opção de liberdade pessoal, a confiança e o diálogo, assim como a celebração e a experiência comunitária da fé.

E não esqueçamos que a presença salesiana é uma presença especial, que leva o Salesiano a tratar os jovens com profundo respeito, encontrando-os no seu nível de liberdade e tratando-os como sujeitos ativos e responsáveis da comunidade educativo-pastoral. Por isso, o Salesiano aprende o estilo de escuta, diálogo e discernimento pessoal e comunitário. E isso vale não só na pastoral entre os jovens, mas também nas nossas casas de formação, onde “se aprende a ser Salesiano”.

Esta modalidade de presença, porém, não é possível se se vive distante dos jovens: distantes deles fisicamente e distantes da sua psicologia e do seu mundo cultural. Esse é o perigo. A alternativa adequada é viver como Salesianos, como filhos de Dom Bosco, a mesma experiência de paternidade que ele viveu com seus meninos, traduzida num verdadeiro amor e, ao mesmo tempo, numa “admiração” real em relação aos próprios jovens. A partir do grande valor que tem para nós a presença entre os jovens. Lemos na Mensagem do Papa ao CG28: «A vossa consagração é, antes de mais, sinal de um amor gratuito do Senhor e ao Senhor nos seus jovens, que não se define principalmente como um ministério, uma função ou um serviço particular, mas através de uma presença. Antes ainda de o que fazer, o Salesiano é memória viva de uma presença em que a disponibilidade, a escuta, a alegria e a dedicação são as notas essenciais para suscitar processos. A gratuidade da presença salva a Congregação de todas as obsessões ativistas e de todos os reducionismos técnico-funcionais. O primeiro chamamento é ser uma presença alegre e gratuita entre os jovens».

Permito-me recordar que a presença toca hoje também o mundo digital, um novo verdadeiro areópago para nós, um habitat dos jovens de hoje. Também aqui, devemos estar presentes, com uma clara identidade salesiana, com o desejo de levar o anúncio da boa-nova, e simplesmente com a alegria e a sensibilidade dos discípulos do Senhor.[14]

PROPOSTA

Proponho para este sexênio, como expressão da nossa CONVERSÃO, o que já fora pedido pelo CG26, ou seja: «todo Salesiano encontre tempo para estar no meio dos jovens como amigo, educador e testemunha de Deus, qualquer que seja o seu papel na Comunidade».[15]

Embora possa parecer estranho pedir a um Salesiano que encontre tempo para estar no meio dos jovens, acredito-o muitíssimo necessário.

Por essa razão proponho

  • Promover uma presença eficaz e afetiva entre e com os jovens, em comunhão de vida e de ação. Valorizar e relançar a bela experiência e a renovada figura do assistente, não só para os tirocinantes, mas para a vida inteira do Salesiano de Dom Bosco.
  • Dar atenção, em todas as presenças, ao estilo do ambiente oratoriano: a atmosfera familiar, a acolhida, a espiritualidade e a dimensão da alegria profunda.
  • Acompanhar o dinamismo dos jovens promovendo o seu protagonismo e liderança em todas as casas e na missão salesiana que ali se realiza.
  • Assegurar a presença dos formadores nas comunidades de formação, onde se comunica o espírito salesiano antes de tudo com o exemplo: estar entre eles, ajudando intensamente os jovens irmãos a serem os primeiros responsáveis da própria formação.
  • Empenhar o Dicastério para a Comunicação Social, nos vários níveis, na oferta de instrumentos e estímulos para um processo constante de revisão, atualização, inculturação da missão salesiana no habitat digital, onde os jovens vivem, envolvendo as nossas universidades, em rede com os demais centros e agências que mais de perto acompanham e estudam as transformações que o mundo digital está trazendo às novas gerações.

 

4. A FORMAÇÃO PARA SER SALESIANOS PASTORES HOJE

 

«Iluminado pela pessoa de Cristo e pelo seu Evangelho, vivido segundo o espírito de Dom Bosco, o Salesiano se empenha num processo formativo que dura toda a vida e lhe respeita os ritmos de amadurecimento. Faz experiência dos valores da vocação salesiana nos diversos momentos de sua existência e aceita a ascese que esse caminho implica.

Com a ajuda de Maria, Mãe e Mestra, tende a tornar-se educador-pastor dos jovens na forma laical ou sacerdotal que lhe é própria» (C. 98).

A formação é realmente uma dádiva preciosa do Senhor, que faz amadurecer em nós, como Salesianos de Dom Bosco, o dom inestimável do chamado do Pai à vocação cristã e consagrada. Apesar de a realidade numérica das vocações não ser homogênea no mundo todo, a Congregação é abençoada todos os anos com o ingresso de cerca de 450 noviços. Agradeçamos a Deus porque, como dizem as nossas Constituições, cada vocação manifesta o quanto o Senhor ama a Igreja e a nossa Congregação (cf. C. 22).

Entretanto, a Assembleia capitular também reconheceu algumas nossas fragilidades e assim se exprimiu: «Notamos que, às vezes, a identidade consagrada salesiana parece frágil e pouco enraizada: o primado de Deus na vida pessoal e comunitária nem sempre emerge com clareza; algumas formas de clericalismo e de secularismo correm o risco de fazer entrar na Congregação a “mundanidade espiritual”; a promoção do Salesiano leigo em algumas Regiões é escassa; a falta de pessoal preparado no âmbito da salesianidade, não obstante a grande quantidade de material à disposição, é sinal de insuficiente atenção ao aprofundamento do carisma».[16] Este âmbito emergiu, realmente, de modo muito forte durante os trabalhos do nosso Capítulo Geral 28.

Ousaria dizer que se isso acontece em todas as congregações religiosas e também na formação dos seminários diocesanos, a distância abissal que se percebe entre a formação e a missão salesiana, sem dúvida, é para nós um grande desafio. Talvez essa distância se deva à grande diferença existente entre a realidade das casas de formação inicial e a vida nas comunidades apostólicas (as comunidades ordinárias de todas as Inspetorias); talvez o fenômeno dependa também do fato de a formação nem sempre conseguir chegar ao coração do jovem Salesiano em formação; talvez no currículo formativo sejam transmitidos conhecimentos e informações que não conseguem tocar a vida e a missão salesiana. O crescimento é um processo lento de unificação da pessoa, que põe em relação experiências de vida, necessidades existenciais, conhecimentos, missão, relações, vocação, projeto de vida... Nesse processo de unificação nós nos formamos para ser educadores e pastores num mundo novo e numa missão renovada. Qualquer que seja a razão dos limites formativos que constatamos, vemo-nos diante de um grande desafio, que a Congregação evidenciou e devemos enfrentar com decisão no sexênio.

