Conselho Recursos

Projeto da Comunidade Formadora

DOCUMENTOS DO DICASTÉRIO DE LA FORMAÇÃO



O PROJETO DA COMUNIDADE FORMADORA

Aos Sres, Diretores e Membros
das Comunidades formadoras


Aos Sres.
Inspetores e Delegados inspetoriais de formação
O PROJETO DA COMUNIDADE FORMADORA
Processo de discernimento e partilha
              “Deve a formação implantar-se em cada nível segundo um projeto orgânico e unitário, ser vivida com mentalidade de projeto, ser levada avante por um sujeito unitário e pela convergência dos diversos agentes” (FSDB, 211); assim pede a “Ratio”, indicando as linhas estratégicas de metodologia formativa. O projeto é uma necessidade para a comunidade formadora que, sendo um “verdadeiro laboratório de amadurecimento pessoal” (FSDB, 287), necessita de um plano que indique o caminho a seguir na caminhada formativa.
Estes apontamentos pretendem oferecer sobretudo aos Diretores e aos Membros das Comunidades formadoras, e também aos Inspetores e aos Delegados inspetoriais de formação, uma ajuda em forma de motivações, condições e sugestões que podem servir para a animação da comunidade formadora e para a formulação de um projeto formativo. Por comunidades formadoras entendem-se as comunidades de formação inicial: pré-noviciado, noviciado, pós-noviciado, comunidades para a formação específica dos salesianos coadjutores, comunidades para a formação específica dos salesianos padres. É a elas que se dirige este subsídio.
Estas notas se assemelham às indicações referentes ao “Projeto da comunidade salesiana”, porque na formação inicial é preciso aprender como a comunidade realiza seu projeto; adota-se especialmente a metodologia do discernimento comunitário, tal como é indicada pelo CG25. Elas apresentam também uma especificidade própria, que se refere diretamente à “Rátio” e que é devida ao caráter especial da comunidade formadora e do processo de formação inicial.

1. Motivações e finalidade do projeto

O projeto reveste hoje uma importância notável na vida da pessoa e da comunidade. Para o jovem às vésperas da vida adulta ter um projeto significa dar uma direção à própria existência, responsabilizar-se por ela, orientar as próprias energias. Assim para uma comunidade formadora o projeto oferece muitas vantagens; aliás, tornou-se hoje uma necessidade. Toda comunidade formadora se encontra numa situação diferente de outra e portanto o que se faz numa comunidade não se pode facilmente transferir para outra; é preciso que cada comunidade assuma a responsabilidade de encontrar o seu próprio caminho. Ainda que fundamentais, as indicações gerais não são suficientes.

