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Capítulo Geral CG23

CG23 pt - Educación os jovens na Fé

Atos do Conselho Geral n. 333

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ÍNDICE GERAL
Abreviações e siglas ............................................
APRESENTAÇÃO ...............................................
EDUCAR OS JOVENS NA FÉ TAREFA E DESAFIO
PARA A COMUNIDADE SALESIANA HOJE
INTRODUÇÃO ....................................................
número
1-14
pág.
7
9
17
PRIMEIRA PARTE
A REALIDADE JUVENIL DESAFIA A COMUNIDADE
SALESIANA
1. Os contextos em que vivem as comunidades
salesianas ..................................................... 15-44 23
2. A situação da juventude ................................. 45-63 35
3. Os jovens perante a fé ................................ 64-74 43
4. Os desafios mais urgentes .............................. 15-88 47
SEGUNDA PARTE
O CAMINHO DA FÉ
1. A COMUNIDADE PEDANTE OS DESAFIOS ..... 89-93 55
2. O CAMINHO DE EDUCAÇÃO DA FÉ ............ 94-157 57
AO ENCONTRO DE DEUS NO JOVEM .............................................. .. 94-96 57
PONTO DE PARTIDA .......................................................................... 97-100 58
A PROPOSTA DE VIDA CRISTÃ ......................................................... 101-111 60
ÁREAS DE ATENÇÃO ........................................................................ 112-157 63
A meta global 112-115 63
As áreas 116-119 65
— Rumo à maturidade humana ....................... 120-129 67
— Rumo ao encontro autêntico com Jesus Cristo 130-139 72
— Rumo a intensiva pertença eclesial ............... 140-148 76
— Para um empenho pelo Reino ....................... 149-157 79

ÍNDICE GERAL
Abreviações e siglas ............................................
APRESENTAÇÃO ...............................................
EDUCAR OS JOVENS NA FÉ TAREFA E DESAFIO
PARA A COMUNIDADE SALESIANA HOJE
INTRODUÇÃO ....................................................
número
1-14
pág.
7
9
17
PRIMEIRA PARTE
A REALIDADE JUVENIL DESAFIA A COMUNIDADE
SALESIANA
1. Os contextos em que vivem as comunidades
salesianas ..................................................... 15-44 23
2. A situação da juventude ................................. 45-63 35
3. Os jovens perante a fé ................................ 64-74 43
4. Os desafios mais urgentes .............................. 15-88 47
SEGUNDA PARTE
O CAMINHO DA FÉ
1. A COMUNIDADE PERANTE OS DESAFIOS ..... 89-93 55
2. O CAMINHO DE EDUCAÇÃO DA FÉ ............ 94-157 57
AO ENCONTRO DE DEUS NO JOVEM ................................................. 94-96 57
PONTO DE PARTIDA .......................................................................... 97-100 58
A PROPOSTA DE VIDA CRISTÃ ......................................................... 101-111 60
ÁREAS DE ATENÇÃO ........................................................................ 112-157 63
A meta global 112-115 63
As áreas 116-119 65
— Rumo à maturidade humana ....................... 120-129 67
— Rumo ao encontro autêntico com Jesus Cristo 130-139 72
— Rumo a intensiva pertença eclesial ............... 140-148 76
— Para um empenho pelo Reino ....................... 149-157 79
3. A ESPIRITUALIDADE JUVENIL áALESIANA 158-180 83
Premissas ..................................................... 158-160 83
Apresentações sintéticas ................................ 161 86
1. Espiritualidade do cotidiano ..................... 162-164 87
2. Espiritualidade da alegria e do otimismo ... 165-166 88
3. Espiritualidade da amizade para com o
Senhor Jesus ........................................... 167-168 90
4. Espiritualidade de comunhão eclesial ......... 169-177 91
5. Espiritualidade de serviço responsável ...... 178-180 95
4. PONTOS-CHAVE DA EDUCAÇÃO DA FÉ ........ 181-214 97
Formação da consciência ................................ 182-191 97
A educação do amor ...................................... 192-202 101
Dimensão social da caridade ........................... 203-214 104
TERCEIRA PARTE
EMPENHOS OPERACIONAIS DA COMUNIDADE
Premissas ........................................................... 215-218 110
1. DELIBERAÇÕES CAPITULARES .................... 219-260 112
1.1 O caminho da fé dos jovens exige o testemunho
de uma comunidade que se renova continuamente 219-224 112
1.2 O caminho da fé dos jovens requer que a comu-
nidade salesiana se insira no contexto e no mitm-
do juvenil .................................................... 225-231 113
1.3 O caminho de fé dos jovens exige que a comuni-
dade salesiana se torne animadora da comunidade
educativa e da FS ........................................... 232-238 116
1.4 O caminho de fé dos jovens exige que a comuni-
dade desenvolva uma pastoral orgânica .. ...... 239-246 118
1.5 O caminho de fé dos jovens exige que a comuni-
dade salesiana dê particular atenção à orienta-
ção vocacional deles ...................................... 247-253 120
1.6 O caminho de fé dos jovens exige da comunidade
nova forma de comunicação .......................... 254-260 122
2. ORIENTAÇÕES OPERACIONAIS PARA
SITUAÇÕES PARTICULARES ........................ 261-299 124
2.1 Ambientes de ampla acolhida ........................ 262-266 124
2.2 Ambientes de educação sistemática ......... 267-273 125
2.3 O grupo juvenil ................................... 274-283 127
2.4 O encontro pessoal com o jovem ........... 284-289 129
2.5 Comunidade para jovens em situação difícil 290-294 130
2.6 Grandes concentrações juvenis .............. 295-299 132
CONCLUSÃO 300 134
DELIBERAÇÕES SOBRE AS CONSTITUIÇÕES
E OS REG1ULAMENTOS
1. Modificações ou acréscimos ao texto das Cons-
tituições ....................................................... 306-307 140
2. Modificação nos Regulamentos Gerais .............. 305 139
3. Interpretações práticas de textos constitucionais
ou regulamentares ......................................... 306-307 140
4. Deliberações sobre grupos de inspetorias ........ 309-309 140
5. Orientação operacional para a presença salesiana
na África ....................................................... 310 141
ANEXOS 143
1. Mensagem de S. S. João Paulo II para o início
do Capítulo Geral XXIII .............................. 311-343 145
2. Saudação do Card. Jean-Jérôme Hamer, Prefeito
da Congregação para os Institutos de vida consa-
grada e para as Sociedades de vida apostólica .... 315-317 147
3. Discurso do Reitor-Mor Pe. Egídio Viganã na
abertura do CG23 ...................................... 318-328 151
4. Palavras de homenagem dirigidas ao S. Padre pelo
Reitor-Mor Pe. Egídio Viganb, durante a visita
do Papa à sede capitular .............................. 329 161
5. Discurso de S. S. João Paulo II aos Capitulares
salesianos na sua visita de 1.° de maio de 1990 330-335 163
6. Saudações às FMA. Capitulares no Capítulo
Geral XIX do Instituto ................................. 336 166
7. O CG23 aos Cooperadores e Cooperadoras Sale-
sianos ........................................................... 337-338 168
8. O CG23 aos Ex-alunos e Ex-alunas de Dom Basco 339-343 170
9. Discurso do Reitor-Mor no encerramento do CG23 344-357 173
10. Carta aos Jovens .......................................... 358-365 186
11. Crônica do CG23 ............................................ 366-383 193
12. Elenco ,
dos participantes do CG23 ...................211
ÍNDICE ANALÍTICO ...................216

ABREVIAÇÕES E SIGLAS
art. artigo/os
cân. cânon/es
cap. capítulo/os
cf confere
ib ibidem
n. número/os
1 3 - página
v. ver
Documentos Eclesiais
AA Apostolicam actuositatem
CL Christifideles Laici
DV Dei Verbum
EN Evangelii Nuntiandi
GS Gaudium et Spes
IP Juvenum Patris
LG Lumen Gentium
MC Marialis Cultus
RH Redeptoris hominis
Siglas relativas à Congregação Salesiana
ACG Atos do Conselho Geral
ACS Atos do Conselho Superior (antes de 1984)
CCSS Cooperadores Salesianos
CG Capítulo Geral
CG21 Capítulo Geral 21
CG22 Capítulo Geral 22
CGE Capítulo Geral Especial (20°)
CI Capítulo Inspetorial
C Constituições
CS Comunicação Social
EESS Ex-alunos Salesianos
EJS Espiritualidade Juvenil Salesiana
FMA Filhas de Maria Auxiliadora
FS Família Salesiana
FSDB Formação dos Salesianos de Dom Bosco (`Ratio)
MB Memórias Biográficas
MJS Movimento Juvenil Salesiano
Regul. Regulamentos
RM Reitor-Mor
SDB Salesianos de Dom Bosco
VDB Voluntárias de Dom Bosco

APRESENTAÇÃO
Queridos irmãos,
iniciamos, um novo sexênio. Fazemos isso cheios de confiança em Deus, convencidos de que o CG23 foi para nós uma visita do seu Espírito. Ele nos guiará no caminho a ser percorrido. A atitude, que cada irmão e cada comunidade devem cultivar, será testemunhada de maneira eminente pelo novo Beato, Pe. Filipe Rinaldi, assim como o aprofundamos na circular do início do ano (ACG 332, janeiro-março 1990).

1. Os Atos do CG23 Apresento-vos os Atos do CG23. Contêm um material bastante rico, que orientará a nossa vida e atividade apostólica.

Reúne a documentação oficial dos trabalhos capitulares, ou seja: o documento sobre o tema da educação dos jovens na fé; as modificações ou acréscimos às Constituições e aos Reguluamentos; algumas interpretações práticas dos textos da Regra; deliberações com relação a Grupos de Inspetorias; uma orientação prática para a nossa presença na África; breve crônica do Capítulo e a "Carta aos jovens" pedida pela Assembléia ao Reitor-Mor. Encontrareis, ainda, vários discursos e saudações, sobretudo os mais ricos de sugestões, que o Santo Padre e S. E.

o Cardeal Prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada nos dirigiram.

Todo este precioso material representa o fruto também de longo trabalho de preparação, iniciado no mês de agosto de 1988 com a convocação do Capítulo (ACG 327) e realizado com amplo esforço comunitário. Os Capítulos Inspetoriais produziram interessantes contribuições; a Comissão pré-capitular traçou uma fiel e orgânica radiografia e propôs urna síntese interessante para a redação de um possível texto capitular, rica de oportunas reflexões. Influenciaram também os trabalhos capitulares os dois volumes da "Relação do Reitor-Mor" sobre o sexênio 1984-1990 e das "Estatísticas" gerais da Congregação. Eles oferecem um panorama concreto e aprofundado da nossa realidade, progressos, expectativas, problemas e possibilidades.

8 9 2. O Documento Capitular A Assembléia capitular em dois meses de intensa atividade soube formular válidas conclusões. Partiu da diversidade dos contextos em que trabalham as nossas comunidades, sublinhando a complexidade da condição juvenil, interpretando a atitude dos jovens diante da fé e focalizando os desafios universalmente mais significativos. Aos múltiplos questionamentos respondeu propondo um caminho educativo, inspirado na experiência pedagógico-pastoral típica de Dom Bosco.

Para assegurar, depois, sua atuação, apontou algumas escolhas concretas a serem colocadas em prática.

Penso seja útil sublinhar alguns aspectos que são como que as colunas mestras do conjunto. Levá-los em conta, facilitará a reta interpretação do documento e promoverá a aplicação das suas deliberações e orientações.

2.1. É importante, antes de tudo, ter presente que o caminho de educação dos jovens na fé insere-se no âmbito da "nova evangelização" (cf. ACG 331). Isto comporta variadas exigências. O aspecto fundamental está voltado para a autenticidade da fé, sua interiorização, a credibilidade de quem a professa, para saber interpretar as novidades dos sinais dos tempos e para enfrentar os desafios da irrelevância, do distanciamento, da multiplicidade de mensagens e de propostas. O Santo Padre nos disse que a educação dos jovens na fé "é uma das grandes distâncias da nova evangelização, e é justo que procurais, hoje, caminhos e linguagens apropriadas, na plena fidelidade ao vosso carisma e a tudo o que ensina a Igreja" (Discurso ao CG23).

O documento não se detém a examinar cada uma das nossas instituições, que já, foram estudadas em Capítulos anteriores abrindo também caminhos a novas iniciativas. O aspecto prioritário que quer evidenciar como urgência mais sentida é, propriamente, a nossa capacidade de adequar-se, onde estamos ou estaremos, às interpelações da cultura emergente e aos desafios da realidade. É urgente acender nos jovens um vivo desejo pela fé cristã e, uma vez aceso, acompanhá-los de perto até à plenitude da vida no Espírito.

A nova evangelização exige concretamente de nós uma "nova educacão" a ser repensada na fidelidade às origens. A preocupação do texto volta-se toda ela para a qualidade da nossa ação educativa. A chave de leitura é a proposta de um caminho pedagógico permeado de Evangelho.

Isto significa dedicação a um crescimento progressivo da fé até ao amadurecimento, não simplesmente o ato de semear, uma proposta ocasional, ou algum gesto ou rito tradicional. O caminho proposto pelo documento capitular requer não só o compromisso de semear, mas também paciência e habilidade em cultivar, e preocupação de ir até o fim: isto é, uma pedagogia de santidade verdadeiramente original.

2.2. Sujeito responsável e para nós indispensável para acompanhar os jovens no caminho da fé é a comunidade, inspetorial e local.

O documento não analisa a natureza e a estrutura da comunidade salesiana, trabalho já feito anteriormente com muita profundidade, mas sua qualidade e credibilidade. A comunidade deve ser um sinal visível e uma escola de fé autêntica. Caso não corresponda ao apelo do documento capitular, continuará sendo letra morta. O caminho proposto, de fato, parte da fé explícita da comunidade para dilatar-se e crescer na fé dos jovens: "da fé à fé!" (cf Comentário do Reitor-Mor à Lembrança de 1990).

A comunidade salesiana é o sujeito primeiro de todo o discurso, o fio condutor que amarra as várias partes do texto: ela vive o seguimento de Cristo com alegre intensidade, confessa o seu mistério com o testemunho da consagração, sintoniza-se e verifica atentamente o ambiente onde trabalha, descobre nele as sementes do Evangelho, interpreta os desejos de fé, intui os passos a serem dados no caminho, empenha-se em percorrê-lo, avaliá-lo constantemente à luz da Palavra de Deus.

O primeiro destinatário do documento é, portanto, a. comunidade; a ela dirige-se o CG23, confiando-lhe a tarefa de sua realização.

2.3. A çredibilidade da comunidade na sua metodologia salesiana para educar os jovens na fé, apóia-se no CG23 em duas colunas características e complementares: a "espiritualidade" e a "pedagogia". Trata-se de dois dinamismos sobre os quais se assenta o Sistema Preventivo que Dom Bosco nos transmitiu "como modo de viver e trabalhar para comunicar o Evangelho e salvar os jovens, com eles e por meio deles.

Impregna o nosso relacionamento com Deus, as relações pessoais e a vida da comunidade no exercício de unia caridade que sabe fazer-se amar" (Const. 20). Dom Bosco deixou-nos um patrimônio rico e original no qual nos devemos inspirar: pensemos em toda a descrição do "espírito salesiano" que está codificada no cap. 2.° das Constituições. Este "espírito" constitui a alma do nosso estilo de convivência com os jovens e da nossa maneira de agir com eles no caminho da fé.

O Papa fala-nos de "espiritualidade", seja na Mensagem inicial, seja no discurso de 1.° de maio: "espiritualidade significa viva participação no poder do Espírito Santo... Os jovens devem ter consciência da vida nova que lhes foi dada no sacramento do Batismo e levada à plenitude na Confirmação, e saber que dela emana a força de síntese pessoal entre fé e vida, que é possível a quem cultiva em si o dom do Espírito" (ib 5).

A nossa caracteriza-se como espiritualidade "pedagógica". A qualidade pastoral da comunidade mede-se pelo evangelizar "educando".

Trata-se de saber cultivar pacientemente a semente lançada no coração 10 11 dos jovens, também por outros semeadores. A comunidade toda é chamada a seguir com atenção os jovens num diálogo de fé, muito mais do que simplesmente cumprir as obrigações institucionais; nisto não há clichês que se possam repetir, mas é preciso intensificar a capacidade de animar, envolver, co-responsabilizar, ou seja, educar.

2.4. A comunidade, porém, não poderá propor e desenvolver a fé dos jovens se ela mesma não viver, de maneira ativa e atualizada, a comunhão nas orientações e iniciativas próprias da Igreja.

Entre as prioridades pastorais propostas pelo Concílio Vaticano II e por vários Sínodos posteriores, está a da animação dos fiéis leigos.

O documento capitular fala disso, visando à educação dos jovens na fé.

Sublinha-o o Reitor-Mor no discurso conclusivo, afirmando que esta tarefa nos obriga a tomar posição nas primeiras fileiras da nova evangelização e da nova educação (cf Christifideles laici).

Nas deliberações do Capítulo estão indicados dois momentos bem claros para nós neste tipo de animação e envolvimento: o da "comunidade educativa e pastoral" e o da "Família salesiana". Neles trabalham vários leigos com tarefas, modalidades e possibilidades diferentes.

O CG23 pede à comunidade, em cada um de seus níveis — local, inspetorial, mundial — que trabalhe durante os próximos seis anos nesta área de animação em favor dos jovens. Com esta finalidade, indica tarefas concretas, tanto para as Casas como para as Inspetorias e sugere ao Reitor-Mor com seu Conselho que ofereça elementos e linhas para um Projeto-leigo na Congregação.

2.5. O Documento, pois, propõe como meio indispensável para crescer na "espiritualidade" e "competência pedagógica", e na "animação dos fiéis leigos", a formação permanente.

A primeira deliberação capitular refere-se exatamente à necessidade de saber progredir nesta tarefa renovadora: "No próximo sexênio afirma —, a Congregação terá como compromisso prioritário a formação e qualificação contínua dos irmãos. Cuidará especialmente da interioridade apostólica, que é ao mesmo tempo caridade pastoral e capacidade pedagógica" (n. 221).

A formação permanente é chamada a focalizar, mais uma vez, a comunidade. De fato, trata-se de obter "o testemunho de uma comunidade que se renova continuamente". Ela é o sujeito privilegiado do nosso crescimento qualitativo com o seu testemunho cotidiano, com a co-responsabilidade e o discernimento, com a participação ativa na comunhão da Igreja local, com a fidelidade dinâmica ao Fundador superando perigos daquele sutil "genericismo", que foi apontado como um perigo atual na análise sobre a vida das comunidades (cf. Relação do Reitor-Mor, 291-298) e que constitui um aspecto da nossa superficialidade espiritual.

3. O evento CG23 Todo Capítulo Geral deveria ser, segundo as Constituições, "o sinal principal da unidade na diversidade da Congregação" (C 146); isto é, deveria ter um significado vital que vai além dos seus próprios documentos.

O CG23 o foi certamente, embora cada acontecimento humano traga consigo aspectos menos positivos e algumas falhas.

Neste Capítulo, devemos sublinhar dois sinais extraordinários de peculiar dimensão eclesial: a solene beatificação do terceiro sucessor de Dom Bosco, Pe. Filipe Rinaldi, na praça de S. Pedro lotada de fiéis, e a pessoal intervenção do Santo Padre João Paulo II, com a Mensagem inicial e sua histórica visita à sede do Capítulo.

Mas houve também muitos outros aspectos significativamente positivos: a vida alegre de família entre todos os capitulares, o intercâmbio de variaclíssimas experiências (as famosas "Boas Noites"), a sintonia de todos com o espírito do Fundador, a crescente consciência da importância da nossa comunhão mundial, a sensibilidade e o respeito pelas diferenças culturais, a sensação mutuamente confessada de viver uma especial hora de graça, a sublimação de intenções promovida, desde o início, pelo retiro espiritual dirigido pelo nosso benemérito bispo hondurenho, Dom Oscar Rodriguez, e o fato de ter sido um "Capítulo ordinário" com nova feição.

O CG23 foi mesmo um "sinal da unidade da Congregação"; os capitulares levaram a promessa de vitalidade a todas as Inspetorias como dom peculiar desta .`visita do Espírito Santo". Podemos afirmar que, por meio deste Capítulo, "toda a Sociedade, deixando-se guiar pelo Espírito do Senhor, (procurou) conhecer, (neste) momento da história, a vontade de Deus para melhor servir à Igreja" (C 146).

4. O compromisso do sexênio ConVido-vos, portanto, queridos irmãos, a estudar e a traduzir na prática o que o CG23 nos propõe para sermos "missionários dos jovens".

A aplicação das suas diretrizes e orientações colocar-nos-á na primeira fileira entre os operários da vinha: porque a Igreja está exatamente buscando um método pastoral adequado aos novos tempos, e porque Ela está visando prioritariamente à nova evangelização dos jovens. Dizia-vos isto já no comentário da Lembrança deste ano. Será necessário verificar, pois, se seremos capazes de ir adiante; é o que 12 13 desejamos a todos: jovens e anciãos, sãos e doentes, porque todos trazemos tesouros de êxito segundo a medida da graça que Deus dá a cada um de muitas e diferentes maneiras.

O segredo para lá chegar está no testemunho da interioridade apostólica que, com sua graça de unidade, nos torna "pastores" e "pedagogos": pedagogos porque pastores de jovens; e pastores porque educadores cristãos.

Terminava a Relação sobre o sexênio 1984-1990 "sublinhando qual é a condição fundamental mais necessária para a nossa atividade salesiana; expressa-se — escrevia — com uma palavra que se torna para nós um apelo: espiritualidade (p. 272). De fato, dizem-nos as Constituições: "Como Dom Bosco, somos chamados todos e em qualquer ocasião, a ser educadores da fé. Nossa ciência mais eminente é, pois, conhecer Jesus Cristo; e a alegria mais profunda, revelar a todos as insondáveis riquezas do seu mistério" (C 34).

Peçamos à Auxiliadora, Estrela da evangelização, que nos ajude a penetrar cada vez mais o mistério de Cristo, Irmão e Senhor, porque corte Ele não caminhamos nas trevas, mas temos — para nós e para os jovens — a luz da vida.

Roma, Festa da SS. Trindade, 10 de junho de 1990.

Pe. Egíclio Viganó

EDUCAR OS JOVENS NA FÉ TAREFA E DESAFIO PARA A COMUNIDADE SALESIANA HOJE INTRODUÇÃO 1, A Congregação Salesiana, guiada pelo Espírito A Congregação Santo e fiel ao carisma do - Fundador, percorreu Salesiana nestes anos um caminho de renovação e de defini ção da própria identidade. Desejamos voltar a per correr trechos da história que da "missão" salesiana nos levou ao "caminho da educação na fé".

O empenho educativo-pastoral da Congregação, não é, com efeito, um aglomerado de eventos e de ações que vão transcorrendo uns após outros sem sentido e sem ligação; mas é o conjunto das experiên cias que, animados pelo Espírito de Deus, realizamos na história da salvação.

2. Nossa missão de educadores nos torna intima Solidária mente solidários com o mundo e a sua história (cf com o mundo C 7). Pois educar quer dizer participar com amor e sua história no crescimento das pessoas e na construção do seu futuro.

Enfrentamos a história à luz do plano de sal vação, guiados pela sabedoria da Igreja, seu sinal e instrumento.

As tendências hoje no mundo sublinham a função central da pessoa em todos os problemas que mar cam a aventura humana. "Somos testemunhas do nascimento de um novo humanismo, no qual o homem se define, em primeiro lugar, por sua responsabilida de perante os seus irmãos e a história" (GS 55).

Nesse contexto, a educação da pessoa se torna urgente e prioritária.

3. No Concílio Vaticano II, a Igreja, guiada pelo no coração Espírito, captou os "sinais do tempo"; despertou a da Igreja consciência do seu ser mistério; renovou sua comu nhão interna e repensou sua presença ;no mundo tendo em vista a missão. Perita em humanidade, sen tiu-se novamente chamada a educar e a acompanhar o homem.

17 Tornou-se urgente, nos últimos anos, a necessi dade de uma "nova evangelização": "nova no seu ardor, no seu método, nas suas expressões" (João Paulo II, AAS 75, 1983, p. 778).

Sua razão de ser está nas situações inéditas "eclesiais, sociais, econômicas, políticas e culturais", caracterizada por uma crescente aceleração das mu danças e pelo acumular-se de questões que colocam em causa a responsabilidade de todos.

No-ro, portanto, é o contexto, novos também os objetivos gerais visados: trata-se de renovar o tecido humano da sociedade, aceitando renovar, em primei ro lugar, o espírito evangélico nas comunidades eclesiais.

A "nova evangelização" dirige-se à pessoa,. "centro e vértice de tudo quanto existe na terra" (CL 53.) Tem consciência < porém, de que o respeito da pessoa exige uma solidariedade também em nível mundial.

A caridade é a alma e o sustentáculo desta solidarie dade. Pessoa e sociedade são assim transformadas numa "nova cultura", atenta não só às exigências da moral individual, mas à totalidade das necessidades do ser humano.

A Congregação moveu-se "solidária com o mundo" (C 7) e em comunhão com a Igreja (cf C 6), colocando sua pequena história no grande sulco do caminho da humanidade.

O CGE concentrou a atenção na "nossa missão específica". Foram duas as condições indicadas para realizá-la. A primeira era a de se deixar guiar pelo Espírito a fim de redescobrir o carisma do Fundador, participar intensamente na vida da Igreja, colher os apelos dos jovens na história do mundo do qual Ele é o fermento escondido.

A segunda, a de ser disponíveis para enfrentar com confiança novos "êxodos" e novas opções. Pois uma atitude de medo diante da vida ou de suspeita 4.

a serviço da nova evangelização 5.

A partir da missão (CG20) 6, assumida comunidade um projeto (CG21) pela com como consagração apostólica (CG22) Documentos e reuniões autorizados proporciona ram orientações práticas para realizar tudo isso.

Muita coisa amadureceu desde então na consciência e na vida dos fiéis.

perante a nova cultura ou de pouco entusiasmo diante das grandes tarefas que se apresentavam jamais seria aceita pela juventude.

Seis anos depois, isso tudo era mais bem perce )ido pelos Irmãos. O CG21 se propôs então ser mais oncreto e operativo ao indicar as conseqüências.

Percebia entre as expectativas dos jovens e a nossa missão uma feliz coincidência; e na missão evangelizadora, a característica fundamental da nossa dentidade.

Mas como evangelizar os jovens? O CG21 insistia sobre duas prioridades: a primei a era a comunidade salesiana sujeito da missão e mimadora de numerosas forças apostólicas; e a se ;unda, um projeto educativo pastoral.

A comunidade tornou-se "centro" de comunhão 3• de participação; e o projeto, isto é, o Sistema Pre ventivo, mais compreendido e reatualizado, seria nossa maneira original de tornar real a evangeliza - ,•ão dos jovens.

O CG22 levou a cabo a elaboração da nossa Regra le vida e reconheceu definitivamente a inseparável finidade que há para nós entre missão apostólica, vida comunitária e profissão dos conselhos evangéli ;os (cf C 3), fazendo da "consagração apostólica" ima apaixonada "escolha de Deus" mediante o amor los jovens, seus filhos. Despertando em seu coração 3S. sentimentos de filiação e a convicção da presença lo Pai, o salesiano realiza sua "experiência radical lo Evangelho".

8... Esta leitura da história salesiana, que foi inspi Novos desafios rada por uma profunda comunhão com a Igreja e pela solidariedade com o mundo dos jovens, especial mente dos mais pobres, nos fez olhar para eles com concretude e amor. De seu modo de ser e de viver nasceram em nós perguntas urgentes e importantes: — Que é Deus para eles, hoje? que incidência tem a fé na vida deles? como empenhar nossa missão de educadores da fé nestes novos tempos e nas novas situações? 18 1 19 13.

difundida pelo Espírito Santo 9.

percebidos por todas as Inspetorias 10.

aos quais responde o CG23 11.

inspirando-se na pedagogia do Pai Tais perguntas provocaram nossa reflexão. Ela foi enriquecida pelas mensagens que os acontecimen tos e as manifestações juvenis do ano centenário nos comunicaram. Os jovens mostram-se sensíveis aos valores de "uma nova proposta de vicia" que encontra em Dom Bosco o "mestre" capaz de propor "uma nova educação ao mesmo tempo criativa e fiel" (JP 13).