Por outro lado, não podemos negar a existência do perigoso convencimento de que a formação termina quando terminam as fases iniciais, e, no caso dos candidatos ao sacerdócio, quando se chega ao ministério. Essa ideia errada faz-nos muito mal e leva-nos a pagar preços elevados no ministério pastoral. Trata-se, pois, de entender a formação como um processo de transformação pessoal que dura a vida inteira, embora seja caracterizada por uma intensidade especial e com atenções específicas nas primeiras etapas. Em última análise, a formação é o caminho necessário para construir e conservar a nossa vocação.

Com frequência não sabemos transformar a vida pastoral quotidiana numa oportunidade permanente para a nossa formação e, por isso, «a comunidade, tanto religiosa como educativo-pastoral, não consegue ser o ambiente natural em que somos formados».[17] Estamos cientes de algumas possíveis fragilidades pastorais: superficialidade, improvisação, ativismo. O perigo do individualismo não é menos importante. Tudo isso requer humildade, lucidez, autenticidade e um novo impulso na compreensão comunitária da nossa vida e da nossa missão.

Como se disse no Capítulo-Geral, a formação inicial é uma realidade poliédrica, positiva e prometedora. Diante dessa situação, a formação dos formadores, isto é, dos irmãos que acompanham com uma «vocação particular no interior da própria vocação» a formação dos jovens Salesianos, e a criação de boas equipes de pessoas que possam acompanhar as etapas da formação, são uma verdadeira urgência e uma verdadeira prioridade, desde que a comunidade é o primeiro lugar de formação.

Deveremos falar, talvez, da necessidade de assumir um novo estilo de formação? Em sua mensagem ao Capítulo-Geral, o Papa Francisco diz-nos sobre isso: «pensar na figura do Salesiano para os jovens de hoje implica aceitar que estamos imersos num momento de mudanças».[18] É preciso, então, renovar o nosso estilo formativo a ser pensado sempre mais de forma personalizante, holística, relacional, contextual e intercultural.[19] Precisamos continuar a dar novos passos para organizar e viver realmente a formação no horizonte da vocação e, portanto, bem longe de ser entendida, como às vezes se pretende fazer, apenas como uma obrigação que dura poucos anos e deve ser necessariamente superada para se chegar à “vida real”, à vida concreta, aquela que se buscava. Trata-se de um conceito formativo perigoso esse que opõe a vida real à formação do Salesiano educador e pastor!

A formação, enfim, é um verdadeiro e próprio trabalho artesanal, tanto da parte de quem acompanha os irmãos, como da parte de cada um no próprio processo formativo. Nesse campo, hoje, não há espaço para a “produção em série”. O artesanato fala de obras de arte únicas, feitas à mão, uma a uma. Falando desse trabalho artesanal, não podemos preterir a figura da mulher nos ambientes educativos salesianos. De fato, «a presença da mulher em muitas de nossas obras é um dado de fato, seja no que diz respeito aos destinatários como aos corresponsáveis da educação».[20] Nesse sentido, o Papa Francisco dirigiu-nos um forte apelo em sua Mensagem dizendo: «Que seria de Valdocco sem a presença de Mamãe Margarida? Teriam sido possíveis as vossas casas sem esta mulher de fé? [...] Sem uma presença real, efetiva e afetiva das mulheres, às vossas obras faltaria coragem e capacidade para declinar a presença como hospitalidade, como casa. Diante do rigor que exclui, é preciso aprender a gerar nova vida do Evangelho. Convido-vos a levar por diante dinâmicas nas quais a voz da mulher, a sua visão e o seu agir – apreciado na sua singularidade – encontrem eco ao serem tomadas decisões; como um ator não auxiliar, mas constitutivo das vossas presenças».

Um renovado estilo e modelo de formação, também com a forte ênfase dada pelo Papa Francisco, não será possível esquecendo-se do único e mais importante protagonista, que não é nem o formador nem o formando, mas o Espírito Santo, o Espírito de Deus a quem cada um de nós deve ser dócil. Por isso, as nossas Constituições recordam-nos que «cada Salesiano assume a responsabilidade pela própria formação» (C. 99). Permito-me acrescentar que cada irmão deve fazer com que o Espírito Santo transforme o seu coração ao longo da vida e nos seus diversos momentos.

O itinerário formativo vivido dessa forma permitirá consolidarmos na Congregação o que afirmei nas páginas precedentes: o “Da mihi animas” deve ser o motor da paixão educativa e evangelizadora, e também a “energia” de todo o processo formativo.

Realmente, a natureza apostólica do nosso carisma qualifica de modo determinante a nossa formação. Como nos recorda o Papa Francisco em sua Mensagem, «é importante dizer que não somos formados para a missão, mas que somos formados na missão, a partir da qual se articula toda a nossa vida, com as suas escolhas e as suas prioridades. A formação inicial e a permanente não podem ser uma instância prévia, paralela ou separada da identidade e da sensibilidade do discípulo».

É evidente que temos diante de nós um dos núcleos essenciais do caminho da Congregação para os próximos seis anos: cuidar da vocação de cada irmão em particular, e dos jovens irmãos em formação, de tal modo que todos nós consigamos ser os Salesianos de Dom Bosco de que os nossos adolescentes, os nossos jovens e suas famílias precisam hoje.

PROPOSTA

Empenhemo-nos em superar a distância entre formação e missão, favorecendo na Congregação uma renovada cultura da formação na missão para estes dias em todo o mundo salesiano com medidas e decisões de grande significatividade.

Por essa razão:

  • Promovamos um esforço renovado para o acompanhamento formativo dos irmãos, que possa tocar o coração e fazer com que vivamos disponíveis para uma verdadeira e radical entrega de nós mesmos. Para tanto valorizemos o subsídio “Jovens Salesianos e acompanhamento. Orientações e diretrizes”; nele se reafirma que o nosso modelo de formação só pode ser o Sistema Preventivo.
  • As comunidades de formação inicial mantenham um estilo de vida sóbrio e caracterizado pela profundidade espiritual e grande capacidade de serviço e trabalho, que preserve do aburguesamento e forme para as exigências da missão. Garanta-se o acompanhamento pastoral como estratégia para a formação para a missão e na missão.
  • Invistamos energias na busca e na formação dos formadores e enfrentemos com coragem o repensamento das referências institucionais e das estruturas formativas.
  • O Setor da formação fará um sério e exigente trabalho de atualização da Ratio, potencializando o que favorece a integração entre formação e missão e impede a formação do distanciamento entre as duas dimensões. O Setor garantirá processos de verdadeiro amadurecimento e personalização e de acompanhamento.

