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A COMUNICAÇÃO NA MISSÃO SALESIANA

CARTAS DO REITOR-MOR - JUAN VECCHI

 

A COMUNICA��O NA MISS�O SALESIANA

�� extraordin�rio! Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem!�</span > [1]

1.Coloquemo-nos em onda - ...com a Igreja - ...e com o Carisma - A comunica��o interpessoal. - A comunica��o social. 2. �Fazer os surdos ouvirem e os mudos falarem�. - Mudar de mentalidade. - Condi��es para comunicar. - A urg�ncia do momento: qualificar-se. - Uma compet�ncia comunit�ria. 3. Orienta��es pr�ticas. - Esfor�os das comunidades. - Esfor�os das Inspetorias. - Conclus�o.

Roma, 8 de dezembro de 1999
Solenidade da Imaculada Concei��o

Queridos irm�os,

O ano 2000 est� �s portas. V�-lo desejo feliz no esp�rito do Jubileu extraordin�rio, que marca o divisor de �guas entre s�culos e mil�nios. Nele, haver�o de acompanhar-vos a reflex�o sobre a Penit�ncia j� transmitida[2] , a estr�ia sobre a Reconcilia��o e a Paz, a Carta sobre a Eucaristia que vos chegar� em maio e o subs�dio preparado para as nossas celebra��es comunit�rias[3] . Desejo desenvolver nesta carta, com calma, um ponto da nossa programa��o sexenal[4] .
Quando procuramos imaginar como ser� a nossa vida e a dos jovens no pr�ximo s�culo, vem-nos espont�neo o pensamento do desenvolvimento que a comunica��o social poder� ter.
Os meios de comunica��o social j� s�o em parte indispens�veis em nossos equipamentos pessoais, quase incorporados ao nosso modo de viver: nossos dias s�o marcados pelos jornais, r�dio, TV, celular, computador, internet, congressos e encontros, espet�culos, eventos culturais e acontecimentos editoriais.
A comunica��o social enche o mundo e determina a forma da conviv�ncia humana. Interessa, de perto, ent�o, � voca��o do salesiano como disc�pulo de Cristo e, de forma ainda mais urgente, como algu�m que atua com mentalidade de educador nas frentes da promo��o e da evangeliza��o.
Chamamo-nos, com convic��o e satisfa��o interior, filhos de um Santo que soube dar ouvidos �s muitas vozes que provinham dos jovens e da cultura do seu tempo; e que conseguiu comunicar com gestos, palavras e com a pr�pria estrutura que tinha criado. Ela tornou-se, de fato, �mensagem� justamente porque exprimia com clareza a finalidade e o esp�rito da sua miss�o.
Dom Bosco ligava-se, nisso, � espiritualidade de S�o Francisco de Sales, indicado hoje como Patrono dos jornalistas cat�licos pela capacidade de falar e escrever sobre a vida crist�, fazendo-se entender pelos pequenos e grandes, letrados e simples, homens de Igreja e pessoas alheias a qualquer forma de religi�o.
Se passarmos a examinar a vida dos jovens do nosso tempo, a partir destas considera��es, surgir�o dois sentimentos em n�s: descobrimos com pesar que a sua linguagem, aprendida da m�dia, corre o risco de j� ser incompreens�vel para n�s; e sentimos a urg�ncia de recuperar terreno no emprego da comunica��o, como reposta � nossa voca��o de Salesianos.
Trata-se de chegar antes e de manter o passo de uma realidade que est� em evolu��o cont�nua e que, por sua vez, se torna motor de uma igual ininterrupta mudan�a global.

1. Coloquemo-nos em onda

... com a Igreja

Falou-se muito deste tema em documentos oficiais recentes da Igreja e nos coment�rios para a jornada anual da Comunica��o Social.
O material � abundante e toca os v�rios aspectos da comunica��o social: da teologia[5] � dimens�o s�cio-cultural; da forma��o dos sacerdotes[6] � instru��o dos fi�is; da prepara��o de programas � organiza��o pastoral das dioceses para uma interven��o org�nica nesse campo[7] .
N�o fa�o a s�ntese da doutrina. Contento-me apenas com alguns aspectos, para levar o tema a uma considera��o que acredito ser a mais importante para n�s, tanto no plano da reflex�o, como no operativo.
Paulo VI intu�ra a passagem de �poca que a evangeliza��o do mundo estava atravessando e, como conseq��ncia, as novas formas exigidas pelo an�ncio do Evangelho.
�Em nosso s�culo- afirma na Evangelii Nuntiandi -, marcado pela m�dia ou instrumentos de comunica��o social, o primeiro an�ncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da f� n�o podem desprezar estes meios.
Colocados a servi�o do Evangelho, eles s�o capazes de estender quase ao infinito o campo de escuta da Palavra de Deus, e fazem chegar a Boa Nova a milh�es de pessoas.
A Igreja sentir-se-ia culp�vel diante do seu Senhor se n�o se servisse desses poderosos meios, que a intelig�ncia humana torna a cada dia mais aperfei�oados; servindo-se deles a Igreja �prega sobre os tetos�[8] a mensagem de que � deposit�ria; neles, ela encontra uma vers�o moderna e eficaz do p�lpito. Gra�as a eles consegue falar �s multid�es�[9]

A indica��o parte do mandato, entregue � Igreja por Jesus, de fazer chegar o Evangelho ao mundo inteiro: trata-se de falar a multid�es, de estender ao infinito o campo da escuta da palavra, de chegar com a boa nova a milh�es de pessoas e, tamb�m, de ajudar povos inteiros a viver com lucidez a f� recebida numa cultura nova. � um primeiro elemento do qual tornar-se definitivamente conscientes: os p�lpitos, as c�tedras, as pra�as e os canais do an�ncio mudaram, com vantagens para todos.

Tomamos do abundante magist�rio de Jo�o Paulo II, n�o por acaso considerado um grande comunicador, um segundo ponto que vai al�m da capacidade extensiva� dos MCS e nos introduz numa vis�o mais substancial: a comunica��o social como cultura.
�� um problema complexo, pois esta cultura nasce, menos dos conte�dos do que do pr�prio fato de existirem novos modos de comunicar com novas linguagens, novas t�cnicas, novas atitudes psicol�gicas.
O meu predecessor Paulo VI dizia que �a ruptura entre o Evangelho e a cultura �, sem d�vida, o drama da nossa �poca�, e este ju�zo � plenamente confirmado pelo campo da comunica��o moderna�[10] .
A conclus�o � perempt�ria. A simples utiliza��o dos instrumentos e t�cnicas de comunica��o social n�o � suficiente para chegar � integra��o entre mensagem evang�lica e cultura atual. Devem-se descobrir concep��es de vida e valores, n�o digamos difusos, mas at� mesmo internos aos novos modos de comunicar. �N�o basta, portanto, us�-los para difundir a mensagem crist� e o Magist�rio da Igreja, mas � necess�rio integrar a mensagem nesta �nova cultura�, criada pela comunica��o moderna�[11] .
� um esfor�o maior, mas indispens�vel e, de muitos pontos de vista, sedutor pela novidade de panoramas que oferece.

Concluo esta r�pida resenha, trazendo ainda um texto da Exorta��o Apost�lica Vita Consecrata, que nos diz respeito muito de perto. A ele a Uni�o dos Superiores Gerais quis dedicar a sua 50� Reuni�o[12] . A comunica��o social � colocada na Exorta��o entre os are�pagos modernos que mais desafiam a mentalidade crist� e portanto, tem mais necessidade de aud�cia, criatividade, compet�ncia e capacidade de novas colabora��es de pessoas carism�ticas.
�As pessoas consagradas, sobretudo quando operam neste campo por carisma institucional, devem adquirir um conhecimento s�rio da linguagem pr�pria destes meios, para falar eficazmente de Cristo ao homem de hoje, interpretando �as alegrias e as esperan�as, as tristezas e as ang�stias�[13] dele, e contribuir assim para a edifica��o de uma sociedade onde todos se sintam irm�os e irm�s a caminho de Deus[14] .

...e com o Carisma

Recordei brevemente a experi�ncia de Dom Bosco. Poder-se-ia contar a sua hist�ria de comunicador, descobrir os c�digos da sua comunica��o, comentar os seus projetos. Podemos encontrar a tradu��o fiel do seu pensamento nas Constitui��es que, justamente referindo-se a ele, colocam a comunica��o na perspectiva que coment�vamos acima: como grande possibilidade de educa��o e evangeliza��o e como central de cultura.
Transcrevo literalmente o artigo das Constitui��es: �Trabalhamos no setor da comunica��o social. � um campo significativo de a��o, que est� entre as prioridades apost�licas da miss�o salesiana.
Nosso Fundador intuiu o valor dessa escola de massa, que cria cultura e difunde modelos de vida, e lan�ou-se a empresas originais apost�licas para defender e sustentar a f� do povo.
Seguindo-lhe o exemplo, valorizamos como dons de Deus as grandes possibilidades que a comunica��o social nos oferece para a educa��o e a evangeliza��o�[15] .
A orienta��o estava presente no primeiro texto constitucional preparado por Dom Bosco para apresent�-lo � Santa S�[16] . Desde ent�o, a obriga��o de empenhar-se na comunica��o social era reconhecido como parte importante do nosso apostolado.
As �reas t�picas da miss�o confiada aos Salesianos: a educa��o, a evangeliza��o, a comunica��o social, devem ser relacionadas entre si e, para chegar a decis�es operativas concordes com o carisma, devem ser referidas tamb�m aos destinat�rios preferenciais da nossa miss�o e aos servi�os que lhes queremos oferecer[17] .