Nasceu então, com naturalidade, e difundiu-se o desejo de percorrer junto com eles um caminho de fé, à luz da pedagogia da santidade juvenil salesiana.

Os Capítulos Inspetoriais, orientados e solicitados por estas sensibilidades, moveram-se dentro de um âmbito prático: o de verificar a eficácia da educação salesiana em ordem à vida de fé dos jovens. As inquietantes perguntas que fizeram chegar foram as de sempre; entretanto, sob a pressão da nova época, apresentavam-se como novas no tom e nas exigências de concretude: — Como se deve entender a fé nos contextos em que ela se deve tornar luz e sal? como é que a vida de fé se pode referir à existência pessoal? como comu nicar a fé e como acompanhar os jovens até ela? É preciso construir um caminho à medida dos jovens, pensando num tipo de homem capaz de viver as exigências da fé na história atual. Dessa maneira o projeto atinge o ponto almejado.

A partir desse ponto, destacaram-se três temas fundamentais, que ocuparam longamente a atenção dos capitulares e articularam a reflexão do CG23: a situação dos jovens nos próprios contextos, o cami nho de fé, a espiritualidade juvenil salesiana.

A educação dos jovens na fé se inspira na ação de Deus: "Com próvida gradualidade, (Ele) revelou o mistério do seu amor, movendo os homens através da história e da antiga aliança para o encontro com Cristo. Socorreu os homens com eventos e palavras que lhes eram familiares, falando ao seu povo segun do o tipo de cultura própria das diversas situações históricas, mostrando a sua condescendência em - seu máximo grau no Filho que se fez carne".

O. advento do Senhor Jesus traz em si toda a obra educativa do Pai. Ele é o Emanuel, o Deus co nosco. Jesus é reconhecido pelos seus como "Rabi" e "Mestre". É dotado de uma autoridade original e própria de magistério, é capaz de fazê-los refletir sobre os eventos humanos libertando-os dos precon ceitos correntes, está atento à formação deles e pron to para servir-se das formas mais apropriadas da comunicação.

Jesus manifesta de maneira convincente a peda gogia do amor, quer na doação de si aos outros, quer no saber acolher e defender "os pequenos e os pecadores", quer no propor aos jovens que, superan do metas ainda que boas, tomem o caminho exigente e mais alto do Reino de Deus.

Cristo é certamente muito mais do que um educa dor genial. É o Filho de Deus feito homem, Aquele que dá pleno sentido a tudo o que tem importância e valor humano. Para ele, como o verdadeiro e defini tivo "Projeto-Homem", se volta afinal a obra funda mental da educação, que, para ser integralmente humana, deverá aprender a tornar-se verdadeiramente cristã.

O Espírito Santo renova e difunde na Igreja esta "sabedoria pedagógica". Ele é que nos leva a redescobrir Cristo e o seu Evangelho, a reencontrar na sua originalidade o espírito do Fundador, a captar os apelos do mundo, a participar ativamente na vida da Igreja.

A Igreja, perita em humanidade, torna-se também perita em educação. Tudo nela está ordenado ao cres cimento do homem. Dentro dela, sempre nasceram e formaram-se mestres, pastores e doutores que assumi ram com intensidade seu amor pelo homem e sua capacidade educadora. Mediante sua obra fecunda e instituições de inestimável valor humano e cultural, a história da Igreja se identifica em boa parte com a história da educação de muitos povos.

12.

testemunhada pelo Filho 20 21 14. Em espaço de tamanha amplitude, nesta missão para que os Jovens de infinita possibilidade, os Salesianos nos coloca tenham vida mos na esteira de Dom Bosco, convencidos de que a fé é que vence o mundo, e de que "o homem que vive é glória de Deus". Queremos dedicar nossas ener gias à vida dos jovens, acolhendo as palavras do Senhor: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10,10).

22 PRIMEIRA PARTE A REALIDADE JUVENIL DESAFIA A COMUNIDADE SALESIANA 1. OS CONTEXTOS EM QUE VIVEM AS COMUNIDADES SALESIANAS O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14) 15. As nossas comunidades, colocadas pela vontade Um olhar pastoral de Deus num determinado ambiente humano, sentem aos contextos que esse é o lugar concreto em que se lhes pede que expressem a própria fé como testemunho acreditável e como anúncio de vida.

Estão, por isso, empenhadas em compreender a fundo os contextos em quEl se encontram e em parti lhar as esperanças do povo, fazendo delas atenta leitura à luz das Palavras de Deus. Elas destacam assim com maior clareza as interrogações que a socie dade e a. cultura fazem hoje à fé. E conseguem com preender melhor as condições em que se realiza o crescimento humano e religioso dos jovens, e as dificuldades que eles encontram : no esforço de amadurecer como cristãos.

16. A nossa reflexão sobre a educação dos jovens na fé parte do campo da cultura vivida, isto é, dos crité rios de juízo, dos valores determinantes, dos pontos de interesse, das linhas de pensamento, dos modelos de vida (cf EN 19).

É uma reflexão pastoral. Quer aprender a relação que esses elementos têm como "plano de salvação" que Deus confiou à sua Igreja (cf EN 19). Utiliza com confiança a contribuição das ciências relativas e baseia-se em análises autorizadas. Mas não pre tende ser exaustiva. Destaca apenas os aspectos es pecificados pelas nossas comunidades, que de ma neira mais intensa influem no crescimento dos jovens na fé.

23 17. A. apresentação dos diversos contextos ajuda a compreender a complexidade das situações em que as comunidades estão a trabalhar. E lhes faz com preender que devem ter em séria consideração o pró prio contexto, se quiserem percorrer com os jovens um caminho de fé.

Por outra parte, não devemos esquecer que o mundo, embora apresente as diferenças citadas, tor na-se cada vez mais uma "aldeia", especialmente em virtude dos meios de comunicação social e da facili dade dos transportes. Tendências culturais, modas, modalidades de vida espalham-se ao mesmo tempo um pouco por toda a parte. Anuncia-se, pois, uma época em que será necessário abrir-se aos diferentes contextos, captando os problemas e solidarizando-se com eles.

Os "tipos" de contextos que havemos de exami nar, caracterizam determinadas áreas geográficas, mas em nenhuma delas se encontram em estado puro.

É fácil até que se entrelacem na mesma área geográ fica, condicionando-se e modificando-se mutuamente.

São descritos em torno de quatro referências que interagem entre si: o sistema sócio-político e econô mico, algumas tendências culturais, a religiosidade, a situação juvenil.

Será justamente este último a perspectiva da qual se vêem os outros três.

18.

Contextos marcados por abundância de bens materiais Muitas comunidades trabalham em contextos marcados por abundância de bens materiais. Em tais contextos, o problema de alimentação, casa, trabalho, instrução e segurança social parecem resolvidos. As pessoas, garantidas em suas exigências humanas pri márias, favorecidas na aquisição e no aumento da pró pria cultura, dispõem dos instrumentos necessários para seu desenvolvimento integral.

O sistema político, de sua vez, tende a garantir ampla margem de liberdade e de participação na vida pública. As classes menos abastadas podem realizar um melhor crescimento econômico e social. Também o papel da mulher é mais reconhecido e mais bem valorizado nos vários setorés da vida social.

24 A tecnologia impele constantemente a um maior bem-estar e desfaz alguns condicionamentos da liber dade. Quando, porém, a mentalidade tecnológica é assumida acriticamente condiciona a maneira de pen sar e qualquer outra abordagem da vida.

O privado parece dilatar-se cada vez mais, parti cularmente no que se refere à moral. Chega-se a não aceitar nenhuma ingerência de normas que vão além da pura regulamentação da convivência social.

A sociedade, quando fortemente marcada pela lógica do proveito, torna-se geradora de pobrezas antigas e novas. Então, dentro do próprio contexto consolidam-se densas minorias insatisfeitas, e as nações mais pobres sofrem pesadamente as conse qüências das opções feitas nessa lógica.

Isso tudo não nos deixa indiferentes porque, de fato, determina certa maneira de pensar a vida e o relacionamento entre os indivíduos e, as sociedades, que incide sobre todos, particularmente sobre os mais jovens.

19. A Igreja está consciente de ser quantitativamente minoria e progressivamente irrelevante no campo da cultura, por vezes com alguma responsabilidade dos próprios cristãos.

Mas somos também testemunhas de que cresce o número das pessoas capazes de viver com intensidade e coerência os valores evangélicos, decididas a ga rantir sua pertença à Igreja. Estão convencidas de que a Igreja é chamada a ser "sinal e instrumento da salvação do homem" (LG 1), e se empenham com seriedade e concretude em projetos de animação, soli dariedade e promoção social.

20. Em tal contexto, encontramos também nume rosas expressões de religiosidade popular. Consoli dadas ao longo dos séculos, elas atingiram níveis de autêntica piedade. Estão presentes em não poucas fa mílias, podem-se ainda admirar em manifestações e em lugares de culto característicos.

Espalham-se também fenômenos de novas formas de religiosidade e de seitas autônomas de inspiração teosófica, neo-oriental e neo-pagã..

25 21. Por outra parte, há jovens presentes de forma atuante no social. Empenham-se nos movimentos ecológicos e pacifistas, em defesa e pela promoção dos direitos humanos, pagando pessoalmente pela pre sença na luta contra as várias formas de injustiça.

Ainda que, por falta de formação para o compro misso político, alguns se mantenham afastados das formações partidárias, esses mesmos, talvez, pode mos encontrá-los decididamente envolvidos em expe riências de voluntariado, capazes de empenhar-se na transformação da sociedade.

Os jovens são, além disso, um componente notá vel e significativo dos movimentos eclesiais. Mas são sensíveis também às amplas e até excessivas possi bilidades de prazer e de experiências que lhes são oferecidas. 2 fácil então dar com uma busca do imediato, que favorece a incapacidade de adiar a satis fação das necessidades, e com uma visão utilitarista que ofusca a compreensão de valores, como a gratui dada e o sacrifício. E tudo é amplificado pela pressão dos mass media.

Nesse clima social, muitos são levados a buscar novas experiências, a viver a própria sexualidade como puro prazer, a procurar refúgio na droga e no álcool, a recorrer à violência.

22. Numerosas comunidades salesianas estão a viver Contextos de em sociedades estruturalmente desarticuladas. São empobrecimento sociedades nas quais o empobrecimento econômico, político e cultural se apresenta como incontornável pela presença de muitos fatores, como a injustiça e a violência institucionalizada, a dependência econô mica e a dívida externa, que acentua a diferença Norte-Sul.

Há uma massa de pessoas — muitas vezes a maioria da população — que aumenta sempre mais a cada crise. Ela espera ter acesso aos bens indis pensáveis para viver humanamente, como pessoas, sem jamais conseguir. Bens essenciais são o mínimo para a sobrevivência e para a saúde, para a suficiên cia econômica, o trabalho, a instrução de base, a qualificação profissional, a justa retribuição do tra balho, o reconhechnente dos direitos elementares e a voz para fazer valer as próprias razões na vida social.

Elemento determinante de uma madura consciên cia coletiva e de uma consciência cristã formada é a convicção de que este estado de coisas não é somente provocado, mas mantido e agravado por fatores, estru turais, de tipo preponderantemente econômico, admi nistrados por forças externas, com forte colaboração dentro da realidade dos diversos países.

23. O povo, no sofrido dia-a-dia de sua vida e na simplicidade de suas expressões, conserva ainda e manifesta o patrimônio da sua cultura. São valores ricos de humanidade, como a cordialidade, a acolhida, a solidariedade, o sentido da comunhão e da festa.

Vive uma religiosidade popular com sentida referên cia a Deus; conserva gestos de devoção e concepções religiosas fundamentais, ainda que estas nem sempre consigam impregnar a vida pessoal e levar a um sério e decidido compromisso social.

24. Especialmente nas áreas onde a população cató lica é maioria, a Igreja se fez muitas vezes voz dos pobres, assumindo-lhes as aspirações de liberdade e de libertação em defesa dos direitos humanos. Por essa decidida opção preferencial, tornou-se consciên cia crítica em relação a opções políticas e econômicas.

Nessas difíceis situações, numerosas comunida des eclesiais se tornam boa notícia vivida, e expres são de uma Igreja empenhada na evangelização e na edificação do Reino.

Por outra parte, multiplicam-se e espalhamse as seitas que instrumentalizam o sentimento religioso natural do povo.

25. Nesses países, grande parte da população é cons tituída dê jovens que sofrem essas extremadas dife renças sócio-econômicas e educativas, perante as quais reagem com atitudes diversas, de esperança ou de frustração, ou de rebelião por vezes violenta.

26 27 Impressiona a constatação de quão numerosos são os que não sabem o que seja a juventude porque passam repentinamente de uma meninice de miséria a uma vida prematuramente adulta, marcada pela ne cessidade de trabalho muitas vezes vivido precaria mente.

26. Isso tudo não obstante, é evidente e significativo o fenômeno de jovens que se empenham e agregam tanto no campo eclesial como no social e político.

Não são poucas as comunidades que estão atuando em ambientes fortemente caracterizados pela presença de antigas e grandes religiões, como o hin duísmo, o budismo, o taoísmo, o confucionismo, o Islã e as religiões tradicionais. Apesar das profundas divergências, todas elas podem-se agrupar sob um denominador comum: o sentido religioso voltado para o Transcendente.

Tais religiões, por séculos e às vezes por milênios, foram fontes de energias espirituais.

Algumas de suas intuições e verdades fundamen tais a respeito da vida humana, do mundo, do mistério último que está na raiz de tudo quanto existe, exer cem particular influência sobre muitos jovens. Algu mas religiões oferecem motivações válidas e por vezes surpreendentes para levar a assumir as provações da vida. Com o advento da tecnologia e do secularismo, em vez de decair ou desintegrar-se, mostraram-se em ascensão.

Parecem até revigorar-se e estender sua influência para além de suas áreas tradicionais.

28. Uma das características mais evidentes de algu mas dessas religiões é sua forte presença na cultura, que lhes permite amalgamar-se bem com a vida do povo, impregnar todo o tecido da sociedade, inspirar o comportamento, favorecendo destarte a formação de uma identidade precisa e de um rosto bem delineado.

Nas regiões em que têm de conviver no mesmo contexto multi-religioso, essas religiões inculcam mui tas vezes um espírito de tolerância, de coexistência pacífica, de acolhida e hospitalidade, não obstante ocasionais explosões de violência, fruto de correntes intransigentes.

Ao lado dos efeitos positivos provocados nas culturas, não se pode ignorar certo peso negativo, por vezes nos princípios, muitas vezes na maneira com que, na prática, essas crenças serviram de suporte em alguns ambientes, ao longo dos séculos, ao imobi lismo de sociedades fortemente discrirninadoras.

Concretamente evidenciaram certa tendência para negar valores da libertação, determinaram e exaspe raram a divisão das populações em castas e classes sociais, ou a discriminação entre homem e mulher, entre adultos e jovens.

29. Ë muito variado o quadro sócio-econômico das sociedades em que tais religiões se acham inseridas.

Países há que atingiram alto nível tecnológico e econômico; outros estão se encaminhando para signi ficativas metas de desenvolvimento; outros ainda mostram graves formas de pobreza coletiva e graves carências nas estruturas políticas. Nesses últimos, luta-se para que a maioria possa gozar de um digno nível de vida.

30. Nesses contextos, a Igreja se encontra de fato em minoria. Sua presença não é atendida, ou é até dificultada. Torna-se então difícil, e às vezes impos sível, anunciar abertamente o Evangelho e apresentar a proposta cristã.

As comunidades salesianas são aceitas geralmente pelo serviço social e cultural que oferecem.

Situações como essas podem gerar nos irmãos sofrimento e desânimo. Mas não se fecha a porta ao diálogo, mesmo devendo-se reconhecer que nem sempre essa atitude se torna fácil, porque ou não é partilhada por todos ou tem dificuldade de encon trar a expressão justa.

• 31. Repercute na juventude a complexidade de tais situações.

A grande maioria da população tem menos de 24 anos. Muitos jovens, por causa da pobreza, vivem 27.

Contextos de outras religiões 29 2a em condições de grave precariedade e se encontram na impossibilidade de chegar aos níveis mínimos de instrução e de preparação para o trabalho.

A insegurança perante o futuro, com um presente insatisfatório e com outras formas de pressão, im pelem alguns a buscar refúgio na droga, no álcool, na delinqüência, no suicídio, na emigração.

Quantas, ao invés, vivem em situações econômi cas confortáveis podem usufruir os serviços sociais de educação e de promoção. Mas, conquanto empe nhados em alcançar melhora na vida, acham-se facil mente expostos às tentações do consumismo.

32. Há, porém, um aspecto positivo que emerge da vida desses jovens: na atual luta pela transformação social, muitos deles desempenham um papel de estí Mulo ao progresso. Empenham-se em despertar a consciência do povo, organizando e mobilizando gru pos que trabalham pela justiça e pela paz, inserindo-se eles próprios como agentes sociais e animadores de comunidades.

33. O grande empenho da Congregação em estar mais Novos países presente, nestes últimos anos, na área africana, fez independentes com alie aumentassem as comunidades salesianas que atuam em contextos em que se desencadeou um processo irreversível de descolonização política.

É um processo que se iniciou com as recentes inde pendências políticas, mas que requer também a superação de persistentes servidões culturais e econômicas.

Nesse contexto, não é difícil encontrar, no de senvolvimento da vida social, uma série de dificulda des devidas à instabilidade política, fruto de inefi ciência, de corrupção dos dirigentes e de ingerência de potências estrangeiras.

Na tentativa de favorecer uma unidade cultural nacional, são evidentes os esforços feitos para inte grar sensibilidades de grupos e tradições de tribos que têm diverso patrimônio cultural.

Observam-se também importantes tentativas de amalgamar exigências culturais locais com formas de vida importadas; o resultado, porém, nem sempre é satisfatório. Existe, ainda, uma autêntica tensão, que por vezes se transforma em embate, entre fideli dade às próprias raízes e processo de modernização que avança, acompanhado do mito do consumismo.

Este mito, levando a adaptar-se aos comportamentos ocidentais, mesmo nas aldeias mais distantes, causa a perda quase total dos valores tribais.

34. Em geral, a educação não conseguiu propor modelos próprios, capazes de sintonizar com a situa ção das pessoas e da sociedade local. Os modelos propostos mostram-se mais transposições de aspira ções e programas pensados para outros contextos.

Isso tudo aconteceu enquanto explodia a neces sidade de serviços educativos; e no empenho de satis fazer tal exigência não se deu suficiente atenção à respectiva qualidade cultural e pedagógica.

35. As sociedades dos novos países independentes caracterizam-se pelo difundido clima de religiosidade, que atinge todos os aspectos da existência e se ex pressa tanto na esfera da vida pessoal como na pública. Manifesta-se como atitude de admiração e de abertura ao mundo religioso, mesclado a formas de medo e de submissão a forças desconhecidas que pro pendem para a magia.

36. A fé cristã, e a Igreja Católica de modo particular, espalharam-se com rapidez, no breve espaço de um século de implantação e de evangelização.

As comunidades cristãs e a organização eclesiás tica se encaminham para uma crescente consolidação e para a indigenização. Lenta mas progressivamente, a fé se encarnou na cultura local. São abundantes as vocações, multíplices os carismas.

Onde, porém, a evangelização é muito recente, juntamente com um crescimento de adesões à Igreja, produziram-se situações de fé ainda superficiais e fáceis sincretismos na vida prática. Em quantos aderem ao cristianismo é ainda débil e ambivalente a unidade entre fé e vida, sobretudo no âmbito da moral familiar, da economia e da política. Para mui tos, o ponto nevrálgico é uma sólida proposta de catecumenato.

3"0 31 São numerosas as Igrejas africanas cristãs inde pendentes e as seitas e movimentos baseados em forte sincretismo religioso.

O anúncio do Evangelho encontra ainda um cam po disponível, pelo que são evidentes hoje os progres sos da evangelização em cada nação, que é acompa nhada, por parte da comunidade cristã, da busca de uma própria expressão de fé.

37. Os jovens constituem a grande maioria da popu lação. Vivem, todavia, num estado de preocupante e radical precariedade, que interfere no crescimento, educação, trabalho, opção religiosa e vida moral.

Determinante é a condição deles fortemente subalterna em relação aos adultos: o jovem africano não conta, menos ainda a menina, ao passo que a presença salesiana propõe a valorização deles.

Determinante, também, é o êxodo maciço da aldeia para a periferia urbana, a urbanização selva gem e desordenada, como também a dupla mentali dade — tradicional e moderna — que se manifesta na sociedade. Há a vontade de libertar-se dos modelos de vida da própria cultura para assumir outros, dando a essa passagem o significado de uma promo ção cultural.

Outras comunidades estão se reconstruindo ou redesenhando após longos e difíceis anos de trabalho apostólico em sociedades fortemente controladas por regimes autoritários. Neste momento, elas se dispõem a acompanhar a passagem, rápida e imprevista, a um sistema diferente de vida social e política. A situação, carregada de esperança, apresenta-se ainda fluida e em evolução.

O novo clima de liberdade permite participação política e expressões culturais e religiosas múltiplas.

Há o empenho de construir a sociedade nesse rumo.

Ao mesmo tempo, emerge um forte desejo de bens econômicos, de longo tempo vedados, que leva a realizar o estilo de vida típico dos contextos do bem-estar. Não faltam vozes que advertem do risco de assumir seus aspectos deteriorantes.

38.

Êxodo dos regimes autoritários 39. O fenômeno religioso não se mostra idêntico em todos os países. É definido por diversos componen tes: a tradição, o papel de defesa dos direitos do homem assumido pelas Igrejas durante o período anterior, a integração entre prática cristã e cultu ra popular, a adesão h, fé por parte da maioria da po pulação, a defesa dos valores cristãos, o esforço con tínuo e constante da Igreja de educar na fé.

Mesmo sem extinguir na maioria um sentido religioso fundamental, é certo que o longo período de "ateísmo oficial", imposto com o sistema escolar e a pressão cultural e difundido com todos os meios de comunicação social e com a discriminação política e social dos crentes, deixou traços profundos.

O respeito do patrimônio cultural está muito enfraquecido. Por esse motivo, as seitas religiosas encontram terreno favorável na juventude que busca valores permanentes.

40. Hoje se reconhece que comunidade, sinais e per sonalidades ligadas ao mundo religioso foram válidos pontos de referência e de apoio para as forças que estimularam e apoiaram o êxodo de tal sistema.

Assim a fé cristã apareceu como força histórica, capaz de suscitar coesão e resistência, empenhada em promover eficazmente a liberdade e a dignidade humana.

41. O papel dos »vens foi importante. Foram cons trangidos a viver enquadrados pelo poder político, expresso em estilos rígidos de educação e em organi zações de regime já desde a adolescência. Muitos, porém, não somente resistiram às opressões de vários gêneros, mas tornaram-se verdadeiros apóstolos entre seus colegas. Tomaram parte como protagonistas e estimularam a mudança social, especialmente nas uni versidades e no mundo da fábrica.

Hoje, também para eles, se abrem, mesmo nos limites das dificuldades econômicas, múltiplas possi bilidades culturais. Não se concluiu para eles a busca de como orientar as opções atuais e para qual saída se encaminhar no futuro. Ê, certo, uma busca em penhativa, sobretudo diante do vazio ideal e cul- tural que .o desmoronamento do sistema ideológico (marxista) deixou, mas que espera ser rapidamente preenchido.

42. Um contexto ulterior, que reputamos significa Grupos autóctones tivo para a presença salesiana entre os jovens, é e minorias étnicas aquele em que vivem alguns irmãos que atuam entre grupos autóctones. A eles podem juntar-se as situa ções de algumas minorias étnicas. Esses grupos per tencem a contextos sócio-políticos mais amplos que, de fato, os mantêm à margem, quando não os excluem de todo.

Eles vivem e organizam-se socialmente de manei ra diversa conforme o contexto a que pertencem. Sua tradicional forma de vida não é na maioria das vezes valorizada, e no confronto entre eles manifesta-se uma atitude de tolerância. São considerados uma espécie de reserva arqueológica, de presença estranha: são sentidos como uma realidade em via de extinção, como elementos a serem integrados ou expelidos da convivência social.

Não obstante, eles apresentam valores notáveis e uma própria visão do mundo, que hoje interessa par ticularmente compreender e aprofundar.

Entre as características próprias desses grupos, emerge um grande amor pela terra, considerada por eles "mãe" e espaço vital que lhes garante a identidade como grupo humano, verdadeiro povo e autêntica nação. A família tem a função de unidade de traba lho, centro dos valores comunitários, defesa contra a desagregação e o colonialismo.

Sabem viver profundos valores humanos e sociais, como um acentuado sentido religioso. É-lhes cona tural uma atitude contemplativa, um estilo de vida simples e sensibilidade estética diante da beleza da natureza.

Sua expressão agregativa encontra a melhor for ma ao se constituírem em federações, capazes de criar forte solidariedade em defesa de seus direitos.

43. A Igreja faz-se presente entre eles também com numerosas comunidades de religiosos e religiosas.

Nestes últimos tempos, tornou-se um corajoso sinal 34 e realidade de salvação contra as repetidas tentativas de espoliação e destruição. Os missionários fizeram -se ativos promotores do seu desenvolvimento, aju dam-nos a ser protagonistas de sua história, a tomar consciência da própria identidade cultural e a recu perar as próprias raízes.

Os catequistas e os outros ministérios são uma válida ajuda para encaminhar um roteiro catecume nal, que os leva a uma fé sem os dessarraigar de sua cultura.

Muitos jovens, animados e apoiados pela presen ça dos missionários e dos voluntários, organizaram -se em cooperativas, capazes de uma atenta consciên cia crítica e preparados a inserir-se no contexto.

44. As gerações mais jovens puderam gozar de maior instrução. E surgiu entre elas, algumas vezes, a ten dência de abandonar os grupos de origem.

Alguns, atraídos por maiores possibilidades de bem-estar, emigram para a cidade e põem em risco o próprio patrimônio de humanidade e de fé, com o perigo de assumir do novo ambiente as atitudes mais negativas.

2. A SITUAÇAÓ DA JUVENTUDE Eu vos escrevo, ó jovens, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno (1Jo 2,14) 45. A comunidade salesiana depara-se com os diver sos contextos, porque lhe interessa compreender a situação em que os jovens se encontram e como eles reagem diante delas. Isso nem sempre é fácil. As competências educativas pastorais parecem perder-se ante a vida dos jovens que se apresentam com dife renças notáveis, mas também com muitas convergên cias. Essa variedade de situações compreende aspectos positivos e negativos, que abrem perspecti vas ou implicam riscos para a educação da fé.

35 ALGUNS DADOS DA SITUAÇÃO JUVENIL 46. Em cada contexto, acham-se presentes diversas A pobreza formas de pobreza. Muitas vezes elas assumem dimen sões alarmantes em virtude da extensão e dos efeitos devastadores.

Para quem as sofrem representam uma insídia e, de alguma maneira, um obstáculo ao desenvolvimen to. Para outros, ao invés, podem fazer amadurecer sensibilidades novas em relação às vividas pelo mun do adulto circunstante.

47. A reação dos jovens diante de tantas formas de pobreza não é idêntica em todos os lugares.

Alguns deles se tornam combativos, por vezes violentos, em oposição aos responsáveis pela organi zação social. Procuram com todos os meios sair de sua situação de indigência e organizam formas de luta. Em conflito permanente com a sociedade, não encontram tempo para se abrir a crenças diversas da ideologia que os domina.

Parte considerável de jovens, ao invés, aguarda passivamente a solução dos problemas, não encon trando em si mesmos energia e vontade suficiente para planificar um futuro diferente. São jovens sem perspectiva, voltados para o presente e preocupados em sobreviver.

Cresce, entretanto, o número de jovens que se põem como consciência crítica da sociedade civil e religiosa, e agem de modo capilar para que se pro pague a consciência das possibilidades reais de mu dança. Dão-se conta dos problemas mais imediatos de sua sociedade e observam com atenção as exigên cias mundiais nos pontos dramáticos do contraste econômico Norte-Sul, das despesas militares, da coexistência pacífica entre os povos e da discrimina ção social. Procuram caminhos novos de libertação, pedindo apoio às comunidades civis e eclesiais.

