Conselho Recursos

A Formação Missionária dos Salesianos de Dom Bosco

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1 - 2-

A Formação Missionária
dos Salesianos
de Dom Bosco
Dicastério para as missões - Dicastério para a formação
Roma 2014Editrice S.D.B.
Edizione extra commerciale
Direzione Generale Opere Don Bosco
Via della Pisana, 1111
Casella Postale 18333
00163 Roma
Traduzido do original italiano:
La Formazione Missionaria dei Salesiani di Don Bosco
por Ângelo Dante Biz3
APRESENTAÇÃO ................................................................................... 5
ABREVIAÇÕES ..................................................................................... 9
INTRODUÇÃO...................................................................................... 11
FORMAÇÃO INICIAL ............................................................................. 13
Pré-noviciado............................................................................ 13
Conteúdos a sublinhar............................................................ 13
Atitudes a cultivar ................................................................. 14
Experiências a promover ......................................................... 14
Noviciado ................................................................................. 14
Conteúdos a sublinhar............................................................ 15
Atitudes a cultivar ................................................................ 15
Experiências a promover ........................................................ 16
Pós-noviciado ........................................................................... 16
Conteúdos a sublinhar ........................................................... 17
Atitudes a cultivar ................................................................ 17
Experiências a promover ........................................................ 18
Tirocínio................................................................................... 18
Conteúdos a sublinhar ........................................................... 18
Atitudes a cultivar ................................................................ 19
Experiências a promover ........................................................ 19
Formação específica dos Salesianos Presbíteros e Coadjutores ....... 20
Conteúdos a sublinhar ........................................................... 20
Atitudes a cultivar ................................................................ 21
Experiências a promover ........................................................ 21
FORMAÇÃO PERMANENTE ....................................................................... 23
Conteúdos a sublinhar ................................................................ 23
Atitudes a cultivar ..................................................................... 23
Experiências a promover ............................................................. 24
Sumário4
PREPARAÇÃO ESPECÍFICA DO SALESIANO MISSIONÁRIO ...................................... 27
Discernimento .......................................................................... 27
Critérios para o discernimento ................................................ 27
Pessoas envolvidas ............................................................... 27
Contraindicações .................................................................. 27
Elementos insuficientes ......................................................... 28
Critérios gerais ..................................................................... 28
Preparação específica ................................................................ 29
Discernimento ...................................................................... 30
Preparação ........................................................................... 31
Inserção .............................................................................. 32
Formação continuada ............................................................ 33
APÊNDICES........................................................................................ 35
A Vocação Missionária Salesiana .................................................. 35
Quem é Missionário Hoje? ........................................................... 43
O Grupo Missionário.................................................................... 46
O Aspirantado Missionário .......................................................... 50
A Urgente Necessidade de Animação Missionária............................. 52
O Dia Missionário Salesiano 1988-2015 ......................................... 58
Alguns Centros de Especialização ................................................. 60DIREZIONE GENERALE OPERE DON BOSCO
Via della Pisana 1111 - 00163 Roma
O Conselheiro geral para as missões
O Conselheiro geral para a formação
Roma, 24 de janeiro de 2013
Prot. 13/0033
Objeto - A Formação Missionária dos Salesianos de Dom Bosco
Caríssimos Irmãos,
Enviamos-lhes estas reflexões e propostas relativas a “A For-
mação Missionária dos Salesianos de Dom Bosco”. Elas são fruto do trabalho
conjunto dos nossos Setores para as missões e para a formação, depois de con-
sultar os respectivos Delegados inspetoriais; têm seu fundamento no encargo
que as Constituições confiam ao Conselheiro para as missões sobre “a prepa-
ração específica e a atualização dos missionários” (Const. 138); foram apro-
vadas pelo Reitor-Mor com o Conselho em 23 de janeiro de 2013.
Estamos cientes do zelo missionário desenvolvido progressivamente por
Dom Bosco ao longo de sua vida e amadurecido com o envio da primeira expe-
dição missionária de 11 de novembro de 1875 e as expedições sucessivas. Co-
nhecemos também as “Lembranças aos missionários”, de Dom Bosco, que o
Reitor-Mor P. Pascual Chávez retomou em sua carta “A inculturação do carisma
salesiano” (ACG 412, Roma 2011). Vemos ainda em nossos dias o trabalho mis-
sionário da Congregação, também codificado no artigo 6 das Constituições.
Estas reflexões e propostas entendem manter vivo o espírito missionário da
Congregação. Em tempos de globalização e migrações precisamos estar abertos
à formação e pastoral intercultural. O esforço da Igreja pela nova evangelização
e a evangelização ordinária pede-nos continuar a nos lançarmos às fronteiras
5da primeira evangelização. A necessidade de criar comunidades internacionais e
o projeto Europa são um apelo à mobilidade missionária na Congregação.
Estas notas propõem um duplo objetivo. Primeiramente, pretendem fazer
com que aumente em cada irmão a sensibilidade missionária e a capacidade de
fazer animação missionária entre os jovens e os leigos; conhecemos, para a
nossa pastoral, as potencialidades dos grupos missionários e do voluntariado
missionário, que abrem os jovens a estilos de vida sóbrios e solidários, compro-
metendo-os na causa do evangelho e questionando-os sobre a vocação consa-
grada salesiana.
Estas notas pretendem, também, propor um itinerário para descobrir, dis-
cernir e aprofundar a verdadeira vocação salesiana missionária. Vocação que
nasce, cresce e se desenvolve como dom de Deus, na esteira da ação evangeli-
zadora de Jesus e no impulso do Espírito Santo; ao mesmo tempo, encontra
condições históricas que exigem a nossa cooperação.
Confiamos estas reflexões e propostas ao trabalho das Inspetorias, para que
possam produzir frutos “missionários” abundantes neste já iminente Bicente-
nário de nascimento de Dom Bosco.
Cordiais saudações e obrigado pela atenção.
P. Vaclav Klement, SDB P. Francesco Cereda, SDB
Conselheiro para as missões Conselheiro para a formação
6Const. Constituções da Sociedade de São Francisco de Sales.
FSDB Formação dos Salesianos de Dom Bosco. Princípios e Normas.
(Editrice SDB: Roma, 2000).
MB Memorie Biografiche di San Giovanni Bosco. 19 vol (SEI: Turim,
1898-1939).
OSSFI Orientações para os Estudos Salesianos na Formação Inicial.
Metodologia e Distribuição dos Conteúdos nos Cursos de
Estudo para as Várias Fases Formativas (Roma, 2005).
Reg. Regulamentos da Sociedade de São Francisco de Sales.
RM João Paulo II, Encíclica Redemptoris Missio (1991).
SSCS Sistema Salesiano de Comunicação Social. Linhas Operativas
para a Congregação Salesiana. Segunda edição (Editrice SDB:
Roma, 2011).
9
AbreviaçõesE Este documento entende encorajar cada salesiano, ao
longo da formação, a manter vivo o zelo missionário de
Dom Bosco, quer habilitando-o a ser animador missionário
quer ajudando-o a discernir se Deus o chama à missão ad
gentes.
Este documento evidencia, para os vários momentos da
formação, conteúdos, atitudes, experiências. Oferecem-se
alguns conteúdos que sublinham o valor missionário da
experiência formativa; indicam-se também atitudes a cul-
tivar e experiências a promover. São conteúdos, atitudes e
experiências a aprofundar na continuidade das diversas
fases. Como as comunidades formadoras estão em contex-
tos diversos, as várias propostas devem ser adaptadas às
situações diferentes.
No final do documento apresentam-se os aspectos es-
pecíficos: Critérios de Discernimento para a Vocação Sale-
siana Missionária e Formação do Salesiano Missionário.
11
IntroduçãoO
PRÉ-NOVICIADO
O pré-noviciado é a primeira fase da formação; visa
suscitar interesse e entusiasmo pela vocação salesiana;
oferece uma experiência de vida comunitária e apostólica
salesiana em que os pré-noviços aprofundam a própria
opção vocacional; ajuda os pré-noviços a amadurecerem
nos vários aspectos humanos e cristãos como discípulos
missionários 1 de Cristo e favorece a sua preparação para o
noviciado.
Conteúdos a sublinhar:
– o estudo da biografia de Dom Bosco evidencia o seu
zelo pelas almas, manifestado também pelo desejo de
ir às missões já nos primeiros anos da formação sacer-
dotal e desenvolvido em seguida na passagem à fron-
teira missionária da Congregação nos anos da maturi-
dade;
– a descrição das atuais presenças da Congregação dá
aos pré-noviços um olhar sobre a variedade da missão
salesiana nos diversos países e os entusiasma de modo
especial pelo trabalho dos missionários nas diversas
partes do mundo, apesar dos desafios e das dificul-
dades que encontram 2 ;
– a apresentação de figuras históricas e de testemunhos
atuais da vida salesiana também oferece aos pré-no-
viços figuras de missionários das quais possam tirar
inspiração para suas vidas.
13
1 CELAM V, Aparecida.
Documento Final, n.
146, 216-220, 278
(Conferencia Epis-
copal Peruana: Lima,
2007) 62, 118-119,
143-145. O docu-
mento sublinha que
todos os cristãos são
chamados a serem
discípulos mis-
sionários de Cristo. A
vida consagrada con-
siste em viver radi-
calmente o ser dis-
cípulo missionário.
2 Cf. OSSFI, 1.2; 1.3.
Formação InicialO
Atitudes a cultivar:
– o reconhecimento pela fé recebida, o interesse no es-
tudo do catecismo, a alegria de aprender a amar Cristo
e a Igreja, o desejo de querer compartilhar a própria
fé com outros;
– a abertura às diversas realidades sociais e culturais do
próprio país e do mundo, às situações de pobreza, às
realidades de muitos jovens que vivem como «ovelhas
sem pastor» (Mt 9,36) e, consequentemente, o senti-
mento de compaixão e solidariedade;
– a generosidade apostólica que inclina a uma vida sim-
ples e ao dom gratuito de si, fruto da espiritualidade
salesiana que requer o empenho para um serviço res-
ponsável.
Experiências a promover:
– conhecer o trabalho dos missionários na própria Ins-
petoria, na igreja local, no próprio país e no mundo
todo, por exemplo, através de vídeos e das visitas de
missionários;
– participar de um grupo missionário no pré-noviciado;
– fazer experiência de partilha da própria fé com os ou-
tros pré-noviços e com os jovens;
– empenhar-se na catequese e no apostolado, susci-
tando nos jovens questionamentos sobre o sentido da
vida, favorecendo o interesse pela fé, despertando o
desejo de conhecer a figura de Jesus.
NOVICIADO
O noviciado é o início da experiência de vida consa-
grada salesiana. Os noviços configuram-se sempre mais
com Cristo Bom Pastor como seus discípulos missioná-
14rios, consolidando a sua relação de amor e amizade com
Ele. Ao começar a viver a vida consagrada, aprendem a si-
tuar-se no coração da Igreja e pôr-se inteiramente a ser-
viço da sua missão 3 . Como diz a Ratio «O serviço do
Reino, o testemunho do Evangelho, o sentido de Igreja, o
elã missionário caracterizam a experiência do novi-
ciado» 4 .