 

5. PRIORIDADE ABSOLUTA PELOS JOVENS, OS POBRES E OS MAIS ABANDONADOS E INDEFESOS

 

«O Senhor indicou a Dom Bosco os jovens, especialmente os mais pobres, como primeiros e principais destinatários da sua missão.

Chamados à mesma missão, tomamos consciência da sua extrema importância: os jovens vivem uma idade em que fazem opções fundamentais de vida que preparam o futuro da sociedade e da Igreja.

Com Dom Bosco reafirmamos a preferência pela “juventude pobre, abandonada, em perigo”, que tem maior necessidade de ser amada e evangelizada, e trabalhamos especialmente nos lugares de mais grave pobreza» (C. 26)

Quero começar a desenvolver esta prioridade a partir das poucas frases que pude dedicar a este tema na minha última intervenção na Aula Capitular, antes da conclusão antecipada do nosso CG28. Posso garantir-vos, caros Irmãos, que eram poucas as palavras, mas forte e grande a convicção.

Eu disse: «Sonho que dizer hoje “Salesiano de Dom Bosco” signifique para as pessoas que ouvem o nosso nome, que somos consagrados um pouco “loucos”, ou seja, loucos por amarem os jovens, sobretudo os mais pobres.

Caros Irmãos, se nos afastássemos dos mais pobres, seria a morte da Congregação. No-lo dizia Dom Bosco, quando falava da nossa pobreza e do perigo da riqueza. Permiti-me ser ainda mais direto: se nós um dia tivéssemos que abandonar os adolescentes, os jovens, e entre eles os mais pobres, a nossa Congregação começaria a morrer. Uma Congregação que, graças a Deus, goza hoje de boa saúde, para além das nossas fragilidades!

Prestemos atenção então àquela que considero uma autêntica “deliberação capitular”, embora não no sentido próprio da expressão, desde que o seu conteúdo está nas nossas Constituições. Trata-se de pedir-nos uma opção radical, preferencial, pessoal, institucional e estrutural em favor dos jovens mais necessitados, pobres e excluídos. Uma opção que deve manifestar-se, de modo especial, na defesa dos adolescentes, das adolescentes e dos jovens explorados e vítimas de toda forma de abuso: da exploração sexual a toda forma de abuso; do abuso causado por todo tipo de violência; do abuso da injustiça manifesta e evidente a todo abuso de poder. Creio que este desafio é um grande empenho que todo Salesiano deve trazer no coração. Um período de seis anos guiado por esta luz nos dará muita vida».

Estou convencido de que assumir esta perspectiva como irrenunciável, será muito significativo em toda a Congregação e em todos os contextos, culturas e continentes. Hoje, existem muitas pobrezas juvenis que exigem da família humana, e sem dúvida de nós Salesianos de modo particular, uma urgente atenção. De fato, a história da nossa Congregação é marcada pelos apelos para ir ao encontro dos jovens mais pobres. «Como filhos de Dom Bosco, assumimos um compromisso histórico de servir os jovens pobres».[21]

O nosso próprio Pai Dom Bosco disse-nos: «Seremos vistos e acolhidos por todos com simpatia, desde que as nossas preocupações e os nossos pedidos sejam voltados para os filhos dos pobres, aqueles de maior risco da sociedade. Esta deve ser para nós a maior satisfação que ninguém nos pode tirar».[22]

Há muitos anos, o CG XIX declarava: «Hoje, mais do que nunca, Dom Bosco e a Igreja nos enviam para trabalhar entre os pobres, os menos afortunados e o povo».[23] O CG XX também falou da prioridade absoluta dos “jovens” e, dentre eles, os “pobres e abandonados” quando pediu que fossem os destinatários concretos da nossa missão.[24]

Nós mesmos dissemos em nosso recente Capítulo que somos consagrados a Deus para os jovens mais pobres. Como Dom Bosco, também nós prometemos na nossa Profissão religiosa oferecer-nos a Deus comprometendo todas as nossas forças a serviço dos jovens, especialmente os mais pobres; por isso, devemos «escutar juntos o apelo que Deus nos dirige nas pobrezas juvenis. Também requer, portanto, profundidade espiritual, para não cair no ativismo ou numa mentalidade empresarial; preparação cultural, para compreender os fenômenos em que estamos imersos e as novas pobrezas juvenis; disponibilidade para trabalhar em conjunto, abandonando todo individualismo pastoral; flexibilidade para repensar o nosso estilo de vida e as nossas obras, sobretudo quando elas não exprimem mais a energia missionária do carisma e respondem prevalentemente a lógicas de manutenção».[25]

Enfim, o apelo que dirijo a todos é de realmente contemplar o rosto dos nossos adolescentes e dos nossos jovens até conhecer as suas histórias de vida, que frequentemente são atravessadas por verdadeiras e próprias tragédias. Se isso acontecer é porque realmente amamos os jovens e isso nos causará sofrimento e dor por eles. O Papa Francisco ao falar da opção Valdocco e do dom da juventude disse-nos algo de precioso, que não me deixou indiferentes. Escreve: «O Oratório salesiano e tudo aquilo que nasce a partir dele, como narra a Biografia do Oratório, nasce como resposta à vida dos jovens com um rosto e uma história, que colocam em movimento aquele jovem sacerdote incapaz de permanecer neutral e imóvel diante daquilo que acontecia. Foi muito mais do que um gesto de boa vontade (...). Penso nisso como um ato de conversão permanente e de resposta ao Senhor que, “cansado de bater” às nossas portas, espera que o procuremos e o encontremos... Ou o deixemos sair, quando bate de dentro. Conversão que implica (e complica) toda a sua vida e a vida daqueles que estavam à sua volta. Dom Bosco não só não escolhe separar-se do mundo para procurar a santidade, mas deixa-se interpelar e escolhe como e que mundo habitar».[26]

PROPOSTA

A Congregação, durante o sexênio, em todas as Inspetorias, faz a opção radical, preferencial, pessoal – ou seja, de cada Salesiano – e institucional em favor dos mais necessitados, dos adolescentes, das adolescentes e dos jovens pobres e excluídos, com atenção especial à defesa daqueles que são explorados e vítimas de todo abuso e violência (“abuso de poder, econômico, de consciência, sexual”[27]).

