Conselho Recursos

Orientações sobre a formação inicial na Conferência CISBRASIL

DIREZIONE GENERALE OPERE DON BOSCO
Via della Pisana 1111 – 00163 ROMA
Il Consigliere Generale per la Formazione

Roma, 20 de julho de 2006
Prot. 06/0559

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Reverendíssimos Inspetores
e Delegados inspetoriais da formação
Região AMÉRICA CONE SUL - CISBRASIL

Objeto: Orientações sobre a formação inicial na Conferência CISBRASIL

Caríssimos Inspetores e Delegados,

                                                 apresento-lhes as “Orientações sobre a formação inicial na Região América Cone Sul - CISBRASIL”. Elas são o resultado de um longo trabalho: da minha visita às comunidades formadoras, da avaliação da sua consistência quantitativa e qualitativa, da revisão dos Diretórios inspetoriais - Sessão formação, das respostas de vocês ao meu Relatório sobre a formação inicial, e enfim, do estudo feito pelo Reitor-Mor e o Conselho geral.
Eu os agradeço de coração a colaboração dada durante este processo; espero que isso tenha sido um útil exercício também para vocês. Com esta carta pretendo sublinhar alguns aspectos positivos da formação inicial na Conferência e outros que me parece requerem maior atenção. Eu lhes assinalo em particular algumas orientações do Reitor-Mor e do seu Conselho.
Para auxiliar a confrontação e a coordenação da formação na Região América Cone Sul, está sendo constituída a Comissão regional de formação, formada pelos Delegados inspetoriais, que poderá prever a possibilidade de se articular nos dois setores da EFOSUR e da CNF do Brasil. Mesmo tendo algumas situações comuns, por causa do caminho feito até aqui, às duas Conferências da Região serão dadas “Orientações” distintas.

1. RELAÇÃO ENTRE A ANIMAÇÃO VOCACIONAL E A FORMAÇÃO

A Conferência da CISBRASIL está experimentando um leve aumento vocacional. No período entre 1990 - 1995 a média anual era de 37.3 noviços; a média chegou a 38 no período 1996 - 2001; no período 2002 - 2005 chegou-se a uma média de 41 noviços ao ano. Ao final do ano 2005, excluídos os pré-noviços, na Conferência havia 221 formandos.
No período entre 1990 - 1995 a média anual de professos temporários era de 18.3 e de 6.5 os professos perpétuos que deixavam a Congregação, num total de 24.8 professos; entre 1996 - 2001 a média era de 19.1 professos temporários e de 5.3 professos perpétuos que deixavam a Congregação, num total de 24.4 professos; nos anos 2002 - 2005 houve uma média de 13.6 professos temporários e de 1 professo perpétuo que deixaram a Congregação, num total de 14.6 professos.
A Ratio pede que antes do pré-noviciado o candidato faça “um sério caminho de pastoral vocacional” (FSDB 329) e que seja admitido ao pré-noviciado somente “quando já tenha feito a opção pela vida salesiana” (FSDB 330). Nos Regulamentos gerais no artigo 17, tal caminho que precede o pré-noviciado recebe o nome de “aspirantado”.
Mesmo na possível diversidade de terminologia e de realização, o aspirantado é essencialmente uma experiência de acompanhamento dos jovens que mostram interesse pela vocação consagrada salesiana. Tal experiência compreende a direção espiritual, o discernimento vocacional, o conhecimento e o envolvimento da família, a participação na vida e na missão da comunidade salesiana, o estudo e a consolidação cultural.
Todas as Inspetorias possuem experiências para aspirantes antes do pré-noviciado; existem aspirantes alunos do Ensino Médio, universitários, voluntários vocacionais e candidatos de procedência indígena. Algumas Inspetorias possuem iniciativas ocasionais; outras têm propostas continuadas; todas estão aprofundando para atualizar e tornar sistemática a própria experiência de aspirantado.
Nem todos os candidatos chegam ao pré-noviciado com uma clara opção pela vida salesiana. A formação humana e a vida cristã deles se apresentam com deficiências. Além disso, em um ano de pré-noviciado não se consegue fazer o caminho exigido para poder iniciar o noviciado; não é porém aconselhável que se faça dois anos de pré-noviciado. É preciso, portanto, reforçar o caminho vocacional precedente; neste particular é estratégica a experiência do aspirantado.
Um problema a ser verificado é aquele dos estudos universitários. Alguns jovens que chegam aos nossos caminhos formativos desejam iniciar ou continuar tais estudos ou até já possuem um título acadêmico. As etapas formativas, sobretudo o pós-noviciado, tenha um estudo que ofereça o título reconhecido. É preciso estudar este problema, acompanhar as escolhas vocacionais dos jovens durante os estudos universitários, para não prolongar muito as etapas formativas.

