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Constituições da Sociedade de São Francisco de Sales 2015

Constituições da Sociedade de São Francisco de Sales 2015

Costituzioni-it


CONSTITUIÇÕES

da Sociedade de S. Francisco de Sales

Edição extracomercial

Província Portuguesa da Sociedade Salesiana

R. Saraiva de Carvalho, 275

1399-020 LISBOA

Tel.: 210 900 600

Fax: 210 900 639

CONSTITUIÇÕES -ÍNDICE

APRESENTAÇÃO:
Primeira parte:  AS SALESIANOS DE DOM BOSCO NA IGREJA (1-25)
I A Sociedade de São Francisco de Sales 1   2   3   4   5   6   7   8   9  
II  O espírito salesiano 10  11  12  13  14  15  16  17  18  19  20  21 
III  A profissão salesiana

22  23  24  25 
Segunda parte: ENVIADOS AOS JOVENS - EM COMUNIDADES - NO SEGUIMENTO DE CRISTO (26-95)

IV  Enviados aos jovens
Os destinatários 26  27  28  29  30 
O nosso serviço educativo pastoral 31  32  33  34  35  36  37  38  39 
Critérios de ação salesiana 40  41  42  43 
Os co-responsaveis da missão 44  45  46  47  48 
Em comunidades fraternas e apostólicas 49  50  51  52  53  54  55  56  57  58  59 
VI  No seguimento de Cristo obediente pobre casto 60  61  62  63 
A nossa obediência 64  65  66  67  68  69  70  71 
A nossa pobreza 72  73  74  75  76  77  78  79 
A nossa castidade 80  81  82  83  84 
VII  Em diálogo com o Sinhor

85  86  87  88  89  90  91  92  93  94  95 
Terceira parte: FORMADO PARA A MISSÃO DE EDUCADORES PASTORES (96-119)
VIII  Aspectos gerais da nossa formação
A formação salesiana 96   97   98   99   100   101  
A formação inicial 102   103   104   105  106  107  108 
IX  O processo formativo

109  110  111  112  113  114  115  116  117  118  119 
Quarta parte : O SERVIÇO DA AUTORIDADE EM NOSSA SOCIEDADE (120-190)
Princípios e critérios gerais 120  121  122  123  124 
XI  Servico da autoridade na comunidade mondial 125  126  127  128  129  130  131  132  133  134  135  136  137  138  139  140  141  142  143  144  145  146  147  148  149  150  151  152  153  154  155 
XII  Servico da autoridade na comunidade inspetorial 156  157  158  159  160  161  162  163  164  165  166  167  168  169  170  153  154  173  174 
XIII  Servico da autoridade na comunidade local 175  176  177  178  179  180  181  182  183  184  185  186 
XIV  Administração dos bens temporais

187  188  189  190 
CONCLUSÃO 191   192   193   194   195   196  
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APRESENTAÇÃO

Aqui tendes, caríssimos irmãos, a nossa Regra de vida, renovada e aprovada.

É-vos oferecida num manual que deve acompanhar cada salesiano como se fosse o seu bilhete de identidade.

Contém as Constituições da Sociedade de São Francisco de Sales, nosso «código fundamental», repensado e reelaborado segundo as exigências do Vaticano II (cf. «Ecclesiae Sanctae» II, I, 12-14).

Contém também o estatuto atualizado dos Regulamentos Gerais, que formam parte integrante do direito particular da nossa Sociedade.

Contém, por fim, alguns escritos do nosso Pai S. João Bosco, impregnados da sua experiência pessoal.

A amplitude e a seriedade da revisão do texto, realizada por toda a Congregação ao longo de vários anos caraterizados pelo trabalho de três Capítulos Gerais (20.º, 21.º, 22.º), garantem a continuidade das origens, o caráter eclesial da consagração apostólica salesiana e a inata propensão para a universalidade da missão de Dom Bosco no mundo.

No dia 25 de novembro de 1984, solenidade de Cristo Rei, a Sé Apostólica aprovou as presentes Constituições, declarando com autoridade, mais uma vez, «a autenticidade da via evangélica traçada pelo Fundador».

Elas encerram as riquezas espirituais da nossa tradição salesiana; definem o seu projeto apostólico; traçam o caminho da

6 Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales

nossa santificação e convidam-nos a testemunhá-la como o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens.

No dia 8 de dezembro de 1984, solenidade da Imaculada Conceição, data «em que teve início e realização o que temos de melhor», o Reitor-Mor promulgou este precioso texto reelaborado.

Ao mesmo tempo que acolhemos a nossa Regra de vida com a gratidão e a esperança de quem recebe o «testamento vivo de Dom Bosco» das mãos da própria Virgem Auxiliadora, abrimos o nosso espírito ao agradecimento e à oração:

– Nós Vos damos graças, ó Pai,
porque nos chamastes pelo nome, um por um,
de todos os continentes,
para sermos na Igreja
sinais e portadores do vosso amor.
Fizestes brotar também para nós
do próprio coração de Cristo, vosso apóstolo,
aquela caridade pastoral
que carateriza o nosso ardor eclesial
com o dom da predileção pelos jovens.
Nós Vos adoramos com filial gratidão
porque o vosso Paráclito, o Espírito do Senhor,
nos acompanha com a graça da sua consagração
na vivência quotidiana da totalidade do nosso dom
renovando o mistério da Aliança batismal
numa expressão mais plena.
– Concedei, Pai misericordioso,
que saibamos percorrer até à meta, guiados por Maria, este caminho que conduz ao amor.
Na profissão religiosa
fizestes desabrochar em nós uma apaixonante novidade, que é oblação, ação salvífica, liturgia da vida.
Ensinai-nos a contemplar, através do projeto desta Regra,
o coração indiviso do vosso Filho Unigénito;
robustecei a nossa liberdade com a força do vosso Espírito, a fim de que todos nós, os que estamos com Dom Bosco, possamos, com o vosso auxílio, cumprir fielmente
o que, por vossa graça, prometemos com alegria.

Pe. Egídio Viganò

Roma, 8 de dezembro de 1984

Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

APRESENTAÇÃO DA TERCEIRA EDIÇÃO

Caríssimos irmãos,

Passaram-se 31 anos desde a promulgação do texto renovado e aprovado da nossa Regra de vida, fruto de três Capítulos Gerais em resposta ao pedido do Concílio Ecuménico Vaticano II.

Como dizia o Reitor-Mor Pe. Egídio Viganò na apresentação, as Constituições e Regulamentos “descrevem as riquezas espirituais da nossa tradição salesiana, definem o seu projeto apostólico, traçam o caminho da nossa santificação e convidam-nos a testemunhá-la como o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens”.

Este texto conserva toda a sua validade e toda a sua riqueza e, por isso, deve ser conhecido, meditado, rezado e realizado na vida. Contudo, procurando conciliar a Regra de vida com as novas necessidades da Congregação, nos últimos Capítulos Gerais 23, 24, 25, 26 e 27 foram feitas algumas modificações consideradas oportunas, aprovadas posteriormente pela Santa Sé.

Em relação à nossa Regra de vida, renovada em 1984, foram introduzidas nesta terceira edição algumas alterações nas Constituições, artigos 5, 95, 128, 132 (14), 133, 134, 137, 142, 151 (8), nos Regulamentos Gerais, artigos 3, 13, 24, 38, 76, 107, 114, 127, e 128, e, consequentemente, no Índice Analítico nas palavras Centro/os, Diretório/os, Ex-alunos, Família Salesiana, Salesianos Cooperadores, Vigário do Reitor-Mor.

Por isso, julgo conveniente publicar uma terceira edição que inclua as modificações acima indicadas. Espero que saibamos acolher novamente o texto constitucional “como preciosíssimo tesouro”que nos foi confiado por Dom Bosco. Ele repete-nos: “Se me amastes no passado, continuai a amar-me no futuro mediante a observância exata das nossas Constituições”.

Maria Auxiliadora nos torne dóceis à ação transformante do Espírito Santo para podermos modelar a nossa vida na de Dom Bosco, a exemplo dos primeiros Salesianos, especialmente neste ano Bicentenário do seu nascimento.

Pe. Ángel Fernández Artime Reitor-Mor

Roma, 16 de agosto de 2015

Bicentenário do nascimento de Dom Bosco.

SIGLAS E ABREVIATURAS

Sagrada Escritura
Ap      Apocalipse de S. João
At      Atos dos Apóstolos
Col     Epístola de S. Paulo aos Colossenses
1 Cor   Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios
2 Cor   Segunda Epístola de S. Paulo aos Coríntios
Heb    Epístola aos Hebreus
Ef     Epístola de S. Paulo aos Efésios
Ez     Ezequiel
Fil     Epístola de S. Paulo aos Filipenses
Gal     Epístola de S. Paulo aos Gálatas
Gn      Génesis
Jo     Evangelho de S. João
1 Jo    Primeira Epístola de S. João
Is      Isaías
Lc     Evangelho de S. Lucas
Mc      Evangelho de S. Marcos
Mt     Evangelho de S. Mateus
1 Pe     Primeira Epístola de S. Pedro
Pro     Provérbios
Qo      Qoelet = Eclesiastes
Rom     Epístola de S. Paulo aos Romanos
1 Sam Primeiro livro de Samuel
Sab    Sabedoria
Sir      Ben Sira = Eclesiástico
1 Tim   Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo
1 Tes   Primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses
AA      Apostolicam actuositatem, Decreto do Concílio Vaticano II
AG      Ad gentes, Decreto do Concílio Vaticano II
CIC     Codex Iuris Canonici
EN      Evangelii nuntiandi, Exortação apostólica de Paulo VI,1975
ET        Evangelica testificatio, Exortação apostólica de Paulo VI, 1971
GS      Gaudium et spes, Constituição do Concílio Vaticano II
IGLH    Institutio generalis de liturgia horarum
IM     Inter mirifica, Decreto do Concílio Vaticano II
LG      Lumen gentium, Constituição do Concílio Vaticano II
MR      Mutuae relationes, Notas diretivas SCRIS - Sagrada
Congregação para os Bispos, 1978
PC      Perfectae caritatis, Decreto do Concílio Vaticano II
PO      Presbyterorum ordinis, Decreto do Concílio Vaticano II
RD      Redemptionis donum, Exortação apostólica de JoãoPaulo II, 1984
SC      Sacrosanctum Concilium, Constituição do Concílio Vaticano II
Fontes Salesianas
ASC     Arquivo salesiano central
C       Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales
C 1875 Regras ou Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales, Turim 1875 (OE XXVII, 10-99)
DB      Dom Bosco
MB      Memórias Biográficas (19 volumes)
MO     Memórias do Oratório de S. Francisco de Sales
OE      Obras editadas
R       Regulamentos
R 1924 Regulamentos da Sociedade Salesiana - 1924 D. RUA Cartas circulares do Pe. Miguel Rua

PROÉMIO

O livro da Regra é para nós salesianos o testamento vivo de Dom Bosco. Ele diz-nos: «Se me amastes no passado, continuai a amar-me no futuro com a exata observância das nossas Constituições»1.

O Pe. Miguel Rua, primeiro sucessor de Dom Bosco, repete-nos:

– Quando o nosso Pai enviou os seus primeiros filhos para a América, quis que a fotografia

o  representasse no meio deles no ato de entregar ao Pe. João Cagliero, chefe da expedição,

o  livro das Constituições, como se dissesse: «Quisera acompanhar-vos eu próprio, mas aquilo que eu não posso fazer, fá-lo-ão estas Constituições. Guardai-as como tesouro de grande valor!»2.

1 MB XVII, 258.

2 Cf. D. RUA, L 1.12.1909.

Primeira Parte

Os Salesianos de Dom Bosco na Igreja

I.A SOCIEDADE DE S. FRANCISCO DE SALES

«Eu mesmo vou tomar conta das minhas ovelhas e cuidarei delas... suscitarei, para as apascentar, um só pastor... Será ele quem as apascentará e lhes servirá de pastor» (Ez 34, 11-23).

A ação de Deus na fundação e na vida da nossa Sociedade

1. Com sentido de humilde gratidão acreditamos que a Sociedade de S. Francisco de Sales nasceu não de simples projeto humano, mas por iniciativa de Deus1. A fim de contribuir para a salvação da juventude, «a porção mais delicada e preciosa da sociedade humana»2, o Espírito Santo, com a intervenção materna de Maria, suscitou S. João Bosco.

Formou nele um coração de pai e mestre, capaz de uma dedicação total: «Prometi a Deus que até o meu último suspiro seria pelos meus queridos jovens»3.

Para prolongar no tempo esta missão, guiou-o na criação de diversas forças apostólicas, entre as quais ocupa o primeiro lugar a nossa Sociedade.

A Igreja reconheceu nisto a ação de Deus, sobretudo ao aprovar as nossas Constituições e ao canonizar o Fundador.

Desta presença ativa do Espírito colhemos energia para a nossa fidelidade e apoio para a nossa esperança.

1 Cf. MO, 16.

2 MB II, 45.

3 MB XVIII, 258.

Natureza e missão da nossa Sociedade

2.   Nós, Salesianos de Dom Bosco (SDB), formamos uma comunidade de batizados que, dóceis à voz do Espírito, se propõem realizar, numa forma específica de vida religiosa, o projeto apostólico do Fundador: ser na Igreja sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres.

No cumprimento desta missão encontramos o caminho da nossa santificação.

Consagração
apostólica

3.   A nossa vida de discípulos do Senhor é uma graça do Pai que nos consagra1 com o dom do seu Espírito e nos envia como apóstolos dos jovens.

Com a profissão religiosa nós mesmos nos oferecemos a Deus para caminhar no seguimento de Cristo e trabalhar com Ele na construção do Reino. A missão apostólica, a comunidade fraterna e a prática dos conselhos evangélicos são os elementos inseparáveis da nossa consagração, vividos num único movimento de caridade para com Deus e para com os irmãos.

A missão dá a toda a nossa existência a sua tonalidade concreta, especifica o papel que temos na Igreja e determina o lugar que ocupamos entre as famílias religiosas.

1 Cf. LG 44.

Forma da nossa Sociedade

4. A nossa Sociedade é composta de clérigos e leigos que vivem a mesma vocação em fraterna complementaridade. Somos reconhecidos na Igreja como instituto religioso clerical, de direito pontifício, dedicado às obras de apostolado1.

Inspirando-se na bondade e no zelo de S. Francisco de Sales, Dom Bosco deu-nos o nome de Salesianos2 e indicou-nos um programa de vida nesta máxima: «Da mihi animas, cetera tolle»3.

1 Cf. PC 8; CIC c. 675,1.

2 Cf. MB V, 9.

3 Cf. MB XVII, 365.366.280.

A nossa Sociedade na Família Salesiana

5. De Dom Bosco procede um vasto movimento de pessoas que, de vários modos, trabalham para a salvação da juventude.

Ele mesmo, além da Sociedade de S. Francisco de Sales, fundou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e a Associação dos Salesianos Cooperadores que, vivendo no mesmo espírito e em comunhão entre si, continuam a missão por ele iniciada, com vocações específicas diferentes. Juntamente com estes e outros grupos posteriormente surgidos, constituímos a Família Salesiana1.

Nela, por vontade do Fundador, temos particulares responsabilidades: manter a unidade de espírito e estimular o diálogo e a colaboração fraterna para o enriquecimento recíproco e maior fecundidade apostólica.

Os Antigos Alunos fazem dela parte pela educação recebida. E a sua pertença torna-se mais estreita quando se comprometem a participar na missão salesiana no mundo.