  1. Primeiramente o projeto ajuda a comunidade formadora a fazer o discernimento a respeito do próprio caminho. A formação é obra de Deus. Como o Senhor Jesus chamou os apóstolos, preparou-os com amor paciente e os enviou a proclamar o Evangelho (cf. FSDB 96), assim continua agindo hoje mediante o seu Espírito com aqueles que Ele escolhe para a consagração apostólica salesiana. O Espírito de Jesus “é o primeiro e principal agente” (FSDB 217) da sua formação.
  2. Isto implica em que tanto a comunidade formadora quanto o indivíduo se ponham na escuta do Espírito e se deixem guiar por Ele. A obra de formação é um contínuo processo de discernimento; expressão deste discernimento é também o projeto da comunidade. O projeto portanto não é antes de tudo um fato de organização da vida da comunidade. É um verdadeiro ato de fé em Deus que convocou e reuniu os membros de tal comunidade, formadores e formandos. A comunidade coloca-se em atitude de abertura diante de Deus e se pergunta a que coisa Ele a chama.
  3. Ora, não há dúvida de que nós encontramos uma parte da resposta nas nossas Constituições e na “Ratio”, que nos oferecem preciosas indicações sobre o tipo de salesiano a ser formado e sobre o percurso da caminhada formativa. Mas estas permanecem no nível das grandes metas e linhas gerais, válidas em todo o mundo. É preciso encarná-las na situação concreta de cada comunidade; isto é obra de discernimento. Uma coisa é estabelecer na “Ratio” que o carisma deve ser inculturado em cada comunidade; outra coisa é determinar o que esta comunidade deve fazer concretamente.
  4. - A comunidade consegue assim imprimir a direção a toda a sua obra formativa. A formação é um trabalho complexo. É multíplice e diversificado nos formandos e nos formadores, nos tempos, nas intervenções, nos conteúdos, nas expressões (cf. FSDB 210). Ora, assim como as limalhas de ferro numa caixa se voltam para a mesma direção quando por elas passa um ímã, assim também numa comunidade tudo se volta para os objetivos concretos quando ela possui um projeto. As diferentes tarefas, os relacionamentos, as experiências, as atitudes, as atividades, as avaliações que configuram a experiência formativa, são pensados e vividos como elementos de um único processo, de uma ação coordenada e convergente, segundo a finalidade da fase (cf. FSDB 212). Deste modo evita-se que as muitas atividades e experiências formativas na comunidade sejam deixadas à improvisação, à fragmentação e à ação individual de pessoas e grupos.
  5. - Esta orientação unitária ajuda a comunidade a reforçar a comunhão entre todos os membros. Através do projeto, a comunidade adquire uma visão conjunta da sua finalidade e do seu caminho, e chega a uma convergência acerca de pontos chaves. Tendo cada qual participado da partilha comunitária e oferecido a própria contribuição, chega-se a uma compreensão maior entre todos e a maior entrosamento. Formadores e formandos se unem para caminhar juntos em busca da meta comum, por um caminho traçado juntos e desejado por todos. O projeto comunitário constrói a comunhão entre as pessoas e serve de antídoto para os particularismos e os individualismos.
  6. - A comunidade consegue, enfim, favorecer a responsabilidade de todos no processo formativo. A “Ratio” requer “a participação de todos nos momentos de elaboração e de avaliação do projeto comunitário e da programação” (FSDB 287). Já desde o pré-noviciado se pede que os candidatos integrem sua ação no projeto comunitário (cf. FSDB 340). Os formandos, portanto, não são sujeitos passivos da própria formação. Por meio da participação direta na feitura do projeto, chegam não só ao conhecimento da natureza e da finalidade da própria fase formativa, mas sobretudo a se confrontar com os elementos integrantes de sua vocação, a assumir pessoalmente os objetivos do caminho e a fazer próprio todo os processo formativo. Assim os formandos se comprometem na própria formação. Eles se sentem como que proprietários do projeto e começam a trabalhar com entusiasmo para realizar o que ele propõe, utilizando os seus talentos, energias e recursos. O envolvimento na ‘projetação’ muito ajuda a personalizar a própria formação.
  7. Como se vê, o projeto comunitário inicia um processo de discernimento do chamado de Deus a ser vivido numa situação específica; é um meio para o trabalho de conjunto entre todos os seus membros rumo a objetivos precisos; é um instrumento eficaz para criar uma visão partilhada, para formar comunidade, para aumentar o relacionamento; é uma ajuda para cada irmão sentir-se valorizado e realizar a própria formação no contexto da comunidade. O projeto comunitário não é tanto um ponto de chagada; é antes um ponto de partida. Por meio do projeto, a comunidade não visa simplesmente a elaborar um documento, mas empenha-se a atuar na formação “de maneira reflexa e convergente, promovendo a comunicação e a coordenação, realizando uma ação sistemática e contínua, capaz de confrontar-se com a realidade e renovar-se” (FSDB 574)
     
