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A carta de João Paulo II aos jovens (ACS 314)

Viganò Egídio

A CARTA DE JOÃO PAULO II AOS JOVENS

Atos do Conselho Superior

Ano LXVI – julho-setembro, 1985

314

Introdução. — O ano dos jovens. — Os valores da juventude. — A luz do Evangelho. — O difícil desafio do futuro. — O projeto de vida. — A caridade pastoral para com os jovens. — A pátria da nossa missão. — A intercessão de Maria.

Roma, 31 de maio de 1985

Queridos Irmãos,

escrevo no clima festivo do recente consistório, no qual o Santo Padre elevou ao cardinalato — para um serviço qualificado ao ministério de Pedro — três beneméritos irmãos nossos: Sua Eminência Rosálio Castillo Lara, arcebispo titular de Precausa e presidente da Pontifícia Comissão para a interpretação autêntica do Código de Direito Canónico; Sua Eminência Miguel Obando Bravo, arcebispo de Manágua, Nicarágua; e Sua Eminência Alfons Stickler, arcebispo titular de Bolsena e bibliotecário e arquivista da Santa Igreja Romana.

Podemos dizer que se trata de um acontecimento da nossa pequena história, que se por um lado honra a Congregação, por outro é um forte apelo a vivermos com redobrada intensidade a fidelidade ao nosso carisma na Igreja.

Congratulamo-nos com esses caríssimos irmãos. A eles dese­jamos sabedoria cada vez maior e muita coragem eclesial na colaboração que devem prestar à solicitude do Romano Pontífice em favor da Igreja universal.

A cada um deles, bem como ao nosso quarto irmão cardeal. Sua Eminência Raul Silva Henriquez, arcebispo emérito de San­tiago do Chile, afirmamos a nossa solidariedade, o afeto fraterno e uma constante lembrança na oração.

Ao mesmo tempo que agradecemos ao Santo Padre por essa benévola escolha, que indiretamente envolve também a nossa corresponsabilidade e revigora a profunda e sincera adesão à Sé Apostólica que Dom Bosco nos legou como herança espiritual, convido-vos a reler com atenção a recente “Carta” que João Paulo II escreveu aos jovens, e a meditar pessoal e comunitaria­mente seu conteúdo. Trata-se de um precioso documento, que nos interpela.

 

O ANO DOS JOVENS

 

A Organização das Nações Unidas declarou 1985 “Ano Inter­nacional da Juventude”. A escolha concentrou a atenção de todos. É objeto de reflexão dos meios de comunicação social, que repe­tem mensagens de empenho e de esperança. Na área cultural, uma série de publicações nos convida a maior compreensão da juventude na vida do homem e da incisividade do seu dinamismo na evolução da sociedade. A inquietação hoje observada no fenó­meno juvenil é um reflexo das condições socioculturais, mostra o que emerge do movimento do devir e prenuncia particulares possibilidades de mudança.

Mais que simples festa da juventude, este ano deve ser para nós um convite a rever a missão específica que o Senhor nos confiou entre os jovens. A tanto nos estimula quer o citado do­cumento do Papa aos jovens e às jovens do mundo, quer a corre­lativa carta a todos os sacerdotes da Igreja por ocasião da Quin­ta-feira Santa de 1985.

Deve-se observar que no magistério de João Paulo II as duas cartas não são isoladas. Já se pode contar pelo menos umas trinta alocuções do Papa aos jovens durante suas viagens apostólicas, e muitas outras a grupos de jovens em diversas oportunidades.

Pode-se dizer que as duas cartas representam o vértice de uma constante predileção e preocupação pastorais. Oferecem-nos uma visão profunda, de muita originalidade, não apenas de sim­patia ou interesse cultural, mas de sensibilidade e responsabili­dade social e eclesial. São o apelo de um promotor do futuro, mensagem profética de um pastor, intuição e antevidência de um precursor do advento do terceiro milénio cristão.

A Igreja, que vê no homem “o caminho da sua vida quoti­diana,[1] atribui extraordinária importância à juventude na existência de cada um e à juventude no devir da humanidade, a ponto de a considerar não apenas uma “propriedade” dos jovens, mas também “um bem especial de todos; é um bem da própria huma­nidade”.[2] As possibilidades da história não se esgotam com as gerações que se encaminham para o ocaso, mas se renovam a cada geração, para percorrer ulteriores etapas rumo à manifestação da plenitude.

Pois bem: uma visão desse tipo é conatural à nossa vocação. O CGE20[3] e o CG21[4] levaram-nos neste sentido a escrutar os jovens com esperança e realismo, sem dissimular as dificuldades e sem desesperar dos recursos, vendo na lida juvenil as implora­ções do homem: “o ponto-chave — disse-nos o CG21 — está em apoiar as aspirações profundas e sadias dos jovens, levando ao amadurecimento sua explícita ou implícita solidariedade com o Evangelho”.[5]

Devo confessar-vos que vi com satisfação as duas cartas do Papa em destaque e comentadas em alguns Noticiários inspetoriais e também apresentadas e comentadas por muitos irmãos a grupos de jovens.

