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Boa-noite do Inspetor CIN 25 Feb 2014

Boa-noite do Inspetor CIN
“Presença salesiana”

 

Caríssimos, eis que estamos aqui em Roma neste 25 de fevereiro, dia trágico há 84 anos em nossa pátria sinensis (chamamo-la assim por escapar dos poderosos motores de busca do nosso governo), mas dia glorioso hoje para toda a Família Salesiana, dia da morte dos Protomártires salesianos São Luís Versiglia, bispo, e São Calisto Caravario, sacerdote.

Nós Salesianos vivemos em nossa pátria sinensis, como na grande Índia, há 108 anos, desde 1906, quando o Bem-aventurado Miguel Rua enviou para ali, precisamente a Macau, os primeiros seis salesianos (3 salesianos padres e 3 salesianos leigos) tendo como chefe o P. Luís Versiglia aos 33 anos, depois de 10 anos como diretor e mestre dos noviços em Genzano de Roma. Os Salesianos, porém, foram precedidos na pátria sinesis por Maria Auxiliadora, em 24 de maio de 1868 (duas semanas antes da consagração da igreja de Maria Auxiliadora em Valdocco), com o primeiro santuário dedicado a Ela na colina de Zosé (Sheshan) nas proximidades de Xangai.

Os salesianos também foram precedidos na pátria sinensis, antes pelo pensamento e, depois, pelo sonho de Dom Bosco. Ele, nos primeiros três meses de 1874, menciona em suas cartas bem cinco vezes Hong Kong e a missão da nossa grande pátria-mãe. Em 5 de janeiro, escreve ao P. Rua dizendo: “Hoje, às 2 horas, em companhia do P. Berto, tive a audiência do Santo Padre, que se entreteve de boa-vontade a discorrer sobre a Congregação de S. Francisco de Sales, os sócios que a compõem, os padres, os clérigos, os estudantes, os aprendizes, de Hong Kong e de muitas outras coisas ainda”. Em 11 de janeiro, escrevendo novamente ao P. Rua, diz: “Dize a Domingos Sávio que se prepare para ser santo e ir santificar os de Hong Kong”. Em 12 de março, numa súplica ao Papa Pio IX, ele diz: “Beatíssimo Pai, o Sac. João Bosco, Superior da Congregação de S. Francisco de Sales, prostrado aos pés de V. B. expõe humildemente ter quase concluído as tratativas para abrir uma casa para pobres meninos católicos da escola de Hong-Congh [sic] na [...]”. Enfim, em 18 de março escreve à Comissão Cardinalícia encarregada da aprovação das Constituições salesianas expressando (cito) “Alguns pensamentos que movem o Sac. João Bosco a suplicar humildemente pela definitiva aprovação das Constituições da Sociedade Salesiana”. Expressa ao todo nove pontos. O quinto é este: “O número dos Congregados é de 330, e dos meninos (cerca de 7000) a eles confiados; as tratativas quase concluídas para abrir casas na América, na África, e na [...] tornam necessária uma regra que exclua a incerteza em que viveriam os Congregados pelo temor de eventuais modificações da mesma”. Apresentados estes seus pensamentos, não é de admirar que Dom Bosco veja a pátria sinensis repetidamente em seus sonhos missionários. Dom Bosco apresenta-nos um resumo destes sonhos quando, na antepenúltima página do seu Testamento, escreve: “A seu tempo as nossas missões serão levadas à [...] e precisamente, a Pequim. Não se esqueça que iremos para os meninos pobres e abandonados. Lá, entre povos desconhecidos e ignorantes do verdadeiro Deus ver-se-ão maravilhas até agora não cridas, mas que Deus poderoso tornará manifestas ao mundo”.

Profecia pascal esta, que promete maravilhas, fruto de suor e sangue. Padre Versiglia falava de um duplo cálice visto por Dom Bosco nos sonhos sobre a China: um cálice cheio de suor e um cálice cheio de sangue. Nos cem anos de história da China salesiana, 10 outros irmãos banharam com o sangue a vinha do Senhor na pátria sinensis: 5 irmãos locais morreram na prisão pela fé (digo o nome de três deles: o padre Luís Ye Shun Tina, o clérigo Pedro Ye Ming Ren, o coadjutor Jerônimo Yip Kat Kwong) e 5 irmãos missionários perderam a vida servindo com grande risco o seu povo. Com o sangue dos muito mais numerosos mártires espanhóis e poloneses, o sangue dos 12 mártires da pátria sinensis produz novos Salesianos, não só in loco, mas no mundo todo. “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Se morre, crescerá!” (Jô 12,24).