1 Cf. ASC Progetto CG1, ms DB; MB XVII, 25.

A nossa Sociedade na Igreja

6. A vocação salesiana situa-nos no coração da Igreja e põe-nos inteiramente ao serviço da sua missão.

Fiéis às obrigações que Dom Bosco nos transmitiu, nós somos evangelizadores dos jovens, especialmente dos mais pobres; temos uma solicitude especial pelas vocações apostólicas; somos educadores da fé nos meios populares, sobretudo através da comunicação social; anunciamos o Evangelho aos povos que o não conhecem.

Contribuímos desta maneira para edificar a Igreja como Corpo de Cristo a fim de que, também por nosso intermédio, ela se manifeste ao mundo como «sacramento universal da salvação».1

1 LG 48; GS 45.

A nossa Sociedade no mundo contemporãneo

7. A nossa vocação pede-nos que sejamos intimamente solidários com o mundo e com a sua história1. Abertos às culturas dos países onde trabalhamos, procuramos compreendê-las e acolhemos os seus valores, para nelas incarnar a mensagem evangélica.

As necessidades dos jovens e dos ambientes populares, a vontade de agir com a Igreja e em seu nome movem e orientam a nossa ação pastoral para o advento de um mundo mais justo e mais fraterno em Cristo.

1 Cf. GS 1.

Presença de Maria na nossa Sociedade

8. A Virgem Maria indicou a Dom Bosco o seu campo de ação entre os jovens e constantemente o guiou e amparou1, sobretudo na fundação da nossa Sociedade.

Acreditamos que Maria está presente no meio de nós e continua a sua «missão de Mãe da Igreja e Auxílio dos Cristãos»2.

Confiamo-nos a Ela, humilde serva em quem o Senhor fez grandes coisas3, para nos tornarmos entre os jovens testemunhas do amor inesgotável de seu Filho.

1 MB VII, 334; XVII, 258; XVIII, 439.

2 DB, Meraviglie della Madre di Dio, Torino 1868, p. 45 (OE XX, 237).

3 Cf. Lc 1, 48-49.

Patronos e protetores da nossa Sociedade

9. Como membros da Igreja peregrina, sentimo-nos em comunhão com os irmãos do reino celeste e necessitados do seu apoio1.

Dom Bosco confiou de um modo especial a nossa Sociedade à Virgem Maria, por ele constituída Padroeira principal2, a S. José e a S. Francisco de Sales, pastor zeloso e doutor da caridade.

Veneramos também como protetores particulares S. Domingos Sávio, sinal das maravilhas da graça nos adolescentes, e os outros membros glorificados da nossa Família.

1 Cf. LG 49.

2 Cf. C 1875, V, 6.

 

II. O ESPÍRITO SALESIANO

«O que aprendestes, recebestes, ouvistes de mim e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco» (Fil 4, 9).

Caridade pastoral no centro do nosso espírito

 

 

10. Dom Bosco viveu e transmitiu-nos, sob a inspiração de Deus, um estilo original de vida e de ação: o espírito salesiano.

Centro e síntese deste espírito é a caridade pastoral, caraterizada por aquele dinamismo juvenil que se revelava tão forte no nosso Fundador e nas origens da nossa Sociedade: é um impulso apostólico que nos leva a procurar almas e a servir somente a Deus.

Cristo, fonte do nosso espírito

11. O espírito salesiano encontra o seu mode- lo e a sua fonte no próprio coração de Cristo, apóstolo do Pai1.

Na leitura do Evangelho somos mais sensíveis a certos traços da figura do Senhor: a gratidão ao Pai pelo dom da vocação divina a todos os homens; a predileção pelos pequenos e pelos pobres; a solicitude em pregar, curar, salvar sob a urgência do Reino que vem; a atitude do Bom Pastor que conquista com a mansidão e o dom de si mesmo; o desejo de congregar os discípulos na unidade da comunhão fraterna.

1 Cf. LG 3; AG 3.

União com Deus

12.    Trabalhando pela salvação da juventude, o salesiano faz experiência da paternidade de Deus e reaviva constantemente a dimensão divina da sua atividade: «Sem mim nada podeis fazer»1.

Ciente da exigência de orar sem cessar, cultiva a união com Deus em diálogo simples e cordial com Cristo vivo e com o Pai que sente próximo. Atento à presença do Espírito, e fazendo tudo por amor de Deus, torna-se, como Dom Bosco, contemplativo na ação.

1 Jo 15,5.

Sentido de Igreja

13.  Do nosso amor a Cristo nasce inseparavelmente o amor à sua Igreja, Povo de Deus, centro de unidade e comunhão de todas as forças que trabalham pelo Reino.

Sentimo-nos parte viva dela e cultivamos em nós e nas nossas comunidades uma renovada consciência eclesial. Exprimimo-la na fidelidade filial ao sucessor de Pedro e ao seu magistério, e na vontade de viver em comunhão e colaboração com os bispos, o clero, os religiosos e os leigos.

Educamos os jovens cristãos para um autêntico sentido de Igreja e trabalhamos assiduamente pelo seu crescimento. Dom Bosco repete-nos: «Todo o trabalho é pouco, quando se trata da Igreja e do Papa»1.

1 MB V, 577.

Predileção pelos jovens

14. A nossa vocação é marcada por um dom especial de Deus, a predileção pelos jovens: «Basta que sejais jovens, para que eu vos ame intensamente»1. Este amor, expressão da caridade pastoral, dá sentido a toda a nossa vida.

Pelo bem deles oferecemos generosamente tempo, dotes pessoais e saúde: «Por vós estudo, por vós trabalho, por vós vivo, por vós estou mesmo disposto a dar a vida»2.

1 DB, Il Giovane Provveduto, Torino 1847, p. 7 [OE II, 187].

2 D. RUFFINO, Cronaca dell’Oratorio, ASC 110, quaderno 5, p. 10.

Amabilidade salesiana

15. Enviado aos jovens por Deus que é «todo caridade»1, o salesiano é aberto e cordial, pronto a dar o primeiro passo e a acolher sempre com bondade, respeito e paciência.

O seu afeto é o afeto de um pai, irmão e amigo, capaz de criar correspondência de amizade: é a amabilidade tão recomendada por Dom Bosco.

A sua castidade e o seu equilíbrio abrem-lhe o coração à paternidade espiritual e deixam transparecer nele o amor preveniente de Deus.

1 DB, Esercizio di devozione alla misericordia di Dio, Torino 1847, p. 81 (OE II, 151).

Espírito de família

16. Dom Bosco queria que nos seus ambientes cada qual se sentisse como «em sua casa».

A casa salesiana torna-se uma família quando o afeto é retribuído e todos, salesianos e jovens, se sentem acolhidos e responsáveis pelo bem comum.

Em clima de mútua confiança e perdão quotidiano, sente-se a necessidade e a alegria de partilhar tudo, e as relações são reguladas não tanto pelo recurso às leis, quanto pelo movimento do coração e pela fé1.

Este testemunho suscita nos jovens o desejo de conhecer e seguir a vocação salesiana.

1 Cf. MB XVII, 110.

Otimismo e alegria

17. O salesiano não se deixa desanimar pelas dificuldades, porque tem plena confiança no Pai: «Nada te perturbe»1, dizia Dom Bosco.

Inspirando-se no humanismo de S. Francisco de Sales, acredita nos recursos naturais e sobrenaturais do homem, sem entretanto ignorar a sua fraqueza.

Capta os valores do mundo e recusa lamentar-se do seu tempo; conserva tudo o que é bom2, especialmente se agrada aos jovens.

E, porque anuncia a Boa Nova, vive sempre na alegria3. Difunde esta alegria e sabe educar para a felicidade da vida cristã e para o sentido da festa: «Sirvamos o Senhor em santa alegria»4.

1 MB VII, 524.

2 Cf. 1 Tes 5,21.

3 Cf. Fil 3,1.

4 DB, Il Giovane Provveduto, Torino 1847, p. 6 (OE II, 186).

Trabalho e temperança

18. «O trabalho e a temperança farão florescer a Congregação»1; a busca das comodidades e do conforto será, pelo contrário, a sua morte2.

O salesiano entrega-se à sua missão com incansável ardor, procurando fazer tudo bem, com simplicidade e medida. Sabe que com o seu trabalho participa na ação criadora de Deus e colabora com Cristo na construção do Reino.

A temperança reforça nele a guarda do coração e o domínio de si mesmo, e ajuda-o a manter-se sereno.

Não procura penitências extraordinárias, mas aceita as exigências quotidianas e as renúncias da vida apostólica: está disposto a suportar o calor e o frio, a sede e a fome, as canseiras e o desprezo, sempre que se trate da glória de Deus e da salvação das almas3.

1 MB XII, 466.

2 Cf. MB XVII, 272.

3 Cf. C 1875, XIII, 13.

Criatividade e flexibilidade

19. O salesiano cultiva o sentido da realidade e está atento aos sinais dos tempos, convencido de que o Senhor se manifesta também através das interpelações do momento e dos lugares.

Daqui o seu espírito de iniciativa: «Quando se trata do bem da juventude em perigo, ou de ganhar almas para Deus, eu avanço até à temeridade»1.

A resposta oportuna a estas necessidades leva-o a seguir o movimento da história e a assumi-lo com a criatividade e o equilíbrio do Fundador, avaliando periodicamente a própria ação.

1 MB XIV, 662.

Sistema Preventivo e espírito salesiano

20. Guiado por Maria, que foi sua Mestra, Dom Bosco viveu no encontro com os jovens do primeiro oratório uma experiência espiritual e educativa a que chamou “sistema preventivo”. Era para ele um amor que se dá gratuitamente, e que tem a sua fonte na caridade de Deus que precede todas as criaturas com a sua Providência, as acompanha com a sua presença e as salva dando a vida.

Dom Bosco compraz-se em no-lo transmitir como forma de viver e trabalhar para comunicar o Evangelho e salvar os jovens, com eles e por meio deles. É um estilo que permeia as nossas relações com Deus, as relações interpessoais e a vida de comunidade, no exercício de uma caridade que sabe fazer-se amar.

Dom Bosco nosso modelo

21. O Senhor deu-nos Dom Bosco como pai e mestre.

Estudamo-lo e imitamo-lo, admirando nele uma magnífica harmonia de natureza e graça.

Profundamente homem, rico das virtudes da sua gente, ele estava aberto às realidades terrestres; profundamente homem de Deus, repleto dos dons do Espírito Santo, vivia «como se visse o invisível»1.

Estes dois aspetos fundiram-se num projeto de vida fortemente unitário: o serviço aos jovens. Realizou-o com firmeza e constância, no meio de obstáculos e canseiras, com a sensibilidade de um coração generoso. «Não deu passo, não disse palavra, nada empreendeu que não tivesse em vista a salvação da juventude... Realmente não procurou senão almas»2.

1 Heb 11, 27.

2 D. RUA, L 24.8.1894.

III. A PROFISSÃO DO SALESIANO

«Jesus disse-lhes: Segui-me, e Eu farei de vós pescadores de homens. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram-n’O» (Mc 1, 17-18).

Vocação pessoal do salesiano

22.    Cada um de nós é chamado por Deus a fazer parte da Sociedade Salesiana. Para tanto recebe d’Ele dons pessoais e, respondendo fielmente, encontra o caminho da sua plena realização em Cristo.

A Sociedade reconhece-o na sua vocação e ajuda-o a desenvolvê-la. Ele, como membro responsável, põe a sua pessoa e os seus dons ao serviço da vida e da ação comum.

Cada chamamento manifesta que Deus ama a Congregação, a quer viva para o bem da sua Igreja e não cessa de a enriquecer com novas energias apostólicas.

Significado da nossa profissão

23.    A profissão religiosa é um sinal do encontro de amor entre o Senhor que chama e o discípulo que responde, entregando-se totalmente a Ele e aos irmãos.

É uma das mais elevadas opções para a consciência de um crente, um ato que retoma e reconfirma o mistério da aliança batismal, para lhe dar uma expressão mais íntima e plena.

Obrigando-se publicamente diante da Igreja mediante cujo ministério é consagrado mais intimamente ao serviço de Deus1, o salesiano começa uma vida nova que se realiza num serviço de doação permanente aos jovens2.

Na profissão exprime-se também o compromisso recíproco do professo que entra na Sociedade e desta que o recebe com alegria.

1 Cf. MR 8; LG 44.

2 Cf. LG 44; PC 5; CIC, can. 654.

Fórmula da profissão

24. A fórmula da nossa profissão é a seguinte:

«Deus Pai,
que me consagrastes a Vós
no dia do Batismo,
em resposta ao amor de Jesus vosso Filho,
que me chama a segui-l’O mais de perto,
e guiado pelo Espírito Santo
que é luz e força,
eu, N.N.,
ofereço-me totalmente a Vós
em plena liberdade,
comprometendo-me
a dar-me com todas as minhas forças àqueles a quem me enviardes, especialmente aos jovens mais pobres, a viver na Sociedade Salesiana em comunhão fraterna
de espírito e de ação,
e participar assim na vida e na missão da vossa Igreja.
Por isso,
na presença dos meus irmãos,
perante N.N., Reitor-Mor
da Sociedade de S. Francisco de Sales,
(ou: perante N.N., que faz as vezes
do Reitor-Mor
da Sociedade de S. Francisco de Sales),
faço voto para sempre
de viver obediente, pobre e casto,
segundo a via evangélica
traçada nas Constituições salesianas.
Que a vossa graça, ó Pai,
a intercessão de Maria SS. Auxiliadora,
de S. José, de S. Francisco de Sales,
de S. João Bosco,
e os meus irmãos salesianos
me assistam diariamente
e me ajudem a ser fiel».
Para os professos temporários:
Por isso,
na presença dos meus irmãos,
perante N.N., Reitor-Mor
da Sociedade de S. Francisco de Sales,
(ou: perante N.N., que faz as vezes
do Reitor-Mor
da Sociedade de S. Francisco de Sales),
com a intenção de me oferecer a Vós
por toda a vida,
segundo as disposições da Igreja,
faço voto por ... ano(s)
de viver obediente, pobre e casto,
segundo a via evangélica
traçada nas Constituições salesianas.
Que a vossa graça, ó Pai,
a intercessão de Maria SS. Auxiliadora,
de S. José, de S. Francisco de Sales,
de S. João Bosco,
e os meus irmãos salesianos
me assistam diariamente
e me ajudem a ser fiel».

O superior responde:

Em nome da Igreja

e da Sociedade Salesiana,

recebo-te como irmão que se compromete com votos perpétuos (ou temporários) entre os Salesianos de Dom Bosco.

Profissão, fonte de santificação

25. A ação do Espírito Santo é para o professo fonte permanente de graça e amparo no esforço quotidiano para crescer no amor perfeito de Deus e dos homens1

Os irmãos que viveram ou vivem em plenitude o projeto evangélico das Constituições são para nós estímulo e apoio no caminho da santidade.

O testemunho desta santidade, que se realiza na missão salesiana, revela o valor ímpar das bem-aventuranças, e é o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens.

1 Cf. PC 1.

Segunda Parte

Enviados aos jovens em comunidade no seguimento de Cristo

IV. ENVIADOS AOS JOVENS

OS DESTINATÁRIOS DA NOSSA MISSÃO

«Viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas sem pastor, e pôs-se a ensinar-lhes muitas coisas» (Mc 6, 34).

Jovens a quem somos enviados

 

 

R 1.3.11.15.26

26. O Senhor indicou a Dom Bosco os jovens, especialmente os mais pobres, como primeiros e principais destinatários da sua missão.

Chamados à mesma missão, reconhecemos a sua extrema importância: os jovens vivem uma idade em que fazem opções de vida fundamentais que preparam o futuro da sociedade e da Igreja.

