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Um sexênio que requer audácia, profecia e fidelidade (ACG 434)

«Sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres» (C. 2)

 Um sexênio que requer audácia, profecia e fidelidade

«Primeiramente, dou graças ao meu Deus,
através de Jesus Cristo, por todos vós,
pois no mundo inteiro se faz o elogio de vossa fé.

Deus, a quem presto um culto espiritual,
servindo ao evangelho do seu Filho,
é testemunha de que constantemente faço menção de vós,
pedindo sempre em minhas orações
que eu possa, enfim, fazer uma boa viagem até vós,
de acordo com a vontade de Deus.

Pois desejo vivamente estar convosco,
para vos comunicar algum dom espiritual,
a fim de serdes confirmados, ou melhor,
a fim de que todos nós sejamos reconfortados,
eu por vós e vós por mim,
graças à fé que nos é comum» (Rm 1,8-12).

Roma, 8 de dezembro de 2020
Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

 

Caros Irmãos,

faço minhas as palavra de São Paulo, enquanto vos escrevo para apresentar-vos a programação do Reitor-Mor e seu Conselho, preparada para o sexênio já iniciado.

Quais salesianos para os jovens de hoje? Esta pergunta ressoou durante os meses anteriores ao Capítulo-Geral 28 e acompanhou-nos nos meses vividos em Valdocco, até o encerramento antecipado do CG28 devido à pandemia da Covid-19. É a pergunta que deverá continuar a nos acompanhar e iluminar o nosso caminho nos próximos seis anos. O sexênio que nos espera será sem dúvida uma preciosa oportunidade para ser mais audazes, mais proféticos e sempre fiéis, até tornar-se realidade onde estamos presentes como filhos de Dom Bosco, sonhados e suscitados para esse fim pelo Espírito Santo, «o projeto apostólico do Fundador: ser na Igreja sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres» (C. 2).

Meus caros irmãos, passados alguns meses desde o encerramento do CG28, ofereço-vos, com o Conselho-Geral, uma reflexão que acompanha a programação preparada pelo Reitor-Mor com o seu Conselho para a animação e o governo da Congregação no sexênio 2020-2026.

 

Um tempo de precariedade

 

Passaram-se sete meses desde o encerramento do Capítulo-Geral 28 e certamente também nós, como quase o mundo todo, estamos a viver um tempo complicado e marcado pela precariedade. Apresento alguns simples indicadores, entre os muitos que poderiam ser indicados:

  • Como Conselho-Geral, também nós ainda não conseguimos nos reunir, nem uma única vez, e serão necessários meses para que isso possa acontecer.
  • Também nós Salesianos fomos atingidos pela pandemia: enquanto escrevo, devo comunicar doloridamente a morte de 67 dos nossos irmãos. Com eles, morreram também familiares e parentes de outros irmãos, como ainda outras pessoas caras e conhecidas nossas.
  • Como muitas outras pessoas, sentimos e vivemos a experiência do “isolamento”. Não faltaram momentos de nervosismo, de ansiedade e também de medo. Irmãos idosos, mas também jovens, foram hospitalizados e correram o risco de perder a vida.
  • Neste ano, muitos noviciados precisaram iniciar suas atividades no interior dos diversos países de origem dos noviços, porque muitos pré-noviços, devido à pandemia, não puderam deixar o seu país. Desse modo, fragmentou-se uma etapa formativa que já estava bem consolidada, na expectativa – que esperamos não seja muito extensa – de ser possível reunir os noviços como no passado.
  • Como aconteceu para milhares e milhares de famílias, também centenas das nossas casas salesianas foram atingidas economicamente e acusam grandes dificuldades para a sustentabilidade das obras e das comunidades. Veem-se frequentemente na impossibilidade de assistir quem, neste momento, tem mais necessidade de nós. Isso tudo nos atinge profundamente.
  • Muitas programações, agendas e compromissos foram saltados ou anulados. Em certo sentido, parece que tudo ficou bloqueado.
  • Ao mesmo tempo, estamos a assistir a uma grande criatividade, caracterizada por múltiplas iniciativas em favor dos mais necessitados que nos rodeiam; mas admira-nos precisar admitir que jamais vivemos uma coisa desse tipo antes de agora e que ainda a estamos a viver.

Diante dessa realidade eu mesmo, em diversas ocasiões, convidei-vos, caros Irmãos, a olhar, contemplar e viver este tempo com profunda fé e esperança, sem vos deixar arrastar pelo “tsunami da pandemia”, que traz consigo tanto pessimismo com a tentação de fechar-se em si mesmos.

Convido-vos, uma vez mais, a ter um olhar contemplativo e a ficar em silêncio diante de tanto sofrimento acumulado, especialmente o de muitas pessoas, de muitas famílias, de muitos pobres.

Este olhar atento e cheio de compaixão, conforme o coração de Deus, deve fazer com que sejamos sempre mais misericordiosos em nossas intervenções, mais humildes em nossas palavras, em nossas declarações, em nossas afirmações e em nossos juízos. Que esplêndido fruto do Espírito será este, se o traduzirmos na realidade!