Por essa razão:

  • Em todas as presenças salesianas no mundo e em todas as Inspetorias, devem ser tomadas as decisões necessárias para que as crianças e os jovens mais pobres, nos lugares onde estamos presentes, jamais sejam excluídos de nenhuma casa salesiana, qualquer que seja o sacrifício a fazer. Pensar, decidir, criar modos para tornar essa opção possível (como sempre fez o nosso Pai Dom Bosco).
  • Em todas as Inspetorias e casas salesianas haverá um código de conduta para o cuidado, a prevenção e a defesa dos menores a nós confiados, com o compromisso de protegê-los de todo tipo de abuso, venha de onde vier. Para nós, os adolescentes, as adolescentes e os jovens são sacros em nome de Deus.
  • Em nível mundial, inspetorial e local, empenhemo-nos com a promoção das várias redes, ações e boas práticas que se referem à nossa ação e à nossa presença entre os adolescentes, as adolescentes e os jovens mais pobres, em especial também entre os refugiados e imigrados. As organizações salesianas como DBnetwork, DBGA e RASS devem contribuir para garantir a tutela dos menores e caminhar em sempre maior comunhão com o Dicastério (Setor) da Pastoral Juvenil da Congregação.

 

6. COM OS LEIGOS NA MISSÃO E NA FORMAÇÃO

 

«Realizamos em nossas obras a comunidade educativa e pastoral. Ela envolve, em clima de família, jovens e adultos, pais e educadores, até poder tornar-se uma experiência de Igreja, reveladora do plano de Deus.

Nessa comunidade, os leigos, associados ao nosso trabalho, dão a contribuição original de sua experiência e modelo de vida.

Acolhemos e despertamos a sua colaboração e oferecemos a possibilidade de conhecer e aprofundar o espírito salesiano e a prática do Sistema Preventivo.

Favorecemos o crescimento espiritual de cada um e propomos, a quem se sente chamado, que participe de maneira mais estreita da nossa missão na Família Salesiana» (C.47).

Este artigo das nossas Constituições contém os elementos mais essenciais da nossa missão compartilhada com os leigos. Com essa visão, devemos confrontar-nos e examinar até que ponto o caminho da Congregação, de cada Inspetoria e de cada Irmão vai nessa direção, que exprime bem a nossa identidade carismática. Empenhemo-nos na formação dos leigos que participam conosco da missão, garantindo o seu crescimento pessoal, o seu itinerário de fé e a sua identificação vital com o espírito salesiano. Também devemos oferecer os meios que lhes permitam realizar as tarefas que lhes são confiadas. «A (re)descoberta da vocação e da missão dos leigos é uma das grandes fronteiras da renovação proposta pelo Concílio Vaticano II e refletido no Magistério sucessivo».[28] O nosso CG24 foi certamente uma resposta carismática à eclesiologia de comunhão do Vaticano II. Bem sabemos que Dom Bosco, desde o início da sua missão em Valdocco, envolveu muitos leigos, amigos e colaboradores para participarem da sua missão entre os jovens. Logo no início «suscita participação e corresponsabilidade de eclesiásticos, leigos, homens e mulheres».[29] Trata-se, pois, não obstante as nossas resistências, de um ponto de não retorno porque, além de corresponder à ação de Dom Bosco, o modelo operativo da missão compartilhada com os leigos proposto pelo CG24 é de fato «o único praticável nas condições atuais».[30]

Vinte e quatro anos depois da celebração daquele Capítulo-Geral, devemos reconhecer que a aceitação e a atuação do que foi decidido foram muito diferentes. Em algumas regiões a presença dos leigos na missão salesiana tornou-se mais evidente. Em outras regiões da Congregação, o caminho é muito mais lento. Em outros casos, a experiência de comunhão ainda está nos inícios – como um caminho apenas iniciado – e às vezes encontramos também fenômenos de verdadeira e real resistência.

Nestes anos, embora nas mais diversas realidades culturais, certamente foram feitos progressos. Comumente as relações entre Salesianos e leigos são marcadas por cordialidade, apreço recíproco, respeito, colaboração e, quanto há uma clara identidade, a realidade das comunidades educativo-pastorais apresenta-se muito rica, mesmo se nem sempre é percebido o valor da vocação e da missão dos leigos. Tendemos, na verdade, a reconhecer mais facilmente o que fazem em relação à sua identidade laical.

É verdade que há uma grande variedade entre os leigos das presenças salesianas nas 134 nações em que nos encontramos: muitos trabalham em base contratual e muitos outros, sobretudo os mais jovens, como voluntários. Há leigos com forte identidade cristã e carismática, e outros que estão longe dessa realidade. Há quem seja católico, há cristãos de outras confissões, ou leigos que professam outras religiões, e também pessoas indiferentes ao fato religioso.

De modo semelhante, as modalidades de relação entre as comunidades e as obras são diversas conforme a realidade existente, contextos, etc. Na reflexão feita no Conselho-Geral tomamos ciência dessa grande diversidade, como se reflete em nossa contribuição para o núcleo 3 do Capítulo, que não foi desenvolvido na Assembleia capitular devido ao Covid-19.[31]

Como dizia anteriormente, desde o início, o nosso Fundador preocupou-se em envolver o maior número possível de colaboradores no seu projeto operativo: de Mamãe Margarida aos empregadores dos meninos, da gente boa do povo aos teólogos, dos nobres aos políticos da época. Nós nascemos e crescemos historicamente em comunhão com os leigos, e eles conosco. Antes, devemos ressaltar a importância que os jovens tiveram no desenvolvimento do carisma e da missão salesiana: Dom Bosco encontrou nos jovens os seus primeiros colaboradores que se tornaram cofundadores da Congregação.

 Eu mesmo, muitas vezes – e certamente também outros Reitores-Mores – exprimi com grande convicção que a participação dos leigos no carisma salesiano e na missão não é uma concessão da nossa parte, um favor que lhes fazemos e nem mesmo um caminho de sobrevivência – como muitos irmãos pensaram tantas vezes. É um direito ligado à sua vocação específica. Naturalmente, surge aqui evidente a diferença entre ser simples empregado numa casa salesiana e participar, ao mesmo tempo, do trabalho, da missão e da vocação. É uma relação radicalmente diversa. Isso exige de nós, em muitos casos, uma decidida mudança de perspectiva. Como consagrados somos a encarnação específica do carisma salesiano, mas não somos seus únicos depositários.