2. Condições para o início da programação comunitária
  1. O início da programação comunitária requer algumas condições prévias, que podem garantir a bondade do processo e a eficácia do produto.
  2. - Primeiramente é necessário cultivar algumas atitudes e proteger-se de alguns riscos, evitando os enganos as insídias ou os ardis de todo projeto. A comunidade não é a protagonista exclusiva do projeto; ela reconhece e acolhe o projeto que Deus tem para ela.
  3. A meta do projeto não é o sucesso da comunidade, mas a formação de salesianos convictos, profundos e alegres na sua identidade vocacional, plenamente animados pela caridade pastoral e preparados para realizar a missão juvenil com eficácia e doação. A comunidade que projeta não busca o perfeccionismo, mas a própria autenticidade evangélica, consciente de ser o instrumento por meio do qual Deus realiza a formação nos corações daqueles que chamou. Na elaboração do projeto ela não absolutiza o refinamento metodológico; busca ao contrário chegar até aos irmãos com profundidade, partindo da sua própria vida vivida e da sua comunidade (cf. CG25 73).
  4. Sendo a programação um exercício de discernimento, ela concede a primazia a Deus e abre espaço à sua graça, tornando-se assim uma verdadeira aventura espiritual para a comunidade. A escuta da Sagrada Escritura e a oração tornam-se o seu contexto e horizonte. A docilidade ao Espírito cria as condições para estar abertos ao evangelho e à vida, para não extraviar-se perante as incertezas e os enganos, a fim de estar prontos para a renovação e a conversão.
  5. - A experiência nos diz além disso que o sucesso do projeto comunitário depende em grande parte, se não totalmente, da disposição dos membros da comunidade para com ele. Se o projeto for visto pelos irmãos como uma imposição da “Ratio”, a tendência será ou adiá-lo o mais possível ou fazê-lo quanto antes. É claro que este tipo de projeto não serve. Importa pois que antes de começar o projeto, a comunidade se sinta convencida da necessidade de trabalhar segundo um projeto (cf. CG25 72) e o deseje realmente; a comunidade vê nele um meio importante para a sua realização e crescimento.
  6. Se houver hesitação ou falta de interesse por parte de alguns, é melhor fazer  antes um encontro comunitário sobre o sentido do projeto, a fim de esclarecer e resolver as dúvidas e, sobretudo, para criar a disponibilidade. É preciso chegar àquele ponto em que os irmãos estejam, se não entusiastas, pelo menos abertos a encetar este caminho. A comunidade realiza o projeto, não porque é obrigada, mas porque sente a necessidade; não porque deve, mas porque quer.
  7. - Existe finalmente uma terceira condição a ser realizada. O projeto comunitário não é um exercício que parte do nada; possui já algumas fortes referências. Antes de tudo, a nossa Regra de Vida, que dá indicações autorizadas sobre a formação e sobre a comunidade formadora; a seu lado estão os Capítulos Gerais e as cartas do Reitor-Mor. Há depois o texto da “Ratio” que traça para toda a Congregação como deveria ser a formação hoje.
  8. Nenhum projeto, portanto, pode esquecer estas indicações, se quiser ser fiel ao chamado de Deus no tempo presente. Por isso é necessário que, ainda antes de iniciar o trabalho de ‘projetação’, a comunidade formadora se empenhe em assumir os textos indicados. Isto pressupõe uma certa familiaridade com as orientações gerais da formação, que se encontram na primeira parte da “Ratio” e que se referem à identidade vocacional, às dimensões da formação, às metodologias formativas. Requer-se ainda que todos conheçam a fisionomia da fase formativa em que a comunidade se encontra; este ponto encontra-se descrito no capítulo específico da segunda parte da “Ratio” e compreende a natureza da fase, a articulação das quatro dimensões e as condições formativas.
  9. A estas referências se acrescenta o Projeto Inspetorial de Formação que constitui o quadro de conjunto para a formação na Inspetoria. Fruto do discernimento de todas a inspetoria, ele identifica o tipo de salesiano que Deus chama cada irmão a ser na própria realidade eclesial e sócio-cultural; ele traça as linhas operacionais para o crescimento de cada salesiano em sua própria vocação. A comunidade formadora portanto assume estas indicações e procura traduzi-las na própria vida e ação.

 