 

2. Um modo crente de olhar para a realidade e o mundo

 

Na situação que estamos atravessando impõe-se a nós, como crentes, uma verdade: Deus jamais fez o seu povo caminhar sem acompanhá-lo. Foi assim em todo o desenvolvimento da Revelação na história e continua a ser assim ainda hoje. Em Jesus Cristo, o Emanuel, o Deus-conosco – o tempo de Advento e a aproximação do Natal no-lo mostram – o caminho a seguir é Deus mesmo, que caminha sempre conosco. Também em tempo de pandemia.

Os momentos atuais de dificuldade e desorientação exigem de nós toda a atenção e a argúcia possível para perceber mais do que nunca que Deus está conosco, muito próximo, especialmente no seu Filho Jesus Cristo.

Isso nos foi recordado pelo Papa Francisco no dia 27 de março passado, no momento extraordinário de oração presidido por ele na praça de São Pedro deserta. Convidou-nos a tomar consciência de que este «é o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros». E acrescentou: «Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais».[1]

Neste tempo de incerteza, de cansaço, de instabilidade, de temores, poderíamos pensar – como Prometeu no mito grego – de ter que enfrentar só com as nossas pobres forças a situação que vivemos com muitas pessoas ao nosso redor. Como crentes, porém, somos chamados a continuar a fazer o nosso melhor com a consciência clara e firme de que aqui e agora a nossa força enraíza-se na certeza de que Jesus Cristo Senhor está conosco, entre nós: na “tempestade” ou em meio ao “deserto” que estamos a atravessar.

É este o caminho que pessoalmente penso e sonho para a nossa Congregação neste sexênio: enfrentar as tempestades e os desertos sem horizontes pré-fixados, bem sabendo em Quem depositamos a nossa confiança – como afirma o apóstolo Paulo ao escrever para o discípulo Timóteo[2] – sem nos fecharmos em nós mesmos, isolando-nos e afastando-nos de quem precisa de nós, na tentativa de proteger-nos de não sei quais ameaças... As famílias, as pessoas, os nossos jovens e as nossas jovens precisam da nossa presença entre eles; precisam que permaneçamos entre eles, nem fechados nem ancorados em espaços de segurança física ou psicológica.

Caros Irmãos, espero que ao longo deste caminho continuemos a estar convencidos de que o ritmo de uma sociedade – das sociedades, dos povos e das culturas em que o carisma salesiano está presente – não é ditado apenas por aqueles que correm mais, mas também por aqueles que são mais fracos, mais frágeis, ou que não podem nem mesmo caminhar, não podem nem mesmo falar porque não têm voz. Esse deve ser o nosso horizonte pós-capitular: com audácia e profecia, fiéis a Cristo, seguindo o nosso pai Dom Bosco.

 

3. O programa de animação e governo do Reitor-Mor e do seu Conselho

 

Caríssimos, esta carta acompanha o programa de animação e governo do Reitor-Mor e do seu Conselho. Em primeiro lugar, recordo que vivemos um momento e um contexto muito particulares: o CG28 foi encerrado antecipadamente e a pandemia, que já dura nove meses, segundo os especialistas provavelmente continuará ao menos por mais um semestre. Como já disse em outras ocasiões, este é o tempo que nos é dado e nele somos chamados a ser fecundos. Dom Bosco sempre soube agir com desenvoltura e criatividade no momento em que foi chamado a cuidar dos jovens mais pobres de Turim no século XIX, sem se deixar «desanimar diante das dificuldades» porque tinha «plena confiança no Pai» (C. 17). A nós cabe fazer o mesmo.

O programa de animação e governo não foi escrito para as inspetorias. Elas certamente podem tirar proveito do que consideram válido para elas. No entanto, o programa, como tal, diz respeito à responsabilidade particular do Reitor-Mor e do Conselho-Geral.

As Inspetorias e Visitadorias da Congregação gozam, além da riqueza do CG28, da Mensagem do Santo Padre e das Linhas programáticas do Reitor-Mor para a Congregação Salesiana após o Capítulo-Geral 28. Essas linhas destinam-se a ser uma espécie de “autoestrada” ao longo da qual, juntos, queremos circular no sexênio. Não creio que o mais importante seja a “velocidade” com que todos conseguirão fazer a viagem, desde que entrem em jogo muitos fatores: históricos, culturais, de nacionalidade. O importante é estar seguros de que, seguindo as indicações qualificadas do Papa e da Congregação, se vá na direção certa. Seria muito difícil, para não dizer impossível, encontrar até mesmo uma única inspetoria ou visitadoria que não se sentisse em sintonia com as linhas programáticas, considerando-as distantes ou não focadas na própria realidade local.

Servindo-se de uma imagem da física nuclear ou da astronomia, poder-se-ia dizer que as linhas programáticas são como órbitas concêntricas percorridas por partículas ou satélites em torno de um núcleo ou de uma estrela central. O centro é a figura do Salesiano de hoje: «Quais salesianos para os jovens de hoje?», foi a pergunta posta como tema do CG28. Poderíamos descrever os círculos concêntricos em torno do núcleo temático desta forma:

  • Como o jovem João Cagliero, o Salesiano de hoje deve sentir como referida a ele a expressão: «Frade ou não frade eu fico com Dom Bosco».[3] É a linha programática nº 1 (LP1: Um sexênio para crescer na identidade salesiana) porque, de fato, muitos de nós ouviram o chamado do Senhor através do fascínio e da atrativa exercitados em nós por Dom Bosco, nosso pai, que era tudo para os seus jovens.
  • Obviamente, esta motivação por si só não é suficiente para sustentar uma vida inteira. Mais cedo ou mais tarde surgirão os cansaços, porque a nossa vida não é um trabalho, mas uma vocação. Descobrimos dia após dia, ano após ano, que a vida da pessoa consagrada, a vida do Salesiano, só se sustenta pela centralidade de Cristo, só tendo o coração do Bom Pastor, como Dom Bosco, que se doou aos jovens até o último alento (LP2: A urgência do “Da mihi animas cetera tolle”).
  • De Dom Bosco aprendemos que a essência do Sistema Preventivo e o segredo que abre o coração dos jovens são dados pela nossa presença entre eles (LP3: Viver o “sacramento salesiano da presença”). É a presença de um educador, de um irmão, de um pai e até de um amigo (C. 15). É uma presença afetiva e efetiva, que nos faz querer estar com eles em todos os momentos, entre eles.
  • Tudo isso a ser vivido com um coração salesiano como o de Dom Bosco, a exemplo de Jesus Cristo Bom Pastor. Um coração que sente “a sua prioridade absoluta são os jovens, os mais pobres e os mais abandonados e indefesos” (LP5).
  • Estes Salesianos para os jovens de hoje, que somos nós, e os que continuam a bater às portas do carisma de Dom Bosco, devem assimilar, na sua formação (inicial e permanente), todos os traços de identidade que são nossos, juntamente com outro traço muito importante, mas ao qual em muitas partes do mundo oferecemos maior resistência. Refiro-me à dificuldade e ao esforço de incorporar em nosso DNA salesiano, como herança recebida do próprio Dom Bosco, a grande e forte contribuição que os leigos e a Família Salesiana dão ao carisma (LP6: “Com os leigos na missão e na formação. A força carismática que nos é oferecida pelos leigos e pela Família Salesiana”).
  • E o Salesiano para os jovens de hoje é capaz de amar o que os jovens amam. Ele descobre e reconhece hoje a grande sensibilidade que os jovens têm e demonstram pelo cuidado da criação. E percebe que essa atenção os toca profundamente, os envolve, une, motiva e desperta o seu empenho. Por isso, decidimos pôr-nos a caminho com eles “acompanhando-os para um futuro sustentável” (LP8).

Resta-me evidenciar que todos esses elementos da identidade do Salesiano para os jovens de hoje comportam duas opções, que entram na animação e no governo em todos os níveis (global, inspetorial e local). O Reitor-Mor com seu Conselho investirá muitas energias, motivações, recursos humanos e econômicos para atuar com estas opções:

  1. A primeira refere-se à centralidade que daremos no sexênio à formação inicial (em todas as suas fases) e à formação permanente (LP4).
  2. A segunda toca plenamente a convicção segundo a qual a nossa Congregação deve caminhar nos próximos seis anos para uma maior universalidade e sem fronteiras. As nações têm fronteiras. A nossa generosidade, que sustenta a missão, não pode nem deve conhecer limites. A profecia de que devemos ser testemunhas como Congregação não compreende fronteiras (LP7).

 

4. Um trabalho de equipe com prioridades claras

 

Acredito que o quanto apresentei há pouco possa iluminar a proposta programática a seguir.

O programa traça um arco que compreende:

  • as prioridades e as explicitações do que o Reitor-Mor pretende realizar no seu serviço de animação e governo;
  • as prioridades do seu Vigário, muito centradas no importante e delicado serviço que deve prestar;
  • o programa particular de cada Setor da Congregação (formação, pastoral juvenil, comunicação social, missões, economia);
  • a animação e o acompanhamento das regiões, feitos em primeiro lugar pelos Conselheiros Regionais.

As oito linhas programáticas do sexênio estão presentes nesta programação, com algumas nuances específicas. Todas elas são importantes. Ao mesmo tempo, as prioridades e o desenvolvimento que terão nestes seis anos estão estreitamente relacionados com a diversidade dos contextos e as realidades específicas de cada inspetoria.

  • 1. Daremos prioridade ao cuidado da vocação de cada irmão e ao sentido de pertença à Congregação.

O P. Egídio Viganò já advertira, há muitos anos, sobre o perigo do genericismo na Congregação.[4] Hoje, talvez este “genericismo” seja de outro tipo, correndo o risco de ser vivido por alguns irmãos como “relativismo vocacional”, pelo qual não importa deixar Dom Bosco e abandonar a Congregação, desde que se exerça o ministério sacerdotal em qualquer diocese que seja. Às vezes, para alguns irmãos, ser sacerdote é um “risco” para a sua condição de religiosos consagrados mais do que oportunidade de viver o sacerdócio como Dom Bosco o viveu, ou seja, como Fundador da Congregação, como “salesiano entre os seus salesianos” e “sacerdote entre os seus jovens” em todos os momentos: no pátio, na capela, no refeitório, durante a Eucaristia, na diversão, na Confissão, no estudo ou na oficina, na oração do Santo Rosário. Sempre e todos os momentos Salesiano e Sacerdote, com os outros Salesianos entre os jovens.

Há Salesianos Sacerdotes que, depois de alguns anos na Congregação, pedem para exercer o ministério como párocos, não numa paróquia salesiana, mas sob a guia exclusiva de um bispo, à espera de serem incardinados na sua diocese. A estes irmãos basta exercer o ministério sacerdotal, enquanto o ser Salesiano de Dom Bosco é colocado de lado. Este é um mal que aflige muitos institutos de vida consagrada, e nós não estamos isentos dele.