Orientações

1.1. Antes do pré-noviciado haja um tempo adequado para uma experiência de acompanhamento pessoal, direção espiritual, discernimento vocacional, vida comunitária, estudo, exercitação na pastoral salesiana, ou seja, se faça uma experiência de aspirantado. Particularmente necessitados de uma experiência comunitária antes do pré-noviciado, são aqueles candidatos que não provêm dos nossos caminhos educativos ou provêm de ambientes humana e culturalmente pobres. Durante este período, se por acaso for necessário, concluam-se os estudos do Ensino Médio.
1.2. Sendo o aspirantado o ponto de ligação entre a pastoral juvenil e o caminho formativo, é necessário que, em nível de Inspetoria, haja um confronto sobre esta experiência entre os delegados da pastoral juvenil e da formação, animadores vocacionais, encarregados dos aspirantes, encarregado dos pré-noviços. Também em nível de Região pode ser útil a confrontação entre delegados inspetoriais da pastoral juvenil e da formação.
1.3. Os problemas que devem ser estudados juntos entre a pastoral juvenil e a formação se referem: aos critérios de escolha dos jovens enviados para fazer a experiência do aspirantado, os elementos de formação humana e cristã em coerência e continuidade com o caminho da pastoral juvenil e com as exigências do pré-noviciado, o papel do aspirantado na animação vocacional inspetorial, as modalidades de acompanhamento e de discernimento para a opção de vida salesiana antes do pré-noviciado, a preparação de animadores vocacionais para o aspirantado, os estudos universitários e a harmonização com os estudos sucessivos.
1.4. No aspirantado seja reforçada a apresentação das duas vocações à vida salesiana, aquela do salesiano sacerdote e aquela do salesiano coadjutor, sem que neste momento o candidato seja convidado a tomar uma decisão.

2. PRÉ-NOVICIADO

Consistência numérica

Todas as Inspetorias da CISBRASIL possui o próprio pré-noviciado; portanto, na Conferência são 6 pré-noviciados. Estes pré-noviciados estão inseridos numa comunidade salesiana apostólica: BBH: Colégio de Belo Horizonte; BCG: São Vicente de Campo Grande; BMA: Alvorada de Manaus; BRE: Dom Bosco Bongi de Recife; BSP: de Lorena e BPA: Viamão de Porto Alegre.
É preferível que o pré-noviciado tenha uma ligação com uma comunidade apostólica; neste caso os pré-noviços constituem um grupo com seus formadores, com programa e ambientes próprios, mas participam também na vida da comunidade salesiana e no seu empenho apostólico.