 

OS VALORES DA JUVENTUDE

 

Lendo as várias alocuções e esta última carta do Papa, descobre-se sua profunda reflexão sobre a juventude: um patrimônio de valores e possibilidades para a pessoa, para a sociedade e para a Igreja.

A juventude é um tesouro em si mesma “por aquilo que é” e “por aquilo que dá”: a riqueza do seu “ser” e a fecundidade do seu “dar”.

— Que “é” a juventude?

É primavera, começo, oferta de viçosas possibilidades, semen­te de futuro onde o bem é mais forte que o mal; o rosto humano não tem rugas, o coração não tem ainda esconderijos, a inteligên­cia está alegremente à procura de tudo o que é verdadeiro e o espírito se debruça com atração e audácia sobre os grandes ideais.

A cada nova geração a humanidade pode recomeçar com esperança: Dom Bosco estava convencido de que mesmo numa maçã podre as sementes são ainda boas e promissoras. Não se trata de sonhar ou imaginar uma visão idílica da condição juvenil concreta, como se estivéramos deslumbrados pelos olhos inocen­tes e pelo sorriso transparente da criança, mas de constatar com reflexão objetiva que a juventude é “a porção mais delicada e mais preciosa da sociedade humana”.[6] Podemos enumerar as várias qualidades que o Papa costuma lembrar em suas falas: alegria, esperança, transparência, coragem, criatividade, idealis­mo, entusiasmo, generosidade, lealdade, vivacidade, sentido de justiça, disponibilidade ao serviço, repúdio do meio-termo, des­prezo de cálculos mesquinhos, repugnância a toda forma de hipocrisia, intolerância e prepotência.

Juventude implica poder de descoberta, de perspectiva, de escolha, de programação, de assunção pessoal de decisões fecun­das.

Isso tudo é por certo “possibilidade”, que não se realiza necessariamente. Mas é possibilidade objetiva, sobretudo se se levar em consideração o acréscimo de energia e de vida que provém do Homem novo ressuscitado mediante o Batismo.

Perguntando “quem são os jovens”, também o Papa lamenta que alguns envelhecem antes do tempo, renunciando torpemente aos valores da juventude: não é simplesmente na biologia, mas no “coração” que se encontra a verdadeira medida do que é a juven­tude. Ser jovem implica, além da primavera da idade, sentir em si o insistente estímulo do bem e da verdade, possuir um inces­sante impulso espiritual, alimentar, a partir do interior, a busca dos ideais, perseverar com sacrifício para atingir a meta.

A juventude, pois, é certamente, de per si, um bem extraor­dinário, não só para cada pessoa, mas para a humanidade inteira, à qual oferece continuamente verdadeiras possibilidades de cres­cimento e renovação. Será por isso indispensável interessar-se solicitamente por ela.

— Que “pode dar” a juventude?

Neste ponto, se quiser ser realista, a nossa reflexão deve referir-se à juventude hoje, na sociedade concreta que a envolve e lhe apresenta problemas cruciais de vida e de história: a consciência e o sentido ético, o amor e a família, a cultura e a paz, o trabalho e a responsabilidade política, a relação positiva com a natureza, o progresso das ciências, o uso humano da técnica, o caminho para a verdade e para a libertação integral do homem. Surgem então muitas dificuldades e obstáculos. Abre-se desta sorte um grande horizonte de compromissos, toda a vasta área da educação, que empenha adultos e jovens num projeto comum de crescimento, revisão e renovação.

As dificuldades que os jovens encontram para fazer frutificar o que podem dar provêm sobretudo de duas vertentes: da diver­sidade e contraposição na interpretação dos valores por parte da sociedade que os propõe e do ritmo descontínuo e confuso das modas ideológicas e dos modelos concretos de vida que de mil maneiras se oferecem aos jovens.

Há um bombardeio de mensagens, atitudes, promessas, aspi­rações e utopias, em contraste com um tempo limitado e um ambiente pouco propício para pensar, avaliar, discernir e assi­milar.

Este fato provoca dolorosa e inquietante fragmentação entre os jovens, não somente como dado de fato, mas também como mentalidade geral, que desconfia de um empenho educativo orgâ­nico e coerente. Parece flutuar no ambiente a desconfiança de atribuir significado estável às opções de vida que transcenda o simples gosto subjetivo ou a tentação da satisfação hedonista.

Nesse caso, a juventude, em vez de ser semente que fazer frutificar para todos, pode tornar-se um objeto de consumo re­servado ao proveito de poucos antes que passe, ou uma energia útil a ser canalizada e instrumentalizada em favor de algum Moloque imperante.

O que a juventude pode dar deverá ser objeto de cuidado da parte de todos: dos jovens, dos adultos, de uma sociedade edu­cadora.