Disso decorre uma prioridade absoluta: «A participação no espírito salesiano e o crescimento na corresponsabilidade requerem a participação de alguns itinerários e experiências formativas que tenham em vista a missão, obviamente sem descuidar dos itinerários formativos específicos aos Salesianos consagrados e aos leigos. A formação conjunta na missão compartilhada é uma prioridade absoluta e deve ser endereçada sobretudo ao núcleo animador».[32]

Os leigos são companheiros de caminho, não substitutos ou representantes dos religiosos: eles e nós temos identidades e tarefas específicas para a missão. Por isso, os nossos colaboradores leigos precisam conhecer e experimentar muito de perto Dom Bosco e o que se vive nas casas salesianas onde eles se encontram. Esse conhecimento e formação não são recebidos apenas através de cursos acadêmicos, mas de modo muito especial refletindo, revendo e programando o que se vive em comum numa presença. É essencial dar novos passos na formação comum e conjunta, especialmente nos aspectos que se referem ao conhecimento e à vivência do nosso carisma compartilhado. Sabemos, com efeito, que «o primeiro e melhor modo para formar-se e para formar para a partilha e para a corresponsabilidade é o correto funcionamento da comunidade educativo-pastoral».[33]

Resta-me evidenciar de modo muito especial e firme que a missão compartilhada com os leigos tem o seu desenvolvimento mais pleno e autêntico quando eles são membros de um dos 32 grupos da Família Salesiana, dos quais, como é sabido, doze são grupos laicais. No caso dos membros pertencentes à Família Salesiana o grau de identidade carismática é, com frequência, muito alto, e juntos vivemos uma verdadeira vocação no carisma. É uma razão a mais para dar prioridade à presença dos membros da Família Salesiana em nossas presenças, também como trabalhadores, quando a sua profissionalidade satisfaz as mesmas condições dos outros.

Enfim, não podemos esquecer que o futuro deste elemento carismático – a missão e a formação compartilhada com os leigos – passa através da formação dos futuros Salesianos. Não vos escondo, caros Irmãos, que me preocupa a tendência de uma parte dos nossos jovens irmãos desejosos, e ousaria dizer também com veemência, de terminar as etapas formativas para se verem com autoridade, posições e responsabilidades diante dos leigos. É uma tendência totalmente contrária ao caminho que queremos trilhar como Congregação. Por isso, «a formação na e para a missão compartilhada deve tocar também a formação inicial dos Salesianos, não só como objeto de estudo, mas também através de experiências pastorais semanais e ativas. A experiência de trabalhar com e sob a direção de leigos durante o mandato, assim como a participação no conselho da comunidade educativo-pastoral, são momentos preciosos de formação, sobretudo se acompanhados pelos membros do grupo de animadores tanto Salesianos como leigos».[34]

PROPOSTA

¨ A Congregação inteira e todas as Inspetorias do mundo deem “novos passos” no testemunho da missão compartilhada e da formação comum, melhorando a realidade e o funcionamento das CEP em todas as presenças da Congregação. Pode-se estar mais adiantado ou mais atrás na vivência da missão e da formação na e da CEP, mas não se pode deixar de caminhar nessa direção. Continua a ser uma prioridade e uma urgência o que é pedido no CG27: «A missão compartilhada entre sdb e leigos deixou de ser opcional – se alguém ainda pensasse assim».[35]

¨ Caminhemos para inserir leigos nas equipes formativas das comunidades de formação inicial.

¨ Nestes seis anos, em todas as Inspetorias e presenças salesianas, será levada adiante, em conjunto entre Salesianos e quem participa da missão e faz parte do núcleo animador, um processo de discernimento para evidenciar com realismo a situação da missão e formação compartilhada (reconhecer).

  • Pôr-se em sintonia com o caminho trilhado pela Igreja e a Congregação (interpretar)
  • Projetar e ativar processos de crescimento e transformação, em sinergia com as demais realidades inspetoriais, regionais, de Congregação (escolher).

Por essa razão:

¨ Os leigos com forte identidade carismática sejam inseridos gradualmente nas equipes inspetoriais, assumindo também tarefas de responsabilidade, coordenação e liderança.

¨ A formação será realizada nas Inspetorias segundo o modelo operativo de animação e governo das casas, já decidido no CG24.

¨ Faremos com que nas Inspetorias e nas presenças salesianas seja significativo o testemunho evidente e forte da Família Salesiana no interior da CEP.

¨ Os Centros Regionais de Formação Permanente, com apoio dos Dicastérios para a Pastoral Juvenil e para a Formação, preparem subsídios adaptados aos diversos contextos regionais e favoreçam esse processo em nível inspetorial e local. Tornam-se, assim, receptores e difusores de boas práticas e de materiais, que servirão como exemplo e estímulo para outras realidades salesianas.

¨ Em nível de CEP locais valorize-se como caminho de formação permanente a terceira parte de “Animação e governo da comunidade. O serviço do diretor salesiano”, dedicada à “Comunidade educativo-pastoral”.

¨ Este processo será um dos campos a se dar atenção prioritária nas visitas inspetoriais, nos Capítulos inspetoriais de meados do sexênio, nas visitas extraordinárias e nas visitas de conjunto.

 

7. É TEMPO DE GENEROSIDADE NA CONGREGAÇÃO. Numa Congregação sempre missionária

 

«Cada um de nós é chamado por Deus a fazer parte da Sociedade Salesiana. Para tanto recebe d’Ele dons pessoais e, respondendo fielmente, encontra o caminho da sua plena realização em Cristo.

A Sociedade reconhece-o em sua vocação e ajuda-o a realizá-la. Como membro responsável, ele coloca sua pessoa e os próprios dons a serviço da vida e da ação comum.

Cada vocação manifesta que o Senhor ama a Congregação, deseja-a viva para o bem da sua Igreja e não cessa de enriquecê-la com novas energias apostólicas» (C.22)

Eu disse na sessão conclusiva do CG28 que, no meu modo de ver, este «é o tempo de generosidade na Congregação». Não tenho dúvidas de que temos uma história de 162 anos marcada por grande generosidade, iniciada ainda com Dom Bosco. Todavia, parece-me que hoje a generosidade é mais do que necessária.

Procurarei explicar-me claramente.

Hoje, não menos do que no passado, a realidade fala-nos da necessidade de evangelização, de necessidades pastorais e de promoção humana de que tomamos conhecimento em contato com diversos contextos. São-nos dirigidos frequentes apelos, chamados, interpelações para que assumamos esse ou aquele serviço em muitas partes do mundo. Vemos adolescentes, jovens e famílias em dificuldade em todos os continentes.