Conteúdos a sublinhar:
– o estudo das Memórias do Oratório com a intenção de
ajudar os noviços a compreenderem o coração orato-
riano de Dom Bosco, como expressão do seu zelo mis-
sionário e da sua interioridade apostólica 5 ;
– o contato com a santidade vivida por algumas figuras
significativas da Família Salesiana, particularmente
como missionários, e a reflexão sobre as caracterís-
ticas da sua santidade visando o desenvolvimento do
coração missionário nos noviços 6 ;
– o estudo da Família Salesiana com a intenção de abrir
o horizonte dos noviços à colaboração e à contri-
buição dos membros da mesma Família Salesiana e dos
leigos na realização da missão salesiana, com refe-
rência especial às missões.
Atitudes a cultivar:
– a vontade de identificar-se sempre mais com os senti-
mentos de Jesus e com a sua ação para que todos os
homens conheçam o evangelho, e o desejo de vê-lo
conhecido e amado por todos os povos, especialmente
pelos jovens;
– a identificação com o coração missionário de Dom
Bosco e o desejo de ser, especialmente para os jovens
que não conhecem Jesus, sinais do amor do Pai;
3 Cf. Const. 6.
4 FSDB 366.
5 Cf. OSSFI 2.1.
6 Cf. OSSFI 2.3.
15O
– o ardor do Da mihi animas que, nas pegadas de Dom
Bosco, leva os noviços ao dom total de si a Deus na
profissão religiosa;
– a simpatia pelas missões e pelos missionários sale-
sianos e o crescente interesse e disponibilidade para
oferecer-se às missões, se esta for a vontade de Deus
a respeito deles.
Experiências a promover:
– servir-se das possibilidades de inserção na realidade
social e apostólica 7 e exprimir a caridade pastoral a
serviço do Reino mediante diversas experiências edu-
cativas e pastorais, a fim de poder «conhecer e experi-
mentar a realidade do mundo dos jovens, especial-
mente os mais pobres» 8 ;
– favorecer a oração pelos missionários e as missões 9 ,
especialmente a Adoração Eucarística e o Rosário;
– interagir amigavelmente, onde possível, com os jovens
de outras religiões;
– manter contatos com algum missionário salesiano,
melhor ainda se for da própria Inspetoria;
– envolver-se na celebração anual do dia missionário
salesiano, na comemoração mensal de cada 11 do
mês, e na oração pessoal pelas vocações missionárias
e as necessidades missionárias da Igreja e da Congre-
gação.
PÓS-NOVICIADO
O pós-noviciado é a fase em que o neoprofesso sale-
siano reforça a experiência formativa do noviciado quanto
à vida consagrada salesiana; prepara-se para o tirocínio;
entra em diálogo com a cultura mediante o estudo filosó-
7 Cf. Reg. 89.
8 FSDB 367.
9 Cf. RM 78.
16fico, pedagógico e catequético; integra fé, cultura e
vida 10 .
Conteúdos a sublinhar:
– a leitura crítica e cristã da cultura e dos aconteci-
mentos da Igreja e do mundo, com a finalidade de
compreender as implicações atuais para a evangeli-
zação, especialmente no âmbito juvenil;
– o estudo da história da Congregação e da obra sale-
siana, com referência especial à expansão missionária
no mundo todo 11 ;
– o estudo do Sistema Preventivo dando atenção à sua
inculturação no contexto atual, especialmente multi-
cultural e plurirreligioso 12 ;
– o conhecimento do fenômeno das migrações e dos de-
safios que ele comporta em nível social, cultural e re-
ligioso;
– o estudo da catequese e da comunicação social para
aprender a levar o evangelho aos jovens, particular-
mente aos indiferentes, aos não crentes e não cristãos;
– o conhecimento dos Critérios para o Discernimento da
Vocação Missionária Salesiana, a fim de iniciar um pos-
sível discernimento para a vocação missionária.
Atitudes a cultivar:
– a abertura crítica e sensível às realidades sociais, cul-
turais e religiosas do próprio país e do mundo, em es-
pecial dos jovens, e a escuta do clamor dos povos por
uma vida mais digna;
– a sensibilidade pelas necessidades dos jovens migran-
tes, meninos de rua e jovens em situação de risco;
– o interesse e a participação na missão evangelizadora
da Igreja e da Congregação e a vontade de contribuir
para o seu crescimento no próprio país e no mundo;
10 Cf. FSDB 396;
Const. 114.
11 Cf. OSSFI 3.4.
12 Cf. OSSFI 3.1; P.
CHÁVEZ, «A incultu -
ração do carisma
salesiano», ACG 411,
pp. 49-51.
17O
– a disponibilidade para se deixar interpelar pelo apelo
missionário e a generosidade para oferecer-se com ale-
gria a uma vida que exige esforço, sacrifício e doação
de si.
Experiências a promover:
– fazer apostolado entre os jovens migrantes, os pobres
das zonas rurais ou urbanas e os jovens em situação de
risco no contexto das experiências apostólicas do pós-
noviciado;
– organizar e animar grupos missionários nos ambientes
em que faz apostolado;
– fazer alguma experiência de animação missionária com
instrumentos de comunicação social 13 ;
– refletir pessoal e comunitariamente sobre Critérios para
o Discernimento da Vocação Missionária Salesiana.
TIROCÍNIO
O tirocínio é a fase do confronto vital e intenso com a
ação salesiana numa experiência educativo-pastoral que
ajude os jovens salesianos a amadurecerem na própria vo-
cação consagrada salesiana e verificarem a sua idonei-
dade vocacional em vista da profissão perpétua 14 .
Conteúdos a sublinhar:
– a reflexão pessoal e comunitária e o confronto com
outros tirocinantes sobre as próprias experiências de
vida e atividades salesianas;
– o conhecimento direto da vida da Inspetoria e da Con-
gregação.
13 Cf. SSCS II, 3-4.
14 Cf. FSDB 428-429.
18Atitudes a cultivar:
– a alegria da fé e do amor por Jesus e o entusiasmo de
levar os jovens a conhecê-lo, especialmente através da
catequese;
– a paixão de Dom Bosco em propor a experiência da fé
cristã aos jovens, em particular àqueles que não co-
nhecem o evangelho ou se afastaram da Igreja;
– a disponibilidade à prática do Sistema Preventivo
como expressão da paixão e da alegria de compartilhar
a experiência de plenitude de vida em Cristo;
– o aprofundamento teórico e prático do Sistema Pre-
ventivo dando atenção à inculturação.
Experiências a promover:
– criar e animar um grupo missionário entre os jovens e
estimular o entusiasmo deles para participar de inicia-
tivas variadas em favor das missões, incluído o volun-
tariado missionário;
– encontrar maneiras de interagir com os jovens de ou-
tras religiões no próprio ambiente e, onde for pos-
sível, fazer experiência direta numa presença missio-
nária salesiana da própria Inspetoria.
19A
FORMAÇÃO ESPECÍFICA DOS SALESIANOS PRESBÍTEROS
E DOS SALESIANOS COADJUTORES
A formação específica é a fase que completa a for-
mação inicial do salesiano, discípulo missionário, edu-
cador e pastor, segundo os itinerários da vocação especí-
fica como salesiano coadjutor ou salesiano padre 15 .
Conteúdos a sublinhar:
– o estudo de Dom Bosco Fundador nos anos da maturi-
dade quando enfrenta novos desafios pastorais, en-
volve numerosas forças apostólicas, abre a Congre-
gação às fronteiras missionárias 16 ;
– o estudo da pastoral juvenil salesiana, que ajuda a
aprofundar a dimensão missionária da evangelização,
isto é, a urgência do anúncio de Cristo e a educação
dos jovens à fé, as novas formas de presença entre os
jovens, a presença salesiana no território, a atenção à
animação missionária 17 ;
– o estudo da teologia pastoral dando atenção aos do-
cumentos da Igreja sobre a atividade missionária, a
teologia das religiões, a teologia da evangelização, a
missiologia, o diálogo inter-religioso e intercultural, e
outros temas conexos como os desafios da globali-
zação, do secularismo, do multiculturalismo e da mul-
tirreligiosidade, da imigração, da religiosidade popular
e do modo de anunciar a mensagem evangélica nos
contextos atuais 18 ;
– o estudo guiado da comunicação social para servir-se
dos instrumentos e das linguagens dos meios modernos
de anunciar o Evangelho e transmitir a mensagem evan-
gélica na mesma cultura da mídia moderna;
– o impulso e o dinamismo missionário do padre em vir-
tude da sua configuração a Cristo pastor 19 .
15 Cf. FSDB 446.
16 Cf. OSSFI 4.1.
17 Cf. OSSFI 1.3; P.
CHÁVEZ, «A pastoral
juvenil salesiana», in
ACG 407, n. 4.2, pp.
48-51.
18 Cf. SÍNODO SOBRE A
NOVA EVANGELIZAÇÃO,
Proposição 9.
19 Cf. CONGREGAÇÃO PARA
O CLERO, Carta Circular
sobre a identidade
missionária do pres-
bítero na Igreja como
dimensão intrínseca
do exercício do Tria
Munera (Libreria
Editrice Vaticana:
Vatican City, 2011),
n. 2.
20Atitudes a cultivar:
– a relação de amizade profunda com Cristo, que leva os
formandos a configurar-se com Ele e, portanto, haurir
d’Ele uma intensa caridade pastoral;
– o amor à Igreja como povo de Deus aberto a acolher
todos os povos;
– a convicção sobre o caráter missionário do carisma sa-
lesiano 20 .
Experiências a promover:
– a experiência de trabalho missionário com jovens de
outras religiões;
– o conhecimento e a animação do programa de catecu-
menato segundo o Rito de Iniciação Cristã para
Adultos;
– a experiência missionária nas férias;
– o envolvimento na animação missionária salesiana em
nível local e inspetorial;
– a proposta aos enfermos da oração pelos missionários
e as missões.
21
20 OSSFI 4.2.A A formação permanente é a continuação natural e o
aprofundamento necessário do projeto de vida como dis-
cípulo missionário salesiano que é iniciado e vivido na
formação inicial que dura a vida inteira. Ela acontece na
vida cotidiana do irmão na comunidade e visa manter
viva nele a alegria de dedicar-se plenamente com entu-
siasmo à causa do Evangelho.
Conteúdos a sublinhar:
– a oferta aos irmãos da Inspetoria acerca da possibilida-
de de participar de algum programa formativo, confe-
rência, curso... que ajude a aprofundar ou preparar-se
melhor para alguns aspectos da própria missão apostó-
lica, como, por exemplo, o diálogo inter-religioso, a
nova evangelização...