Condições formativas

Na BCG os pré-noviços estão na mesma casa dos aspirantes; em BPA e BSP o pré-noviciado se encontra na mesma casa do pós-noviciado. A Ratio não favorece a união das fases formativas diversas na mesma comunidade. Porém, nos casos em que realmente não seja possível a separação aspirantes e pré-noviços, ou pré-noviços e pós-noviços, se pede que sejam asseguradas as seguintes condições: um número suficiente de formadores para cada fase, ambientes distintos e itinerários formativos bem definidos.
O pré-noviciado é a primeira e verdadeira fase formativa com finalidade própria. Às vezes ele é tido como uma simples introdução ao noviciado; por isso nem sempre é delineada como uma autêntica fase de preparação humana e cristã em vista da forte experiência de vida consagrada do noviciado.
Muitas vezes o programa de formação é impreciso. Há necessidade de um encontro entre os encarregados dos pré-noviciados para definir um bom programa. Em particular, tendo BPA - BSP e BCG - BMA o noviciado em comum, é necessário continuar a confrontação entre os encarregados dos pré-noviços e o mestre dos noviços a respeito do projeto do pré-noviciado; de tal modo que os pré-noviços possam chegar ao noviciado com um nível mais homogêneo de formação.
O programa formativo do pré-noviciado é empenhativo e requer tempo, reflexão, partilhas e oração, além de uma interação frequente com o guia espiritual. Atualmente acontece que na maior parte dos pré-noviciados da CISBRASIL se faz junto o primeiro ano dos estudos filosóficos. Isto faz com que o ano de pré-noviciado seja ocupado prevalentemente com os interesses acadêmicos.
A Ratio pede que “o empenho dos estudos que se fazem deve harmonizar-se com as tarefas designadas ao pré-noviciado. A soma das obrigações acadêmicas não deveria desviar dos objetivos fundamentais desta fase” (FSDB 342). A atual organização dos estudos nos pré-noviciados corre o risco de esvaziar a experiência formativa típica que é pedido nesta etapa.
Um passo na direção justa poderia ser aquele dado pela Inspetoria de Recife e de Manaus, quanto ao ano de pré-noviciado que inclui o estudo da filosofia somente no primeiro semestre, para deixar o resto do tempo para a formação verdadeira e própria do pré-noviciado. BBH, BCG, BPA julgam que seja melhor manter o primeiro ano de filosofia durante o pré-noviciado; uma solução diversa pediria para prolongar a formação inicial por mais um ano.
Em relação à formação humana, as Inspetorias servem-se dos trabalhos de um psicólogo. Este recurso, se de um lado é necessário para verificar a base humana e a estrutura psicológica do candidato à vida salesiana, do outro permanece sendo sempre uma ajuda. Cabe aos formadores seguir de perto a formação humana dos candidatos, fazendo uso dos meios como a autobiografia, o projeto pessoal, a direção espiritual e tudo aquilo que serve para uma formação mais personalizada.
É útil o encontro entre os encarregados dos pré-noviciados para definir melhor um programa de formação semelhante entre as inspetorias. É necessário também a confrontação com o mestre dos noviços sobre o projeto do pré-noviciado, sobre as condições formativas e sobre programas.

Equipe de formadores

Para levar avante o empenho formativo do pré-noviciado, requer-se hoje formadores com uma preparação específica e com a experiência necessária, particularmente para a formação humana e para a direção espiritual. É necessário investir na preparação de pessoas para afrontar os não fáceis empenhos da formação desta fase. “Hoje um encarregado dos pré-noviços tem necessidade de uma preparação e experiência de um mestre de noviços” (ACG 385 p. 45). Algumas equipes de formadores são um tanto frágeis, porque estão inseridas numa comunidade complexa e com pouco pessoal.
No pré-noviciado continue sendo apresentadas as duas vocações salesianas, a do salesiano sacerdote e a do salesiano coadjutor; o discernimento e a escolha sejam feitos durante o noviciado. É importante que, nos pré-noviciados, haja a presença do salesiano coadjutor, para que isto ajude os pré-noviços a se confrontarem com a dúplice forma da vocação salesiana, enquanto ainda estão aprofundando a própria escolha.

Orientações

2.1. No pré-noviciado haja um sério empenho na formação humana e cristã, servindo-se dos meios como a direção espiritual, a catequese, a autobiografia, o projeto pessoal de vida e a ajuda do psicólogo. Cuide-se da integração dos candidatos, que muitas vezes provém de áreas geográficas culturamente diversas.
2.2. Prestar atenção para que os estudos acadêmicos não impeçam alcançar os objetivos do pré-noviciado. Nos pré-noviciados, onde se faz o primeiro ano dos estudos filosóficos, seja verificada a possibilidade de atingir os objetivos desta fase e que estejam abertos na busca de soluções diversas.
2.3. As Inspetorias da Região, através da Comissão regional de formação, debatam sobre o projeto formativo do pré-noviciado e sobre a formação intelectual desta fase. Em particular se harmonizem os caminhos do pré-noviciado por parte daquelas Inspetorias que têm o noviciado interinspetorial.
2.4. As Inspetorias preparem os formadores encarregados dos pré-noviciados e constituam equipes formdoras com a presença da figura de um salesiano coadjutor e do confessor.
2.5. É necessário que no pré-noviciado continue sendo apresentandas as duas vocações da vida salesiana, a do salesiano sacerdote e a do salesiano coadjutor; não é preciso porém, antecipar o discernimento e a escolha que devem ser feitos no noviciado.