O trabalho da educação refere-se à formação da consciência, aos valores da existência, aos eventos da salvação, aos problemas da sociedade, às exigências do amor, às necessidades dos caren­tes, ao projeto da própria vida, considerada como autêntica voca­ção histórica.

Assim a juventude se encaminha pela estrada da esperança e pode renovar a pessoa, o amor, o matrimônio, a família, a paz, o desenvolvimento, a sociedade e a Igreja.

Nesse envolvimento educativo com os jovens, lembra-nos o Papa que a juventude é também “herança” e “crescimento”.

“Herança”, porque “a herança de ser homem”, “a herança da cultura”, “os confins de um povo ou de uma nação” são partici­pação numa história concreta e um apelo ao compromisso para assumir um patrimônio de valores, para confirmá-lo, mantê-lo e incrementá-lo. A juventude nasce inserida numa história, num devir, numa tarefa. A família, a pátria, o bem comum exigem a educação do amor social.[7]

“Crescimento”, porque a juventude deve trazer consigo “a integração gradual de tudo o que é verdadeiro, de tudo o que é bom e é belo, mesmo quando ela, ‘do exterior’, anda unida aos sofrimentos, à perda de pessoas queridas e a toda a expe­riência do mal, que incessantemente se faz sentir no mundo em que vivemos”.[8]

Deve por isso saber também aceitar a fadiga e o esforço, superar os obstáculos e as resistências, incrementar as relações com os outros, desenvolver o sentido crítico e adquirir a capaci­dade de discernimento.

Para nós, salesianos, a consideração dos valores da juventude nos interpela profundamente, porque “como educadores colabora­mos com os jovens a fim de desenvolver-lhes as capacidades e aptidões até a plena maturidade. Sempre e em todos os casos, ajudamo-los a se abrirem à verdade e a construírem para si uma liberdade responsável. Para tanto nos empenhamos em suscitar neles a convicção e o gosto pelos valores autênticos que os orientam ao diálogo e ao serviço”.[9]

Para isso, além da preocupação com todo jovem como pessoa, dedicamo-nos simultaneamente à constituição de um adequado “ambiente” juvenil, porque a assimilação dos valores não é sim­ples produto de docência, mas resultado de uma experiência vivida e partilhada. Eu o lembrava no discurso de encerramento do CG22: “Trata-se de ver se, à luz da fé, sabemos unir uma sabedoria peda­gógica que consiga criar ambiente, experiências, símbolos, empe­nhos para a descoberta e a assimilação vital dos grandes valores que queremos fazer crescer. O período juvenil da vida se alonga. A síntese cultural em que devemos atuar apresenta sempre novas dificuldades. Ser hoje ‘missionários dos jovens’ é um autêntico desafio. O novo e estimulante artigo constitucional sobre o Ora­tório[10] é convite a incessante criatividade”.[11]

 

A LUZ DO EVANGELHO

 

O Papa dialoga com os jovens com verdadeira intuição pro­fética. Não se perde em frases de fácil benevolência, mas interpela-os com a clareza e a integridade do Evangelho; fá-lo com predileção e simpatia, mas com extrema lealdade em relação aos conteúdos mais exigentes.

Eis aí uma lição para todos nós: ter a franqueza e a peda­gogia de apresentar aos jovens a Palavra de Jesus. Nós o experi­mentamos com a “lembrança” das Bem-aventuranças: os jovens entram de boa mente em sintonia com Cristo e abrem-se com ardor aos grandes ideais do Evangelho.

“Queridos amigos — dizia o Papa à juventude de Lima — o manifesto evangélico das Bem-aventuranças é simplesmente um programa fascinante (para vós jovens). É certamente um ideal elevado e exigente. Justamente por isso, porém, é um programa de vida feito à vossa medida. Eu, peregrino da evangelização, sinto o dever de proclamar, esta tarde, diante de vós que somente em Cristo se encontra a resposta aos desejos mais profundos do vosso coração, à plenitude de todas as vossas aspirações; somente no Evangelho das Bem-aventuranças havereis de encontrar o sen­tido da vida e a plena luz sobre a dignidade e o mistério do homem!”[12]

A Palavra de Jesus, com efeito, manifesta peculiar afinidade com os valores da juventude pela sua novidade, autenticidade, força de libertação e regeneração; tem a misteriosa capacidade de suscitar o impulso do entusiasmo e garantir o ritmo constante de um itinerário para o bem, não obstante fraquezas e cedimentos.

A Palavra de Jesus está intrinsecamente ligada aos grandes eventos de salvação: o seu mistério pascal.

Ele, então, sua Palavra e toda a sua realidade, apresenta-se como a suprema novidade e a permanente juventude de toda a história: nos séculos passados e nos futuros, nada jamais será mais novo e mais jovem do que Cristo ressuscitado; Ele é o alfa e o ômega, o primeiro início e a última meta, o valor máxi­mo, absoluto e sempre atual, que faz explodir o devir humano. Traz consigo o entusiasmo do renascimento; é a primavera de toda geração, o estímulo de toda renovação, a luz e a audácia de toda reforma. O mistério de Cristo, refletido na dimensão escatológica da sua Igreja, é uma perpétua mensagem de juven­tude.