Estes esclarecimentos ajudam de um lado, a considerar a comunica��o social n�o simplesmente como um conjunto de instrumentos ou meios materiais a utilizar, ou como uma atividade aut�noma, embora no interior do carisma. Ela reveste toda a presen�a salesiana empenhada na educa��o e evangeliza��o, quer atrav�s de obras espec�ficas, quer atrav�s de outras formas de a��o que influem na cultura popular e na promo��o de formas sociais adequadas[18] .
Por outro lado as mesmas orienta��es constitucionais circunscrevem, orientam e finalizam as muita finalidades, modalidades e campos da comunica��o social aos objetivos da nossa miss�o, livrando-a do risco da dispers�o nas mensagens e iniciativas.
A comunica��o � assim entendida como �via mestra� para a realiza��o das diversas �reas da miss�o. Consequentemente, emerge como compet�ncia necess�ria que entra na identidade do salesiano educador, pastor, evangelizador, promotor vocacional[19] . Ele realiza estes aspectos da sua miss�o �em particular com a comunica��o social�, afirma o artigo 6 das Constitui��es, em linha com a carta circular de Dom Bosco� de 19 de mar�o de 1885: �Eu vos pe�o-vos e esconjuro, pois, a n�o descuidar dessa parte important�ssima da nossa miss�o. Iniciai-a n�o s� entre os pr�prios jovenzinhos que a Provid�ncia vos confiou, mas com as vossas palavras e o vosso exemplo fazei deles outros tantos ap�stolos da difus�o dos bons livros�[20] .
A insist�ncia de Dom Bosco deveria ser hoje mais urgente. Ele colocar-se-ia ainda uma vez �na vanguarda do progresso�, para influir sobre os crit�rios com que s�o utilizados hoje os novos instrumentos t�cnicos e para difundir atrav�s deles e sobre eles propostas educativas e culturais pr�prias.

Eu tinha isso em mente quando, no final do CG24, propus a comunica��o social como um dos principais pontos de aten��o do sex�nio[21] e quando, com o Conselho Geral, integr�vamos na programa��o geral algumas orienta��es sobre a comunica��o, que consider�vamos priorit�rias, al�m de um adequado programa setorial confiado ao dicast�rio correspondente[22] . �Habilitar � dizia-se entre as estrat�gias para tornar mais significativa a presen�a salesiana � as comunidades e as CEP a comunicar-se com o pr�prio contexto oferecendo mensagens eficazes (tipo de presen�a, testemunho, interven��es, participa��o) para a promo��o humana e a evangeliza��o�[23] .

Comunica��o interpessoal

Como educadores, interessa-nos antes de tudo a comunica��o interpessoal entre adulto e jovem, entre leigos e religiosos, entre os que s�o ricos de experi�ncia e aqueles que d�o os primeiros passos na vida, entre todos os que t�m dons a compartilhar.
J� tive a oportunidade de entreter-me convosco sobre ela a prop�sito da comunidade �n�cleo animador�[24] . Retomo-a brevemente por pertencer ao tema que estamos tratando e porque, no seu contexto, revela novas dimens�es.
Falou-se que o Sistema Preventivo reconhece sua efic�cia educativa principalmente ao encontro direto, face a face. E trata-se de um encontro de confian�a, de amizade. Para que o jovem se entregue com confian�a, tamb�m o educador deve entregar espontaneamente aquilo que vive. O esp�rito de fam�lia favorece encontros para crescer juntos: do p�tio aos momentos programados de di�logo. S�o aspectos variados de comunica��o interpessoal.
Isso deve ser entendido de forma an�loga tamb�m pelos agentes, colaboradores, co-respons�veis. Todo projeto e comunidade educativa exige o confronto sincero das situa��es nas quais atua, a verifica��o do caminho proposto e realizado, a responsabiliza��o naquilo que vai brotando no cora��o das pessoas envolvidas enquanto procuram realizar a miss�o comum.

As diversas formas de envolvimento dos irm�os e comunidades justificam, para a comunidade religiosa, a import�ncia dada pelas Constitui��es aos encontros comunit�rios: conselhos de comunidades, assembl�ias comunit�rias, momentos de ora��o participada e outros.
Reduzir as possibilidades de di�logo e interc�mbio na comunidade religiosa, como nas comunidades educativas, levaria a n�o desenvolver e n�o acompanhar os processos de crescimento dos jovens e pessoas com as quais trabalhamos.
Acrescento duas notas. A nova tonalidade e a nova situa��o da vida fraterna estimulam a criar espa�os de conversa��o em nossas comunidades. Muitas vezes, a pressa e as muitas coisas programadas n�o deixam respiro suficiente � conversa��o repousante, n�o estruturada, em que se pode fazer interc�mbio e colocar � prova a nossa capacidade de partilha. Quando n�o cai no banal ou na murmura��o, na fofoca e no lamento, a conversa��o oferece condi��es para uma forma nova de estar juntos, de comportar-se, de escutar, responder, conhecer-se e conhecer; enfim, de viver.
A segunda nota � para sublinhar a import�ncia da escuta atenta e interessada na comunica��o interpessoal. Dar a palavra, deixar falar! A comunica��o � perturbada n�o s� por aqueles que se fecham no sil�ncio, mas tamb�m por aqueles que n�o favorecem ou n�o d�o espa�o � manifesta��o dos demais. �Todo Superior (...) deixe falar muito, mas ele fale pouco�[25] , recomendava Dom Bosco ao educador. Hoje, a tend�ncia, talvez aprendida da TV e dos espet�culos, leva em dire��o contr�ria.
O esfor�o exigido � compet�ncia educativa no �mbito da comunica��o �, portanto, amplo. Inclui uma reforma de atitudes e h�bitos, al�m das rela��es e das formas de colabora��o.

Comunica��o social

A comunica��o social vai al�m da interpessoal. Projeta-nos no mundo das tecnologias que nos permitem dirigir simultaneamente com uma mesma mensagem a grande n�mero de pessoas e estabelecer liga��es e contatos sem fronteiras. Nesse sentido, � um fen�meno �novo� e, em seu �mbito, continuam a ser produzidas inova��es que nos questionam.
Vivemos, repete-se, numa aldeia global, no pa�s �eletr�nico�. Tais express�es poderiam ser discut�veis. Apresentam, por�m, de modo adequado, uma id�ia: a comunica��o envolve a todos, alcan�a os extremos do mundo, aproxima povos e pessoas: o universo que habitamos est� sempre mais unido por cabos. � rede dos meridianos e paralelos foi sobrepujada pela rede das linhas de comunica��o e das ondas eletromagn�ticas que propagam impulsos, imagens e vozes.
Os pr�ximos anos prometem outras revolu��es ainda. O que j� foi realizado no campo da comunica��o social ter� um desenvolvimento tanto quantitativo quanto qualitativo que hoje � apenas �simulado�. Fazem-no entender a pesquisa, o mercado e a publicidade: t�o logo adquirimos um celular, um televisor ou um computador, j� ouvimos falar do pr�ximo modelo com novas possibilidades.
Estamos ainda nos primeiros passos. As pr�ximas novidades n�o ser�o as �ltimas. Poderiam at� mesmo provocar uma acelera��o nessas transforma��es. Tudo isso representa uma oportunidade e um condicionamento cujo valor n�o se pode correr o risco de subestimar.

Tr�s aspectos das nossas comunidades educativas e religiosas devem ser examinados seriamente.
O primeiro � a nova rela��o entre meio e mensagem. Isso talvez ainda n�o tenha sido entendido ou aceito pela nossa mentalidade, habituada a distinguir mat�ria e forma, conte�do e estilo.
Uma not�cia, um evento, uma mensagem assumem diferentes caracter�sticas, segundo o instrumento utilizado. Um � o efeito quando se comunica � viva voz e face a face. Diversos s�o o valor, o conte�do da not�cia e a rea��o dos ouvintes, se a mesma realidade chegar atrav�s de um ou muitos jornais. Muda ainda quando � usado um an�ncio radiof�nico. Se nos servimos, ent�o, da televis�o, os resultados s�o ainda diversos.
Quanto mais vasto for o raio de interven��o, quanto mais atraente a forma de apresenta��o, quanto mais distante o interlocutor, muito mais �incontest�vel� ser� a comunica��o.
H� um segundo aspecto que nos diz respeito muito de perto. Nossas comunidades, obras e atividades �s quais damos origem, entram como qualquer institui��o, num sistema mais vasto de comunica��o, com que se confrontam e dentro do qual interagem. Parecem realidades f�sicas e mudas; entretanto emitem mensagens ainda antes que n�s peguemos a caneta ou o microfone para explicar-nos e falar de n�s.
� indispens�vel, ent�o, ter cuidado, n�o apenas quanto ao feito no interior da obra. Deve ser considerada a imagem que se mostra, o reflexo que a nossa a��o produz fora da obra. Fala o edif�cio material com a sua sobriedade e bom gosto; fala o tipo de jovem que prevalece na obra; comunica o programa e o estilo educativo; fala o ambiente experimentado diretamente ou conhecido por outras vias. De acordo, depois, com a nossa comunica��o, com e no contexto, aquilo que realizamos pode expandir-se ou ser condicionado negativamente.

Por �ltimo, deve ser percebido e valorizado o servi�o � comunidade.
A urg�ncia de entrar na sociedade da comunica��o com vigor maior vem do fato que a informa��o e a comunica��o, enquanto ocupam um lugar sempre mais invasor na vida do homem, parecem dar lugar a uma Babel, onde gente de um mesmo povo e l�ngua n�o consegue se entender, mais do que a pra�a de Jerusal�m, onde o Esp�rito inspirou uma mensagem entendida� unitariamente por gente de diversos povos e l�nguas. Fala-se muito, de fato, e atingem-se muitos com a comunica��o social, mas a interpreta��o dos fatos e aspectos importantes da vida s�o muitas vezes dispersivos e contradit�rios. � preciso, portanto, orientar para a unidade aquilo que ela tem de bom.
Como ser educadores e evangelizadores numa aldeia global dessas dimens�es? Como ser eficazes quando muitos mestres concorrem � forma��o dos mesmos jovens, mas com propostas diferentes entre si?
O problema n�o est� no fato de usar instrumentos, mas na capacidade de exprimir-nos adequadamente atrav�s deles. Imersos numa rede universal, somos chamados a criar, a permutar, a armazenar conhecimentos e riquezas culturais que se tornam comuns.
Uma pessoa e um povo s�o tais por serem capazes de produzir o necess�rio para conhecer e ser conhecidos; por saberem aprender dos outros aquilo que serve para viver, e saberem oferecer aos outros o que pode ajudar a viver melhor; por serem capazes de acumular informa��es, not�cias, fatos e experi�ncias que constr�em a pr�pria hist�ria e servem para caminhar na dire��o do futuro.
H� um patrim�nio que se transmite, de informa��es, conhecimentos e imagens �teis. A comunica��o atual, por�m, pode levar, se n�o se conhecem as suas leis, tanto ao descuido do que � importante, como ao esquecimento do que se elaborou com esfor�o.