3. NOVICIADO

Consistência numérica e colaboração interinspetorial

Na CISBRASIL existem 4 noviciados: BBH em Barbacena; BRE em Jaboatão; BCG em Dourados; BSP em São Carlos. Dourados é um noviciado interinspetorial para BCG e BMA; São Carlos é um noviciado interinspetorial para BPA e BSP.
BSP possui no próprio território todas as fases da formação; poder-se-ia estudar, se existir disponibilidade por parte das Inspetorias interessadas, a transferência do noviciado interinspetorial para BPA. Dada a colaboração entre 4 Inspetorias para o noviciado, é importante favorecer o Curatorium para os dois noviciados interinspetoriais com verdadeira responsabilidade das Inspetorias envolvidas.

Equipe de formadores

Alguns noviciados possuem uma equipe de formadores apenas suficiente ou escarsa; onde acontece a colaboração entre as Inspetorias não existem equipes interinspetoriais de formadores.
Nem sempre se conta com a presença de um salesiano coadjutor em cada noviciado. Isto é importante, pois esta é a fase na qual o noviço faz o discernimento e toma a decisão em relação à sua vocação de futuro salesiano, sacerdote ou coadjutor. Na equipe de formadores nem sempre existe o confessor que, pelo seu papel, não é membro do conselho local.

Condições formativas

Em geral os noviços nessas Inspetorias vivem uma experiência enriquecedora, num ambiente de serenidade, abertura e receptividade. Existem um grande amor a Dom Bosco e um sentido forte de pertença à Congregação. Seria útil fazer uma confrontação dos programas entre os noviciados. Para isso sejam favorecidos encontros entre os mestres dos noviços da CISBRASIL.
Em nível dos noviciados interinspetoriais, o encontro do mestre com os encarregados dos pré-noviços favorece a harmonização e a continuidade dos caminhos formativos; também o Curatorium pode ajudar a ter projetos e programas convergentes dos pré-noviciados de procedência. É preciso garantir a continuidade formativa entre noviciados e pós-noviciados, mediante os encontros entre os formadores das duas fases, o aprofundamento no interior do Curatorium e o estudo nas CIF.

Orientações

3.1. As Inspetorias da Região se confrontem através da Comissão regional de formação sobre programas de formação intelectual dos noviciados e cheguem a uma “Ratio studiorum” comum. Nela se conste também o estudo da língua italiana.
3.2. Nos noviciados interinspetoriais cuide-se do funcionamento do Curatorium e a constituição de equipes interinspetoriais de formadores. Entre BPA e BSP se estude, caso haja disponibilidade entre as partes, uma localização diversa do noviciado a ser transferido eventualmente para a Inspetoria BPA.

4. PÓS-NOVICIADO

Consistência numérica

Na CISBRASIL existem 6 pós-noviciados. Eles tem a duração bienal, exceto o pós-noviciado de BRE e BMA que tem duração trienal. Salvo o caso em que os pós-noviciados da Conferência devessem durar três anos e que, portanto, o número dos pós-noviços crescesse, para esta fase se poderia pensar em alguma colaboração interinspetorial.

Centro de estudos

As Inspetorias de BCG, BMA, BSP e BRE possuem um centro salesiano de estudos que oferece uma qualificação acadêmica universitária com reconhecimento civil. BPA e BBH enviam os seus pós-noviços para uma Faculdade de Filosofia onde frequentam outros religiosos. Em geral nos centros de estudos há carência de docentes salesianos para a filosofia e para as ciências humanas.
Os pós-noviços coadjutores normalmente fazem o mesmo currículo de estudos filosóficos e pedagógicos dos salesianos clérigos; isto favorece o sentido de igualdade entre os irmãos. Porém, é importante garantir, sobretudo em nível espiritual e pastoral, o crescimento das duas identidades vocacionais.