  • Deus continua a nos chamar no mundo todo para sermos “testemunhas-sinais” do seu Amor salvífico pelos jovens mais pobres.
  • Há necessidade da nossa ajuda como evangelizadores e educadores para os jovens e os adultos das classes populares, nos mais diversos contextos culturais e religiosos.
  • Há, também, necessidade urgente de educação e da nossa ação para testemunhar e promover a justiça no mundo.
  • A pobreza e as pobrezas continuam a ser para nós um clamor, o mais das vezes silencioso, sem voz: jovens com suas pobrezas materiais e emocionais, verdadeiros órfãos mesmo tendo pais ou famílias, pobrezas culturais (sem acesso à escola, à instrução), pobrezas espirituais (sem qualquer conhecimento dos valores transcendentes, nem de Deus).

A esperança de poder trabalhar (e às vezes também estudar) continua a provocar com maior facilidade migrações maciças para as grandes cidades (e também para outros países) com as consequências naturais da falta de adaptação e da marginalização social. Acrescenta-se a isso a terrível realidade dos refugiados e dos acampamentos onde vivem; em muitos deles, os nossos irmãos compartilham a vida com os próprios refugiados (Kakuma-Quênia, Juba-Sudão do Sul, Palabeck-Uganda).

Poderia ampliar o elenco desse conjunto de situações.

Caros Irmãos, todos nós pertencemos a Deus e à nossa única Congregação, da qual com alegria somos membros. Somos todos Salesianos de Dom Bosco no mundo. O nosso afeto será sempre dirigido aos irmãos da nossa Inspetoria de origem, onde “nascemos vocacionalmente”, mas a nossa pertença mais verdadeira e profunda é à Congregação, e ela começa com a nossa profissão religiosa.

Por isso, nos próximos seis anos a abertura de horizontes deve ser ainda mais efetiva e real, graças à disponibilidade dos irmãos e à resposta generosa das Inspetorias que têm maiores possibilidades de oferece uma ajuda aos outros irmãos. Às vezes, com acordos entre os mesmos Inspetores, outras vezes com a mediação do Reitor-Mor e seu Conselho quando se tratar de novas fundações, de novos desafios missionários, de novas presenças em outras nações ou de novas fronteiras missionárias.

Afortunadamente as Inspetorias mais pobres do ponto de vista econômico são as mais ricas de vocações, e a formação de todos esses irmãos torna-se possível pela generosidade de toda a Congregação. Novamente, demonstra-se que a generosidade torna possíveis todos os sonhos.

Vivemos em tempos nos quais precisamos enfrentar a realidade com mentalidade renovada, que nos permita “superar as fronteiras”. Num mundo em que as fronteiras são sempre mais “uma defesa contra os outros”, a profecia da nossa vida de Salesianos de Dom Bosco consiste também nisto: demonstrar que, para nós, não existem fronteiras. A única realidade à qual respondemos é Deus, o Evangelho e a missão que nos é confiada. Justamente por isso, as nossas comunidades internacionais e interculturais têm hoje um grande valor profético, sem esconder o fato que construir a fraternidade na diversidade requer visão de fé e empenho pessoal.

A realidade missionária da nossa Congregação continua a interpelar-nos e apresentar-nos alguns belos desafios, as missões impelem-nos e fazem-nos sonhar belos sonhos que se tornam realidade.

Quando nos anos 80’ do século passado continuávamos, anos após ano, a perder irmãos de modo significativo, o Reitor-Mor P. Egídio Viganò lançou de modo profético o Projeto África, que hoje é uma belíssima realidade. Quando em 2000, diante do novo milênio, se constatava a dura realidade pastoral e a necessidade de uma nova evangelização para a Europa, o P. Pascual Chávez promoveu convictamente o Projeto Europa. Estes não são tempos nos quais preocupar-se para sobreviver, mas ocasiões para ser mais significativos.

O Papa Francisco, em sua mensagem ao CG28, convidava-nos a estar atentos aos temores que acabam «por fixar-nos numa inércia paralisante que priva a vossa missão da parrésia própria dos discípulos do Senhor. Tal inércia pode também manifestar-se num olhar e numa atitude pessimista diante de tudo aquilo que nos circunda e não só no que se refere às transformações que acontecem na sociedade, mas também em relação à própria Congregação, aos irmãos e à vida da Igreja. Esta atitude que acaba por “boicotar” e impedir qualquer resposta ou processo alternativo».[36]

PROPOSTA

Proponho a toda a Congregação a concretização deste tempo de generosidade, assumindo de modo natural a disponibilidade de irmãos de todas as Inspetorias (transferências, intercâmbio, ajuda temporária) para serviços internacionais, novas fundações, novas fronteiras que queiramos alcançar.

Por essa razão

¨ As Inspetorias estarão atentas e disponíveis aos apelos do Reitor-Mor para as necessidades e os desafios que assumiremos.

¨ O 150º aniversário da primeira expedição missionária de Dom Bosco à Argentina (que ocorrerá em 2025) e o primeiro centenário da presença missionária no Nordeste da Índia (em 2022), serão ocasiões para continuar o projeto missionário da nossa Congregação.

¨ Concretizamos durante o sexênio precedente o apelo missionário convidando todas as Inspetorias a abrirem em seu interior um projeto missionário (refugiados, migrantes, fronteiras, crianças exploradas...), dando prioridade à significatividade e às exigências reais dos jovens de hoje.

¨ O Reitor-Mor e seu Conselho indicarão os passos oportunos para consolidar no Dicastério (Setor) da Pastoral Juvenil da Congregação a seção que se ocupa prioritariamente da realidade dos refugiados e migrantes (especialmente de menores não acompanhados e jovens).

 

8. ACOMPANHANDO OS JOVENS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL

 

Reconhecemos que a atenção a um futuro sustentável é uma conversão cultural, não uma moda, e como toda conversão precisa ser evocada com força com o seu nome novo.

A Assembleia capitular expressou-se com total unanimidade quando foi proposto que uma pequena comissão assumisse a sensibilidade que existe entre nós diante dessa emergência. O cuidado do criado não é uma moda. Está em jogo a vida da humanidade, mesmo se muitos agentes públicos, reféns de interesses econômicos, olham para o outro lado ou negam o que é inegável. Essa sensibilidade concretizou-se numa deliberação do Capítulo aprovada pela Assembleia. O Papa Francisco insistiu que devemos evitar uma «emergência climática» que corre o risco de «perpetrar um ato brutal de injustiça em relação aos pobres e às gerações futuras».[37]

O nosso empenho por uma ecologia humana integral nasce da convicção de fé segundo a qual «tudo está inter-relacionado e o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros».[38] No interior da vida social dos seres humanos não podemos deixar de lado a atenção ao ambiente. Portanto, a ecologia deve ser integral, humana. E, como consequência, somos convidados a uma conversão ecológica que não se refere apenas à economia e a política, mas também à vida social, as relações, a afetividade e a espiritualidade.

