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Cagliero11 maio 2015

MISSIONI


MISSIONI - Cagliero 11

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Titolo notiziario
Nome società
N. 77 - Maio de 2015
Boletim de Animação Missionária Salesiana
Uma publicação do Setor das Missões para as Comunidades salesianas e os Amigos das missões salesianas
E m todos os aeroportos do mundo pelos quais devo
passar, perdendo aí longuíssimas horas a esperar,
sempre se ouve, em todas as línguas possíveis, o “final call” (última chamada), dirigido a
algum passageiro quiçá distraído ou cochilante.
Recorda-me aquilo da parábola de Jesus onde se diz: “Saíndo pela undécima hora, a outros
encontrou na praça e disse (…:) "Ide vós também à minha vinha” (Mt 20,6-7).
A vocação “ad gentes, ad exteros, ad vitam”, pode soar em qualquer hora do
percurso vocacional de um Salesiano: alguns ouviram o chamado ao topar com um Boletim
Salesiano na sala do barbeiro; outros, embatendo-se com ‘Dom Bosco’ durante
extravagantes navegações pelo continente... digital; outros...
A Expedição Missionária 146, deste ano de 2015, já está tomando forma para
chamados de todos os continentes e para envios a todos os continentes!
Neste mês de maio, Nossa Sra. Auxiliadora está à procura de Salesianos que estejam prontos
para o Primeiro Anúncio aos Jovens da Região Centro e Norte da Europa.
E então, todos prontos? Este é realmente o “final call!” Boa viagem!
Feliz mês da Mãe e Padroeira das Missões Salesianas !
P. Guillermo Basañes SDB
Conselheiro para as Missões
- O ‘III Curso Inter-Regional de Formação Permanente Missionária’ se fará no ‘Mathias Institute’, Mawlai Shillong, Índia,
de 1º a 29 de agosto de 2015. O curso consiste em três semanas de reflexão missionária intensa e de partilha das
experiências missionárias; a quarta semana será uma Peregrinação à Terra Santa. O curso está aberto a todos membros
da Família Salesiana das Regiões anglófonas da África, da Ásia e da Oceânia.
- No ano passado o ‘Centro Regional Salesiano de Formação Permanente’, de Quito, Equador, também organizou um
curso de dois anos para os missionários das Regiões ‘Interamérica’ e ‘América Cone Sul’. O próximo curso só se fará em
2016.
- Neste ano, ao invés, não se fará o ‘Curso para missionários’ (setembro-dezembro) na Universidade Pontifícia
Salesiana, em Roma.
P. Jose Anikuzhikattil
Setor das Missões
Testemunho de Santidade Missionária Salesiana
Entre os Escritos espirituais da Bv. Ir. Maria Romero Meneses FMA (1902-
1977), encontram-se alguns pensamentos e orações a Maria Santíssima:
“Saúdo-vos, ó Maria, minha Mãe dulcíssima! Saudai por mim a Jesus – Tua
bênção, ó Maria, me acompanhe noite e dia, no trabalho e no descanso, na
vida e na morte – Ponde a vossa mãozinha, ó Maria: ponde a vossa antes da
minha – Lembrai-vos que eu vos amo com todo o amor de todos e de cada
um dos espíritos celestes; dos anjos e dos santos do céu, mas sobretudo com
o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Vós sois toda minha e eu sou
toda vossa: na vida, na morte, no tempo, na eternidade”.
Cursos para Missionários