Enquanto afirmo isso, desejo ser bem entendido. O ministério sacerdotal é sempre um dom precioso de Deus. Estou falando da consagração religiosa do Sacerdote Salesiano. Não ponho em dúvida a beleza e a bondade do ministério sacerdotal; mas alerto contra o perigo real de subestimar ou de não compreender a força profética e carismática da nossa vida consagrada, pensando que se possa ser Salesiano, ou deixar de sê-lo, com a mesma facilidade, sem que nada mude, desde que se possa continuar a exercer o ministério sacerdotal. Mas não é a mesma coisa. Trata-se de outro estado de vida, que comporta um modo diferente de seguir o Senhor Jesus na construção do Reino dos Céus. Por esse motivo, falo de outro tipo de “genericismo”, que chamo de “relativismo vocacional”.

A longa experiência da Congregação sempre confirma que, quando os irmãos começam a trilhar caminhos que os levam a concentrar-se sobre si mesmos, em busca de reconhecimento, de autonomia, às vezes, de independência a qualquer preço, tudo fica distorcido.

Diversamente, quando como Salesianos de Dom Bosco, coadjutores ou padres, pessoalmente ou como comunidade, fazemos escolhas que partem de uma vida que põe Jesus Cristo no centro, experimentamos uma profunda dinâmica interior, que provém do Espírito Santo e nos dá uma felicidade sólida, levando-nos a ser e a sentir-nos verdadeiros apóstolos dos jovens. Amigos, irmãos, pais e educadores que, imitando a paternidade de Dom Bosco, são a melhor “boa nova” que pode vir de Deus através do rosto humano.

Por essa razão, nos próximos anos vamos nos empenhar para cuidar o mais possível da nossa vocação e da dos nossos irmãos, com o desejo e a alegria de ser para sempre Salesianos de Dom Bosco, com os nossos irmãos para os jovens.

  • 2. Daremos prioridade à proximidade e ao acompanhamento dos inspetores e seus conselhos, como também dos delegados inspetoriais, a partir dos diversos setores de animação da Congregação.

Acreditamos que a decisão, tomada nos seis anos passados, de garantir a máxima proximidade possível a cada um dos inspetores desde o início do seu serviço, tenha sido muito positiva e fecunda, a começar do primeiro encontro com o Reitor-Mor e parte do Conselho-Geral e oferecendo, em seguida, aos inspetores uma “carta de navegação” como ajuda para o início do seu serviço na Inspetoria.

A magnífica experiência vivida, todos os anos, em Valdocco com os inspetores que chegam a meados do seu serviço continuará a ser cuidada do mesmo modo, vivendo juntos uma semana de espiritualidade no berço do nosso carisma.

Como eu disse à conclusão do CG28, o Reitor-Mor assumirá também a tarefa de animação dos exercícios espirituais para os inspetores e membros dos conselhos inspetoriais em cada uma das Regiões da Congregação.

  • 3. Daremos prioridade, em total harmonia com o Setor da Pastoral Juvenil, à dimensão evangelizadora da nossa missão em todas as suas expressões. Acreditamos, de fato, que seja certamente muito importante, até urgente em alguns casos, que «a nossa Congregação viva, respire e caminhe procurando fazer do “Da mihi animas, coetera tolle” uma realidade no anúncio do Evangelho».[5] Com um olhar atento ao trabalho realizado pela Assembleia capitular sobre dois núcleos de reflexão que conseguimos tratar no CG28, resulta evidente a insistência «em dar centralidade ao anúncio de Jesus Cristo, atentos aos novos desafios que este aspecto nos apresenta “no estilo, no conteúdo e nos métodos”. Uma pastoral juvenil que propõe e provoca experiências. Uma proposta preciosa, real e sugestiva que, enquadrada na vida comunitária, torna os jovens protagonistas da pastoral juvenil; “portadores da chama viva do carisma salesiano”, oferece-lhes todo tipo de experiências em que é possível tocar Jesus, sentir Jesus pessoalmente. A relação de amizade com Jesus precisa de momentos de encontro, de experiências fundantes, de momentos fortes que consolidem (fortaleçam, mobilizem, reforcem) esta relação e “ajudem a descobrir a vida como um dom para os outros”».[6]

Essa forte convicção evangelizadora da nossa pastoral juvenil deve ter a dimensão vocacional como princípio unificador. Os muitos esforços expressados no campo da educação e da evangelização deveriam ajudar os nossos jovens e as nossas jovens a trilhar um caminho de fé que os leve naturalmente a colocar-se as questões adequadas sobre a própria vocação: «Senhor, o que esperas de mim?». Este objetivo torna-se possível com processos de acompanhamento e com acompanhantes – Salesianos e leigos, membros da Família Salesiana – sempre mais formados e sensíveis a essa exigência.

