Graças aos recursos mobilizados, os Salesianos realizaram estudos hidrogeológicos e geofísicos especializados que possibilitaram a identificação de um aquífero viável e sustentável. Após a obtenção das autorizações necessárias, foi realizada a perfuração de um poço profundo. Em seguida, se instalou uma bomba submersa elétrica, um reservatório com capacidade de 5 mil litros e pontos de distribuição que asseguram o acesso da população à água.
Com o novo sistema de abastecimento, mais de 10 mil pessoas passaram a ter acesso contínuo a água limpa, reduzindo significativamente o tempo dedicado à sua coleta — sobretudo por mulheres e crianças. Como consequência, observam-se melhorias nas condições de higiene, aumento da frequência escolar, diminuição de doenças de origem hídrica na comunidade.
A população local depende majoritariamente da agricultura de subsistência e da criação de pequenos animais. Antes da implementação do projeto, os moradores precisavam recorrer a fontes de água distantes, sazonais e frequentemente inseguras, como poços rasos e cursos d’água temporários, o que expunha as famílias a riscos sanitários e implicava longas caminhadas diárias para a coleta de água.
Mariana Mtawa, moradora da região, relatou: “Antes da perfuração do poço, eu e meus filhos acordávamos muito cedo para buscar água. Às vezes caminhávamos por mais de duas horas, e a água que encontrávamos nem sempre era limpa. Durante a estação da seca, a situação era ainda mais difícil, e meus filhos faltavam à escola porque estavam cansados ou doentes. Quando começaram as perfurações, ficamos apreensivos, pois ouvimos que as rochas eram muito duras e a primeira máquina havia quebrado. Rezamos para que o trabalho não fosse interrompido. Quando a água finalmente chegou, todo o vilarejo exultou: e agora temos água todos os dias perto da Paróquia. Meus filhos estão mais saudáveis, frequentam a escola com regularidade e eu posso dedicar mais tempo ao trabalho em minha lavoura. Embora o reservatório ainda seja pequeno, somos muito gratos e esperamos que em breve seja ampliado. Essa água transformou nossas vidas”.
Na Tanzânia, cerca de 67,9% da população vive abaixo da linha da pobreza. Embora o país tenha registrado crescimento econômico em setores como turismo, mineração, comércio e comunicações, o número de pessoas em situação de vulnerabilidade aumentou ligeiramente, impulsionado pelo rápido crescimento populacional. Em algumas regiões, até metade da população enfrenta dificuldades para custear necessidades básicas, como alimentação e moradia, além de itens essenciais como vestuário, assistência à saúde, formação, instrução.