– o aprofundamento de reflexões e orientações da Con-
gregação para a Evangelização dos Povos e do nosso
Setor para as missões;
– a animação missionária na Inspetoria e na Congrega-
ção;
– o voluntariado juvenil e laical.
Atitudes a cultivar:
– o desejo de estar à altura da própria função a fim de
dar o melhor de si na missão de evangelização;
– a abertura a novos conteúdos e métodos que possam
melhorar a eficácia apostólica no ambiente em que
vive;
23
Formação Permanente– a consciência da própria fragilidade e pobreza na rea-
lização do mandato missionário e, portanto, a necessi-
dade de recolhimento e oração, de autoavaliação da
própria ação e de uma renovada determinação de ca-
minhar com mais empenho e fervor.
Experiências a promover:
– refletir e compartilhar as próprias experiências vi-
sando manter viva a «paixão pela salvação dos outros,
e a alegria de compartilhar a experiência de plenitude
de vida em Jesus» 21 ;
– aproveitar os dias de estudo e reflexão feitos em
comum com os membros da Família Salesiana e os co-
laboradores leigos sobre temas que se referem à evan-
gelização e à cultura, ao trabalho nas missões “ad
gentes”...;
– servir-se dos instrumentos de comunicação social para
uma avaliação crítica das culturas novas e emergentes
e valorizar as oportunidades que elas oferecem na pro-
clamação do Evangelho;
– aprender novos métodos de evangelização;
– animar grupos missionários.
21 P. CHÁVEZ, «Discurso
de encerramento do
CG 26» Atos do Capí-
tulo Geral XXVI,
p. 137.
24C
DISCERNIMENTO
Critérios para o discernimento da vocação salesiana
missionária 22 “ad gentes, ad exteros, ad vitam”
Pessoas envolvidas no discernimento em vários níveis:
– o irmão, que é acompanhado pelo guia espiritual e
pelo confessor;
– a comunidade onde vive o irmão, ou seja: o diretor, os
formadores, os irmãos;
– o Inspetor com o seu Conselho;
– o Conselheiro Geral para as Missões.
Contraindicações para a vocação missionária
– busca de aventura ou simples vontade de mudar de
trabalho;
– pressão da parte de outros: pais, irmãos, amigos;
– evasão dos próprios problemas relacionais, pessoais,
vocacionais;
– incapacidade de integrar-se na vida e apostolado da
comunidade. Se um irmão assim é enviado às missões,
fica exposto a um ambiente muito mais difícil (devido
à língua, à cultura e a outros fatores) e piora a si-
tuação em vez de melhorá-la.
27
22 Cf. Ad Gentes 25;
L. ODORICO, «Os can-
didatos às missões
salesianas», in ACG
337, pp. 52-56.
Preparação específica
do Salesiano MissionárioElementos insuficientes
– Não basta uma motivação missionária genérica, por
exemplo, o vago desejo de trabalhar pelos jovens po-
bres ou num ambiente pobre...
– Não basta um entusiasmo superficial pelas missões
que não seja acompanhado de atitudes concretas de
trabalho, sacrifício, generosidade: esse entusiasmo
não duraria muito.
Critérios gerais de discernimento vocacional – para o
irmão e para o Diretor e seu Conselho
Três aspetos indispensáveis: (1) intenção reta, (2) de-
cisão livre, (3) qualidades necessárias. As qualidades ne-
cessárias são:
– boa saúde;
– maturidade humana; sentido de responsabilidade; ca-
pacidades relacionais;
– personalidade robusta; equilíbrio psicológico; perseve-
rança nas dificuldades;
– paciência, compreensão, humildade, capacidade de
apreciar os valores autênticos de outras culturas e re-
ligiões e de adaptar-se à mudança de situações;
– espírito sobrenatural, para não reduzir a missão a algo
meramente filantrópico ou atividade social;
– espírito de fé; enraizamento em Cristo mediante uma
vida de oração pessoal e comunitária, centrada na Eu-
caristia e regulada pela recepção dos sacramentos;
– vida salesiana vivida com zelo missionário demons-
trado pelo ardor de tornar Jesus conhecido, sobretudo
aos jovens mais pobres e marginalizados;
– amor profundo pela Igreja e a Congregação;
– espírito de sacrifício; generosidade; gostar das condi-
ções em que vive;
28O
– fortaleza em suportar o cansaço e a esterilidade no
próprio trabalho;
– flexibilidade e capacidade de adaptar-se e de amar a
vida numa comunidade intercultural;
– capacidade de aprender uma nova língua;
– capacidade de viver em comunidade e trabalhar em
equipe com os outros membros, com os leigos e os jo-
vens;
– comunhão e obediência na pastoral de conjunto orien-
tada pelo próprio Bispo.
PREPARAÇÃO ESPECÍFICA DO SALESIANO MISSIONÁRIO
O salesiano que sente o chamado para ser missionário
fora da própria pátria, do próprio ambiente cultural e
grupo linguístico (ad exteros) 23 , entre aqueles que ainda
não ouviram o Evangelho e onde a Igreja ainda não está
completamente estabelecida (ad gentes) 24 , com um tra-
balho para toda a vida (ad vitam) 25 , pode oferecer-se em
qualquer momento para o serviço nas missões.
Preferem-se os irmãos jovens devido à sua facilidade
de aprender uma nova língua e cultura e ao seu espírito
de adaptação; em geral, deseja-se que concluam o pro-
cesso de discernimento da própria vocação missionária
durante o pós-noviciado, o que também é possível du-
rante a formação específica do salesiano padre e do sale-
siano coadjutor.
O Capítulo Geral XIX também abriu a possibilidade de
os Salesianos serem missionários ad tempus, por ao
menos 5 anos, «desde que sejam considerados idôneos» 26 .
Isso pode ser feito para tarefas específicas e urgentes na
atividade missionária da Congregação ou para ajudar o
irmão a discernir melhor a sua vocação salesiana missio-
nária ad vitam.
23 Cf. FABC Office of
Evangelisation, “Con-
sultation on Asian
Local Church and
Mission ad Gentes”,
ed. Franz Josef Eilers,
For All the Peoples of
Asia, III, n. 5 (Clare-
tian Publications:
Quezon City, 2002),
p. 222.
24 Cf. Ad Gentes 6
25 Cf. RM 66.
26 Atos do Capítulo
Geral XIX, p. 211.
29Discernimento
O processo de discernimento é um itinerário gradual e
progressivo com a ajuda de um guia espiritual. Nesse pro-
cesso, o candidato, como a Virgem Maria, aprende a es-
cutar a voz do Espírito, purificar e aprofundar as suas
motivações, discernir as suas qualidades e atitudes que
determinam a própria idoneidade para a vida missionária
salesiana. A comunidade também tem um papel impor-
tante nesse itinerário. Utilizam-se para esse exercício os
Critérios para o Discernimento da Vocação Salesiana Mis-
sionária. É igualmente possível que ao candidato missio-
nário seja concedida, por exemplo, a título de prova, por
um ano, a experiência de trabalhar num contexto missio-
nário fora da própria Inspetoria. Esta experiência também
poderia servir para o discernimento da sua vocação mis-
sionária salesiana.
Quando, como fruto do discernimento, o candidato
chegar à conclusão de ser chamado ao serviço no campo
missionário, envia uma carta ao Reitor-Mor manifestando
explicitamente o seu desejo e colocando-se à disposição
da Congregação. Isso não tira a possibilidade de exprimir
suas preferências ou predisposições concretas para um
determinado território missionário, o que vale de modo
particular para o Projeto Europa.
O Reitor-Mor, através do Conselheiro para as Missões,
entra em diálogo com o Inspetor do irmão, solicitando
dele e do seu Conselho uma opinião por escrito sobre a
vocação missionária do candidato, sempre em relação
com Critérios de Discernimento da Vocação Missionária
Salesiana.
Concluído positivamente o discernimento e obtido o
parecer do Inspetor de ceder o irmão para as missões, o
Reitor-Mor dá uma destinação ao candidato.
30Preparação
Durante o período que antecede a partida, a Inspetoria:
– oferece ao futuro missionário a possibilidade, en-
quanto possível, de aprender a língua e a cultura do
lugar ao qual é destinado, e também de participar de
encontros ou cursos organizados pela Conferência dos
Religiosos ou pela Conferência Episcopal para candi-
datos às missões;
– oferece-lhe, também, a possibilidade de conhecer os
conceitos fundamentais da antropologia cultural e da
dinâmica do diálogo intercultural;
– envia o missionário para participar do Curso de Orien-
tação para novos missionários organizado pelo Dicas-
tério para as Missões como preparação imediata dos
missionários antes da entrega do crucifixo missio-
nário;
– reza e faz rezar pelo irmão que é enviado como mis-
sionário.
Inserção
Igualmente, a Inspetoria à qual é enviado o novo mis-
sionário, cria um clima de acolhida e o recebe fraternal-
mente quando chegar.
Para facilitar a sua inserção no novo ambiente cul-
tural, social e eclesial, a Inspetoria:
– oferece-lhe desde o início um programa de orientação
que permita conhecer não só a história, a cultura e os
valores do país, mas também a história, a missão e as
obras da Inspetoria;
– garante-lhe um tempo adequado para aprender a
língua;
– assegura-lhe o acompanhamento inicial mediante um
guia espiritual, que o assiste e aconselha durante os
primeiros anos da sua inserção, ouvindo suas expecta-
31tivas, aprofundando suas motivações, removendo
eventuais preconceitos, ajudando-o a redigir o próprio
projeto de vida salesiana missionária;
– favorece a sua inserção gradual, evitando nomeá-lo
para caragos de responsabilidade durante os dois pri-
meiros anos;
– organiza encontros regulares, por exemplo, duas vezes
por ano, dos novos missionários com seus formadores,
diretores e o encarregado em nível inspetorial; ao
mesmo tempo, dá orientações ao diretor do novo mis-
sionário;
– dá-lhe a possibilidade de participar da orientação para
os novos missionários, organizado tanto pela Confe-
rência dos Religiosos quanto pela Conferência Epis-
copal local para o conhecimento e inculturação na
cultura local.
Após cinco anos, o missionário é ajudado a avaliar a
sua experiência missionária, em particular:
– a sua integração na vida e no apostolado da Inspe-
toria;
– a sua inserção na cultura local e, particularmente
entre os jovens a ele confiados, a sua capacidade de
abertura;
– uma reflexão sobre o seu ardor apostólico e empenho
na vida missionária.
Entretanto, o missionário que se encontra no período
formativo, completa a sua formação inicial, recebe a or-
denação sacerdotal e/ou faz a profissão perpétua. Para a
fase do tirocínio, computam-se os dois anos previstos
nos Regulamentos (n. 96), a partir da sua inserção educa-
tivo-pastoral na comunidade local à qual é destinado; por
exemplo, os tempos exclusivamente destinados ao estudo
da língua ou a atender a procedimentos migratórios,
ainda não são computados como tirocínio.