  • 4. Daremos prioridade ao caminho, significativo e profético em toda a Congregação, para fazer do sacramento salesiano da presença o sinal distintivo do nosso DNA recebido de Dom Bosco. Faremos todo o possível para nos ajudarmos na realização da conversão já pedida pelo CG26. Seria um fruto admirável do CG28 se todos os Salesianos – em todas as presenças no mundo, em todas as Inspetorias – e o próprio Reitor-Mor com seu Conselho, encontrassem tempo para estar entre os jovens como amigos, educadores e testemunhas de Deus, qualquer que seja o papel de cada um na comunidade.[7]

O Papa Francisco em sua Mensagem ao CG28 referiu-se à «opção Valdocco» e ao «carisma da presença». Recordou-nos que «antes ainda de o que fazer, o Salesiano é memória viva de uma presença em que a disponibilidade, a escuta, a alegria e a dedicação são as notas essenciais para suscitar processos. A gratuidade da presença salva a Congregação de todas as obsessões ativistas e de todos os reducionismos técnico-funcionais. O primeiro chamamento é ser uma presença alegre e gratuita entre os jovens».[8] É com essa sensibilidade e com o forte apelo à atenção que os jovens presentes à Assembleia capitular nos dirigiram, pedindo que não nos esquecêssemos deles, que nos empenharemos sempre mais neste sexênio para promover uma presença afetiva e efetiva entre os jovens e junto com eles. A atmosfera oratoriana de família e acolhida dos jovens deve ser o sinal distintivo de todas as nossas presenças e a atitude pessoal de todo Salesiano de Dom Bosco. De fato, «podemos dizer que o primeiro Oratório de Valdocco é como o “lugar teológico” do nosso carisma: ali nasceu toda a pastoral juvenil de Dom Bosco».[9]

  • 5. Vamos nos empenhar para cuidar com atenção da formação (inicial e permanente) para sermos mais evangelicamente significativos como Salesianos de Dom Bosco. Durante os trabalhos da Assembleia do CG28 não fomos capazes de enfrentar em toda a sua extensão aquele que devia ser um dos núcleos mais importantes da reflexão capitular; entretanto surgiu de modo evidente o desejo de concretizar com clareza, coragem e com uma visão ampla, a realidade dos processos de formação da nossa Congregação. Estamos convencidos de que num mundo que vive mudanças rapidíssimas – ou seja o mundo em que vivemos – devemos estar bem posicionados e bem ancorados no que é essencial para sermos os Salesianos educadores-pastores dos quais os jovens e suas famílias, a Igreja e o mundo de hoje precisam.

A reflexão feita no Conselho-Geral está em plena sintonia com o CG28, com o que nos foi pedido pelo Papa Francisco para a formação dos Salesianos de hoje[10] e com o pedido feito pelo P. Pascual Chávez no final do seu serviço quando convidou a Congregação a dar prioridade à centralidade da formação como elemento que garante a própria vocação.[11]

Neste sexênio teremos o objetivo de promover sempre mais uma formação que não seja apenas para a missão (aspecto já importante), mas também na missão, isto é, longe de qualquer situação que leve os Salesianos a se sentirem uma elite de privilegiados e de mais “afortunados”, que desconhecem o cansaço e os sacrifícios que a gente simples e os mais pobres devem suportar todos os dias para viver; ou esquecendo as nossas humildes origens, quer como Congregação quer na própria família, como acontece com a maior parte de nós. Estas palavras do Papa continuam a ressoar fortemente em nós: «é importante dizer que não somos formados para a missão, mas que somos formados na missão, a partir da qual se articula toda a nossa vida, com as suas escolhas e as suas prioridades».[12]

O acompanhamento pastoral é essencial. Nós o promoveremos o mais possível, como também a busca e a formação de formadores capazes desse acompanhamento e discernimento pastoral.

Os anos de estudo deverão orientar-se, sempre mais e melhor, para a formação dos jovens irmãos que os habilite para dialogar com a cultura e com os mais diversos contextos sociais, aprendendo a posicionar-se bem e a confrontar-se com uma secularização avassaladora, muito presente em muitas nações onde nos encontramos. Ao mesmo tempo, teremos que nos preparar sempre mais para realizar a missão salesiana em contextos religiosos muito diversos. O conhecimento e o diálogo com as outras religiões deveriam caracterizar a formação dos nossos futuros irmãos nesses Países. Tais contextos religiosos, ateus ou agnósticos, nos desafiam e não podem ser considerados indiferentes para a formação do Salesiano de hoje.

A inculturação deverá ser muito mais do que uma palavra, que normalmente não falta nos nossos textos, mas requer muitos processos e sensibilidade para ser realidade.

Também devemos formar-nos para traduzir em realidade a convicção teológica e carismática da missão compartilhada entre os Salesianos de Dom Bosco, os leigos comprometidos com a missão e os membros da Família Salesiana. Na missão compartilhada e na formação é necessário levar em consideração a contribuição que as mulheres oferecem em sua condição feminina e na própria família. Hoje, esta contribuição não pode passar em silêncio ou ser ignorada.[13] Mais concretamente, nas palavras do Papa Francisco: «Sem uma presença real, efetiva e afetiva das mulheres, às vossas obras faltaria coragem e capacidade para declinar a presença como hospitalidade, como casa. Diante do rigor que exclui, é preciso aprender a gerar nova vida do Evangelho. Convido-vos a levar por diante dinâmicas nas quais a voz da mulher, a sua visão e o seu agir – apreciado na sua singularidade – encontrem eco ao serem tomadas decisões; como um ator não auxiliar, mas constitutivo das vossas presenças».[14]

Enfim, devemos cuidar de uma formação que se empenhe na busca constante de uma plena harmonia e de uma simbiose entre identidade carismática e identificação vocacional, concretizando itinerários de verdadeira personalização formativa. De fato, «estamos convencidos de que se conseguirmos garantir, através da formação, uma clara identidade salesiana, os irmãos sentir-se-ão dotados de uma bagagem de valores, de atitudes, de critérios que os ajudarão a enfrentar com êxito a cultura atual e realizar a missão salesiana com eficácia».[15]

  • 6. Igualmente, na animação e no governo, empenharemos todas as energias possíveis para transformar em realidade a prioridade absoluta dos jovens, dos pobres e dos mais abandonados e indefesos.