Assim se explica a afinidade do Evangelho com a idade juvenil.

Será preciso, pois, a exemplo do Papa, tornar a ouvir cons­tantemente com os jovens a Palavra de Jesus.

O centro da “Carta” que estamos a considerar é o encontro de um jovem com Jesus, segundo a versão evangélica de Marcos. Foi escolhido e colocado aí como modelo de um diálogo atual: “Cristo fala assim com um jovem, com um menino ou uma menina; conversa em diversos lugares da terra, em meio às diver­sas nações, raças e culturas. Cada um de vós (jovens) é seu interlocutor potencial nesse colóquio”.[13]

O encontro faz-se colóquio, diálogo sobre a “vida eterna”: pergunta e resposta, confiança e convite.

As mais profundas interrogações da existência encontram resposta no diálogo com Cristo. A atração do Evangelho não só persiste também diante dos ataques de uma mentalidade positi­vista aplicada à tecnologia e mesmo a uma explícita programação ateia, mas ressurge constantemente com nova intensidade, mesmo se marcada em alguns por acentuações subjetivas.

Acertadamente no-lo recordava com palavras exigentes o nos­so CGE: “Para o Salesiano, juventude sem Cristo e um Cristo que não encontra lugar entre a juventude, além de ser um remorso, é desafio e impulso à renovação, à procura de novos caminhos, a tudo ousar, contanto que se anuncie eficazmente a salvação de Deus e se ajudem os jovens ‘a serem eles próprios e a viverem autenticamente suas experiência humana e cristã, fazendo-os en­contrar na amizade com o Redentor o fulcro animador de sua completa formação’”.[14]

A pessoa e a palavra de Jesus nunca deixam os jovens indife­rentes, mas os atrai, interpela, fascina, comove. Jesus olha para eles e os ama; talvez se afastem, mas jamais poderão esquecer o seu rosto.

“Os jovens, justamente porque somente aceitam personalida­des íntegras e coerentes, abrem-se com mais boa vontade a uma catequese que apresenta Cristo como o Amor aberto a todos, que leva a efeito a libertação do homem com a doação total de si no sacrifício. Eles se interrogam com profundidade sobre o sentido da vida e do sofrimento, e sob o aguilhão de experiências nem sempre positivas da amizade, do amor, do trabalho, procuram a Deus ‘tentando senti-lo e agarrá-lo’.[15] Para eles Cristo pode tornar-se a única resposta de irresis­tível fascínio”.[16]

 

O DIFÍCIL DESAFIO DO FUTURO

 

João Paulo II afirma decididamente que “a Igreja olha para os jovens; antes, a Igreja de modo especial olha para Si mesma nos jovens”.[17]

Com isso o Papa quer dizer que a missão eclesial de “sacra­mento universal de salvação” nos caminhos da reconciliação, do ecumenismo, do desenvolvimento e da paz, é particularmente confiada aos jovens; com efeito, afirmou, por exemplo, que “a paz e os jovens caminham juntos”!

Os temas do diálogo, da penitência, da solidariedade, do em­penho apostólico e da justiça social são centros de interesse na formação dos jovens. Às vezes a nossa educação é acusada de preparar pessoas que “se acomodam” individualmente, de não ser criadora de compromissos transformadores particularmente onde vigoram estruturas e sistemas que humilham e oprimem a digni­dade da pessoa humana e os direitos dos povos. Uma preparação adequada à responsabilidade política, à participação social e a um ativo empenho eclesial é aspecto indispensável na educação dos jovens ao profissionalismo, à consciência civil e à opção de fé cristã.

Mas a situação do mundo é muito complexa, difícil, carregada de desequilíbrios e terríveis ameaças: “Estamos todos conscientes — diz o Papa — de que no horizonte da existência de bilhões de pessoas, que formam a família humana ao termo do segundo milênio depois de Cristo, parece desenhar-se a possibilidade de calamidades e catástrofes em dimensões deveras apocalíticas”.[18]

Pode ser mudado esse mundo? Os jovens conseguirão mu­dá-lo? Saberão fazê-lo?

O Papa não titubeia diante de tão angustiantes perguntas, mas estimula a todos a ter confiança e constância: “O Cristo responde como já respondia aos jovens da primeira geração da Igreja com as palavras do apóstolo: ‘Escrevo a vós, jovens, por­que vencestes o maligno. Escrevi a vós, filhos meus, porque co­nhecestes o Pai. Escrevi a vós, jovens, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós’”.[19]

Há, pois, que confiar na força da ressurreição do Senhor e no poder do Espírito Santo. A vida é “luta”: não uma “luta contra o homem, em nome de qualquer ideologia ou prática separada das raízes do Evangelho”, mas luta contra o mal, contra tudo o que é injustiça, falsidade e mentira, contra todo pecado.