32Formação continuada
O missionário insere-se plenamente no trabalho missio-
nário da Inspetoria e fica atento à sua formação continua-
da, usufruindo também das oportunidades oferecidas pela
Inspetoria para aprofundar a sua relação pessoal com Cris-
to como fonte do seu ardor missionário e inculturar-se
cada vez mais na cultura do povo à luz da fé cristã e do
carisma salesiano.
Participa dos vários encontros na Inspetoria (dia da co-
munidade, encontros da comunidade educativo-pastoral e
da Família Salesiana, e outras iniciativas), no país (como,
por exemplo, cursos organizados pelos centros regionais
salesianos de formação permanente, e encontros promovi-
dos pela Conferência dos Religiosos ou do Episcopado), e
também na Universidade Pontifícia Salesiana que oferece
um curso de formação permanente para missionários.
Caso possua os dons necessários e se estes correspon-
derem às exigências da Inspetoria, o missionário é convi-
dado pelo Inspetor a qualificar-se em missiologia, antro-
pologia, diálogo intercultural, diálogo inter-religioso, no-
va evangelização com a finalidade de oferecer um serviço
competente à Inspetoria.
33A Vocação Missionária Salesiana
Egidio Viganó, SDB 1
O coração missionário de Dom Bosco
«Podemos dizer que Dom Bosco pode ser inserido na
longa série de missionários do século XIX, mesmo que
nunca tenha estado pessoalmenie nas missões ad gentes.
‘O ideal missionário – escreve Eugenio Ceria – cresceu,
pode-se dizer, com ele’ 2 . É um ideal intrínseco ao seu pro-
jeto vocacional de Fundador e inserido em sua vida. Antes
como estado embrionário e inconsciente, depois – gradati-
vamente – de maneira cada vez mais clara e distinta.
Afirmam isso, com palavras mais ou menos claras, seja
o P. Paulo Álbera seja o P. Filipe Rinaldi. Ambos sublinham
que a visão missionária de Dom Bosco já está presente no
sonho dos nove anos.
As missões ad gentes, escreve o P. Álbera, ‘foram sem-
pre a aspiração mais ardente do coração de Dom Bosco e
não tenho medo de errar se afirmo que Maria SS. Auxilia-
dora, desde suas primeiras manifestações maternas conce-
deu-lhe, jovenzinho ainda, uma clara intuição... Disso nos
falava continuamente a nós seus primeiros filhos que, ma-
ravilhados, sentíamo-nos transportados por santo entu-
siasmo... Junto à cama de um seu querido jovenzinho,
João Caglierò, moribundo, viu os indígenas da Patagônia
esperando dele a redenção; e Dom Bosco Ihe anuncia a cu-
ra, revelando-lhe parte de seus futuros desígnios’ 3 .
1 Excertos de E. VI-
GANÓ, «O Apelo do
Papa em Favor das
Missões», in ACG 336
(1991) pp. 4-9.
2 E. CERIA, Annali della
Società Salesiana I,
p. 245.
3 P. ALBERA, Lettere
Circolari (Direzione
Generale Opere Don
Bosco: Torino, 1956)
pp. 132-133.
35
ApêndicesO P. Rinaldi, também afirma: ‘Comemorando aquele pri-
meiro sonho do venerável Pai, implicitamente festejamos o
centenário do início de toda a Obra Salesiana; naquela pri-
meira visão ele, pode-se dizer, foi consagrado apóstolo da
juventude, pai de urna nova família religiosa, missionário
dos povos ‘nao cristàos’; ela de fato suscitou-lhe no cora-
ção também um vastíssimo desejo de vida religiosa e de
evangelização dos infiéis’ 4 .
Realmente o ideal missionàrio, já vivo nele no final dos
estudos ginasiais 5 , cresce e se desenvolve com o passar do
tempo.
Concluído o período de formação pastoral no ‘Convitto’
de S. Francisco de Assis, em Turim (1844), ele pensa entrar
na Congregação do Oblatos de Maria, que abrirá uma flore-
cente missão na Indochina (Vietnã), para ser também ele
missionário. Prepara-se com a oracção e com o estudo de
alguma língua. O P. Cafasso, seu diretor espiritual, deixa-o
estar, mas na hora oportuna manda parar tudo com um
‘não’ decidido, e o segura em Turim, encontrando-lhe um
lugar junto ao internato da marquesa Barolo, onde poderá
se interessar por tantos jovens. Ele obedece, e a Providên-
cia o guiará por seus caminhos. Mas o traballio apostólico
entre os jovens, antes que atenuar o seu ardor missioná-
rio, fortalece-o com luz mais viva e reveste-o de originali-
dade.
Sabemos que as aventuras missionárias, relatadas nos
Anais da Propagacelo da Fé – uma de suas leituras preferi-
das –, impressionavam-no profundamente 6 . Havia em jogo
tantas almas a serem salvas, das quais sentia-se, de algu-
ma maneira, corresponsável.
Desde 1848 o P. Rua e outros ouviram-no exclamar mui-
tas vezes: ‘Oh, se tivesse muitos sacerdotes e muitos cléri-
gos, gostaria de mandá-los a evangelizar a Patagônia, a
Terra do Fogo...’ 7 .
4 ACS, VI, Junho 24,
1925, p. 364.
5 Cf. MB I, 328.
6 Cf. MB III, 363.
7 MB III, 363.
36Foi visto, naqueles anos, a olhar em algum mapa e se
entristecer com o pensamento que ‘tantas regiões estives-
sem ainda na sombra da morte’ 8 .
Quando, após muitos sacrifícios, pode finalmente ini-
ciar suas missões (1875: a maior empresa da Congrega-
ção!), o seu coração missionário exulta e, aparentemente,
parece vibrar exclusivamente por elas. Afirmam-no os seus
primeiros sucessores: ‘A partir daquele ano – escreve o P.
Álbera – as Missões foram o centro de seu coração e pare-
cia vivesse unicamente por elas... Falava delas com tanto
entusiasmo que ficávamos maravilhados e tão edificados
pelo seu inflamado ardor pelas almas’ 9 .
Com não menor intensidade o P. Rinaldi, fafando de
lembranças distantes, assim se expressa: ‘No seu grande
coração ficaram acumulados por anos e anos os ardores
apostólicos de um Francisco Xavier, alimentados por uma
chama enorme que ia iluminando o futuro mediante os so-
nhos... Tenho para mim que talvez nenhum missionário foi
mais entusiasta e incansável propagandista do que ele. Re-
vejo a este Pai amadíssimo nas longínquas lembranças da
minha vocação salesiana, exatamente nos anos do seu
maior fervor missionário; e a impressão que me ficou per-
manece indelével: era um verdadeiro missionario, um
apóstolo devorado pela paixão das almas’ 10 .
Mas Dom Bosco não guardou para si seu ideal missio-
nário. Transmitiu-o à sua Congregação (e Família) como
elemento constitutivo de seu patrimônio espiritual e apos-
tólico. O relatório escrito ao Papa Leão XIII é claro: ‘As
missões estrangeiras foram sempre objetivo almejado pela
Congregação salesiana’ 11 . Quis, portanto, que a sua funda-
ção fosse também missionária ad gentes.
Sería interessante considerar, ainda que brevemente, al-
guns ‘sonhos’ de Dom Bosco que manifestam com clareza o
seu projeto de Fundador.
8 MB III, 546; IV,
424.
9 P. ALBERA, Lettere
Circolari, p. 134.
10 ACS, VI, Junho 24,
1925, p. 367.
11 MB XIV, 624.
37Sonhou os seus no Sul e no Oriente
Sonhos, Dom Bosco teve vários: foi apropriadamente
chamado ‘o Santo sonhador’.
A classificação (deles) é um problema espinhoso; mais
ainda o é a sua interpretação. Não temos ainda hoje um
estudo crítico-científico completo, nem sequer é fácil rea-
lizá-lo 12 .
Isto, porém, nao significa que alguns de seus sonhos
não tenham importância histórica e profética. Corroboram
sua personalidade carismática, levando-o a corajosas ini-
ciativas humanamente inexplicáveis.
Comentando o sonho chamado do personagem dos dez
diamantes 13 , dizia eu que pode-se falar dos sonhos de Dom
Bosco em um nível diferente e mais vital do que o crítico-
científico (ainda que importante para a necessária serieda-
de da pesquisa). Trata-se do nível de influência existencial
no próprio ânimo do Fundador e na vida dos seus filhos.
Alguns sonhos devem ser considerados ‘reveladores’;
não se podem explicar unicamente com uma análise da in-
terioridade pessoal do Santo.
O P. Tiago Costamagna – depois bispo – (que constata-
ra na América Latina o valor carismático dos vários sonhos
e que percebia sem dúvidas em Dom Bosco uma ‘persona-
lidade profética’), após a leitura de um sonho missionário
de 1885 escrevia ao Pe. Lemoyne citando uma frase que o
bom Pai Ihe dissera confidencialmente: ‘dentre todas as
Congregações e Ordens religiosas, a nossa foi talvez a que
mais Palavra de Deus teve’ 14 .
Entre os chamados ‘sonhos reveladores’, há cinco que
se referem exatamente às missões ad gentes:
• um sobre a Patagônia, tido em 1872: serviu para que se
decidisse a iniciar as míssões;
• um segundo que descreve uma viagem através da Amé-
rica Latina, tido em 1883: apresenta muitos elementos
12 Cf. F. JIMÉNEz, Los
Sueños de Don Bosco
(CCS: Madrid, 1989).
13 Cf. ACS n. 300.
14 MB XVII, 305.
38não só desconhecidos a Dom Bosco, mas também aos
estudiosos da época;
• um terceiro, sobre o sul da América, tido em 1885:
aquele que levou o P. Costamagna, já naqueles Países, a
escrever a famosa frase que citamos;
• um quarto, sobre a África, a Ásia e a Oceania, tido tam-
bém esse em 1885: consideramo-lo hoje com especial
maravilha porque já vemos bem desenvolvida sua mara-
vílhosa realização;
• e um quinto, sobre a viagem ‘aérea’ de Valparaíso a Pe-
quim, tido em 1886. Eu quis de alguma maneira con-
trolá-lo geograficamente em diferentes viagens para
convidar todos a reabrir com esperança nossa coragem
em favor do ‘Projeto-China’ 15 .
Estes ‘sonhos missionários’ ajudam-nos a conhecer a
mente do Fundador, a compreender a magnanimidade e a
audácia de suas iniciativas. Vê-se neles sem dúvida inseri-
da a Congregacção entre os grupos eclesiais comprometi-
dos, como tais, com as missoes ad gentes. E exatamente
naquele Sul e naquele Oriente de que fala a encíclica: pro-
fetizam a fecundidade vocacional entre os autóctones. E
abrem espaços de futuro para serem verificados... dentro
de 500 anos!