Volto a repetir aqui, caros Irmãos, o que já expressei durante o CG28 e que retomei também nas linhas programáticas do sexênio. Sonho que dizer hoje e nos próximos anos “Salesianos de Dom Bosco” signifique, para as pessoas que ouvem o nosso nome, que somos consagrados um pouco “loucos”, ou seja, “loucos” porque amam os jovens, sobretudo os mais pobres, os mais abandonados e indefesos, com verdadeiro coração salesiano. Essa, parece-me, ser a definição mais bela que se possa dar hoje dos filhos de Dom Bosco. Estou convencido de que o nosso Pai desejaria justamente isso.

A realidade dos pobres e das novas pobrezas – cada vez mais numerosas e diferenciadas – deve encontrar os Salesianos sensíveis e capazes de enfrentar os danos que essas mesmas pobrezas causam aos jovens: prontos a intervir, como fez Dom Bosco na realidade da pobreza dos jovens de seu tempo. Nas palavras do Santo Padre: «Não podemos sentir-nos tranquilos, quando um membro da família humana é relegado para a retaguarda, reduzindo-se a uma sombra. O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda, sempre e em toda parte, para lhes dar voz, defendê-los e solidarizar-se com eles face a tanta hipocrisia e tantas promessas não cumpridas, e para os convidar a participar na vida da comunidade».[16] Assim deve ser para nós Salesianos.

Encontramos aqui uma bela continuidade no magistério da nossa Congregação. Há como que uma corrente de um rio que confirma e justifica a escolha prioritária pelos jovens, porque ela nos salva carismaticamente como Congregação: «Se nós estivermos com eles e no meio deles, eles serão os primeiros a nos fazer um bem, eles nos evangelizam e nos ajudam a viver de verdade o Evangelho com o carisma de Dom Bosco. Ouso dizer que são os jovens pobres que nos salvarão».[17] Quando um salesiano ouve ressoar fortemente tudo isso no seu coração, chega – quase sem o perceber – a dizer com profunda convicção, como Dom Bosco: «Eu por vós estudo, por vós trabalho, por vós vivo, por vós estou disposto também a dar a vida».[18]

A nossa opção prioritária em favor da «porção mais delicada e preciosa da sociedade humana» (C. 1), contém em si estas densas convicções: no centro, e sempre, está para nós a pessoa de cada um, estão todas as pessoas, cada uma com a própria dignidade, que deve ser sumamente respeitada. Cada pessoa, cada jovem, é um valor em si e não se deve considerar um objeto de cálculo econômico ou um bem comercial, como acontece com frequência em nossas sociedades. Nesta opção prioritária e no testemunho que damos, é preciso que «fique bem claro que a nossa predileção é evangélica, que realiza a prática de “dar o máximo àquele que na própria vida recebeu o mínimo”. A caridade salesiana entende começar não pelos primeiros, mas pelos últimos, não pelos mais ricos do ponto de vista econômico ou espiritual, os quais já têm atenção e serviços, mas pelos que têm necessidade de nós para suscitar esperança e despertar energias».[19]

Sintamo-nos amigos, educadores, irmãos, pais dos jovens e, por isso, protejamos os seus direitos e os ajudemos a tomar consciência dos seus deveres. E estejamos fortemente empenhados em proteger, de modo especial, aqueles que são mais frágeis e fracos, aqueles que não têm voz ou cuja voz não é ouvida. Comprometamo-nos a fazer com que nós mesmos e as nossas presenças sejam espaços sadios e seguros para os nossos destinatários. Devo confessar-vos, caros Irmãos, que enquanto redigia este compromisso, senti uma forte e bela sensação de paz. E gostaria que esse compromisso fosse uma verdadeiro “dogma” para todos nós. Admito também ter experimentado uma grande comoção e ficar sem palavras pelo que Dom Bosco escreveu ainda em 1873 sobre uma realidade semelhante. Peço-vos para lê-lo e acolhê-lo nos vossos corações como o mais ardente desejo do nosso Pai para a nossa Congregação – a sua Congregação – hoje. Assim escrevia: «A voz do povo lamenta com frequência fatos imorais que ocorreram contra os costumes, e de escândalos horríveis. É um grande mal, é um desastre: e rogo ao Senhor que faça com que todas as nossas Casas sejam fechadas, antes que nelas aconteçam tais desgraças».[20]

  • 7. Neste sexênio, daremos importância especial à Comunicação Social na Congregação, para dar visibilidade ao bem que se faz, tornar conhecidas as necessidades que existem e dar aos mais pobres a voz que têm o direito de ter. Assim fazendo não faremos outra coisa que realizar o dito das nossas Constituições: «Trabalhamos no setor da comunicação social. É um campo significativo de ação, que está entre as prioridades apostólicas da missão salesiana. Nosso Fundador intuiu o valor dessa escola de massa, que cria cultura e difunde modelos de vida, e lançou-se a empresas originais apostólicas para defender e sustentar a fé do povo. Seguindo-lhe o exemplo, valorizamos como dons de Deus as grandes possibilidades que a comunicação social nos oferece para a educação e a evangelização» (C. 43).

