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SFDB (Quarta Edição)

A FORMAÇÃO DOS SALESIANOS DE DOM BOSCO

PRINCÍPIOS E NORMAS

RATIO FUNDAMENTALIS INSTITUTIONIS ET STUDIORUM

Quarta Edição
Roma   2016

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Edição online
Direção Geral Obras de Dom Bosco
Via della Pisana, 1111
Casella Postale 18333
00163 Roma Bravetta

DECRETO DE PROMULGAÇÃO

 

Somos chamados a ser discípulos do Senhor Jesus, testemunhas do Reino e missionários dos jovens, vivendo a experiência carismática suscitada pelo Espírito Santo na Igreja através de Dom Bosco

A formação à vida religiosa apostólica salesiana encontra no documento normativo “A formação dos Salesianos de Dom Bosco. Princípios e normas” e em “Critérios e normas de discernimento vocacional salesiano. As admissões”, que são o seu complemento, uma segura linha diretiva. A Ratio, de fato, expõe e desenvolve, de maneira orgânica e didática, o conjunto dos princípios e das normas da formação que se encontram nas Constituições, nos Regulamentos Gerais e em outros documentos da Igreja e da Congregação” (R 87)

O CG24 pediu a revisão e atualização da Ratio promulgada em 1985 (cf. CG24 147). Ao pedir a revisão, o Capítulo levou em consideração as orientações eclesiais sobre a vida consagrada e o ministério sacerdotal surgidas após a publicação da edição precedente, em particular as exortações apostólicas Vita Consecrata e Pastores Dabo Vobis; os desafios da evangelização e da inculturação, de grande incidência para uma vocação que se realiza em nível mundial, em contextos diversos; os grandes novos valores da experiência vocacional salesiana evidenciados pelos recentes Capítulos Gerais; e a necessidade de dar uma resposta adequada às exigências atuais e aos problemas da formação. Ao mesmo tempo, os Capitulares reconheceram a validade substancial da disposição, dos critérios e das diretrizes da Ratio 1985 e sublinharam a necessidade de maior coerência operativa ao traduzir a Ratio em praxe formativa concreta

Ao fazer a revisão assumiu-se fielmente o trabalho operativo estabelecido pelo CG24 e foram considerados com atenção as ênfases e sugestões vindas tanto das Inspetorias, solicitadas a respeito, como dos especialistas consultados

Portanto, obtida a aprovação do Conselho Geral, de acordo com o art. 132 § 4 das nossas Constituições, com a autoridade que me é própria, por meio deste Decreto, promulgo no dia de hoje, 8 de dezembro de 2000, solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, “A FORMAÇÃO DOS SALESIANOS DE DOM BOSCO. PRINCÍPIOS E NORMAS”. “Ratio Fundamentalis Institutionis et Studiorum”, terceira edição, a ser fielmente observada em toda a Congregação Salesiana. Ela entrará em vigor de acordo com o direito universal. Este mesmo ato de promulgação estende-se também ao texto “CRITÉRIOS E NORMAS DE DISCERNIMENTO VOCACINAL SALESIANO. AS ADMISSÕES”, revisto em consonância com a Ratio.

A Ratio, que agora vos entrego, é expressão do cuidado da Congregação com dom recebido e com a vocação de cada um de seus membros; constitui para todo Salesiano um convite a corresponder cotidianamente ao apelo do Senhor com o empenho de “uma formação adequada e contínua” (C. 96); solicita a responsabilidade carismática de cada Inspetoria chamada a acompanhar a vocação de cada um dos irmãos nas diversas situações e estações da vida e a sustentar a experiência salesiana das comunidades locais

Confio este Documento fundamental a Maria Imaculada Auxiliadora, para que a “Mestra de Dom Bosco” seja a inspiradora, o sustento, a guia da nossa formação e nos ajude a percorrer com alegria e com renovada fidelidade na consagração apostólica pelos jovens “o caminho da nossa santificação” (Const. 2) e da nossa plena realização em Cristo (cf. C 22)

Roma, 8 de dezembro de 2000.