O tempo, desde a primeira expedição missionária
(1875) até hoje, demonstra a realização desses sonhos,
posto que permaneçam ainda abertas as fronteiras de cres-
cimento. Especialmente na China, onde sem dúvida as mis-
sões salesianas tiveram sucessos inesperados e foram fe-
cundados pelo sangue dos nossos primeiros mártires.
São sonhos que – fato talvez único na historia – traça-
ram, com uma antecipação de várias décadas, os caminhos
que depois trilharam os seus. E com razão Dom Bosco é
visto hoje, nas mais diferentes regiões do mundo, como
presença precursora e paterna, como amizade cultural e
potente proteção.
15 Cf. ACG n. 323.
16 Cf. MB XVII, 645.
39Em numerosas viagens pelos vários continentes, eu
mesmo pude, de alguma maneira, muitas vezes constatar o
alcance profético desses sonhos, que ainda hoje projetam
uma luz para o futuro. Pude constatar isso na América La-
tina, na África e Madagáscar, na Ásia, no Japão e nas Fili-
pinas, na Austrália e na Oceania. Os nossos irmãos desses
Países releem e consideram esses sonhos como providen-
ciais rnensagens proféticas. Nalguns casos, fui até solici-
tado a resolver animadas discussòes sobre algumas indi-
cações geográficas.
São sonhos que incidiram verdaderamente sobre a vida
missionária da Congregação (e ainda influenciam). Confir-
mam, a seu modo, um aspecto constitutivo da própria vo-
cação salesiana na ìgreja.
A nossa é uma congregação missionária
A mente e o coração do Fundador e a tradição ininter-
ruptamente vivida na Família, confirmam abertamente que
a dimensão missionária é ‘elemento essendo!’ do nosso ca-
risma 17 . As missoes ad gentes, para nos Salesianos, não
são simplesmente um ‘conjunto de obras’ iguais às ou-
tras, com a única diferença que estão localizadas em Paí-
ses distantes e com uma cultura diferente: não, não! Elas
representam – muito mais profundamente – um aspec-
to constitutivo, uma dimensão peculiar da nossa iden-
tidade de Salesianos de Dom Bosco na Igreja. É verdade
que a Congregação não está assinalada no Anuário ponti-
fício entre os ‘institutos missionários’ em sentido estrito
(ou seja, entre aqueles que se dedicam só às missões es-
trangeiras); porém nela – e precisamente enquanto insti-
tuíção eclesial – o Fundador quis um verdadeiro compro-
misso missionário ad gentes. O seu foi um projeto verda-
deiramente providencial. Hoje devemos reconhecer que as
missões foram o instrumento histórico para a universaliza- 17 Cf. Const. 30.
40ção e a inculturação do carisma salesiano no mundo. É um
grande merecimento.
Entre nós, desde o início, cultivaram-se as vocacões
missionárias em sentido estrito, ou seja, o cuidado daque-
les irmãos – não poucos – enriquecidos com a ‘vocação es-
pecial’ que constitui a nota característica de todo verda-
deiro missionário. E esta vocação especial não é neles
algo excepcional relativamente aos outros irmãos mas
a expréssão mais viva e mais generosa da vocação de
todos. De fato ela manifesta uma condição interna à ín-
dole própria do carisma comum; todo irmão está, de
per si e no diálogo da obediência, disponível a ser
mandado para as missões.
Iniciamos – há mais de Ì00 anos – as nossas missões na
América Latina. 50 anos depois nos orientamos para a
Ásia. E ultimamente (50 anos depois!) assumimos como
um projeto unitário a presença na África e na Oceania. Po-
demos afirmar que verdadeiramente nos dirigimos, como
sugere o Papa, para o Sul e o Oriente 18 , onde se constata o
maior crescimento demográfico da humanidade: muita ju-
ventude e tanta pobreza.
As nossas missões demonstram, em três grandes eta-
pas, sucessivas e em nível mundial, a concreta opção pre-
ferencial da Congregação pelos jovens pobres e necessita-
dos.
Nos últimos dois decênios houve entre nós um novo im-
pulso missionário. É uma iniciativa providencial que está
revitalizando o carisma e que nos projeta com esperança
para o futuro. Na circular sobre O Nosso compromisso afri-
cano 19 , dizia-vos que a abertura dessa nova fronteira mis-
sionária é inerente à nossa tradição de vida e portadora de
preciosas bênçãos de Deus. Estamos vendo confirmada
aqueia afirmação. O compromisso missionário nos está
libertando dos perigos do aburguesamento, da superfi-
cialidade espiritual e do genericismo. Nas missões per-
18 Cf. RM 40.
19 Cf. ACS n. 297.
41cebemos o gosto pelas origens, experimentamos a per-
manente vitalidade do critério oratoriano, e parece-nos
ver que Dom Bosco revive na autenticidade primitiva
de sua missão juvenil e popular».
42Quem é missionário hoje?
Alfred Maravilla, SDB
Não é raro ouvir salesianos provenientes de países tec-
nologicamente desenvolvidos fazer a pergunta: «Por que
enviar missionários para nós? Não somos um país po-
bre!» Da mesma forma, também alguns missionários pro-
venientes de países outrora considerados “terra de missão”
se perguntam qual é o sentido de serem enviados como
missionários junto a um país rico ou tecnologicamente de-
senvolvido.
Para muitos salesianos aqui está o “problema”, não ver-
balizado, sobre o que se refere à diretriz do último Capítu-
lo Geral: relançar o carisma na Europa, realizando as inter-
venções necessárias para a renovação da presença salesia-
na no continente (CG 26, 108, 111), atualmente conheci-
do como “Projeto Europa”.
Na realidade o problema é mais profundo do que uma
simples sócio-geografia ou do que um projeto congrega-
cional. Está radicado na compreensão seletiva de ‘mis-
são’, expressa pelo decreto conciliar Ad Gentes, nº 6, onde
é entendida exclusivamente como um movimento unidire-
cional de países ‘cristãos’ em direção a terras ‘pagãs’, nas
quais povos ou grupos de pessoas ainda não acreditam em
Cristo ou onde a Igreja ainda não criou raízes. E assim
ocorre na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, nº 31,
na qual a promoção humana e o desenvolvimento são con-
siderados como os componentes mais importantes da mis-
são. Parece que a compreensão da missão por parte de al-
guns se tenha fossilizado aqui.
Contudo, já no longínquo ano de 1991, João Paulo II
tinha insistido, na carta encíclica Redemptoris Missio, nos
números 33-34, que a missão não pode ser vista apenas
em termos geográficos unidirecionais, mas primeira-
mente como o anúncio de Jesus Cristo nos contextos
43que se interpenetram, nos quais existe a necessidade
tanto da missão ad gentes, da atividade pastoral ordinária
como de uma nova evangelização 20 . Assim, o Papa exortou
à interdependência e à assistência recíproca entre as Igre-
jas localizadas nas áreas que foram chamadas tradicional-
mente ‘países cristãos’ e ‘terras de missão’.
Na Ásia, um contexto em que cada um tem um vizinho
de casa que segue outra religião, a Federação dos Bispos
Asiáticos sublinhou que o missionário é aquele que sai do
próprio ambiente cultural e grupo linguístico ou da pró-
pria pátria (ad exteros), e vai entre os que ainda não ouvi-
ram o Evangelho e onde a Igreja ainda não está completa-
mente estabelecida (ad gentes) a fim de proclamar o Evan-
gelho. E cada uma das Igrejas locais – insistiram os bispos
da Ásia – é chamada a enviar e receber missionários 21 .
Nesta luz, a missão não é mais apenas um movimento
em direção às “terras de missão”. Trata-se, ao invés, de um
movimento multidirecional, porque a missão se desenvol-
ve em qualquer lugar em que um cristão atravessa uma
fronteira humana para proclamar o evangelho. Do mesmo
modo, toda Inspetoria Salesiana, rica ou pobre de pessoal
e de recursos, é corresponsável pelas iniciativas missioná-
rias de toda a Congregação Salesiana. Por isso, todas as
inspetorias enviam e recebem! É por isso que os missioná-
rios de hoje provêm da e são enviados para a África, Ásia,
América e Oceania. Nesta perspectiva, o importante não é
apenas o lugar geográfico, insistem os bispos latino-ame-
ricanos; trata-se de viver a própria vida “em estado de mis-
são” 22 . Por isso, o missionário hoje é aquele que é enviado
para a floresta ou para a cidade, para a paróquia ou para a
escola, entre os seguidores de outras religiões ou entre os
que não têm nenhuma religião, entre os que vivem sua fé
cristã como algo apenas cultural ou entre os que a vivem
de maneira rotineira. O que é importante é que mantenha
sempre viva a sua paixão por Jesus Cristo e pelo seu povo 23 .
20 Já o P. Viganó
tinha sublinhado que
as novas perspectivas
desta encíclica são
exatamente «a novi-
dade dos critérios
para descrever espe-
cificamente a ativi-
dade missionária: não
são critérios ‘geográ-
ficos’, mas também
‘sociológicos’ e ‘cul-
turais’». E. VIGANÒ, «O
Apelo do Papa em
Favor das Missões»,
p. 15.
21 Cf. FABC Office of
Evangelisation, «Con-
sultation on Asian
Local Church and
Mission ad Gentes»,
p. 222.
22 CELAM V. Apare-
cida. Documento Final
(Brasília, São Paulo:
Conferencia Nacional
dos Bispos do Brasil,
2007) n. 213; JOÃO
PAULO II,
«Discurso à Assem-
bleia do CELAM» (9
de março de 1983).
23 FRANCISCO, Evangelii
Gaudium (2013) 268.
44É nesta luz que o Papa Bento XVI convidou a Igreja na
África “a contribuir para a nova evangelização também nos
países secularizados” que “hoje sofrem a falta de voca-
ções”. Sublinhou: isto não diminui o ardor missionário ad
gentes, mas é “um sinal concreto” da sua “fecundidade” 24 !
Com esta renovada visão da missão, o Papa Francisco con-
tinuamente convida os católicos a “irem a todas as perife-
rias que têm necessidade da luz do Evangelho” 25 .
Na realidade, este movimento multidirecional já é algu-
ma coisa que acontece há tempos em muitas dioceses e
congregações religiosas. Não é verdade, talvez, que alguns
salesianos ou Inspetorias preferem ser apenas ‘enviadores’
e não ‘recebedores’ em vez de mandar e receber ao mesmo
tempo? Daí a insistência do Reitor-Mor sobre o fato de que
o Projeto Europa é um “Projeto de Congregação”, que en-
volve “todas as Regiões e Inspetoriais” 26 , e exige em pri-
meiro lugar de cada Salesiano uma conversão da mente
e do coração para apropriar-se desta mudança de época
na compreensão da Igreja que é ‘toda missionária’. Somen-
te então haverá uma troca multidirecional de missionários
salesianos animados pela confiança e pela abertura mútua
que, em última análise, enriquecerá todas as Inspetorias e
renovará toda a Congregação!
24 BENTO XVI, Africae
Munus (2011) n. 167.