Encontramo-los solidários, generosos e empenha dos pelos irmãos.

Nascem e desenvolvem-se entre eles muitas voca ções, e a Igreja encontra agentes pastorais, catequis tas, animadores da comunidade, voluntários...

48. Tarefa interessante que envolve amplamente a A vontade juventude de todos os contextos é a vontade de de construir-se contruir em si hoje uma personalidade humana válida.

Assiste-se ao esmorecimento de muitos modelos tradicionais. Diante da pluralidade de novos modelos, os jovens se encontram sós na busca de sentido.

Multiplicam-se os lugares e os grupos que fazem suas propostas de formação.

Surgiram assim influxos e dependências difíceis de administrar.

Mensagens tecnicamente elaboradas e psicologi camente atentas aos pedidos dos jovens espedaça-lhes o mundo interior e plasmam indivíduos de fraca identidade.

Muitos jovens mostram-se por vezes temerosos, incertos diante do futuro e incapazes de decisões claras e duradouras.

49. Muitos jovens, por outra parte, não se entregam A busca e não abandonam tão facilmente o sonho de cons oe novos valores trair uma sociedade diferente e nova. Apelam para novos valores, capazes de regenerar as relações inter pessoais e de oferecer uma estrutura social mais rica.

Na vida dos jovens manifestam-se algumas insis tências: a centralidade da pessoa, princípio, sujeito e fim de todas as instituições sociais; a descoberta do valor da dignidade igual e da reciprocidade homem mulher: um modo novo de construir relações, basea das na liberdade interior e na justiça social; um con junto de valores ligados à diversidade (por exemplo, a tolerância, o ecumenismo, o respeito ao diferente) e à solidariedade (a nova visão da paz e do desenvol vimento, a totalidade e a globalidade do crescimento); uma renovada atenção às realidades culturais e reli giosas, para além das aspectos de pura técnica; uma marcada sensibilidade aos grandes problemas do mundo, favorecida também pela notável possibilidade que os jovens têm de se encontrar com outras reali dades e com tradições culturais e religiosas diversas; uma significativa redescoberta do ambiente e da necessidade de sua salvaguarda. 50. Duas atitudes há que condicionam fortemente a construção de "identidades novas". São o "conformis mo", entendido como adaptação não responsável nem crítica, incapaz de pensar em termos de origi nalidade e de novidade; e o "pragmatismo", que se apresenta preocupado com a busca do presente imediato.

51.

Exigência de novas relações Nota-se por toda a parte uma forte exigência de novas relações. Ela é, antes do mais, busca de comu nicação, para superar o isolamento e estabelecer um confronto. Não está excluído o desejo de satisfazer necessidades e exigências imediatas: espera se resol ver mais facilmente as dificuldades e os problemas da vida cotidiana. Muitas vezes, porém, se tende a relações interpessoais estáveis e fecundas de empe nhos operacionais.

52. A ligação com o mundo dos adultos, embora con tinue problemática, está hoje carregada de menor tensão e agressividade, substituídas algumas vezes, porém, por formas várias de apatia e desconforto.

De qualquer maneira, vivemos uma estação de maior serenidade.

Com os outros jovens a relação se expressa em forma e espaços espontâneos, nos quais o envolvi mento resulta muito intenso.

O "estar juntos" de meninos e meninas é hoje um fato que se está sempre mais universalizando.

vivido com naturalidade. A partilha de experiências, de processos formativos, favorece a complementari dade mutuamente enriquecedora. Não é raro, todavia, que a promiscuidade leve a banalizar o relacionamen to. A ligação afetivamente forte pode romper-se quando outra relação parece responder mais às próprias expectativas.

AS INSTITUIÇÕES EDUCATIVAS 53. Particular atenção merece na situação juvenil o relacionamento que os jovens estabelecem com as instituições hoje chamadas agências educativas.

Um fator comum que se deve levar em conside ração é que os jovens se sentem ao mesmo tempo "dentro" e "fora" delas. Estão "dentro", e, para além de todas as aparências contrárias, o relacionamento é consistente. Os jovens procuram utilizar ao máximo a instituição com vistas ao seu crescimento pessoal.

Estão "fora", e essas agências têm uma influência relativa em suas opções de vida, determinadas por critérios que não coincidem com os das instituições.

54. A família na crise das instituições continua hoje A família um ancoradouro para os jovens. Representa um re fúgio tranqüilo e um sincero ambiente afetivo que gera ordinariamente, entre os adultos e os jovens um relacionamento positivo de respeito e de autonomia mútua. Mas o indicador de sua validade educativa e religiosa vem a ser, de qualquer maneira, reduzido.

As novas pertenças que o jovem constrói fora da fa mília, a separação cultural que divide jovens e adul tos, a impossibilidade para os pais de poder acom panhar os filhos depois da adolescência, deixam a família um tanto fora do processo de crescimento.

Lugar de afeto e de compreensão, já não é vivida como primeiro ambiente de elaboração cultural.

55. Diversas famílias, nos vários contextos, estão hoje imersas em grave crise, caracterizada pelo enfraque cimento dos laços internos e por exagerada busca de autonomia.

Muitos jovens sofrem as conseqüências dessa deterioração familiar, causada pela infidelidade, pela superficialidade do relacionamento, pelo divórcio, pela miséria, pelo alcoolismo e pela droga.

Está aumentando o número de pessoas psicologi camente impreparadas para a paternidade ou para a maternidade, incapazes de doar afeto aos filhos ou ao companheiro.

Tais situações criam em muitos jovens graves conseqüências que se manifestam em carências afe tivas evidentes, insegurança, inadaptação, risco de descaminho.

No sistema educativo das nossas complexas socie dades, nota-se uma preponderância da instrução e do dado científico sobre as intenções educativas e sobre 56.

A instituição escolar 61.

O grupo juvenil a formação global da pessoa. Este fato cria uma dis sociação entre sistema educativo e vida, entre ensino e formação global da pessoa, e torna difícil a elabo ração de uma cultura pessoal.

Além disso, a interferência de numerosas outras `agências de educação reduz a influência de todas, e relativiza propostas e conteúdos oferecidos aos jovens.

As estruturas religiosas conhecem hoje crescente interesse e renovada confiança, ainda que sua influên cia sobre as decisões e sobre as opções de vida dos jovens seja apenas parcial e setorial.

Para comodidade de análise, reduzimos o fracio nado mundo religioso dos jovens a duas categorias fundamentais.

57.

Pls instituições religiosas 58, Uma maioria de jovens julga incompatível a bus• ca que fazem de um novo modo de viver, com a pouca flexibilidade da instituição religiosa. Pois ela pareceria não favorecer as novidades continuamente exigidas pela vida.

Por isso, afastando-se da instituição, esses jovens são induzidos a viver a experiência religiosa comc fato interior e privado, que não consegue incidir de maneira significativa em sua vida concreta.

59. Uma minoria, ao contrário, sente fortemente a comunhão com as pessoas que partilham os mesmos sentimentos e orientações culturais e religiosas. Sabe expressar com força e tenacidade o compromissc coerente com a própria fé religiosa, manifesta-a publi.

camente e procura reelaborar-lhe os gestos, os sim.

bolos e os conteúdos, a fim de torná-la mais expressi• va num mundo que está mudando.

OUTRAS SITUAÇÕES QUE INFLUEM SOBRE OS JOVENS 60.

O trabalho O lugar e a qualidade do trabalho influem nota velmente sobre os jovens e sobre sua identidade pessoal e social.

Para muitos deles, o trabalho é condição indis pensável de sobrevivência para si e para a família.

Determina um novo relacionamento com os adultos e procura um lugar na vida social.

Para outros, o trabalho estabelece também a saída da família, uma administração independente da própria vida e uma confirmação social das próprias capacidades.

Em cada caso, o trabalho cria no jovem maior segurança de si, novas atitudes: no lugar de traba lho nascem solidariedades e amizades, trocam-se expe riências e sofrem-se influências.

Em muitos casos, o ingresso no mundo do traba lho quebra a débil participação na comunidade cristã e a própria fé corre o risco de ser sempre menos influente, até tornar-se estranha à vida.

Por outro lado, cresce o número de jovens que no lugar de trabalho conseguem traduzir concretamente a própria fé em empenho social.

Não se devem esquecer dois aspectos.

Os jovens, numerosos em alguns países, constran gidos a prolongado estado de desemprego ou de tra balho provisório, sofrem um sentido de falência pessoal e de inutilidade social e ficam num estado de dependência econômica e familiar.

Para muitos deles, ao invés, a experiência do trabalho é muito precoce. É o fenômeno do trabalho do menor, que muitas vezes se realiza em condições de precariedade, de exploração, sem garantias da incolumidade física e a salvaguarda dos direitos pessoais. A esses meninos é vedado o acesso às ins tituições educativas e a um mínimo de cultura. Podem, pois, atirar-se a fáceis evasões ou, mesmo, a situa ções desencaminhadoras.

Particular importância tem o grupo juvenil no caminho de formação. É sem dúvida, uma realidade espalhada e rica de perspectivas.

Em contato com os coetâneos, o jovem encontra critérios de vida e orientações práticas, lê os fatos da experiência e confronta-os com o passado, expressa-se com protagonismo gratificante.

O grupo representa para muitos jovens o único caminho para recompor a fragmentariedade que lhes 62.

A "rua" 63.

A comunicação social marca de contínuo a vida. E assim a solidão, que é parte integrante do processo de desenvolvimento pes soal, é mais facilmente superada.

Por vezes, a adesão aos ideais do grupo é parcial e o próprio grupo torna-se apenas refúgio ou evasão das dificuldades que a vida apresenta.

A "rua" „ . permanece sempre um lugar de refú gio para os jovens pobres, separados de suas famílias ou marginalizados da sociedade, que devem servir-se de qualquer meio para sobreviver. Nos contextos de pobreza, ela é para muitos jovens a única casa, o único lugar de trabalho e a única escola de vida.

Mas hoje a rua assumiu nova dimensão. A busca de novos relacionamentos e o desejo de liberdade levam os jovens a inventar lugares de agregação e encontro, simples e de acesso imediato. É signi ficativa, neste sentido, a forte influência da rua, das salas de divertimento ou de reunião, onde as mensa gens se constroem, se multiplicam ou se eliminam mutuamente.

Os jovens procuram aí o prazer do encontro e o gosto de sentir bem pelo fato de estarem juntos.

Não se encontram para fazer alguma coisa, mas para falar, para partilhar, e sobretudo para se divertir.

Cresce a força e a incidência do tempo livre sobre a formação da identidade pessoal dos jovens, até eclipsar a importância das agências educativas clássicas.

A rua e os outros espaços de reunião ajudam a vencer a solidão, produto característico da sociedade atual; suprem carências afetivas de tipo familiar; dão segurança pessoal e oferecem possibilidades de encontro e amizade.

Na rua, porém — e nos demais ambientes de agrupamento espontâneo —, é fácil deixar-se capturar por mensagens carregadas de solicitações ambíguas, que estimulam ao gozo do imediato, à massificação, à evasão mediante o álcool, à droga e outras formas de comportamento que levam ao descaminho.

Os jovens se comunicam com facilidade mediante as linguagens novas (música, TV, videoclipes) que criam nova cultura, muitas vezes desconhecida e in compreensível aos adultos, mas dentro da qual eles se movem com naturalidade. Essas linguagens difun dem modelos de vida (cf C 43) e produzem contínuas e abundantes informações sobre o mundo e os seus problemas.

Os jovens são, em geral seus grandes desfrutado res. Para alguns os mass media são ocasiões positivas de crescimento. Servindo-se deles com inteligência, formam uma verdadeira consciência crítica e uma mentalidade mais aberta. Amadurecem opções mais documentadas e empenhativas, cultivam sensibilidade aos valores da paz, da justiça e da tolerância.

Outros jovens, porém — e são muitos —, servem -se dos mass media acriticamente, expondo-se ao risco de dependências cada vez maiores. São para eles ins trumentos de evasão, ocasiões de novos condiciona mentos, de falsas necessidades e de modelos errados de vida.

3, OS JOVENS PERANTE A FÉ Saiu o semeador a semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à margem do caminho. .. outra caiu em terreno pedregoso... outra caiu entre os espinhos... outra caiu em, boa terra. ..

(Mc 4,3-8) Nos contextos e nas situações até aqui descritos, como é que os jovens olham para a fé? Que esperam dela? Que lhe pedem? Suas expectativas e esperanças apresentam-se diversificadas.

64. Há os "jovens distantes". É a categoria mais Jovens distantes numerosa;mas, dentro dela, as raízes de sua distân cia e suas manifestações são diversas.

Alguns estão longe porque, conquanto tenham vivido em famílias fundamentalmente sensíveis ao fato religioso, a pouco e pouco, por influência de ambientes em progressiva descristianização, chega- ram a perder a fé sem que a houvessem rejeitado conscientemente. É um afastamento silencioso.

Outros há que estão longe, simplesmente porque nasceram em famílias e em contextos culturais onde o sentido da vida, seus critérios e as pertenças são autônomos e de todo estranhos aos valores religiosos.

Outros estão longe porque, privados das condi ções fundamentais para viver, empobrecidos e margi nalizados, nem sequer sabem que existem valores cristãos e religiosos; ou, se sabem, sentem-nos sem peso e significado para a sua experiência de vida proveniente da preocupação com a sobrevivência cotidiana.

65. A categoria dos "distantes" pertencem também os jovens que excluem explicitamente qualquer refe rência religiosa. Educações erradas podem tê-los feito passar de uma religiosidade intensa à sua rejeição.

Os motivos são vários: ou por testemunhos nega tivos; ou porque não houve cuidado pedagógico da qualidade, gradualidade e assimilação pessoal dessa religiosidade ou porque foi substituída pela adesão a sistemas de pensamento , ou a movimentos políticos que não reconhecem a capacidade humanizante da experiência religiosa; ou porque, de maneira mais consumista, eles se puseram no caminho do acúmulo do bem-estar, e a fé se tornou para eles irrelevante e um obstáculo .

66. Há, finalmente, jovens que se dizem longe de Deus, porque longe das práticas religiosas e das ins tituições eclesiais ou do magistério, não do compro misso ético. Estes oferecem boa base e suficiente dis ponibilidade para o diálogo.

67. Há os jovens abertos a certa participação. Eles Jovens abertos sentem a necessidade real, muitas vezes confusa, de ao discurso um significado para a própria vida e de valores para religioso motivar-lhes as opções e as ações.

São jovens cheios de aspirações, sensíveis aos estímulos religiosos. Mas param também facilmente naquele âmbito de "religiosidade" chamada "light" ("leve"), onde vivem jorros de emoção e de prática religiosa por ocasião do encontro com pessoas e acon tecimentos de exceção. Com efeito, não se preocupam com um conhecimento orgânico do mistério cristão, nem com a prática coerente com os ensinamentos da Igreja.

Demonstram, porém, alguma boa disposição ao diálogo e ao aprofundamento.

68. Semelhantes a esses, muito embora com acentua Jovens da prática ções diversas, são os jovens da prática religiosa não religiosa motivada, os que cumprem com regularidade os ges tos religiosos exigidos, mas sem viver sua qualidade e plenitude. Fazem-no mais em consonância com o costume social do que como expressão consciente da busca de Deus e do advento do seu Reino. Não se decidem nem se dispõem, por própria iniciativa, a doar-se a Cristo e aos irmãos, também pela insufi ciente maturação da opção religiosa.

Por isso a fé não desenvolve neles todas as poten cialidades, a vida cristã não é acolhida nos aspectos proféticos de aventura original, a caridade não se torna doação. testemunho, serviço eclesial, empenho sócio-político.

69. O setor mais restrito é o dos "jovens empenha Jovens dos". No entanto, sua presença é um verdadeiro sinal empenhados de esperança. Para eles a fé é um dom: é uma desco berta, uma surpresa e sempre uma alegria. Neles a reflexão sobre o mistério cristão é contínua, o esfor ço de coerência é permanente e as várias formas de compromisso apostólico e sócio-político e as diversas vocações, vividas com generosidade, levam a uma viva e manifesta pertença à Igreja.

70. Há, entre estes, jovens que viveram sua vida sim plesmente, na bondade e na doação aos outros até à santidade. A nossa tradição os conheceu: Domingos Sávio, Laura Vicutia, Zeferino Narnuncurá, e outros.

Dom Bosco fê-los protagonistas extraordinários da evangelização dos outros jovens. Os nossos docu mentos no-los mostram como "meta de plenitude da evangelização" (cf CG21, 27) .

Deus deles se apossa e os põe a serviço dos pró prios companheiros e da comunidade. A existência deles evidencia muitos aspectos da força operativa do Espírito, e é um estímulo para as próprias comunida des salesianas. 71. O encontro com os jovens pertencentes às várias denominações cristãs já não é hoje para nós um fato excepcional. A Congregação inseriu-se em áreas geo gráficas tradicionalmente ligadas a tais confissões. E cada vez mais freqüentemente meninos e jovens de diversas confissões freqüentam nossas obras.

Instaurou-se recentemente, um pouco por toda a parte, um novo clima, com o movimento ecumênico, a tolerância religiosa e o desejo difundido de unidade que caracteriza nossa época, por influência do Con cílio Ecumênico Vaticano II.

Em virtude de sua fé, esses jovens refletem e vivem uma tensão espiritual e exigências morais por muitos aspectos coincidentes com as do mundo católico. Vêm a nós com simpatia, ou por opção pessoal, ou porque suas famílias acham atraente o clima dos nossos ambientes, ou por razões de con veniência. Há entre eles alguns que são abertos ao diálogo sobre os valores religiosos e disponíveis para agir juntamente conosco pelo Reino.

Mediante o respeito recíproco e a valorização da opção religiosa, pode-se superar a desconfiança e a contraposição. Estimamo-nos mais, solidarizamo-nos na realização de projetos comuns.

Isso, todavia, não acontece com as seitas funda mentais, disseminadas em diversos contextos.

72. Os jovens das outras religiões apresentam-se, eles Jovens das outras também, com as características próprias dos "tipos" religiões descritos, dos "distantes" aos "empenhados".

Muitos dentre eles admiram a Jesus, mas a maioria não escolhe aderir ao cristianismo.

As razões são muitas: o medo de que, tornando-se cristãos, devam-se separar da cultura e da tradição do próprio grupo social; o sentimento arraigado de que o cristianismo é depositário de uma fé importada e estrangeira; em alguns países também a falta de li berdade religiosa.

Influi também o fato de que muitos cristãos não se empenham e oferecem um testemunho pouco crível, lutando entre si, embora referindo-se ao mes mo Cristo.

Isso tudo pesa e condiciona os primeiros movi mentos em direção à fé.

46 73, Acresce a interpretação que é dada à crise moral e religiosa dos países tradicionalmente cristãos, como se fora o resultado de colossal falência do cristianis mo, tanto assim que jovens do próprio Ocidente vão a esses povos em busca de paz, harmonia, iluminação.

O cristianismo parece ter pouco ou nada a oferecer, que já não se encontre em suas religiões.

A auto-suficiência, nascida da interpretação — em parte verdadeira e em parte opinável — desses fatos, apresenta-se como dificuldade para o diálogo e como impedimento para acolher com coração pobre o escân dalo do Evangelho.

74. No conjunto, porém, essas religiões oferecem boa base de confronto com o cristianismo. Trata-se de ajudar a descobrir e aumentar sua capacidade de se abrir a Deus e à proposta de fé; de facilitar o discer nimento do verdadeiro e autêntico do falso e ilusório; de acompanhar os jovens no encontro de comunhão com Deus, utilizando o bem que existe em sua fé e em seus desejos.

4. OS DESAFIOS MAIS URGENTES Quando chega a tarde, vás dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado.

E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio.

Sabeis, na verdade discernir o aspecto do céu, mas não sois capazes de conhecer os sinais dos tempos! (Mt 16,2-3) 75. Da leitura dos contextos, da situação juvenil e da colocação concreta dos jovens diante da fé, a Con gregação Salesiana sente-se desafiada a tomar posição e a empenhar-se. Mas em que direção? O CG23, no seu discernimento, individuou nos fatos alguns desafios que, a seu juízo, pela gravidade, urgência e amplitude, parecem interpelar mais direta e fortemente a comunidade. São desafios que se apre 47 78.

A pobreza — A comunidade vive deveras a fé como a dimen são que dá sabor e orientação à vida? Quais são então os caminhos que a fazem aparecer em seu verdadeiro valor aos jovens de hoje e os ajudam a segui-la? A condição social de pobreza interpela e desafia todo homem de boa vontade. A impossibilidade ou a grande dificuldade prática de realizar-se como pes soas, não podendo usufruir as condições mínimas para um desenvolvimento adequado, coloca sérias perguntas.

São perguntas que se tornam ainda mais angus tiantes quando se chega a compreender que o empo brecimento de muitos está em relação direta com o enriquecimento de poucos.

79. Quem, como discípulo de Cristo, vê esta realida de com os próprios olhos e a sente com o próprio coração é chamado a "compadecer" essas situações e a tornar-se solidário com quem as sofre. 0 caráter profético da vida religiosa nos pede que encarnemos a Igreja "desejosa de abandonar-se ao radicalismo das Bem-aventuranças" e de testemunhá-la. Este dom do Espírito nos torna mais sensíveis ao desafio da pobreza.

Aquele que é "rico da misericórdia" nos envia a ser voz daqueles que não têm voz, a nos tornarmos pobres com os pobres, a assumir a causa deles, a buscar a justiça para os que sofrem injustiça, a colaborar para transformar uma realidade que está longe do Reino de Deus.

80. Observando essa condição social de pobreza com os olhos de Dom Bosco e constatando como ela destrói tantos jovens, cuja horizonte de vida se limi ta à busca do imediato para sobreviver ou a um ideal esvaziado de sentido, sentimo-nos desafiados a tor nar mais consistente e qualificada a presença salesia na entre os pobres.

E nos perguntamos: — Como vive a comunidade salesiana o radica lismo da bem-aventurança da pobreza, e como a testemunha? Que educação e que vida cristã apresen sentam de um lado como provocações à nossa voca ção de educadores da fé; e de outro, como oportunida des reais carregadas de potencialidade. São ocasiões novas que solicitam a criatividade e a coragem.

Elas expressam, de maneira particularizada, a dupla vertente que a fé é chamada a iluminar e a significar: a pessoa e a sociedade; a identidade pessoal e a solidariedade universal entre os homens.

São indicadas cinco: — o desafio do "distanciamento — estraneidade": — o desafio da "pobreza"; — o desafio da "irrelevância da fé na vida e na cultura"; —o desafio das "outras religiões"; — o desafio da "vida".

77. Os jovens distantes são numerosos e são um grande desafio para a comunidade salesiana, que percebe encontrar-se muitas vezes longe deles por mentalidade e falta de comunicação: -- Como atingir os jovens, superando as barrei ras físicas, psicológicas e culturais que a separam do mundo deles? — Como entrar em contato com aqueles que, embora estejam em nossos ambientes, estão distantes e não se interessam pela fé? A mesma maneira de viver e de apresentar a fé por parte da comunidade é abalada e levada a interrogar-se: 76.

O distanciamento estraneidade O desafio do distanciamento - estraneidade dos jovens do mundo da fé é o dado mais universal que resulta das análises realizadas. Encontra-se até naque les que percorreram as primeiras etapas da iniciação cristã.

Muitos jovens, tendo a possibilidade de optar livremente, encerram a própria vida numa visão secularista, que mais os atrai, se curvam sobre o presente e perdem a consciência do próprio destino.

48 49 A irrelevância da fé na vida e na cultura é um axioma da sociedade "moderna", como se fosse indis cutível e acertado que o ser religioso está em anta gonismo com as leis e os dinamismos que movem o hoje na economia, na política, na gestão do poder.

No mundo de bem-estar, e por reflexo também em outros contextos, o valor religioso foi colocado à margem dos componentes da nova sociedade e dos aspectos que se reputam essenciais à vida social.

Para os jovens, especialmente para os que vivem nesse clima, o questionamento de Deus não é relevan te, e a linguagem religiosa (salvação, pecado, fé, futuro) esvaziou-se do seu significado. Não tem sen tido, pois, falar da relação fé-vida ou fé-cultura. A proposta religiosa já não encontra espaço cultural 83.

A irrelevância da fé tamos aos jovens que vivem num mundo de pobreza, injustiça, miséria e abandono, para que seja signifi cativa e libertadora? — Especialmente nos países de bem-estar, como educamos os jovens a se darem conta da injustiça gerada pelo mundo da abundância? 81. Um dos aspectos do desafio é que os jovens mar ginalizados e empobrecidos, na medida em que se tornam transparentes ao Evangelho, são eles próprios nossos evangelizadores: "reconhecemos os valores evangélicos de que são portadores", dizem-nos as nossas Constituições (cf C 29).

82. As comunidades salesianas são chamadas a ser um sinal de esperança desses jovens. A partir do mo mento em que partilhamos com eles todo o nosso amor como educadores que vivem: de fé, sentimo-nos obrigados á sair das situações de torpor e de indi ferença.

O encontro cotidiano com esses jovens, enriqueci do pelos sinais da presença de Cristo, produz nas comunidades novos estímulos para uma fé vivida com mais verdade, ajuda a celebrar o Reino e a salvação, a procurar com realismo novos motivos de conversão e de solidariedade, a fazer da fé uma realidade salví flea da história.

para se expressar de forma compreensível. É o aspec to dramático do, por outro lado, legítimo processo de secularização.

84. E os jovens que crêem? Também eles tendem a viver a própria fé "em privado", sem ligação com a vida real que a rejeita. As situações de isolamento, de privatização e de estraneidade são vividas e se acham semeadas por toda a parte, especialmente pelos meios da comunicação social.

E os jovens bem logo parecem estar colocados diante de uma alternativa sem saída: — Orientar-se no social e abrir-se à vida adulta sem seguir e inspirar-se em critérios religiosos? ou permanecer fiéis ao próprio horizonte ideal, o da fé, privilegiando o privado? Também os salesianos se perguntam: — Como educar os jovens na reconstrução de uma nova identidade cristã dentro dos processos de desenvolvimento dos valores humanos? 85. A própria comunidade, de sua vez, corre o risco de não poder tornar crível a própria fé e de não a poder transmitir, se não encontra o lugar adequado, a duração suficiente e a linguagem necessária para a educação da fé daqueles aos quais é enviada.

O lugar não podeser senão o da vida e da histó ria: é a nova realidade social. A duração é a das diver sas fases ou idades da vida. A linguagem, a capaz de comunicar dentro da nova cultura.

O desafio é grande, até mesmo imenso. Não se trata aqui de dar apenas uma resposta abstrata às perguntas; trata-se de todo o dinamismo da vida e da civilização, trata-se do sentido das várias iniciati vas da existência cotidiana e, ao mesmo tempo, das premissas para todo projeto de educação que queira se apresentar como possível. Trata-se, no fundo, de poder esperar ainda.

O encontro com as outras religiões é um desafio que se apresenta nos diversos contextos descritos, de maneiras e características distintas, embora co muns em parte. Como tornar presente Jesus Cristo, 86.

O encontro com as outras religiões 51 "Aquele que penetrou de maneira única e irrepetível no mistério do homem e entrou no seu coração?" (RH 8).

Após 2000 anos, o cristianismo é percebido ainda, nestes contextos, como religião distante das próprias sensibilidades culturais e estrangeira, por vezes até mesmo considerada perigosa por alguns grupos reli giosos de tendência fundamentalista. Quem se sente ameaçado fecha-se e torna inúteis as possibilidades de conhecimento mútuo, de colaboração e inter câmbio.

Um diálogo sincero e prático, uma atenta e pro funda inculturação da fé cristã e uma corajosa evan gelização da cultura (cf C 7), um testemunho da comunidade empenhada na caridade e no serviço com entusiasmo e capacidade de sacrifício são a mais váli da resposta ao desafio do encontro com os jovens de outras religiões.

— Como pode a comunidade realizar um diálogo sincero e aberto com essas religiões, sublinhando-lhes os valores positivos, reconhecendo-lhes os limites? Como viver os valores salesianos do Sistema Preven tivo, sobretudo o amor e a bondade, como o primei ro testemunho cristão e o melhor caminho para tor nar presente o Evangelho (cf R 22)? 87.