2. �Fazer os surdos ouvirem e os mudos falarem�


Jesus � a Palavra. Como vive uma inef�vel comunica��o com o Pai e o Esp�rito, Ele comunica Deus ao homem e f�-lo perceber, � luz de Deus, em seu justo sentido e dimens�o, pessoas, acontecimentos e coisas. E esta palavra penetra no universo e difunde-se na hist�ria.
O homem deve aprender a dispor-se em acolhe-la e depois comunic�-la.
H� p�ginas evang�licas que bem exprimem a tarefa educativa que temos no �mbito da comunica��o. S�o aquelas nas quais se narra como Jesus abre as capacidades dos sentidos: olhos, ouvidos, l�ngua ,e habilita a perceber o mundo, os outros e si mesmo;
�Trouxeram-lhe um homem surdo e mudo, e pediram que lhe impusesse a m�o. Levando-o � parte, longe da multid�o, colocou os dedos nos ouvidos dele e, com saliva, tocou a sua l�ngua. Erguendo os olhos ao c�u, deu um suspiro e disse-lhe: �Effat��, isto �, �Abre-te�.
Abriram-se imediatamente os seus ouvidos, e desatou-se o n� de sua l�ngua, de modo que ele falava corretamente. Jesus, por�m, recomendou que n�o dissessem nada a ningu�m. Entretanto, quanto mais insistia, mais eles proclamavam o fato.
Cheios de admira��o, todos diziam: �Ele tem feito bem todas as coisas! Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem��[26] .

Os milagres s�o uma epifania de Jesus e colocam em evid�ncia aspectos do seu poder de salvar o homem. A abertura dos �rg�os e a recupera��o dos sentidos permitem comunicar com a realidade total da qual tinham sido afastados: a realidade f�sica do mundo, a das pessoas, a interior, a transcendente. Fazem-nos, por primeiro, observadores e ouvintes atentos dessa realidade e, depois, permitem-nos interpret�-la e proclam�-la. Assim, o cego de nascen�a come�a vendo os homens �como se fossem �rvores� e acaba vendo Jesus como Messias, Filho de Deus[27] .
Notemos que o milagre se realiza sem qualquer palavra de Jesus. Ele faz gestos concretos, simples, de compreens�o imediata, que n�o precisam de coment�rios. A voz individual de quem foi curado � logo amplificada pela �informa��o� de todas as testemunhas que come�am a falar para contar o que aconteceu.
Somos chamados a dar a palavra, a abrir os olhos, a informar sobre o dom de Deus. Como dispor-nos? Vivendo em boa comunica��o com as realidades que contam e sendo bons comunicadores, n�o simplesmente t�cnicos dos instrumentos.

Mudar de mentalidade

A comunica��o social, diz�amos, investe toda a presen�a salesiana. Entrar nela comporta, n�o s� retocar alguns elementos dessa presen�a, deixando os demais invari�veis; ela exige a realiza��o de uma convers�o cultural, que se traduz em empenho espiritual e novidade de vis�o pastoral.
A preocupa��o prevalecente no trabalho era, at� hoje, voltada ao rendimento que se podia obter no interior das obras.
Conseguimos criar nelas, com a gra�a do Senhor e com a a��o dos irm�os e colaboradores, um ambiente satisfat�rio e sereno e comunicar aos jovens convic��es, atitudes e valores.
As comunidades salesianas, al�m disso, relacionavam-se com o contexto social em que se encontravam, segundo as modalidades poss�veis na era pr�-inform�tica: oferta de momentos culturais, participa��o em acontecimentos religiosos e sociais, rela��o direta com as fam�lias, contato com organismos e institui��es civis e eclesi�sticas.
Era uma pr�xis formulada e praticada. Hoje, na era inform�tica, interv�m novos fatores que devem fazer crescer a consci�ncia e aten��o diante das repercuss�es amplificadas da pr�pria presen�a, atitudes e interven��es.
A comunidade salesiana � chamada a projetar, olhando para o pr�prio trabalho tamb�m a partir de fora. � um recolocar-se, n�o tanto geograficamente como migra��o de um lugar a outro, quanto mentalmente, isto �, sabendo considerar as coisas de pontos de vista que v�o al�m do espa�o material e das finalidades imediatas.
Isso exige passar das preocupa��es elaboradas em seu interior � escuta das sensibilidades e expectativas que prov�m do contexto. Passar do fazer muito e com empenho, s� entre os muros dom�sticos, a p�r em relevo o que e como os outros podem perceber da nossa a��o e presen�a; passar do simples desenvolvimento acurado das atividades � capacidade comunicativa e envolvente do contexto sobre valores t�picos da miss�o e espiritualidade salesiana.
H� uma palavra de Dom Bosco que nos pode ajudar a compreender o significado disso tudo, para que a presen�a salesiana, em seu esfor�o de mostrar-se ou falar de si, n�o se reduza a aspectos de fachada nem se centralize na auto-apresenta��o.
�Vivemos em tempos, nos quais � precisa agir. O mundo tornou-se material; � preciso, por isso, trabalhar para tornar conhecido o bem que se faz. Se algu�m faz tamb�m milagres rezando dia e noite e ficando em sua cela, o mundo nem percebe e n�o acredita mais. O mundo precisa ver e tocar�[28] .
� uma express�o arrojada, de uma solidez que desconcerta. Exige um modo diverso de olhar � mesma organiza��o da vida comunit�ria e a��o apost�lica. � indispens�vel pensar na presen�a, na comunidade e na obra salesiana �em rede�, como uma emissora, intercomunicada.

O CG24 indicou novas aberturas nesse sentido. A primeira refere-se aos colaboradores leigos. N�o se trata apenas, j� foi repetido muitas vezes, de ter pessoas externas na comunidade, que v�m trabalhar conosco na educa��o e evangeliza��o dos jovens. A sua presen�a significa, da nossa parte, acolhida de outros pontos de vista: as modalidades t�picas de interven��o.
Esta mudan�a de mentalidade e de modelo operativo tem um nome: comunidade educativa. Ela n�o � um fato puramente t�cnico, uma nova estrutura; ela �, justamente, uma realidade de comunica��o interna e externa. N�o se reduz � express�o de conte�dos bem articulados, com clareza verbal e corretamente colocados no tempo. �, antes de tudo, capacidade de rela��o, de informa��o real, pertinente e oportuna, de partilha vital, de op��o comum dos crit�rios educativos e pastorais.
O salesiano presente na comunidade educativa com uma responsabilidade espec�fica, dever� aprender as muitas estradas e varia��es do di�logo com os leigos e com o conjunto da mesma comunidade educativa.
Um segundo �mbito, que interessa a mudan�a de mentalidade, � o contexto em que somos chamados a agir: o territ�rio mais vasto em que a obra salesiana � colocada como centro de agrega��o.
A redescoberta desta fun��o convida a alargar o di�logo �s institui��es educativas, sociais e religiosas atuantes na mesma �rea. O confronto com elas � o banco de prova do que somos capazes de comunicar al�m da comunidade religiosa e dos colaboradores mais estreitos.
O que � percebido fora do projeto educativo dos salesianos, das op��es de valores privados e sociais que eles fazem si pr�prios e prop�em aos jovens?
Como a obra salesiana est� qualificada no territ�rio, nos setores que lhe s�o mais congeniais carismaticamente: aten��o � condi��o dos jovens, acompanhamento do desenvolvimento da camada popular, proximidade de quantos sentem-se e vivem isolados e marginalizados? A CEP torna-se significativa no territ�rio e, portanto, a mensagem � compreens�vel, quando � capaz de associar os que est�o interessados em iniciativas educativas e culturais e apresenta-se como centro de irradia��o de sensibilidade, propostas e agentes que se ligam a ela.

Pode-se referir, tamb�m, a uma terceira abertura � qual impele o mesmo CG24: � o espa�o criado pelas t�cnicas modernas, capazes de construir rela��es, oferecer uma imagem de si e iniciar um di�logo efetivo com interlocutores invis�veis mas reais.
Exige-se, aqui, sobretudo uma mudan�a de mentalidade, tanto porque o espa�o virtual n�o nos � familiar, como porque � preciso aprender formas novas de comunica��o e encontro. N�o faltam exemplos de realiza��es que, em se dando possibilidades, s�o levadas adiante tamb�m por jovens cheios de boa vontade ou colaboradores profissionais. Multiplicaram-se as web e algumas delas apresentam uma qualidade educativa e alcan�am um n�mero de pessoas que duplicam o influxo da obra.
Somos parte, consciente ou n�o, de uma grande rede que nos envolve. Pode-se ficar estranhos a ela ou inserir-se nela, oferecendo, tamb�m neste campo, os dons que temos como educadores e evangelizadores.
N�o se considere coisa de pouco valor o fato de poder difundir instantaneamente, no mundo todo, informa��es e comunica��es. Comentamos com frequ�ncia mais os riscos do que os valores dessa situa��o. Se quisermos, por�m, que o mundo da comunica��o seja modificado pelo fermento evang�lico devemos sentir-nos interpelados a intervir e interagir com aqueles que v�o �s pra�as ou are�pagos �para falar e ouvir falar�[29] .

Condi��es para comunicar

Considerando-se as coisas de uma perspectiva imediata, as condi��es principais para a comunica��o social parecem ser a espetacularidade e a venda dos produtos.
� suficiente dar um pouco de aten��o �quilo que a televis�o oferece, como o mais poderoso dos mass media, para nos convencermos disso. A TV tende, pela sua natureza, a fazer de qualquer acontecimento um espet�culo. Todos os programas s�o organizados ao redor dessa exig�ncia. A pr�pria informa��o deve ser espet�culo.
Para ser interessante na TV � preciso suscitar emo��es, impressionar, ser apresentado como imagem forte a golpes de luz, cor, originalidade, sucess�o r�pida de fotogramas e coment�rios.
A comunica��o, dessa forma, � hoje um grande mercado. Definimos a nossa como uma sociedade de informa��o e imagem. A informa��o � a principal mat�ria prima da economia: trocamos muito mais dados do que produtos. A audi�ncia � disputada sem exclus�o de golpes. A propaganda visa mais a imagem do que o produto oferecido. A mesma comunica��o, em todos os seus aspectos, � produ��o de grandes empresas, com o relativo jogo de pesquisa e oferta, concorr�ncia de pre�os e qualidade.