3. Passos da ‘projetação’ comunitária

  1. Os passos da ‘projetação’ comunitária são essencialmente os passos de um processo de discernimento. Pressupõe-se ter dedicado um tempo prévio à preparação e ao estudo da “Ratio”, tanto da parte geral quanto da que se refere à específica fase formativa.
  2. - Criado um clima espiritual de oração, assegurada a livre vontade de fazer um projeto e assimilado o conteúdo dos textos de referência, o primeiro passo da ‘projetação’ é a projeção de como a comunidade formadora gostaria de ser para responder ao chamado de Deus. É o tempo de sonhar com realismo. É o momento em que a comunidade, olhando o futuro, se pergunta o que Deus deseja dela. Não se trata de descrever uma comunidade formadora em abstrato; é questão de individualizar quais deveriam ser os traços desta comunidade, chamada a encarnar-se “aqui e agora”. Como vemos nós a finalidade desta comunidade à qual Deus nos chamou? Qual é o perfil e a identidade de salesiano que estamos construindo? Que processos de formação humana, espiritual, intelectual e educativo-pastoral ativar nesta comunidade e nesta fase específica?
  3. É muito importante para este passo ouvir as moções  do Espírito em cada um dos membros da comunidade. De fato, cada membro está sendo convidado a partilhar com a comunidade o que ele interpreta como sendo o desígnio divino para ela. Ele, refletindo diante de Deus, partilha com os demais  membros a sua visão, preocupação e expectativas para a comunidade; partilha também as suas experiências, positivas ou negativas, feitas na comunidade e as suas necessidades para realizar o seu projeto pessoal. Gradualmente, por meio das contribuições de cada um e a troca de idéias, a comunidade se encaminha para uma convergência de idéias sobre a fisionomia que Deus a chama a assumir.
  4. É bom lembrar que neste primeiro passo se descreve só como esta comunidade deseja ser, não o que pretende fazer. É importante que a visão, que surge da partilha de todos, não seja algo intelectual ou frio, mas alguma coisa que entusiasme todos os membros da comunidade. É uma coisa que os atrai, os estimula e é realista; corresponde aos seus desejos e às suas expectativas; indica as possibilidades que podem resultar dos esforços conjugados e dos sacrifícios de todos. Como é óbvio, de nada serve copiar dos documentos, ou dos projetos dos outros; pode ser útil considerar um modelo de projeto para esclarecer as idéias; cabe porém à comunidade realizar o próprio trabalho, que não é essencialmente a elaboração de um texto, mas um processo de discernimento e de partilha.
  5. - Uma vez chegados a uma “visão partilhada” do futuro, inicia-se o segundo passo que é o de contemplar, na linha da “visão”, o que se encontra na comunidade: a situação da comunidade. Muitas vezes existe a tendência de começar a falar dos problemas; parece ser uma melhor estratégia considerar antes os “sucessos” e os recursos da comunidade relativamente ao seu futuro desejado. Esta maneira de agir cria um clima positivo para todo o processo e serve para encorajar os membros, pelo fato de verem elementos já realizados ou realizáveis. Passa-se depois a identificar as dificuldades, os elementos que precisam ser melhorados para alcançar os objetivos apontados. Em nada ajuda fazer uma lista interminável de todos os pontos, positivos ou negativos, nos mínimos detalhes. Um bom projeto supõe a capacidade de apontar aqueles três ou quatro pontos decisivos e que praticamente determinam tudo o mais; isto é, trata-se também de detectar os desafios fundamentais que nascem da situação.
  6. - E chega-se assim ao terceiro passo do processo, que se referem às linhas de ação. À luz da sua visão de futuro e da sua situação atual, a comunidade traça o seu caminho anual. Essas linhas de ação se articulam de acordo com as quatro dimensões da formação, dando atenção à fase formativa que se está vivendo. Cada dimensão se expressa em forma de objetivos a serem alcançados, de estratégias ou processos a serem ativados, de intervenções para se poder chegar à meta (cf. FSDB 577). Os objetivos tornam concreta a visão de futuro, traduzindo-a na modalidade de metas avaliáveis. As estratégias ou processos são os principais aspectos que se devem cuidar para se alcançar o objetivo. E as intervenções são as ações a serem feitas.
  7. Nas linhas de ação é oportuno também sublinhar algumas condições formativas a serem asseguradas para o êxito da experiência. As linhas de ação sejam também acompanhadas pela programação anual, em que se determinam os tempos, as modalidades e as pessoas responsáveis. Quanto mais concretas forem as determinações, maior é a possibilidade de eficácia.
  8. Deseja-se que as linhas de ação sejam essenciais, para não dispersar a comunidade em muitas frentes; sejam significativas, para causar um impacto notável sobre a comunidade; sejam alcançáveis no prazo de um ano, para levar em conta as reais possibilidades da comunidade.
4. Cuidados que se devem ter durante a ‘projetação’