Condições formativas
Todas as comunidades formadoras do pós-noviciado promovem a corresponsabilidade através do projeto formativo, um instrumento útil para o crescimento comunitário em vista dos fins desta fase.
A experiência formativa é garantida pela equipe de formadores. Algumas equipes são consistentes, outras são frágeis; os formadores deveriam ser docentes nos centros de estudo. Em algumas comunidades falta o confessor. Muito complexa é a comunidade de Lorena - BSP, que anima duas fases formativas e outras atividades educativas e pastorais; isto provoca dispersão.
É necessário nesta fase formativa assegurar uma boa direção espiritual comunitária e pessoal, atuada com estilo salesiano; o Diretor da comunidade formadora é o guia espiritual proposto para todos. Em todas as comunidades formadoras exige-se o projeto pessoal de vida como instrumento de crescimento pessoal. Recomenda-se garantir a continuidade entre a formação do noviciado e do pós-noviciado, dando particular atenção à vida espiritual e ao acompanhamento pessoal assumido pelo Diretor da comunidade.
BBH possui todas as fases formativas na própria Inspetoria; a situação do pós-noviciado melhorou. Numa perspectiva de futuro a Inspetoria deve verificar se estará em condições de levar avante todas as fases formativas, particularmente a de preparar formadores e docentes para a filosofia e a teologia. Provavelmente, se não existir forças suficientes, seria melhor concentrar esforços para robustecer a presença na comunidade formadora e no centro de estudo da teologia.

Orientações

4.1. Como já foi acenado pelo Reitor-Mor por ocasião da conclusão da Visita extraordinária, BSP constitua a comunidade formadora de Lorena como comunidade autônoma. BBH avalie, em vista de uma perspectiva futura, se estará em grau de assegurar todas as fases formativas, ou se não seria conveniente providenciar, ao menos para uma fase, uma colaboração interinspetorial com outra Inspetoria.
4.2. Nos pós-noviciados é preciso garantir equipes consistentes de formadores e de docentes. Assegurem-se, nestas equipes, a figura do confessor e do coadjutor. Todas as equipes sejam reforçadas, também com a presença de formadores que sejam docentes.

5. TIROCÍNIO

Nem sempre o tirocínio é realizado como uma verdadeira fase formativa. Às vezes se evidenciam estas dificuldades: pouca atenção ao caminho formativo do jovem irmão, a não idoneidade da comunidade escolhida, raro acompanhamento espiritual e pastoral. Existe o risco de que os tirocinantes em pouco tempo percam os valores adquiridos nos caminhos formativos precedentes.
A realidade dos escrutinios trimestrais, que já requer atenção e precisão em todas as fases formativas, precisa ser ainda mais bem cuidada sobretudo pelas comunidades que acolhem os tirocinantes. O projeto formativo para os tirocinantes é um instrumento útil para a comunidade.
São importantes os encontros inspetoriais periódicos dos tirocinantes; é também necessário confrontar e dar orientação comum aos diretores que têm tirocinantes nas suas comunidades.

Orientações

5.1. Os tirocinantes sejam enviados para comunidades nas quais haja a possibilidade de serem seguidos pelo diretor, de fazer uma experiência comunitária, de serem acompanhados pela comunidade, também através dos escrutínios trimestrais. O diretor é proposto como o guia espiritual do tirocinante. É aconselhável a presença de ao menos dois tirocinantes por comunidade.
5.2. A comunidade tenha o Projeto formativo para os tirocinantes, supervisionado pelo Inspetor e pelo Delegato inspetorial da formação. Ele seja preparado e partilhado com os tirocinantes da comunidade, tendo em conta a base comum da proposta elaborada pela Comissão inspetorial e avaliada pela Comissão regional de formação.
5.3. Sejam propostos encontros inspetoriais periódicos de todos os tirocinantes; de acordo com o Inspetor, tais encontros poderiam ser confiados ao Delegado inspetorial da formação. É também necessário favorecer a confrontação entre os diretores que contam com tirocinantes nas suas comunidades e cuidar da orientação formativa dos mesmos.