P. Juan Edmundo Vecchi
Reitor-Mor

Texto revisto da “Ratio” sobre o pré-noviciado

 

Roma, 22 de julho de 2009
Prot. 09/0787

 

Ao Reverendo
Padre Inspetor

Em sua Sede
Para conhecimento

Ao Reverendo
Delegado inspetorial de formação
Em sua Sede

Objeto: Texto revisto da “Ratio” sobre o pré-noviciado

Caríssimo Inspetor,

em 16 de julho o Reitor-Mor com o Conselho Geral aprovaram a nova formulação da “Ratio” no tocante ao pré-noviciado, que anexo a esta carta.

1. Motivações para a revisão

De acordo com o Projeto de animação e governo para o sexênio, a partir de setembro de 2008, o Dicastério para a formação iniciou o processo de revisão do texto da “Ratio” sobre o pré-noviciado. Esse trabalho tinha por finalidade ajudar as Inspetorias a fazerem uma profunda revisão da experiência formativa do próprio pré-noviciado com seus pontos de força e de fragilidade

Pretendia, ao mesmo tempo, individualizar algumas novas orientações compartilhadas, para reforçar ulteriormente esta fase, que continua a ser muito frágil e pouco centrada nos objetivos fundamentais da maturidade humana, da experiência convicta da fé cristã, do amadurecimento da opção vocacional, do discernimento vocacional

Houve um crescimento na qualidade da experiência formativa do pré-noviciado, ainda insuficiente, porém. A fragilidade do pré-noviciado repercute depois inevitavelmente em todas as outras fases formativas. Continua a perdurar, de fato, na formação inicial, a fragilidade vocacional.

2. Processo de Revisão

Após o CG26, o Dicastério, consultando os Coordenadores regionais de formação, preparou uma primeira proposta de revisão do texto sobre o pré-noviciado. Recolheram-se nas Comissões regionais de formação, realizadas de setembro a novembro de 2008, as primeiras impressões e foram-lhes indicadas as modalidades do trabalho a fazer

Em seguida, as Comissões inspetoriais de formação em sua quase totalidade enviaram as respostas até março de 2009. Em maio e junho, o Dicastério estudou as respostas das Inspetorias e preparou o novo texto da revisão, que foi agora estudado, integrado e aprovado pelo Reitor-Mor com o Conselho Geral.

3. Alterações na revisão

O texto revisto manteve a mesma numeração; tem mais ou menos a mesma dimensão; simplificaram-se nele as “orientações e normas para a práxis”. As alterações introduzidas, em relação ao texto anterior da “Ratio”, referem-se primeiramente ao fato que, segundo o artigo 109 das Constituições e o CG26, há na Congregação uma nova atenção ao acompanhamento vocacional e ao aspirantado antes do pré-noviciado: 329. Dá-se maior relevância ao amadurecimento humano, à ajuda oferecida pelo psicólogo profissional e à família: 332. Acentua-se a centralidade da relação com o Senhor Jesus, o caminho de fé, a catequese, a formação da consciência, a iniciação ao acompanhamento espiritual: 339

Foram revistos também os aspectos sobre a formação intelectual, a comunidade formadora e a experiência comunitária, a equipe dos formadores e o guia espiritual: 342, 344, 345. Há acréscimos significativos a respeito do cuidado da saúde, do trabalho manual, do jogo e do esporte, das mídias pessoais e dos meios de comunicação de massa, da música e da prática instrumental, do teatro e da expressividade juvenil: 333, 336, 337, 342. Dá-se uma ênfase maior à revisão da idoneidade para a vida consagrada salesiana e à necessidade de uma atenção maior à idoneidade vocacional, envolvendo também os próprios pré-noviços no processo de discernimento: 346. Reformularam-se, enfim, as “orientações e normas para a práxis”, evitando as repetições superabundantes do texto anterior: 348-356

O texto é confiado agora à Inspetoria, particularmente à comunidade do pré-noviciado, à Comissão inspetorial de formação, ao Conselho inspetorial, para que seja estudado e, sobretudo, tendo por base a nova formulação, seja feita durante 2010 a revisão do Projeto inspetorial do pré-noviciado.