  1. Três coisas devem ser cuidadas durante todo os processo: empenhar-se por alcançar a convergência, a tarefa do diretor, o papel da equipe dos formadores.
  2. - É importante que durante o processo se procure chegar a conclusões com o consenso, ou melhor com a convergência dos membros da comunidade. Convergência não quer dizer unanimidade, mas que cada um dos membros, mesmo que não ache a conclusão ou a decisão de seu pleno agrado, se sinta motivado a dar-lhe o seu apoio. Naturalmente, chegar à convergência num grupo de pessoas exige tempo e trabalho, mas possui a grande vantagem de superar as diferenças de opinião, de criar uma visão comum dos problemas e das soluções, e por conseguinte de promover a unidade. Deste modo o projeto se torna o “produto” de toda a comunidade; cada um dos membros de encontra nele. E ficando aberta durante todo o processo ao que Deus lhe pede, o projeto se torna um verdadeiro ato de discernimento.
  3. - O papel do Diretor nesse processo não é o de decidir sozinho ou de impor as suas idéias. Ele anima os membros da comunidade a pôr-se na escuta do Espírito e dos outros, e a considerar o tema ou o problema de diferentes pontos de vista. Convida cada um a participar com plena liberdade e para tanto procura criar um clima de confiança e respeito. Ajuda gradualmente a buscar a convergência, superando os motivos de desacordo. Acompanha a comunidade durante todo o processo, conduzindo-o com grande sensibilidade e assegurando que não seja nem superficial nem opressivo.
  4. - Na comunidade formadora a equipe dos formadores tem uma sua tarefa especial (cf. FSDB 234-239). Ela tem a sua experiência, prática formativa, reflexão, que constituem o patrimônio de continuidade da mesma comunidade formativa. Garante uma orientação unitária e integral a serviço da experiência formativa; possui capacidade de proposta e de acompanhamento. Durante a ‘projetação’ ficará atenta para abrir espaço à tomada de consciência dos formandos, à expressão da sua sensibilidade e de sua vida cotidiana, à sua proposta.
 
5.  Elaboração escrita do projeto comunitário

  1. Já disse acima que o projeto não é primeiramente um texto escrito, mas a convergência da comunidade quanto às metas a serem alcançadas e quanto às medidas a serem tomadas para ser o que Deus a chamou a ser. Portanto a comunidade não visa tanto a produzir um documento, quanto a participação de todos, a escuta recíproca, a partilha e a convergência; estes são os verdadeiros frutos da ‘projetação’. Apesar disso é necessária uma elaboração escrita, que seja como que a memória da comunidade. Não é necessário que este escrito seja preparado em conjunto; os encontros comunitários acabariam por ficar pesados. É preferível que o Diretor peça a um ou dois membros anotarem quanto se fala durante as assembléias comunitárias e depois eles redigirem o texto; submetido depois à comunidade, será por fim aprovado pelo conselho; e por último, entregue a cada irmão.
  2. Iniciando a redação do projeto, é importante propor uma breve contextualização histórica e geográfica da comunidade formadora. É útil dizer como é constituída a comunidade formadora. Trata-se de explicitar a composição da Equipe dos formadores com a descrição dos seus encargos: encarregado dos estudos, encarregado da animação litúrgica e espiritual, encarregado dos exercícios pastorais, ecônomo, .... ; como também as modalidades do acompanhamento pessoal, a direção espiritual (cf. FSDB 262) e o serviço da Confissão. Trata-se também de apresentar a eventual articulação dos jovens irmãos em grupos de acompanhamento com a sua (deles) especificidade; ou a articulação de toda a comunidade em comissões de co-responsabilidade: comissão litúrgico-espiritual, comissão pastoral, comissão cultural, comissão fraterna, comissão econômica, .... Descrevam-se igualmente os momentos e as modalidades de ‘projetação’ e de avaliação de toda a comunidade e da Equipe dos formadores. Sejam indicadas as relações com o Centro de Estudo.
    As outras partes da redação do projeto referem-se às três etapas do processo de ‘projetação’. O texto escrito deveria assinalar o chamado de Deus, a situação da comunidade e as linhas de ação, seguindo sempre as quatro dimensões da formação para a específica fase formativa que se está vivendo. Substancialmente, trata-se de pôr por escrito o que foi alcançado com os três passos da ‘projetação’ e de dar-lhe uma forma orgânica. O anexo apresenta um esquema de elaboração.
  3.  
 