25 FRANCISCO, Evangelii
Gaudium, 20.
26 Atos do Capítulo
Geral 26, p. 147.
45O Grupo Missionário Salesiano
T.C. George, SDB
Ai de mim se não anunciar o evangelho! (1Cor 9,16)
A Igreja é missionária por sua própria natureza 27 . Nossa
vocação salesiana nos coloca no coração da Igreja e, por-
tanto, nos torna missionários. Já desde o início, Dom Bos-
co quis que os salesianos assumissem um verdadeiro em-
penho de evangelização, de missão ad gentes em particu-
lar 28 . Dom Bosco passou o ideal missionário a toda a Famí-
lia Salesiana como elemento constitutivo da sua herança
espiritual e apostólica. Imediatamente depois da aprova-
ção das Constituições, em 1874, ele enviou a primeira ex-
pedição missionária em 11 de novembro de 1875.
As glórias da presença e das atividades salesianas da
região do sudeste asiático hoje são o fruto do entusiasmo
e do empenho dos primeiros missionários salesianos que
levaram à nossa região o Da mihi animas de Dom Bosco.
A mente e o coração do fundador e a ininterrupta tra-
dição missionária da Família Salesiana são a verdadeira
confirmação de que a dimensão missionária é um ele-
mento essencial do nosso carisma.
Hoje somos chamados a manter vivo o zelo missionário
e a paixão apostólica de Dom Bosco, nosso fundador, nas
vicissitudes do tempo e até mesmo nos novos desafios que
surgem na região. Devemos descobrir maneiras novas de
apresentar a pessoa de Jesus Cristo a todos, especialmen-
te aos jovens. Cada salesiano deveria convencer-se que
Cristo é o melhor presente a ser recebido, vivido e com-
partilhado. E compartilhar Jesus com os irmãos e as irmãs
não é um dever apenas dos poucos chamados ‘missioná-
rios’. É um privilégio de todos aqueles que o aceitaram.
Recordando a nossa natureza missionária, temos ne-
27 Ad Gentes 2, RM 62.
28 RM 3.
46cessidade de viver com entusiasmo e passar efetivamente
o nosso carisma missionário aos jovens colocados sob
nossos cuidados, de modo que também eles, inflamados
por Cristo, possam aceitar o desafio de «ir e proclamar»
(Mc 16,15). Temos necessidade de transmitir nossa bela
herança missionária salesiana. No passado, grupos mis-
sionários desempenharam papéis efetivos como instru-
mentos de formação missionária e de atividades missio-
nárias na Igreja e em nossa Congregação.
Os delegados inspetoriais da região Ásia Sul e os
membros da Família Salesiana das Jornadas de Estudo
sobre o ‘Primeiro Anúncio de Cristo na Ásia Sul’ (7-11 de
agosto de 2011), mais uma vez sentiram a necessidade
de transmitir o nosso carisma missionário aos jovens, es-
pecialmente aos que se encontram nas várias fases de
formação. O Conselheiro para as Missões já tinha pedido
às nossas inspetorias para formar grupos missionários. Os
delegados inspetoriais da Ásia Sul redigiram um plano de
ação para fazer reviver ou estabelecer grupos missioná-
rios nas nossas diversas situações para dar vida e cons-
truir uma cultura missionária na região.
Finalidades e Objetivos dos Grupos Missionários
Salesianos
O Grupo Missionário Salesiano se propõe a participar
ativamente do mandato missionário de Jesus Cristo de ir
e proclamar, na descoberta do próprio modelo missio-
nário e fonte de energia no coração do mesmo Cristo,
Missionário do Pai. Através da oração, da reflexão e da
ação, o grupo promove o espírito missionário no próprio
ambiente e favorece o interesse pela missão ad gentes,
enquanto se esforça por assegurar o próprio crescimento
no empenho cristão pela missão e em dar testemunho da
fé de cada um em Cristo.
47Atividades Sugeridas para o Grupo Missionário
• Desenvolver programas formativos para os próprios
membros do grupo, através do estudo e da reflexão sobre
a Palavra de Deus, reuniões de grupo, conferências, etc.
• Familiarizar-se com os documentos da Igreja sobre a
missão evangelizadora, etc.
• Rezar pela missão evangelizadora da Congregação e pro-
mover encontros de oração, através do núcleo missioná-
rio de oração da região.
• Fazer reuniões quinzenais para avaliar e planejar ativi-
dades.
• Recolher e conservar algum recurso material para a ani-
mação missionária, e documentar as atividades do grupo.
• Favorecer vocações para a missão ad gentes.
• Organizar encontros missionários anuais.
• Difundir Cagliero 11 de diversos modos.
• Organizar palestras, seminários, orações, serviços, gin-
canas para comunidades ou grupos, e oferecer informa-
ções, reflexões, etc., a respeito de temas missionários
nos quadros murais.
• Celebrar o Dia Missionário Salesiano todo dia 11 de no-
vembro.
• Proporcionar oportunidade para que alguns missionários
falem das suas experiências missionárias à comunidade
ou grupo.
• Projetar para as comunidades ou grupos o DVD prepara-
do pela organização Missioni Don Bosco Torino.
• Organizar programas de exposição missionária, visitas de
campo, etc., para oferecer experiências missionárias du-
rante as férias.
• Trabalhar em rede com outros grupos missionários na
Inspetoria e na região.
• Favorecer uma cultura de doação às atividades missioná-
rias, procurando recolher fundos, mesmo que seja de mo-
do limitado.
4849
A Estrutura do Grupo
Grupos missionários podem ser organizados nos nossos
ambientes: casas de formação, paróquias, escolas, centros
juvenis.
O grupo missionário terá um núcleo central formado
por um presidente, um vice-presidente, um tesoureiro e um
secretário. O núcleo central será responsável pelo funcio-
namento geral do grupo.
O grupo desenvolverá atividades de acordo com o re-
presentante do pessoal e com o delegado inspetorial da
animação missionária.
O grupo missionário não deve ser considerado um gru-
po exclusivo de ‘missionários’, mas de ‘animadores mis-
sionários’ que trabalham para infundir o espírito missio-
nário nos irmãos e nos jovens. São como o fermento que
dá vida à cultura missionária, o sal que dá sabor missio-
nário e a luz que permite a cada um contemplar as opor-
tunidades da missão. Os membros podem ser introduzi-
dos no grupo com uma oração de iniciação ou com ini-
ciativas do gênero. O Aspirantado Missionário
Václav Klement, SDB
Depois da primeira guerra mundial, a Igreja Universal
viveu um período de relançamento missionário, assinalado
por grandes Congressos e Exposições Missionárias, um flo-
rescimento dos grupos juvenis missionários e da imprensa
missionária em todos os níveis. A animação missionária
contribuiu para o envio de milhares de missionários euro-
peus para todos os outros continentes. Também a jovem
Congregação Salesiana recebeu responsabilidades nos vá-
rios territórios missionários (Prefeituras, Vicariatos ou Pre-
lazias missionárias) na América, África, Ásia e Oceania.
O terceiro sucessor de Dom Bosco, o bem-aventurado
Filipe Rinaldi, em sintonia com a Igreja, fundou a revista
Gioventù missionaria (Juventude Missionária) para animar
os grupos dos ‘Amigos da Juventude Missionária’. Por fim,
no ano de 1922, em Ivrea, perto de Turim, deu início à pri-
meira instituição explícita para a formação dos futuros
missionários ad gentes. Depois do ensino médio, os jovens
partiam para as missões, onde iniciavam o seu noviciado.
A partir do primeiro Aspirantado Missionário – o Insti-
tuto Cardeal João Cagliero de Ivrea – nasceram outros
aspirantados missionários em Penango, Gaeta, Bagnolo,
Mirabello, Novi Ligure, Cumiana, Turim – Rebaudengo, Col-
le Dom Bosco (Itália), Astudillo (Espanha), Shrigley (Grã-
Bretanha), Coat-an-Doc’h (França) – sem contar outras ca-
sas de formação com um endereçamento especificamente
missionário (Turim Valdocco, os vários ‘seminários missio-
nários’). Grande parte dos 11.000 missionários salesianos
é fruto da típica tradição salesiana: confiar nos jovens –
também no campo da missio ad gentes, ad extra, ad vitam.
Como diversas outras tradições no imediato pós-concílio
Vaticano II, também todos os aspirantados missionários na
Europa foram fechados nos anos 60. Por outro lado, na re-
5051
gião Ásia Sul, durante as celebrações do Centenário de Dom
Bosco na Índia (2006) surgiu a ideia de continuar a original
tradição salesiana dos aspirantados missionários.
Assim foram abertos, com a autorização do Reitor-Mor,
os dois primeiros aspirantados missionários fora da Europa.
O primeiro foi em Sirajuli (Instituto Hubert D’Rosario, Gau-
hati, 2011) e o segundo em Perambur (Aspirantado Missio-
nário Dom Bosco, Chennai, 2012). Atualmente há na Índia
cerca de 70 jovens aspirantes, 18 pré-noviços, 6 noviços no
caminho da formação missionária específica. O projeto está
aberto a todas as 12 inspetorias da região. A intenção é
que, depois do pós-noviciado, os jovens missionários sejam
enviados para outras partes da região ou para a missio ad
gentes nos outros continentes. A motivação principal do
projeto é que ‘depois de ter recebido 400 missionários sale-
sianos, agora temos vocações e uma fé robusta. Para a Ín-
dia, chegou o tempo de enviar missionários para todo o
mundo e para a Europa, como sinal de gratidão.’
A abertura dos aspirantados missionários foi apoiada
também em outras inspetorias ricas de vocações apostóli-
cas. A especificidade da formação missionária está expres-
sa especialmente no ambiente permeado pelo entusiasmo
missionário: conteúdos das conferências, boas noites e lei-
turas missionárias, contato com os missionários ad gentes,
experiência missionária no oratório local ou experiência do
primeiro anúncio de Jesus Cristo na zona rural. A urgente necessidade de animação missionária
Alfred Maravilla, SDB
Não é raro ouvir afirmações como ‘já estamos nas mis-
sões, então qual é a necessidade da animação missioná-
ria’? Ou: ‘também temos necessidade de pessoal na nossa
Inspetoria; então para que encorajar os nossos Salesianos
para serem missionários no exterior’? Estas declarações pa-
recem uma indicação de que a animação missionária fre-
quentemente é equivocada como se se tratasse de uma
pesca de missionários. Não deve causar estranheza se às
vezes os irmãos se perguntam qual seja o sentido da ani-
mação missionária, quando existe uma falta de pessoal na
própria Inspetoria!
Retrocedendo o olhar a Don Bosco
O que é a animação missionária? Poderia ser útil re-
tornar a Dom Bosco, a fim de iluminar o que entendemos
por animação missionária salesiana. De 1841 a 1850,
Dom Bosco fundou suas primeiras obras para os jovens.