A comunidade salesiana v�-se em a��o, nessa situa��o, com inten��o educativa. Tamb�m ela deve, em certo sentido, impressionar e vender. Procura, pois, entender como funciona a comunica��o, mas sublinha a exig�ncia de ela ser colocada a servi�o do crescimento humano, e que realize comunh�o entre os homens.
Para ser capaz de propostas e eficaz, a comunidade visa outras condi��es: quer do ponto de vista pessoal e quer, mais ainda, do ponto de vista institucional, ela aposta na autenticidade e na transpar�ncia.
S�o essas as qualidades exigidas por aqueles que nos consideram ponto de refer�ncia para a vida e a experi�ncia humana e crist� num territ�rio. N�o s�, para n�s, disc�pulos de Cristo, s�o tamb�m requisitos e fatores vencedores da comunica��o.
Reconhe�o que nos � pedida a aquisi��o de algumas atitudes pessoais e comunit�rias. Vivemos, quase de forma reservada, op��es e projetos, realiza��es e orienta��es culturais. Os outros deviam descobrir a alma interior das nossas atividades. N�o era nossa inten��o mant�-los escondidos, mas n�o est�vamos nem mesmo preocupados em ser �transparentes�, em deixar-nos conhecer.
O discurso n�o � s� moral. Pertence ao universo da comunica��o: para estar presentes, � preciso ser leg�veis; para ser eficazes, � preciso ser aut�nticos, ou seja, comunicar experi�ncias e convic��es profundamente sentidas e vividas.
Os instrumentos da comunica��o, particularmente os mais recentes, representam um supermercado de id�ias. As vis�es da vida e as propostas que oferecem s�o muitas, f�ceis de acolher e f�ceis de abandonar.
O perigo � perder o sentido da diferen�a entre necess�rio e sup�rfluo, entre importante e ef�mero. Sendo tudo objeto de consumo, tudo pode ser objeto de permuta. E nesse �tudo� podem acabar tamb�m a autenticidade e a transpar�ncia. A �fic��o agrad�vel� em vista da venda substitui a verdade e a sinceridade: a busca obsessiva de audi�ncia torna-se norma em vez de prop�sito de gerar converg�ncia e resposta respons�vel.

Conscientes, tamb�m desses riscos e tend�ncias reais, exprimimos um ju�zo positivo sobre o mundo todo da comunica��o, pelas �vantagens que esses instrumentos podem proporcionar � fam�lia humana, quando bem utilizados; de fato, eles servem admiravelmente� para elevar e enriquecer o esp�rito, como tamb�m propagar e refor�ar o Reino de Deus�[30] .
Jesus, Ap�stolo do Pai, vindo ao mundo para comunicar a vida de Deus, uniu de forma nova os tr�s elementos da express�o humana: a palavra, a a��o e os gestos simb�licos. A palavra como apoio do gesto, para que este n�o ficasse mudo; o gesto como complemento da palavra, para que ela se enchesse de visibilidade e consist�ncia (�A Palavra fez-se carne�[31] , diz-se de Jesus que vem ao mundo); a a��o como realiza��o na hist�ria da riqueza do gesto e do significado da palavra.
Autenticidade e transpar�ncia n�o s�o, pois, uma utopia irrealiz�vel. S�o os crit�rios de avalia��o do que � oferecido para construir comunh�o e responsabilidade. Medem, com outras palavras, se a vontade de comunicar � verdadeira e as inten��es que a orientam est�o na linha da �tica e do amor. Constituem, ent�o, o empenho do crente que quer entrar em rela��o com os outros.

A urg�ncia do momento: qualificar-se

Torna-se necess�rio, ent�o, um caminho formativo adequado a fim de responder ao desafio da comunica��o atual.
Com a evolu��o da m�dia surge um conflito entre as possibilidades internas �s mesmas tecnologias e a aceitabilidade humana do que � oferecido atrav�s dela. N�o � autom�tico, de fato, a rela��o entre crescimento t�cnico e amadurecimento humano, entre desenvolvimento tecnol�gico e progresso civil.
Notemos que enquanto a t�cnica se desenvolve com extrema rapidez, o desenvolvimento das compet�ncias individuais, de aprendizagem e uso das novas t�cnicas � muito lento e desigual.
J� faz parte da experi�ncia de nossas comunidades uma dupla velocidade: alguns t�m dificuldade de adapta��o e afastam at� mesmo o pensamento de p�r-se a aprender o uso e a avalia��o do que se refere aos instrumentos inform�ticos; outros, diversamente, v�em-se facilmente nas novas linguagens e possibilidades oferecidas por elas e mant�m facilmente o passo do seu desenvolvimento. �, de certa forma, o espelho do que est� acontecendo na realidade social, em dimens�es muito maiores.
O que fazer, ent�o? A �nica estrada �til a seguir � a da forma��o. A nova alfabetiza��o, isto �, a capacidade de ler e escrever na cultura da m�dia, refere-se a todas as pessoas e, no que concerne � f�, a todos os crentes. Quanto mais dever� interessar a educadores e evangelizadores!
Desde h� alguns anos, a Igreja, atrav�s dos dicast�rios competentes da Santa S�, prop�e um caminho que contempla tr�s diversos n�veis de forma��o: um de base, um segundo �pastoral�, o terceiro de prepara��o especializada.

O m�nimo exigido coloca-se no n�vel de base. Cada um de n�s consome quotidianamente informa��es que o atingem atrav�s de mil caminhos: do jornal ao livro, do r�dio ao v�deo, do cinema � Internet.
Aprender a ler e avaliar � o primeiro passo. N�o se pode expor ao bombardeamento comunicativo, sem ter os necess�rios anticorpos e chaves de leitura para n�o se deixar cooptar de maneira ing�nua; para n�o ver apenas com os olhos dos outros e julgar com a cabe�a dos outros. N�o se pode nem sequer ser apenas audi�ncia num momento em que a interatividade � generalizada e cada cidad�o tem o direito e a possibilidade de exprimir-se imediatamente sobre o que lhe � oferecido.
No caminho formativo das comunidades, religiosas salesianas ou educativas, dever-se-�o considerar as orienta��es da Igreja[32] , para n�o exprimir unicamente aprecia��es negativas gen�ricas, mas ajudar a saber dar ju�zos motivados sobre� os produtos da comunica��o. � preciso fazer, ent�o, o esfor�o de forma-se para poder servir-se ordinariamente dos novos meios, t�cnicas e linguagens: verbal, de gestos, audiovisual, simb�lico; discurso, r�dio, televis�o.
O espa�o � amplo para propostas formativas e tamb�m para iniciativas de interven��o regular e ordin�ria, correspondente �s exig�ncias dos diferentes lugares em que se trabalha. Penso no quanto as comunidades educativas poderiam influir na defesa dos direitos dos mais fracos e dos valores das culturas locais, se soubessem inserir-se nos circuitos de comunica��o com avalia��es justas sobre aquilo que acontece e com propostas oportunas sobre as coisas a serem feitas.
Uma fun��o permanente de �comunica��o� ao externo, tamb�m com despesas econ�micas, � tudo mais que sup�rflua ou marginal � comunidade educativa.

O segundo n�vel� de forma��o refere-se �queles que t�m responsabilidades particulares na anima��o da comunica��o social no territ�rio.
N�o se trata ainda do n�vel de especialistas, mas de agentes educativos e pastorais que devem entrar na rede de comunica��o com o pr�prio profissionalismo e segundo a pr�pria miss�o. Interessa, ent�o, aos animadores inspetoriais da comunica��o social, �s comunidades religiosas e educativas.
�Trata-se de conhecer, antes de tudo, os influxos reais e efetivos que as novas tecnologias da informa��o e da m�dia exercem sobre os processos educativos de indiv�duos e grupos.
Nasce da� uma exig�ncia nova de projeto educativo: integrar explicitamente os crit�rios da comunica��o nas op��es pastorais. Ontem, era suficiente que o conte�do fosse bem definido e confeccionado. O instrumento teria servido s� para fazer �passar� a mensagem com efic�cia ao maior n�mero poss�vel de destinat�rios.
O novo modelo p�e em evid�ncia que a m�dia n�o � apenas �meios�, mas comporta uma cultura, uma filosofia de vida, uma �tica que reinterpreta e rel� os valores, uma espiritualidade que pede uma s�ntese dos aspectos novos da vida humana e crist�. O uso dos instrumentos e a forma determinam, na ordem mais espec�fica da elabora��o e apresenta��o das mensagens, algumas caracter�sticas e significados n�o secund�rios da pr�pria mensagem.
Esta obra de incultura��o � indispens�vel hoje, e orienta de maneira diferente o ser educador e pastor.
Existem outros elementos desse n�vel formativo, que exigem aten��o como importantes e atuais.
A comunidade educativa deve estar pronta a �dispensar o seu minist�rio tanto aos que s�o ricos de informa��o, como ao que s�o pobres dela; [...] saiba como convidar ao di�logo, evitando um estilo de comunica��o que fa�a pensar em dom�nio, manipula��o ou proveito pessoal�[33] .
A comunidade salesiana e a comunidade educativa devem saber acompanhar, de modo particular, os que vivem ativamente empenhados no trabalho com a m�dia. N�o sejam deixados a s�s. Sejam encorajados e apoiados em sua atividade. Sejam convocados, em algumas circunst�ncias, para um di�logo franco e para uma ajuda rec�proca em vista da compreens�o e revis�o do pr�prio caminho e propostas[34] . Eles, por outro lado, procurar�o escutar avalia��es e pareceres, agindo segundo um projeto comunit�rio e trabalhando em equipe de maneira co-respons�vel e participada.