Assistimos nos últimos anos aos desacordos dos políticos de várias nações diante dessa emergência. O último encontro dos líderes dos Países em Santiago do Chile (mas realizado em Madri – Espanha) teve como único resultado o acordo de encontrar-se novamente dentro de um ano. Nenhum acordo operativo significativo.

Ao mesmo tempo, milhões e milhões de pessoas, em sua maioria jovens, elevaram um clamor global. O Papa Francisco, sensível a esta realidade, como bem demonstrou, recorda que os próprios jovens exigem uma mudança radical e que «se interrogam como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos».[39]

A proposta de deliberação capitular assim se exprime: «Reconhecemos com o Papa Francisco a evidência dada pela ciência de que a aceleração da mudança climática que deriva da atividade humana é real. Estão em aumento a poluição do ar, a poluição da água, o descarte inadequado de resíduos, a perda da biodiversidade e outras questões ambientais que têm um impacto negativo sobre a vida humana. A produção e o consumo não sustentável estão levando o nosso mundo e os seus ecossistemas além de seus limites, minando a sua capacidade de fornecer recursos e ações vitais para a vida, o desenvolvimento e a sua regeneração».[40]

No momento em que escrevo estas linhas, o planeta Terra e todos os países do mundo foram atingidos em maior ou menor medida, pelo vírus COVID-19 que, até hoje, causou a morte de 624.000 pessoas e infectou outros 15.300.000. Bem sabemos que a vida de uma única pessoa é sagrada, e há muito sofrimento devido a tantas mortes. Mas não é menos verdade que o planeta Terra sangra há decênios, e que a poluição causa todos os anos muito mais vítimas humanas das que não tenham sido provocadas pelo COVID-19. Trata-se de um dado de fato infelizmente não tomado muito seriamente.

Não é menos verdade que os mais pobres, sempre os mais pobres! sofrem os efeitos desastrosos do desflorestamento e das mudanças climáticas, da destruição das suas paupérrimas colheitas, seu único recurso de sobrevivência. Também isso não é denunciado.

Poderia fazer ainda um elenco dessas situações. Não é necessário. Basta sublinhar que, como educadores e pastores, não podemos ser indiferentes a essa realidade. Devemos fazer alguma coisa.

PROPOSTA

Ouvindo o clamor que se eleva, em nível mundial, de muitos jovens de hoje, NÓS SALESIANOS NOS EMPENHAMOS PARA SER TESTEMUNHAS CREDÍVEIS, pessoal e comunitariamente, de CONVERSÃO no cuidado do Criado e na Espiritualidade Ecológica.[41]

Por essa razão:

¨ Todas as Inspetorias no mundo responderão, através do próprio Delegado inspetorial para a Pastoral Juvenil, à exigência de fazer das nossas escolas, dos centros educativos, dos campi universitários, dos oratórios, das paróquias, modelos educativos no cuidado do ambiente e da natureza. Na educação, devemos incluir como opção salesiana a ação em favor do Criado: o cuidado da natureza, do clima e do desenvolvimento sustentável.

¨ Estendamos, o quanto possível, a rede de instituições salesianas a serem inseridas no Dom Bosco Green Alliance, promovendo a participação dos jovens em campanhas globais em favor da sustentabilidade das causas ambientais e ecológicas para o cuidado da Criação e da vida humana.

¨ Acolhamos o pedido feito ao CG28 pela Conferência Salesiana Sobre Energias Renováveis de novembro de 2019, para que a Congregação assuma 100% das energias renováveis em todas as Inspetorias do mundo antes de 2032. Mesmo que a realidade da Congregação seja muito desigual nos diversos países, aceitemos esse desafio em colaboração com os PDO das Inspetorias, as ONG salesianas, o DBN.

 

CONCLUSÃO

 

Meus caros Irmãos: concluo estas linhas programáticas convidando-vos a acolhê-las não como uma simples carta, mas como uma mensagem e um programa que deseja ser hoje expressão da palpitação do coração da Congregação no mundo todo.

E proponho dois elementos importantes como atitude com que enfrentar a bela oportunidade dos próximos seis anos:

  • O primeiro deles tem a ver com uma virtude: a esperança. Só com a esperança podemos enfrentar o futuro, confiando que o Senhor levará a cumprimento, com a nossa humilde contribuição, o que propomos aqui.
  • O segundo tem a ver com o a nossa atitude diante do próprio Deus. Gostaria de pedir à nossa Congregação que neste sexênio nos deixemos guiar muito mais pelo Espírito Santo; que seja Ele a mover realmente os nossos corações e as nossas capacidades humanas na animação e no governo da Congregação e das Inspetorias e Comunidades, para que cada um de nós consiga fazer de todas as Casas salesianas do mundo outros Valdocco, dando uma resposta aos adolescentes e aos jovens de hoje, como fez Dom Bosco no seu tempo.

A respeito da esperança, quero sublinhar que, como bem sabemos, ela é uma virtude que tem muito a ver com a nossa fé cristã; é um modo diferente de ver o futuro. A esperança cristã é um modo de viver, um modo de caminhar, um modo de ver.

A esperança é fruto do encontro com o Senhor Jesus e é fruto da acolhida do seu Espírito em nós. A esperança não resulta de cálculos e previsões. «Nem pessimista nem otimista, o salesiano do séc. XXI é um homem cheio de esperança porque sabe que o seu centro está no Senhor, capaz de fazer novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5). Só isto nos salvará de viver numa atitude de resignação e sobrevivência defensiva. Só isto tornará fecunda a nossa vida».[42]

Sobre a necessidade deixar-nos guiar mais pelo Espírito Santo de Deus, Ele que é o verdadeiro Mestre interior, faço minhas as palavras do Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I, que encontrou o Papa Paulo VI (hoje Santo) em Jerusalém em janeiro de 1964. O fruto daquele encontro no Espírito de Deus foi o cancelamento das excomunhões recíprocas que até aquele momento tinham existido e que feriram profundamente o coração de Cristo na sua Igreja.

Este é pensamento:

«Sem o Espírito Santo,
Deus está distante,
Cristo permanece no passado,
o Evangelho é uma letra morta,
a Igreja uma simples organização,
a autoridade um poder,
a missão uma propaganda,
o culto uma lembrança,
e o agir cristão uma moral de escravos.