É, porém, necessário que a Palavra de Deus permaneça nos jovens. Então serão “fortes”: poderão chegar “aos mecanismos escondidos do mal, às suas raízes, e assim ‘conseguirão’ gradual­mente mudar o mundo, transformá-lo, torná-lo mais humano, mais fraterno — e, ao mesmo tempo, mais de Deus”.[20]

 

O PROJETO DE VIDA

 

O tema da vocação está no centro desta carta do Papa. Está outrossim no colóquio entre Jesus e o jovem, segundo a descrição do evangelista: tudo tende para o “segue-me”, como por graus. Este argumento serve de tecido conetivo para todos os temas: vocação para a vida, para o testemunho cristão, para um empenho eclesial específico.[21]

Nos planos de Deus, a juventude requer um projeto de vida, uma vocação; ela tem uma perspectiva decididamente pessoal. O leque das vocações é amplo, mas há uma consideração privilegia­da com relação à sacerdotal e religiosa.

O motivo primeiro, mais que a carência de operários na vinha, é a maturidade da fé em cada jovem e a felicidade que se consegue quando se projeta a própria vida, inserindo-a no plano de amor de Deus criador e redentor e nos dispomos a realizar seu desígnio: “Desejo confiar a vós todos, jovens que sois destinatários desta carta, este trabalho maravilhoso, que está ligado à descoberta, diante de Deus, da respectiva vocação para a vida de cada um. É um trabalho apaixonante. É um empenho interior que fascina. Neste empenho desenvolve-se e cresce a vossa humanidade, ao passo que a vossa jovem personalidade vai adquirindo a maturi­dade espiritual. Vós vos radicais naquilo que cada um e cada uma é, para conseguir o que cada um e cada uma deve tornar-se: para si, para os homens, para Deus”.[22]

É belo que os educadores vejam o problema vocacional no aspecto do crescimento do sujeito, mesmo não devendo esquecer as urgentes exigências da abundância da messe com a premente necessidade de braços numerosos.

Sobre a urgência de uma melhor pastoral vocacional poder-se-iam tecer aqui muitos comentários. Não faltaram na Congre­gação intervenções apropriadas, que atingem os aspectos do dis­cernimento, da pedagogia e da operatividade. São acompanhadas de outras mais autorizadas, como a do segundo Congresso mun­dial, realizado com a colaboração de diversas organizações e congregações religiosas, sob a responsabilidade da Sé Apostólica, com o concurso das Conferências episcopais.

Mais que repetir os válidos conteúdos apresentados nesses textos e nas mensagens anuais para o dia das Vocações, queria sublinhar algumas observações colhidas em numerosos encontros fraternos mantidos em várias regiões.

A primeira é óbvia: a convicção de que é a vida que gera a vida! “Como um terreno demonstra a riqueza das próprias subs­tâncias vitais com o frescor e a exuberância da messe que nele se desenvolve, assim uma sociedade dá prova do seu vigor e da sua maturidade com o florescimento das vocações”.[23]

O jovem, sem dúvida, é convidado a discernir mais por aquilo que experimenta e constata do que por aquilo que lhe dizem. A esta linha de fecundidade nos impelem também as Constituições no artigo 16, descrevendo o nosso espírito de família: “Este testemunho desperta nos jovens o desejo de conhecer e seguir a vocação salesiana”.[24]

O despertar vocações é mais uma “geração” que um recruta­mento. Nosso testemunho “é o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens”.[25] A densidade cristã do ambiente é canteiro de semeadura.

“Pastoral juvenil e pastoral vocacional — diz-nos o documen­to conclusivo do segundo Congresso internacional das vocações (1982) — são complementares. A pastoral específica das voca­ções encontra na pastoral juvenil o seu espaço vital. A pastoral juvenil torna-se completa e eficaz quando se abre à dimensão vocacional”.[26]

“A pastoral vocacional — com efeito — não é um setor da pastoral juvenil, mas sua perspectiva unificadora, porque toda pastoral é originariamente vocacional. Ou, crescendo, a pastoral juvenil gera a proposta vocacional específica, ou a pastoral voca­cional põe a exigência de uma pastoral juvenil como caminho e como seu contexto idóneo”.[27]

Mas é preciso acrescentar logo outra observação indispensá­vel: uma sadia pedagogia pastoral exige a inteligência e a coragem da “proposta”! Não somente uma proposta feita ao grupo, mas a individual, dirigida a cada pessoa na intimidade de um diálogo de discernimento espiritual.

“Não tenhais medo de chamar — diz-nos o Papa —. Não deve existir nenhum medo de propor diretamente a uma pessoa jovem ou menos jovem os chamados do Senhor”.[28]

Na carta de Quinta-feira Santa de 1985, diz ainda mais ex­plicitamente aos sacerdotes: “O amor torna capazes de propor o bem. Jesus ‘olhou com amor’ o seu jovem interlocutor no Evan­gelho e lhe disse: ‘segue-me’. Este bem, que podemos propor aos jovens, exprime-se sempre nesta exortação: Segue o Cristo! Nós não temos outro bem para propor; ninguém tem um bem maior para propor”.