Com Dom Bosco reafirmamos a preferência pela «juventude pobre, abandonada, periclitante»1, que tem maior necessidade de ser amada e evangelizada, e trabalhamos sobretudo nos lugares de maior pobreza.

1 Cf. MB XIV, 662.

Jovens do mundo do trabalho

27. Os jovens dos meios populares que se preparam para o trabalho e os jovens trabalhadores encontram com frequência dificuldades e são facilmente alvo de injustiças. Imitando a solicitude de Dom Bosco, voltamo-nos para eles a fim de que, mediante a nossa ajuda, se tornem idóneos para ocupar com dignidade o seu lugar na sociedade e na Igreja e para tomar consciência do seu papel na transformação cristã da vida social.

R 2       

Jovens chamados a um serviço na Igreja

 

 

R 9.16.17

28.   Respondendo às necessidades do seu povo,

o Senhor chama continuamente e com diversificados dons a segui-l’O para o serviço do Reino.

Estamos convencidos de que muitos jovens são ricos de recursos espirituais e apresentam germes de vocação apostólica.

Ajudamo-los a descobrir, acolher e desenvolver o dom da vocação laical, consagrada e sacerdotal, em benefício de toda a Igreja e da Família Salesiana.

Com igual diligência cultivamos as vocações adultas

Nos meios populares

 

R 14.25.26

29.  O empenhamento prioritário pelos jovens pobres harmoniza-se com a ação pastoral nos ambientes populares.

Reconhecemos os valores evangélicos de que são portadores e a necessidade que têm de ser acompanhados no esforço de promoção humana e de crescimento na fé. E por isso os apoiamos com «todos os meios que a caridade cristã inspira»1.

Dedicamos a nossa atenção aos leigos responsáveis pela evangelização do ambiente e à família, na qual as diferentes gerações se encontram2 e constroem o futuro do homem.

1 C 1875, I, 7.

2 Cf. GS 52.

Povos ainda nãoevangelizados

 

 

R 18-24

30. Os povos ainda não evangelizados foram alvo especial dos cuidados e do arrojo apostólico de Dom Bosco. Eles continuam a solicitar e a manter vivo o nosso zelo; reconhecemos no trabalho missionário uma caraterística essencial da nossa Congregação.

Com a ação missionária realizamos uma obra de paciente evangelização e fundação da Igreja num grupo humano1. E esta obra mobiliza todos os esforços educativos e pastorais próprios do nosso carisma.

A exemplo do Filho de Deus que se fez em tudo semelhante aos seus irmãos, o missionário salesiano assume os valores destes povos e partilha com eles angústias e esperanças2.

1 Cf. AG 6.

2 Cf. AG 3, 12, 26.

O NOSSO SERVIÇO EDUCATIVO-PASTORAL

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19).

Promoção integral

 

R 4.5,22

31. A nossa missão participa da missão da Igreja, que realiza o desígnio salvífico de Deus, o advento do seu Reino, levando aos homens a mensagem do Evangelho intimamente unida ao desenvolvimento da ordem temporal1.

Educamos e evangelizamos segundo um projeto de promoção integral do homem orientado para Cristo, homem perfeito2. Fiéis às intenções do nosso Fundador, temos em vista formar «cidadãos honrados e bons cristãos»3.

1 Cf. EN 31.

2 Cf. GS 41.

3 Piano di Regolamento per l’Oratorio, 1854 (MB II, 46).

Promoção pessoal

 

R 4.6   

32. Como educadores colaboramos com os jovens para desenvolver as suas capacidades e aptidões até à plena maturidade.

Nas diversas circunstâncias partilhamos com eles o pão, promovemos a sua competência profissional e a formação cultural.

Ajudamo-los sempre e em todas as situações a abrir-se à verdade e a construir uma liberdade responsável. E por isso nos empenhamos em suscitar neles a convicção e o gosto pelos valores autênticos que os orientam para o diálogo e para o serviço.

Promoção social e coletiva

 

R 6.26  

33.    Dom Bosco viu claramente o alcance social da sua obra.

Trabalhamos em ambientes populares e para os jovens pobres. Colaborando com eles, educamo-los para as responsabilidades morais, profissionais e sociais, e contribuímos para a promoção do grupo e do ambiente.

Como religiosos, participamos no testemunho e no empenho da Igreja em favor da justiça e da paz. Conservando-nos independentes de toda a ideologia e política de partido, recusamos tudo aquilo que favorece a miséria, a injustiça e a violência, e colaboramos com todos aqueles que constroem uma sociedade mais digna do homem.

A promoção, a que nos dedicamos em espírito evangélico, realiza o amor libertador de Cristo e constitui um sinal da presença do Reino de Deus.

Evangelização e catequese

R 7

34.   «Na sua origem esta Sociedade era uma simples escola de catequese».1 Também para nós a evangelização e a catequese constituem a dimensão fundamental da nossa missão.

Tal como Dom Bosco, somos chamados, todos e em todas as ocasiões, a ser educadores da fé. A nossa ciência mais eminente consiste, pois, em conhecer Jesus Cristo, e a alegria mais profunda está em revelar a todos as riquezas insondáveis do seu mistério2.

Caminhamos com os jovens para os conduzir à pessoa do Senhor ressuscitado, a fim de que, descobrindo n’Ele e no seu Evangelho o sentido supremo da existência, possam crescer como homens novos.

A Virgem Maria é uma presença materna nesta caminhada. Fazemo-la conhecer e amar como Aquela que acreditou3, que ajuda e infunde esperança.

1 MB IX, 61.

2 Cf. Ef 3, 8-19.

3 Cf. Lc 1, 45.

Iniciação à vida eclesial

R 8 

 

35. Encaminhamos os jovens a fazer experiência de vida eclesial mediante a entrada e a participação numa comunidade de fé.

Em vista disso, animamos e promovemos grupos e movimentos de formação e de ação apostólica e social. Neles os jovens adquirem uma consciência cada vez mais viva das suas responsabilidades e aprendem a dar o seu contributo insubstituível para a transformação do mundo e para a vida da Igreja, vindo eles próprios a tornar-se «os primeiros e imediatos apóstolos dos jovens»1.

1 AA 12.

Iniciação à vida litúrgica

 

R 7   

36.   Iniciamos os jovens a participar consciente e ativamente na liturgia da Igreja, cume e fonte de toda a vida cristã1.

Celebramos juntamente com eles o encontro com Cristo na escuta da Palavra, na oração e nos sacramentos.

A Eucaristia e a Reconciliação, celebradas com assiduidade, oferecem recursos de inestimável valor na educação para a liberdade cristã, para a conversão do coração e para o espírito de partilha e de serviço na comunidade eclesial.

1 Cf. SC 10.

Orientação paraas opções vocacionais

 

R 9.16.17

37.  Educamos os jovens em ordem a desenvolver a sua vocação humana e batismal, através de uma vida quotidiana progressivamente inspirada e unificada pelo Evangelho.

O clima de família, de acolhimento e de fé, gerado pelo testemunho de uma comunidade que se dá com alegria, é o ambiente mais propício para a descoberta e a orientação das vocações.

Esta obra de colaboração no desígnio de Deus, coroamento de toda a nossa ação educativo-pastoral, é apoiada pela oração e pelo contacto pessoal, mormente na direção espiritual.

Sistema Preventivo na nossa missão

 

 

R 4.5.13.15

38. Para realizar o nosso serviço educativo e pastoral, Dom Bosco legou-nos o Sistema Preventivo.

«Este sistema baseia-se totalmente na razão, na religião e na amabilidade»1: apela não para a coação, mas sim para os recursos da inteligência, do coração e do desejo de Deus que todo o homem traz no mais íntimo de si mesmo.

Associa numa única experiência de vida educadores e jovens em clima de família, de confiança e de diálogo.

Imitando a paciência de Deus, encontramo-nos com os jovens no ponto em que se situa a sua liberdade. Acompanhamo-los a fim de neles amadurecerem convicções sólidas e de se tornarem progressivamente responsáveis no delicado processo de crescimento da sua humanidade na fé.

1 MB XIII, 919.

Assistência como atitude e como método

39. A prática do Sistema Preventivo requer de nós uma atitude de fundo: a simpatia e a vontade de contacto com os jovens. «Sinto-me bem aqui, no meio de vós. A minha vida é precisamente estar convosco»1.

Estamos como irmãos no meio dos jovens, com uma presença ativa e amiga que favorece todas as suas iniciativas de crescimento no bem e os encoraja a libertarem-se de toda a escravidão, a fim de que o mal não domine a sua fragilidade.

Esta presença abre-nos ao conhecimento vital do mundo juvenil e à solidariedade com todos os aspetos autênticos do seu dinamismo.

1 MB IV, 654.

CRITÉRIOS DE AÇÃO SALESIANA

«Sendo completamente livre, fiz-me servo de todos, para ganhar a todos... Com os fracos, fiz-me fraco, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a todo o custo» (1 Cor 9, 19-22).

Oratório de Dom Bosco, critério permanente

40. Dom Bosco viveu uma peculiar experiência pastoral no seu primeiro oratório, que foi para os jovens casa que acolhe, paróquia que evangeliza, escola que forma para a vida e pátio para se encontrarem como amigos e viverem em alegria.

No desempenho da nossa missão, hoje, a experiência de Valdocco continua a ser critério permanente de discernimento e de renovação de toda a obra e atividade

Critérios inspiradores das nossas atividades e obras

R 1

41. A nossa ação apostólica realiza-se numa pluralidade de formas, determinadas em primeiro lugar pelas exigências daqueles a quem nos dedicamos.

Realizamos a caridade salvífica de Cristo, organizando atividades e obras com fim educativo-pastoral, atentos às necessidades do ambiente e da Igreja. Sensíveis aos sinais dos tempos, com espírito de iniciativa e constante flexibilidade, submetemo-las à avaliação, renovamo-las e criamos outras novas.

A educação e a evangelização de muitos jovens, principalmente entre os mais pobres, impelem-nos a procurá-los no seu ambiente e a encontrar-nos com eles no seu estilo de vida, mediante formas adequadas de serviço.

Atividades e obras

 

 

R 11-30.35 

42. Realizamos a nossa missão principalmente através de atividades e obras em que nos é possível promover a educação humana e cristã dos jovens, tais como o oratório e o centro juvenil, a escola e os centros profissionais, os lares e as casas para jovens em dificuldade.

Nas paróquias e nas residências missionárias damos o nosso contributo para a difusão do Evangelho e para a promoção do povo, colaborando na pastoral da Igreja particular com as riquezas de uma vocação específica.

Oferecemos o nosso serviço pedagógico e catequético na área juvenil por meio de centros especializados.

Nas casas de retiros atendemos à formação cristã de grupos, especialmente juvenis.

Além disso, dedicamo-nos a toda e qualquer obra que tenha em vista a salvação da juventude.

Comunicação social

 

R 31-34.41

43. Trabalhamos no sector da comunicação social. É um campo significativo de ação1 que se inclui entre as prioridades apostólicas da missão salesiana.

O nosso Fundador intuiu o valor desta escola de massas, criadora de cultura e difusora de modelos de vida, levando a cabo iniciativas apostólicas originais para defender e fortalecer a fé do povo.

A seu exemplo, valorizamos como dons de Deus as grandes possibilidades que a comunicação social nos oferece para a educação e a evangelização.

1 Cf. IM 1.

 

OS CORRESPONSÁVEIS DA MISSÃO

«Tanto o que planta como o que rega são iguais e cada um receberá a recompensa conforme o seu trabalho. Efetivamente, nós somos coopera-dores de Deus e vós sois cultura de Deus, sois edifício de Deus» (1 Cor 3, 8-9).

Missão comunitária

44.   O mandato apostólico que a Igreja nos confia é assumido e realizado em primeiro lugar pelas comunidades provinciais e locais, cujos membros desempenham funções complementares, com tarefas igualmente importantes. Eles têm consciência disso: a coesão e a corresponsabilidade fraterna permitem atingir os objetivos pastorais.

O provincial e o diretor, como animadores do diálogo e da participação, orientam o discernimento pastoral da comunidade a fim de que esta possa caminhar, unida e fiel, na realização do projeto apostólico.

Responsabilidades
comuns e complementares

45.   Cada um de nós é responsável pela missão comum e nela participa com a riqueza dos seus dons e das caraterísticas laical e sacerdotal da única vocação salesiana.

O salesiano coadjutor leva a todos os campos educativos e pastorais o valor próprio da sua laicidade, que o torna de forma específica testemunha do Reino de Deus no mundo, próximo dos jovens e das realidades do trabalho.

O salesiano presbítero ou diácono traz ao trabalho comum de promoção e educação para a fé a especificidade do seu ministério, que o torna sinal de Cristo pastor, em especial com a pregação do Evangelho e a ação sacramental.

A presença significativa e complementar de salesianos clérigos e leigos na comunidade constitui um elemento essencial da sua fisionomia e da sua plena realidade apostólica.

Jovens salesianos

46.    O espírito de família e o dinamismo caraterístico da nossa missão tornam particularmente válido o contributo apostólico dos jovens salesianos.

Eles estão mais próximos das novas gerações, são mais capazes de animação e entusiasmo, estão mais disponíveis para soluções novas.

Encorajando e orientando esta generosidade, a comunidade ajuda-os no seu amadurecimento religioso e apostólico.

Comunidade educativa e leigos associados ao nosso trabalho

 

R 4.5.148

47.   Realizamos nas nossas obras a comunidade educativa e pastoral. Esta envolve, em clima de família, jovens e adultos, pais e educadores, até se poder tornar uma experiência de Igreja, reveladora do desígnio de Deus.

Nesta comunidade os leigos, associados ao nosso trabalho, oferecem o contributo original da sua experiência e do seu modelo de vida.

Acolhemos e suscitamos a sua colaboração e oferecemos-lhes a possibilidade de conhecer e aprofundar o espírito salesiano e a prática do Sistema Preventivo.

Favorecemos o crescimento espiritual de cada um e fazemos a proposta, a quem se sinta chamado, de partilhar mais intimamente a nossa missão na Família Salesiana.

Solidários com a Igreja

48. A Igreja particular é o espaço onde a comunidade vive e exprime o seu compromisso apostólico. Inserimo-nos na sua pastoral que tem no bispo o primeiro responsável1 e nas diretrizes das conferências episcopais um princípio de ação de âmbito mais vasto.

A ela oferecemos o contributo da obra e da pedagogia salesiana e dela recebemos orientações e apoio.

Em vista de uma articulação mais orgânica partilhamos iniciativas com os grupos da Família Salesiana e com outros institutos religiosos.

Estamos disponíveis para colaborar com os organismos civis de educação e de promoção social.

1 Cf. CIC, can. 678,1.

V. EM COMUNIDADES FRATERNAS E APOSTÓLICAS

«Que o vosso amor seja sincero... Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca...; socorrei os irmãos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade... Tende os mesmos sentimentos uns para com os outros» (Rom 12, 9.10.13.16).

Valor da vida em comunidade

 

R 20 

49.   Viver e trabalhar juntos é para nós, salesianos, uma exigência fundamental e um caminho seguro para realizar a nossa vocação.

Por isso reunimo-nos em comunidades1, nas quais nos amamos mutuamente até ao ponto de partilhar tudo em espírito de família, e construímos a comunhão das pessoas.

A comunidade reflete o mistério da Santíssima Trindade; nela encontramos uma resposta às aspirações profundas do coração e tornamo-nos para os jovens sinais de amor e de unidade.

1 Cf. CIC, can. 608.

Vínculos da unidade

 

R 42 

50.   Deus chama-nos a viver em comunidade, confiando-nos irmãos para amar.

A caridade fraterna, a missão apostólica e a prática dos conselhos evangélicos são os vínculos que asseguram a nossa unidade e consolidam continuamente a nossa comunhão.