De 1850 a 1860, num momento de grande perigo para a
fé do povo, empreendeu a corajosa iniciativa de fundar a
Sociedade Salesiana, em 1859, e de iniciar uma tipo-
grafia, bem como a publicação das Leituras Católicas. Nos
quinze anos seguintes fundou os outros ramos da sua fa-
mília: a Associação de Maria Auxiliadora, em 1869; as Fi-
lhas de Maria Auxiliadora, em 1872; e os Salesianos Coo-
peradores, em 1876. Finalmente, abriu uma página com-
pletamente nova na vida da sua jovem Congregação, en-
viando os seus primeiros missionários, em 1875, logo de-
pois da aprovação das Constituições Salesianas (1874).
Um olhar mais acurado ao impulso missionário de Dom
Bosco revela que é apenas o fruto derradeiro e a mais
52viva manifestação do seu zelo missionário para fazer co-
nhecer a Jesus. Esta paixão apostólica é o dinamismo
que está na base de todas as suas iniciativas. Com efeito,
se examinarmos com atenção o seu ministério em favor
dos jovens, é fácil perceber que este foi profundamente
permeado pela sua paixão para pregar o Evangelho: em
1854, durante a epidemia do cólera, Dom Bosco desafiou
seus melhores meninos a olharem para além dos limites
seguros do Oratório e ir em auxílio daqueles atingidos
pela cólera. O sonho-visão de Domingos Sávio sobre o
Papa Pio IX levando a luz da fé à Inglaterra reflete o es-
pírito missionário que reinava no Oratório. «O Oratório de
Dom Bosco», sublinhou o P. Viganò, «foi concebido com
uma perspectiva missionária para os jovens sem paró-
quia» 29 .
Este zelo missionário – sintetizado no Da mihi animas
– era o dinamismo transversal que animava todas as suas
iniciativas. O P. Miguel Rua escreveu que «Dom Bosco,
com o zelo ardente que o devorava, gritou: Da mihi
animas! Foi esta necessidade de salvar almas que fez pa-
recer estreito o velho mundo e o impulsionou a mandar
os seus filhos para as missões longínquas da América» 30 .
Em 1925, quinquagésimo aniversário da primeira expe-
dição missionária, o P. Filipe Rinaldi utilizou estas pala-
vras para descrever o zelo missionário de Dom Bosco: «No
seu grande coração estavam acumulados há tempos os ar-
dores apostólicos de Francisco Xavier, alimentados por
uma chama suprema que lhe ia aclarando o futuro através
dos sonhos... era um verdadeiro missionário, um apóstolo
devorado pela paixão das almas» 31 . De fato, Dom Bosco
comunicou aos seus primeiros Salesianos e aos seus me-
ninos este ardente desejo de compartilhar sua fé com os
meninos pobres e abandonados de Valdocco, com os turi-
nenses e com os que vivem além dos confins da Itália.
Verdadeiramente o seu exemplo indica que o empenho
29 E. VIGANÓ, «O Apelo
do Papa em favor das
Missões», p. 34.
30 Bollettino Salesiano
(janeiro de 1897), 4.
31 P. RINALDI, ACS 30
(1925) p. 367.
53missionário pela missão ad gentes «era a ânsia perma-
nente da Congregação, de modo a fazer parte de sua na-
tureza e de seu escopo» 32 .
A Dupla Finalidade da Animação Missionária Salesiana
À luz da experiência de Dom Bosco, podemos agora de-
duzir a nossa finalidade para a animação missionária. A
animação missionária salesiana tem uma dupla finalida-
de, interdependente e mutuamente complementar. Visa
sobretudo manter viva em cada salesiano a paixão de
fazer conhecer a Jesus e pregar o Evangelho. Este zelo
missionário leva a uma descoberta da «alegria de ser cris-
tãos, ser sustentados pela felicidade interior de conhecer
Cristo e de pertencer à sua Igreja» 33 . Portanto, uma ani-
mação missionária eficaz renova «a paixão pela salvação
dos outros, a partir da alegria de compartilhar a experiên-
cia de plenitude de Vida de Jesus» 34 de cada um dos Sale-
sianos; por consequência, faz cada membro da comunida-
de local e da Inspetoria experimentar a «felicidade inte-
rior» 35 . Desta alegria interior jorra a energia «para servir a
Cristo nas situações oprimentes de sofrimento humano, a
fim de colocar-se à sua disposição, sem voltar-se sobre o
próprio bem-estar» 36 e viver radicalmente a nossa vida sa-
lesiana. Por sua vez, ela supera «o cansaço da fé» ou «o
cansaço de ser cristãos» 37 que provoca cansaço interior,
mesquinhez e perda do dinamismo apostólico: em última
análise, leva a «uma preguiça paralisante» 38 , expressa na
falta de alegria e na tristeza interior ao viver a vida como
cristãos e consagrados. Salesianos entusiastas atraem jo-
vens à vida salesiana. Uma animação missionária eficaz,
portanto, está intimamente ligada à promoção vocacio-
nal.
Este zelo missionário, que deveria estar presente em
cada salesiano, não exclui, antes na realidade implica
32 Atos do Capítulo
Geral 19, 178; Atos
do Capítulo Geral XX,
471.
33 BENTO XVI, «Ho-
milia, Parque Expo
Bicentenário, León,
México» (25 de
março de 2012).
34 P. CHÁVEZ, «Discurso
de encerramento do
CG26», Atos do Capí-
tulo Geral 26, 137.
35 BENTO XVI, «Dis-
curso de Natal à
Cúria Romana » (22
de dezembro de
2011).
36 Ibid.
37 Ibid.
38 FRANCISCO, Evangelii
Gaudium 81, 83.
54que haja Salesianos que têm uma vocação específica
de estarem empenhados no apostolado missionário fo-
ra da própria pátria, do ambiente cultural e do grupo lin-
guístico (ad exteros); entre aqueles que ainda não ouvi-
ram o Evangelho, ou onde a Igreja ainda não está plena-
mente estabelecida (ad gentes); e em contextos nos quais
existe um abandono da fé ou onde ela é vivida como algo
puramente cultural (nova evangelização) 39 , mediante um
empenho por toda a vida (ad vitam) 40 . Portanto, o segun-
do objetivo da animação missionária que nasce do seu ob-
jetivo primário é o de ajudar os Salesianos a discernir se
têm a vocação missionária ad exteros, ad gentes, ad vitam.
Os que se sentem chamados a ser missionários são auxi-
liados a começar o processo inicial de discernimento, pro-
curando a ajuda de um guia espiritual para descobrir o
chamado de Deus, purificar e aprofundar suas motivações,
discernir suas qualidades e atitudes buscando determinar
sua idoneidade fundamental para a vida missionária sale-
siana.
Nossa vocação salesiana nos coloca no coração da Igre-
ja 41 que «é missionária por sua própria natureza» porque
«é enviada a todos os povos» 42 . Da mesma forma que no
interior da vocação salesiana alguns são chamados a ser
sacerdotes, e outros a serem coadjutores, a vocação mis-
sionária salesiana é também um chamado no interior da
nossa vocação salesiana comum 43 . Sob esta luz, não se tra-
ta de uma questão de ‘haver a necessidade de irmãos aqui,’
nem de ‘fugir’ das exigências da Inspetoria. Não, não! Tra-
ta-se, ao invés, de ajudar a um irmão a responder à sua
vocação para ser um missionário salesiano!
A Animação Missionária nas Comunidades Salesianas
A animação missionária salesiana de toda a Inspetoria
está sob os cuidados do Delegado Inspetorial para a Ani-
39 FABC Office of
Evangelisation, «Con-
sultation on Asian
Local Church and
Mission ad Gentes»,
editado por Franz
Josef Eilers, For All
the Peoples of Asia,
III, n. 5, (Claretian
Publications: Quezon
City, 2002) 222; RM
33; BENTO XVI, Motu
Proprio Ubicumque et
Semper (2010).
40 Ad Gentes 6, 27;
RM 32, 79; Atos do
Capítulo Geral 20,
465.
41 Const. 6.
42 Ad Gentes 2; RM 1,
62.
43 E. VIGANÓ, «O Apelo
do Papa em favor das
Missões», p. 11.
55mação Missionária (DIAM) que trabalha em estreita cola-
boração com os Delegados Inspetoriais para a Pastoral Ju-
venil, a Comunicação Social e a Formação. Nas nossas co-
munidades locais, a animação missionária poderia assumir
diversas formas. Seguem-se quatro propostas simples:
• A celebração anual do Dia Missionário Salesiano, con-
forme uma data escolhida de comum acordo por toda a
Inspetoria, procura promover a sensibilização para as
diversas situações missionárias e superar toda tentação
de apagar-se a si mesmos no próprio contexto. Todos
os anos o Dicastério para as Missões prepara um pôster,
subsídios impressos, um DVD com breves filmes a res-
peito do tema, que estão disponíveis também no You-
tube. Estes chamam a atenção para a universalidade e a
vitalidade do carisma salesiano, manifestado nas ex-
pressões do zelo missionário dos salesianos em contex-
tos diversos.
• A intenção missionária mensal e a oração pelos mis-
sionários no dia 11 de cada mês sublinham a impor-
tância da dimensão espiritual da missão e a possibili-
dade de todos os irmãos sustentarem a atividade mis-
sionária da Congregação, mediante sua oração e sacrifí-
cios.
• A publicação mensal de Cagliero 11, distribuída para
as comunidades através do DIAM, oferece os recursos
não apenas para a leitura espiritual da comunidade,
mas também para o ‘Bom Dia’ para os alunos.
• A formação de um grupo missionário em todos os am-
bientes locais favorece a renovação da consciência mis-
sionária dos jovens e de toda a comunidade educativo-
pastoral (CEP), revitaliza o entusiasmo pela fé e o fas-
cínio pelo carisma salesiano. Um grupo missionário po-
deria também promover o voluntariado entre os jovens
e todos os membros da CEP. Por sua vez, estes suscitam
o ardor que faz nascer novas vocações.
5644 FRANCISCO, Evangelii
Gaudium 86, 30.
45 Idem, 21.
46 Idem, 26.
47 Idem, 27.
48 Idem, 10, 13, 83.
57
O Sentido da Animação Missionária
Então, temos realmente necessidade da animação mis-
sionária hoje? Na verdade, temos necessidade dela! A ani-
mação missionária salesiana nos ajuda a redescobrir «a
alegria de crer» e de «comunicar Jesus Cristo» 44 que «en-
che a vida da comunidade dos discípulos» 45 . Com efeito,
uma efetiva animação missionária proporcionará aquela
faísca que poderia provocar uma «abertura a uma perma-
nente reforma de si mesmo» 46 em cada salesiano e, conse-
quentemente, uma «reforma de estruturas que exige a con-
versão pastoral» 47 de todas as comunidades e Inspetorias;
de outra forma, arriscamo-nos a ceder ao «cansaço da fé»
e escorregar comodamente na presença salesiana ‘de ma-
nutenção,’ sem alegria e sem ardor. Com certeza, Salesia-
nos repletos com «a doce e confortadora alegria de evan-
gelizar» 48 irão atrair jovens para a vida salesiana! Dia Missionária Salesiano 1988-2015
Todos os anos, desde 1988 se vem propondo um tema
missionário a toda a Congregação. Todas as comunidades
salesianas podem conhecer alguma realidade missionária
de um continente específico. É um momento forte da
Animaçáo Missionária nas Comudidades Salesianas, inspe-
toriais ou locais, nos Grupos juvenis, na Família Sale-
siana. Não se trata de um evento isolado. Trata-se, antes,
de uma oportunidade para envolver as comunidades SDB
e as comunidades educativo-pastorais (CEP) da Inspe-
toria, oferecendo uma proposta que pode se tornar um
projeto prático anual.