O terceiro n�vel de forma��o refere-se aos especialistas de comunica��o social. Interessa diretamente �s comunidades inspetoriais e, de reflexo, tamb�m �s locais.
No plano de qualifica��o de uma Inspetoria, pedido pelos Regulamentos[35] e insistido na carta Por v�s estudo[36] , adquire hoje um relevo particular a prepara��o de irm�os no campo da comunica��o social.
Alcan�ada a qualifica��o, estes irm�os colocar�o a pr�pria compet�ncia a servi�o da Inspetoria, agindo no contexto de um projeto inspetorial e respondendo �s exig�ncias das diversas dimens�es: da pastoral juvenil, que dar� maior aten��o �s perspectivas da comunica��o, � economia que cuidar� dos aspectos financeiros e empresariais das estruturas de comunica��o presentes em muitas institui��es salesianas.
O esfor�o feito pela Congrega��o para dotar-se de uma faculdade universit�ria de comunica��o social deve ser valorizado para preparar irm�os que ajudem a Congrega��o a colocar-se no n�vel das novas exig�ncias.

Voltando o olhar � nossa hist�ria recente, devo reconhecer a grande parte que tiveram os Salesianos para o crescimento da sensibilidade eclesial ao redor da pastoral juvenil.
Poder� ser iniciado um caminho semelhante com a comunica��o social? N�o se trata, tamb�m neste caso, de jovens que precisam ser acompanhados em seu desenvolvimento, ou de camadas populares a serem apoiadas em seu esfor�o de promo��o?
�A comunica��o � a dimens�o do esp�rito em que n�s nos elevamos acima da nossa constitui��o biol�gica e do fato de estarmos vinculados � natureza. Possui, por isso, uma fun��o fundamental para o desenvolvimento da compreens�o de n�s mesmos e do mundo�[37] .
O consenso que damos �s comunica��es que chegam at� n�s oferece confirma��o e oportunidade de amadurecimento � identidade pessoal. O interc�mbio comunicativo desenvolve a compreens�o do valor e significado da pr�pria exist�ncia.
� verdade que ningu�m pode delegar aos outros a tarefa de interpretar a vida, mas � igualmente verdade que nenhum ser humano vive s� para si mesmo. E, sobretudo, ningu�m � capaz de descobrir sozinho as chaves para compreender a vida.
Insere-se aqui o servi�o prestado ao ser humano pelos comunicadores especializados. Esfor�ar-se para fazer com que seja um minist�rio eclesial reconhecido, poder� dar dignidade � interven��o daqueles que s�o adidos ao trabalho.

Uma compet�ncia comunit�ria

As coisas afirmadas nas p�ginas precedentes n�o s�o estranhas � vida quotidiana. O aprendizado do modo de confeccionar uma mensagem, para que seja eficaz, faz parte da miss�o pastoral. De outra forma, a comunidade corre o risco de fazer esfor�os que resultar�o in�teis.
N�o basta ter tesouros; devemos sabe-los utilizar. Se ficassem escondidos e incomunic�veis seriam como dinheiro bloqueado.
N�o se alcan�am, muitas vezes, os objetivos que a comunidade religiosa e a comunidade educativa se prefixaram porque as formas de comunica��o n�o centraram o n�cleo da mensagem, n�o atra�ram suficientemente a aten��o e n�o envolveram os destinat�rios: n�o falamos � experi�ncias deles.
� verdade que nem todos somos chamados a ser especialistas em comunica��o social. Temos obriga��o, por�m, de ser bons comunicadores.
As duas coisas n�o est�o necessariamente relacionadas. H� entre elas a diferen�a que corre entre a posse te�rica do saber e o saber fazer de maneira suficiente. Cada salesiano educador e evangelizador precisa da compet�ncia pr�tica em comunica��o para todas as suas interven��es: quando encontra pessoalmente o jovem ou o irm�o, quando � chamado a falar em p�blico, quando anuncia a palavra de Deus a um grupo ou a um vasto audit�rio, num retiro ou num debate, quando � oferecida uma ocasi�o de intervir na comunica��o de massa.
A cada dia � mais evidente que entra j� no ordin�rio estar preparado para intervir, ocasionalmente ou com uma certa regularidade, atrav�s da imprensa, r�dio, TV.

������ O CG23 j� indicara os �mbitos poss�veis. �A Congrega��o � lemos no documento capitular � empenha-se numa adequada utiliza��o da Comunica��o Social para a transmiss�o da mensagem crist� e a educa��o dos jovens � f�. A comunidade local busque, por isso, a pr�pria capacidade comunicativa: ajudando cada salesiano a ser um bom comunicador, capaz de usar uma linguagem adaptada aos jovens e ao povo, especialmente na liturgia e na catequese; servindo-se de todos os meios (rela��es, aspecto da casa, teatro, v�deo, m�sica, salas...) atrav�s dos quais s�o emitidas mensagens para predispor � f� e difundir a mensagem da salva��o; cuidando, particularmente, da educa��o dos jovens �s diversas formas de comunica��o e � leitura cr�tica das mensagens�[38] .
Se as comunidades locais, fazendo uma revis�o, perceberem que n�o se levaram ainda em considera��o essas orienta��es do Cap�tulo Geral, programem um caminho para realiz�-los.

Orienta��es pr�ticas

Apresento-vos, agora, uma s�rie de indica��es operativas. N�o se deve tom�-las como um pacote indivis�vel, como se cada Inspetoria e cada comunidade devesse realizar todas elas.
A Congrega��o apresenta-se variegada quanto � comunica��o social. Existem Inspetorias que possuem pessoas qualificadas, estruturas que atuam como empresas j� afirmadas, caminhos experimentados de forma��o de irm�os, organismos inspetoriais, m�ltiplas atividades juvenis e assim por diante. Outras, diversamente, trabalham em n�veis mais modestos.
Ser� tarefa dos Conselhos Inspetoriais adequar o programa de a��o �s exig�ncias do contexto e �s reais possibilidades da Inspetoria. N�o se pode ignorar, por�m, ou remeter essa dimens�o para o futuro. � clara, entretanto, a op��o fundamental e a dire��o dos nossos esfor�os: predispor equipes e centrais dedicadas � elabora��o das mensagens, mais do que preocupadas com o processo de instrumentos ou a gest�o de estruturas materiais. Estas tornam-se logo obsoletas e muitas vezes, uma vez adquiridas, devemos empreg�-las em trabalhos que n�o se referem estritamente � nossa miss�o. Os servi�os que esses complexos t�cnicos prestam, podem ser solicitados a terceiros, pelo menos nas regi�es normalmente providas, enquanto n�s nos concentramos nas mensagens.

Em nenhum campo da vida existem receitas simples e imediatamente aplic�veis. Muito menos num �mbito que est� em cont�nua expans�o e de que � dif�cil prever os desenvolvimentos ulteriores, mesmo em breve tempo. N�o � secund�rio, por�m, conhecer as mil possibilidades que se abrem diante da nossa ousadia apost�lica.
Recolho-os ao redor de dois n�cleos: o empenho educativo de cada presen�a salesiana e a responsabilidade institucional das Inspetorias diante da cultura da comunica��o.
Os dois aspectos s�o complementares entre si: deve-se agir no imediato e no pequeno, mas n�o deve ser desleixada a preocupa��o mais vasta pela situa��o juvenil e a cultura, que exigem a��es programadas tamb�m em grande raio e longo tempo.
Estes �ltimos poder�o parecer esfor�os que nos superam, e talvez sejam-no. Se n�o come�armos, por�m, como cidad�os e como salesianos, a assumir maiores responsabilidades, apesar das dificuldades conaturais a esse trabalho, e as acrescentadas pela concorr�ncia leal e desleal, jamais se poder� influir no curso das coisas: ou seja, sobre os crit�rios dos utentes, sobre a �tica dos produtores, sobre a mentalidade dos educadores, sobre a sensibilidade dos pastores. Saberemos, menos ainda, enfrentar o desafio, in�dito e imprevis�vel, da complexidade cultural que a comunica��o comporta.
O carisma salesiano, justamente pela sua experi�ncia direta dos jovens e do povo, pode sugerir projetos para orientar positivamente a comunica��o de massa e participar em sua realiza��o com contribui��es de compet�ncia educativa e pastoral.

Esfor�os das comunidades

�A comunica��o social �, hoje, o maior fator de socializa��o e educa��o. � uma escola sem limites de hor�rio e espa�o, de onde recebem-se informa��es e modos de agir, orienta��es de pensamento e solu��es pr�ticas para os problemas que a vida apresenta. Seja considerada, portanto, como um campo de interven��o para n�s Salesianos, sempre atentos � dimens�o educativa.
Eis, portanto, alguns poss�veis empenhos a serem postos � aten��o das comunidades para que entrem novamente no projeto educativo e sejam considerados nas programa��es anuais.

Ativar a comunica��o salesiana

A Congrega��o e a Fam�lia Salesiana atualizaram-se quanto aos meios e modalidades de comunica��o interna. Ela circula nos diversos n�veis (casa, inspetoria, regi�o, congrega��o) e leva material abundante, correspondente a variadas urg�ncias e necessidades.
H� a comunica��o institucional que faz chegar, com a autoridade que lhe d�o as Constitui��es e a ampla experi�ncia da vida salesiana, orienta��es carism�ticas em termos de motiva��es e indica��es operativas: compreende as Cartas do Reitor-Mor, as comunica��es dos Conselheiros Gerais para a anima��o do setor que lhes � confiado e as que v�o do Centro Inspetorial �s comunidades locais. Tal comunica��o j� possui muitos elementos de espiritualidade.
H�, depois, a comunica��o fraterna sobre os acontecimentos da Congrega��o, que podem interessar de modo maior pelo seu significado ou reflexo sobre a opini�o p�blica. O artigo 59 das Constitui��es indica-o como um dos elementos principais para criar unidade e sentido de perten�a. O mesmo acontece e exige-se em n�vel inspetorial.
S�o exemplos. Poderiam ser multiplicados, fazendo tamb�m um discurso an�logo sobre a Igreja. Imagino as dificuldades que se possam interpor: o ac�mulo de documentos e comunica��es, a escassez de tempo para comunicar, o interesse diversificado dos irm�os.
Viu-se que � poss�vel gerir a complexidade que deriva desses tr�s fatores com uma aten��o maior por parte do superior-animador, conservando as oportunidades de comunicar (boa-noite, leitura espiritual, dia da comunidade, refei��es, reuni�es), predispondo um lugar onde os �rg�os de comunica��o sejam dignamente expostos ao interesse de cada um (sala da comunidade, biblioteca), fazendo uma sele��o inteligente para apresentar na comunidade o que � mais relevante e interessante, de acordo com crit�rios objetivos de vida salesiana ou situa��o comunit�ria com um coment�rio oportuno.