Ao mesmo tempo, percorreremos um caminho com os jovens, empenhando-nos no cuidado da Criação e na ecologia para um mundo sustentável, acompanhando a sensibilidade profética de que os jovens são portadores e que devem crescer em maior medida em cada um de nós.

Acreditamos que o Salesiano de hoje, todos os Salesianos e não só os missionários ad gentes, deva inculturar-se.

Entre os demais desafios temos o do ambiente digital, onde vivem os jovens de hoje. Quando falamos de presença entre os jovens, referimo-nos em primeiro lugar àquela primeira e mais preciosa presença que é o encontro pessoal; mas não resta dúvida de que podemos e devemos estar presentes também nos “pátios virtuais de hoje”, frequentados por muitos jovens, pelo menos por aqueles que podem aceder às mídias, que certamente não são todos. Na verdade, muitas vezes os mais pobres, devido à sua condição de pobreza, permanecem excluídos e sem outras alternativas.

É muito encorajador ver que não poucos irmãos fazem um belo serviço educativo-pastoral servindo-se da comunicação digital.

O mundo digital também oferece muitas possibilidades de encontro, de escuta e de uma presença verdadeiramente educativa; mas não se pode negar que esses instrumentos também têm o seu “lado obscuro”, que se manifesta quando faltam a qualidade e a ética da informação ou quando, pela ação de indivíduos ou movimentos, difundem-se no mundo digital, mensagens de ódio que atentam contra pessoas, notícias falsas, dificultando o caminho para a fraternidade universal e a amizade social. Como o Papa Francisco aponta oportunamente: «Ao desaparecer o silêncio e a escuta, transformando tudo em cliques e mensagens rápidas e ansiosas, coloca-se em perigo esta estrutura básica de uma sábia comunicação humana».[21]

A realidade do mundo digital afeta plenamente o trabalho de formação inicial e permanente dos Salesianos de Dom Bosco. É necessária uma formação adequada para habitar esse mundo de forma sempre mais competente. É preciso estar bem atento aos desafios e oportunidades que este mundo apresenta e ao que os jovens vivenciam e experimentam nos atuais novos ecossistemas sociais, culturais e de comunicação.

Viver sempre mais perto do mundo dos jovens e da sua linguagem, dos seus símbolos e da sua vida real é uma tarefa indispensável para nós hoje. Caso contrário, “perderemos o trem” que nos permite fazer a viagem da vida com eles. Nesse “trem”, a sensibilidade pela criação e o cuidado da casa comum são hoje algo “inegociável” para os jovens. Estaremos, portanto, ao seu lado planejando e divulgando itinerários educativos que procurem captar tudo o que se refere ao cuidado da criação e interagir com os jovens, à luz do olhar de fé com que contemplamos o mundo. Ao fazê-lo, aceitaremos também a simples e não pequena preocupação que muitos jovens demonstram pela ecologia, mesmo que nem sempre vivam seus interesses com uma perspectiva transcendente ou de fé.

  • 8. É clara também a decisão de alimentar em nossa Congregação, na fidelidade a Dom Bosco, o sonho missionário, que nos permite olhar para as novas fronteiras da evangelização e da presença entre os mais pobres. Esta decisão está intimamente relacionada com o esforço de promover, aprofundar e aumentar a cultura missionária em toda a Congregação, considerada e assimilada no coração como elemento fundamental do nosso carisma, pois «reconhecemos no trabalho missionário um traço essencial da nossa Congregação» (C. 30).

Certamente, como em outras prioridades a que já me referi, também neste caso é um compromisso estratégico cuidar da nossa formação de modo que seja orientada também para a missão e a espiritualidade missionária. Essa formação se refere tanto aos Salesianos consagrados como aos missionários leigos que compartilham conosco a ação missionária em suas várias expressões e em variados lugares. O caminho compartilhado, também na dimensão missionária, não pode reduzir-se à colaboração prática e funcional, mas deve ser integrado na missão compartilhada e na formação conjunta para a missão.

Em plena continuidade com o que já expressei em parágrafo precedente, reafirmo que «vivemos um tempo a ser enfrentado com mentalidade renovada, que “saiba ultrapassar as fronteiras”. Num mundo em que as fronteiras correm o risco de se fecharem sempre mais, a profecia da nossa vida consiste também nisto: demonstrar que não existem fronteiras para nós. A única realidade que temos é Deus, o Evangelho e a missão».[22] Essa visão explica o esforço que faremos para estabelecer, onde for oportuno, necessário e possível, comunidades salesianas internacionais e interculturais, com toda a força profética de que dispõem, sem ignorar ou esquecer o esforço necessário para construir fraternidade na diversidade cultural. Esse esforço sempre exigirá grande fé de nossa parte e um não pequeno esforço pessoal.