6. FORMAÇÃO ESPECÍFICA DOS SALESIANOS PRESBÍTEROS

Consistência numérica

Na CISBRASIL existem 2 comunidades formadoras para os candidatos ao presbiterado: em São Paulo e em Belo Horizonte. São Paulo é uma comunidade interinspetorial; ela acolhe os estudantes de BPA, BRE, BCG e BMA. A equipe de Belo Horizonte é inspetorial.

Centro de estudos

O centro de estudo “Pio XI” de São Paulo é salesiano; já o centro de estudo de Belo Horizonte é fruto de uma cooperação entre religiosos, com a qual se contribui com o serviço de professores salesianos. Os estudos teológicos estão estruturados em 4 anos. Os dois centros de estudo são afiliados à UPS. Em São Paulo a comunidade “Beato Artemide Zatti” foi constituída para gerir o centro de estudo; ela nem sempre está em coordenação com a comunidade formadora do “Pio XI”.

Colaboração interinspetorial

O teologado de São Paulo possui o Curatorium. Há um início de divisão de responsabilidades; as decisões começam a ser tomadas colegialmente pelos Inspetores envolvidos, seja para aquilo que se refere à comunidade formadora como para o centro de estudo. O seu funcionamento precisa ser melhorado, sobretudo em relação à participação e à corresponsabilidade. A equipe formadora precisa ser reforçada com formadores que sejam mais estáveis e que sejam docentes.

Condições formativas
Geralmente o clima das comunidades formadoras para teólogos é sereno. Porém, é preciso assinalar algumas situações que merecem reflexão por parte dos responsáveis.
É importante assegurar a continuidade dos formadores, em particular a presença do confessor estável, que seja membro da equipe, mas não do conselho. Ainda é carente a prática da direção espiritual. Situações prolongadas de terapia psicológica não podem ser afrontadas durante esta fase; devem ser ao invés realizadas nas fases precedentes. Demonstra fragilidade o fato que entre os formadores não existam docentes do centro de estudo ou que eles sejam pouquíssimos.
As práticas pastorais nem sempre estão convenientemente equilibradas; elas ocupam muito tempo, em detrimento do estudo sério, da reflexão pessoal e da vida espiritual. A qualidade da prática pastoral pode ser assegurada com um prudente acompanhamento.

Orientações
6.1. Seja favorecido o equilibrio das exercitações pastorais com toda a ação formativa, priorizando a qualidade sobre a quantidade. Preste-se uma atenção mais sistemática à formação pastoral nos seus diversos aspectos: sentido apostólico e zelo missionário, paixão evangelizadora, envolvimento com os jovens pobres, cuidado das vocações, estudo da maneira salesiana da pastoral juvenil.
Nas exercitações pastorais seja favorecido o trabalho de equipe, o planejamento, a realização, a avaliação e o acompanhamento.
6.2. Aprofunde-se a reflexão e a prática sobre a direção espiritual e se estudem as modalidades de coordenação entre as várias formas de acompanhamento pessoal: direção espiritual, colóquio com o diretor, confissão. É bom que as CIF faça uma reflexão a este respeito a partir da Ratio e os responsáveis assegurem que seja clara a proposta salesiana de direção espiritual.
6.4. Para a colaboração interinspetorial da comunidade formadora e centro de estudo do “Pio XI” sejam definidas as modalidades de corresponsabilidade por meio de um Convênio e faça funcionar o Curatorium. Garanta-se a equipe interinspetorial de formadores e de docentes, a partilha do projeto formativo e o compromisso nos empenhos econômicos. Definir a situação jurídica e econômica do Instituto “Pio XI” e da comunidade “Artemide Zatti”; avalie, se não é conveniente unificar estas duas comunidades, e transferir a animação do UNISAL a uma outra comunidade.

