Reitor-Mor

BS 2024-11: O CAMINHO DAS ROSAS

A MENSAGEM DO VIGÁRIO DO REITOR-MOR

P. Stefano Martoglio SDB

Immagine a cura di Severino Baraldi, per "Don Bosco ti ha sognato" (Vol. 1) - Elledici, 2013

 

«‘Ah! Dom Bosco caminha sempre sobre rosas: tudo lhe vai bem!’. Mas eles não viam os espinhos que me dilaceravam os pés. Apesar disso, seguia em frente!».

Todas as vidas estão entrelaçadas de espinhos e de rosas, como no célebre Sonho do Caramanchão de Rosas, de Dom Bosco. A Esperança é a força que, apesar dos espinhos, nos faz avançar.

Caros Leitores, Amigos da Família Salesiana e Benfeitores da Obra de Dom Bosco em todas as situações e em todos os contextos, ao enviar-lhes um pensamento através do Boletim Salesiano, optei por deter-me mais um pouco sobre o tema da Esperança, como já fizemos no mês passado.

Isto não só por razões de continuidade mas sobretudo por ser um tema de que falar, porque todos temos muita necessidade dele. É uma apresentação da delicadeza de Deus em nossa vida.

Entretanto, ao falarmos de Esperança, recordemos, antes de tudo, que é um elemento de profundidade humana e um critério claro para interpretar a vida em todas as religiões.

A Esperança tem muito a ver com a transcendência e com a fé, o amor e a vida eterna, sublinha o filósofo coreano Byung-Chul Han. Nós trabalhamos, produzimos e consumimos, sublinha nos seus escritos esse filósofo, mas nesse modo de viver não há nenhuma forma de abertura ao transcendente, nenhuma Esperança.

Vivemos num tempo desprovido da dimensão da festa, ainda que estejamos cheios de coisas que nos anestesiem. Um tempo sem festa é um tempo sem esperança. A sociedade de consumo e da performance em que vivemos, corre o risco de nos tornar incapazes de felicidade, de nos alegrarmos com a situação em que nos encontramos. Mesmo a situação mais difícil tem sempre os seus raiozinhos de luz!

A Esperança torna-nos crentes no futuro, porque o lugar de experimentação mais intensa da esperança é a transcendência.

O escritor e político tcheco, Vaclav Havel, Presidente da Tchecoslováquia - na época da “revolução de veludo”, que muitos de nós ainda recordam - define a esperança um como estado de ânimo, uma dimensão da alma.

A Esperança é uma orientação do coração que transcende o mundo imediato da experiência; é uma ancoragem em alguma outra parte para além do horizonte...

As raízes da Esperança encontram-se em alguma parte dentro do transcendente e, por isso, não é a mesma coisa ‘ter esperança’ e ‘estar satisfeitos porque as coisas correm bem’.

Quando falamos de futuro, entendemo-lo em relação àquilo que acontecerá amanhã, no próximo mês, dentro de dois anos. O futuro é aquilo que podemos planejar, prever, gerir, otimizar.

A Esperança é a construção de um futuro que nos une ao futuro-que-não-termina, ao transcendente, à dimensão divina. Cultivar a esperança faz bem ao nosso coração porque dá energia na construção do nosso caminho para o Céu, para Paraíso.

 

A palavra mais pronunciada por Dom Bosco

Escreveu o P. Alberto Caviglia: “Ao folhear as páginas que reportam palavras e conversas de Dom Bosco, verifica-se que a do Paraíso foi a palavra que ele repetia em todas as circunstâncias como tema animador supremo de todas as atividades no bem e de toda a paciência nas adversidades».

«Um pedaço de Céu conserta tudo!», repetia Dom Bosco no meio das dificuldades. Mesmo nas modernas escolas para gestores ensina-se que uma visão positiva do futuro se transforma em força pujante de vida.

Quando, já idoso e alquebrado, atravessava os pátios a passinho lento, aqueles que o cruzavam dirigiam-lhe a habitual familiar saudação: «Para onde vamos, Dom Bosco?». Sorrindo, o santo respondia: «Vamos para o Céu!».

Quanto Dom Bosco insistia nisso: no Céu, no Paraíso! Os seus jovens cresciam com a visão do Paraíso nos olhos, no coração. Todos nós sabemos que podemos ser cristãos, mesmo convictos, mas não ‘acreditar’ no Céu. Dom Bosco ensina-nos a unir o nosso aqui com o do além. E o faz pela virtude da Esperança.

Levemos isto no coração! E abramos noss’alma à caridade, àquilo em que acreditamos profundamente.

Se receberem este breve escrito no mês de novembro, vivam esta Esperança com os nossos Santos e com os nossos caros Falecidos - todos unidos num grupo que, partindo do cotidiano, nos eleva para o infinito!

Como Dom Bosco, há que ‘viver como se víssemos o invisível’, alimentados pela Esperança que é a Presença Providente de Deus. Só quem tem um profundo sentido do concreto - como Dom Bosco - está em condições de viver com os olhos fixos no invisível!