“Final call !”
Todos os números anteriores de ‘Cagliero 11’ encontram-se em purl.org/sdb/sdl/CaglieroIntenção Missionária Salesiana
Para que os Salesianos no Centro e Norte da Europa saibam promover o Primeiro
Anúncio, atuando os valores evangélicos num contexto secularizado.
São João Paulo II escreveu em ‘Ecclesia in Europa’, nº 46: “Em várias partes da Europa, há
necessidade de um primeiro anúncio do Evangelho: aumenta o número das pessoas não
batizadas, seja pela consistente presença de imigrantes que pertencem a outras religiões,
seja também porque famílias de tradição cristã não batizaram os filhos devido ao jugo
comunista ou a uma generalizada indiferença religiosa. (....) Mesmo no Velho Continente
existem extensas áreas sociais e culturais onde se torna necessária uma autêntica ‘missio
ad gentes’.
Aprendi como Missionário que o Sofrimento
é um Sinal de Predileção de Deus
Pelo ‘Primeiro Anúncio’ na Região do Centro e Norte da Europa
Q uando tinha oito anos, depois de mostrar-nos um documentário
sobre crianças pobres na África, o nosso Professor perguntou: “Que
coisa podemos fazer para ajudar a essas crianças desnutridas que
acabamos de ver?”. “Bem – eu disse – podemos recolher papel usado,
ferro velho, roupa usada, .... vendê-los e mandar o dinheiro aos
missionários”. “Muito bem, Ângelo!” – respondeu-me o Professor –. Mas o
melhor modo de ajudar as missões é ir lá pessoalmente, como missionários!”
Foi um como ‘raio’: pegou-me em cheio! Sem pensar duas vezes, disse a mim mesmo: “Quero ser
missionário!”. Sequer imaginava ser sacerdote. Nem mesmo religioso. Para mim um missionário era alguém
que viajava muito, entrava na jungla, se defendia dos animais selvagens
e, naturalmente, construía capelas e batizava um mundo de gente...
Mais tarde, o meu pároco me encaminhou ao aspirantado
missionário salesiano de Ivrea (norte da Itália) e aos 17 anos fui mandado
como missionário à Tailândia, na Ásia. Ali trabalhei 22 anos. Aceitei o
desafio da minha infância quando, respondendo ao apelo do Reitor-Mor
para iniciar o Projeto África, ofereci-me para ir para lá em 1981. Cheguei
a Mekele, Etiópia, no ano seguinte, dois anos depois da grande carestia
(1984-85) em que morreram de fome e doença 1.400.000 pessoas. É
muita gente! Trabalhei com os irmãos salesianos, Sr. Cesare Bullo e Sr.
Joseph Reza, que coordenaram toda a operação de socorro e recolocação
após a tragédia, operação imortalizada pela canção “We Are the World, We are the Children”.
Em 1996 mandaram-me abrir uma nova presença salesiana na Eritreia, onde agora temos três
comunidades salesianas. Em 2008, com mais outros 22 missionários, fui expulso da Eritreia. Desde então
trabalhei na Etiópia com meninos de rua, no ‘Bosco Children Centre’: procuramo-los durante a noite pelas
ruas úmidas de Adis-Abeba,e os acolhemos por três anos: ali, ou vão à escola, ou aprendem um ofício, a fim
de que, em seguida, se possam reinserir nas próprias famílias.
Embora por aqui o povo me chame afetuosamente ‘Abba Meláku’ (Padre Angelo), para mim é ‘uma
verdadeira parada’ expressar-me na nova língua. Devo aceitar humildemente de saber apenas “balbuciar”
alguma coisa que não domino perfeitamente. Mas dei-me conta de que poderei ainda produzir algum fruto
apostólico se a minha vida pessoal se tornar um testemunho acreditável de Fé e de Caridade.
O que mais me enche de satisfação nesses meus 55 anos de vida missionária não é apenas ter podido
salvar pessoas pobres e indigentes – sobretudo crianças – da morte certa durante a carestia mas também,
ironicamente, ter experimentado pessoalmente um tremendo sofrimento quando bandidos atiraram em mim,
fui saqueado e deixado sozinho, com uma perna quebrada em meio ao... nada. O meu gesto instintivo inicial
de rebelião (“Por que eu, Senhor, se estou trabalhando por Ti?”) foi transformado numa experiência de
grande paz e numa alegria profunda através da realização de que fui escolhido para sofrer com Cristo.
Lembro ainda das palavras que Madre Teresa de Calcutá me escreveu quando soube que haviam atirado em
mim: “Coragem, P. Angelo! Os sofrimentos são um sinal de predileção de Deus”!
Gostaria enfim de alentar, com as palavras de Eli a Samuel, aqueles que sentem o chamado de Deus
para serem missionários: “Se Ele te chamar, dize: «Fala, Senhor, que teu servo escuta!»”. E, depois, tenham
a coragem de acrescentar: «Eis-me aqui, Senhor! Manda-me!».
P. Angelo Regazzo
Italiano, missionário na Etiópia