Conselho Recursos

LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA A EDITORIA SALESIANA

ORIENTAÇÕES - DOCUMENTOS


EDITORIA SALESIANA

2.1 LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA A EDITORIA SALESIANA


Pe. Tarcísio SCARAMUSSA
Conselheiro Geral para a Comunicação Social

INTRODUÇÃO

A ocorrência dos 120 anos da Carta de Dom Bosco sobre “A difusão dos bons livros” convida-nos a relançar a editoria salesiana, na fidelidade a Dom Bosco no novo contexto da história.

A produção editorial salesiana já é muito ampla. Basta fazer referência à quantidade dos nossos empreendimentos de comunicação e de informação: 61 editoras, 17 centros audiovisuais, 33 emissoras de rádio, 22 emissoras de TV, muitos escritórios de imprensa, 29 tipografias, 89 livrarias, 122 salas de teatro-cinema.

Nesses empreendimentos, mas também em tantas outras iniciativas, concentra-se a nossa produção de mensagens, de forma impressa e/ou digitalizada, de livros e de revistas (entre as quais destaca-se o BS em suas 55 edições em 28 línguas, 29 das quais online), de periódicos, noticiários, folhetos, cartazes, tantos outros produtos em papel, como também em forma de programas para Rádio e Televisão, e também na forma multimedial de sites e de audiovisuais com aplicações em vídeo, CD, DVD.

Em sua mensagem à consulta mundial para a Comunicação Social, o Padre Pascual Chávez, 9º sucessor de Dom Bosco, afirmava: “As nossas obras de Comunicação Social são um recurso. Impressiona o panorama das nossas editoras, dos centros de produção de audiovisuais, das publicações impressas. Devemos interrogar-nos, porém, quanto à qualidade, quanto ao valor cultural, quanto às sinergias que somos capazes de ativar”. E indicava os desafios de base: “Se a Igreja é chamada a ‘integrar o evangelho na nova cultura da mídia’(Giovanni Paolo II, Redemptoris missio, 37), nós educadores somos igualmente chamados a ‘integrar’ a sabedoria educativa, os valores recebidos, os modelos de comportamento assimilados, o sistema preventivo, com o ‘novo mundo’ representado e veiculado pelos meios de comunicação social”. [1] Em sua última carta de junho de 2005, o Reitor-Mor aprofundou o alcance dessa tarefa.

A consulta mundial para a Comunicação Social fazia eco à mesma questão, apelando para a necessidade de dar um novo vigor à nossa comunicação, ao empenho cultural nos vários países, com a salvaguarda da tradição cultural salesiana expressa na editoria, enriquecida hoje com as novas possibilidades das tecnologias multimediais, informáticas e telemáticas, sem esquecer as expressões comunicativas características da educação salesiana, como o teatro, a música, a arte, a literatura...

Na rica caminhada da experiência da Congregação, foram dadas várias linhas de orientação para o campo da editoria, que ainda têm o próprio valor de referência. Recordemos, de modo particular:
– a carta do padre Luís Ricceri “As notícias de família” (1977), no centenário do Boletim Salesiano, sobre a importância da informação salesiana; [2] ;
– a carta do padre Egídio Viganò “A comunicação social interpela- nos” (1981), com a sessão “Promoção da informação salesiana” [3] ;
– as orientações do conselheiro geral, padre João Raineri (1981), que apresentava o pensamento e a prática de Dom Bosco como referência para um programa da editoria salesiana; [4] ;
– a intervenção programática do padre João E. Vecchi aos diretores do Boletim Salesiano (1998), com orientações que se aplicam à editoria em sentido mais amplo, particularmente à informação; [5] ;
– a carta do padre Vecchi “A comunicação na missão salesiana” (1999), de modo particular quando se refere às tarefas das inspetorias; [6] ;
– as normas e orientações espalhadas nas Constituições e nos Regulamentos, nos documentos dos Capítulos Gerais, nos Atos do Conselho Geral, nas publicações oficiais do Dicastério para a Comunicação Social [7] e outras da rica experiência das inspetorias.

Baseando-nos nessas linhas, visamos agora ao renascimento de um movimento editorial que seja mais intenso, qualificado e articulado, que corresponda sempre mais às exigências efetivas dos jovens e das camadas populares no mundo de hoje, e que manifeste uma voz e uma opinião salesiana coerente e comum, no respeito do pluralismo das diversas realidades.

1. REFERÊNCIAS E CRITÉRIOS BÁSICOS PARA A EDITORIA SALESIANA

A editoria salesiana é uma resposta atual às necessidades da missão salesiana de educação e evangelização da juventude, com atenção particular aos mais pobres e às camadas populares. Não é uma questão de só emitir boas mensagens. É necessário saber em qual contexto se desenvolve a nossa missão, para dialogar, integrar e incidir significativamente na sociedade.

Isso exige uma localização consciente nas coordenadas da cultura, da Igreja e da Congregação.