Ao mesmo tempo, como se vê na programação do Reitor-Mor e de alguns Setores de animação da Congregação, tornaremos efetiva e eficaz a abertura de visão e o sentido de pertença à Congregação dos Salesianos de Dom Bosco no mundo, contando em particular com a disponibilidade dos irmãos das Inspetorias para os serviços internacionais, as novas fundações e a atenção às novas fronteiras.

 

CONCLUSÃO: Sonhai! … e fazei sonhar!

 

Com este convite o Santo Padre conclui a sua mensagem ao Capítulo-Geral 28. Escolhi como título desta “carta de apresentação” do programa para os próximos anos, as palavras das nossas Constituições, que nos dizem que somos chamados a ser «sinais e portadores do amor de Deus aos jovens», neste sexênio em que, precisamente por isso, somos chamados, como pessoas e como Congregação, a uma sadia audácia e uma força capaz de profecia, sempre no caminho da fidelidade.

Caros Irmãos, como o nosso pai Dom Bosco, sejamos grandes sonhadores com os pés no chão e o coração sempre em Deus. «Sonhai casas abertas, fecundas e evangelizadoras, capazes de permitir ao Senhor mostrar a tantos jovens o seu amor incondicional, e a vós gozar a beleza a que fostes chamados. Sonhai... E não só para vós e para o bem da Congregação, mas para todos os jovens privados da força, da luz e do conforto da amizade com Jesus Cristo, privados de uma comunidade de fé que os sustente, de um horizonte de sentido de vida». Sonhemos... e façamos sonhar!

Dom Bosco transmitiu-nos a forte convicção de que Maria está na origem, acompanha o crescimento e é o apoio da nossa vocação. «Cremos que Maria está presente entre nós e continua a sua “missão de Mãe da Igreja e Auxiliadora dos Cristãos» (C. 8).

A ela entregamos com plena confiança, como filhos, o caminho da nossa Congregação e da Família Salesiana neste sexênio; sabendo que Ela continuará a tudo fazer.

Com afeto, em Dom Bosco,

Ángel Fernández Artime, SDB
Reitor-Mor

 

[1] Francisco, Meditação do Santo Padre durante o momento extraordinário de oração em tempo de epidemia, Roma, 27 de março de 2020.

[2] Cf. 2Tm 1,12.

[3] Cf. MB, VI, 335.

[4] Cf. E. Viganò, Lettere circolari di don Egidio Viganò ai Salesiani, Direzione Generale Opere Don Bosco, Roma 1996, 69, 661, 1041, 1053, 1116, 1281, 1286, 1526, 1558.

Outras citações significativas podem ser encontradas nas seguintes obras:

  • Viganò, L’interiorità apostolica. Riflessioni sulla “grazia di unità” come sorgente di carità pastorale, Elle Di Ci, Leumann (TO) 1995, 115 e 173.
  • Id., Non secondo la carne ma nello Spirito, Istituto Figlie di Maria Ausiliatrice, Roma 1978, 186.
  • Id., Un progetto evangelico di vita attiva, Elle Di Ci, Leumann (TO) 1982.
  • Id., La Famiglia Salesiana di Don Bosco. Lettere del Rettor Maggiore, Elle Di Ci, Leumann (TO) 1988, 222.

[5] Linhas programáticas do Reitor-Mor para a Congregação Salesiana depois do Capítulo Geral 28, n. 2, in ACG 433 (2020), 17.

[6] M. A. García Morcuende, Chaves de leitura educativo-pastoral do Capítulo-Geral 28. Reflexão do Setor de Pastoral Juvenil, n. 4.1, Roma, 10 de setembro de 2020.

[7] Linhas programáticas, o.c., 22.

[8] CG28, Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco ao CG28, in ACG 433 (2020), 52.

[9] E. Viganò, L’interiorità apostolica. Riflessioni sulla “grazia di unità” come sorgente di carità pastorale. Nel centenario della nascita e nel venticinquesimo della morte, Elle Di Ci, Torino 2020, 137.

[10] CG28, Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco ao CG28, o.c., 49-52.

[11] P. Chávez, Vocação e formação: dom e tarefa, in ACG 416 (2013).

[12] CG28, Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco ao CG28, o.c., 75.

[13] CG24, 166. 177.

[14] CG28, Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco ao CG28, o.c., 52.

[15] P. Chávez, Vocação e formação: dom e tarefa, o.c., 25.

[16] Francisco, Mensagem para o IV Dia Mundial dos pobres (15 de novembro de 2020), Roma 13 de junho de 2020.

[17] A. Fernández Artime, Discurso do Reitor-Mor no encerramento do CG27, in CG27, 137.

[18] D. Ruffino, Cronaca dell’Oratorio, ASC 110, Caderno 5, p. 10; ver também J. Vecchi, “Eu por vós estudo …” (C. 14). A preparação adequada dos irmãos e a qualidade do nosso trabalho educativo, in ACG 361 (1997).

[19] P. Chávez, “E vós, que dizeis? Quem sou eu?” (Mc 8,28). Contemplar Cristo com o olhar de Dom Bosco, in ACG 384 (2004).

[20] P. Ricaldone, Santità e Purezza (ACS n. 69, 31 gennaio 1935) 62, in Santidade e Pureza, Ed. EPS, Liceu Coração de Jesus, São Paulo, 102 (sem data da publicação em português).

[21] Francisco, Carta encíclica Fratelli tutti, 49.

[22] CG28, Linhas programáticas, o.c., 37.