Formamos desta maneira um só coração e uma só alma, para amar e servir a Deus1 e para nos ajudarmos uns aos outros.

1 Cf. C 1875, II,1.

Relações de amizade fraterna

51.   S. Paulo exorta-nos: «Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de sentimentos de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente»1.

A comunidade salesiana carateriza-se pelo espírito de família que anima todos os momentos da sua vida: o trabalho e a oração, as refeições e os tempos de distensão, os encontros e as reuniões.

Em clima de amizade fraterna, comunicamos uns aos outros alegrias e sofrimentos e partilhamos corresponsavelmente experiências e projetos apostólicos.

1 Col 3, 12-13.

O irmão nacomunidade

 

R 43    

52.   A comunidade acolhe o irmão com toda a cordialidade, aceita-o como é e favorece o seu amadurecimento. Oferece-lhe a possibilidade de desenvolver os seus dotes de natureza e graça. Provê a tudo aquilo que lhe é necessário e apoia-o nos momentos de dificuldade, de dúvida, de cansaço e de doença.

Dom Bosco, a quem lhe pedia para ficar com ele, costumava dizer: «Pão, trabalho e paraíso: eis três coisas que te posso oferecer em nome do Senhor»1.

O irmão empenha-se na construção da comunidade em que vive e, apesar de imperfeita, nutre amor por ela: sabe que nela encontra a presença de Cristo.

Aceita a correção fraterna, luta contra tudo aquilo que em si descobre de anticomunitário e participa generosamente na vida e no trabalho comum. Dá graças a Deus por se encontrar entre irmãos que o animam e ajudam.

1 MB XVIII, 420.

Irmãos idosos e doentes

53.   A comunidade rodeia de cuidados e de afeto os irmãos idosos e doentes.

Prestando os serviços de que são capazes e aceitando a sua condição pessoal, eles são fonte de bênção para a comunidade, enriquecem o seu espírito de família e tornam mais profunda a sua unidade.

A sua vida assume um novo significado apostólico: oferecendo com fé as suas limitações e sofrimentos pelos irmãos e pelos jovens, unem-se à paixão redentora do Senhor e continuam a participar na missão salesiana.

Morte do salesiano

R 47  

54.   A comunidade ampara com mais intensa caridade e oração o irmão gravemente doente.

Ao chegar a hora de conferir à sua vida consagrada a realização suprema, os irmãos ajudam-no a participar plenamente na Páscoa de Cristo.

Para o salesiano a morte é iluminada pela esperança de entrar na glória do seu Senhor1. E se um salesiano vier a morrer trabalhando pelas almas, a Congregação terá alcançado um grande triunfo2.

A recordação dos irmãos falecidos une na «caridade que não passa»3 os que ainda são peregrinos aos que já repousam em Cristo.

1 Cf. Mt 25, 21.

2 Cf. MB XVII, 273.

3 1 Cor 13,8.

O diretor nacomunidade

 

 

R 42.48

55. O diretor representa Cristo que une os seus no serviço do Pai. Ocupa o centro da comunidade, irmão entre irmãos, os quais reconhecem a sua responsabilidade e autoridade.

A sua primeira tarefa é animar a comunidade para que viva na fidelidade às Constituições e cresça na unidade. Coordena os esforços de todos, tendo em conta os direitos, deveres e capacidades de cada um.

Tem igualmente responsabilidade direta em relação a cada irmão: ajuda-o a realizar a sua vocação pessoal e apoia-o no trabalho que lhe está confiado.

Estende a sua solicitude aos jovens e aos colaboradores, para que cresçam na corresponsabilidade da missão comum.

Nas palavras, nos contactos frequentes, nas decisões oportunas, é pai, mestre e guia espiritual.

Comunidade acolhedora

 

R 21.45

56.   Os irmãos vivem com simplicidade o dom de si e o sentido da partilha no acolhimento dos outros e na hospitalidade. Com as suas atenções e com a sua alegria sabem fazer com que todos participem do espírito de família salesiano.

No entanto, em ordem a favorecer o respeito mútuo e as expressões da comunhão fraterna, a comunidade reserva para uso exclusivo dos irmãos alguns espaços da casa religiosa1.

1 CIC, can. 667,1.

Comunidade aberta

57.   A comunidade salesiana atua em comunhão com a Igreja particular.

É uma comunidade aberta aos valores do mundo e atenta ao contexto cultural em que se desenrola a sua ação apostólica. Solidária com o grupo humano em que vive, cultiva boas relações com todos.

É deste modo sinal revelador de Cristo e da sua salvação presente entre os homens, e torna-se fermento de novas vocações, a exemplo da primeira comunidade de Valdocco.

Comunidade provincial

58.    As comunidades locais são parte viva da comunidade provincial. Esta promove entre elas a comunhão fraterna e apoia-as na missão.

Acompanha com amor os novos irmãos, preocupa-se com a formação de todos, regozija-se com os seus êxitos e felizes ocorrências, deplora a sua perda, mantém viva a sua recordação.

Atenta às situações juvenis, coordena e procede à avaliação do trabalho apostólico através dos seus organismos, favorece a colaboração, anima a pastoral vocacional, provê à continuidade das obras, abre-se a novas atividades.

Cultiva a fraternidade e exprime-a em gestos concretos de solidariedade para com as outras províncias, a Congregação e a Família Salesiana.

Comunidade mundial

 

R 103

59.    A profissão religiosa incorpora o salesiano na Sociedade, tornando-o participante da comunhão de espírito, de testemunho e de serviço que ela mesma vive dentro da Igreja universal.

A união com o Reitor-Mor e o seu Conselho, a solidariedade nas iniciativas apostólicas, a comunicação e informação sobre o trabalho dos irmãos, incrementando a comunhão, tornam mais profundo o sentido de pertença e dispõem para o serviço da comunidade mundial.

VI. NO SEGUIMENTO DE CRISTO OBEDIENTE, POBRE E CASTO

«Tudo desprezei... a fim de ganhar Cristo..., visto que também eu fui alcançado por Jesus Cristo» (Fil 3, 8-12).

Seguimento de Cristo

60.   Com a profissão religiosa queremos viver a graça batismal em maior plenitude e radicalidade.

Seguimos Jesus Cristo o qual, «casto e pobre, redimiu e santificou os homens com a sua obediência»1, e participamos mais intimamente no mistério da sua Páscoa, no seu aniquilamento e na sua vida no Espírito.

Aderindo de modo total a Deus, amado sobre todas as coisas, comprometemo-nos numa forma de vida inteiramente baseada nos valores do Evangelho.

1 PC 1.

Amor fraterno e apostólico

61.   Dom Bosco faz-nos ver com frequência quanto a prática sincera dos votos consolida os vínculos do amor fraterno e a coesão na ação apostólica.

A profissão dos conselhos ajuda-nos a viver a comunhão com os irmãos da comunidade religiosa, como numa família que goza da presença do Senhor1.

Favorecendo a purificação do coração e a liberdade espiritual2, os conselhos evangélicos tornam solícita e fecunda a nossa caridade pastoral: o salesiano obediente, pobre e casto está disponível para amar e servir todos aqueles a quem o Senhor o envia, sobretudo os jovens pobres.

1 Cf. PC 15.

2 Cf. LG 46.

Sinal particular da presença de Deus

62. A prática dos conselhos, vivida no espírito das bem-aventuranças, torna mais convincente o nosso anúncio do Evangelho.

Num mundo tentado pelo ateísmo e pela idolatria do prazer, do ter e do poder, o nosso estilo de vida testemunha, especialmente perante os jovens, que Deus existe e que o seu amor é capaz de encher uma vida; e que a necessidade de amar, a ânsia de possuir e a liberdade de decidir de si próprio adquirem o seu sentido supremo em Cristo salvador.

A nossa maneira de viver tem igualmente em conta o modo de vestir: o dos clérigos, conforme às disposições das Igrejas particulares dos países em que residem, e o vestir simples que Dom Bosco aconselhava aos salesianos leigos1, querem ser um sinal externo deste testemunho e deste serviço2.

1 Cf. C 1875, XV, 1-3.

2 Cf. CIC, can. 669.

Testemunho do mundo futuro

63. O oferecimento da própria liberdade na obediência, o espírito de pobreza evangélica e o amor feito dom na castidade fazem do salesiano um sinal da força da ressurreição.

Configurando inteiramente o seu coração para o Reino, os conselhos evangélicos ajudam-no a discernir e a acolher a ação de Deus na história; e, na simplicidade e laboriosidade da vida quotidiana, fazem dele um educador que anuncia aos jovens «novos céus e nova terra»1, despertando neles o amor ao compromisso e a alegria da esperança2.

1 Cf. Ap 21,1.

2 Cf. Rom 12,12.

A NOSSA OBEDIÊNCIA

«Apesar de Filho de Deus, aprendeu a obedecer sofrendo, e, uma vez atingida a perfeição, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna» (Heb 5, 8-9).

Significado evangélico da nossa obediência

64. O nosso Salvador assegurou-nos ter vindo à terra para fazer não a sua vontade, mas a vontade do Pai que está nos céus1.

Com a profissão de obediência oferecemos a Deus a nossa vontade e revivemos na Igreja e na Congregação a obediência de Cristo, no cumprimento da missão que nos está confiada.

Dóceis ao Espírito e atentos aos sinais que Ele nos dá através dos acontecimentos, tomamos

o  Evangelho como regra suprema2 de vida, as Constituições como caminho seguro, os superiores e a comunidade como intérpretes quotidianos da vontade de Deus.

1 Cf. C 1875, III,1.

2 Cf. PC 2.

Estilo salesiano da obediência e da autoridade

R 50

65. Na tradição salesiana obediência e autoridade são exercidas segundo aquele espírito de família e de caridade que inspira relações repassadas de estima e confiança recíproca.

O superior orienta, guia e encoraja, fazendo uso discreto da sua autoridade. Todos os irmãos colaboram mediante uma obediência franca, pronta e vivida «com alegria e humildade»1.

O serviço da autoridade e a disponibilidade na obediência são princípio de coesão e garantia de continuidade da Congregação; para o  salesiano são caminho de santidade, fonte de energia no trabalho, de alegria e de paz.

1 C 1875, III, 2.

Corresponsabilidade na obediência

66. Na comunidade, e em vista da missão, todos obedecemos, embora com funções diversas.

Na escuta da Palavra de Deus e na celebração da Eucaristia exprimimos e renovamos a nossa entrega comum ao querer divino.

Nos assuntos importantes procuramos juntos a vontade do Senhor, em fraterno e paciente diálogo, e com vivo sentido de corresponsabilidade.

O superior exerce a sua autoridade ouvindo os irmãos, estimulando a participação de todos e promovendo a união das vontades na fé e na caridade. É ele que encerra o momento da procura comum, tomando as decisões oportunas, que normalmente surgirão da convergência dos pontos de vista.

Todos, por conseguinte, nos empenhamos ativamente na execução, colaborando sinceramente, mesmo quando os nossos pontos de vista não tiverem sido aceites.

Obediência pessoal

67. O salesiano é chamado a obedecer de espírito livre e responsável, empenhando as suas «forças de inteligência e de vontade, os dons de natureza e de graça»1.

Obedece com fé e reconhece no superior uma ajuda e um sinal que Deus lhe oferece para manifestar a sua vontade.

Uma tal obediência «conduz à maturidade, fazendo crescer a liberdade dos filhos de Deus»2.

1 PC 14.

2 PC 14.

Exigências do voto de obediência

68. Com o voto de obediência o salesiano compromete-se a obedecer aos legítimos superiores naquilo que se refere à observância das Constituições1.

Quando uma ordem é dada expressamente em força do voto de obediência, a obrigação de obedecer é grave. Só os superiores maiores e os diretores podem dar tal ordem; mas façam-no raramente, por escrito ou perante duas testemunhas, e só quando o exigir algum motivo grave2.

1 Cf. CIC, can. 601.

2 Cf. CIC, can. 49ss.

Dons pessoais e obediência

69. Cada um coloca as suas capacidades e dons ao serviço da missão comum.

O superior, auxiliado pela comunidade, tem uma responsabilidade particular no discernimento de tais dons e no apoio ao seu desenvolvimento e reto exercício.

Se as necessidades concretas da caridade e do apostolado lhe exigirem o sacrifício de desejos ou projetos em si legítimos, o irmão aceitará com fé aquilo que a obediência lhe pede, podendo embora recorrer sempre à autoridade superior.

Para assumir encargos ou tarefas para além dos que lhe estão cometidos na comunidade, pede autorização ao legítimo superior1.

1 CIC, can. 671.

Colóquio com o superior

 

R 49

70.   Fiel à recomendação de Dom Bosco, cada um dos irmãos encontra-se frequentemente com o seu superior num colóquio fraterno.

É um momento privilegiado de diálogo que visa o seu bem pessoal e o bom andamento da comunidade.

Nele fala com confiança da sua vida e trabalho e, se o desejar, também do estado da sua consciência.

Obediência e mistério da cruz

71.   «Em vez de fazer obras de penitência, diz-nos Dom Bosco, praticai a obediência»1.

A obediência contrasta por vezes com a nossa inclinação para a independência e para

o  egoísmo ou pode exigir difíceis provas de amor. É então o momento de olhar para Cristo obediente até à morte2: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade»3.

O mistério da sua morte e ressurreição ensina-nos quão fecundo é para nós obedecer: o grão que morre na escuridão da terra produz muito fruto4.

1 MB XIII, 89.

2 Cf. Fil 2,8; MB IV, 233.

3 Mt 26,42.

4 Cf. Jo 12, 24.

A NOSSA POBREZA

«Se queres ser perfeito, disse-lhe Jesus, vai, vende tudo o que possuis, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me» (Mt 19, 21).

Significado evangélico da nossa pobreza

72. Conhecemos a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual, sendo rico, se fez pobre, a fim de nos enriquecer com a sua pobreza1.

Chamados a uma vida intensamente evangélica, optamos por seguir «o Salvador que nasceu na pobreza, viveu na privação de todas as coisas e morreu nu sobre a cruz»2.

Como os Apóstolos ao convite do Senhor, libertamo-nos da preocupação e do afã dos bens terrenos3 e, pondo a nossa confiança na providência do Pai, entregamo-nos ao serviço do Evangelho.

1 Cf. 2 Cor 8,9.

2 C 1875 (Introdução), p. XXIV.

3 Cf. Mt 6, 25 ss.

Pobreza
e missão
salesiana

73. Dom Bosco viveu a pobreza como desapego do coração e serviço generoso aos irmãos, num estilo austero, criativo e rico de iniciativas.

A seu exemplo também nós vivemos no desapego de todos os bens terrenos1 e mos com espírito de iniciativa na missão da Igreja, no seu esforço pela justiça e pela paz, de modo especial mediante a educação dos necessitados.

O testemunho da nossa pobreza, vivida na comunhão de bens, ajuda os jovens a superar o instinto da posse egoísta e abre-os ao sentido cristão da partilha.

1 C 1875, IV, 7.

Exigências do voto de pobreza

 

R 51-53

74.  Com o voto de pobreza comprometemo-nos a não usar e a não dispor dos bens materiais sem o consentimento do legítimo superior.

Cada irmão conserva a propriedade do seu património e a capacidade de adquirir outros bens; mas antes da profissão dispõe livremente do uso e usufruto dos mesmos, e cede a outrem a sua administração.