Educar ao uso da m�dia

Os termos utilizados nos v�rios Pa�ses poder�o mudar, assim como s�o diversos os n�veis t�cnicos e as disponibilidades de programas e instrumentos. Fica para todos a vontade de empenhar-se: os que trabalham na educa��o e na evangeliza��o devem sentir-se chamados a elaborar uma pedagogia que leve � compreens�o e utiliza��o da m�dia.
N�o basta dotar as comunidades juvenis ou de adultos com instrumentos, at� refinados, para fazer crescer a comunh�o. N�o ser� a simples conex�o com as redes nacionais e internacionais que garantir�o a difus�o adequada de conhecimentos e o aumento das rela��es, mas, sim, o uso mirado e racional dessa possibilidade. A orienta��o educativa �, ao menos, muito conveniente, tamb�m para o adulto.
Vem de aqui a exig�ncia de os educadores terem a possibilidade de conhecer a fundo as problem�ticas que nascem do contato com as novas tecnologias. � preciso fazer o esfor�o de aplicar ao mundo da m�dia os princ�pios e crit�rios da nossa pedagogia preventiva.
Isso corresponde ao nosso carisma. Devemos, ent�o, perseguir as suas express�es e, onde for o caso, recuperar o tempo perdido.
Orat�rios, escolas, par�quias, grupos juvenis sejam ajudados, n�o digo a entrar na cultura medial, porque talvez j� estejam imersos nela, mas a viver nela com clareza de orienta��o, a organizar um programa eficaz de educa��o, com pr�ticas e revis�es adequadas.
Recorde-se que existem os �meios pequenos�, � medida dom�stica e � m�o de todos, que representam sempre uma riqueza comunicativa e servem � qualidade do ambiente: folhetos, revistas, momentos celebrativos mais ou menos formais e outros semelhantes.
N�o fiquemos satisfeitos com a cr�tica f�cil sobre o que nos vem da comunica��o de massa. Percorramos com decis�o e de modo sistem�tico, o caminho de prepara��o de jovens e adultos � responsabilidade e conhecimento da m�dia, correspondente ao seu crescimento.

Aplicar as novas tecnologias ao ensino

Falo de ensino, incluindo a� tudo o que uma presen�a salesiana realiza de educativo e pastoral: as rela��es interpessoais de amizade, de pap�is ou de minist�rio sacerdotal, o ensino formal na escola, o debate nos grupos, a proposta evang�lica atrav�s da prega��o, o momento celebrativo, ordin�rio ou extraordin�rio, seja ele cultural ou religioso.
Hoje � necess�rio colocar-se na perspectiva de uma comunica��o global, perguntar-se como ser eficazes na proposta que se est� oferecendo. A comunidade dever� verificar a coer�ncia entre a linguagem verbal, as mensagens que se quer comunicar e os significados preterintencionais. N�o basta selecionar os conte�dos; sejam estudadas igualmente as refer�ncias e modalidades de apresent�-los e o contexto no qual faze-los ressoar. As novas tecnologias mediais servem justamente para centrar e melhorar a elabora��o dos conte�dos escolhidos.
Exige-se, aqui, uma mudan�a no modo pessoal e comunit�rio de trabalhar que nos pode se dif�cil. Ser�, por�m, em vantagem dos destinat�rios e dos valores que entendemos apresentar.
O CG24 indicava esse objetivo: �Valorizar a comunica��o em todas as suas formas e express�es: comunica��o interpessoal e de grupo, produ��o de mensagens, uso cr�tico e educativo dos meios da comunica��o social�[39] .

Desenvolver todas as potencialidades comunicativas das pessoas

A educa��o salesiana inseriu na sociedade civil muitos ex-alunos que se distinguiram no �mbito da comunica��o social. Seria dif�cil apresentar um elenco completo de nomes, de setores da comunica��o onde eles est�o inseridos, dos pap�is assumidos. Podemos indicar o teatro, o canto, o espet�culo, a r�cita, o show, a m�sica, e muitos outros aspectos do entretenimento e da cultura popular. Podemos recordar os in�meros escritores que se prepararam no ambiente salesiano: jornalistas, autores de textos escolares, romances, leituras educativas e formativas, poetas em vern�culo e em l�ngua culta.
N�o sejam esquecidas ainda as pessoas criativas que pertencem � nossa Fam�lia, que, quando colocadas na ocasi�o, souberam aproveitar os dotes pessoais para criar empresas de comunica��o: revistas, editoras com finalidades culturais e educativas variadas, redes de r�dio e de televis�o, ag�ncias de not�cias.
Tudo isso � um sinal de que muitos jovens encontraram entre n�s espa�os e apoio para desenvolver capacidades que, de outra forma, teriam ficado sepultadas.
Seria realmente uma grande perda se falhassem essas riquezas da nossa tradi��o educativa!

Demos, pois, confian�a aos jovens!

� maci�a a presen�a deles no are�pago da comunica��o. Eles sentem a urg�ncia de acolher a diversidade, de entrar em contato com quem tem uma cultura ou sensibilidade diversa, de comunicar experi�ncias, de animar encontros. Eles j� crescem equipados com o conhecimento de mais de uma l�ngua. Exprimem uma surpreendente capacidade de colocar-se no interior das novas tecnologias e linguagens. N�o se pode deixar de ficar satisfeito com isso; mas, justamente por essas suas capacidades devemos confiar neles[40] .
Os jovens, dizia a mensagem para a 24� Jornada da comunica��o social, �tiveram a vantagem de crescer juntos com o desenvolvimento das novas tecnologias, e ser� tarefa deles empregar esses novos instrumentos para um di�logo mais amplo e intenso entre todas as diversas ra�as e classes que habitam este �mundo sempre mais pequeno�. Caber� a eles descobrir os modos com que os novos sistemas de conserva��o e interc�mbio de dados podem ser utilizados para contribuir � promo��o de uma maior justi�a universal, de um maior respeito dos direitos humanos, de um sadio desenvolvimento de todos os indiv�duos e povos, e das liberdades que s�o essenciais para uma vida plenamente humana�[41] .
Sabendo-os orientar no uso desses instrumentos, poder�o tornar-se protagonistas no percurso que nos deve guiar a objetivos educativos de grande peso no novo mil�nio.
Refiro-o em primeiro lugar aos jovens salesianos. � necess�rio que alguns ou muitos entre eles, oportunamente preparados, sejam orientados para ocuparem no �mbito da m�dia os espa�os que se referem aos meninos e jovens. Trata-se de uma �ocupa��o� correspondente � pastoral e ao esp�rito salesiano de vasta incid�ncia educativa e evangelizadora.

Ajudar os novos pobres

Vez por outra parece que se queira carregar de aspectos novos o projeto formativo dos Salesianos e o educativo dos jovens. � um fato que v�o se acrescentando em nossa vida novas dimens�es e novas problem�ticas, e a necessidade de responder-lhes exige novas aten��es.
A comunica��o social � mensagens, instrumentos, cultura � abre ou impede caminhos para interpretar e forjar a vida. Deduzem-se dela, com facilidade, a vis�o do mundo e os modelos de comportamento. A qualidade da vida fica ligada �quilo que os meios de comunica��o apresentam diretamente ou de forma oculta.
A pessoa qualifica-se pela sua liberdade de autodeterminar-se, pelas op��es concretas e pela contribui��o que oferece � conviv�ncia e � sociabilidade. Esse relevo exigiria uma reflex�o mais ampla e mais detalhada. As poucas afirma��es anteriores servem-me para tirar uma conseq��ncia pr�tica que confio �s comunidades locais.
Preparar as pessoas ao uso dos instrumentos oportunos para exercer a pr�pria liberdade e viver de forma mais completa as exig�ncias da sociabilidade, investe diretamente a responsabilidade de uma institui��o que se apresenta com finalidades educativas.
Exigir a inser��o da comunica��o no projeto educativo e pastoral, considerando seus aspectos, possibilidades e riscos, n�o significa outra coisa que pedir �s comunidades salesianas e educativas que adquiram e ofere�am compet�ncias diante da cultura em que estamos imersos e da sociedade em que devemos viver.
Os leigos poder�o desenvolver uma tarefa espec�fica nesse setor. Eles, de fato, podem individualizar e elaborar mensagens que respondam mais de perto � situa��o e �s necessidades atuais do povo e dos jovens. Eles possuem facilmente uma linguagem mais adaptada para exprimir valores ou convic��es porque forjada na experi�ncia secular, ligada ao conhecimento direto das condi��es ordin�rias da vida. Particularmente, os que, dentre eles, t�m uma profiss�o espec�fica podem ser colaboradores preciosos da miss�o de Dom Bosco[42] .

Em tema de compet�ncia medial hoje, parece-me indispens�vel gastar algumas linhas sobre a �ltima revolu��o inform�tica: a Internet.
A grande rede estende-se sempre mais e nos envolve. Estamos aprendendo a us�-la; devemos aprender a apreciar a sua utilidade e a n�o ficar emaranhados nela; devemos, sobretudo, conseguir orientar os meninos e jovens que correm o risco de perder-se em seus labirintos e chegar a espa�os que certamente n�o os ajudam a crescer.
Para n�s, existe a grande tarefa educativa diante de um espa�o que �, sim, virtual, mas que pode ter s�rios reflexos sobre a vida real de meninos e jovens; h� ainda uma tarefa de confronto cultural e �tico sobre o uso, a regulamenta��o, as responsabilidades �s quais n�o nos podemos subtrair e que podemos promover.
A Internet coloca conhecimentos � disposi��o, cria contatos diretos, oferece espa�os amplos de comunica��o e difus�o de mensagens. N�o podemos ser distra�dos quanto �s suas potencialidades; devemos assumir atitudes justas diante dela e saber avaliar o influxo que produz na vida concreta e em nossa a��o educativa.
N�o h� d�vidas de que a Internet, embora atualmente de modo submerso, est� produzindo uma esp�cie de revolu��o antropol�gica, que n�o se refere apenas �s habilidades de uso, mas toca as formas de pensamento, os h�bitos de vida e a pr�pria consci�ncia. A rede d� um aspecto novo �s no��es de espa�o e tempo, elimina limites e barreiras entre na��es, torna poss�veis intera��es nas quais todos se sentem em paridade. Est� nascendo um mundo aberto em que desaparecem as barreiras geogr�ficas entre as pessoas, um mundo interativo e, portanto, vivo e variegado. Muitas coisas mudaram e outras mudar�o em n�vel relacional, cultural, comercial; todos os setores de servi�os, de atividades de intermedia��o, de trabalho, de entretenimento e dos transportes sofrer�o perturba��es [43] .
N�o � poss�vel avaliar plenamente, ainda, o peso dessa revolu��o, mas est� nascendo o �cidad�o eletr�nico� que devemos ajudar a ser �honesto�, a abrir-se ao �al�m� da rede e reconhecer a paternidade de Deus, para ser �bom crist�o�.