Espero que este trabalho possa reforçar e qualificar essa etapa de formação. Agradeço-lhe desde já pela colaboração e cumprimento-o cordialmente.

Em Dom Bosco.
P. Francesco Cereda
Conselheiro Geral para a Formação

Texto revisto da “Ratio” sobre a formação inicial do salesiano coadjutor
 

Roma, 18 de janeiro 2012

Prot. 12/0071
Ao Reverendo

Padre Inspetor
Em sua Sede
Ao Reverendo

Delegado inspetorial de formação
Em sua Sede

 

Objeto: Revisão da “Ratio” sobre a formação inicial do salesiano coadjutor

Caríssimos Inspetor e Delegado,

após o estudo feito pelo nosso Setor para a formação e após a consulta às Inspetorias e o aprofundamento no Conselho Geral, o Reitor-Mor, com o Conselho, aprovou no dia 13 de janeiro do corrente ano algumas modificações do texto da “Ratio” sobre a formação do salesiano coadjutor

A qualidade da formação é um dos quatro elementos necessários para favorecer a valorização e o desenvolvimento da forma laical da nossa vocação consagrada salesiana. De fato, além da formação, “o cuidado e a promoção da vocação do salesiano coadjutor” é garantida mediante o conhecimento da sua identidade vocacional, da visibilidade da sua figura, da animação vocacional (Cf. ACG n. 382, Roma 2003, pp. 29-43)

Uma nova visão da vocação do salesiano coadjutor é dada pelo CG26 em seu núcleo terceiro, no qual é descrita a unicidade da vocação consagrada salesiana em suas duas formas. Novas situações interpelaram-nos para dar respostas adequadas à formação do salesiano coadjutor. Por isso, tornaram-se necessárias para toda a Congregação as modificações da “Ratio”, que anexo, e das quais ofereço agora uma visão sintética.

1. Visão global do itinerário formativo

Assistiu-se, com frequência, a incertezas no itinerário formativo do salesiano coadjutor; invocando flexibilidade, o itinerário era muitas vezes improvisado. Por muitos motivos vocacionais e formativos, sentiu-se a necessidade de se ter uma visão de conjunto desse itinerário, agora reformulado, tendo presente que a formação do salesiano, tanto coadjutor como clérigo, é “ao mesmo tempo unitária nos conteúdos essenciais e diversificada nas expressões concretas” (Const. 100)

Ao número 323 do texto revisto, é oferecida uma apresentação global do processo de formação do salesiano coadjutor. Supera-se, assim, a incerteza quanto às fases da sua formação e oferece-se aos nossos candidatos uma visão segura da formação do salesiano coadjutor, que é igual à do salesiano clérigo, embora com suas peculiaridades. Cada Inspetoria deverá, depois, especificar e concretizar as suas opções formativas sobre o tema no Diretório inspetorial - Seção formação.

2. Discernimento vocacional

Até agora, uma grave carência na metodologia formativa era constituída pela escassa atenção à questão do discernimento vocacional em relação às duas formas da vocação consagrada salesiana, que era deixada principalmente ao indivíduo, sem fazer referência a critérios objetivos ou distinguir a contribuição de cada fase para o próprio discernimento

Agora, porém, dá-se importância ao discernimento: recomenda-se primeiramente que, depois da apresentação da vida consagrada em suas duas formas durante o pré-noviciado e a presença de um salesiano coadjutor como formador (n. 346), os noviços façam no noviciado o discernimento da própria vocação salesiana como futuro sacerdote ou coadjutor (n. 371, 384), utilizando e aprofundando as orientações de “Critérios e Normas” nos números 84-87

Para o coadjutor, o discernimento continua em vários outros momentos: no pós-noviciado, quando se trata de individualizar o seu futuro campo de exercício da missão salesiana (n. 417); na escolha da qualificação profissional a se realizar preferivelmente antes do tirocínio (n. 409, 417, 425); no tirocínio, quando o salesiano coadjutor é enviado a um ambiente em que possa praticar a qualificação profissional adquirida (n. 439)

Além disso, durante a preparação à profissão perpétua, pede-se aos salesianos clérigos e aos salesianos coadjutores que retomem e reexaminem todo o itinerário formativo feito até então, para aprofundar as próprias motivações, também em relação à forma vocacional escolhida; este discernimento deve ser feito antes do início da formação específica, se esta preceder à profissão perpétua (n. 512)

Enfim, pede-se para iniciar um processo mais sério e mais responsável no caso de modificação da opção vocacional de um salesiano coadjutor que deve, contudo, ser exceção e concluir-se com a decisão do Reitor-Mor (n. 481).