– No hoje da sociedade e da cultura: percebendo a oportunidade e os desafios do contexto de mercado da “sociedade da informação” e os sinais do tempo expressos nos temas e agendas mundiais do momento, não no sentido superficial da moda, mas no seu valor existencial de questões que contam, de necessidades antropológicas, de questões de sentido, de referência, de fé. De um lado, trata-se de en- frentar a concorrência com a oferta diferenciada e original de propostas editoriais de efetiva incidência na sociedade, sempre em atitude de serviço e de colaboração com as forças ativas que visam mudar a situação do mundo. De outro lado, é preciso enganchar a reflexão e os conteúdos evangélicos à realidade existencial dos destinatários, superando o formato vertical do dogmatismo e da doutrinação.

– No hoje da Igreja: colocando-se bem em seu interior em comunhão com o Papa, com a Igreja particular, com a vida consagrada, com o movimento ecumênico e o diálogo inter-religioso, com atenção à hora e ao momento atual da Igreja e às necessidades da evangelização, em coerência com as linhas, reflexões e processos que brotam do Concílio Vaticano II e das Conferências Episcopais.

– No hoje da Congregação e da Família Salesiana: levando em consideração o tempo salesiano que estamos vivendo, em sintonia com a vida dinâmica da Congregação e da Família Salesiana, com as linhas fundamentais da pastoral juvenil salesiana, com as coordenadas dos Capítulos Gerais – em particular dos mais recentes, com a conseqüente programação do Reitor-Mor e do seu Conselho –, e dos Capítulos inspetoriais, com as reflexões e estudos críticos atualizados de espiritualidade, pedagogia e história salesiana.

No interior dessas coordenadas, a política de comunicação social da Congregação Salesiana orienta-se por critérios que caracterizam os traços diferenciados da ação salesiana e que indicam as grandes opções e o estilo de ação neste âmbito, particularmente na editoria, tais como: o critério da encarnação, o critério testemunhal e vocacional, o critério evangelizador-educativo, o critério do Sistema Preventivo, o critério ético e profissional, o critério da interdisciplinaridade, o critério de sistema. Os elementos salesianos que caracterizam esses critérios são apresentados no subsídio “Sistema Salesiano de Comunicação Social” (SSCS), do Dicastério para a Comunicação Social (cf. n. 50-57).

2. LINHAS OPERATIVAS PARA A PROMOÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA EDITORIA SALESIANA

O novo contexto da “sociedade de informação”, globalizada e interrelacionada, na qual “os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais”, exige esforços corajosos de qualificação e desenvolvimento constante da editoria salesiana. O adjetivo “corajosos” quer referir-se ao estímulo da Carta Apostólica “O rápido desenvolvimento” a não ter medo das novas tecnologias, da oposição do mundo, da nossa fraqueza e inaptidão, mas também a fazer opções e assumir iniciativas de promoção e qualificação coerentes com a urgência da questão. [8] .

Apresento algumas sugestões de iniciativas às quais dar prioridade e de estratégias a pôr em prática. Como as necessidades das inspetorias são diferenciadas, cabe a cada uma escolher as ações que melhor correspondam às próprias necessidades e urgências.

2.1 Promover o Sistema Salesiano de Comunicação Social, de acordo com o Plano inspetorial de Comunicação Social (PICS) integrado no POI, como base indispensável para o desenvolvimento contínuo da comunicação social e para o constante controle de qualidade da editoria salesiana. O SSCS pede que se inicie, apóie e potencie com eficiência os processos de animação, formação, informação e produção que tornem eficaz a ação da comunicação social a serviço da missão salesiana. Para isso é indispensável realizar o quanto já foi pedido pelos Capítulos Gerais: – garantir ao delegado para a Comunicação Social as condições para realizar a sua missão de promover – em nome do inspetor – a comunicação Social, e “assistir cada comunidade na promoção das várias realidades comunicativas, prestar o seu serviço aos vários setores de atividades e manter relações com os organismos locais, eclesiásticos e civis”; [9] .

– fazer funcionar a Consulta para a Comunicação Social a fim de oferecer avaliações, pesquisas, estudos, orientações e subsídios para uma constante atualização, e as comissões inspetoriais e local para a projeção e gestão operativa. [10] .��

2.2 Formar escritores e educomunicadores, [11] salesianos e leigos, para atuarem com profissionalismo reconhecido nos centros editoriais, nos circuitos da imprensa, nos centros de emissão e produção de programas audiovisuais, radiofônicos, televisivos, e nas estruturas educativo-pastorais.