Antes da profissão perpétua redige o seu testamento em conformidade com as leis do código civil. Após séria reflexão, para exprimir o seu total abandono à divina Providência, pode também renunciar definitivamente aos bens cuja propriedade conservou, segundo as normas do direito universal e próprio.

Compromisso pessoal de pobreza

 

 

R 55

75.   Cada um de nós é o primeiro responsável pela sua pobreza, vivendo por isso diariamente o desapego prometido com um estilo de vida pobre.

Aceita depender do superior e da comunidade no uso dos bens temporais, mas sabe que a autorização recebida não o dispensa de ser pobre na realidade e em espírito1.

Vigia para não ceder pouco a pouco ao desejo do bem-estar e às comodidades que constituem uma ameaça direta à fidelidade e à generosidade apostólica.

E, quando o seu estado de pobreza lhe causar algum incómodo ou sofrimento2, alegra-se por poder participar na bem-aventurança prometida pelo Senhor aos pobres em espírito3.

1 Cf. PC 13.

2 Cf. C 1875 (Introdução), p. XXVI.

3 Cf. Mt 5, 3.

Comunhão de bens

R 56-58.63.

197.201

76. A exemplo dos primeiros cristãos, pomos em comum os bens materiais1: os frutos do nosso trabalho, as ofertas que recebemos, e tudo o que auferimos de pensões, subsídios e seguros. Pomos igualmente à disposição os nossos talentos, energias e experiências.

Na comunidade o bem de cada um torna-se o bem de todos.

Partilhamos fraternalmente o que temos com as comunidades da província e somos solidários com as necessidades de toda a Congregação, da Igreja e do mundo.

1 Cf. At 4,32.

Pobreza nas comunidades e nas obras

 

R 1.58-65

77. Cada comunidade está atenta às condições do meio em que vive e testemunha a sua pobreza com um teor de vida simples e frugal, em habitações modestas.

A exemplo e no espírito do Fundador, aceitamos a posse dos meios exigidos pelo nosso trabalho e administramo-los de forma que a todos seja patente a sua finalidade de serviço.

A escolha das atividades e a localização das obras respondam às necessidades dos pobres; as estruturas materiais inspirem-se em critérios de simplicidade e funcionalidade.

O trabalho   

78. O trabalho assíduo e sacrificado é uma caraterística que Dom Bosco nos deixou e uma expressão concreta da nossa pobreza.

Nas tarefas do dia-a-dia associamo-nos aos pobres que vivem do seu suor e testemunha‑

R 64      mos o valor humano e cristão do trabalho1.

1 Cf. ET 20.

Solidariedade com os pobres

79. O espírito de pobreza leva-nos a ser solidários com os pobres e a amá-los em Cristo1.

Procuramos portanto estar a seu lado e aliviar-lhes a indigência, fazendo nossas as suas legítimas aspirações a uma sociedade mais humana.

Pedindo e aceitando auxílios para o serviço dos necessitados, imitamos Dom Bosco no zelo e na gratidão e mantemo-nos como ele evangelicamente livres. «Recordai-vos bem, diz- -nos ele, que aquilo que temos não é nosso, mas dos pobres; ai de nós se não o usarmos bem»2.

1 Cf. PC 13.

2 MB V, 682.

A NOSSA CASTIDADE

«Estou convencido de que nem a morte nem a vida... nem o presente nem o futuro... nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso» (Rom 8, 38-39).

Significado evangélico da nossa castidade

80. A castidade consagrada por amor do Reino é um «dom precioso da graça divina, concedido a alguns pelo Pai»1. Como resposta de fé, acolhemo-lo com gratidão e comprometemo-nos com voto a viver a continência perfeita no celibato2.

Seguimos de perto Jesus Cristo, escolhendo um modo intensamente evangélico de amar a Deus e os irmãos de coração indiviso3.

Inserimo-nos assim com uma vocação específica no mistério da Igreja totalmente unida a Cristo e, participando na sua fecundidade, entregamo-nos à nossa missão4.

1 LG 42.

2 Cf. CIC, can. 599.

3 Cf. LG 42.

4 Cf. ET 13-14; RD 11.

Castidade
e missão
salesiana

81. Dom Bosco viveu a castidade como expressão de amor sem limites a Deus e aos jovens. Quis que ela fosse um sinal distintivo da Sociedade Salesiana: «Quem gasta a sua vida em favor dos jovens abandonados deve certamente fazer todos os esforços para se enriquecer de todas as virtudes. Mas a virtude que particularmente se deve cultivar... é a virtude da castidade»1.

A nossa tradição considerou sempre a castidade como uma virtude irradiante, portadora de uma mensagem especial para a educação da juventude. Ela faz de nós testemunhas da predileção de Cristo pelos jovens, permite-nos amá-los sinceramente, por forma a que eles «se deem conta de que são amados»2, e torna-nos capazes de os educar para o amor e para a pureza.

1 Cf. C 1875, V,1.

2 DB, Carta de Roma 1884, MB XVII, 110.

Castidade e maturidade humana

 

R 68  

82. As exigências educativas e pastorais da nossa missão e o facto de que a observância da continência perfeita atinge inclinações entre as mais profundas da natureza humana1

requerem do salesiano equilíbrio psicológico e maturidade afetiva. Dom Bosco advertia: «Quem não tem fundada esperança de poder conservar, com o auxílio divino, a virtude da castidade em pensamentos, palavras e obras, não professe nesta Sociedade, porque muitas vezes se encontraria em perigo»2.

1 Cf. PC 12.

2 C 1875, V, 2.

Castidade e vida comunitária

83.   A castidade consagrada, «sinal e estímulo da caridade»1, liberta e potencia a nossa capacidade de ser tudo para todos. Desenvolve em nós o sentido cristão das relações pessoais, favorece amizades genuínas e contribui para fazer da comunidade uma família.

Por sua vez, o clima fraterno da comunidade ajuda-nos a viver na alegria o celibato pelo Reino e a superar, sustentados pela compreensão e pelo afeto, os momentos difíceis.

1 LG 42.

Atitudes e meios para crescer na castidade

R 44.66-68

84.   A castidade não é uma conquista
feita de uma vez para sempre. Tem os seus momentos de paz e os seus momentos de prova. É um dom que, por causa da fraqueza humana, exige um empenhamento diário de fidelidade.

Por isso o salesiano, fiel às Constituições, vive no trabalho e na temperança, pratica a mortificação e a guarda dos sentidos, usa com discrição e prudência os instrumentos de comunicação social, sem descurar os meios naturais que favorecem a saúde física e mental.

Acima de tudo, implora o auxílio de Deus e vive na sua presença; alimenta o amor a Cristo na mesa da Palavra e da Eucaristia e, humildemente, purifica esse amor no sacramento da Reconciliação; recorre com simplicidade a um guia espiritual.

Invoca com filial confiança Maria Imaculada e Auxiliadora, que o ajuda a amar como Dom Bosco amava.

VII. EM DIÁLOGO COM O SENHOR

«A palavra de Cristo permaneça em vós abun- dantemente em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando sob a ação da graça louvores a Deus em vossos corações. E tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus» (Col 3, 16-17).

Dom da oração

R 69   

85.    A comunidade exprime de forma visível o mistério da Igreja, a qual não nasce da vontade humana, mas é fruto da Páscoa do Senhor. Da mesma maneira Deus reúne a nossa comunidade e conserva-a unida com o seu convite, a sua Palavra, o seu amor.

Quando ora, a comunidade salesiana responde a este convite, reaviva a consciência da sua íntima e vital relação com Deus e da sua missão de salvação, fazendo própria a invocação de Dom Bosco: «Da mihi animas, cetera tolle».

Oração salesiana

R 77

86.    Dócil ao Espírito Santo, Dom Bosco viveu a experiência de uma oração humilde, confiante e apostólica, que unia espontaneamente a oração com a vida.

Dele aprendemos a reconhecer a ação da graça na vida dos jovens: oramos por eles, para que em cada um se realize o desígnio do Pai; e oramos com eles, para dar testemunho da nossa fé e compartilhar a mesma esperança de salvação.

A oração salesiana é alegre e criativa, simples e profunda; abre-se à participação comunitária, enraíza na vida e nela se prolonga.

Comunidade que escuta a Palavra

87. O povo de Deus é congregado, em primeiro lugar, pela Palavra do Deus vivo1.

A Palavra escutada com fé é para nós fonte de vida espiritual, alimento da oração, luz para conhecer a vontade de Deus nos acontecimentos e força para viver em fidelidade a nossa vocação.

Tendo entre mãos diariamente a Sagrada Escritura2, à imitação de Maria acolhemos a Palavra e meditamo-la no nosso coração3 a fim de a fazer frutificar e de a anunciar com zelo.

1 Cf. PO 4.

2 Cf. PC 6.

3 Cf. Lc 2, 19.51.

Comunidade unificada pela Eucaristia

R 70 

88. A escuta da Palavra encontra o seu lugar privilegiado na celebração da Eucaristia. Esta é o ato central diário de cada comunidade salesiana, vivido como festa numa liturgia viva.

Aí a comunidade celebra o mistério pascal e comunga o corpo de Cristo imolado, recebendo-o para se construir n’Ele como comunhão fraterna e renovar o seu compromisso apostólico.

A concelebração põe em evidência as riquezas deste mistério: exprime a tríplice do sacrifício, do sacerdócio e da comunidade, cujos membros estão todos ao serviço da mesma missão.

A presença da Eucaristia nas nossas casas é para nós, filhos de Dom Bosco, motivo de frequentes encontros com Cristo. A Ele vamos buscar dinamismo e constância na nossa ação pelos jovens.

Mistério
de Cristo
no tempo

 

R 70  

89. A Liturgia das Horas estende às diversas horas do dia a graça do mistério eucarístico1.

A comunidade, unida a Cristo e à Igreja, eleva ao Pai a oração de louvor e de súplica, alimenta a sua união com Ele2, e mantém-se atenta à vontade divina. Permanecendo para os clérigos as obrigações assumidas com a ordenação3, a comunidade celebra as Laudes como oração da manhã e as Vésperas como oração da tarde com a dignidade e o fervor que Dom Bosco recomendava.

O domingo é o dia da alegria pascal. Vivido no trabalho apostólico, na piedade e em alegria, robustece a confiança e o otimismo do salesiano.

Ao longo do ano litúrgico a comemoração dos mistérios do Senhor faz da nossa vida um tempo de salvação na esperança4.

1 Cf. IGLH 10,12.

2 Cf. LG 3.

3 Cf. CIC, can. 1174,1.

4 Cf. SC 102.

Comunidade em contínua conversão

 

R 73  

90.   A Palavra de Deus chama-nos a uma contínua conversão.

Conscientes da nossa fraqueza, respondemos com a vigilância e o arrependimento sincero, a correção fraterna, o perdão recíproco e a aceitação serena da cruz de cada dia.

O sacramento da Reconciliação leva à plenitude o empenhamento penitencial de cada um e de toda a comunidade.

Preparado pelo exame de consciência diário, e celebrado frequentemente, segundo as indicações da Igreja, ele dá-nos a alegria do perdão do Pai, reconstrói a comunhão fraterna e purifica as intenções apostólicas.

Momento de renovação

 

R 72 

91.   A nossa vontade de conversão renova-se no retiro mensal e nos exercícios espirituais anuais. São tempos de revitalização espiritual que Dom Bosco considerava como a parte fundamental e a síntese de todas as práticas de piedade1.

Para a comunidade e para cada salesiano são ocasiões peculiares de escuta da Palavra de Deus, de discernimento da sua vontade e de purificação interior.

Estes momentos de graça proporcionam ao nosso espírito uma profunda unidade no Senhor Jesus e mantêm viva a expetativa do seu regresso.

1 Cf. C 1875 (Introdução), p. XXXIV.

Maria na vida e oração do salesiano

 

R 74 

92.    Maria, Mãe de Deus, ocupa um lugar único na história da salvação.

Ela é modelo de oração e de caridade pastoral, mestra de sabedoria e guia da nossa Família.

Contemplamos e imitamos a sua fé, a solicitude para com os necessitados, a fidelidade na hora da cruz e a alegria pelas maravilhas operadas pelo Pai.

Maria Imaculada e Auxiliadora educa-nos para a plenitude da entrega ao Senhor e infunde-nos coragem no serviço aos irmãos.

Nutrimos por ela uma devoção filial e sólida. Rezamos todos os dias o terço e celebramos as suas festas para nos sentirmos estimulados a uma imitação mais convicta e pessoal.

Oração pessoal

 

R 71

93.   Só poderemos formar comunidades orantes se nos tornarmos individualmente homens de oração.

Cada um de nós tem necessidade de exprimir intimamente o seu modo pessoal de ser filho de Deus, de Lhe manifestar a sua gratidão, de Lhe confiar os anseios e preocupações apostólicas.

Forma indispensável de oração é para nós a oração mental. Ela estreita a nossa intimidade com Deus, salva da rotina, conserva o coração livre e revigora o devotamento ao próximo.

Para Dom Bosco é garantia de jubilosa perseverança na vocação.

Memória dos irmãos defuntos

 

R 47.76

94.   A fé em Cristo ressuscitado sustém a nossa esperança e mantém viva a comunhão com os irmãos que repousam na paz de Cristo. Eles gastaram a sua vida na Congregação, e não poucos sofreram, mesmo até ao martírio, por amor do Senhor.

Unidos num intercâmbio de bens espirituais, oferecemos por eles, com sentido de gratidão, os sufrágios prescritos.

A sua lembrança é um estímulo para continuar com fidelidade a nossa missão.

Vida como oração

95.    Imerso no mundo e nas preocupações da vida pastoral, o salesiano aprende a encontrar a Deus através daqueles a quem é enviado.

Ao descobrir os frutos do Espírito1 na vida dos homens, especialmente dos jovens, em tudo dá graças2; partilhando os seus problemas e sofrimentos, invoca para eles a luz e a força da sua presença.

Alimenta-se da caridade do Bom Pastor, de quem quer ser testemunha, e participa nas riquezas espirituais que a comunidade lhe oferece.

A necessidade de Deus, sentida no trabalho apostólico, leva-o a celebrar a liturgia da vida, alcançando «aquela operosidade incansável, santificada pela oração e pela união com Deus», que deve ser a caraterística dos filhos de Dom Bosco3.

1 Cf. Gal 5, 22.

2 Cf. Ef 5, 20.

3 R 1923, art. 291.

Terceira Parte

Formados para a missão de educadores e pastores

VIII. ASPETOS GERAIS
DA NOSSA FORMAÇÃO

A FORMAÇÃO SALESIANA

«Praticando a verdade, cresceremos em todas as coisas, pela caridade, n’Aquele que é a cabeça, Cristo» (Ef 4, 15).

Vocação e formação

96. Jesus chamou pessoalmente os seus Apóstolos para estarem com Ele e para os enviar a pregar o Evangelho1. Preparou-os com amor paciente e deu-lhes o Espírito Santo, que os havia de conduzir à plenitude da verdade2.

Chama-nos também a nós a viver na Igreja o projeto do nosso Fundador como apóstolos dos jovens.

A este chamamento respondemos com o compromisso de uma formação adequada e contínua, para a qual o Senhor nos dá todos os dias a sua graça.

1 Cf. Mc 3, 14.

2 Cf. Jo 16, 13.

Orientação salesiana da formação

97. Os primeiros salesianos encontraram em Dom Bosco o seu guia seguro. Inseridos no vivo da sua comunidade em ação, aprenderam a modelar a sua vida pela dele.

É nele que também nós encontramos o nosso modelo. A natureza religiosa apostólica da vocação salesiana determina a orientação específica da nossa formação, necessária para a vida e unidade da Congregação.