A vida Os desafios até agora apontados são individua dos nos fatos e provocam inquietudes e oportunida des reais. Mas há um desafio que é síntese e matriz de todos os outros e atravessa todos: o desafio da "vida".

88. Muitos jovens experimentam-na em suas mani festações mais dolorosas: na fome que procura o pão; na opressão que procura a liberdade; na solidão que procura a comunhão; na profanação que procura a dignidade; no esmorecimento que procura uma segurança; no absurdo que procura um sentido; na violência que procura a paz.

Há jovens que são felizes nos estudos, na família, entre os amigos, no bem-estar, no tempo livre e acabam não tendo necessidade da fé e de uma outra vida.

Há, enfim, os que querem viver plenamente. Esse desejo de vida ganha hoje características próprias: busca de uma nova qualidade de vida, na qual, supe radas as necessidades primárias, sejam oferecidas respostas a outras necessidades mais pessoais, rela cionais e religiosas; sensibilidade para com a digni dade da pessoa humana e seus direitos; busca de novas motivações para viver como homens verdadei ros no mundo de hoje.

A ressonância desses desafios envolve toda a exis tência da comunidade salesiana, atinge cada aspecto da sua identidade e a obriga a verificar e a avaliar seu ser e agir. Medindo-se por Jesus de Nazaré, ela verificará se está a serviço da vida destruída e amea çada por tantas mortes, e deverá repensar seu con ceito de "salvação cristã", iluminada pelo art. 31 das Constituições: "educamos e evangelizamos segundo um projeto de promoção integral do homem, orienta do para Cristo, homem perfeito".


 

APRESENTAÇAO SINTÉTICA
161. Para ajudar as comunidades a uma leitura rápida
Os núcleos da proposta e para solicitá-las a um ulterior aprofunfudamentals damento, aqui está uma descrição dos núcleos da espiritualidade juvenil salesiana:
1. Espiritualidade do cotidiano

  • cotidiano inspirado em Jesus de Nazaré (cf C 12) é o lugar em que o jovem reconhece a presença operosa de Deus e vive a sua realização pessoal.

2. Espiritualidade da alegria e do otimismo

  • cotidiano deve ser vivido na alegria e no otimismo, sem por isso renunciar ao empenho e à responsabilidade (cf C 17 e 18).
  • Espiritualidade da amizade com o Senhor Jesus

O cotidiano é recriado pelo Cristo da Páscoa (cf C 34) que dá as razões da esperança e introduz numa vida que encontra nEle a plenitude de sentido.

  • Espiritualidade de comunhão eclesial
  • cotidiano se experimenta na Igreja (cf C 13 e 35), ambiente natural para o crescimento na fé mediante os sacramentos.

Na Igreja, encontramos Maria (cf C 20 e 34), primeira crente, que precede, acompanha e inspira.
5. Espiritualidade de serviço responsável

  • cotidiano é entregue aos jovens num serviço (cf C 31) generoso, ordinário e extraordinãrio.

1. Espiritualidade do cotidiano

  • O desafio fundamental para um crente e para
    É síntese entre uma comunidade é transformar a experiência de vida, fé e vida pela força da fé, em experiência evangélica. É fácil proclamar-se cristãos de modo genérico. Difícil é viver como cristãos, desatando os nós que tornam problemática a existência e abrindo-se às exigências práticas das bem-aventuranças. A harmonia interior de um jovem e a alegria de viver exigem a "graça de unidade".

Na experiência salesiana, esta é uma intuição, alegre e fundamental ao mesmo tempo: não há necessidade de isolar-se da vida ordinária para procurar o Senhor. As primeiras páginas do JOVEM INSTRUIDO proclamam esta exigência juvenil: "Quero que sejais felizes". Quando os salesianos, prolongando o Dom Bosco de Valdocco, vivem a caridade pastoral e dão origem a um ambiente de família no qual "se experimenta a necessidade e a alegria de partilhar tudo" (C 16), facilitam a harmonia e suscitam nos jovens a pergunta sobre a felicidade.

  • Na base da avaliação positiva da vida coti‑
    é redescoberta diana está a contínua descoberta do evento da Encarpela Encarnação nação. A condição humana de Jesus revela que Deus está presente na vida, e disso Deus afirma a transcendência, Jesus-Homem é o sacramento do Pai, a grande e definitiva mediação que torna Deus vizinho e presente.

Ele nos ensina que o lugar para encontrar a Deus é a realidade humana: a nossa e a dos outros, a de hoje e a história. "Todas as vezes que fizerdes isto a um dos meus irmãos, a mim o fizestes" (cf Mt 25,49). É a vida humana, pois, que nos mergulha no evento da Encarnação.
A vida, então, é primeiramente "dom" oferecido a todos: dom "misterioso" pelas expectativas que suscita. É como um escrínio que encerra significados e horizontes imprevistos.

  • Assumir com coerência o aspecto ordinário da
    é amor à vida existência; aceitar os desafios, as interrogações, as tensões do crescimento; procurar a recomposição dos

fragmentos na unidade realizada pelo Espírito no Batismo; trabalhar pela superação das ambigüidades presentes na experiência diária; fermentar com o amor cada opção: isso tudo é passagem obrigatória • para descobrir e amar o cotidiano como realidade nova em que Deus age como pai.
Na bondade do salesiano, que com "bondade, respeito e paciência" (C 15) acompanha a construção da personalidade deles; na acolhida incondicionada da comunidade que expressa a sua predileção por eles (cf C 14), os jovens descobrem um sinal de Deus que ama e previne. Não obstante as experiências negativas da paternidade ou das relações familiares que possam ter vivido, o coração novo, que estão construindo, ajuda-os a ganhar o mundo de maneira diversa.
Este olhar fará perceber que na origem da nossa vida, assim como é, com suas pulsões e aspirações, há um chamado de Deus. "Amar a vida não fragmentada, mas projetada como vocação, quer dizer receber o apelo para empenhar-se como construtores de humanidade, de justiça, de paz ( ) Amar a vida amplamente aberta à cultura como aos ideais, à partilha e à solidariedade, capazes de ter coragem de sonhar como Dom Bosco mundos novos, homens novos" (O RM, Confronto DB 88).
2. Espiritualidade da alegria e do otimismo
165.         O que aparece evidente em Valdocco é a alegria,
A alegria da o otimismo, a esperança. Dom Bosco é o santo da bondade alegria de viver. Os seus meninos aprenderam tão bem a lição, que diziam com linguagem tipicamente "oratoriana" que "a santidade consiste em estar muito alegres".
Dom Bosco apresentou aos jovens marginalizados do seu tempo a possibilidade de experimentar a vida como lesta e a fé como felicidade.
A música, o teatro, as excursões, o esporte, a alegria cotidiana de um pátio foram sempre valorizados pela pedagogia salesiana como elementos edu‑
cativos de primeira importância. Suscitam numerosas energias de bem, que serão orientadas para um empenho de serviço e de caridade.
A festa salesiana não é nunca manifestação de um vazio interior em busca de compensações; nem a ocasião de distrair da realidade muitas vezes dura e, pois, a ser evitada. É, ao invés, ocasião para construir amizade e desenvolver quanto de positivo há nos jovens.
Esse estilo de santidade poderia causar maravilha a certos peritos em espiritualidade e em pedago gia, preocupados com que venham a ser diminuídas as exigências evangélicas e os empenhos educativos. Para Dom Bosco, porém, a fonte da alegria é a vida da graça, que empenha o jovem, num difícil tirocínio de ascese e de bondade.
166.           Durante toda a sua vida, Dom Bosco encarai‑
e o empenho do nhou os jovens à santidade simples, serena e alegre, crescimento juntando numa única experiência vital o "pátio", o "estudo" sério e um constante sentido do dever.
Ele oferece hoje, como resposta fiel ao amor gratuito de Deus, preciosa releitura do evangelho, no espírito das bem-aventuranças.
Elas manifestam, antes de tudo, quem é Deus para nós e qual deva ser nosso empenho de crentes na construção do Reino. Estimulando a viver na unidade a alegria e o dever, ensinam-nos a assumir, na seqüela de Cristo, a cruz, como dimensão pascal da opção evangélica e, por isso, do desenvolvimento em humanidade segundo a estatura de Cristo, morto e ressuscitado.
Fora de um caminho seriamente empenhado, o crescimento se torna sempre mais difícil. O salesiano lembrará isso muitas vezes aos jovens, quando eles tiverem a impressão de que reestruturar a própria vida à luz do Evangelho requer o desapego de bens irrenunciáveis. Liberdade, justiça, solidariedade, corporeidade muitas vezes porão o jovem crente diante de um bívio: ou ficar com o Senhor Jesus, aceitando a responsabilidade da fé, ou então optar por realizar a vida fora de sua influência. E esse um momento crucial, uma passagem árdua mas necessária para
chegar à síntese em que se experimenta a sorte de viver com o Senhor da vida e da história.
João Paulo II, com feliz intuição, definiu o lugar da meninice e da adolescência de Dom Bosco, a COLINA DAS BEM-AVENTURANÇAS JUVENIS; porque dela parte uma mensagem de alegria e de responsabilidade para os jovens que olham para Dom Bosco como pai e mestre.
3. Espiritualidade da amizade para com o Senhor Jesus
167. Viver o espírito das bem-aventuranças no estilo de
Encontro com Valdocco é estreitar laços de amizade entre Jesus e
Jesus Cristo o jovem. Já não satisfaz apenas o primeiro encontro
~suscitado e a simpatia para com Deus. Quer-se aprofundar o conhecimento e a adesão à sua Pessoa e à sua causa. Procura-se uma resposta concreta ao seu amor, retribuído com empenho e generosidade. Ao chegarem a esta relação com o Cristo Senhor, os jovens se abrem à radicalidade evangélica.
A experiência do Oratório com a história pessoal e comunitária de Domingos Savio, Francisco Besucco e Miguel Magone mostra como todos os jovens podem percorrer o caminho da amizade com Cristo.
Amigo, Mestre e Salvador são os termos que descrevem a centralidade da pessoa de Jesus na experiência espiritual dos jovens que vivem o estilo salesiano. A dimensão pessoal do relacionamento "Jesus é meu amigo e companheiro" diz Francisco Besucco — leva a conhecer a totalidade do mistério de Cristo, morto e ressuscitado.
168. Foi preocupação constante do Dom Bosco educar
para um na fé, caminhando "com os jovens a fim de conduzi-coração novo -los à pessoa do Senhor Ressuscitado", para que crescessem "como homens novos" (cf C 34).
Dom Bosco gostava de repetir que "a educação é coisa de coração". Também o caminho da espiritualidade exige um coração novo. Se não se atinge este centro que move a vida humana, não se realizará nenhuma conversão profunda e duradoura.
Em contato com o senhor Ressuscitado, os jovens renovam um amor mais intenso pela vida. Na amizade com o Senhor Ressuscitado formam um "coração oratoriano", que vibra com a irrequieta sensibilidade juvenil e com a força silenciosa mas eficaz do Espírito Santo.
4. Espiritualidade de comunhão eclesial
169. Amparados por espiritualidade que nasce do rela‑
O desejo cionamento entre pessoas que encontram em Cristo
de viver Juntos um amigo comum, os jovens dos ambientes salesianos sentem grande necessidade de estar juntos. Como amigos, compartilham e celebram a alegria de viver, para se ajudarem mutuamente. Fazem, assim a experiência de se tornarem fermento em meio aos outros meninos e jovens. Por exigência natural, além disso, organizam e, em certa medida, institucionalizam a amizade, criando grupos ligados aos mais vários interesses de sua existência: do jogo à cultura e ao compromisso religioso. Entre os grupos, muitas vezes, desenvolvem uma união, porque estão participando dos mesmos ideais e valores. Orientam-se assim para um movimento juvenil inspirado nos traços espirituais de Dom Bosco.
   170.. A relação pessoal com o Cristo ressuscitado e a
para uma experiência de grupo desaguam numa relação filial comunhão na com a Igreja. Dom Bosco foi um homem de comuresponsabilidade nhão. Ensinou aos jovens a viver o mistério da Igreja, que encerra, na fraqueza do humano, a graça invisível da presença de Deus. Seu testemunho pessoal cotidiano e o ambiente de família que criou no Oratório, suscitaram nos jovens o sentido da colaboração e da co-responsabilidade.
Também hoje, a diversidade de interesses, de dons e de valores que convivem na comunidade educativa são um testemunho da presença do Senhor que une todos num só coração e numa só alma. Esse espírito de família é sinal eficaz da Igreja que se quer construir juntos, para um serviço fraterno em favor dos que têm maior necessidade.
171.       A história dos jovens no Oratório, enquanto Dom
Para a Igreja Basco vivia, é rica de expressões concretas de amor à
particular Igreja. De fato, a comunhão busca continuamente unir-se com todas as forças empenhadas na salvação e na construção do Reino de Deus. A comunhão se expressa na estima e na fraternidade operativa em relação aos Pastores e a quantos cooperam para o bem de todos, particularmente dos jovens. Busca, além disso, o diálogo e o entendimento com os responsáveis pela pastoral local, deixando-se guiar por uma madura visão de fé, capaz de compreender e aceitar os aspectos humanos da Igreja, os seus limites e as suas carências. Abre-se, enfim, aos problemas do homem e dos jovens que surgem nos diversos contextos. A espiritualidade mede-se e cresce no confronto com a história das pessoas.
173.       Sentir como próprios os grandes interesses da
para a Igreja Igreja universal, intervindo de maneira proporciona-universal da à capacidade de cada um, representa um empenho constante na história salesiana. Tem o sabor de "grande aventura religiosa" a preparação da primeira expedição missionária na Congregação. Todo o Oratório sentiu-se envolvido, e cada um se sentiu parte ativa. Foi uma experiência que desenvolveu entre os jovens uma viva sensibilidade para com a mundialidade do empenho apostólico.
Entre os componentes de uma espiritualidade juvenil salesiana está o amor explícito ao Papa e a adesão convicta ao magistério. A pessoa do Sumo Pontífice é sinal visível de unidade para toda a Igreja. É uma presença providencial para o serviço que desenvolve no nome do Cristo Senhor em favor de toda a humanidade.
173.        O encontro e a relação com o Cristo ressuscitado
Cristo vivem-se de maneira particular na celebração dos encontrado sacramentos.
nos sacramentos   A tradição salesiana reconhece e afirma a sua
importância no crescimento cristão dos jovens.
Hoje, então, seguindo a renovação conciliar, as comunidades revalorizam os sacramentos da iniciação. Assim o Batismo, início do caminho de educação para a fé, empenha os próprios jovens numa catequese renovada e num testemunho de vida coerente com a configu‑
ração com Cristo Senhor. Assim a Confirmação, sacramento que leva a realizar a maturidade da fé mediante os dons do Espírito, assume particular importância na idade juvenil.
A pedagogia da santidade em Dom Bosco evidenciou, porém, de modo privilegiado, a influência educativa da Reconciliação e da Eucaristia.

  • O sacramento da Reconciliação, que celebra o
    no sacramento amor de Deus mais forte que o pecado, foi apresando perdão Lado por Dom Bosco aos jovens como uma das colunas fundamentais do edifício educativo. Por isso, era celebrado freqüentemente em Valdocco e era rodeado de particulares atenções. Cuidava-se, antes do mais, da preparação, mediante um ambiente acolhedor, rico de amizade e fraternidade. Isso ajudava os jovens a superar a natural relutância em manifestar os segredos do próprio coração. Queria-se, também, que fosse orientado para a vida: devia, isto é, melhorar os relacionamentos interpessoais; criar as condições para um empenho mais evidente no cumprimento dos próprios deveres; apoiar a conversão e a renovação do coração, para que o jovem pudesse "dar-se a Deus" com um propósito eficaz. Enfim, prolongava-se na direção espiritual, para reforçar a adesão a Deus, e no encontro fraterno com o educador na partilha alegre da vida.

Os frutos educativos do sacramento da Reconciliação são muitos. Os jovens amparados pelo amor que compreende e perdoa encontram a força para reconhecer o próprio pecado e a própria fraqueza, necessitada de apoio e acompanhamento. Aprendem a resistir à tentação da auto-suficiência. Oferecem o perdão como retribuição da reconciliação recebida. Educam-se no respeito às pessoas. Formam uma consciência reta e coerente.
O recurso regular ao sacramento da Reconciliação dá eficácia ao processo de conversão e de renovação.

  • A celebração da Eucaristia preparada num clima
    no sacramento de solidariedade e de amizade é vivida como um anda Eucaristia contro festivo, cheio de símbolos e expressões juvenis. É celebração alegre da vida. Torna-se, assim, para os jovens um momento significativo de crescimento

religioso. .É chamada segunda coluna do edifício educativo no sistema salesiano, Com efeito, da Eucaristia o jovem aprende a reorganizar a sua vida à luz do mistério de Cristo que se doa por amor. Aprende a submetê-la, antes de tudo, às exigências da comunhão, vencendo egoísmos e fechamentos. É levado a procurar, ainda, a doação generosa de si, abrindo-se às necessidades dos companheiros e empenhando-se nas atividades apostólicas, adaptadas à sua idade e maturação cristã. A Eucaristia torna-se, destarte, para ele uma fonte de energias novas para crescer na graça. "A educação para o verdadeiro amor passa através da Eucaristia" (Reitor-Mor ACS 327) . A tradição salesiana lembra outra expressão típica de relacionamento com a pessoa do Senhor Jesus: a visita e a oração diante do SS. Sacramento. Na palavra de Dom Bosco, volta muitas vezes o convite à "visita" como meio para expressar a Deus o "obrigado" pelos dons da existência.
176.        A oração, feita com estilo salesiano, apresenta
na oração algumas características particulares. É a oração do bom cristão, simples e popular; afunda as raízes na vida. Ama o clima festivo dos encontros entre jovens, mas sabe encontrar também o momento para um diálogo pessoal com Deus. Expressa-se com fórmulas breves e espontâneas, extraídas da Palavra de Deus e da liturgia.
Cada geração é chamada a inventar a sua oração, na fidelidade à tradição e no corajoso confronto com a cultura e os seus problemas. Por isso, a oração salesiana sabe aceitar as novas modalidades que ajudam os jovens a encontrar a Deus na vida cotidiana. É flexível e criativa, atenta às orientações renovadoras da Igreja.
Dom Bosco usava o termo piedade mais freqüentemente que o de oração. A piedade exprime a consciência de estar imersos na "paternidade de Deus" e olha, mais do que para as palavras, para os gestos do amor de quem procura em tudo agradar a Deus.
rn.       A espiritualidade juvenil salesiana dá lugar privi‑
Maria, mãe legiado à pessoa de Maria. Dom Bosco, desde o início e Auxílio da sua vocação, no sonho dos 9 anos, recebeu a como da Igreja guia e sustentáculo (cf C 8). Cumpriu, com sua ajuda
materna, o desígnio que Deus tinha sobre sua vida. Ao termo de sua jornada, pôde afirmar com verdade: "Foi Ela quem tudo fez".
Em contato com a comunidade salesiana, os jovens aprendem a olhar para Maria como para aquela que "infunde esperança" (cf C 34) e sugere-lhe algumas atitudes tipicamente evangélicas: escuta, fidelidade, pureza, doação, serviço.
Todos os jovens vivem alguns tempos difíceis de transformação mas também de entusiasmo, pela novidade que os espera e que desejam, com todas as suas forças. Maria, invocada e ornada com o título de Auxiliadora, é para eles "sinal de esperança segura e de conforto" (LG 68). Quando chegam a uma devoção mariana motivada, os jovens que vivem no ambiente salesiano descobrem os horizontes para os quais os impele a Auxiliadora: um ardente zelo apostólico na luta contra o pecado e contra uma visão do mundo e do homem contrária às bem-aventuranças e ao "mandamento novo".
5. Espiritualidade de serviço responsável
178.           O jovem crente, impelido pelo Espírito, está a
Tornar-se serviço do homem, como a Igreja, especialista em honestos humanidade.
cidadãos e bons
O serviço mede o caminho da espiritualidade.
cristãos
Dom Bosco, pai e mestre da juventude, queria que seus jovens se tornassem "honestos cidadãos e bons cristãos". A síntese dos dois elementos é o fruto mais maduro da espiritualidade juvenil. A simplicidade da fórmula esconde a fadiga a ser empregada e o empenho nunca completamente realizado.
Ser honesto cidadão implica hoje para um jovem promover a dignidade da pessoa e os seus direitos, em todos os contextos; viver com generosidade na família e preparar-se para formá-la em bases de doação recíproca; favorecer a solidariedade, especialmente para com os mais pobres; desenvolver o próprio trabalho com honestidade e competência pro‑
fissional; promover a justiça, a paz e o bem comum na política; respeitar a criação; favorecer a cultura (cf CL 37 e 44).
1179.      A história dos jovens no Oratório, quando Dom
com a Bosco vivia, é rica deste aprendizado da vida cristã: criatividade estar a serviço dos outros, de maneira ordinária e do amor em formas por vezes extraordinárias. Novos campos de serviço se abrem hoje aos jovens. Há a animação educativa e cultural no território, para vencer a marginalização e difundir uma cultura de participação; há o voluntariado civil e missionário, para colaborar com outros organismos na promoção humana e na evangelização.
O amor à vida, no sinal do Espírito, e no estilo de Dom Bosco, sabe encontrar caminhos adequados, para ir ao encontro das melhores energias do mundo juvenil.
180.        Muitos jovens são ricos de recursos espirituais,
até empenhar apresentam germes de vocação apostólica e chegam toda a vida até a fazer amadurecer o encontro e a simpatia inicial como e com por Dom Bosco na vontade de continuar sua missão.
Dom Bosco      O conhecimento dos problemas cotidianos que
os próprios companheiros vivem, encontra em muitos jovens uma primeira resposta de intervenção educativa.
Muitas vocações nascem, de fato, de urna feliz experiência de serviço num bairro pobre, numa catequese no Oratório, na visita aos doentes, nos empenhos de voluntariado e de educação. Os jovens se perguntam: "Em que espaços sociais e eclesiais me inserirei para expressar o meu amor pela vida e pelo Senhor da vida?".
É certo para alguns o chamado para a família e para uma profissão, vividos como serviço responsável à Igreja e aos homens. Para outros, é cada vez mais evidente a escolha do sacerdócio e da vida religiosa. Todos, em cada caso, guiados pelo Espírito do Senhor e animados pelos valores da espiritualidade salesiana, acolhem e vivem a própria existência como vocação.
4. PONTOS-CHAVE DA EDUCAÇÃO DA FÉ
Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas que esta liberdade não seja pretexto para condescender com as inclinações da carne. Pelo contrário, torna-nos servidores
uns dos outros pela caridade (01 5,13)

  • O caminho de fé e a espiritualidade juvenil sale‑
    siana assumem com seriedade o empenho do jovem que tenta construir para si uma identidade, compondo dinamicamente o impulso das suas energias interiores, as numerosas e diferentes mensagens ou propostas que surgem do contexto, e os horizontes que a hora atual faz entrever. A fé em Cristo é colocada no centro desse empenho como fonte de sentido, esperança de vida futura, dom de Deus, energia transformadora da história.

A incidência da fé sobre a vida, ou a sua irrelevância prática, manifesta-se hoje em alguns aspectos da existência individual e da cultura, que, por isso, se tornam seu banco de prova. Não se trata de pontos particulares mas de "espaços" onde se concentra o significado, a força e a conflitualidade da fé.
Vamos focalizar três.
FORMAÇÃO DA CONSCIÉNCIA

  • Um olhar sobre o mundo moderno põe em evidên‑
    Sentido vivo cia, imediatamente, alguns critérios de comportamende liberdade to que constituem para nós uma ocasião ou uma dificuldade, no empenho de educar os jovens na fé.

É vivo, antes do mais, o sentido da liberdade individual. Em campo político como no religioso, em nível de mentalidades ou de modos de viver, a liberdade representa para todos um bem inviolável. Há disposição para renunciar a muitas coisas, não, porém, à própria determinação. A norma que não for interiorizada não só perde significado dentro do quadro orgânico dos valores pessoais, mas permanece formalmente ignorada. E se chega até a atitudes de relativismo, que fecham à verdade moral objetiva.

  • Os jovens ressentem-se desta situação geral,
    O reflexo sobre enquanto já se acham sob o influxo de outros elemenos jovens tos característicos de sua idade, que tornam mais difíceis as intervenções para formar-lhes a consciência. A forte carga emotiva, ligada ao desenvolvimento da pessoa e à fragilidade volitiva, coloca-os diante das normas da consciência numa condição de fraqueza: advertem-lhe a voz, mas debilmente; entrevêem a orientação a ser seguida, mas sem a lucidez necessária.

Arriscam-se muitas vezes a assumir atitudes ambíguas, apoiados pelas solicitações que recebem dos mass media, e por causa do que comumente se chama de "moda". As possibilidades de acesso é de opção, que em toda a parte lhes são oferecidas, são excessivas e impedem uma seleção coerente de valores harmonizados entre si. São, com efeito, levados mais a sobrepor critérios e referências provenientes de diversas fontes, do que a elaborar um código coerente de vida.

  • Mas, para além dos limites, a consciência juvenil
    acata, de forma espontânea, o "novo humanismo" (GS 55) e seus valores: o sentido da liberdade, a absoluta dignidade da pessoa, o sentido do próprio projeto de vida, a necessidade de autenticidade e autonomia. Instâncias estas que se abrem ao Evangelho.
  • Será possível, numa situação como a que acaba‑
    mos de lembrar, formar para a consciência moral? O educador dá-se conta de que o caminho de educação da fé encontra na formação da consciência o seu ponto obrigatório de passagem. O educador sabe que a consciência representa o lugar de encontro personalizado, entre o homem e Deus. É sacrário de Deus, em cuja inviolável interioridade o homem sente a palavra-chamado de Deus, e lhe responde.

Uma consciência distorcida é, ao mesmo tempo, causa e efeito de uma visão falseada de Deus, da sua Palavra e da Salvação. Impede, por conseqüência, todo projeto de fé que queira orientar-se por Deus Pai, pelo Cristo Salvador, pela construção do seu Reino, pela espiritualidade.

  • De um ponto de vista global, é preciso educar

A ação educativa numa mentalidade de fé que não tema o confronto com os valores, mas os oriente em contextos normais pela lei humana e pelo Evangelho. Para ter êxito nessa tarefa, será oportuno levar em consideração algumas indicações.
A primeira é a de ajudar o jovem a adquirir suficiente capacidade de juízo e de discernimento ético. Deve estar capacitado a discernir o bem do mal, o pecado e as estruturas de pecado, a ação de Deus na sua pessoa e na história. Apoiar-se nesse discernimento como eixo da formação da consciência significa também esclarecer o escopo de toda a formação moral: tornar-se capazes de exercer moralmente a própria autonomia e responsabilidade.
187,            É necessária, também séria formação crítica
acerca dos modelos culturais e certas normas da convivência social, em contraste com valores fundamentais. Em relação a eles será preciso saber tomar posição, fazendo "objeção" baseada na própria consciência, inspirada em Cristo e no seu Evangelho. Isso defende das ambigüidades justificadas racionalmente, das ideologias do momento, da superficialidade de juízo sobre os acontecimentos, dos quais descobre a natureza mais profunda.
Muitos abandonos do empenho religioso foram causados por uma fé não inserida na cultura, ou por um crescimento cultural falho em campo religioso, que não acompanhou adequadamente o progresso técnico.
188.          Por outra parte, para poder emitir juízos sobre
uma leitura os movimentos culturais do próprio tempo e sobre os evangélica da valores que continuamente dimanam da história, é realidade indispensável sabê-los ler evangelicamente. A Palavra de Deus tem dentro de si critérios insubstituíveis, que permitem expressar um juízo de valor sobre os atos do homem.
O Evangelho, com o anúncio da Boa Nova, quer entrar na vida das pessoas e oferecer a cada uma delas uma visão da realidade que põe no centro o relacionamento com Deus Pai e com o Filho Salvador. Para
realizar uma ação educativa não basta, por isso, lançar uma rápida condenação sobre quanto sabe a novo e não corresponde ao que se fez até o presente.
Em ordem à educação na/da fé, é indispensável colocar-se positivamente nos espaços significativos da vida de hoje e enfrentá-los com competência.