Mas no Espírito Santo
o cosmo é mobilizado para a geração do Reino,
o Cristo ressuscitado se faz presente,
o Evangelho se faz potência e vida,
a Igreja realiza a comunhão Trinitária,
a autoridade transforma-se em serviço,
a liturgia é memorial e antecipação,
a conduta humana é deificada».[43]

Acolhamos esta mensagem em nossa oração.

Meus caros Irmãos salesianos, era o que sentia o dever de comunicar e pedir a todos vós. Convido-vos a acolher estes desafios, esta tabela de marcha para o caminho do sexênio com todo o coração e com o profundo desejo de torná-la realidade nas comunidades e nas Inspetorias. Serão, certamente, com a graça de Deus e a presença materna da nossa Mãe Auxiliadora, anos de fidelidade da parte da Congregação e de resposta corajosa e também profética aos sinais dos tempos de hoje.  Nossa Mãe Auxiliadora continue a cuidar da nossa Congregação e a “fazer tudo”, como com Dom Bosco.

A sua mediação e a de toda a santidade salesiana da nossa Família seja para nós uma bênção na única coisa importante da nossa missão da parte de Deus: «ser na Igreja sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres» (C. 2).

Acompanho-vos, a todos e a cada um, com a lembrança e a oração.

Ángel Fernández Artime, sdb
Reitor-Mor

Roma, 16 de agosto de 2020
205° Aniversário do nascimento de Dom Bosco

 

[1] Francisco, Mensagem aos membros do CG28, Roma 4 de março de 2020. Sirvo-me desta primeira nota para dizer-vos que a minha carta será enriquecida com citações textuais da mensagem que o Papa Francisco pensou para nós como Congregação e como Assembleia capitular e que nos enviou no momento mais oportuno das nossas reflexões e dos nossos trabalhos. Dada a importância das palavras do Santo Padre, decidi não as apresentar nas notas de pé de página, mas no corpo da carta. Bastará ver o texto entre aspas para reconhecer nele a palavra do Papa.

[2] Vita Consecrata, 22.

[3] Francisco, Exortação apostólica Gaudete et exsultate, Roma 19 de março de 2018, 1.

[4] MB XVIII, 258, citado também em nossas Constituições, art.1.

[5] Cf. Francisco, Exortação apostólica pós-sinodal Christus vivit, Roma, 25 de março de 2019, 98. A Exortação traz esta citação: «O clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes, que interpretam “o ministério recebido mais como um poder a ser exercido do que como um serviço gratuito e generoso a oferecer; e isto leva a julgar que se pertence a um grupo que possui todas as respostas e já não precisa escutar e aprender mais nada”», Francisco, Discurso à primeira Congregação Geral da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 3 de outubro de 2018.

[6] J. Bosco, Vida do jovem Domingos Savio, aluno do Oratório de São Francisco de Sales, in Fontes Salesianas: I. Dom Bosco e a sua obra, Brasília, EDB, 2015, 1126.

[7] J. E. Vecchi, Orientações para um caminho de espiritualidade salesiana, ACG 354, 1995, pp. 24-25.

[8] CG28, Prioridade da missão salesiana entre os jovens de hoje. Primeiro núcleo, n. 4.

[9] Documento final do Sínodo dos jovens, a partir de agora citado com DF.

[10] O Papa Francisco disse-nos: «A “opção Valdocco” do vosso 28º Capítulo-Geral é uma boa ocasião para se confrontar com as fontes e pedir ao Senhor: “Da mihi animas, coetera tolle”.  Tolle, sobretudo aquilo que durante o caminho se foi incorporando e perpetuando e que, ainda que noutro tempo tivesse sido uma resposta adequada, hoje vos impede de configurar e plasmar a presença salesiana de maneira evangelicamente significativa nas diversas situações da missão. Isto pede, da nossa parte, superar os medos e as apreensões que podem surgir por ter acreditado que o carisma se reduzisse ou identificasse com determinadas obras ou estruturas. Viver fielmente o carisma é qualquer coisa mais rica e estimulante que o simples abandono, remedeio ou readaptação das casas ou das atividades; comporta uma mudança de mentalidade diante da missão a realizar».

[11] Carta dos jovens ao CG28.

[12] CG28, Prioridade da missão salesiana entres os jovens de hoje. Primeiro núcleo, n.5

[13] Carta dos jovens ao CG28.

[14] «A revolução digital pede-nos para compreender as profundas transformações que estão a acontecer não só no campo da comunicação, mas sobretudo no modo da organização e administração das nossas relações humanas» (Núcleo 1 elaborado pelo CG28).

[15] CG26, “Da mihi animas, coetera tolle”, n.14.

[16] CG28, Perfil do Salesiano hoje. Segundo núcleo, n. 1.

[17] Idem, n. 3.

[18] Idem, n. 5.

[19] Idem, n. 5.

[20] CG24, n. 166.

[21] CG XX, n. 580.

[22] MB XVII, 272; Cf. MB XVII, 207.

[23] CG XIX, ACS 244, p. 94.

[24] CG XX, n. 45.

[25] CG28, Prioridades da missão salesiana entre os jovens de hoje. Primeiro núcleo, n. 8.

[26] Francisco, Mensagem ao CG28.

[27] ChV, 98.

[28] CG28, Com os leigos na missão e na formação, Núcleo 3, reconhecer, n. 1.

[29] CG24, n. 71.

[30] CG24, n. 39.

[31] Idem, nn. 12-17.

[32] Animação e governo da comunidade, 106 e 122.

[33] CG24, 43.

[34] CG28, Terceiro núcleo. Com os leigos na missão e na formação, n. 43.

[35] CG27, Testemunhas da radicalidade evangélica. Documentos capitulares, Discurso do Reitor-Mor no encerramento do CG27, n. 3.7, Roma 2014.

[36] Francisco, Mensagem ao CG28.

[37] Francisco, Discurso aos participantes do encontro promovido pelo Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral sobre o tema: Transição energética e cuidado da nossa cada comum, Roma 14 de junho de 2019.

[38] Cf. Francisco, Carta encíclica Laudato si’, Roma 24 de maio de 2015, nn. 137-162. A seguir citada com LS.

[39] LS 13.

[40] CG28, Proposta de deliberação sobre a ecologia.

[41] LS, 217.

[42] Francisco, Mensagem ao CG28, citando a sua Homilia na Festa da Apresentação do Senhor para o 21º Dia Mundial da Vida Consagrada, 2 de fevereiro de 2017.

[43] A frase é do Patriarca Atenágoras I, embora alguns atribuam a citação ao Patriarca Inácio IV Hazim, em 1968.