Experiência formativa

98.    Iluminado pela pessoa de Cristo e pelo seu Evangelho, vivido segundo o espírito de Dom Bosco, o salesiano empenha-se num processo formativo que dura toda a vida e respeita os seus ritmos de maturação. Faz experiência dos valores da vocação salesiana nos diversos momentos da sua existência e aceita a ascese que tal caminho comporta.

Com o auxílio de Maria, mãe e mestra, tende a tornar-se educador-pastor dos jovens na forma laical ou sacerdotal que lhe é própria.

Compromisso pessoal e comunitário

 

R 85

99.    Cada salesiano assume a responsabilidade da sua formação pessoal. Dócil ao Espírito Santo, desenvolve as suas aptidões e os dons da graça num esforço constante de conversão e de renovação, vivendo e trabalhando para a missão comum.

O ambiente natural de crescimento vocacional é a comunidade, na qual o irmão se insere com confiança e colabora com responsabilidade. A própria vida da comunidade, unida em Cristo e aberta às exigências dos tempos, é formadora: daí a necessidade de ela progredir incessantemente e de se renovar.

Unidade da formação e culturas

100.   O carisma do Fundador é princípio de unidade da Congregação e, pela sua fecundidade, está na origem dos diversos modos de viver a única vocação salesiana. A formação é, por conseguinte, ao mesmo tempo unitária nos conteúdos essenciais e diversificada nas expressões concretas: acolhe e desenvolve tudo o que as várias culturas encerram de verdadeiro, de nobre e de justo1.

1 Cf. Fil 4, 8.

Comunidade provincial e formação

 

R 84

101.   A comunidade provincial acolhe e acompanha a vocação de cada um dos irmãos, vela pela preparação dos formadores e pelas estruturas de formação, anima a tarefa formativa das comunidades locais.

Compete-lhe estabelecer, através dos diferentes órgãos de animação e governo, o modo de atuar a formação segundo as exigências do contexto cultural, em conformidade com as diretrizes da Igreja e da Congregação.

No exercício desta responsabilidade comum, cada salesiano contribui com a oração e o testemunho para apoiar e renovar a vocação dos seus irmãos.

A FORMAÇÃO INICIAL

«Fala, Senhor: o teu servo escuta» (1 Sam 3,9).

Complexidade e unidade da formação inicial

 

102.   A formação inicial tem em vista o amadurecimento humano e a preparação intelectual do irmão jovem, a par do aprofundamento da sua vida consagrada e da inserção gradual no trabalho educativo-pastoral.

Na experiência formativa estes aspetos devem harmonizar-se numa unidade vital.

Comunidades formadoras

R 78.80.81

103.   A formação inicial realiza-se ordinariamente em comunidades estruturadas de propósito para tal fim.

Abertas, como quer o estilo educativo de Dom Bosco, elas têm em conta as aspirações dos jovens a uma vida mais pessoal e mais fraterna.

Aí o nosso espírito é vivido de modo mais intenso: todos os membros formam entre si uma família, fundada sobre a fé e o entusiasmo por Cristo, unida na estima recíproca e na convergência de esforços.

Formadores e irmãos em formação, embora com funções diversas, dão vida a um clima de corresponsabilidade e realizam com clareza as metas formativas.

Papel dos formadores

 

R 78

104. Os formadores desempenham nas co- munidades formadoras um papel específico e necessário.

Asseguram aos irmãos em formação as condições para uma experiência válida e uma séria reflexão doutrinal em ambiente apropriado.

Conscientes de serem mediadores da ação do Senhor, esforçam-se por constituir juntamente com o diretor, guia da comunidade e mestre de espírito, um grupo convicto da responsabilidade comum.

Para o desempenho desta tarefa são escolhidos homens de fé, capazes de comunicar vitalmente o ideal salesiano e de estabelecer diálogo, e possuidores de suficiente experiência pastoral.

Formação inicial

R 79

105. Para o salesiano a formação inicial, mais do que um tempo de espera, é já um tempo de trabalho e de santidade. É um tempo de diálogo entre a iniciativa de Deus que chama e conduz e a liberdade do salesiano que progressivamente assume as exigências da sua formação.

Nesta caminhada de responsabilidades crescentes ele é amparado pela oração, a direção espiritual, a reflexão, o estudo e as relações fraternas.

Currículo formativo

R 95.97.98

106. A formação inicial dos salesianos leigos, dos futuros sacerdotes e dos diáconos permanentes tem ordinariamente um currículo de nível paritário, com as mesmas fases e com objetivos e conteúdos semelhantes.

As modalidades distintas são determinadas pela vocação específica de cada um, pelas qualidades e aptidões pessoais e pelas tarefas do nosso apostolado.

Incorporação na Sociedade e períodos formativos

107.    Cada um, antes de ser definitivamente incorporado na Sociedade, percorre os seguintes períodos formativos: preparação para o noviciado, noviciado e período da profissão temporária.

Tais períodos são necessários tanto para o candidato como para a comunidade, a fim de, em colaboração mútua, poderem discernir e secundar a vontade de Deus.

O candidato vai conhecendo progressivamente a Sociedade e esta, por sua vez, pode avaliar as suas aptidões para a vida salesiana.

Admissões

R 81.93.94

108.   Tendo o candidato apresentado livremente o seu pedido, a admissão ao noviciado, à profissão temporária ou perpétua, aos ministérios e às ordens sagradas é feita pelo provincial com o consentimento do seu Conselho, depois de obtido o parecer do diretor da comunidade e seu Conselho.

Os superiores baseiam o seu juízo em elementos positivos comprovativos da idoneidade do candidato, tendo em conta em primeiro lugar  os requisitos canónicos1.

1 Cf. CIC, can. 642-645; 1019-1054.

IX. O PROCESSO FORMATIVO

«Aquele que começou em vós a boa obra há de levá-la à perfeição até ao dia de Cristo Jesus» (Fil 1, 6).

Preparação para o noviciado

R 88

109.   A todo aquele que se orienta para a vida salesiana são proporcionados o ambiente e as condições necessárias para o conhecimento da sua vocação e o amadurecimento humano e cristão. Pode assim, com a ajuda de um guia espiritual, decidir de forma mais consciente e livre de pressões externas e internas.

Imediatamente antes do noviciado requer-se uma preparação especial que visa o aprofundamento da opção vocacional e a avaliação da idoneidade necessária para iniciar o noviciado. Tal preparação é feita mediante uma experiência de vida comunitária e apostólica salesiana.

Noviciado

R 89.92

110.  No noviciado o candidato tem a possibilidade de iniciar a experiência religiosa salesiana.

Por isso a comunidade deve ser um exemplo de vida fundada sobre a fé e alimentada pela oração, em que a simplicidade evangélica, a alegria, a amizade e o respeito recíproco geram um clima de confiança e de docilidade.

Com a ajuda do mestre o noviço aprofunda as motivações da sua opção, averigua a sua idoneidade para a vocação salesiana e orienta-se para o dom total de si mesmo a Deus ao serviço dos jovens, segundo o espírito de Dom Bosco.

Duração do noviciado

R 93

111.    De acordo com o direito o noviciado dura doze meses1. Começa quando o candidato, admitido pelo provincial, entra na casa de noviciado canonicamente ereta e se coloca sob a orientação do mestre. Uma ausência superior a três meses contínuos ou descontínuos invalida o noviciado. A ausência superior a quinze dias deve ser recuperada.

1 Cf. CIC, can. 647,3; 648; 649,1.

Mestre de noviços

112.   O mestre de noviços é o guia espiritual que coordena e anima toda a ação formativa do noviciado.

Deve ser homem de experiência espiritual e salesiana, prudente, atualizado nas realidades psicológicas e nos problemas da condição juvenil. Deve possuir um grande sentido dos contactos humanos e capacidade de diálogo; com a sua bondade inspire confiança aos noviços.

É professo perpétuo e é nomeado pelo provincial com o consentimento do seu Conselho e a aprovação do Reitor-Mor. Permanece no cargo três anos e pode ser reconduzido.

Profissão temporária

R 95.96

113.    A primeira profissão inicia um período de vida consagrada durante o qual o irmão, apoiado pela comunidade e por um guia espiritual, completa o processo de amadurecimento com vista à profissão perpétua e desenvolve, como salesiano leigo ou aspirante ao sacerdócio, os diversos aspetos da sua vocação.

No primeiro triénio a profissão será trienal ou anual; no segundo triénio será ordinariamente trienal.

Imediato pós-noviciado

R 95

114.  À primeira profissão segue-se uma fase de amadurecimento religioso que continua a experiência formativa do noviciado e prepara o tirocínio.

O aprofundamento da vida de fé e do espírito de Dom Bosco, e uma adequada preparação filosófica, pedagógica e catequética em diálogo com a cultura, orientam o jovem irmão para a integração progressiva de fé, cultura e vida.

Tirocínio

R 86.96

115.  Durante toda a formação inicial, dá-se importância não só aos estudos mas também às atividades pastorais da nossa missão.

O tirocínio é uma fase de confronto vital e intenso com a ação salesiana numa experiência educativo-pastoral. Durante este tempo o jovem irmão exercita-se na prática do Sistema Preventivo e particularmente na assistência salesiana.

Acompanhado pelo diretor e pela comunidade, realiza a síntese pessoal entre a sua atividade e os valores da vocação.

Formação específica do salesiano presbítero e do salesiano leigo

R 97.98

116.  A seguir ao tirocínio o salesiano completa a formação inicial.

A formação específica do candidato ao ministério presbiteral segue as orientações e as normas estabelecidas pela Igreja e pela Congregação e tem em vista a preparação do sacerdote pastor-educador na perspetiva salesiana.

A formação específica oferece ao salesiano coadjutor, com o aprofundamento do património espiritual salesiano, uma preparação teológica adequada na linha da laicidade consagrada e completa a sua formação com vista ao trabalho educativo-apostólico.

Profissão perpétua

R 94

117.  O irmão faz a profissão perpétua quando tiver atingido a maturidade espiritual salesiana requerida pela importância de tal escolha.

A celebração deste ato é precedida por um tempo conveniente de preparação imediata e acompanhada pela atenção fraterna da comunidade provincial.

A profissão perpétua faz-se ordinariamente seis anos depois da primeira profissão. No entanto, se o julgar oportuno, o provincial pode prolongar este tempo, mas não para além de nove anos.

Exigência da formação permanente

R 99-102

118.  Num contexto pluralista e de rápidas transformações, o caráter evolutivo da pessoa e a qualidade e fecundidade da nossa vida religiosa apostólica requerem a continuidade da formação, após as fases iniciais. Procuramos crescer na maturidade humana, conformar-nos mais profundamente com Cristo e renovar a fidelidade a Dom Bosco, para poder responder às exigências sempre novas da condição juvenil e popular.

Por meio de iniciativas pessoais e comunitárias cultivamos a vida espiritual salesiana, a atualização teológica e pastoral, a competência profissional e a criatividade apostólica.

Formação permanente como atitude pessoal

R 10.19.99

102

119.  Vivendo no meio dos jovens e em contacto permanente com os ambientes populares, o salesiano procura discernir nos acontecimentos a voz do Espírito, adquirindo assim a capacidade de aprender a partir da vida. Atribui eficácia formativa às suas atividades ordinárias e tira partido dos meios de formação postos à sua disposição.

Durante o tempo da atividade plena encontra ocasiões para renovar o sentido religioso-pastoral da sua vida e poder desempenhar com maior competência as suas tarefas.

Numa palavra, sente-se chamado a viver com preocupação formativa toda e qualquer situação, considerando-a tempo favorável ao crescimento da sua vocação.

Quarta Parte

O serviço da autoridade na nossa Sociedade

X. PRINCÍPIOS E CRITÉRIOS GERAIS

«Quem quiser ser grande entre vós faça-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós faça-se servo de todos. Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos» (Mc 10, 43-45).

Estruturas fundamentais da nossa Sociedade

120. A nossa Sociedade articula-se em comunidades provinciais que, por sua vez, se articulam em comunidades locais.

O governo a nível mundial garante a unidade de vida e de ação na diversidade de ambientes e situações.

O governo central, provincial e local é exercido com poder ordinário por um superior assistido pelo seu Conselho.

A autoridade suprema sobre toda a Congregação compete ao Capítulo Geral. Aos Capítulos Provinciais são reconhecidos determinados poderes no âmbito da província.

Natureza do serviço da autoridade

121. A autoridade na Congregação é exercida em nome e à imitação de Cristo como um serviço aos irmãos, no espírito de Dom Bosco, em ordem a procurar e cumprir a vontade do Pai.

Este serviço destina-se a promover a caridade, a coordenar as tarefas de todos, a animar, orientar, decidir, corrigir, de forma que se realize a nossa missão.

De acordo com a nossa tradição as comunidades são guiadas por um irmão sacerdote que, pela graça do ministério presbiteral e pela experiência pastoral, apoia e orienta o espírito e a ação dos irmãos.

Nos termos do direito1, ele é obrigado a fazer a profissão de fé.

1 Cf. CIC, can. 833, 8.º.

Participação e corresponsabilidade

122.   Os superiores, a todos os níveis de governo, participam de uma única e mesma autoridade, e exercem-na em comunhão com o Reitor-Mor, para o bem de toda a Sociedade. Assim, enquanto promovem o bem de cada uma das comunidades, velam com solicitude pela unidade, incremento e aperfeiçoamento de toda a Congregação.

Unidade no governo da Sociedade

 

R 169 

123.    A vocação comum implica a participação responsável e efetiva de todos os membros na vida e na ação da comunidade local, provincial e mundial, não só no plano da execução, como também no da programação, organização e revisão, em conformidade com as funções e competências de cada um.

Esta corresponsabilidade exige a participação dos irmãos, segundo as modalidades mais convenientes, na escolha dos responsáveis de governo aos diferentes níveis, e na elaboração das suas decisões mais significativas.

É dever de quem exerce a autoridade promover e guiar este contributo mediante a informação adequada, o diálogo pessoal e a reflexão comunitária.

Subsidia- riedade e descentralização

124. A autoridade de qualquer género e nível deixa à iniciativa dos órgãos subalternos e dos indivíduos tudo aquilo que por eles pode ser decidido e feito de acordo com as respetivas competências. Desta forma valorizam-se as pessoas e as comunidades e promove-se um empenhamento mais real.

O princípio de subsidiariedade implica a descentralização, a qual, ao mesmo tempo que salvaguarda a unidade, reconhece uma conveniente autonomia e uma equitativa distribuição de poderes entre os diversos órgãos de governo.

XI. SERVIÇO DA AUTORIDADE NA COMUNIDADE MUNDIAL

«Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando por ele, não constrangidos mas de boa vontade, segundo Deus..., não como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados, mas tornando-vos modelos do rebanho» (1 Pe 5, 2-3).

Sumo Pontífice

 

125.  A Sociedade Salesiana tem como supremo superior o Sumo Pontífice, a cuja autoridade os salesianos estão filialmente sujeitos, também em força do voto de obediência, e disponíveis para o bem da Igreja universal. Acolhem com docilidade o seu magistério e ajudam os fiéis, especialmente os jovens, a aceitar os seus ensinamentos.

Reitor-Mor

R 103

 

126.  O Reitor-Mor, superior da Sociedade Salesiana, é o sucessor de Dom Bosco, o pai e o centro de unidade da Família Salesiana.

A sua principal solicitude é promover, em comunhão com o Conselho Geral, a constante fidelidade dos irmãos ao carisma salesiano, para o cumprimento da missão confiada pelo Senhor à nossa Sociedade.

 

R 104.105

127. O Reitor-Mor tem poder ordinário de governo, que exerce em conformidade com o direito, sobre todas as províncias, casas e irmãos, tanto nas coisas espirituais como nas temporais. Visita pessoalmente ou por meio de outrem todas as províncias e comunidades locais.