  • Nem sempre é fácil, sobretudo para os jovens,

Catequese passar dos princípios evangélicos à concretude da vida
específica diária. É necessária uma catequese para avaliar o moralidade dos gestos e dos comportamentos, para motivar a consciência que é o último critério subjetivo do agir, e para captar a relação entre nirma e fé, entro cultura e fé.
O ambiente e o testemunho são seus elementos determinantes.

  • Há, enfim, outro importante aspecto que deve ser

Sentido do lembrado; o sentido do mistério que envolve a vida
mistério, do de cada homem. Ao lado do mistério luminoso que
pecado, do nos liga ao Senhor e que se realizou com a Encarna‑
limite ção do Filho de Deus e com o dom do Espírito que habita em nossos corações, há também, e o sentimos operante em todos nós, o mistério da iniqüidade e do pecado. Nenhuma conquista poderá esconder a fraqueza que trazemos dentro de nós desde o início da vida e que com gestos, palavras, intenções, durezas de coração arraigamos cada vez mais em nós, tornando cegos os nossos olhos diante do bem e vacilantes nossos passos no caminho da santidade. Somos criaturas e, por isso, somos limitados e finitos. É a base constitutiva da nossa identidade pessoal e da moral natural. Somos pecadores e, por isso, necessitados de luz e de força. Educar no mistério do homem é educar no sentido da medida de si e das próprias possibilidades reais.

  • Desta situação nasce a exigência de nos confron‑
    A exigência de tarmos com a norma, cuja função é a de iluminar e confrontar-se sustentar o desenvolvimento da experiência. Há, antes com tuna norma de tudo, uma norma humana que deve ser tomada em consideração nas orientações e nas opções pessoais. Há ainda a experiência da Igreja, que da vida dos crentes, iluminados pela Palavra de Deus, pela atenção aos sinais dos tempos, pela história da santidade reco‑

nhecida e oculta, recolhe as linhas fundamentais para uma existência cristã. O caminho não é fácil. Exige contato cotidiano com a vida do jovem, ampla disponibilidade de encontrá-lo no diálogo e na direção espiritual, grande estima e experiência vital do sacramento da Reconciliação.
A EDUCAÇÃO DO AMOR

  • O contexto sócio-cultural de hoje estimula e faci‑

A situação lita a comunicação e os intercâmbios afetivos. Os jovens, com muita capacidade de empreender, desafiando preconceitos e censuras culturais, estimulados pela idade e desejosos de superar as carências afetivo--familiares, sensíveis ao valor do encontro-intercâmbio como expressão de doação e confiança, apostam no amor. Desejam "viver" esse dom. Muitas vezes, porém, por uma série de condicionamentos internos e externos, conseguem apenas usá-los de maneira consumista.
O amor é certamente uma dimensão fundamental da pessoa. Ë a mola que faz desencadear-se a vida. É isso que dá sentido à existência, abrindo-a à compreensão e à oblatividade.
Ele é vivido pelos jovens com totalidade e exclusividade, ao ponto de deixar em plano inferior qualquer outro valor e empenho. A radicalidade com que se doam não corresponde, porém, à duração da oferta. Vivem a experiência na sua fugacidade. E, ainda que o encontro tendesse a realizar um desejo de autenticidade, freqüentemente a força do sentimento é arrastada pela carga sexual. A procura da pessoa a quem amar isola necessariamente dos outros e do grupo, dos quais rapidamente se afasta.

  • Isso tudo tem reflexos no plano da construção
    Os reflexos no da personalidade e no mais específico do amadureci-caminho da fé mento na vida cristã.

Quando o amor é vivido de maneira conflitual, e o conteúdo sexual passa a ocupar lugar proeminente, freia o crescimento global. Realizado de maneira
egoísta, o gesto do amor não abre ao futuro, porque se concentra somente sobre o sentimento presente e tende a prescindir da evolução das pessoas.
Efeitos semelhantes produz, em alguns contextos, a situação de tantos jovens que acusam a ausência da figura paterna , ou a falta dos pais. Não têm nenhuma experiência de uma relação equilibrada com pais e irmãos. Trazem em si carências difíceis de satisfazer e permanecem indefesos diante das provocações da sociedade. No seu processo de desenvolvimento, substituem os valores com os gostos, pois confundem felicidade e prazer. Falta-lhes um projeto que defina o sentido da própria realização pessoal.
Também o ambiente, constituído por pessoas que vivem uma experiência análoga, constitui uma, forma de cultura generalizada que, longe de corrigir estas tendências, de fato as estabiliza e sanciona.

  • Em situações semelhantes, a autêntica compreen‑
    são do amor não pode acontecer, para o cristão, senão no horizonte de Deus. Foi Deus que quis a pessoa na reciprocidade homem-mulher, chamando-os; a profunda comunhão, capaz de significar a realidade mesma de Deus.
  • O salesiano, atento na sua ação educativa em favo‑
    Intervenção reter e promover o amadurecimento dos jovens, sente educativa hoje um empenho especial ao educar para o amor. Está convencido de que o mistério de Cristo, sua vida e eventos, são na realidade a revelação plena e normativa do verdadeiro amor.

A experiência típica de Dom Bosco e o conteúdo educativo e espiritual do Sistema Preventivo orientam-no para algumas opções simples e eficazes.

  • Em primeiro lugar, é fundamental criar em torno
    dos jovens, em todos os ambientes, um clima educativo rico de intercâmbios comunicativo-afetivos. O sentir-se acolhido, reconhecido, estimado e amado é a melhor lição sobre o amor. Quando começam a faltar os sinais e os gestos da "família", os jovens facilmente se afastam, não só materialmente mas também e sobretudo afetivamente.
  • A educação integral da pessoa e o apoio da graça
    levarão meninos e meninas a apreciar os valores autênticos da pureza (o respeito de si e dos outros, a dignidade da pessoa, a transparência nos relacionamentos , ) como anúncio do Reino e como denúncia de toda forma de instrumentalização e escravidão.
  • Os encontros entre meninos e meninas, quando
    vividos como momentos de enriquecimento mútuo, abrem ao diálogo e à atenção com o outro. Fazem descobrir a riqueza da reciprocidade, que atinge o nível do sentimento o da inteligência, do pensamento e da ação. Nasce, assim, a descoberta do outro, acolhido no seu ser e respeitado na sua dignidade de pessoa.
  • Uma educação adequada, pois, faz perceber a
    sexualidade como valor que amadurece a pessoa e como dom a ser trocado num relacionamento definitivo, exclusivo e total, aberto à procriação responsável.
  • O confronto com pessoas que vivem este amor
    tem a força do testemunho. Certas atitudes ligadas à doação e à gratuidade são fortemente intuídas e assimiladas. A alegria de urna vocação vivida com convicção se reflete nos jovens, e facilita neles uma abertura séria e serena ao amor, que sabe aceitar as exigências que ela implica.
  • O testemunho do salesiano que vive de maneira
    límpida e alegre a sua doação na castidade faz perceber ao jovem a possibilidade de viver semelhante experiência de amor. O jovem que vive ao seu lado se interrogará sobre o Senhor da vida, que enche o coração de uma criatura de maneira tão total. Tomará consciência de que o amor se torna com pleno título um projeto de vida, que se pode expressar em mil formas diversas. Também o serviço fraterno aos "pequenos" e aos "pobres" e o contato gradual e acompanhado de situações de sofrimento educará a amar gratuitamente.
  • Uma atenta catequese fará compreender ao jovem
    a realidade e as dimensões desse amor; guiá-lo-á à aceitação do projeto de Deus, Amor fonte de todo amor; e o preparará a realizá-lo no matrimônio cristão.

DIMENSÃO SOCIAL DA CARIDADE

  • O Capítulo Geral viveu o sentido mundial da vaca‑

A situação ção salesiana. E o que mais impressiona a mente e o coração é o relato vivo e cotidiano da história de milhares de salesianos que todos os dias são solicitados pela tragédia dos pobres, com ela se confrontam e pelos pobres dão a vida. O desafio é contínuo, seja porque a pobreza material parece dilatar-se desmesuradamente em muitos países, seja porque nos contextos de conforto econômico nascem e explodem novas e trágicas formas de pobreza: marginalização, exploração de pessoas e droga.

  • Mas a pobreza é apenas o indicador de um desar‑
    Componente ranjo social num momento de transformação global. essencial da Outros motivos de preocupação acumulam-se no ética cristã horizonte,embora juntamente com sinais evidentes de esperança. Afloram novos problemas que requerem a participação ativa de cada um: a paz, o ambiente e o uso dos bens, a questão moral em cada nação, as relações internacionais, os direitos da pessoa indefesa.

O desafio vai, então, bem mais além. Trata-se de preparar uma geração capaz de construir uma ordem social mais humana para todos. A dimensão social da caridade apresenta-se como a "manifestação de uma fé crível" (João Paulo II). Ela é, com efeito, uma "diffiensão constitutiva" (Sínodo de 1971, "De iustitia in mundo") da pregação do Evangelho. Em outras palavras, é um aspecto fundamental da ação da Igreja "pela redenção da estirpe humana e pela libertação de toda forma de opressão" (cf EN 29-37) . Segue-se de aí que a dimensão social da caridade é um componente essencial da ética cristã.

  • Trata-se, por isso, de acabar com uma espécie de
    Necesidade de difusa indiferença, de ir contra a corrente, e de educar formar uma para o valor da solidariedade contra a práxis da conmentalidade corrência exasperada e do proveito individual.

Para os jovens é muito forte a tentação de refugiar-se no privado e numa administração consumista da vida. Na maior parte deles há a desconfiança de que seja possível fazer alguma coisa de válido e dura‑
douro. Acresce a isto a desconfiança que nasce cia grave ruptura entre ética e política, que se manifesta em novas notícias de corrupção, pontualmente transmitidas e amplificadas por obra dos meios de comunicação social.
206.  O desafio atinge todos os educadores dos jovens,
especialmente dos que vivem em situação de pobreza e de subdesenvolvimento. Nela a esperança cada dia mais se desencanta pela consciência da existência de mecanismos perversos de exploração. A corrupção em todos os níveis gera novas e trágicas situações de pobreza. Alguns jovens quereriam mudar, transformar... Mas a impaciência tipicamente juvenil e a impossibilidade experimentada de realizar mudanças levam-nos de fato a atitudes de violência e a estados de ânimo de permanente frustração.
Entretanto, muitos desses jovens se sentem responsáveis pelo futuro de seu país. Como ajudá-los a transformar em projetos concretos esse nobre sentimento, sem que eles caiam na tentação da violência, do utopismo, ou em formas de religiosidade intimista, que as seitas oferecem em abundância e barato?

  • Como, sobretudo, fazer com que eles mesmos não sucumbam às tentações consumistas e à exploração dos seus irmãos?
  • Para responder a esse desafio, deparamo-nos com

A resposta a experiência exemplar de Dom Basco. Mesmo nas
histórica de mudadas situações sociais e políticas, a realidade que
Dom Rosco impressionou o jovem João Bosco em seu primeiro impacto com a Turim da imigração e da exploração dos jovens era, sob alguns aspectos, semelhante à de hoje. Para enfrentá-la ele escolheu o caminho da educação integral, segundo as necessidades dos jovens de então. Sua escola de santidade tornava-se projeto de vida encarnada em compromissos concretos: uma espiritualidade não privada, mas empenhada na ação.

  • A comunidade salesiana é, pois, consciente de
    que a luta contra a pobreza, a injustiça e o subdesenvolvimento é parte da sua missão (cf C 33). Sente-se, portanto, envolvida profundamente nela segundo o

próprio carisma e o estilo de Dom Bosco: com inteligência e realismo e, sempre, com caridade (cf CGE 72).
Convicta de que uma educação eficaz para a dimensão social da caridade constitui a verificação da sua capacidade de comunicar a fé, a comunidade salesiana procura, antes de tudo, testemunhar a justiça

  • a paz diante dos jovens e promovê-las em toda a parte. Vive, para tanto, em profunda sintonia com os grandes problemas do mundo e está atenta aos sofrimentos do ambiente em que se acha inserida.

Em contextos de bem-estar econômico, saberá orientar os jovens a colocar-se criticamente diante da sociedade, ajudando-os, sobretudo, a descobrir o mundo oculto, mas nem por isso menos trágico, das novas pobrezas e de suas causas estruturais.
Mas o desafio atinge intensamente as comunidades que trabalham em contextos de pobreza. Cabe aos salesianos motivar, por meio da educação, os jovens

  • o povo, para que sejam protagonistas da própria libertação.

209.            A este ponto, nasce a urgência de individuar
Educar para o atitudes e planejar iniciativas que ajudem os jovens
valor da pessoa de hoje a expressar com a vida a verdadeira dimensão social da caridade. A indicação mais geral é de trabalhar, no caminho de fé, para fazer ressaltar o valor absoluto da pessoa e a sua inviolabilidade: ela está acima dos bens materiais e de cada organização. Esta é a chave crítica, que permite avaliar situações eticamente anormais (corrupção, privilégio, irresponsabilidade, exploração, engano) e. de fazer opções pessoais diante dos pesados mecanismos de manipulação.
Será possível "arriscar a vida" no social, quando tiver amadurecido esta "personalização". É necessário favorecê-la, valorizando a originalidade de cada jovem

  • a sua dimensão inter-subjetiva. Ele deve realmente compreender que na vida o seu destino se realiza juntamente com outras pessoas e na capacidade de doar-se a eles. Quando esta perspectiva é interiorizada com profundas motivações cristãs, ela se torna critério de relação com os outros e fonte de tenaz empenho histórico.
  • 1. Deve-se cuidar, em primeiro lugar, de acom‑

Encaminhar ganhar os jovens no conhecimento adequado da com‑
para conhecer plexa realidade sócio-política. Falamos de estudo
a complexidade sério, sistemático, documentado. Em dois níveis. Antes
tia realidade do mais, em nível da realidade do próprio bairro, da
sócio-político própria cidade, do próprio país: as situações de necessidade, as instituições, as modalidades de gestão do poder política e econômico, os modelos culturais que infuem sobre o bem comum. Ao mesmo tempo deve-se dirigir o olhar para o mundo, para os seus problemas, seus dramas e para os mecanismos perversos que em tantos países aumentam as situações de sofrimento e de injustiça. Esta seriedade na abordagem deve ajudar os jovens a avaliar crítica e serenamente os diversos sistemas e os múltiplos fatos sócio-políticos.
A informação obviamente não basta. É necessário reconduzir todos os conhecimentos parciais à unidade de uma síntese operativa, a uma fé-paixão que anime uma ação eficaz, na verdade e na paz, para a construção de uma "civilização do amor". O ensinamento social da Igreja apresenta-se, então, como chave de leitura da realidade e como indicação das metas ideais a que tender.

  • 2. É possível e desejável ir além. Fazer somente Introduzir os análise da realidade não adianta.

jovens em       As comunidades que trabalham em contextos de
situafflAes que pobreza e de miséria trabalharão para que os jovens pedem e o povo se tornem responsáveis do próprio desenvolsolidariedade vimento, superando a resignação com consciência viva da própria dignidade e responsabilizando-se não somente da própria miséria, mas também da daqueles que se acham ao seu lado.
Para as comunidades que trabalham em contexto de bem-estar tratar-se-á, ao invés, de introduzir fisicamente os jovens no mundo dos homens e mulheres que pedem solidariedade e ajuda.
É o momento mais delicado. O impacto com este mundo deve ser purificado de falsa curiosidade e emotividade. Não se trata somente de fazer experiência de um contexto, de uma situação, de um mundo problemático. O objetivo é o de encontrar as pessoas, de responsabilizar-se pelo seu drama humano. Isso
permitirá superar certa mentalidade de quem está disposto a servir os pobres, mas não a partilhar a vida com eles.
A atitude espiritual, então, define-se pela estima e pela busca dos valores que cada um traz em si, mesmo em situações de degradação pessoal. Esta é a fase da escuta, da conversão e da partilha.
212.        3. O impacto pessoal com os problemas e os
Respoder com apelos do mundo exigem que se aprenda desde jovens projetos a elaborar projetos de solidariedade precisos e conconcretos de eretos, e a amadurecer formas de atuação social.
solidariedade     A educação sócio-política não tolera ingenuidades,
e requer algumas atenções de fundo:

  • a superação, nos jovens, de atitudes superficiais, carentes da consciência soci.al sobre a qual tanto insiste o ensinamento da Igreja;
  • a justa relação entre "obras de caridade" e "obrigações de justiça" (AA 8);

-- a análise paciente para transformar as estruturas que têm e mantêm seu peso sobre as situações;

  • a elaboração de projetos não feitos apenas "para" os pobres, mas "com" eles, para que, assumindo-os, se tornem capazes de administrar a própria vida.

Sempre e em toda a parte — a exemplo de Dom Bosco que reivindicava com força o alcance social de sua obra — é necessário educar os jovens para que se empenhem em envolver os responsáveis em nível social, político e religioso. Somente assim os projetos poderão tornar-se exemplares, e ser eventualmente imitados e multiplicados.

  • Cada uma das fases descritas exige que ajudemos Ume os jovens a reforçar as motivações de fé. Educar para solidariedade a solidariedade é fazer compreender que a caridade fundada no deve ser expressão do próprio encontro com Cristo. Evangelho e De aí a importância da escuta e da adesão profunda na fé à Palavra de Deus, e da oração, mediante as quais os jovens se encaminham para a construção de si mesmos, antes que dos outros, e evitam o perigo do ativismo e do eficientismo. E a forte radicação no ensina‑

mento social da Igreja dará a eles luz a fim de orientar a própria ação para metas e segundo modalidades inspiradas pelo amor cristão.

  • As iniciativas com as quais amadurecer estas
    também em sensibilidades e esta formação dos jovens podem refeexigências de rir-se a espaços diversos: ao território em que se vive, participação aos países em via de desenvolvimento nos quais se política podem gastar energias e tempo, à animação de ambientes juvenis.

Mas há um aspecto pelo qual nós salesianos somos chamados a trabalhar com convicção: o de encaminhar os jovens ao empenho e à "participação na política", ou seja à "complexa e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum" (CL 42). Esta dimensão é um pouco descuidada e desconhecida entre nós. Há o receio, talvez, de cair em formas de colateralismo ou nos complicados mecanismos da concorrência eleitoral, ou de ser infiéis às modalidades próprias da participação no empenho da Igreja pela justiça e pela paz (cf C 33)
É um desafio que se deve aceitar, um risco que correr.
As modalidades juvenis mais vivas saberão pedir. aos melhores também este serviço, em nome da dimensão social da caridade. Será, no início, um empenho limitado, restrito ao próprio bairro, à própria cidade. Outros caminhos se abrirão sucessivamente, e este objetivo servirá também para favorecer nos jovens uma atitude positiva diante da realidade política e a abrirem-se à confiança de que, também neste nível, se podem mudar coisas e situações.
A caridade evangélica, feita projeto concreto, continuará assim a traçar na história os novos caminhos da justiça.


TERCEIRA PARTE
EMPENHOS OPERACIONAIS DA COMUNIDADE
Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo... Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e dêem glória ao vosso Pai que está
nos céus  (Mt 5,13-14.16)

  • A tarefa de educar os jovens na fé dentro do con‑
    A comunidade texto da nova evangelização leva a comunidade a examinar-se e a renovar-se à luz d.o Evangelho e da nossa Regra, de vida.

Os Capítulos Gerais precedentes já propuseram reflexões estimulantes sobre a comunidade salesiana evangelizada e evangelizadora. Agora, mais do que repetir uma síntese doutrinal, é oportuno destacar alguns temas que estão estreitamente ligados à tarefa de educação na fé.

  • A comunidade tem consciência de que é constituí‑

sinal de fé da por vocação como "sinal da fé". Sente-se feliz com isso e agradece a Deus, embora conheça a própria fraqueza. Esforça-se por dar transparência e autenticidade evangélica à sua vida, certa de que não se pode comunicar a fé sem vivê-la como o grande recurso da própria existência.
Repete a si mesma que "para realizar o discernimento e a renovação necessária, não bastam historiadores, nem teólogos, nem políticos, nem organizadores; são necessários homens espirituais, homens de fé, sensíveis às coisas de Deus e dispostos à obediência corajosa, tal como o nosso Fundador" (CGE 18)
Encontra, assim, o caminho concreto para revigorar o próprio testemunho na oração, com a qual diariamente "reaviva a consciência da sua íntima e vital relação com Deus e da sua missão de salvação"
(C 85), e na comunhão fraterna, com a qual "os irmãos vivem com simplicidade o dom de si e o sentido de partilha na acolhida aos outros" (C 56).
Ela se torna sinal eficaz, quando acolhe e valoriza a generosidade e o dinamismo dos irmãos jovens, a contribuição original dos diversos carismas, o sofrimento dos irmãos doentes e a presença serena e paterna dos idosos.
Dá transparência à sua seqüela de Cristo, convencida de que "num mundo tentado pelo ateísmo e pela idolatria do prazer, da posse e do poder, nosso modo de viver testemunha, especialmente aos jovens, que Deus existe e o seu amor pode saciar uma vida" (C 62).

  • Mas a comunidade, precisamente porque é

escola de fé "sinal", é chamada, enquanto salesiana, a ser "escola" de fé para os jovens. É sobretudo "missionária", isto é, faz da missão sua razão de ser e agir. Isso lhe exige atenção e discernimento para colocar a fé em confronto com a realidade circunstante. A contínua evolução do mundo e da sociedade envolve os jovens e, conseqüentemente, questiona os educadores.
A renovação espiritual e a pastoral são dois aspectos que se compenetram e são interdependentes. Isso requer atitudes de confiança, de encontro, de compreensão e diálogo com o mundo; criatividade pastoral, com a qual se responde aos desafios com critério oratoriano; discernimento e fidelidade ao estilo pedagógico salesiano que se faz projeto educativo concreto, examinado e praticado de maneira co-responsável.

  • A comunidade não é apenas sinal e escola da fé

centro de mas, em força da sua vida consagrada, se torna
comunhão "centro de comunhão e participação", capaz de reunir e estimular os que o Espírito chama para trabalhar pelos jovens. "Atua em comunhão com a Igreja particular" (C 57), da qual recebe orientação e apoio e à qual dá a própria contribuição carismática (cf C 48) .
Dessa visão da comunidade como sinal, escola, centro de comunhão e participação, e do confronto com os desafios, com o caminho de fé e a espiritualidade juvenil salesiana, decorrem algumas deliberações consideradas como as mais urgentes e algumas orientações operacionais para a educação dos jovens na fé.
I. DELIBERAÇÕES CAPITULARES
1 . 1 , O caminho da fé dos jovens exige o testemunho de uma comunidade que se renova continuamente.
219.  O testemunho é a única linguagem capaz de con‑
Testemunho vencer os jovens de que "Deus existe e o seu amor pode saciar uma vida" (C 62). É indispensável, pois, que a comunidade viva e torne transparente a sua fé em Jesus Cristo, a cujo encontro quer acompanhar os jovens.
Para nós salesianos, chamados por Deus a sermos "sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres" (C 2), é necessário concentrar a atenção e o elã sobre três grandes aspectos que dão força ao nosso testemunho.

  • primeiro é a unidade da comunidade, que é o sinal evangélico que Jesus pede aos seus discípulos por ele enviados ao mundo para anunciar a Boe. Nova.
  • segundo é a proclamação da mensagem que, no começo, pode ser somente o dom de uma acolhida ou uma manifestação de confiança, como aconteceu com Bartolomeu Garelli.
  • terceiro é o empenho de serviço em relação ao mundo, e em particular aos jovens, especialmente aos mais pobres.
  • Esses três aspectos requerem o aprofundamento
    Formação da nossa vida religiosa e a atualização das nossas com-permanente petências, É a cultura em contínua evolução que exige constante renovação, se se quiser inserir na história a novidade de Cristo. Não se pode, pois, falar de educação na fé sem envolver a vida do salesiano, que é, por vocação, "enviado aos jovens" e, por profissão, educador.

Ele deve dar a Deus e aos jovens o melhor do seu tempo e de seus recursos. Formação religiosa e profissional, mesmo na diversidade, fundem se na graça de unidade. A formação permanente, que habilita o salesiano em sua missão de educador e pastor, deve tornar-se uma constante inderrogável da sua vida. O lugar onde desenvolvê-la é a comunidade local e inspetorial.
POR ISSO:

  • No próximo sexênio, a Congregação terá como
    empenho prioritário a formação e qualificação contínua dos irmãos. Cultivará especialmente a interioridade apostólica, que é ao mesmo tempo caridade pas-. toral e capacidade pedagógica.

Para isso:
222,  Cada comunidade local, animada pelo Diretor,
tenha um programa anual de formação permanente, preferivelmente com ritmo semanal ("dia da comunidade") ou quinzenal. Os irmãos participem dos encontros comunitários, que são "ocasiões para renovar o sentido religioso-pastoral da própria vida e habilitar-se a desenvolver com maior competência o seu trabalho" (C 119).

  • Cada Inspetoria elabore um plano orgânico de
    formação permanente dos irmãos em ordem à sua renovação espiritual, à qualificação pastoral e competência educativa e profissional.

Prepare os irmãos sobretudo para as tarefas de educadores da fé, de animadores das comunidades
pastorais, de formadores de, leigos.
Preveja particulares iniciativas de formação dos Diretores no campo da direção espiritual comunitária e pessoal.

  • O Reitor-Mor com o seu Conselho assista e acom‑
    panhe os planos inspetoriais com oportunas orientações. Verifique-os nas "visitas de conjunto" que se farão durante o sexênio.

1.2. O caminho da fé dos jovens requer que a comunidade salesiana se insira no contexto e no mundo juvenil com uma nova qualidade pastoral

  • O afastamento dos jovens da fé, mas, muitas
    Inserção mais vezes, também o nosso afastamento deles pedem-nos viva no mundo a coragem de uma inserção mais viva em seu mundo dos jovens e no contexto social em que vivem.

Cada salesiano é, pois, chamado a tornar-se companheiro de viagem dos jovens. Isso implica experiência direta do mundo deles, escuta de suas exigências e aspirações, aquisição de sua cultura e linguagem, e disponibilidade para partilhar experiências e projetos concebidos não somente para eles, mas também e sobretudo com eles.
Trata-se de efetuar um verdadeiro salto de qualidade, uma volta para o meio dos jovens com renovada sensibilidade pastoral e com mais evidente competência educativa.
226.   Tal empreendimento não diz respeito apenas ao
Significatividade salesiano individualmente. Cabe à comunidade e, de na região e na modo todo particular, ao seu projeto educativo e pasIgreja toral. Ele deve adquirir a capacidade de rever e voltar a projetar continuamente a significatividade juvenil da própria obra, e a sua capacidade de dialogar com a realidade circunstante, com as instituições sociais

  • educativas do bairro e da cidade; a capacidade de irradiar sua paixão educativa com planos que respondam às expectativas dos jovens, de interagir continuamente com a realidade que a circunda e na qual se acha vitalmente inserida.

Enquanto experiência viva de Igreja, a comunidade salesiana deve inserir-se com clareza nos projetos

  • propostas de pastoral juvenil na Igreja local. Dela deve aprender a receber estímulos, mas também a comunicar experiências e oferecer projetos de educação na fé de todos os jovens, especialmente dos mais pobres e mais distantes.

221_ Mas a necessidade de criar uma relação viva entre
A responsabilidade obra salesiana, região e Igreja não cabe somente à
da Inspeteria responsabilidade da comunidade local. Compete à comunidade inspetorial rever continuamente e tornar a projetar cada uma das obras da Inspetoria em ordem à significatividade eclesial e social.. A reflexão contínua implicará também o dever de tomar algumas decisões difíceis mas importantes. Dever-se-á ter, algumas vezes, a coragem de recolocar uma obra em contextos sociais e eclesiais mais de acordo com a missão salesiana, e de fundar obras novas para responder a novas urgências e a novas frentes de atuação salesiana.
Ao tomar essas decisões, o Inspetor com o seu Conselho encontrará orientações e apoio no Conselho Geral.
POR ISSO:

  • A Congregação se empenhará, no próximo sexê‑
    nio, a qualificar as próprias presenças do ponto de vista da educação na fé e, se necessário, a recolocá-las para um maior contato com os jovens, especialmente os mais pobres.

