Reitor-Mor

2020-02: A Força do Amor

A Força do Amor

 

Estamos a viver o tempo da Quaresma, como preparação para a Páscoa do Senhor. Neste tempo a oração, o jejum e a caridade são propostos pela Igreja como ajuda neste caminho para a Páscoa.

Ora, nesta minha saudação, proponho uma reflexão que tem muito a ver com um excelente caminho de preparação para a Páscoa: o caminho de viver cada vez mais e melhor AMANDO, mas amando de verdade, como se diz de modo coloquial, ‘até que doa’.

Atribui-se a Madre Teresa de Calcutá esta reflexão: “Por onde quer que vás, difunde o amor: antes de tudo na tua própria casa. Oferece amor aos teus filhos e filhas, à tua mulher ou ao teu marido, ao vizinho da casa do lado… Nunca deixes que alguém chegue ao pé de ti sem que ao ir-se embora se sinta melhor e mais feliz. Sê a expressão viva da bondade de Deus; bondade no teu rosto, bondade nos teus olhos, bondade no teu sorriso, bondade na tua saudação calorosa”.

Não há dúvida de que é um programa simples e muito concreto ao mesmo tempo. O Papa Bento XVI, ofereceu-nos a seu tempo como primeira Carta Encíclica “Deus caritas est” (Deus é amor). Um amor que recebemos e conhecemos no nosso encontro pessoal com Cristo. Diz-nos o Papa Bento XVI nesse escrito: “(um amor) que dá horizonte à vida (…). A paixão de Deus por cada um de nós concretiza-se num Amor pessoal e de predileção que dá sentido à nossa existência. Deus ama o homem e todos os homens, e o seu amor torna-se visível no rosto daqueles com quem convivemos”.

E eu pensava, num momento de reflexão, quanto tem de indescritível, de único, de criador de paz e de sossego o Amor de Deus, se as nossas pequenas experiências humanas de amor têm tanta força que muda a vida das pessoas, mudança que quando se dá a partir do amor é sempre para levantar, para fazer avançar, para tirar do poço.

Um belo facto de vida que confirma o que estou a dizer é o seguinte:

Um professor universitário quis que os alunos da sua turma de sociologia se abalançassem a entrar nos subúrbios da grande cidade em que habitavam para conseguir as histórias de vida de duzentos jovens. Pediu-se aos alunos que apresentassem uma previsão do futuro de cada entrevistado. Em todos os casos, os estudantes fizeram o seguinte diagnóstico: “sem a menor probabilidade de êxito”.

Vinte e cinco anos depois, outro professor de sociologia encontrou casualmente esse estudo anterior e encarregou os seus alunos de um seguimento do projeto iniciado vinte e cinco anos antes, para ver que havia sucedido na vida daqueles rapazes e raparigas, se fosse possível encontrá-los.

Com a exceção de vinte deles que tinham ido morar para outro lugar ou haviam falecido, os estudantes descobriram que 176 dos 180 restantes haviam alcançado êxito na vida, isto é, haviam conseguido ter uma vida ordenada, estável, razoavelmente feliz.

O professor ficou atónito e decidiu continuar a investigação. Felizmente muitas daquelas pessoas viviam relativamente perto e foi possível perguntar a cada uma como interpretavam o percurso que suas vidas haviam tomado, sabendo que o contexto familiar e de bairro fazia pressagiar o pior… Pois bem, em todos os casos a resposta, muito comovida e agradecida, era a seguinte: “Tive uma professora”.

A professora ainda vivia e o professor foi em busca da ainda ‘mentalmente lúcida idosa’ para lhe perguntar de que fórmula mágica se havia servido para ‘salvar’ aqueles rapazes e raparigas da dureza do subúrbio e guiá-los pelo caminho de uma vida honesta, ordenada e estável.

→ Na realidade é muito simples, respondeu a professora. “Eu simplesmente AMAVA-OS”.

Semelhantes a este facto de vida, podemos apresentar muitos outros, tantíssimos deles na nossa história educativa salesiana em todo o mundo. Trata-se, justamente, desta grande verdade: O Amor tem uma força que transforma tudo. O Amor sara e cura. O Amor dá confiança em si mesmo, dá força. O Amor move os corações, a vida e tem força para mover o mundo e as nossas vidas nele.

Pena que muitas vezes nos empenhemos no contrário!

Porque é que tantas vezes vivemos mais atarefados em rancores, rivalidades, confrontações, e não em criar espaços de entendimento e de paz?

Porventura o nosso Deus nos fez tão imperfeitos que, mesmo sabendo que o Amor tudo pode, se nos torna muito difícil viver com Amor cada minuto, cada hora, cada dia… ou simplesmente nos fez para o Amor e confundimo-nos e bloqueamo-nos com muitas outras coisas…?

Desejo-lhes tudo de bom, amigos e amigas leitores do Boletim Salesiano, e animo-os a alistar-se e a ser desse grande grupo de milhões de pessoas que acreditamos na força do Amor, porque “DEUS É AMOR” (1Jo 4,8)..