3. Estudos acadêmicos

Reconhece-se a importância dos estudos acadêmicos para o salesiano coadjutor. Tais estudos não são um prolongamento inútil do itinerário formativo em detrimento da qualificação profissional. As bases filosóficas e pedagógicas, como também as teológicas e pastorais, são necessárias

É previsto por isso um biênio paritário, ou no máximo um triênio, de estudos filosóficos e pedagógicos durante o pós-noviciado; estes estudos ajudam a fazer compreender a cultura contemporânea e adquirir competências na educação (n. 409, 417, 425)

Também a formação específica do salesiano coadjutor, com os estudos teológicos e pastorais, fica mais bem caracterizada, evitando confundir formação específica e qualificação profissional; indica-se a necessidade para todos os salesianos coadjutores que esta fase seja realizada nos centros regionais ou inter-regionais predispostos para isso (n. 456, 480).

 

4. Qualificação profissional

A qualificação profissional foi muitas vezes transcurada no passado recente, porque não era oportunamente programada no itinerário formativo. Embora continuando a ser muito importantes para a nossa tradição o mundo do trabalho e da formação profissional, nem todos os salesianos coadjutores se sentem inclinados a atuar nesse campo e, portanto, a adquirir competências técnicas

Por outro lado, as exigências da nossa missão são múltiplas; por isso, a qualificação no campo profissional abraça as competências necessárias para a realização de outras diversas responsabilidades como, por exemplo, além da formação profissional, também a escola, a comunicação social, o trabalho social, a administração e a gestão. A qualificação deve garantir uma competência ao menos igual à de um leigo que exerce a mesma profissão na sociedade civil (n. 409)

A qualificação profissional requer um discernimento durante o pós-noviciado (n. 409, 417, 425); parece oportuno que seja realizada possivelmente antes do tirocínio (n. 439); e pode ser completada com uma especialização profissional após a formação específica (n. 456, 480)

Esperamos que tudo isso possa contribuir para dar uma maior qualidade à formação desta forma de vocação consagrada salesiana

Nossos salesianos coadjutores, o Beato Artêmides Zatti, o Venerável Simão Srugi e o Servo de Deus Estevão Sandor, intercedam por nós e nos obtenham de Deus o dom dessa preciosa vocação.

Cumprimento-os cordialmente. Em Dom Bosco,

P. Francesco Cereda

NOTA SOBRE A QUARTA EDIÇÃO

 

Muitas vezes, nestes anos, chegou-nos o pedido de uma nova edição da Ratio. Considerando a quantidade de trabalho e o tempo que tal empreendimento exigiria, o P. Pascual Chávez pediu ao dicastério da formação que revisse apenas algumas partes deste importante documento – o capítulo sobre o pré-noviciado e alguns artigos que se referem à formação inicial do Salesiano coadjutor

Essas revisões estavam disponíveis até agora apenas como documentos separados no sítio internet da Congregação www.sdb.org; até agora não foi publicada uma nova edição que incorporasse as partes revistas

Pensamos em pôr à disposição ao menos online o texto completo da Formação dos Salesianos de Dom Bosco incluindo os das revisões, com o texto relativo ao pré-noviciado em azul, e os novos artigos sobre a formação do Salesiano coadjutor em verde. Isto é, portanto, o que se entende como quarta edição.

Peçamos ao nosso caro Padre Rua, com o venerável Simão Srugi que intercedam por nós, enquanto respondemos ao apelo dos últimos Capítulos Gerais de reforçar a nossa identidade religiosa consagrada em suas duas formas

P. Ivo Coelho, SDB
Conselheiro Geral para a Formação
Festa do Padre Rua, 29 de outubro de 2016