2.3 Qualificar a informação e potenciar os canais de informação e de diálogo internamente, mas em especial externamente, à Congregação e à Família Salesiana. O objetivo da informação salesiana é favorecer a comunhão e o sentido de pertença, a educação e a evangelização dos jovens, a mentalização e a mobilização para a missão de Dom Bosco e a apresentação de uma imagem adequada da Congregação. Para incrementar e qualificar a informação, sugere-se privilegiar as seguintes intervenções, para as quais são chamados em causa os responsáveis pelo Setor da Comunicação Social com as respectivas equipes:

– Rever periodicamente a qualidade da informação produzida em nível mundial, inspetorial e local, e avaliar a sua atualidade e adequação em relação aos objetivos propostos, às necessidades dos destinatários, às coordenadas da cultura, da Igreja, da Congregação;
– Manter atualizado um banco de dados que permita um bom e documentado conhecimento do mundo juvenil, e canalizar essa mesma informação para a sociedade, com a finalidade de criar opinião e tomada de consciência que dêem origem a políticas e ações em favor da juventude;
– Qualificar e profissionalizar mais a agência ANS, para fazê-la nascer e desenvolver-se em todas as inspetorias. A ANS, registrada como um periódico (1973), torna-se a partir de 1992 uma agência chamada justamente de “Agência Internacional Salesiana de Informação”. A Agência é coordenada pelo Dicastério para a CS, com um escritório central de redação em Roma e uma rede de correspondentes em todas as inspetorias. Na concepção da Agência prevê-se, de fato, um funcionamento descentralizado, apoiado em duas estruturas, comunicantes entre si, e que realizam substancialmente as mesmas funções, embora em níveis diferentes. Junto com o processo de maior profissionalismo da estrutura central, é preciso desenvolver mais a estrutura nas inspetorias, no interior das coordenadas do Sistema Salesiano de Comunicação Social;
– Criar o escritório de imprensa em todas as inspetorias, como um serviço no interior da Agência ANS, contando com a participação de profissionais. Esse escritório gerencia, de acordo com o Plano inspetorial, os contatos com as agências de informação, os meios de comunicação e o grande público, para fazer-se porta-voz das atenções aos problemas juvenis e educativos, e para o cuidado e a defesa da imagem da Congregação e da atividade salesiana; – Continuar o processo de relançamento do Boletim Salesiano, que já produziu um crescimento notável de qualidade e de difusão, para o qual a programação do sexênio prevê alguns projetos de articu lação e desenvolvimento, com um serviço específico por parte do Dicastério para a Comunicação Social;
– Qualificar os sites como espaços de informação, formação, partilha, a serviço do projeto de animação e governo, como fonte de informação sobre o carisma salesiano e como instrumento para a mobilização da sociedade na causa da juventude.

2.4 – Potenciar e qualificar a produção editorial de livros, revistas, programas de rádio, de televisão, audiovisuais, e das empresas de comunicação social, a serviço da missão educativo-pastoral para os jovens. Sugere-se para essa finalidade que se privilegiem as intervenções abaixo, para as quais se pede um constante monitoramento por parte dos responsáveis pelas empresas e pelos responsáveis para o Setor da Comunicação Social com as respectivas equipes:
– Verificar periodicamente a qualidade da produção e avaliar a sua atualidade e adequação quanto às necessidades dos destinatários, aos objetivos educativo-pastorais e às coordenadas da cultura, da Igreja, da Congregação;
– Projetar ações de promoção do desenvolvimento e da qualificação profissional e salesiana das empresas, da sua coligação e da cooperação recíproca, no interior das coordenadas da política da Congregação a respeito e, em particular;
– O inspetor com o seu Conselho, em conformidade com as determinações do n. 31 dos Regulamentos, tome iniciativas concretas e sistemáticas para a promoção das empresas de comunicação social, para a sua integração no POI e para a sua continuidade administrativa e gerencial. Não se esqueça que a abertura e o encerramento de uma nova obra exige a autorização do Reitor-Mor com o seu Conselho (C 165, § 5). O Plano inspetorial preveja a seleção e a formação adequada do pessoal salesiano e leigo, em vista de uma ação profissional e coerente com o carisma salesiano dessas obras;
– O delegado inspetorial para a Comunicação Social acompanhe e promova a sinergia entre as empresas, com atitude de respeito aos processos empresariais e às respectivas competências. Faça-o em nome do inspetor e do seu Conselho, que manterá sempre informados e dos quais receberá as orientações necessárias.

CONCLUSÃO

O relançamento de uma editoria salesiana de qualidade é a forma de atuar a visão de Dom Bosco “sempre na vanguarda do progresso”, num contexto no qual os meios de comunicação sempre têm muita incidência e, conseqüentemente muitas oportunidades em seu valor educativo-pastoral. A carta do padre Pascual Chávez “Com a coragem de Dom Bosco nas novas fronteiras da comunicação social” (ACG 390) representa um programa para nós, também nessa direção.

São chamados em causa, não só os que têm responsabilidades especiais de animação e de governo das inspetorias e das comunidades e obras, mas todos os salesianos para que contribuam na editoria salesiana como escritores, como editores, como monitores da qualidade da comunicação salesiana, como promotores e difusores entusiastas dos produtos salesianos.

A atuação destas orientações exige um trabalho esforçado e dedicado. A nossa consciência do valor desse campo de missão será seguramente viva com ações concretas. E fazendo referência a Dom Bosco: “Peço-vos e suplico-vos, portanto, que não descureis essa parte importantíssima da nossa missão”.12 12 Don Bosco, Carta circular sobre a difusão dos bons livros, 19 de março de 1885.[12] .