Desde 1949, a pátria sinensis divide-se em “pátria não-tão-livre”, “pátria livre” e “diáspora sinensis”. A pátria livre quer dizer Hong Kong, Macau e Taiwan. Infelizmente, esta pátria livre constitui apenas dois centésimos da pátria não-tão-livre, enquanto a diáspora sinensis é forte de ao menos 100 milhões (25 milhões apenas na África). Desde sempre, com um ato de esperança, o nosso Diretório Inspetorial, continua a incluir todos os anos uma dupla seção intitulada “Diocese temporariamente fechada” (a de Shiuchow) e “Casas e Escolas temporariamente fechadas”, indicando 9 delas. A última foi fechada há 60 anos, em 1954, na capital da pátria sinensis, com a prisão do primeiro Diretor Salesiano chinês, P. Paulo Fong Ting Chung, que pagou a sua fidelidade ao Papa e a Dom Bosco com 37 anos de prisão. Graças a Deus, P. Paulo ainda está vivo. Sua vida salesiana exemplar em nossa Salesian Missionary House de Shau Kei em Hong Kong é, para todos nós, um grande sinal de esperança e de confiança em Deus. O bom Deus serviu-se do fechamento de todas as nossas obras na pátria sinensis e a consequente diáspora de missionários para difundir o Evangelho e o carisma de Dom Bosco em Hong Kong, Macau, Taiwan, Vietnã e Ilhas Filipinas. Destes missionários dispersos, dois são novos Servos de Deus: o Servo de Deus P. André Majcen, o Dom Bosco do Vietnã salesiano e o Dom Bosco da pátria salesiana sinensis e filipina, “o homem que teve três pátrias”, e o Servo de Deus P. Carlos Braga, por 22 anos (os mais trágicos) Inspetor salesiano na pátria sinensis, e por 6 anos, primeiro Superior das Filipinas salesianas.
Em 1987, a profética viagem do Reitor-Mor P. Egídio Viganò lançou as sementes da pastoral educativa salesiana na atual não-tão-livre pátria sinensis. Paradoxalmente, foram os nossos irmãos e irmãs atingidos pelo mal de Hansen, e então cuidados pelo P. Caetano Nicosia, hoje com 99 anos, que nos abriram as portas. A pátria sinensis livre recomeçou então a pedir ao Reitor-Mor o envio de novos missionários. Desde então, chegaram uns trinta jovens missionários. Por sua vez, o Reitor-Mor P. João Vecchi, já gravemente doente na enfermaria da UPS, em 2001, admoestou-nos: “Vós da pátria sinensis livre ficai atentos para não vender por um prato de lentilhas o direito de primogenitura que a Sociedade Salesiana tem sobre a pátria sinensis não-tão-livre”.
Enfim, o nosso querido Reitor-Mor P. Pascual Chávez, sem olhar para trás, tomou nas mãos o timão do arado evangélico e, em 2005, na histórica “Visita de conjunto” de Hua Hin, Tailândia, lançou o seu projeto educativo pastoral em favor dos jovens pobres e abandonados da pátria sinensis. A vinda de missionários foi intensificada e, agora, contamos com quase 30 jovens irmãos em formação inicial, o que não se via na Inspetoria ao menos há trinta anos. Estão distribuídos mais ou menos igualmente entre jovens Salesianos da pátria sinensis livre, jovens Salesianos da pátria sinensis não-tão-livre e, graças a Deus, estão aumentando.
Somos infinitamente agradecidos ao Senhor, à Igreja e à Congregação que tornaram possível este renascimento. Um obrigado particular a todas as Inspetorias que enviaram missionários. Um obrigado particularíssimo ao Vietnã que já enviou 10 deles (o 100º dos missionários salesianos vietnamitas no mundo). Concluo pedindo a todas as Inspetorias que levem a sério a missão patriae sinensis, banhada pelo sangue dos nossos protomártires São Luís Versiglia e São Calisto Caravario que hoje festejamos, pedindo e animando os jovens salesianos a se oferecem como missionários não só para a pátria sinensis não-tão-livre, mas também para a pátria sinensis livre e para a diáspora chinesa no mundo. De fato, em Hong Kong, Macau, Taiwan e em todas as nações da diáspora chinesa, apesar do crescimento das vocações locais (que, esperamos, sejam do tipo do P. Luís Ye, de Pedro Ye e de Jerônimo Yip), ainda têm imensa necessidade de pessoal missionário do tipo de Versiglia, Caravario, Majcen e Braga. Obrigado! E boa-noite!