Convoca e preside ao Conselho Geral. Repre‑senta oficialmente a Sociedade.  

 

128.   O Reitor-Mor é eleito pelo Capítulo Geral por um período de seis anos e pode ser reeleito, mas somente por um segundo sexénio consecutivo. Não pode demitir-se do cargo sem o consentimento da Sé Apostólica.

 

129.   Para que um irmão possa ser eleito Reitor-Mor deve ser sacerdote, professo perpétuo pelo menos há dez anos, e distinguir-se pelo amor à Igreja e à Congregação, pela exemplaridade de vida, dinamismo pastoral, capacidade e prudência de governo.

Conselho Geral

130.   O Conselho Geral coopera com o Reitor-Mor na animação e no governo da Congregação.

Compete ao Conselho identificar e estudar os problemas que interessam ao bem comum da Sociedade, promover a união fraterna entre as diversas províncias e cuidar de uma organização cada vez mais eficiente, em ordem à realização da missão salesiana no mundo.

 

R 106

131.   Os conselheiros colaboram com o Reitor-Mor dando o seu parecer e voto. Atendem em comunhão com ele quer aos encargos recebidos do Capítulo Geral, quer aos que o Reitor-Mor julgar oportuno confiar-lhes. Para tal fim têm a mesma residência do Reitor-Mor.

 

132.   § 1. O Reitor-Mor deve ter o consentimento do seu Conselho para:

1.    a ereção ou supressão de províncias, visitadorias ou outras circunscrições (156 C);

2.    a abertura e encerramento de casas ou alteração do fim de obras já existentes, segundo as normas do direito1 (165 C);

3.    a ereção de noviciados (110 C);

4.    a convocação do Capítulo Geral, de acordo com o art. 149 das Constituições;

5.    a aprovação das deliberações dos Capítulos Provinciais (170 C);

6.    a constituição das conferências provinciais (155 C);

7.    a nomeação do substituto de um membro do Conselho Geral, em caso de morte ou impedimento (142 C);

8.    a nomeação do secretário-geral (144 C);

9.    a nomeação do procurador e do postulador-geral (145 C);

10.  a nomeação de provinciais, superiores de visitadorias ou de outras circunscrições (158, 162 C);

11.  a cessação do cargo dos provinciais de acordo com o art. 163 das Constituições, e dos superiores das visitadorias e de outras circunscrições (158 C);

12.  a alienação de bens móveis e imóveis que pertençam ao património estável da Congregação (188 C);

13.  a determinação dos limites de valor dentro dos quais se move a competência do provincial com o seu Conselho em todas as operações de que fala o art. 188 das Constituições (189 C)1.

§ 2. O Reitor-Mor deve ter o consentimento dos conselheiros presentes na sede, reunidos em número não inferior a três, nos seguintes casos:

1.    dispensa da profissão religiosa temporária;

2.    nomeação dos conselheiros provinciais (167 C);

3.    concessão de autorização para as operações financeiras de que fala o art. 188 das Constituições, salvo o previsto no art. 132, § 1, 12.

§ 3. Nos casos de demissão dos membros da Sociedade, o Reitor-Mor e o seu Conselho procederão colegialmente, conforme o direito.

§ 4. Finalmente o Reitor-Mor ouvirá o seu Conselho nos outros assuntos importantes e sempre que o julgar oportuno.

1 Cf. CIC, can. 609-612.

 

R 107

133. Compõem o Conselho Geral o vigário, os conselheiros encarregados de sectores especiais e os conselheiros regionais encarregados de grupos de províncias.

Os conselheiros encarregados de sectores especiais são: o conselheiro para a formação, o conselheiro para a pastoral juvenil, o conselheiro para a comunicação social, o conselheiro para as missões e o ecónomo-geral.

Vigário do Reitor-Mor

134.   O vigário é o primeiro colaborador do Reitor-Mor no governo da Sociedade e tem poder vicarial ordinário.

Faz as vezes do Reitor-Mor ausente ou impedido. É-lhe confiado especialmente o cuidado da vida e da disciplina religiosa.

Conselheiro para
a formação

135.   O conselheiro para a formação tem a seu cargo promover a formação integral e permanente dos irmãos.

Acompanha com particular solicitude a formação inicial nas suas várias fases, a fim de que nelas os conteúdos, o ordenamento dos estudos, os métodos formativos e as estruturas garantam as condições para o crescimento da vocação salesiana.

Conselheiro para a pastoral juvenil

136. O conselheiro para a pastoral juvenil anima e orienta a ação educativo-apostólica salesiana nas suas várias expressões, procurando que nelas sejam respeitadas a prioridade juvenil e a inspiração no Sistema Preventivo. Assiste as províncias no desenvolvimento dos seus projetos e compromissos pastorais para que, fiéis ao espírito de Dom Bosco, respondam às exigências dos tempos e dos lugares.

Conselheiro para a comunicação social

137.   O conselheiro para a comunicação social tem a seu cargo animar a Congregação neste campo. Promove a ação salesiana no sector da comunicação social e, em particular, coordena a nível mundial os centros e as estruturas geridas neste campo pela Congregação.

Conselheiro para as missões

R 24

138.   O conselheiro para as missões promove em toda a Sociedade o espírito e o compromisso missionário. Coordena as iniciativas e orienta a ação das missões a fim de poder dar resposta, em estilo salesiano, às solicitações dos povos em vias de evangelização.

Pertence-lhe igualmente assegurar a preparação específica e a atualização dos missionários.

Ecónomo geral

 

R 192  

139. O ecónomo-geral administra os bens que não pertencem a uma determinada província ou casa, mas a toda a Sociedade.

Coordena e controla as administrações provinciais, para que a sua gestão corresponda às exigências da pobreza religiosa e ao serviço da missão salesiana.

Zela para que sejam observadas as normas necessárias para uma reta administração.

Conselheiros regionais

R 135-137

140. Os conselheiros regionais promovem uma ligação mais direta das províncias com o Reitor-Mor e o seu Conselho. Zelam pelos interesses das províncias que lhes foram confiadas. Favorecem no Conselho Geral o conhecimento das situações locais em que a nossa missão se desenvolve.

 

 

R 126-128

141.    § 1. Cada um dos membros do Conselho Geral é eleito pelo Capítulo Geral, com votação distinta. Cada conselheiro regional é eleito, de preferência, de entre os nomes de uma lista apresentada pelos capitulares do respetivo grupo de províncias.

§ 2. Para que alguém possa ser eleito membro do Conselho Geral deve ser professo perpétuo há, pelo menos, dez anos. Para o vigário do Reitor-Mor requer-se, além disso, que seja sacerdote.

142.    O vigário do Reitor-Mor, os conselheiros de sector e os conselheiros regionais permanecem no cargo por seis anos e podem ser eleitos somente para um segundo sexénio consecutivo, respetivamente no cargo de vigário do Reitor-Mor, de conselheiro de sector, de conselheiro regional, salvo o caso previsto no artigo 143 das Constituições.

Se algum dos membros do Conselho Geral vier a faltar ou ficar definitivamente impedido, o Reitor-Mor, com o consentimento do seu Conselho, confiará o cargo a quem julgar mais idóneo no Senhor, até ao termo do sexénio.

 

 

R 111

143.   Em caso de morte ou de cessação do cargo do Reitor-Mor, o vigário assume interinamente o governo da Sociedade e, de acordo com os outros membros do Conselho Geral, convoca o Capítulo Geral para a eleição do Reitor-Mor e do novo Conselho.

A eleição deverá efetuar-se não depois de nove meses após a morte ou cessação do cargo do Reitor-Mor.

Secretário-geral

R 110 

144.   O secretário-geral está ao serviço do Reitor-Mor e do seu Conselho e realiza a sua atividade investido de funções notariais. Participa sem direito de voto nas sessões do Conselho e redige as atas.

É responsável pelos serviços da secretaria geral e pelo arquivo central da Sociedade. É nomeado pelo Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho e permanece no cargo ad nutum.

Procurador-geral

145.   O encargo de tratar os negócios com a Sé Apostólica é confiado, por via ordinária, a um procurador-geral que é nomeado pelo Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho e permanece no cargo ad nutum.

As causas de beatificação e canonização promovidas pela Congregação são confiadas ao postulador-geral, escolhido segundo os mesmos moldes do procurador.

Capítulo Geral

146.   O Capítulo Geral é o mais importante sinal da unidade da Congregação na sua diversidade. É o encontro fraterno no qual os salesianos refletem comunitariamente para se manterem fiéis ao Evangelho e ao carisma do Fundador e sensíveis às necessidades dos tempos e dos lugares.

Por meio do Capítulo Geral toda a Sociedade, dócil ao Espírito do Senhor, procura conhecer num determinado momento da história a vontade de Deus para melhor servir a Igreja1.

1 Cf. CIC, can. 631.

147.   O Capítulo Geral tem a autoridade suprema na Sociedade e exerce-a segundo as normas do direito.

Em particular cabe ao Capítulo Geral estabelecer leis para toda a Sociedade, tratar os assuntos mais importantes, eleger o Reitor-Mor e os membros do Conselho Geral.

O serviço da autoridade na nossa Sociedade 109

 

148.    As deliberações do Capítulo Geral tenham sempre como base as Constituições aprovadas pela Sé Apostólica e nada contenham que seja contrário ao seu espírito. Elas obrigam todos os membros logo que sejam promulgadas pelo Reitor-Mor. Todavia, para promulgar as deliberações que modificam o texto constitucional, requer-se a aprovação prévia da Sé Apostólica.

149.    Ordinariamente o Capítulo Geral reúne-se de seis em seis anos e no caso previsto pelo art. 143 das Constituições; extraordinariamente, sempre que o exigir alguma grave razão, reconhecida como tal pelo Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho.

R 111-113.116.
117.120-123.
125.134

150.    O Capítulo Geral é convocado pelo Reitor-Mor ou, nos casos referidos no art. 143 das Constituições, pelo vigário. É presidido pelo Reitor-Mor ou, na sua ausência, pelo vigário.

 

 

 

 

 

R 114.115.118

151.    Participam no Capítulo Geral com direito de voto:

1.    o Reitor-Mor;

2.    os reitores-mores eméritos;

3.    os membros do Conselho Geral, quer os cessantes, quer os recém-eleitos, a partir do momento da sua eleição;

4.    o secretário-geral;

5.    o procurador-geral;

6.    o regulador do Capítulo Geral;

7.    os provinciais, os superiores das visita‑
dorias ou, se estiverem gravemente impedidos, os seus vigários, com prévia aprovação do Reitor-Mor;

8.    os delegados das circunscrições jurídicas de que fala o art. 156 das Constituições, professos de votos perpétuos, eleitos nos termos do art. 171,5 das Constituições e segundo as normas dos Regulamentos Gerais.

152.    Para a validade dos atos do Capítulo Geral requer-se a presença de, pelo menos, dois terços dos membros.

Ao serem tratados os assuntos a que se refere o art. 148, terá força de lei o que for aprovado pela maioria absoluta dos presentes.

Para as modificações ao texto constitucional exige-se a maioria de dois terços dos presentes.

 

R 126-133  

153.    Na eleição do Reitor-Mor e dos membros do Conselho Geral ficará eleito quem obtiver os votos da maioria absoluta dos presentes.

Se o primeiro escrutínio ficar sem efeito, far-se-á um segundo e um terceiro. Se também o terceiro for ineficaz, proceder-se-á a um quarto, no qual terão voz passiva apenas os dois irmãos que no terceiro escrutínio tiverem obtido o número mais elevado de votos. Em caso de igualdade de votos, será eleito o mais antigo de profissão e, em paridade de tempo de profissão, o mais velho de idade.

 

R 135-138

154.  Para facilitar as relações das províncias com o Reitor-Mor e o Conselho Geral, e para promover a ligação das províncias entre si, estas são reunidas em grupos de províncias, confiados a um conselheiro regional.

A constituição dos grupos de províncias é da competência do Capítulo Geral.

Estruturas regionais

R 139-142

155.  Quando a afinidade e a identidade de situações e de problemas sugerirem uma ligação mais estreita entre algumas províncias, podem constituir-se no interior do grupo uma ou mais conferências provinciais.

Pertence ao Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho a constituição das conferências provinciais, após consulta prévia às províncias interessadas.

XII. SERVIÇO DA AUTORIDADE
NA COMUNIDADE PROVINCIAL

«Tomai cuidado convosco e com todo o rebanho de que o Espírito Santo vos constituiu administradores, para apascentardes a Igreja de Deus, adquirida por Ele com o seu próprio sangue» (At 20, 28).

Circunscrições jurídicas

156.  Compete ao Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho e após adequada consulta aos irmãos interessados, dividir a Sociedade em circunscrições jurídicas, criar outras novas, fundir as já constituídas, defini-las diversamente ou suprimi-las.

Ordinariamente as circunscrições da nossa Sociedade são as províncias e as visitadorias.

Para outras eventuais circunscrições jurídicas, a estrutura interna e a representação no Capítulo Geral serão definidas no decreto de ereção, segundo o espírito e a tradição salesiana.

Província

157.  A província une numa comunidade mais vasta diversas comunidades locais. É canonicamente ereta quando existem as condições necessárias e suficientes para promover eficazmente, numa determinada circunscrição jurídica, a vida e a missão da Congregação, com a autonomia que, segundo as Constituições, lhe compete.

Através das suas estruturas, a província favorece os vínculos de comunhão entre os seus membros e as comunidades locais e oferece à Igreja particular um serviço específico.

Visitadoria

R 143-149

158.   A visitadoria assemelha-se à província. É constituída quando a distância, o número ou outras circunstâncias requerem que algumas casas sejam separadas de uma ou mais províncias, mas a escassez de pessoal, os meios financeiros ou alguma outra razão desaconselham a constituição de uma nova província.

O superior é nomeado segundo as modalidades e as condições indicadas para o provincial. Permanece no cargo seis anos. Governa com poder ordinário vicarial com a ajuda do seu Conselho.

Delegações provinciais

159.    Se, no âmbito de uma província, as distâncias ou outros motivos impedirem o provincial de cuidar devidamente de algumas comunidades locais que, apesar de terem uma certa unidade entre si, não apresentam os requisitos necessários para a ereção em visitadoria, o mesmo provincial, com o consentimento do seu Conselho e a aprovação do Reitor-Mor, pode constituir uma delegação.

O superior é nomeado pelo provincial com o consentimento do seu Conselho e a aprovação do Reitor-Mor, depois de uma oportuna consulta entre os irmãos da delegação. Exerceos poderes que o provincial julgar oportuno delegar-lhe.

Adscrição dos irmãos a uma circunscrição

R 151.157

 

160. O irmão com a primeira profissão religiosa fica adscrito à circunscrição jurídica ao serviço da qual pediu para ser admitido.

Pode ser adscrito a outra circunscrição jurídica por transferência definitiva ou temporária por parte das autoridades competentes.

Provincial

R 144
148.153,
160

     161. À frente de cada província é colocado um provincial, que desempenha as suas funções em união com o Reitor-Mor, com caridade e sentido pastoral, em ordem à formação de uma comunidade fraterna provincial.

Ajudado pelo seu Conselho, anima a vida religiosa e a ação apostólica da comunidade provincial, vela pela formação dos seus membros, especialmente dos noviços e dos irmãos jovens, dirige e controla a administração dos bens da província e de cada casa.

R 143.149.152.
153.160

162. O provincial é nomeado pelo Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho, após ampla consulta à província interessada.

Deve ser sacerdote e professo perpétuo há, pelo menos, dez anos.