7. FORMAÇÃO ESPECÍFICA DOS SALESIANOS COADJUTORES

Levando em consideração o número reduzido de jovens coadjutores e a unidade linguística das Regiões da América, o Reitor-Mor pediu, nas orientações de conclusão da Visita de Conjunto, para “orientar-se decididamente para uma proposta única das duas Regiões da América para a formação do salesiano coadjutor no pós-tirocínio”. Da colaboração poderá surgir uma boa proposta.
A solução a ser buscada em diálogo com o Dicastério da Formação, deveria levar em conta as indicações da Ratio, que pede para oferecer nesta fase uma “séria formação teológica, pedagógica e salesiana” (Reg. 98) com a duração de “ao menos um ano” (FSDB 449).
Para concretizar esta fase formativa, o Dicastério da formação preparou junto com alguns salesianos coadjutores um currículo de estudos com a duração de dois anos, que está coerente com a Ratio e mantém um equilíbrio entre os estudos de teologia sistemática, sagrada escritura, história, liturgia, moral, pastoral, espiritualidade, estudos salesianos e ciências humanas. Tal currículo tem a possibilidade de dar certo onde existe um centro salesiano de estudo e onde é oferecido também a outros religiosos irmãos, religiosas, leigos, permitindo assim a continuidade da experiência também quando forem poucos os coadjutores.

Orientações
7.1. Continue-se o diálogo entre os Inspetores da Região América Cone Sul e se estabeleça o contato com os Inspetores da Região Interamérica e com a comunidade formadora da Guatemala - CAM, que está iniciando esta fase formativa com duração bienal. Neste momento tal comunidade depende da responsabilidade dos Inspetores da Região Interamérica e está aberta às Inspetorias da Região América Cone Sul que pretendam enviar salesianos coadjutores.

8. PREPARAÇÃO PARA A PROFISSÃO PERPÉTUA
A preparação para a profissão perpétua inicia um ano antes dessa profissão, depois que o irmão expressou ao Inspetor a vontade de iniciar tal preparação.
O ano de preparação tem como meta realizar uma avaliação da experiência religiosa salesiana vivida, um discernimento antes da escolha definitiva e um reforço para as motivações vocacionais. É uma fase decisiva.
A Comissão de formação da Conferência está levando para frente um bom trabalho. Encorajam-se as Inspetorias a continuarem tal colaboração.

Orientações

8.1. A CNF do Brasil favoreça a colaboração entre as Inspetorias para esta preparação. Leve-se também em conta outras experiências da Congregação, sobretudo aquelas da Região América Cone Sul e também da Região Interamérica.

9. ESTUDOS SALESIANOS
Nota-se a carência de tais estudos sobretudo na formação específica para salesianos presbíteros. O Dicastério para a formação concluiu uma consultação nas Regiões da Congregação sobre os estudos salesianos na formação inicial. O Reitor-Mor e o Conselho geral aprovou as Orientações para toda a Congregação a este respeito.
Notável é a riqueza com que tem constituído o Centro Regional de Formação de Quito, particularmente na preparação de docentes sobre estudos salesianos. Deles tem participado também alguns salesianos da CISBRASIL.

Orientações

9.1. Pede-se que cada Inspetoria adote as novas Orientações para os estudos salesianos aprovadas pelo Reitor-Mor e Conselho, e seja providenciada a preparação de alguns irmãos em tais estudos, servindo-se do Centro Regional de Quito, além do currículo de licenza e de doutorado da UPS.
9.2. Os centros de estudo se empenhem para inserir os estudos salesianos nos horários das aulas, com docentes do mesmo centro, exames e reconhecimento acadêmico dos créditos. Aqueles que estudam num centro não salesiano, tenham a oportunidade de fazer estes estudos no mesmo centro ou em uma outra sede.