58TEMA ANUAL
Ano Tema
1988 Guiné Conacri: O sonho continua
1989 Zâmbia: Projeto Lufubu
1990 Timor-Leste - Venilale: Jovens evangelizadores
1991 Paraguai: Meninos de rua
1992 Peru - Vale Sagrado dos Incas: Cristo vive nos caminhos dos Incas
1993 Togo - Kara: Dom Bosco e a África - um sonho que se faz realidade
1994 Camboja - Phnom Penh: Missionários, construtores de paz
1995 Índia - Gujarat: Em diálogo para compartilhar a fé
1996 Rússia - Yakutsk: Luzes de esperança na Sibéria
1997 Madagascar: Jovem, eu te digo: levanta-te
1998 Brasil - Ianomâmis: Vida nova em Cristo
1999 Japão: O difícil anúncio de Cristo no Japão
2000 Angola: Evangelho, semente de reconciliação
2001 Papua Nova Guiné: Caminhando com os jovens em PNG
2002 Missionários entre os jovens refugiados
2003 O trabalho salesiano para a promoção humana na missão de
evangelização
2004 Índia - Arunachal Pradesh: O despertar de um Povo
2005 Mongólia: Uma nova fronteira missionária
2006 Sudão: A missão salesiana no Sudão
2007 Sudão: A missão salesiana no Sudão
2008 HIV/AIDS: Resposta dos salesianos - Educar para a vida
2009 Animação missionária salesiana - Mantém viva a tua chama
missionária
2010 Europa: Os Salesianos de Dom Bosco caminham com os Rom-Sinti
2011 América: Voluntários para proclamar o Evangelho
2012 Ásia: Contar a história de Jesus
2013 África: Caminho de fé dos Jovens
2014 Europa: Os outros somos nós - Atenção salesiana aos migrantes
2015 Coração missionário de Dom Bosco - Vocação missionária salesiana
59Alguns Centros de Especialização
Pontificia Università Gregoriana (Roma)
Facoltà di Missiologia (http://www.unigre.it/
struttura_didattica/missiologia/index.php)
• Área de concentração em Evangelização
• Área de concentração em Teologia das Religiões:
• Religiões e culturas do Mediterrâneo
• Estudos islâmicos
• Religiões e culturas da Ásia
Pontificia Università Urbaniana (Roma)
Facoltà di Missiologia (http://www.urbaniana.
edu/it/missiologia/ord_stud.htm)
• Teologia missionária
• Pastoral e Catequese missionária
• Missão e Religiões
• Curso Anual de Formação Missionária
(plano personalizado)
Pontificia Università ‘Angelicum’ (Roma)
(http://www.pust.it/)
• Centro para o Diálogo Interreligioso
Scalabrini Migration International Institute (Roma)
(http://diplomasimi.org/)
• Diploma em Pastoral para Migrantes
Pontificio Istituto di Studi Arabi e d’Islamistica (Roma)
(http://www.pisai.it/home.aspx)
• Curso de introdução ao Islã
• Mestrado de Estudos Árabes e Islâmicos
(3 anos, 1˚ ano no Egito)
• Doutorado
60Ateneo de Manila (Filipinas)
• Programa de Estudos Chineses (http://www.admu.
edu.ph/ls/soss/chinese-studies/about)
Dar Comboni for Arabic Studies (Egito)
• Diploma em língua árabe e islamística
(http://www.comboniegypt.org/Ita/DAR%20
COMBONI%2017.htm)
Fundación Universitaria San Alfonso (Colômbia)
• Especialização em missiologia (http://fusa.
edu.co/index.php/la-fundacion/rectoria)
Institute for Consecrated Life In Asia (Filipinas)
• Mestrado em Missiologia (http://www.icla.org.
ph/index.php/degree-programs)
Pontificio Istituto Dharmaram Vidya Kshetram (Índia)
• Mestrado em Missiologia (http://www.dvk.in/View
CourseDetails.aspx?CourseId=52&FacultyId=1)
Sacred Heart Theological College (Índia)
• Mestrado em Missiologia
Tangaza University College (Quênia)
• Instituto de Estudos Africanos
(http://www.tangaza.org/)
Universidad Católica Boliviana (Bolívia)
• Instituto Latino-Americano de Missiologia
(http://www.misionologia.org/info_academica.php)
Université Saint-Joseph de Beyrouth (Líbano)
• Centre de Recherches et d’Études Arabes -
Islamística e língua árabe
611. Il Missionario (1980)
2. Salesian Africa (1986)
3. Pastoral Amazónica. Semana de Estudos Missionários - Campo Grande (1986)
4. Evangelization in India. Study sessions for the Salesian Family on Evangelization in
Tribal Areas of India - Shillong (1987)
5. Africa Salesiana. Visita d’Insieme - Lusaka (1988)
6. Spiritualità Missionaria Salesiana I. La Concezione Missionaria di Don Bosco
(1988)
7. Spiritualità Missionaria Salesiana II. L’Educazione Cristiana e Missionaria di Don
Bosco (1988)
8. Salesian Missionary Spirituality III. Prayer and the Salesian Missionary (1988)
9. Espiritualidad Misionera Salesiana IV. The Ideal of Mission (1988)
10. Spiritualité Missionnaire Salésienne V. The Missionary Project of the Salesians of
Don Bosco (1988)
11. Pastorale Salesiana in Contesto Islamico (1989)
12. Animazione Missionaria Salesiana II. Secondo Incontro di Studi per DIAM - Madrid
(1989)
13. Pastoral Mapuche. Encuentro DIAM Salesiano - Junin de los Andes (1989)
14. The Far East. Cultures, Religions, and Evangelization - Hua Hin (1989)
15. Lettura Missionaria di “Educare i Giovani alla Fede” CG XXIII. Incontro di Procu-
ratori e DIAM dell’ Europa - Roma (1991)
16. Animación Misionera Salesiana. Primer Encuentro de DIAM de America Latina -
Lima (1991)
17. Missionary Animation. First Meeting of the PDMA for Asia and Australia - Banga-
lore (1992)
18. Spiritualité Missionnaire Salésienne, Les Jeunes Africains en Quête de Leur Identité.
Séminaire d’Animation - Yaounde (1992)
19. Evangelización y Cultura en el Contexto de Pastoral Amazonica. Seminario de Ani-
mación - Cumbayá (1993)
20. Evangelización y Cultura en el Contexto de Pastoral Andina. Seminario de Anima-
ción - Cumbayá (1994)
21. Evangelización y Cultura en el Contexto de Pastoral Mapuche. Seminario de Ani-
mación - Ruca Choroi (1993)
22. Evangelization and Interreligious Dialogue. Missionary Animation Seminar - Bat-
ulao (1994)
23. Evangelization and Interreligious Dialogue. Missionary Animation Seminar - Hyder-
abad (1994)
63
Pubblicazioni del Dicastero per le Missioni
(per titolo e anno di pubblicazione)24. Evangelización y Cultura en el Contexto de Pastoral Mesoamericana. Seminario de
Animación - Mexico (1994)
25. The Volunteer Movement and Salesian Mission (1995) - ENG, ESP, ITA, FRA, POR
26. Educare alla Dimensione Missionaria (1995)
27. Presenze dei Salesiani in Africa (directory published annually from 1986 to1996)
28. Church - Communion and Mutual Missionary Relationship. Missionary Animation
Seminar - Addis Ababa (1997)
29. Incontro Europeo DIAM - Roma (1997)
30. National Missionary Animation Meeting for PDMA - Mumbai (1997)
31. Manual of the Provincial Delegate for Missionary Animation (1998)
32. Uniqueness of Salvation in Jesus Christ and Need of Primary Evangelization. Anima-
tion and Missionary Formation Seminar SDB-FMA East Asia Oceania - Hua Hin
(1998)
33. Missionary Praxis and Primary Evangelization. Animation and Missionary Forma-
tion Seminar SDB-FMA - Calcutta (1999)
34. Seminário de Pastoral em Contexto Afro-Americano. Seminario de Animação e For-
mação Missionária - Belo Horizonte (1999)
35. G. Ballin, I Fioretti d’un Missionario. Paraguay Cuore d’America (1999)
36. Le Projet-Afrique face au Defi de la Première Evangelisation et de la Phase de Con-
solidation. Seminaire d’Animation et de Formation Missionnaire - Yaounde-Mbeal-
mayo (1999)
37. La Primera Evangelización en Diálogo Intercultural. Experiencias y Formación de
Catecquistas. Seminario de Animación y Formación Misionera en el Contexto Pa-
storal Andino y Mesoamericana - Cumbayá (2000)
38. Seminário Sobre a Práxis Missionaria na Região Amazônica. Seminario de Ani-
mação e Formação Missionária - Manaus (2000)
39. Missionari nel Paese del Sol Levante Discepoli di Don Cimatti. Figure che Parlano
ancora (2000)
40. P. Baldisserotto, Rio de Agua Viva. Cartas de Pe. Antonio Scolaro Para a Missão e
Testemunho (2000)
41. Sprazzi di Vita. Figure che Parlano Ancora (2000)
42. Project Africa Between the Challenges of First Evangelization and the Phase of Con-
solidation. Animation and Missionary Formation Seminar SDB-FMA - Nairobi
(2001)
43. Seminario di Animazione e Formazione Missionaria. SDB-FMA in Contesto Islamico
- Roma (2001)
44. Presenza Salesiana SDB-FMA in Contesto Ortodosso. Seminario di Animazione e
Formazione Missionaria - Roma (2002)
45. Salesian Family Missionary Seminar. Mission Animation Notes 1 - Port Moresby
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51. Project Africa [1980-2005] (2006)
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53. Voluntary Service in the Salesian Mission (2008) - ENG, ESP, ITA, FRA, POR
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SDB-FMA - Cumbayá (2012)
55. Planning and Development Office at the Service of the Salesian Charism in the
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62. Formação Missionária dos Salesianos de Dom Bosco - Roma (2014) - ENG, ESP,
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65Tip.: Istituto Salesiano Pio XI - Via Umbertide, 11 - 00181 Roma
Tel. 06.78.27.819 - Fax 06.78.48.333 - E-mail: tipolito@donbosco.it
Gennaio 2014