O que significa que o jovem deve encontrar-se a si mesmo na maneira mais profunda e autêntica; deve procurar encontrar a vocação, que Cristo mostra ao homem, encontrar a si próprio como homem: “O Cristo, com efeito, revela plenamente o homem ao homem e lhe faz conhecida a sua altíssima vocação”.[29]

“Se houver nos nossos corações amor aos jovens, saberemos ajudá-los na procura da resposta ao que é a vocação de vida de cada um e de cada uma delas”.[30]

Como educadores, devemos convencer-nos de que esta me­diação pessoal é necessária. Ela ajuda o jovem a explicitar a voz que lhe ressoa no interior e lhe infunde coragem para segui-la. Para muitos é esse o toque indispensável para que se decidam, e é um “sinal” concreto para eles de um colóquio pessoal com o Senhor.

Quereria por fim sublinhar também a indispensabilidade do “acompanhamento”, quer pessoal quer de grupo, mediante opor­tunas comunidades de acolhida e de crescimento, das vocações que vão emergindo na consciência juvenil.

Penso ser esta uma das conclusões práticas que se impõem hoje após as experiências realizadas. É verdade que tais ambien­tes devem ser fortemente personalizados, como convém ao desen­volvimento e ao discernimento de toda vocação; mas são indis­pensáveis, mesmo enquanto “ambiente”, para que os germes se desenvolvam.

“O acompanhamento individual — personalizado numa sábia obra de discernimento e direção espiritual — e o acompanhamen­to de grupo, partilha de um caminho gradual de fé comunitário, são complementares e decisivos para uma opção vocacional ma­dura”.[31]

 

A CARIDADE PASTORAL PARA COM OS JOVENS

 

A carta do Papa aos sacerdotes na Quinta-feira Santa de 1985 é um precioso complemento à carta aos jovens. Nela se descreve a figura do sacerdote dedicado à juventude e se aprofundam as notas da sua caridade pastoral específica.

É sugestivo constatar que a índole dessa caridade é precisa­mente a que está no centro do nosso espírito salesiano.[32] É uma caridade que impregna e guia todas as energias pessoais e comu­nitárias, “para sermos na Igreja — como dizem as nossas Consti­tuições — sinais e portadores do amor de Deus aos jovens”.

Na atividade pastoral, a juventude deve ocupar lugar privi­legiado, que exige determinadas atitudes no pastor.

O Papa fala primeiramente de “acessibilidade”, ou seja, de disponibilidade, abertura, benevolência, facilidade de contato, aproximação e interesse.

Trata-se de poder dialogar amigavelmente e com sincera con­fiança sobre os problemas do projeto de vida, sobretudo os de caráter fundamental, que tocam o tema da salvação e da “vida eterna”. É indispensável despertar o interesse para este argumen­to vital e, depois, saber ouvir os jovens e saber responder às suas perguntas e objeções.

Para tal fim é preciso que haja no pastor um duplo “sentido de responsabilidade”: sentir-se responsável de apresentar objetiva e claramente a verdade salvífica, e mostrar-se um interlocutor competente, verdadeiramente acreditável e com autoridade moral.

Além disso, é preciso acrescentar ao sentido de responsabili­dade a consciência transparente do próprio papel de “mediação”: dedicar-se com toda a alma à penetração dos corações, sem toda­via ofuscar a principalidade de Cristo, o grande Amigo, o verda­deiro e insuperável interlocutor.

Mas a qualidade principal, raiz e alma de tudo, é o amor: “uma participação do olhar com que ‘Jesus’ fixou o seu jovem interlocutor no Evangelho, e uma participação do amor com o qual ‘Jesus’ o amou”.[33] Um amor que se traduz em bondade, em amabilidade, no saber estar com eles também em meio às provas e aos sofrimentos, na firmeza e na contestação evangélica do que atenta contra o tesouro de sua juventude, para privilegiar-lhe as qualidades do caráter e do coração.

“Deve-se ainda rezar insistentemente — exorta o Papa —, para que esse amor sacerdotal, desinteressado, corresponda de maneira concreta às expectativas de toda a juventude, tanto masculina como feminina, dos meninos e das meninas. Sabe-se, com efeito, quão diversificada é a riqueza constituída pela masculinidade e pela feminilidade para o desenvolvimento de uma pessoa humana con­creta e que não pode ser repetida. Com relação a cada um e a cada uma devemos aprender de Cristo o amor com o qual Ele mesmo ‘amou’”.[34]

O Santo Padre lembra por fim que a educação e a pastoral dos jovens são objeto de muitos estudos sistemáticos e de muitas publicações; quer assim sugerir que uma genuína caridade pas­toral move os educadores a estudar e a informar-se seriamente, para ter competência pedagógica, pois sem ela o amor corre o risco de atolar na superficialidade do sentimentalismo ou de uma simpatia de gostos primaveris, sem incisividade cristã.

