Reitor-Mor

BS 2024-05: MARIA AUXILIADORA, DAQUI PARA O MUNDO

Amigos, leitores do Boletim Salesiano, recebam a minha afetuosa e cordial saudação neste tempo de Páscoa. Num mundo atribulado, abalado por guerras e não pouca violência, continuemos a declarar, a anunciar e a proclamar que Jesus Cristo é o Senhor ressuscitado pelo Pai! ESTÁ VIVO! E temos muita necessidade da Sua presença em corações prontos a acolhê-LO.

Ao mesmo tempo, pude ver o conteúdo do Boletim deste mês: sempre rico e cheio de vida salesiana. Agradeço aos que o realizam. E, ao ler as páginas, antes de escrever a minha saudação, vi-me à presença de tantos lugares salesianos no mundo aonde chegou Maria Auxiliadora.

Devo confessar que quando nos encontramos aqui em Valdocco, na magnífica Basílica de Maria Auxiliadora, neste lugar Santo em que tudo fala da presença de Deus, da proteção materna da Maria e de Dom Bosco, não é logo fácil entender o que Maria anunciara a Dom Bosco, dizendo-lhe que daqui, deste Seu templo, a sua glória se difundiria por todo o mundo, como de fato o foi!

No serviço destes dez anos como Reitor-Mor, encontrei centenas de Presenças salesianas no mundo: em todas a Mãe SS. está presente. E também desta vez, queria contar-lhes mais uma experiência. Foi em minha última visita às Presenças salesianas entre o Povo Xavante que pude experienciar a Providência de Deus e ver o bem que se fez e se continua a fazer por meio de todos nós.

Pude visitar diversas aldeias e cidades no Estado do Mato Grosso. Estive em São Marcos, na aldeia de Fátima e em Sangradouro. E à volta destes três grandes Centros, visitámos vários outros. Entre eles o lugar em que os primeiros Salesianos se instalaram com o Povo Xavante, um povo martirizado por doenças e em perigo de extinção, mas que, graças à ajuda dos missionários, aos seus medicamentos e às dezenas de anos de presença afetuosa no meio deles, foi possível chegar à realidade de hoje: aos 23.000 membros do Povo xavante. Esta é a Providência, o Anúncio do Evangelho. E, ao mesmo tempo, uma viagem com um povo e sua cultura – hoje conservados como nunca d’antes se fizera.

Tive a oportunidade de falar com diversas Autoridades civis. Agradeci por tudo o que pudemos fazer juntos, para o bem desse e dos outros Povos. E ao mesmo tempo, permiti-me recordar - com simplicidade, mas com honestidade e legítimo orgulho - que quem acompanha estes povos há 130 anos, como neste caso fez a igreja através dos Filhos e Filhas de Dom Bosco, é digno de um olhar respeitoso e de que se ouça sua voz. Fizemos todo o possível para nos unirmos às vozes que pedem terra para esses colonos. A defesa da sua terra e da Fé vivida com estes povos (neste caso com os Boi-Bororo) foi a causa do martírio do Salesiano Rodolfo Lunkenbein e do indígena Simão.

Ao percorrer centenas de quilômetros de estrada, gostei de ver muitos cartazes que anunciavam: “Território de Reserva Indígena”. E pensei que esta era a melhor garantia de paz e prosperidade para esse Povo.

E que relação tem isso com Maria Auxiliadora? Simplesmente tudo. Porque é difícil imaginar que um século de presença salesiana (sdb e fma) entre os indígenas não lhes haja transmitido o amor pela Mãe de Jesus e nossa Mãe.

Em São Marcos, todos, ou quase todos, os habitantes da aldeia, juntamente com os nossos convidados, terminaram o dia da nossa chegada com uma procissão e a récita do Santo Rosário. A imagem da Virgem estava iluminada no coração da noite, no meio da mata. Idosos, adultos, jovens, e muitas mães levando as crianças adormecidas numa cesta aos ombros, estavam na procissão. Fizemos várias paradas, em diversos pontos da aldeia. Sem dúvida a Mãe, naquele momento - e sem dúvida em muitos outros - estava a atravessar a aldeia de São Marcos e a abençoar os seus Filhos e Filhas indígenas.

Não posso saber se Dom Bosco sonhou com esta cena - da Virgem no meio da Aldeia xavante - , mas não há dúvida de que, no seu coração havia esse desejo, para este povo e para muitos outros, tanto na Patagônia, quanto na Amazônia ou no Paraguai...

E esse seu desejo missionário vem-se realizando na Amazônia, há já 130 anos. Como escrevi no comento à Estreia, a dimensão feminino-materno-mariana é talvez uma das dimensões mais empenhativas do Sonho de Dom Bosco. É o mesmo Jesus a dar a Joãozinho a Mestra - que é sua própria Mãe - ; e que «o seu Nome ele deve perguntá-lo a Ela»; que Joãozinho deve trabalhar “com os Seus filhos”; e será “Ela” que se há de ocupar da continuidade do sonho na vida; que o tomará pela mão até ao fim dos seus dias, até o momento em que compreenderá realmente tudo.

Há uma enorme intencionalidade em querer dizer que, no Carisma salesiano em favor dos jovens mais pobres, carenciados, privados de afeto, a dimensão do tratar com “doçura”, com mansidão, com caridade – tal como a dimensão “mariana” – são elementos imprescindíveis para quem quer viver este carisma. Sem Maria de Nazaré falaríamos de... outro carisma, mas não do Carisma ‘salesiano’; nem dos Filhos e das Filhas de Dom Bosco.

Na Festa de Maria Auxiliadora, em 24 de maio, em momentos diversos, Maria Auxiliadora estará presente nos corações dos seus filhos e filhas, em todo o mundo, tanto em Taiwan quanto em Timor-Leste, tanto na Índia quanto em Nairóbi (Quénia), tanto em Valdocco quanto na Amazônia e na pequena aldeia de São Marcos - que não é nada para o mundo, mas que é um mundo inteiro para este Povo que conheceu a Auxiliadora.

Bom mês de Maria! Boa festa de Nossa Senhora Auxiliadora! Para todos: desde Valdocco ao mundo inteiro!