Para isso:

  • A comunidade local procurará os caminhos con‑
    eretos para revitalizar a própria presença entre os jovens, e valorizará toda forma de comunicação e solidariedade com a própria região mediante a participação e a ligação com as instituições que visam à promoção da educação e da cultura do povo. Verificará anualmente, mediante um "escrutínio", a inci. dência da sua ação evangelizadora e, por conseqüência, redimensionará as atividades, reformulará tarefas e compromissos de cada irmão, a fim de concentrar os recursos sobre os objetivos da educação da fé.

230   Durante o próximo Capítulo Inspetorial cada
Inspetoria fará a revisão do Projeto Educativo Pastoral Salesiano (PEPS). Nele:

  • prestará particular atenção à inserção viva de cada obra na Igreja local e na região;
  • reverá a qualidade educativa das obras e sua significatividade do ponto de vista juvenil, promovendo, se necessário, uma reflexão visando a uma eventual recolocação delas;
  • individuará também novas e urgentes frentes de empenho, principalmente entre os jovens que têm maiores dificuldades, estabelecendo alguma presença para eles como "sinal" de nos voltarmos para os jovens mais distantes;

— traduzirá o caminho de fé proposto pelo CG23 em itinerários concretos e adequados aos próprios destinatários e aos contextos em que atua.

  • O Reitor-Mor com o seu Conselho, estudando a
    situação particular de cada Inspetoria, oriente as reflexões e as decisões para adequar os empenhos pastorais às novas situações.

1.3. O caminho de fé dos jovens exige que a comunidade salesiana se torne animadora da comunidade educativa pastoral e da Família Salesiana.

  • Onde quer que estivermos a trabalhar, realizamos
    A comunidade a comunidade educativa pastoral. "Ela envolve, em educativa clima de família, jovens e adultos, pais e educadores, até poder tornar-se uma experiência de Igreja, reveladora do plano de Deus (C 47). Embora sendo certamente uma forma adequada para melhorar a organização educativa e para mais bem utilizar as várias competências dos leigos, ela é sobretudo uma experiência de comunhão e de co-responsabilidade.

Construir a comunidade educativa pastoral significa conseguir envolver diretamente todos os membros e torná-los co-responsáveis da experiência educativa e da formação cristã.
Não é empresa fácil. Urge, pois, uma mudança de mentalidade em todos os seus componentes, e em primeiro lugar nos salesianos.

  • Tal mudança tem .em vista sobretudo a valoriza‑

Co-responsabill- ção dos leigos. Eles são a parte numericamente mais
Bade dos leigos consistente das comunidades educativas pastorais. É necessário estabelecer com eles relações de to•responsabilidade madura. Urge, sobretudo, tomar um comi. nho de formação. As experiências feitas até agora garantem,, mesmo com algumas dificuldades resultados satisfatórios. Por outra parte, impelem-nbs constantemente nessa direção as orientações da Igreja que têm uma expressão recente na "Christifideles Laici".

  • Particulares incumbências de animação temos em

A Família relação aos grupos da Família Salesiana. Eles vivem
Salesiana a mesma espiritualidade e participam da mesma missão juvenil, colaborando conosco em co-responsabilidade nas obras, ou trabalhando com o estilo de Dom Basco em variados campos de atividade. Sua presença na região é um elemento não indiferente para a educação dos jovens. Propomo-nos, pois, estendê-la e reforçá-la. Sentimos a responsabilidade da sua formação espiritual, educativa e pastoral, e os apoiamos em suas iniciativas em favor da juventude ou do ambiente.
POR ISSO:

  • A Congregação se empenhará no próxima sexênio
    em construir em todas as presenças a comunidade educativa pastoral. Cuidará sobretudo da qualificação dos leigos e, de modo particular, dos membros da Família Salesiana, do ponto de vista cristão, pedagógico e salesiano.

Para isso:

  • No próximo Capítulo Inspetorial, cada comuni‑
    dade local aperfeiçoe e realize na própria obra a comunidade educativa pastoral. Traduza em iniciativas locais concretas o programa inspetorial de formação dos leigos, do qual se fala no número seguinte, tendo particular cuidado da formação dos membros da Família Salesiana. Esta seja sempre envolvida e empenhada nos programas de educação da fé.

E o Inspetor verifique, durante a visita inspetorial, o caminho feito pela comunidade neste campo.
237,  A Inspetoria elabore um programa de formação
dos leigos que lhes promova a profissionalidade, a capacidade educativa e o testemunho em ordem à educação da fé. Ofereça iniciativas de união, estabeleça critérios de co-responsabilidade e participação para todas as obras, e experimente particulares formas de gestão da obra com a colaboração dos leigos.

  • O Reitor-Mor, por intermédio dós Dicastérios
    competentes,
    ofereça elementos e linhas para um "projeto leigos" na Congregação.

1 .4, O caminho de fé dos jovens exige que a comunidade desenvolva uma pastoral orgânica:

  • A comunhão eclesial tem sua fonte no Espírito
    A comunhão Santo. Expressa se na fé, na esperança e na caridade, operativa e se manifesta de maneira eminente na comunhão operativa. A Igreja, desenvolvendo atividades diferenciadas por meio dos seus membros, tende a uma única finalidade, a Salvação do homem em Cristo. Serviços e ministérios servem essa unidade e contribuem assim para desenvolver e qualificar a ação pastoral.
  • Na Congregação existem serviços e estruturas
    Estruturas de de animação pastoral. O CGE pedia estruturas de unidade unidade e orientação, mais do que de divisão e pura organização de iniciativas setoriais. As estruturas devem favorecer a integração da fé na vida, devem fazer compreender melhor e expressar a complementaridade de todos os valores em Cristo (cf GCE 712).

Para superar a pastoral de muitas iniciativas não ligadas entre si, e para criar uma comunhão operacional em torno das grandes finalidades e do estilo do+ nosso agir, é preciso fazer convergir intervenções e pessoas sobre determinados objetivos.

  • Essa convergência é exigida pelo sujeito da educa‑
    ção, o jovem, ao qual se dirigem as diversas propostas que se devem harmonizar e adequar a todas as suas autênticas exigências.

A convergência é exigida também pelo sujeito que atua, isto é, pela comunidade educativa pastoral. Se, com efeito, a comunidade não compartilhasse as finalidades e os caminhos a serem percorridos, o caminho de fé ficaria comprometido.
É exigida pela necessidade de tornar possível a circulação de experiências e modelos pastorais de âmbito regional, continental e mundial, segundo a orientação atual da Igreja.
POR ISSO:

  • Em sintonia com a pastoral da Igreja e com a
    sensibilidade do CG23, a Congregação Salesiana, por intermédio dos seus organismos de animação mundial inspetorial e local, promova a comunidade e a união, e concilie linhas operacionais e intervenções diferenciadas.

Para isso:

  • Em cada comunidade local e nas outras formas
    de presença salesiana estabeleçam-se as funções de tal modo que a educação da fé se torne compromisso co-responsável de todos os irmãos, ao passo que as tarefas particulares de animação (catequese, liturgia, direção espiritual, empenho apostólico) sejam confiados a cada um deles em conformidade com as normas do diretório inspetorial.
  • O Inspetor com o seu Conselho é o responsável
    da pastoral da Inspetoria. Nomeará um delegado da pastoral juvenil, que coordenará uma equipe que garanta a convergência de cada iniciativa para o objetivo da educação da fé e torne possível a comunicação operacional entre as Inspetorias.
  • Os centros de pastoral nacionais ou regionais
    serão seguidos pelos Inspetores responsáveis, e serão reorganizados de acordo com o critério da centralidade da educação da fé; serão constituídos por pessoal preparado e suficiente, dotados de meios adequados.
  • Os serviços, as atividades, a iniciativa, as obras
    que visam à educação dos jovens na fé encontrarão uma referência unificadora no Dicastério para a Pastoral Juvenil.

1_5 , O caminho de fé dos jovens exige que a comunidade salesiana dê particular atenção à, orientação vocacional deles:
  247_. A orientação vocacional constitui o vértice e
Dimensão "coroamento de toda a nossa ação educativa pastoral" qualificativa (C 37).
Ela não é, porém, um momento terminal do caminho de fé, mas um elemento presente em toda a parte, qualificados de todas as áreas de intervenção

  • de cada etapa.

248.   Para nós salesianos isso vale ainda mais, porque

  • cuidado das vocações apostólicas é uma característica da nossa missão; é, antes, um dos fins da nossa Congregação (cf C 6).

Também neste campo é luminoso o exemplo de Dom Bosco. Num tempo de grandes transformações sociais e de grave crise para a Igreja, Dom Bosco soube traçar novos caminhos de promoção vocacional para a Igreja e para a sua Congregação nascente (cf MB V, cap. 33).
249. Nos últimos anos, a nossa Congregação realizou
Novas longa reflexão a fim de enfrentar a nova situação, experiências caracterizada de um lado pelo prolongamento da idade juvenil com o conseqüente atraso das decisões,

  • do outro pelo fenômeno da secularização que atingiu as instituições educativas e em particular a família.

A diminuição das vocações para a vida sacerdotal e religiosa estimulou posteriormente a Congregação a rever a qualidade da sua vida religiosa e a vivacidade da sua proposta educativa.
Além de renovar as tradicionais formas de orientação e de acompanhamento vocacional, ela soube criar novas e variadas experiências, como os grupos de referência vocacional, as "comunidades proposta", as escolas de oração, os retiros, os "acampamentos escola" e as semanas vocacionais. Descobriu, sobretudo na experiência de grupo, um lugar promissor de promoção vocacional. O renovado entusiasmo missionário abriu a muitos jovens novos horizontes vocacionais.

  • A reflexão da Congregação concentrou-se parti‑
    cularmente na comunidade local como lugar decisivo de todo projeto sério de pastoral vocacional.

É, com efeito, na casa salesiana que os jovens se põem em contato com a vocação salesiana. É a comunidade local que tem a capacidade de descobrir os sinais do chamado, de efetuar uma orientação séria, de fazer uma proposta vocacional explícita e de acompanhar o jovem num caminho de discernimento da vontade de Deus a propósito da decisão vocacional.
POR ISSO:

  • A orientação, a proposta, o acompanhamento
    vocacional devem-se tornar partes qualificativas dos itinerários de fé ao longo de todas as suas etapas.

Para isso:

  • Cada comunidade local coloque no próprio proje‑
    to educativo pastoral as modalidades segundo as quais se possa ajudar a orientar todos os jovens no descobrimento de sua vocação na Igreja e acompanhar os que demonstrem sinais de vocação a uma especial consagração.

Ofereça aos jovens experiências concretas de empenho e de serviço gratuito entre os mais pobres, como o voluntariado. Crie experiências de grupo com clara intencionalidade vocacional.
O Diretor recupere o papel de orientador dos jovens mediante o encontro pessoal e de grupo, convide os, jovens mais disponíveis a compartilhar os momentos mais significativos da nossa vida e envolva-os na nossa ação apostólica.
Cada comunidade faça conhecer e amar a história e a vida da Congregação.

  • O Inspetor verifique que a dimensão vocacional
    tenha o espaço que lhe compete no projeto de cada obra e de cada grupo juvenil; cuide da preparação dos irmãos, tanto no que diz respeito à orientação vocacional como à direção espiritual.

Nomeie, dentro da equipe inspetorial de pastoral juvenil, um animador que oriente, coordene a dimensão vocacional e mantenha a necessária ligação com a pastoral vocacional da Igreja local.
1.6. O caminho de fé dos jovens exige da comunidade nova forma de comunicação.

  • A capacidade de comunicar e de entrar em sinto‑
    A importância nia com as pessoas e os acontecimentos caracteriza da comunicação o desenvolvimento da pessoa humana, e sobretudo o crescimento dos jovens. A comunicação se torna muitas vezes um fator determinante de sobrevivência e de desenvolvimento. Com efeito, atinge todos os campos da vida social e todas as dimensões da vida pessoal.

Ela não dá apenas informações, mas comunica idéias, cria facilmente consensos e propõe modelos de vida e de comportamento.

  • O jovem vive nesta sociedade da comunicação‑
    para o jovem -relação. É aberto à recepção de toda mensagem e forma de comunicação, e é, ele próprio, capaz de produzir e fornecer novas mensagens.

Aprende a manter-se informado e sente a exigência de saber controlar, selecionar e avaliar as mensagens que recebe. Não se contenta com a informação verbal e cultural: procura também a simbólica, gestual e corporal. Diante do bombardeio dos mass media vê ,se empenhado em resistir ao seu poder massificador e homologatório.

  • Isso tudo desafia os educadores: de um lado, em
    Desafio aos sua capacidade de falar num mundo que emprega educadores habitualmente linguagens múltiplas; do outro, porque o uso dos meios da comunicação social se torna imprescindível também para o anúncio da Palavra de salvação.

A Congregação se sente envolvida nesta dimensão, tanto mais que uma das suas finalidades é a de ser educadora "da fé nos ambientes populares, em particular com a comunicação social" (C 6).
Dom Bosco havia-lhe intuído a importância e tinha aceitado o desafio. Por isso se lançou "a empresas originais apostólicas para defender e sustentar a fé do povo" (R 43).
POR ISSO:

  • No próximo sexênio, a Congregação se empenha numa utilização adequada da Comunicação Social para a transmissão da mensagem cristã e para a educação dos jovens na fé.

Para isso:

  • A comunidade local cultive a própria capacidade comunicativa:
  • ajudando cada salesiano a ser um bom comunicador, capaz de empregar uma linguagem adaptada aos jovens e ao povo, especialmente na liturgia e na catequese;
  • explorando todos os meios (relacionamentos,

aspectos da casa, teatro, vídeo, música, salas...) pelos quais se emitem mensagens a fim de predispor à fé e difundir a mensagem da salvação;

  • cuidando, em particular, da educação dos jovens nas diversas formas de comunicação e na leitura crítica das mensagens.

259, O Inspetor nomeie o encarregado inspetorial para
a Comunicação Social, que:

  • assistirá a cada comunidade na promoção das várias realidades comunicativas;
  • prestará serviço aos vários setores de atividades e manterá os contatos com os organismos locais, eclesiásticos e civis.

Em tudo o que diz respeito à educação dos jovens, ele atua dentro da equipe de pastoral juvenil.
260. O Conselheiro Geral para a Comunicação Social:

  • estimule a formação do salesiano como comunicador;
  • assista a comunidade no uso dos diversos meios da comunicação;;
  • oriente, especialmente nas sociedades emergentes, o encaminhamento de projetos concretos e que atendam às necessidades dos vários países no campo da Comunicação Social (casas editoras, centros de produção de audiovisuais e vídeo para a educação da fé, rádios populares etc.).

2. ORIENTAÇÕES OPERACIONAIS PARA SITUAÇÕES PARTICULARES

  • O caminho "para a fé" e "de fé", traduzida em
    itinerários adequados, será tomada em consideração pelas comunidades e pelos salesianos que trabalham em situações particulares e orientam experiências juvenis específicas.

Ligando-se idealmente ao CG21 e a outros documentos da Congregação, o CG23 limita-se a algumas indicações fundamentais, estreitamente ligadas à proposta expressa neste documento. Estamos conscientes de que esta proposta deve ser inserida num projeto educativo mais amplo. Agora, porém, nas várias iniciativas, interessa sobretudo evidenciar o tipo de rela ção que se estabelece com o jovem e as possibilidades tÉtie essa mesma relação oferece para a educação da fé.
2.I. Ambientes de ampla acolhida

  • Os ambientes de ampla acolhida — oratórios,
    centros juvenis e outros ainda — desenvolvem uma ação progressiva de educação e de crescimento na fé. Servem uma vasta zona ou o território de uma paróquia. Apresentam-se como obra de fronteira entre o religioso e o civil, entre o secular e o eclesial: nesta colocação está toda a sua originalidade e o seu risco.

Não é apenas um perigo imaginário a possibili
dade de perderem qualidade educativa e pastoral. A acolhida ampla, a diversidade dos jovens que aí chegam, o clima de liberdade em que são feitas as propostas e a escassez do pessoal podem comprometer o programa de educação da fé, que deve ser necessariamente muito diversificado.
Por conseguinte, pede-se um empenho particular, no próximo sexênio:

  • No qualificar o ambiente, A acolhida de todos
    exige que tais ambientes sejam caracterizados por princípios e modalidades evangélicas, que se manifestam nos objetivos gerais, na organização, nos contatos pessoais, nos comportamentos concretos, no clima de família;
  • No insistir em que a alma do oratório-centro
    juvenil é a evangelização.
    Por isso deve-se cuidar da formação religiosa e da catequese dos jovens, evitando toda forma de improvisação. A necessidade de vida e de companhia deve fazer-se crescer nos encontros, seja com a massa, seja com os grupos, e nos contatos pessoais;
  • No distribuir tempo e recursos para traduzir
    em prática as indicações precedentes. Cada oratório-centro juvenil, além do aspecto educativo-pastoral, deverá preparar, com propostas precisas de tempo
  • de agentes, iniciativas:
  • para encontrar os jovens,
  • para anunciar a fé,
  • para fazer catequese,
  • para formar os que estão disponíveis para uma madura caminhada de fé e à procura da própria vocação:

266.  No promover, de forma de todo particular,
a formação pedagógica, cultural e religiosa dos animadores, que são a expressão mais bem acabada do trabalho oratoriano, uma das suas finalidades mais atentamente visadas.
2.2. Ambientes de educação sistemática
267_  O encontro com os jovens nos ambientes predis‑
postos para um programa de educação sistemática (escolas, centros de preparação para o trabalho, internatos, pensionatos para estudantes e trabalhadores e outros ainda) pode oferecer um momento sistemático de educação da fé. Ela é de fato inserida numa visão do mundo e da vida que o jovem constrói mediante o aprendizado das matérias e a projetação do próprio futuro.

  • Aumentaram, nesses ambientes, as exigências dos
    programas culturais.

O tempo de permanência dos jovens conosco para atividades recreativas, culturais e formativas diminuiu sensivelmente. Nota-se, além disso, uma espécie de ruptura entre a instituição e a vida. O ensino não atinge os problemas da vida do jovem. Verifica-se uma forma de separação entre a instituição e a educação, entre a educação e a educação da fé.
Na raiz, não se encontra somente o programa cultural com escassas disponibilidades de tempo e de contatos, mas a concepção que sustenta a separação dos dois aspectos, se não mesmo sua total equiparação.

  • Há irmãos e colaboradores leigos que traoalham
    e gastam: muitas energias nas estruturas para o crescimento educativo e cultural dos jovens. Eles deverão orientar de maneira mais orgânica as intervenções, seguindo estas linhas:
  • Repensar, visando à educação da fé, tanto o
    sentido global da cultura e do trabalho, quanto o ensino de cada disciplina, pondo-lhe em evidência a dimensão religiosa como aspecto profundo da realidade.

277L. — Qualificar o ensino da religião como momento
importante de formação cultural e de anúncio .da fé. Para tal fim, deve-se garantir a correta orientação dos conteúdos, os tempos necessários no horário, a atualização dos professores, e todos os elementos úteis ao melhor desenvolvimento do ensino. Durante todo o processo de formação da fé, tenha-se presente
a diversidade dos jovens em relação à mesma fé. Caberá aos organismos inspetoriais promover iniciativas para qualificar salesianos e colaboradores leigos para essa tarefa. A esses mesmos caberá verificar os programas e sua qualidade.

  • Prever no horário celebrações de fé para toda a
    comunidade escolar e/ou para grupos particulares. Assim, serão oferecidas experiências concretas do que foi comunicado por meio da palavra.
  • Acompanhar pessoalmente e em grupo todos
    os jovens, sobretudo os que manifestam mais sensibilidade a propostas culturais e de fé. Os salesianos dediquem-se a esses jovens diretamente, compartilhando com os colaboradores leigos aspectos de tipo organizacional e administrativo.

2.3. O grupo juvenil

  • A experiência de grupo é elemento fundamental
    da tradição pedagógica salesiana.

O grupo juvenil é parte de organizações mais vastas, associações, ambientes educativos, paróquias): é sujeito de particulares iniciativas de apostolado (voluntariado, atividades expressivas, turismo, esportes.. , ). Nesses vários aspectos, não olhamos para a sua organização particular nem para a sua finalidade imediata, mas para o objetivo último da formação da fé dos jovens que nele participam.
O grupo é o lugar onde se personalizam as propostas educativas e religiosas; é o espaço da expressão e da responsabilidade; é o lugar da comunicação interpessoal e da projetação das iniciativas. É, muitas vezes, o único elemento estrutural que oferece aos jovens a ocasião para chegar aos valores humanos e à educação da fé.
Em nossos ambientes dá-se acolhida e vida a uma grande variedade de grupos para responder adequadamente a todo verdadeiro interesse juvenil.

  • Os grupos e as associações juvenis que, embora
    conservando sua autonomia organizativa, se identifi‑

cam com a espiritualidade e a pedagogia salesiana, formam, de maneira implícita ou explícita, o Movimento Juvenil Salesiano.
É um dom original da Espírito à comunidade dos crentes, uma riqueza que pertence à Igreja e aos jovens. No ano centenário manifestou-se com vivacidade e cresceu em consciência.

  • No Movimento, todos os grupos vivem os valo‑
    res da Espiritualidade Juvenil Salesiana, em níveis diversos.

É uma realidade aberta, de círculos concêntricos, que une muitos jovens: dos mais distantes, para os quais a espiritualidade é uma referência apenas percebida mediante um ambiente em que se sentem acolhidos, até aos que, de maneira consciente e explícita, fazem própria a proposta salesiana. Estes últimos constituem o "núcleo animador" de todo o movimento.
É, pois, um movimento educativo original.

  • A circulação das mensagens e dos valores da
    espiritualidade no movimento não tem necessidade de uma organização rígida e centralizada. Funda-se na livre comunicação entre os grupos. Considera necessária uma estrutura mínima para organizar a coordenação de iniciativas comuns. Sobre essa base, favorecem-se os encontros que se tornam ocasiões significativas de diálogo, confronto, formação cristã e expressão juvenil.

Os grupos atuam e se ligam entre si na comunidade educativa local. Nela interagem para se enriquecer e para criar um clima culturalmente vivaz e cristãmente empenhado.
Este primeiro âmbito terá um campo maior em nível inspetorial e interinspetorial, no qual são favorecidos o intercâmbio e a comunicação entre os grupos para uma verificação de sua incidência na região e da sua inserção e contribuição para a Igreja local.

  • No que tange a educação da fé, nem sempre os
    grupos conseguem promover com eficácia a proposta cristã que está presente em seus projetos.

A atenção prioritária aos interesses imediatos dos jovens; os animadores, muitas vezes pouco motivados a respeito da proposta de fé; as preocupações organizacionais, de preferência às de formação, podem determinar uma queda do empenho na educação da fé.
Pede-se por isso aos animadores de cada grupo, aos responsáveis pelas associações, ao Diretor e aos Conselhos locais, ao Inspetor e aos responsáveis inspetoriais:

  • — que promovam a atividade dos grupos nas
    nossas obras,
    também como meio privilegiado para chegar aos distantes e favorecer o processo de uma autêntica educação da fé;
  • — que explicitem, para cada grupo ou constela‑
    ção de grupos, a proposta do itinerário "para a fé" e "de fé", inspirada nos elementos fundamentais da Espiritualidade juvenil salesiana, a partir dos interesses imediatos dos jovens;
  • — que programem anualmente um roteiro de
    formação pedagógica e salesiana para os animadores de grupo, prevendo sua revisão;
  • — que cuidem da comunicação entre os grupos,
    criando pontos de referência e de coordenação, porém respeitando a autonomia organizacional;
  • — que aprofundem continuamente a Espirituali‑
    dade Juvenil Salesiana, valorizando também os lugares das origens históricas salesianas.

2.4. O encontro pessoal com o jovem

  • A educação da fé encontra um espaço privilegia‑
    do no diálogo pessoal: nesse aspecto, Dom Basco foi mestre incomparável. Suas expressões principais são a procura de cada jovem no seu ambiente, o colóquio educativo, a direção espiritual, o encontro sacramental.

Nos últimos tempos, a sua necessidade fez-se sentir muito, pela complexidade dos problemas que os jovens enfrentam e pela atenção pessoal que requerem. Nem sempre, porém, a nova exigência encontrou salesianos preparados. Por outra parte, os que assumiram essa tarefa estão-se interrogando sobre o modo de a cumprir segundo o estilo salesiano e com

  • maior proveito possível.

Partindo da validade indiscutível do diálogo pessoal, quer-se encorajar os irmãos a se tornarem disponíveis, oferecendo algumas orientações;
285..  — Aprofunde-se nas Inspetorias o estilo tipica‑
mente salesiano do acompanhamento pessoal: um conjunto convergente de elementos que sustentam o amadurecimento cristão como o clima, a assistência-companhia, as atividades participadas, a palavra pessoal, as breves exortações aos grupos, as celebrações.
286  — Os irmãos sejam encorajados e se preparem
para oferecer, no diálogo pessoal com os jovens, o testemunho da própria fé e as orientações de que eles têm necessidade.

  • — O Diretor tome a peito o encontro pessoal com
    os jovens,
    particularmente com aqueles cujo caminho está chegando a uma decisão importante de vida.
  • Nas casas de retiro para os jovens, e em mo‑
    mentos de particular importância (por exemplo exercícios espirituais), os jovens saibam que podem, com completa liberdade, gozar dessa forma de orientação.
  • — Momento privilegiado do encontro pessoal com
  • jovem é o que se vive no sacramento da Reconciliação. O Inspetor cuide da preparação dos irmãos para esse ministério, tão importante na pedagogia salesiana.

2.5. Comunidade para jovens em situação difícil
290.   Nasceram e consolidaram-se, nestes últimos anos,
as comunidades de acolhida para meninos e jovens em situação difícil. Elas são o testemunho da "coragem"
nunca extinta na Congregação, e do valor do Sistema Preventivo. São pontos de referência e de promoção da solidariedade: recebem a aprovação geral, conseguem aglutinar colaborações múltiplas, criam mentalidade solidária no povo e conseguem o apoio da sociedade.
O discurso de educação da fé nessas comunidades tem aspectos típicos. Apresentamos algumas orientações operacionais.

  • Fundamental é o sinal da aproximação a esses
    jovens e ao seu mundo.

O salesiano revive, assim, com o estilo de Dom Bosco, o encontro com Bartolomeu Garelli. Expulso e marginalizado, Garelli encontra em Dom Bosco "um coração" que o acolhe, "um rosto" que lhe sorri, "uma mão" que o ajuda, capaz de compartilhar sua dor e sua esperança, de sustentar sua vontade para começar ou para retomar. Começa a desmoronar a barreira da desconfiança, talvez também da hostilidade e do preconceito que, de fato, afastaram esses jovens da Igreja e de Deus. É o primeiro passo.

  • Para esses meninos, o contato cotidiano com
    homens "novos", capazes de suscitar maravilha e despertar neles o "melhor" que trazem dentro de si, seus recursos intensamente humanos e por isso coincidentes com valores evangélicos, torna-se uma experiência deveras original.

A amizade atenta, o clima de família, a simplicidade e a bondade, a promoção da dignidade pessoal constituem um testemunho que faz surgir nos jovens as perguntas: "quem são vocês? por que agem assim?".
A resposta, dada, de muitas maneiras e em tempos diversos, conforme as exigências de cada menino, torna-se anúncio do Cristo, companheiro no caminho, e do amor do Pai, do seu projeto de salvação e de felicidade; é oferta de libertação da escravidão e de plenitude de vida.

  • O caminho de educação da fé assim iniciado é um
    processo delicado, difícil e muitas vezes exposto ao fracasso. E aqui se manifesta nossa fé na educação,

nossa convicção quanto à, força da oração, da graça

  • da paciência de Cristo. Lembramos com admiração
  • procedimento criado por Dom Bosco com Miguel Magone.

   294.  O educador dirige-se com entusiasmo ao
"positivo" presente no jovem. Toda a. comunidade o encoraja, compreende, perdoa, pronta para costurar os rasgões, para recomeçar, e disposta a tentar mais uma vez, a, fim de que jamais se perca sua esperança.
Assim apoiado e acompanhado, o jovem se abrirá não somente a uma crítica madura do sistema, mas também a uma profunda revisão de vida, à autocrítica, que no sacramento da Reconciliação se tornará graça de perdão e força de retomada.
O sentido da convicção e da solidariedade comunitária, a disponibilidade para vencer a luta contra

  • egocentrismo e a dar-se aos irmãos crescerá até se tornar experiência de comunhão eucarística.