 

A PÁTRIA DA NOSSA MISSÃO

 

A reflexão global que a nós salesianos sugerem as duas cartas de João Paulo II é a ligação substancial e indissolúvel que une a consagração apostólica salesiana à juventude.

O Pe. Albera afirmou, com perspicácia, que o dom da predileção para com os jovens é a alma da nossa missão: “Não basta sentir por eles certa atração natural, mas é preciso amá-los de verdade. Essa predileção, em seu estado inicial, é um dom de Deus, é a própria vocação salesiana, mas cabe à nossa inteligência e ao nosso coração desenvolvê-la e aperfeiçoá-la”.[35]

Para nós, pois, o ano da juventude dura toda a vida: “O Senhor — dizem-nos as Constituições — indicou a Dom Bosco os jovens como primeiros e principais destinatários da sua missão”.[36]

A juventude, sobretudo a popular e pobre, foi a herança e a paixão carismática de Dom Bosco; marcou a fisionomia funda­mental da sua identidade vocacional; ele será sempre e principal­mente o Pai e Mestre da juventude.

Elaborou justamente entre os jovens seu estilo de santidade e seu patrimônio pastoral e pedagógico: “No encontro com os jovens do primeiro Oratório”, viveu a experiência do Espírito Santo, a que chamou “Sistema Preventivo”.[37]

O Papa chamou-nos “missionários dos jovens”;[38] a juventude é de fato a pátria da nossa missão; e a predileção para com os jovens necessitados atraiu para a Família Salesiana a simpatia das classes populares e a riqueza e abundância de vocações que fizeram da nossa Congregação um Instituto genuinamente inter­nacional, radicado em todos os continentes.

Com as expressões mais ouvidas de Dom Bosco, e com tantas outras dos seus sucessores, poder-se-ia compor um “cântico” da sintonia recíproca e mútua atração entre Salesianos e jovens: uma recíproca afinidade e pertença.

Algumas dessas expressões foram assumidas e perenizadas pelo novo texto das Constituições: a juventude é “a porção mais delicada e mais preciosa da sociedade humana”;[39] “por vós (jovens) estudo, para vós trabalho, por vós vivo, por vós estou disposto até a dar a vida”.[40] “Aqui entre vós me acho bem, minha vida é mesmo estar convosco”.[41]

“Basta que sejais jovens, para que eu vos ame muito”.[42]

“No que é de vantagem da juventude periclitante eu corro para a frente até à temeridade”,[43] “com todos os meios que a caridade cristã inspira”.[44]

Dom Bosco “não deu passo, não pronunciou palavra, não pôs mão a empreendimento que não visasse à salvação da juventu­de”;[45] e até a castidade querida pelo Fundador deve ser tal que consinta ao irmão amar sinceramente os jovens de modo que “saibam que são amados”.[46]

Se o Espírito Santo formou em Dom Bosco um coração de “pai” e de “mestre”[47] em vista da missão que lhe foi confiada, também hoje o mesmo Espírito infunde em cada salesiano a graça de fazer “experiência da paternidade de Deus operando pela sal­vação da juventude”.[48]

A nossa missão está intrinsecamente ligada ao mundo juvenil e nele encontra a sua realização e a fonte da sua alegria e da sua inventiva porque ali está a sua pátria.

A cada nova geração salesiana cabe redescobrir, reexplorar e amar intensamente essa pátria. Alguém poderá perguntar como fazê-lo de forma atualmente significativa e eficaz, quando a con­dição juvenil é tão variada e fragmentada, facilmente mutável numa acelerada evolução social onde as instituições educativas se tornam cada vez mais complexas e flexíveis. A carta do Papa deve servir para nós como apelo e convite para assegurar alguns aspectos de empenho.

  • O primeiro pode ser o de “não desertar do campo juvenil”,[49] mas de fixar a própria morada nessa pátria perene. É condição indispensável “permanecer”, estar com os jovens, partilhar-lhes as esperanças e os problemas. Talvez, em algumas situações, a crescente idade dos irmãos leva-os insensivelmente a um tipo de gestão indireta, pensando que através de outros, por nós guiados, possa ainda desenvolver-se a mesma missão. Devemos sem dú­vida envolver o maior número possível de colaboradores; mas esse empenho só será salesianamente frutífero se os próprios irmãos não perderem nunca seu contato vital com os jovens.

Um caloroso apelo nos vem do CG22: ele “pede a todos os salesianos que voltem aos jovens, ao seu mundo, às suas neces­sidades, à sua pobreza. Deem a eles verdadeira prioridade mani­festada numa renovada presença educativa, espiritual e afetiva”.[50]

  • Um segundo aspecto importante é o de procurar com as­siduidade uma verdadeira compreensão do que está contido nas exigências e nos problemas dos jovens. À presença e à convivência é preciso acrescentar a sintonia com a alma juvenil. O que hoje preocupa nos jovens não é tanto o conflito, a contestação ou a rejeição, mas o fato de tomarem silenciosamente caminhos subjetivos.