Esfor�os das Inspetorias

Podem-se exprimir muitos esfor�os na vertente institucional em rela��o � comunica��o social. Recolho-os ao redor de alguns temas e confio-os, neste caso, �s comunidades inspetoriais, aos seus organismos, �s comiss�es de comunica��o que trabalham no interior das Inspetorias.

Conhecer as leis e os pr�prios direitos

O of�cio inspetorial de comunica��o social, entre outros empenhos, assuma o de conhecer as leis sobre a comunica��o vigentes no Pa�s. Ali s�o tamb�m expressos os direitos dos cidad�os, institui��es reconhecidas e grupos de fato.
A partir das diversas legisla��es podem-se percorrer muitos caminhos para individualizar aspectos urgentes do bem comum e concorrer para apoi�-los.
Desenvolvem-se ao redor das estruturas de comunica��o de massa interesses econ�micos, pol�ticos, culturais, religiosos, de poder oculto. N�o � f�cil entrar em seus dinamismos. O primeiro passo a dar, por�m, � o conhecimento das leis para mover-se com honestidade e seguran�a e n�o colocar em dificuldade nem a si pr�prios nem, muito menos, a a��o apost�lica ou a institui��o salesiana. Hoje, de fato, existem muitos aspectos �regulados� pelas leis cuja viola��o comporta san��es al�m de serem desonestidade (direitos de autor, de imagem, respeito da privacidade, taxas e impostos, declara��es variadas, reprodu��es, etc.).
� preciso, por�m, fazer com que a legalidade seja respeitada por todos, pelas pessoas comuns e por quem exerce o poder. Uma consci�ncia que deve crescer entre n�s e em nossas comunidades educativas � o direito de tutela. O bem comum e a defesa da dignidade da pessoa exigem com frequ�ncia, interven��es claras e p�blicas. O cidad�o individualmente e as associa��es t�m o direito e o dever de exprimir-se com suas tonalidades pr�prias, junto �s sedes e atrav�s dos meios que julguem mais oportunos e eficazes.
O argumento � vasto e com muitos aspectos de tipo �tico e legal. Ele, por�m, barra a estrada a uma atitude: a aceita��o passiva, resignada ou impotente diante das grandes organiza��es.

Desenvolver algumas aten��es

Em continuidade � linha da reflex�o anterior, enuncio v�rias aten��es a serem desenvolvidas. Est�o todas em linha com a prioridade juvenil, de educa��o e evangeliza��o, que determina os nossos objetivos.
A primeira � a tutela dos direitos dos meninos e dos jovens. A experi�ncia dos �ltimos anos apresentou-nos com frequ�ncia o sofrimento dos mais pequenos e dos mais fracos diante dos conte�dos mediais e de organiza��es criminosas interligadas atrav�s desses meios.
A viol�ncia, o �dio racial, a sedu��o moral, a pr�pria publicidade voltada ao p�blico juvenil ofendem a pessoa humana e influem negativamente no desenvolvimento intelectual, emotivo, moral e psicol�gico.
Nossas comunidades educativas podem intervir, singular ou coletivamente, em defesa da legalidade, al�m de educar jovens e fam�lias ao uso adequado do zapping.

Vem depois, a tutela da fam�lia. Muitos espet�culos, que chegam em casa atrav�s dos meios da comunica��o de massa, n�o facilitam as rela��es cordiais entre seus membros, n�o apoiam a fidelidade no amor, n�o se harmonizam com os crit�rios evang�licos da vida de casal.
Os produtores de espet�culos n�o podem descarregar toda a responsabilidade nos que se servem da m�dia, como se a democracia comunicativa n�o devesse ter crit�rios de auto-regulamenta��o interna.
Os grupos que trabalham em nossos ambientes t�m o direito legal de intervir e dar a conhecer as expectativas dos utentes da m�dia.

H� ainda, a tutela da qualidade do servi�o. Afirma-se com frequ�ncia, como pretexto, que a qualidade � um conceito nitidamente subjetivo, que a cada um agrada �um determinado tipo de qualidade�, que � pedida por ele. �, entretanto, sem d�vida poss�vel indicar e definir alguns indicadores que ajudem a julgar objetivamente os produtos oferecidos. O n�vel t�cnico, o profissionalismo, a maestria na interpreta��o dos personagens e situa��es, o rigor da trama, a dimens�o �tica da narra��o s�o alguns crit�rios de julgamento da oferta feita pela TV. Conv�m dar a todos conhecimentos para que possam avaliar com compet�ncia e intervir sem complexos.
Configura-se, tamb�m aqui, um �mbito em que os leigos atuantes nas estruturas salesianas podem oferecer uma v�lida contribui��o.

Por �ltimo, coloco a tutela da privacidade. A busca do lucro econ�mico n�o pode ser a �nica preocupa��o dos grandes instrumentos de comunica��o.
Assistimos com frequ�ncia � concorr�ncia desapiedada, em busca de fatias de mercado de ouvintes, � manipula��o de dados pessoais com a finalidade de impressionar o p�blico.
Verificam-se assim viola��es patentes dos direitos das pessoas e infra��es de normas estabelecidas pela lei. Sabe-se que o �scoop� n�o � apenas uma t�cnica; � uma tenta��o em vista de um lucro maior.
� justa a rea��o espont�nea que nos vem diante de informa��es que n�o tutelam os dados pessoais. Todos t�m o direito de decidir quais os dados que podem ser tornados p�blicos e quais devam permanecer reservados. Cabe-nos ver se numa �quest�o social� como a comunica��o, as nossas �justas� rea��es permanecem sempre privadas e individuais ou conseguem influir no costume e nos comportamentos.
S�o exemplos. O fato de ter indicado o tema sirva de ajuda na reflex�o das quest�es que s�o novas, e que se tornar�o, nos pr�ximos anos, sempre mais urgentes e necessitadas, portanto, de uma organiza��o clara, de atitudes adequadas e de solu��es originais.

Abrir-se a sinergias e colabora��es

Lemos nos Regulamentos: �Tais servi�os (de comunica��o) assentem-se em seguras bases jur�dicas e econ�micas e encontrem formas de entrosamento e coopera��o com centros de outras inspetorias e com o conselheiro geral para a Fam�lia Salesiana e a comunica��o social�[44] . �Os centros editoriais que atuam na mesma na��o ou regi�o busquem formas convenientes de colabora��o para formular um projeto unit�rio�[45] .
Um primeiro coment�rio refere-se � gest�o das empresas de comunica��o. Olho com aten��o particular para as casas editoras, que s�o numerosas na Congrega��o. Devem corresponder primeiramente aos crit�rios que orientam a nossa miss�o educativa e pastoral. Tenha-se, tamb�m, presente que a atividade editorial, organizada com crit�rio de empresa, deve ser gerida com profissionalismo bem definido, objetivos claros e um controle eficiente e freq�ente por parte da institui��o salesiana.
A segunda observa��o que se tira do texto dos Regulamentos � que a comunica��o social ultrapassa os limites restritos de uma Inspetoria. Deve ser� pensada, portanto, em rede. O que n�o pode ser feito com as for�as de uma �nica inspetoria, pode ser realizado com a participa��o de v�rias. S�o variados os aspectos em cont�nua e r�pida mudan�a, que se n�o forem observados no momento oportuno, de forma �tima e com custos proporcionados, esvaziam a empresa e colocam-na fora do mercado. De a� a urg�ncia de n�o sobrepor, de n�o repetir esfor�os que se possam fazer em comum.
Deram-se na Congrega��o algumas reuni�es que viram v�rias editoras juntas para programarem um futuro de colabora��o e liga��o.
O caminho deve ser continuado e incrementado, experimentando e confrontando tamb�m modalidades concretas de realiza��o. Hoje, � indispens�vel a uni�o para estar presentes de maneira eficaz e competitiva. Observamos continuamente, em todas as partes do mundo, fus�es, acordos, liga��es entre empresas de todo g�nero (bancos, linhas a�reas, ind�strias automobil�sticas, etc.) para facilitar os servi�os, resistir � concorr�ncia, reduzir os custos e voltar-se mais para a inova��o. N�s n�o produzimos materiais a oferecer, mas boas id�ias a difundir, em vista de uma colabora��o em �mbito cultural tanto eclesial como civil. Devemos encontrar o modo de concretiz�-las em produtos que possam ter a difus�o mais ampla poss�vel, quem sabe com pequenas adequa��es.
O horizonte ideal � que, experimentada a colabora��o em raios limitados, seja poss�vel chegar a um interc�mbio mundial de conhecimentos, produtos e projetos. Poder�o, tamb�m, neste �ltimo n�vel, amadurecer estrat�gias globais de Congrega��o, depois de uma primeira experimenta��o positiva dessas colabora��es.