Desta maneira, educaremos evangelizando e evangelizaremos educando.
2.6. Grandes concentrações juvenis
   295.  Estão-se multiplicando, nestes anos, os momentos
de grandes concentrações juvenis. Eles respondem à exigência que os jovens sentem de se expressar coletivamente no plano humano e religioso. As propostas nascem muitas vezes dos grupos empenhados, mas envolvem também outros jovens disponíveis ou de algum, modo interessados. O "dia da juventude", instituído por João Paulo II, respondeu a essa necessidade que se manifesta também em âmbitos mais restritos. No espaço de um ano, diversas Inspetorias vivem dias em que se intensifica o diálogo entre todos os componentes juvenis.
Também a peregrinação é uma forma cultural presente entre tantos povos, sinal da Igreja peregrina. Ela une o povo nos sentimentos, nos gestos e nas lembranças, em contato com lugares significativos para a religiosidade popular ou para a memória de santos que aí trabalharam. Os jovens vivem essa
experiência com desejo de crescimento, e alguma vez como oferta de fé no sacrifício de um longo caminhar. Eles pedem ambiente para refletir e pessoas que o acolham.

  • No que se refere ao amadurecimento na fé,
    porém, o êxito ainda não está garantido. O clima de festa, com seus inegáveis valores, é a conotação imediata, que todos percebem. O educador da fé deve ajudar a não enfatizar esse clima com prejuízo dos conteúdos.

As concentrações devem, no seu todo, traduzir-se num verdadeiro anúncio.
POR ISSO:

  • — A realização, na variedade dos momentos e das
    expressões, deve prever cuidadosa convergência dos conteúdos sobre o que interessa à fé e uma boa qualidade na comunicação: oração e celebração, música, entretenimento, jogo, convivência, atividades cênicas, encontro com testemunhas, debates
  • — É necessário um conveniente período de pre‑
    paração; deve-se igualmente pensar num "pós-festa".

Ambos exigem a participação ativa de um número proporcionado de animadores e animadoras, especialmente jovens.

  • A avaliação considere dois dados que definem
  • sentido da concentração: os jovens que como participantes "ocasionais" se decidem a iniciar um caminho de fé e os que amadurecem empenhos concretos, sociais ou apostólicos no próprio ambiente.

CONCLUSÃO
300.   Percorremos, idealmente, com os nossos jovens,
uma viagem rumo à fé. Fizemo-la à luz do Espírito Santo, que nos ajudou a compreender e a escutar sua voz nos jovens. A fadiga do percurso foi compensada pela alegria da descoberta.
Se, depois de ler estas páginas, alguém dissesse que, no conjunto, não contêm novidade, diz, sob certos aspectos, a verdade. Pois falam, na realidade, da nossa missão de salesianos, empenhados na educação dos jovens na fé: da missão de ontem, portanto, de hoje e de sempre, enquanto houver meninos e jovens. São as coisas essenciais, que são de contínuo repensadas, conservadas no coração e, sobretudo, praticadas.
E, se ao ler estas páginas, alguém se sentisse "homem de pouca fé", assustado com a tarefa que lhe é pedida, saiba que nós também nos sentimos homens de fé pequena como um grãozinho. É a semente de mostarda, confiada à terra de Deus para que cresça. É uma semente que o desgaste dos dias de trabalho não poderá corroer, nem o vento jogar para o ar, uma vez que a caridade jamais falhará enquanto Deus Trindade for amor.
Confiamo-nos, pois, à caridade pastoral, dom e energia do amor do Pai, significada a nós pelo Cristo e derramada em nós pelo Espírito Santo. O amor é a única força a que nada resiste. Animando-nos, diz-nos Dom Bosco: "Se não se pode realizar todo o alfabeto, mas se pode fazer o ABC, por que deixar de fazer esse pouco?" (MB 12,107).
Finalmente, se ao ler estas páginas alguns de nós tornamos a ouvir a voz de Dom Bosco hoje e experimentamos alegria e gosto diante dessa energia dada pelo Espírito Santo que, pela intervenção de Nossa Senhora Auxiliadora, vai-se difundindo na Igreja; se, após alguma experiência de cansaço, entendem retomar o caminho para a missão, então alegremo-nos todos, porque Deus se fez presente entre nós: "Não nos ardia o coração no peito enquanto conversava conosco durante o caminho ?" (Lc 24,32).


DELIBERAÇÕES E ORIENTAÇÕES SOBRE AS CONSTITUIÇÕES E OS REGULAMENTOS
O Capítulo Geral 23 estudou atentamente as propostas que chegaram dos Capítulos inspetoriais e dos irmãos, relacionadas com alguns pontos do direito próprio ou das estruturas operacionais da Congregação, e aprovou tanto algumas modificações ou acréscimos aos textos legislativos, como algumas deliberações para a interpretação prática dos textos ou para animar as estruturas da Congregação.
1. MODIFICAÇÕES OU ACRÉSCIMOS AO TEXTO DAS CONSTITUIÇÕES
301 O Capítulo Geral 23, com a maioria de mais de 2/3 dos presentes, segundo as Constituições 152, deliberou fazer as seguintes modificações ou acréscimos ao texto das Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales.
As modificações e acréscimos transmitidos à Congregação para os Institutos de vida consagrada e para as Sociedades de vida apostólica foram por ela aprovados e confirmados em 25 de maio de 1990 (Prot. n. 5. 9-1/90) e èntram, assim, a fazer parte do texto constitucional.
Apresentamos, pois, pequenas modificações e acréscimos de caráter prático e de precisão jurídica.
1.1. Supressão do n. 14 do § 1 do art. 132 das Constituições
302 Em relação ao § 1 do art. 132 das Constituições, que cita os casos
em que o Reitor-Mor deve ter o consenso do seu Conselho, foi resolvido suprimir o n. 14, que diz: "os demais casos previstos pelo direito universal".
As motivações para essa supressão são principalmente estas:
n. 14 do citado artigo é supérfluo: de fato, está claro que o Reitor-Mor deve ter o consentimento do seu Conselho nos casos prescritos pelo direito comum;
— além disso, pelo fato de o n. 14 estar situado na conclusão do § 1 do art, 132, ele representa uma limitação genérica (não exatamente delimitada) do poder do Conselho para expressar consentimento, também nos casos em que não é estritamente exigida a totalidade dos Conselheiros.
Evitando especificar esta norma geral no texto das Constituições, nos regularemos de acordo com as indicações dadas pelo Código de direito canônico.
1.2. Modificação do § 2 do art. 132 das Constituições
303 Em relação ao art. 132 das Constituições, delibera-se modificar

  1. § 2, com a seguinte redação:

"O Reitor-Mor deve ter o consentimento dos conselheiros presentes na sede, reunidos em número não inferior a três, nos seguintes casos:
1, dispensa da profissão religiosa temporária;
2 , nomeação dos conselheiros inspetoriais (Const. 167);
3. concessão de autorização para as operações financeiras de que trata o art. 188 das Constituições, salvo o previsto no art. 132 § 1, 12."
Explicações e motivações
Com esta modificação, diminuiu-se de cinco para três o número mínimo de conselheiros necessários para dar o consentimento em algumas matérias consideradas de particular urgência (para as quais, portanto, não se pode esperar as reuniões "plenárias" do Conselho).
Com isso o Capítulo Geral acolhe e homologa uma modificação ao texto constitucional, que já tinha sido pedida à Sé Apostólica pelo Conselho Geral, como emenda às Constituições, e que a Congregação para os Religiosos e os Institutos seculares tinha concedido — em 16 de março de 1985 — "até o próximo Capitulo Geral".
O motivo da modificação é de caráter prático: considerando que os Conselheiros regionais por suas tarefas de ligação com as Inspetorias da Região devem ausentar-se por tempo notável da sede, e que também outros conselheiros devem, em certos periodos, dedicar-se à animação das Inspetorias, sentiu-se uma não pequena dificuldade em ter na sede ao menos cinco conselheiros
<além do Reitor-Mor ou do Vigário) para despachar práticas urgentes. De aí a decisão de reduzir de cinco para três o número mínimo dos Conselheiros necessários para solucionar essas práticas, sem esperar muito tempo.
1.3. Modificações no art. 151, 8 das Constituições
304 Em relação ao art. 151 das Constituições, que lista os membros
do Capítulo Geral da Sociedade, deliberam-se as seguintes incorporações (em cursivo) no n. 8:
"8, os delegados das circunscrições jurídicas, de que trata

  1. art. 156 das Constituições, professos de votos perpétuos, eleitos de acordo com o art. 171, 5 das Constituições e de acordo com os Regulamentos Gerais".

Explicação:
Como se pode facilmente perceber, trata-se de necessários esclarecimentos jurídicos:

  1. é lembrado o art. 15 das Constituições, onde se fala das "circunstâncias jurídicas", em que a Sociedade está dividida, e que mandam delegados ao Capítulo Geral;
  2. é também citado explicitamente o art. 171, 5 das Constituições, onde se estabelece que os delegados (um ou dois) ao Capítulo Geral e os seus suplentes são eleitos pelo Capítulo Inspetorial. As modalidades estão especificadas nos Regulamentos gerais.

2, MODIFICAÇÃO NOS REGULAMENTOS GERAIS 2.1. Modificação no art. 76, 4 dos Regulamentos Gerais
305 Em relação ao art. 76 dos Regulamentos Gerais, resolve-se que

  1. n. 4 seja assim modificado:

"4. pelos benfeitores e membros da Família Salesiana falecidos celebrar-se-á uma missa em todas as comunidades no dia 5 de novembro".
O motivo desta modificação está ligado ao fato que o dia 13 de novembro, que os Regulamentos Gerais indicavam para o sufrágio dos benfeitores e dos membros da Família Salesiana falecidos, foi agora marcado -- no nosso Missal próprio — para a memória anual dos Beatos Mártires Versiglia e Caravario.
Foi, portanto, escolhido, para esse sufrágio, o primeiro dia liturOcamente livre, que é o 5 do mesmo mês.
3. INTERPRETAÇÕES PRÁTICAS DE TEXTOS CONSTITUCIONAIS OU REGULAMENTARES
As seguintes "interpretações práticas", de acordo com a norma das Constituições n. 192, foram deliberadas pelo CG23, para responder a exigências levantadas na definição de alguns problemas concretos, especialmente por ocasião das eleições para o Capítulo Inspetorial ou para o Capítulo Geral.
3.1. Interpretação prática em relação às Constituições n. 151, 7 e 8:
306 "O CG23 dispõe que o Inspetor ou o Superior da Visitadoria que preside o Capítulo Inspetorial, mas que deixará o cargo antes da celebração do Capítulo Geral, possa ter voz passiva na eleição do Delegado ao Capítulo Geral".
Motivação: Esta deliberação foi aprovada para eliminar uma dúvida e para sancionar o pleno direito de voz ativa e passiva, na eleição do Delegado ao CG, para o Inspetor (ou Superior de Visitadoria), que, no ato da eleição, está ainda no cargo, mas que o deixará antes da celebração do Capítulo Geral.
3.2. Em relação ao art. 164 dos Regulamentos Gerais
307 "O CG23 declara que, tanto o telefone como o telefax, em caso
de necessidade, são comparados à carta de que se fala nos Regul. art. 164, contanto que as indicações transmitidas sejam recebidas pelos escrutinadores, que estão obrigados ao segredo".
4. DELIBERAÇÕES SOBRE GRUPOS DE INSPETORIAS
Em relação aos grupos de Inspetorias, o CG23 aprovou duas deliberações: uma para determinar a Região a que pertencem as Inspetorias da Checoslováquia e da Hungria; a outra para prorrogar para o próximo sexênio a Delegação especial para as Inspetorias da Polônla.
Eis o texto das deliberações:
308 4.1.. "O CG23 delibera a pertença das Inspetorias da Checoslováquia e da Hungria .à Região Norte da Europa/Africa Central".
49 4.2. "O CO23, mesmo desejando um progressivo caminho para mais plena integração das Inspetorias da Polônia na Europa Salesiana, considerando que são ainda suficientemente válidas as motivações adotadas pelo CGE (1971) até hoje, estabelece que se deve confiar; por mais um sexênio, as Inspetorias da Polônia a um Delegado pessoal do Reitor-Mor".
5. ORIENTAÇÃO OPERACIONAL PARA A PRESENÇA SALESIANA NA ÁFRICA
310 No contexto da avaliação da presença salesiana na África, e em relação ás estruturas de ligação, para maior eficácia de animação, o CG23 aprovou a seguinte orientação operacional:
"O CG23 confia ao Reitor-Mor com seu Conselho o cuidado de exercer, nas formas consideradas mais oportunas, uma função especial de coordenação, com a finalidade de ajudar os irmãos que trabalham na Africa a assumir uma consciência da cultura africana, capaZ de orientar eficazmente o crescimento das presenças saleSianas, a atividade pastoral e em particular o processo formativo".


ANEXOS

ANEXO 1
Mensagem de S. S. João Paulo II para o início do Capítulo Geral 23
Ao dileto Filho Pe. EGMIO VIGANÓ Reitor-Mor da
Sociedade de São Francisco de Sales
311 Minha saudação e votos de bom êxito ao senhor e a todos os seus irmãos, que participam do XXIII Capítulo Geral dessa Congregação.
A Assembléia Capitular é, para todos os Institutos Religiosos, uma pausa, ponto de partida para novo aprofundamento do próprio carisma. Por isso a que agora está para começar deve constituir para vós uma ocasião privilegiada não só para aprofundar mais ainda a missão que vos confiou São João Bosco, mas também para melhorar sempre mais a qualidade da ação pastoral que os salesianos desenvolvem em muitas Igrejas particulares, com especial atenção à juventude.
Na realidade, o vosso empenho institucional se volta sobretudo para a educação dos jovens, de cuja resposta depende o futuro da fé. Pois a esperança de um mundo mais cristão renasce com cada nova geração, contanto que ela possa usufruir uma educação adequada, inspirada no Evangelho. Também hoje, em conseqüência, é preciso fazer amadurecer nos jovens uma síntese convicta entre fé e vida, de maneira que possam tornar-se na sociedade testemunhas corajosas e críveis do grande mistério de Cristo, princípio e coroamento de toda a esperança cristã.
312 Estou certo de que, seguindo a já comprovada tradição pedagógica da vossa Congregação, não deixareis de elaborar, para tal fim, projetos concretos e atualizados, pois São João Bosco vos convida não só a vos dedicardes aos jovens mas a educar com um projeto. Como vos dizia por ocasião do encerramento do Centenário da morte do vosso Fundador, ele deixou "uma síntese vital entre sabedoria pedagógica e práxis educativa", e vás vos deveis esforçar por aplicá-la ao desenvolvimento do tema "unificando numa síntese os complexos elementos destinados a promover o desenvolvimento completo do menino e do jovem".
Nesta perspectiva, desejo lembrar-vos, membros capitulares, dois aspectos que se devem cuidadosamente aprofundar: a "espiritualidade juvenil" e a "dimensão social" da caridade. São duas grandes preocupações pastorais da Igreja.
313                  Antes do mais, não basta, na educação dos jovens, insistir na
simples nacionalidade de uma ética humana, nem é suficiente uma instrução religiosa apenas acadêmica. É mister despertar convicções pessoais profundas, que levem a um compromisso de vida inspirado nos valores perenes do evangelho. É mister visar à formação de santos. "Na Igreja e no mundo — escrevia na Carta Juvenum patris — a visão educativa integral, que vemos encarnada em São João Bosco, é uma pedagogia realista da santidade. Urge recuperar o verdadeiro conceito de santidade, como componente da vida de todo crente. A originalidade e a audácia da proposta de uma santidade juvenil é intrínseca à arte educativa deste grande Santo, que pode ser com justiça definido mestre de espiritualidade juvenil " (n. 16).
314                 Em segundo lugar, deverá estar presente na vossa atividade edu‑
cativa e pastoral a "dimensão social da caridade". A ela, com efeito, os sinais dos tempos confiam novos espaços, à luz de renovada consciência do bem comum. Abrem-se hoje diante da caridade dos cristãos, com perspectivas cada vez mais amplas, os multíplices campos da vida civil e política. São João Bosco vos ensinou a formar cidadãos responsáveis mediante o amadurecimento de convicções concretas de fé, que se devem traduzir em opções operacionais que respondam às exigências que vão continuamente emergindo. Cabe a vós a tarefa de individualizar os objetivos hoje prioritários, e fazer convergir para eles o empenho da juventude que vos é confiada.
Que Maria Auxiliadora maternalmente vos guie! A sincera e filial devoção para com Ela vos haverá de estimular a enfrentar generosamente e a superar vitoriosamente as multíplices dificuldades que podereis encontrar no vosso caminho.
Desejando feliz êxito à atividade do Capítulo Geral, invoco sobre o senhor e sobre os Capitulares a efusão dos dons do Espírito Santo, como penhor dos quais dou a implorada Bênção Apostólica, que de boa mente estendo à vossa Congregação e a toda Família Salesiana.
Vaticano, 22 de fevereiro de 1990, festividade da Cátedra de São Pedro Apóstolo.
João Paulo II
ANEXO 2
Saudação do Card. Jean-Jérôme Ilamer Prefeito da Congregação
para os Institutos de vida consagrada e para as Sociedades de vida apostólica
315 Estou aqui para saudar-vos na qualidade de Prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada e para as Sociedades de vida apostólica. Desejo saudar-vos falando da importância de uma reunião como a vossa, da confiança que temos em vós, e convidar-vos a assumir a vossa tarefa com lucidez e coragem.
Sois um Capítulo Geral, representais toda a Sociedade Salesiana de São João Bosco, sois o sinal da sua unidade na diversidade.
Estais aqui para uma reflexão fraterna e comunitária que deve levar-vos a uma maior fidelidade ao Evangelho, ao carisma do vosso Santo Fundador, com a preocupação de responder às necessidades do tempo e dos diferentes lugares.
Todos juntos, deixando-vos guiar pelo Espírito do Senhor, procurareis conhecer a vontade de Deus para um melhor serviço à Igreja no mundo de hoje.
Mas não sois somente um grupo de irmãos e de amigos que se reúnem para uma troca interessante de informações e talvez até frutuosa, mas sem um compromisso pessoal. Dé maneira nenhuma. Bem ao contrário, a vossa reflexão será comunitária e responsável: deve chegar a algumas decisões.
Sois, de fato, um Capítulo Geral, tendes a autoridade suprema na Sociedade Salesiana e a exerceis conforme as vossas Constituições.
Estais aqui reunidos em uma assembléia de governo. O que se espera de vós são reflexões e deliberações aprofundadas que devem levar a orientações precisas e a decisões claras e exatas.
Entre as decisões a serem tomadas estão, no seu devido lugar, a eleição do Reitor-Mor e dos membros do Conselho Geral. Compete também a vós estabelecer leis para toda a Sociedade Salesiana e tratar de modo responsável as questões mais importantes.
316 Mas tudo isso será feito numa visão bem clara: a da fidelidade ao vosso patrimônio específico, ao serviço especial que a Igreja espera de vós.
Sois religiosos, sois apóstolos, estais a serviço dos jovens. E sois tudo isso inseparavelmente na indissolúvel unidade de uma vida.
As vossas Constituições (art. 2) afirmam-no claramente: "Nós, Salesianos de Dom Bosco, formamos uma comunidade de batizados que, dóceis à voz do Espírito, intentam realizar numa forma específica de vida religiosa o projeto apostólico do fundador: ser na Igreja sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente os mais pobres. No cumprimento desta missão, encontramos o caminho da nossa santificação".
Vós vos preparastes bem para a vossa tarefa capitular. Sei que uma Comissão pré-capitular fez um trabalho preparatório considerável, que está à vossa disposição. Este documento de trabalho está todo voltado para o tema do Captfulo "Educar os jovens na fé" e privilegia o aspecto prático, embora não menospreze os elementos de análise e de reflexão.
Não compete a mim entrar no assunto. É a vossa tarefa de Capitulares. Mas notei com satisfação que a vossa Comissão pré-capitular teve, desde o início, a preocupação de respeitar o equilíbrio que deve caracterizar todo. Capitulo Geral como órgão de governo pastoral.
A vossa missão na Igreja é uni serviço. Procurai estar espiritual e humanamente preparados e qualificados para dar a vossa contribuição à evangelização dos jovens, e particularmente à evangelização dos mais necessitados de recursos, dos mais pobres. E assim estareis à disposição dos que têm a responsabilidade da evangelização na sua qualidade de sucessores dos apóstolos, nas várias dioceses.
As vossas Constituições (art. 48) falam disso com uma expressão muito feliz: "A Igreja particular é o lugar em que a comunidade vive e exprime seu compromisso apostólico. Inserimo-nos em sua pastoral, que tem no bispo o primeiro responsável e nas diretrizes das conferências episcopais um princípio de ação de maior amplitude. Oferecemos à Igreja particular a contribuição do trabalho e da pedagogia salesiana e dela recebemos orientações e apoio".
Comentando esta última frase, pode-se dizer: "A primeira instância sublinha a riqueza que os Salesianos devem levar à Igreja particular: a ação pastoral típica de Dom Bosco e o seu sistema preventivo.
A outra, ao invés, requer que se acolham as orientações dos Pastores e assim poder caminhar coerentemente numa pastoral de conjunto e receber o apoio de toda a Igreja no nosso trabalho" (Projeto de Vida dos Salesianos de Dom Bosco, Roma 1986, p. 397-398).
317 Nesta saudação que vos faço, antes da abertura formal do vosso Capítulo, deixai-me destacar ainda um outro ponto: um Capítulo Geral é um ato de comunhão eclesial.
Certamente, um Capítulo é uma assembléia como todas as outras assembléias, no sentido que corresponde a determinadas leis da psicologia social. Existem regras para uma discussão organizada. Tendes a tradução simultânea e provavelmente, atrás dos bastidores, um computador e uma secretaria bem aparelhada. Tudo isto é útil e até indispensável, e tudo isto encontra-se nas assembléias mundiais um tanto numerosas, especialmente se internacionais.
Todavia, um Capítulo possui uma nota específica. É um ato de comunhão eclesial. Não é um ato da sociedade civil, que tem por finalidade organizar a ordem temporal. É um ato da Igreja. Estamos na ordem espiritual. A vida religiosa não tem outra finalidade se não a da própria Igreja: a salvação dos homens.
Nossas fontes serão, por isso espirituais: o Evangelho, porque ignorar o Evangelho é ignorar Cristo, a tradição espiritual da Igreja, o seu Magistério, a tradição do vosso Instituto desde os tempos do Fundador, o Direito Canônico, toda uma riqueza que hoje as vossas Constituições devem levar até vós.
Por isso, recorremos muitas vezes à oração. O vosso Capítulo foi precedido por um curso de Exercícios espirituais. Esta iniciativa é excelente. E não deixareis de dar à Celebração eucarística e à oração um largo espaço no desenvolvimento do vosso Capítulo. Podemos inspirar-nos aqui no Concílio Ecumênico
Vaticano               Este Concílio foi uma "celebração". Não teria nenhu‑
ma dificuldade em falar da "celebração" de um Capítulo Geral. O que interessa antes de tudo é uma atmosfera de oração e de recolhimento, que coloca a reflexão e a discussão em seu justo nível.
Nos Capítulos Gerais de hoje reza-se muitas vezes a belíssima
oração ao Espírito Santo — "Adsumus"    ,que foi rezada pelos
Padres do Vaticano II antes de cada sessão durante os quatro anos do Concílio. Deixai-me que vos lembre as primeiras frases, porque ricas de ensinamentos para vós: "Adsumus, Domine Sancte Spiritus, adsuitus, peccati quidem immanitate detenti, sed in Nomine Tuo specialiter congregati. Veni ad nos et esto nobiscum". Traduzindo: "Eis-nos, Senhor, Espírito Santo, eis-nos à tua presença, cansados pelo peso dos nossos pecados, mas reunidos particularmente no teu nome. Vem a nós e permanece conosco".
Ninguém pode participar de um Capítulo com a segurança e a presunção de um fariseu. Ninguém pode assumir a responsabilidade dos outros em nome da sua própria virtude. É com humildade que assumimos a tarefa capitular. Mas a assumimos sem medo, com determinação e coragem, porque fomos convocados pelo Espírito Santo e porque esperamos que Ele haverá de realizar a sua obra em nós, na nossa pessoa e na nossa ação.
A oração "Adsumus" nada mais é do que uma paráfrase da palavra de Cristo: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles". Jesus está no meio de vós. O Seu Espírito vos assista. Este é o meu desejo e os meus votos a todos vós hoje aqui reunidos no XXIII Capítulo Geral da Sociedade Salesiana.

ANEXO 3
Discurso do Reitor-Mor pe. Egidlo Viganó na abertura do CG23
Eminentíssimo Card. Hamer,
Eminências,
Madres, Irmãs e Irmãos responsáveis de Grupos da Família Salesiana, Irmãos capitulares:
318 Uma saudação agradecida a Sua Eminência o Prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada e aos Eminentíssimos Senhores Cardeais que com sua presença marcam o sentido eclesial deste nosso Capítulo Geral.
Um cordial muito obrigado à Madre Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, aos Presidentes dos Cooperadores, dos Ex-alunos e das Ex-alunas, à Responsável-Mor das Voluntárias de Dom Bosco e à Superiora Geral das Oblatas Salesianas, que representam a adesão, a oração e a esperança de tantos irmãos

  1. irmãs da Família Salesiana no mundo.

Calorosas boas-vindas a todos os capitulares das 85 circunscrições jurídicas da nossa Sociedade aqui reunidos.
1. O Capítulo Geral 23.°
Estamos dando início oficialmente ao 23.° Capítulo Geral da Sociedade de São Francisco de Sales.
Quando Dom Bosco convocou o primeiro, em 1877, os capitulares eram 23 e a duração do Capítulo foi de 13 dias completos.
Quando, quase um século depois — em 1971 —, se realizou

  1. CG20, os capitulares eram 202 e a duração do Capítulo foi de 6 meses e 26 dias; tratava-se, porém, de um Capítulo Geral "especial", ou seja excepcional.

Os Capítulos Gerais 21 e 22 que se lhe seguiram sofreram também eles, de alguma maneira, a exigência da "especialidade",

  1. duraram mais ou menos 4 meses cada um.