É sumamente necessário saber ouvir e convidar a exprimir-se e a procurar juntos, para aprender a programar a própria exis­tência, à luz do grande mistério de Cristo, caminho, verdade e vida.

— Por fim, considero urgente dar a cada uma das nossas presenças aquela tonalidade juvenil que desperta vocações e qua­lifica a autenticidade da nossa missão,[51] mesmo quando uma obra se estende para além dos jovens. É o que nos lembram os novos Regulamentos quando, por exemplo, tratam das paróquias: “A paróquia, confiada à Congregação, deve distinguir-se pelo seu caráter popular e pela atenção aos jovens. Considere o oratório e o centro juvenil como partes integrantes do seu projeto pas­toral”.[52]

Portanto: “presença”, “sintonia” e “preferência operativa”, são condições do dom específico de predileção da nossa caridade pastoral. Elas nos garantem que viver e trabalhar entre os jovens e para os jovens nos situa na verdadeira pátria da missão sale­siana.

Penso ser útil, urgente até, que cada Inspetoria, casa e irmão saiba fazer cuidadosa revisão do estado de saúde das três con­dições apontadas. Servirá também para dar uma dimensão mais concreta e comprometida a uma das importantes Orientações Ope­rativas do último Capítulo Geral, a de melhor qualificação pasto­ral da nossa ação.[53]

 

A INTERCESSÃO DE MARIA

 

O Papa conclui suas duas preciosas cartas com fervorosa alusão a Nossa Senhora: “Maria de Caná de Galileia, que inter­cede pelos jovens, pelos novos esposos”;[54] e a Virgem Mãe da qual nasceu entre nós “a juventude de Deus”.[55]

Ela se encontra maternalmente nas origens da nossa missão,[56] e nós “nos entregamos a Ela para nos tornarmos, entre os jovens, testemunhas do amor inexaurível do seu Filho”.[57]

Convido-vos a confiar sempre na sua poderosa intercessão e a pedir-lhe que faça aumentar em cada irmão e em todas as comunidades o dom da nossa predileção para com os jovens e saber projetar um modelo concreto de espiritualidade juvenil, que reatualize para a juventude de hoje o milagre de existência cristã que Dom Bosco, “guiado por Maria que lhe foi Mestra”,[58] soube fazer surgir no Oratório de Valdocco.

Maria nos ajude a ser deveras e em toda a parte “missioná­rios dos jovens”!

Vosso af.mo

 

[1] Redemptor hominis 13

[2] Carta apostólica do Papa João Paulo II aos jovens e às jovens por ocasião do Ano Internacional da Juventude, 1.

[3] CGE cf 34-44.

[4] CG21 cf 21-29.

[5] CG21 27.

[6] Constituições, 1.

[7] Cf. Carta c. a. 11.

[8] Ib., 14.

[9] Constituições, 32.

[10] Id., 40.

[11] CG22, 70.

[12] Alocução de 2 de fevereiro de 1985.

[13] Carta c. a. 2.

[14] CGE, 306.

[15] At 17,26-27.

[16] CGE, 304.

[17] Carta c. a. 15.

[18] Ib., 15.

[19] 1Jo 2,13ss.

[20] Carta c. a. 15.

[21] Ib. 8 e 9.

[22] Ib. 9.

[23] João Paulo II, homilia 10.5.1985.

[24] Constituições, 16.

[25] Id., 25.

[26] Documento conclusivo do “Congresso internacional para as vocações”, 42.

[27] CEI, Vocazioni nella Chiesa, 23.

[28] Mensagem para o dia mundial de oração pelas vocações 1979.

[29] Carta do papa João Paulo II a todos os sacerdotes da Igreja por ocasião da Quinta-feira Santa 1987, 7.

[30] Ib., 7.

[31] CEI c. a. 48.

[32] Cf. Constituições, 10, 14, 15ss.

[33] Carta aos sacerdotes c. a. 6.

[34] Ib. 6.

[35] “Don Bosco nostro modello”, Lettere circolari di don Paulo Albera, p. 372.

[36] Constituições, 26.

[37] Id., 20.

[38] Carta ao CG22.

[39] Constituições, 1.

[40] Id., 14.

[41] Id., 39.

[42] Id., 14.

[43] Id., 19.

[44] Id., 29.

[45] Id., 21.

[46] Id., 81.

[47] Id., 1.

[48] Id., 12.

[49] Cf. CG21, 13.

[50] CG22, 6.

[51] Cf. Constituições, 6.

[52] Regulamentos, 26.

[53] Cf. CG22 – documentos 5, 6, 7.

[54] Carta aos jovens c. a. 16.

[55] Carta aos sacerdotes c. a. 8.

[56] Cf. Constituições 1, 8, 20.

[57] Id., 8.

[58] Id., 20.