Dotar-se de fun��es �teis

Tem-se a impress�o, c� e l�, de que a comunica��o ficou no gen�rico. Os dois �ltimos Cap�tulos tinham individualizado algumas interven��es necess�rias para valorizar a comunica��o social na Inspetoria. O CG23 indicava ao Inspetor a necessidade de nomear um encarregado inspetorial da Comunica��o Social e esclarecia tamb�m as suas tarefas[46] ; o CG24 convidava o encarregado, de acordo com o Inspetor, a ser promotor de uma equipe em que sejam envolvidos tamb�m leigos qualificados e com ela �redija um plano inspetorial de anima��o, forma��o e assessoria no �mbito da CS, prevendo estruturas e instrumentos adequados�[47] . Estas op��es e atua��es concretas devem melhorar a utiliza��o da CS e integr�-la na a��o pastoral da Inspetoria. � preciso, por�m, ter outras sensibilidades e aten��es.
Os Regulamentos Gerais indicam ainda: �O inspetor com o seu Conselho promova, conforme as possibilidades locais, a nossa presen�a pastoral no setor da comunica��o social. Prepare os irm�os para inserir-se no campo da imprensa, cinema, r�dio e televis�o; crie e consolide os nossos centros editoriais para a produ��o e difus�o de livros, subs�dios e peri�dicos e os centros de transmiss�o e produ��o de programas audiovisuais, radiof�nicos, televisivos�[48] .

O esfor�o exigido n�o � pequeno, mas importante. Uma estrutura de comunica��o, bem organizada e guiada, vale tanto quanto uma outra presen�a salesiana no territ�rio para os nossos destinat�rios, jovens e camadas populares. Ou melhor, a capacidade de chegar a um vasto p�blico e influir na mentalidade faz com que seja mais eficaz.
Percebo que nem todas as Inspetorias t�m as mesmas possibilidades. Duas, por�m, est�o � m�o de quase todas.
A primeira � o melhoramento do Boletim Salesiano ou o apoio solid�rio e permanente a ele. N�o � o caso que vos vale disso. Podereis reler o que foi publicado nos Atos do Conselho Geral[49] . Recordo apenas a import�ncia que ele tem em nossa hist�ria e identifica��o atual, na difus�o da nossa imagem e na uni�o da Fam�lia Salesiana e do Movimento dos amigos de Dom Bosco.
O trabalho de renova��o e relan�amento iniciado, ligando os diretores e as reda��es das diversas edi��es, faz com que estejamos confiantes em sua incid�ncia atual. Diga-se, contudo, que a estrutura de apoio, a reda��o, a sede e os instrumentos devem ser adequados para que o Boletim seja �uma obra� salesiana que exer�a todas as suas possibilidades.
Seja dito, tamb�m, que n�o aproveita � Congrega��o o fato de as casas ou Inspetorias disseminarem revistas pr�prias e n�o concentrarem os esfor�os naquela que � a express�o de Dom Bosco e da nossa miss�o no mundo. Isso deve ser levado em considera��o pela comiss�o de Comunica��o Social.
A outra fun��o refere-se � nossa comunica��o permanente com o mundo da m�dia. Vi, nas visitas feitas, Inspetorias equipadas para fazer ouvir a pr�pria voz por ocasi�o de acontecimentos nossos ou debates de problemas que nos interessam. A sua contribui��o aos �rg�os de opini�o p�blica � de valor. Em outras, pareceu-me que n�o se participe da vida da comunidade humana.
Um porta-voz, um escrit�rio de imprensa, uma equipe, n�o necessariamente a tempo pleno, mas prevenido e envolvido poderia dar-nos uma voz autorizada em jornais, r�dios e televis�es, nos momentos em que temos urg�ncia ou s�o exigidos por finalidades caritativas ou pastorais.
� indispens�vel poder participar dos circuitos em que se elabora comunica��o, sobretudo para os jovens e sobre eles, fazendo ouvir o nosso influxo educativo.

Conclus�o

Quando a Congrega��o tomou consci�ncia da import�ncia da comunica��o e da sua m�ltipla articula��o no trabalho educativo e pastoral, quis, superando dificuldades internas e externas, um �Instituto Superior para a Comunica��o Social, que era conhecido cm o nome de ISCOS.
Hoje � uma �Faculdade� da Universidade Salesiana. Enquanto tal, inspira di�logo e interc�mbio enriquecedores entre disciplinas teol�gicas, ci�ncias da educa��o e comunica��o social e orienta educadores e pastores te�rica e praticamente � especializa��o nesse campo.
A originalidade da sua orienta��o entre institui��es similares tornou-a ponto de refer�ncia para muitos estudiosos. De nossa parte, n�o s� deve ser sustentada e encorajada, mas enchida de presen�as de salesianos e leigos que se preparam para esse setor da miss�o salesiana.
Concluindo estas reflex�es, a minha imagina��o vai � celebra��o da abertura da Porta Santa j� iminente. A diferen�a mais not�vel desta abertura em rela��o �s anteriores, talvez seja que ela ser� assistida no mundo inteiro. A voz do Papa poder� ouvida a partir de todos os �ngulos da terra, ser� at� mesmo poss�vel ver o Evangelho narrado nos dezesseis quadros da Porta, assistir � celebra��o e, juntos, entrar espiritualmente na igreja, s�mbolo da comunh�o cat�lica, do ecumenismo crist�o, do di�logo religioso, da solidariedade humana globalizada. Entrar nesses �mbitos de comunh�o est� entre os horizontes da convers�o propostos para o ano jubilar. E a comunica��o poder� tirar da� a not�cia e o convite ao mundo.
Jesus Cristo, que celebramos no bimilen�rio do seu Nascimento d�, a n�s Salesianos e � toda a Fam�lia Salesiana, a for�a comunicativa que � pr�pria do seu Evangelho e nos fa�a sempre mais capazes de transmiti-lo aos jovens neste Ano de gra�a.

P. Juan E. Vecchi
Reitor-Mor


[1] Mc 7,37
[2] cf. ACG 369, outubro-dezembro 1999
[3] cf. ACG 369, p�g. 48
[4] cf. ACG 358 suplemento, n�mero especial
[5] cf. Communio et Progressio, instru��o pastoral sobre os instrumentos da comunica��o social, de 1971
[6] cf. Orienta��es para a forma��o dos futuros sacerdotes sobre os instrumentos da comunica��o social, de 1986
[7] cf. Aetatis Novae, instru��o pastoral sobre as comunica��es sociais no XX anivers�rio de Communio et Progressio, de 1992
[8] cf. Mt 10,27; Lc 12,3
[9] PAULO VI, Exorta��o apost�lica Evangelii Nuntiandi, 8 de dezembro de 1975, n. 45
[10] JO�O PAULO II, Carta enc�clica Redemptoris missio, 7 de dezembro de 1990, n. 37
[11] JO�O PAULO II, Redemptoris missio, ib.
[12] USG, O desafio da Comunica��o. Meios de Comunica��o Social e evangeliza��o, Roma, 1999
[13] GS 1
[14] VC 99
[15] C 43
[16] cf. Constitui��es 1858, I, 5 (cf. Textos cr�ticos preparados por F. Motto, ISS-LAS 1982, p�g. 78)
[17] cf. C 31
[18] cf. ib
[19] cf. O Projeto de vida dos Salesianos de Dom Bosco. Guia � leitura das Constitui��es Salesianas, Roma 1986, p�g. 363
[20] E. CERIA, Epistolario di San Giovanni Bosco, vol. 4�, p�g. 318ss, carta n�mero 2539. Circular de 19 de mar�o de 1885: �Difusione dei buoni libri�
[21] cf. CG24, n. 249-251
[22] CCG 358 suplemento, cf. 2,21, p�g. 15 e parte II � Comunica��o Social, p�g. 29-32
[23] ACG 358 suplemento, cf. 2,21, p�g. 15
[24] cf. ACG 363, Especialistas, testemunhas e art�fices de comunh�o. A comunidade salesiana � n�cleo animador.
[25] BRAIDO P. (coordenado por), Dom Bosco Educador. Escritos e testemunhos, Roma, LAS 1997, p�g. 282
[26] Mc 7,32-37
[27] cf. Mc 8,22-24; Jo 9,35-38
[28] MB XIII, 126
[29] cf. At 17.20
[30] cf. Inter mirifica (IM), 2
[31] Jo 1,14
[32] �Se a Igreja adota uma atitude positiva e aberta em rela��o � m�dia, procurando penetrar a nova cultura, criada pela comunica��o com a finalidade de evangeliz�-la, � necess�rio que ela proponha tamb�m uma avalia��o cr�tica da m�dia e do seu impacto na cultura.
Como j� foi dito outras vezes, a tecnologia da comunica��o constitui uma maravilhosa� express�o do g�nio humano e a m�dia serve consideravelmente � sociedade. Como foi igualmente sublinhado, por�m,� a aplica��o da tecnologia da comunica��o foi apenas em parte um benef�cio, e a sua utiliza��o consciente precisa de valores sadios e de op��es prudentes por parte dos indiv�duos, do setor privado, dos governos e do conjunto da sociedade. A Igreja n�o entende impor essas decis�es e op��es, mas quer dar uma ajuda real indicando os crit�rios �ticos e morais aplic�veis nesse campo, crit�rios que se encontrar�o tanto nos valores humanos como nos valores crist�os� (Aetatis Novae, 12).
[33] Cf. Aetatis Novae, 18
[34] Os profissionais cat�licos leigos e as demais pessoas que trabalham no apostolado eclesial das comunica��es sociais ou na m�dia profana, esperam com frequ�ncia da Igreja orienta��o espiritual e apoio pastoral. Um plano de pastoral para a comunica��o deveria procurar, portanto [...] nutrir a f� dos respons�veis da comunica��o e apoiar o seu empenho nesse dif�cil trabalho, que consiste em comunicar ao mundo os valores do Evangelho e os aut�nticos valores humanos (Aetatis Novae, 29)
[35] cf. R 100
[36] cf. ACG 361, outubro-dezembro de 1997
[37] Confer�ncia episcopal alem� e Conselho da Igreja Evang�lica na Alemanha, M�dia: perspectivas e riscos, parte 3�, 3.2
[38] CG23, 257-258
[39] CG24, 129
[40] cf. Communio et progressio, 70
[41] Mensagem para a 24� Jornada Mundial das Comunica��es Sociais, 24 de janeiro de 1990
[42] cg. CG24, 132
[43] cf. AA.VV. Internet. L�informazione senza frontiere. Paulinas, Mil�o 1997, p�g. 138
[44] R 31
[45] R 33
[46] cf. CG23, 259
[47] CG24, 136b
[48] R 31
[49] cf. ACG 366, p�g. 100-118