Exerce sobre todas as casas e irmãos da província poder ordinário, no foro interno e externo, em conformidade com as normas das Constituições e do direito.

É o superior competente para autorizar os membros da Sociedade a publicar escritos religiosos ou de conteúdo moral1 e a pregar aos irmãos nas suas igrejas ou oratórios2.

1 Cf. CIC, can. 832.

2 Cf. CIC, can. 765.

 

 

163.   O provincial permanece no cargo por seis anos. Durante este período o Reitor-Mor, com o consentimento do seu Conselho, pode transferi-lo para outro lugar ou destinar-lhe outro cargo, sempre que o julgue necessário para o bem da Congregação. Terminado o sexénio, deixa ordinariamente o cargo de provincial, ao menos por um ano.

Conselho Provincial

R 155.159.160

164.   O Conselho ajuda o provincial em tudo o que se refere à animação e ao governo da província.

É convocado e presidido pelo provincial e compõem-no o vigário, o ecónomo e, ordinariamente, mais três ou cinco conselheiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

R 156-158

165.   O provincial promove a colaboração ativa e responsável dos seus conselheiros.

Nos assuntos de maior importância ouvirá sempre o seu Conselho.É necessário que o provincial tenha o consentimento do seu Conselho nos seguintes casos:

1.    admissão ao noviciado, à profissão, aos ministérios e às ordens sagradas (108 C);

2.    nomeação ou eventual transferência de um diretor (177 C);

3.    nomeação do mestre de noviços (112 C);

4.    constituição de delegações provinciais e nomeação de delegados (159 C);

5.    pedido de autorização ao Reitor-Mor e seu Conselho para abrir e fechar casas, modificar a finalidade das obras já existentes e empreender obras extraordinárias (132 C);

6.    convocação do Capítulo Provincial extraordinário (172 C);

7.    operações económicas referidas no art. 188 das Constituições;

8.    determinação dos sectores de atividade das comunidades que devem estar representados nos Conselhos Locais (180 C);

9.    modificação das estruturas ordinárias e das funções no interior da comunidade (182 C);

10.  autorização aos irmãos para viver em situação de ausência da casa religiosa

166. Para que um irmão possa ser membro do Conselho Provincial requer-se que seja professo perpétuo há, pelo menos, cinco anos e já tenha concluído a formação inicial.

Quanto ao vigário requer-se ainda que seja sacerdote.

 

R 154 

167.    Os conselheiros provinciais são nomeados pelo Reitor-Mor, com o consentimento do seu Conselho, sob proposta do provincial, após ampla consulta aos irmãos da província.

Permanecem no cargo por três anos e podem ser reconduzidos ou também exonerados durante o triénio.

168.    O vigário é o primeiro colaborador do provincial em tudo o que diz respeito ao governo ordinário da província e naquilo de que tenha recebido especial encargo.

Faz as vezes do provincial ausente ou im- pedido.

Por morte do provincial, e enquanto não for providenciado de outra forma pelo Reitor-Mor, o vigário assume e exerce todo o governo da província.

 

R 193-196

169.    Pertence ao ecónomo provincial administrar os bens da província, controlar e coordenar a economia de cada casa, de acordo com o provincial e segundo as normas estabelecidas.

Capítulo Provincial

170.    O Capítulo Provincial é a reunião fraterna em que as comunidades locais reforçam o seu sentido de pertença à comunidade provincial, mediante a solicitude comum pelos problemas gerais.

É também a assembleia representativa dos irmãos e das comunidades locais.

Delibera sobre tudo aquilo que diz respeito à província, salva a competência atribuída pelas Constituições e pelos Regulamentos a outros órgãos de governo.

As deliberações do Capítulo Provincial só serão obrigatórias depois de aprovadas pelo Reitor-Mor com o consentimento do seu Conselho, sem prejuízo do que se prescreve no art. 171,5 das Constituições.

 

 

R 167.190 

171.  Ao Capítulo Provincial compete:

1.    estabelecer tudo o que diz respeito ao bom andamento da província;

2.    procurar os meios aptos para promover a vida religiosa e pastoral da comunidade provincial;

3.    estudar e verificar a maneira de pôr em prática as deliberações do Capítulo Geral;

4.    elaborar e rever o Diretório provincial no âmbito das competências atribuídas a esse nível;

5.    eleger um ou dois delegados e os respetivos suplentes ao Capítulo Geral, segundo as normas dos Regulamentos Gerais.

 

R 168

172. Ordinariamente o Capítulo Provincial será convocado pelo provincial de três em três anos e sempre que houver Capítulo Geral; extraordinariamente, quando o provincial com o consentimento do seu Conselho e depois de ter consultado o Reitor-Mor, o julgar conveniente para o bem da província.

 

 

R 161-165.168

173. Participam no Capítulo Provincial com direito de voto:

1.    o provincial, que preside;

2.    os conselheiros provinciais;

3.    o superior de cada delegação provincial;

4.    o regulador do Capítulo Provincial;

5.    o diretor de cada casa canonicamente ereta ou, se este estiver gravemente impedido, o seu vigário, com aprovação prévia do provincial;

6.    o mestre de noviços;

7.    os delegados das comunidades locais e da comunidade provincial, eleitos entre os professos perpétuos, segundo as normas dos Regulamentos Gerais.

R 165

174. Na eleição dos delegados das comunidades locais e da comunidade provincial participam todos os professos perpétuos e temporários.

XIII. SERVIÇO DA AUTORIDADE NA COMUNIDADE LOCAL

«Como bons administradores das várias graças de Deus, cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu... Se alguém exerce um ministério, faça-o com a força que Deus lhe concede, para que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo» (1 Pe 4, 10-11).

Comunidade local

175.  A comunidade local é formada por irmãos que residem numa casa legitimamente ereta e nela levam vida comum em unidade de espírito sob a autoridade do superior1, trabalhando corresponsavelmente na missão apostólica.

1 Cf. CIC, can. 608.

R 29.172-179. 199

176.    O superior de cada uma das comunidades locais assume o nome de diretor.

É o primeiro responsável pela vida religiosa, atividades apostólicas e administração dos bens.

Com a colaboração do seu Conselho anima e governa a comunidade em conformidade com as normas das Constituições e Regulamentos Gerais.

 

 

R 170.171

177. O diretor deve ser sacerdote, professo perpétuo há pelo menos cinco anos e é nomeado pelo provincial com o consentimento do seu Conselho e a aprovação do Reitor-Mor, tendo em conta as indicações obtidas através de uma oportuna consulta, feita entre os irmãos da província.

O seu mandato é trienal e pode ser confirmado por um segundo triénio na mesma comunidade.

Durante o triénio pode ser destinado a outro cargo se o provincial, com o consentimento do seu Conselho, o julgar necessário.

Conselho Local

R 180

178.   Em cada comunidade local haja um Conselho formado por irmãos de votos perpétuos, que já não estejam em formação inicial, em número proporcionado às exigências das atividades e ao número dos irmãos.

Incumbe a este Conselho colaborar na animação e no governo com o diretor que o convoca e ao qual preside.

 

R 183 

179.   São membros do Conselho:

1.    o vigário e o ecónomo;

2.    os irmãos responsáveis pelos principais sectores de atividade da comunidade, de acordo com o art. 180 das Constituições;

3.    um ou mais irmãos eleitos anualmente pela Assembleia dos irmãos, onde estes forem numerosos, em conformidade com  os artigos 180 e 186 das Constituições.

R 183

180. Compete ao provincial, com o consentimento do seu Conselho e depois de ouvir o parecer da comunidade local, determinar quais os sectores das atividades da comunidade que devem estar representados no Conselho; também determinará se e quantos conselheiros deverão ser eleitos pela Assembleia dos irmãos.

 

 

R 180 

181. O diretor deve ter o consentimento do seu Conselho para:

1.    aprovar a programação anual da vida e das atividades da comunidade, a submeter à confirmação do provincial;

2.    propor ao provincial novas experiências e mudanças substanciais no rumo da obra;

3.    aprovar o orçamento e o balanço da comunidade e das obras que dependem da nossa responsabilidade;

4.    efetuar as operações económicas previstas pelo art. 188 das Constituições;

5.    determinar a periodicidade ordinária das reuniões do Conselho.

Nos outros assuntos de importância o diretor ouvirá sempre o seu Conselho.

R 181

182. Sempre que as circunstâncias sugiram alguma exceção o provincial, com o consentimento do seu Conselho e depois de ouvir o parecer da comunidade local interessada, pode modificar, salvaguardada sempre a figura do diretor, as estruturas ordinárias e as funções no interior da comunidade, sobretudo quando esta for numericamente reduzida.

R 182

183. O vigário é o primeiro colaborador do diretor. Faz as suas vezes nas coisas de que tenha recebido especial encargo e, quando o diretor estiver ausente ou impedido, em tudo o que se refere ao governo ordinário. Por isso deve ser sacerdote.

Por morte do diretor, e enquanto o provincial não providenciar de outra forma, o vigário assume e exerce o governo da casa.

R 198-202

184.   O ecónomo é o responsável imediato pela administração dos bens temporais da casa religiosa sob a dependência do diretor com o seu Conselho. Desempenha o cargo em espírito de caridade e de pobreza.

185.   A figura e as funções dos responsáveis pelos principais sectores de atividade da comunidade serão estabelecidas pelo Capítulo Provincial.

Assembleia dos irmãos

R 173.184

186. A Assembleia dos irmãos, que reúne todos os membros da comunidade local,é convocada e presidida pelo diretor para o exame consultivo dos principais assuntos relacionados com a vida e as atividades da comunidade.

Compete-lhe, além disso, a eleição do delegado ao Capítulo Provincial e do respetivo suplente, como também a eventual eleição dos membros do Conselho local, em conformidade com o art. 180 das Constituições.

XIV. ADMINISTRAÇÃO DOS BENS TEMPORAIS

«Contentai-vos com o que possuís, pois o próprio Deus disse: “Não te deixarei nem te abandonarei”... Não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com os outros, pois são esses os sacrifícios que agradam a Deus» (Heb 13, 5.16).

R 187

187.   A Sociedade Salesiana tem a capacidade de adquirir, possuir, administrar e alienar bens temporais. Isto vale para a Congregação, para cada província e para cada casa. Tais bens não estejam em nome de uma pessoa física e conservem-se só na medida em que são diretamente úteis para as obras.

Deve excluir-se a aquisição e conservação de bens imóveis só com o fim de rendimento, e qualquer outra forma permanente de capitalização frugífera, salvo o previsto no art. 188 das Constituições.

188.   É necessária a autorização do Reitor--Mor com o consentimento do seu Conselho para:

1.    adquirir, alienar, permutar, hipotecar, dar
de arrendamento bens imóveis;

2.    contrair empréstimos com ou sem hipoteca;

3.    aceitar heranças, legados ou doações com encargos; para os que forem aceites sem encargos, basta dar conhecimento deles;

4.    constituir encargos vitalícios, bolsas de estudo, obrigações de missas, fundações particulares ou entidades de beneficência;

5.    construir novos edifícios, demolir os existentes ou fazer neles transformações importantes.

Para tal autorização, no caso de operações a nível provincial ou local, é preciso que os órgãos interessados apresentem a documentação adequada, acompanhada do parecer do provincial e do seu Conselho, ao qual se juntará o parecer do diretor e do seu Conselho quando se tratar de uma casa.

189. Em relação a todas as operações indicadas no art. 188 das Constituições compete ao Reitor-Mor, com o consentimento do seu Conselho, depois de ouvir os provinciais com os respetivos Conselhos, e tendo em conta as decisões pertinentes da Sé Apostólica, determinar os limites de valor dentro dos quais o provincial com o consentimento do seu Conselho tem competência para as autorizar com processo análogo.

Tratando-se de operações que superem a soma estabelecida pela Sé Apostólica, ou de doações votivas e de objetos preciosos pelo seu valor histórico ou artístico, é necessária também a licença da mesma Sé Apostólica1.

1 Cf. CIC, can. 638,3.

O serviço da autoridade na nossa Sociedade 127

R 30.190.192. 202

190. Todos os bens temporais são administrados, respetivamente, pelo ecónomo-geral, pelos ecónomos provinciais e pelos ecónomos locais, sob a direção e o controle dos respetivos superiores e Conselhos, em conformidade com as disposições canónicas, nos termos das Constituições e dos Regulamentos Gerais, e observadas as leis vigentes em cada país.

CONCLUSÃO

«Corro pelos caminhos dos teus mandamentos, porque deste largas ao meu coração» (Sl 119, 32).

Direito próprio da nossa Sociedade

191.   A vida e ação das comunidades e dos irmãos são reguladas pelo direito universal da Igreja e pelo direito particular da Sociedade.

Este último encontra-se expresso nas Constituições, que representam o nosso código fundamental, nos Regulamentos Gerais, nas deliberações do Capítulo Geral, nos Diretórios gerais e provinciais e noutras decisões das autoridades competentes.

Sentido e interpretação das Constituições

192.   As presentes Constituições contêm as riquezas espirituais da tradição dos Salesianos de Dom Bosco e definem o projeto apostólico da nossa Sociedade.

Ao aprová-las, a Igreja garante a autenticidade evangélica da via traçada pelo Fundador e reconhece nela «um bem especial de todo o povo de Deus»1.

Somente a Sé Apostólica pode interpretá-las de forma autêntica; mas para a direção prática da Sociedade e o bem dos irmãos, pode também interpretá-las, além do Capítulo Geral, o Reitor-Mor com o seu Conselho.

1 RD 14; Cf. PC 1.

Valor normativo das Constituições

193.   As Constituições obrigam cada um dos irmãos em força dos compromissos livremente assumidos perante a Igreja com a profissão religiosa.

Os superiores maiores, ficando de pé quanto estabelece o direito universal1, podem dispensar temporariamente de determinados artigos disciplinares.

1 Cf. CIC, can. 85-87; 90; 92; 93; 1245.

Desvinculação da Sociedade

 

R 54

194.   No caso de um irmão julgar em consciência que deve retirar-se da Sociedade, faça-o perante Deus, depois de se ter aconselhado com pessoas prudentes, confortado pela compreensão e caridade dos irmãos.

Contudo, só poderá abandonar a Sociedade depois de expirar o tempo da profissão temporária ou se não for admitido à profissão sucessiva; ou ainda se for legitimamente desvinculado dos votos e dos compromissos assumidos com a profissão, seja por passagem a outro instituto, seja por dispensa ou por demissão, em conformidade com o direito universal.1

    .

1 Cf. CIC, can. 685; 688; 689; 691-704

Fidelidade e perseverança

195. A fidelidade ao compromisso assumido com a profissão religiosa é uma resposta sempre renovada à especial aliança que o Senhor fez conosco.

A nossa perseverança apoia-se totalmente na fidelidade de Deus, que nos amou primeiro, e é alimentada pela graça da sua consagração. É também sustentada pelo amor aos jovens aos quais somos enviados e exprime-se na gratidão ao Senhor pelos dons que a vida salesiana nos oferece.

Um caminho que conduz ao Amor

196. A nossa regra viva é Jesus Cristo, o Salvador anunciado no Evangelho, que vive hoje na Igreja e no mundo, e que descobrimos presente em Dom Bosco, o qual consagrou a vida aos jovens.

Em resposta à predileção do Senhor Jesus que nos chamou pelo nome, e guiados por Maria, acolhemos as Constituições como testamento de Dom Bosco, livro de vida para nós e penhor de esperança para os pequenos e os pobres.

Meditamo-las na fé e comprometemo-nos a praticá-las: elas são para nós, discípulos do Senhor, um caminho que conduz ao Amor.