6. Ponto de referência para a caminhada pessoal e comunitária

  1. Após a elaboração, o projeto comunitário se torna um ponto constante de referência ao qual se volta cada membro e toda a comunidade.
  2. No início do ano a comunidade formula ou atualiza o projeto (cf. CG25 65) e o especifica com a programação anual (cf. CG25 74). Depois a comunidade parte para a sua prática.
  3. Periodicamente, por meio da “boa noite”, a conferência, a assembléia ou de qualquer outro meio, o Diretor relembra à comunidade e a cada um dos membros os compromissos assumidos. Importante é a contribuição à concretização que pode vir do Conselho da comunidade; mensalmente pode ele avaliar a correspondência entre o “caminho indicado” e o “caminho andado”.
  4. Toda a comunidade verifica e avalia o caminho do próprio projeto no decorrer do ano e no fim. Reduzir a avaliação só no fim do ano significa correr o risco de não ter tempo e a possibilidade de fazer as oportunas correções, remover os eventuais impedimentos e dar impulso para a obtenção das metas. Deste modo, o projeto deixará o papel a fim de tornar-se um meio eficaz que une a comunidade e a faz progredir na missão formativa.
    Por sua vez, cada membro procura harmonizar o projeto pessoal de vida com aquele comunitário (cf. FSDB 220). O projeto comunitário torna-se assim um ponto de referência para o projeto pessoal de cada um.
  5. O Inspetor com seu Conselho tem a responsabilidade do acompanhamento e da avaliação do projeto da comunidade; é nisto ajudado pela colaboração do Delegado inspetorial para a formação e da Comissão de formação. Deste modo a comunidade aprende a caminhar junto com a Inspetoria, sendo estimulada e orientada na realização dos seus passos. Também o Inspetor por sua vez verifica se existe harmonia entre o projeto da comunidade e o projeto inspetorial de formação.
  6. Já foi dito que «non riuscire a progettare è progettare di non riuscire» (em português, «não conseguir ‘projetar’ é projetar de não ‘conseguir’» não funciona tão bem! ndt).  A ‘projetação’ comunitária é um caminho comprovado pela experiência que ajuda a realizar aquela comunidade que gostaríamos ver em cada uma das nossas casas de formação. A nossa comunidade não é um “produto acabado” pelo fato de ser constituída por certo número de membros; é um prédio em construção, é uma obra de arte em andamento. Completá-lo, com confiança, generosidade e alegria, é o compromisso de cada um de nós.

P. Francesco Cereda
Roma, 19 de março de 2003
Solenidade de São José

(Traduzione Martinuz-Passero)

 


O PROJETO DA COMUNIDADE FORMADORA

Roteiro de elaboração

 

1. A COMUNIDADE FORMADORA

Quais são as  características desta comunidade?

  1. Nesta parte inicial descreve-se a comunidade formadora: o contexto histórico e geográfico, a equipe dos formadores e das suas tarefas, a composição e articulação da comunidade, os momentos periódicos de avaliação pessoal ou “escrutínios”, os momentos e as modalidades da avaliação comunitária, o relacionamento com o Centro de Estudos.
 
2. O CHAMADO DE DEUS

O que Deus quer desta comunidade nesta específica fase formativa?

  1.  O chamado considera a identidade vocacional e o perfil de salesiano, a finalidade da comunidade em sua específica fase formativa, as quatro dimensões da formação: humana, espiritual, intelectual, educativo-pastoral.
  2. Pedem-se as contribuições de cada um a fim de obter uma convergência de idéias.
 
3. A SITUAÇÃO DA COMUNIDADE

Relativamente ao chamado de Deus, onde se encontra a comunidade: perto ou longe?

  1. 1. Também a situação considera a identidade vocacional e o perfil de salesiano, a finalidade da comunidade em sua fase específica, e as quatro dimensões da formação.
  2. 2. Consideram-se primeiramente os recursos da comunidade.
  3. 3. Passa-se em seguida a identificar as dificuldades.
  4. 4. Individulizam-se finalmente aqueles três ou quatro pontos decisivos, ou seja, os desafios fundamentais que nos advêm da situação.
4. AS LINHAS DE AÇÃO
Quais os passos que a comunidade deve dar? Em que direção, através de quais caminhos, com quais intervenções?


1. Elas se articulam segundo as quatro dimensões da formação; cada dimensão se exprime por meio dos:

  1. – Objetivos
  2. - Estratégias ou Processos
  3. – Intervenções
  4. 2. Elas podem apresentar também algumas condições formativas, que garantem o sucesso da experiência.
  5. 3. Sejam elas também acompanhadas pela programação anual, em que se determinam os tempos, as modalidades e as pessoas responsáveis.