10. ESTILO DE VIDA POBRE  E COMUNITÁRIO

Hoje a cultura consumista e o individualismo tornam frágeis os jovens diante das dificuldades. A formação inicial deve saber estimular as melhores energias e deve velar sobre o risco de formar gerações frágeis. É preciso formar para o trabalho e a temperança e para o viver e trabalhar juntos.
O CG25 nos empenha para que se testemunhe “um modo de viver simples, sóbrio e modesto, levando em consideração o ambiente que nos circunda, num trabalho assíduo e sacrificado, dispostos a fazer também os trabalhos mais humildes (n. 35).
O estilo de vida pobre ajuda a cultivar sensibilidade e solidariedade para com os mais ncessitados e a atenção às situações de marginalização e exclusão. Na formação inicial requer-se a atenção para formar na doutrina e na prática da pobreza evangélica.

Orientações

10.1. As moradias das comunidades formadoras sejam simples. A organização da vida ajude o crescimento do senso comunitário. Sejam favorecidos os ambientes e os espaços comunitários. Os formandos assumam os serviços domésticos e os funcionários sejam reduzidos ao essencial.
10.2. A comunidade formadora tenha um estilo sóbrio, essencial e solidário. É preciso criar nos formandos uma maior vigilância e moderação nas despesas pessoais, no uso dos veículos, na posse de instrumentos pessoais, em particular daqueles de comunicação social e da internet.
10.3. A comunidade formadora concretize no projeto comunitário as linhas importantes da vida de pobreza e faça, ao menos uma vez ao ano, o “scrutinium paupertatis”. A apresentação do orçamento e do balanço da comunidade ajudam a formar a sensibilidade para com a pobreza.
11. FORMAÇÃO DOS FORMADORES
Os formadores de cada comunidade formadora se encontrem periodicamente para debaterem sobre temas formativos a partir da Ratio; algumas comunidades já se encontram ao menos uma vez por mês. Isso favorece a constituição da equipe e a convergência formativa.
As equipes de formadores de toda a Conferência tenham um encontro de formação anual; não se trata de um encontro de singulos formadores, mas de toda a equipe. Durante este encontro seja favorecida a confrontação entre os diversos grupos de formadores: diretores de pré-noviciados, noviciados, pós-noviciados, formação específica.
Os irmãos, que são já formadores ou que serão inseridos em comunidades formadoras, façam ao menos o curso de atualização para formadores da UPS, que acontece de fevereiro a maio, ou algum curso do currículo para formadores da UPS por um semestre. Prepare-se algum irmão no currículo bienal para formadores da UPS.
Há urgente necessidade de serem aprofundados conteúdos e metodologias relativos à formação humana, à direção espiritual, às exercitações pastorais, à continuidade formativa entre as fases, ao crescimento afetivo da pessoa nas várias fases e à contribuição da psicologia.

Orientações
12.1. As Inspetorias coloquem entre suas prioridades nos próximos anos a constituição e o reforço das equipes formadoras, consistentes quantitativa e qualitativamente.
12.2. Sejam dadas oportunidades aos formadores, atuais e futuros, para a qualificação e para a atualização em vista do seu empenho formativo; seja favorecida a preparação através do curso de atualização para formadores da UPS, do currículo para formadores da UPS e das propostas do Centro Regional de Quito. Em particular aos diretores das comunidades formadoras e aos mestres dos noviços sejam dados um ano de preparação, ou ao menos seis meses para a atualização, antes de assumirem seus encargos.
12.3. Seja favorecido o encontro anual entre os formadores das diversas fases formativas da Conferência ou da Região. É importante formar para a direção espiritual e para a sua prática salesiana, que tenha no diretor o guia espiritual proposto para todos. É preciso também preparar para a metodologia da personalização, que implica estar atento à passagem do formando de uma fase formativa para a outra, e que deve acontecer somente quando ele alcançou os objetivos que a Ratio propõe para cada fase.

Eu lhes agradeço a atenção e a colaboração na aplicação destas “Orientações”. Elas são a expressão da responsabilidade do Reitor-Mor e do Conselho geral, que tem o primeiro encargo sobre a formação de toda a Congregação e que tem o dever de assegurar ambientes, equipes e programas formativos válidos e eficazes.

Estas “Orientações” sejam objeto de estudo especialmente das Comissões inspetoriais de formação, dos Conselhos inspetoriais, da Comissão regional de formação e das comunidades formadoras.

Em Dom Bosco

Pe. Francesco Cereda