Hoje, no CG23, os capitulares deveriam ser 207 — um, o 208, foi consagrado bispo recentemente —. Perguntamo-nos durante quanto tempo vai durar este Capítulo.
Acredito seja útil iniciá-lo propondo um limite máximo. No Conselho Geral, considerando que se trata de um Capítulo "ordinário", pensou-se sugerir aos colegas da Assembléia — ou seja a vós, queridos capitulares — a decisão, logo no início, de não ir além de dois, meses; pareceil-nos razoável propor eventualmente como data limite o próximo dia 12 de maio.
2. Um Capítulo Geral "ordinário"
319 Por que consideramos "ordinário" este Capítulo?
Na realidade, a chamada "ordinariedade" é uma qualificação inerente à mesma natureza de um Capítulo Geral normal: tem, pois, a sua explicação no texto constitucional. O que necessitaria de explicação seria, sim, a qualificação de "especial" ou de "extraordinário".
Interessa-nos, todavia, insistir aqui em sublinhar este aspecto de "ordinário" para significar que para nós, de fato, concluiu-se a vasta, delicada e indispensável obra de revisão global dos documentos da nossa identidade na Igreja.
Terminou, portanto, a tarefa "ordinária" (exigida pelo Vaticano II) e surge a necessidade "normal" de enfrentar só alguns aspectos vitais, em cujo estudo estarão presentes também as grandes conquistas dos Capítuos anteriores.
Na Regra encontramos indicadas as tarefas a serem cumpridas.
Conhecemo-las; mas devemos reconsiderá-las agora, partindo da situação nova de que cada um de nós está investido enquanto "capitular", ou seja membro de uma Assembléia representativa de todo o Instituto, que detém colegialmente, com base no direito, "a autoridade suprema na Sociedade" (Const. 147). Esta ótica de consciência capitular despertará a noção pessoal da própria grave responsabilidade.
Que deveres principais nos aguardam?
2.1. Inicialmente a tarefa de cultivar e animar um carisma suscitado pelo Espírito para a Igreja.
320 É uma tarefa que se deduz do art. 6 das Constituições: "a vocação salesiana situa-nos no coração da Igreja e nos põe inteiramente a serviço da sua missão"; especifica-a o art. 146 ao afirmar
que os trabalhos de um Capítulo Geral devem estar voltados para a busca da vontade de Deus para melhor servir a Igreja".
Nós, hoje, estamos dando início a um acontecimento que possui, como já vimos, uma dimensão claramente eclesial. A autoridade suprema da Assembléia capitular é só interna à Congregação; existem outras autoridades superiores a que constantemente nos devemos referir. "A Sociedade Salesiana — afirmam as Constituições — tem como supremo superior o Sumo Pontífice, a cuja autoridade os sócios estão finalmente submissos também em força do voto de obediência, disponíveis para o bem da Igreja universal. Acolhem com docilidade seu magistério e ajudam os fiéis, especialmente os jovens, a aceitar seus ensinamentos" (Const. 125).
O Direito Canônico esclarece que a um Capítulo geral "compete principalmente: tutelar o patrimônio do instituto e promover adequada renovação que com ela se harmonize" (cân. 631), ou seja, que estamos investidos de autoridade para cuidar fielmente da intuição e dos projetos do Fundador "no que se refere à natureza, à finalidade, ao espírito e à índole do instituto, bem como suas sãs tradições, coisas que constituem o patrimônio do Instituto" (cân. 578).
2.2. Outra tarefa é o cuidado da unidade de vida na Congregação.
321              A nossa Assembléia, deve ser seu "principal sinal" (Const. 146).
Também na diversidade das situações e das culturas, somos chamados a testemunhar e a reforçar aqui os laços de plena comunhão no mesmo espírito e missão, em convicta e vivida adesão a uma mesma profissão religiosa.
A dinâmica de um Capítulo não se inspira nos métodos democráticos de um parlamento, mas na originalidade do misté• rio da Igreja, e por isso dedicamo-nos a fortalecer, com fraterna sinceridade, as motivações de comunhão para alcançar a unanimidade na Assembléia: de fato, um é o carisma, um o seu Fundador e uma a sua Regra de vida.
No 1.° Capítulo Geral este aspecto era mais fácil: "nós estamos ainda no começo — afirmava Dom Basco —; o nosso número não é ainda extraordinariamente grande e até agora o Oratório foi o centro de tudo . „ Mas indo para a frente, se não se estudarem todas as maneiras para reforçar este vínculo, em breve chegará uma fase heterogênea e já não haverá absoluta unidade entre nós. É preciso fazer de tudo para unir-nos num só espírito" (MB 12, 286).
Neste sentido, o Capítulo Geral torna-se uma espécie de graduado e especializado "curso de formação permanente" sobre os valores da unidade no espírito salesiano, organizado para multiplicadores qualificados a serviço de todas as Inspetorias.
2.3. Uma outra tarefa é o compromisso comunitário para dinamizar o carisma.
322 Os Regulamentos gerais afirmam que, na convocação do Capítulo, o Reitor-Mor "indicará o escopo principal" (Reg. 111), O tema proposto para esta nossa Assembléia é o da educação dos jovens na fé. Queremos dinamizar a "qualidade pastoral" das nossas obras. Procuraremos, portanto, orientar os trabalhos em direção a um crescimento na fidelidade dinâmica a Dom Bosco em dois sentidos: de mais genuína adesão à missão evangelizadora, e de melhor sensibilidade e capacidade pedagógica de resposta às interpelações dos tempos e dos lugares (cf. Const. 146).
As sugestões dos Capítulos inspetoriais e o documento de trabalho; contidos nos "Esquemas pré-capitulares", oferecem precioso elemento para elaborar orientações práticas.
Todos estamos convencidos de que a nossa ação apostólica passa através da educação, mas a prioridade que se deve esclarecer é a de assegurar, na prática, de que maneira e com que meios a educação se impregne de elã pastoral e por ele seja guiada.
Eis um discernimento de particular urgência para assegurar a identidade salesiana na práxis.
2.4. É também tarefa do Capítulo geral considerar as propostas de modificações de algumas leis internas.
323 A nossa Assembléia tem o poder de "estabelecer leis para toda a Sociedade" (Const. 147). Os últimos Capítulos Gerais reelaboraram os textos das nossas leis (1984).
De acordo com as propostas que chegaram, sugeridas pelas experiências, deveriam ser examinados neste Capítulo ainda alguns artigos: indicá-los-á oportunamente o Regulador.
3. A delicada responsabilidade das eleições
324 Uma tarefa, pois, que incidirá muito sobre a vida da Congregação é a de "eleger o Reitor-Mor e os membros do Conselho Geral" (Const. 147).
Vê-se aqui, com maior clareza, em que consiste " a autoridade suprema" do Capítulo Geral (Const. 147; cf. 120).
É importante refletir um momento sobre isso.
Gostaria de notar primeiramente que o qualificativo de "suprema" sublinha, para a nossa consciência capitular, uma responsabilidade verdadeiramente extraordinária e altíssima, ainda que ela não tenha na Igreja — como já dissemos —, um sentido absoluto e ilimitado.
É interessante observar que nem todos os Capítulos Gerais dos vários Institutos de vida consagrada possuem as mesmas competências. Há notáveis diferenças; a fisionomia de cada um depende da natureza do próprio carisma e das determinações do Direito próprio.
A autoridade da nossa Assembléia é "suprema" no sentido que é a fonte de toda autoridade na Congregação. "Lembre-se que, entre nós, a autoridade dos diversos Superiores — disse o CGE — não deriva imediatamente de uma eventual vontade designativa por parte da base, mas tem origem no ato de ereção canônica da Sociedade. Existe, pois, em toda a Congregação um só núcleo, um centro só, fonte de autoridade. E tal autoridade, recebida na Igreja, passa através da vontade eletiva do Capítulo Geral para se ir concentrar, segundo as Constituições, no ministério do Reitor-Mor e do Conselho geral" (Atos CGE 721)).
A experiência nos ensina que este ministério resulta fortemente vital. Se é verdade que a autoridade do Capítulo Geral é "suprema", enquanto detém o poder legislativo e a faculdade de dar diretrizes autênticas e orientações universais de animação e de governo, não tem, porém, como próprio nem o normal poder judiciário nem o executivo. O Capítulo Geral não é um organismo de governo; é uma instância descontínua, apenas sexenal. Durante a sua mesma celebração, o Reitor-Mor com o Conselho Geral continua a desenvolver as funções necessárias (mais urgentes) para o bom andamento da vida da Congregação, e também os capítulos inspetoriais em suas circunscrições. Nos textos constitucionais redigidos por Dom Bosco, tratando do governo interno da Sociedade, não se alude sequer à autoridade suprema do Capítulo Geral.
Estou dizendo tudo isso para sublinhar a máxima importância das eleições. As tarefas do Reitor-Mor e dos membros do Conselho geral têm constitucionalmente e de fato uma incidência decisiva, permanente, prática e imediata sobre toda a vida do Instituto.
Será, portanto, necessário preparar-se para este ato eletivo com atenta consciência, amadurecida na oração e num discernimento objetivo dos eventuais candidatos, todo ele empenhado em vitalizar o carisma de Dom Bosco, sem acentuação de Motivações não essenciais que poderiam mostrar-se danosas.
Neste momento, também em nome dos membros do atual Conselho Geral — no fim de um mandato de seis anos recebido em obediência ao CG22 —, posso afirmar que se procurou trabalhar intensamente e com lealdade pela Congregação. De minha parte, sinto certamente o dever de pedir desculpas pelas falhas que acompanharam os meus serviços.
No Conselho Geral, com suas múltiplas tarefas, adquirem-se conhecimentos, sensibilidades, visões de conjunto, sentido de Igreja, critérios de prioridade, equilíbrio de identidade, que não aparecem emn outras funções da vida salesiana; pode-se dizer que o Conselho Geral constitui uma verdadeira escola de esmerada especialização para servir a Congregação. Nisso, porém, os anos passam e fica-se mais velhos. Será conveniente, por isso, pensar também em candidatos novos, mais jovens e muito capacitados.
As eleições são uma das responsabilidades mais delicadas, se pensarmos na incidência vital que o Reitor-Mor e o Conselho Geral têm, pela sua função, sobre toda a Família Salesiana.
4. O tema
325 Na carta circular de convocação do CG23 (ACG n.° 327 outubro-dezembro de 1988), explicando o caráter "ordinário" deste Capítulo, afirmava que nele "pretendia se concentrar a atenção dos irmãos sobre um argumento específico de ordem prática, considerado de particular urgência para toda a Congregação, mas em certo sentido setorial, pelo fato de não se referir à totalidade da vida salesiana".
A expressão "em certo sentido setorial" é verdadeira enquanto toca propriamente só o aspecto operativo das nossas atividades concretas, supondo adquiridas as grandes fundamentações espirituais e doutrinais. Se, porém, se interpretasse aquele "setorial" como algo secundário e não envolvendo logo toda a nossa renovação, então seria uma interpretação falha.
De fato, o compromisso da educação dos jovens na fé coloca no centro dos trabalhos capitulares o Sistema Preventivo de Dom Bosco, corno "ortopráxis" (cf. Carta circular, ACS n. 290, julho-dezembro de 1978) da vida salesiana em cada comunidade local; ou seja, como lugar de verificação e como medida de fidelidade.
Não pretendo afirmar que o Capítulo deverá estudar o Sistema Preventivo, mas que será necessário ter continuamente presente a sua verdadeira finalidade, a sua natureza carismática e a sua original metodologia.
5. O Sistema Preventivo, como fruto e fonte de espiritualidade salesiana
326                          É sugestivo observar que nas Constituições se fala do Sistema
Preventivo de duas maneiras diferentes e complementares: uma no art. 20, tratando do "espírito salesiano" (ele aparece aí como um dos componentes); a outra, nos arts. 38-39, em relação ao nosso serviço educativo pastoral.
Penso seja fundamental para esta nossa Assembléia olhar para o Sistema Preventivo com a ótica do espírito salesiano. Neste sentido, é apresentado como "modo de viver e trabalhar para comunicar o Evangelho e salvar os jovens, com eles e por meio deles. Impregna o nosso relacionamento com Deus, as relações pessoais e a vida de comunidade no exercício de uma caridade que sabe fazer-se amar" (Const. 20).
É possível falar de Sistema Preventivo simplesmente como um método educativo feito de bondade, racionalidade, promoção cultural. O que é também verdade. Porém, se pensarmos na distinção (que muitas vezes, infelizmente, é também separação) que se dá entre "educar" (como ação humana de cultura) e "educar na fé" (como ação eclesiàl de evangelização), e se ao mesmo tempo lembrarmos que para Dom Bosco estes dois aspectos devem intercambiar mutuamente os próprios valores de modo que na práxis salesiana não se separe jamais o "homem" do "cristão" ("honestos cidadãos" — porque "bons cristãos" — MB 4,19), deveríamos concluir que a "educação da fé" é chamada, no Sistema, a permear toda a obra da "educação".
Portanto, o grande desafio que nos faz o tema do Capítulo é o da "espiritualidade evangelizadora e missionária" nas nossas comunidades. Somos educadores porque somos pastores da Igreja de Cristo. A qualidade pastoral é a alma da nossa competência pedagógica, assim como o "da mihi animas" é o segredo vivificante de todo o nosso espírito.
As atuais exigências de renovação pastoral implicam para nós que a assim chamada "nova evangelização" se traduza em "nova educação". Mas isso requer densidade espiritual.
Nos diferentes aspectos de novidade que acompanham a educação, de acordo com as interpelações sócio-culturais das
várias situações, devemos saber fazer aflorar a intrínseca inseparabilidade do "evangelizar educando"; somos chamados a requalificar-nos como "educadores", mas porque somos "missionários dos jovens".
"Para São João Bosco, fundador de uma grande Família espiritual — escreveu-nos o Papa —, pode-se dizer que o traço peculiar da sua `genialidade está ligado à práxis educativa que por ele mesmo foi chamada sistema preventivo. Este representa, em certo modo, a síntese da sua sabedoria pedagógica e constitui a mensagem profética por ele deixada aos seus e à Igreja toda" (JP 8). E mais adiante, exortando-nos a encontrar na sua herança as premissas para responder também hoje às dificuldades e às esperanças dos jovens, nos lembra que o primeiro segredo do sucesso desta pedagogia está no próprio Dom Bosco educador: na sua intensa caridade pastoral, ou seja, "por força de uma energia interior, que nele une inseparavelmente o amor de Deus e o amor do próximo. Consegue assim estabelecer uma síntese entre atividade evangelizadora e atividade educativa. A sua preocupação de evangelizar os jovens ... situa-se no interior do processo de formação humana, cônscio das deficiências, mas também otimista a respeito da maturação progressiva... (para que a fé se torne) elemento unificante e iluminante da sua personalidade" (JP 15).
E por isso, acrescenta, será critério fundamental para o educador "ter a percepção do fim último (que é precisamente a arte de educar na fé), porque na arte educativa os fins exercem uma função determinante. Uma visão incompleta ou errônea, ou então o esquecimento deles, é também causa de unilateralidade e de desvio, além de sinal de incompetência" (JP 16).
Portanto: o espírito salesiano exige na consciência de todo irmão em ação a clara percepção do fim pastoral, sempre presente, para elaborar e realizar Projetos e Itinerários.
6. Um augúrio
327                      A preparação do nosso Capítulo foi séria, tanto nas Inspetorias
como na Comissão pré-capitular. Testemunha-o o enorme volume (505 páginas!) que temos em mão: "Esquemas pré-capitulares".
O valor do trabalho desta Assembléia, porém, não será julgado pela quantidade das páginas, mas pela qualidade e solidez das diretrizes e das orientações.
Desejo sublinhar dois aspectos sugeridos pelo "documento de trabalho": o primeiro é o da necessidade de aperfeiçoar o
Projeto educativo-pastoral com critérios salesianos para os "Itinerários" especificamente adaptados aos vários grupos de jovens; o segundo é o da "Espiritualidade juvenil". Considero iluminante destacar, mesmo brevemente, este último.
Julgo oportuno, para isso começar lembrando uma estimulante afirmação de Santo Inácio, mártir, em sua carta aos Romanos: "Não peçais outra coisa por mim — escreve — a não ser a força interior e exterior, de modo que eu seja cristão não só com a boca, mas com o coração; não só de nome, mas de fato. Porque quando cresce a adversidade do mundo, a fé cristã não é mais simples fruto de persuasão, mas obra de poder" (Rom. III), ou seja, é uma participação no "poder" de Deus, sendo que a presença do Espírito Santo infunde no coração uma "espiritualidade" que é força vital.
Estou convencido, como já disse comentando a "lembrança" deste ano, de que a síntese orgânica entre fé e vida a ser cultivada hoje nos jovens — em um mundo tão alheio e hostil — só se obtém mediante a força de uma concreta espiritualidade. Testemunhou-o o próprio Dom Bosco, que fez da arte educativa uma verdadeira "pedagogia da santidade".
A espiritualidade é uma energia interior, feita ao mesmo tempo de convicções e entusiasmo evangélico, dotada de poder unificador que faz crescer em harmonia os diferentes aspectos do amadurecimento humano e cristão de um jovem.
A nossa práxis educativa deveria brotar de uma viva espiritualidade — a da comunidade — para suscitar ao redor de si uma espiritualidade juvenil dinâmica e contagiante; deveria, portanto, promover e favorecer o associacionismo, não para esvaziar de qualidade educativo-pastoral as obras, mas para fomentá-las com o protagonismo dos próprios jovens, feitos sujeitos e portadores de uma síntese vital entre Evangelho e cultura.
Este aspecto, tão querido a Dom Bosco, deverá se relançado com todos os meios, sobretudo numa sociedade pluralista que facilmente leva ao relativismo e à indiferença.
Exatamente desta necessidade de "força" espiritual procede o grande desafio para as nossas comunidades: a espiritualidade juvenil tem como fonte ambiental e como início pedagógico a espiritualidade dos irmãos. É aqui que se mede a sua verdadeira paternidade: da fé dos educadores à fé dos jovens!
Pensemos no que nos dizem as Constituições: "Esta Sociedade, em seu início, era um simples catecismo ... Como Dom Bosco, somos chamados todos e em qualquer ocasião, a ser educadores da fé. Caminhamos com os jovens para conduzi-los à
pessoa do Senhor ressuscitado, a fim de que, descobrindo nEle e em seu Evangelho o sentido supremo da própria existência, cresçam como homens novos" (Const. 34).
7. A nossa confiança no auxilio de Maria
328 Para concluir, elevemos o pensamento a Nossa Senhora.
Sabemos que Maria é "Aquela que acreditou", por isso é modelo para todos com a plenitude de sua fé; no dia de Pentecostes Ela foi agraciada, juntamente com os Apóstolos, com todo

  1. poder do Espírito Santo que aperfeiçoou no seu coração uma forte espiritualidade, manifestada na gratidão vitoriosa do "Magníficat".

"Guiado por Maria que lhe foi Mestra — dizem as Constituições —, Dom Bosco viveu, no encontro com os jovens do primeiro Oratório, uma experiência espiritual e educativa a que chamou Sistema Preventivo, ou seja, "um amor que se doa gratuitamente, nutrindo-se da caridade de Deus que se antecipa a toda criatura com a sua Providência, segue-a com a sua presença e salva-a com a doação da própria vida. Dom Bosco no-lo transmite como modo de viver e trabalhar para comunicar o Evangelho" (Const. 20).
Eis por que a aplicação fiel do Sistema Preventivo, ortopráxis da nossa consagração religiosa, vem a ser o lugar teológico da nossa espiritualidade apostólica„
A Auxiliadora ilumine e guie também a nós no caminho para

  1. terceiro milênio a fim de que permaneçamos, como Dom Bosco, firrnes no poder do Espírito e assim nos tornemos válidos educadores dos jovens na fé.

Maria, "estrela da evangelização", reforce a nossa espiritualidade!
Obrigado!
Roma, 9 de março de 1990.
ANEXO 4
Palavras de homenagem dirigidas ao S. Padre pelo Reitor-Mor, Pe. Egídio Vigank durante a visita do Papa à sede capitular
Santo Padre,
329 ficamos admirados e cheios de gratidão por este seu gesto paterno de querer visitar-nos e falar-nos na mesma sede do nosso Capítulo Geral.
Estão aqui presentes mais de 200 capitulares vindos dos cinco continentes: sacerdotes e irmãos leigos; faltam, por dificuldades políticas, só os representantes do Vietnã.
Estamos concluindo os nossos trabalhos sobre o tema da educação dos jovens na fé. Analisamos muitos contextos juvenis bem diferentes entre si; dedicamo-nos a examinar os principais desafios que eles fazem à Igreja; realizamos, no diálogo, a busca de critérios válidos, inspirados na práxis educativa de Dom Bosco, para podermos determinar algumas orientações práticas que norteiem as nossas comunidades na árdua tarefa da nova evangelização.
Percebemos as prementes interpelações da hora de mudança que vivemos. Ela pede mais intensa capacidade profética, fundada na releitura fiel e iluminada do Fundador e voltada para o terceiro milênio com um discernimento, atento e pastoral, dos sinais dos tempos.
Estimulou-nos, também, neste convidativo trabalho, a recente viagem ministerial de Vossa Santidade à Tchecoslováquia; nela admiramos o amor à verdade que torna livres, a coragem e a clareza pedagógica em proclamá-la, a magnanimidade em ampliar seus horizontes sociais, a atualidade histórica ao ritmo do acelerado devir dos acontecimentos, o testemunho de bondade acima das partes para promover a comunhão dos povos, a ponto de se falar de "milagre" nem mais nem menos do que em sede profana.
Acreditamos que a nova evangelização necessita mesmo de um clima propriamente "milagroso", no sentido de uma sintonia mais forte com o Espírito Santo, de tal maneira que os agentes de pastoral trabalhem mergulhados com consciência pessoal no Seu poder, na união mística com Cristo Ressuscidado — o Supremo Pastor vivo e ativo —, na entrega confiante a Maria — Mãe da Igreja e seu permanente Auxílio —. A novidade "milagrosa" será assim fruto do Espírito que acende nos corações o ardor e a audácia da fé autêntica!
Este clima de ardor pastoral deverá ser sustentado por aquela interioridade apostólica que Vossa Santidade focalizou domingo passado com a beatificação do Pe. Filipe Rinaldi, que se tornou para nós, neste Capítulo Geral, modelo e intercessor. Com ele e como ele, percebemos que a atividade evangelizadora requer intensa energia interior: o suporte de uma peculiar espiritualidade.
Pedimos a Vossa Santidade que abençoe os nossos propósitos e nos obtenha para tal fim abundantes dons do Espírito do Senhor.
Procuraremos retribuir-lhe a generosa bondade e a extraordinária delicadeza desta Sua visita com a nossa renovada adesão à Cátedra de Pedro e com um compromisso de incansável esforço para sermos na Igreja, como Vossa Santidade muitas vezes nos repetiu, ativos "missionários dos jovens".
Obrigado!

ANEXO 5
Discurso de S.S. João Paulo II aos Capitulares salesianos
na sua visita de 1.0 de maio de 1990
Queridos Capitulares da Sociedade Salesiana de São João Bosco
330                  1, É-me grato encontrar-me convosco numa circunstância tão
significativa, na luz festiva da elevação às honras dos altares do vosso irmão Pe. Filipe Rinaldi, que tive a alegria de proclamar Beato precisamente anteontem.
Dirijo-vos a minha afetuosa saudação e agradeço a cordial acolhida a cada um de vós que representais toda a Família Salesiana. Dirijo-me de modo particular ao caríssimo Pe. Egídio Viganó, mais uma vez confirmado Reitor-Mor, e através dele quero saudar todo o vosso Instituto religioso. À confiança que expressastes ao entregar-lhe novamente a direção da vossa Congregação, uno de coração os votos que faço para que, juntamente com os seus colaboradores do novo Conselho Geral, eleitos também eles por esta assembléia capitular, possa prosseguir com eficácia a obra tão preciosa até agora realizada.
331                      2, Desejei de modo particular encontrar-me convosco nesta
vossa casa, para vos exprimir concretamente o meu pessoal encorajamento e o vivo reconhecimento da Igreja, em cujo serviço de maneira tão ativa trabalhais.
Todos, de fato, conhecem as múltiplas atividades salesianas já espalhadas por todos os recantos do mundo. Diversificadas são as obras e modernas as estruturas que servem de suporte ao vosso apostolado: sempre idêntico, porém, é o espírito que as anima, aquele particular carisma que vos distingue e que recebestes em herança de Dom BoSco, o santo da juventude.
No centro das vossas atenções devem, portanto, estar sempre os jovens, esperança da Igreja e do mundo, para os quais todos olham com confiança e trepidação. Nas Nações mais ricas, como nos Países mais pobres, estai sempre ao seu serviço; especialmente estai atentos aos que são mais fracos e marginalizados. Levai a cada um deles a esperança do Evangelho, a fim de os
ajudar a enfrentar a vida com coragem, resistindo às tentações do egoísmo e do desânimo. Sede para eles pais e irmãos, como Dom Bosco vos ensinou.
Preocupai-vos em que todo o processo educativo seja ordenado para o fim religioso da salvação. Esta "pedagogia realista da santidade", típica do vosso Fundador, "Mestre de espiritualidade juvenil", comporta o empenho constante de ajudar os jovens que vos são confiados, a fim de que abram o coração aos valores absolutos, interpretando a própria existência e os acontecimentos da história "segundo as profundidades e as riquezas do Mistério" (JP 15).
Vasta é a missão e árdua é a vossa tarefa, mas a Igreja olha com confiança para o vosso Instituto e encoraja-vos a prosseguir este caminho. Sede educadores da fé e, confiantes no auxílio de Deus, escutai com atenção vigilante os sinais dos tempos, neste particular período histórico que estamos vivendo.
332 Felicito-me e agradeço ao Senhor por estardes a refletir no vosso Capítulo Geral, precisamente, sobre estas temáticas complexas e delicadas, procurando oportunos critérios de iluminação e as necessárias orientações práticas. Escolhestes bem: a educação dos jovens é uma das grandes instâncias da nova evangelização, e é justo que procureis, hoje, caminhos adequados e linguagens próprias, na plena fidelidade ao vosso carisma e a todo o ensinamento da Igreja.
Desejaria aproveitar este agradável encontro para salientar alguns valores fundamentais, que considero de particular atualidade para quem, como vós, interpreta a missão educadora da Igreja para com os jovens.
Apraz-me salientar em primeiro lugar, como elemento fundamental, a força de síntese unitiva que brota da caridade pastoral. Ela é fruto da força do Espírito Santo, que assegura a inseparabilidade vital entre união com Deus e dedicação ao próximo, entre interioridade evangélica e ação apostólica, entre coração orante e mãos operantes. Os dois grandes Santos, Francisco de Sales e João Bosco, testemunharam e fizeram frutificar na Igreja esta esplêndida "graça de unidade". Rompê-la significa abrir um perigoso espaço àqueles ativismos ou intimismos que constituem uma tentação insidiosa para os Institutos de Vida Apostólica. Pelo contrário, as riquezas secretas, que esta "graça de unidade" traz consigo, são a confirmação explícita, provada com toda a vida dos dois Santos, de que a união com Deus é a verdadeira fonte do amor operoso ao próximo; quanto mais um Salesiano contempla o mistério do Pai infinitamente
misericordioso, do Filho feito generosamente irmão e do Espírito Santo poderosamente presente no mundo como renovador, tanto mais ele se sente impelido por este insondável mistério a doar-se aos jovens, para o crescimento humano e salvação deles.
333 4. Outro aspecto importante é a original opção pedagógica do vosso Fundador, que consiste na "educação" evangelizaste dos jovens. Ele foi verdadeiramente, neste sentido, um "gênio do coração". De fato, saber concentrar as iniciativas da caridade pastoral na área cultural da educação, não é coisa simples; importa atitudes e competências com características próprias e exigências concretas, também de profissionalidade pedagógica.
Trata-se de uma missão convidativa, que tem contínua necessidade de revisão e de confronto com Cristo, o homem novo, mediante uma fé límpida, profunda, alimentada cotidianamente pela Eucaristia e manifestada na simplicidade e no sacrifício da vida cotidiana.
334                              5. Surge imediatamente outro precioso valor ao qual já alu‑
dimos: suscitar entre os jovens uma autêntica "espiritualidade".
Espiritualidade significa participação viva no poder do Espírito Santo, recebido no Sacramento do Batismo e levado à plenitude no Sacramento da Confirmação. Os jovens devem ter consciência da vida nova que lhes foi dada nestes Sacramentos, e saber que dela procede aquela força de síntese pessoal entre fé e vida, possível a quem cultiva em si o dom do Espírito.
Quão necessário é hoje na Igreja educar os jovens na amizade com Cristo e com Maria, no entusiasmo pela vida, numa generosidade de compromisso, no serviço dos outros, ou seja, numa "espiritualidade" concreta que os faça tornarem-se protagonistas da evangelização e artífices do renovamento social.
335 6, Caros Salesianos de Dom Bosco, olhai sempre para o vosso Santo Fundador e para a genialidade evangélica do seu método pedagógico, e lançareis de novo entre os jovens a sua preciosa herança! A sua mensagem educativa "requer ser ainda aprofundada, adaptada, renovada com inteligência e coragem, precisamente em razão dos mudados contextos sócio-culturais, eclesiais e pastorais" (JP 13).
Invoco sobre todos vós a contínua proteção de Maria Auxiliadora, Mãe da Igreja; seja Ela para vós, como o foi para São João Bosco, a Mestra e a Guia, a Estrela da nova evangelização.
A vós, aos vossos irmãos e a todos os membros da grande Família Salesiana concedo de coração a Bênção Apostólica.
Invoquemos juntos Maria Auxiliadora, Inspiradora e Mãe da nossa vocação, pedindo-Lhe que nos faça sentirmo-nos cada vez mais irmãos e irmãs, herdeiros de uma riqueza de graça e de espiritualidade para a salvação da juventude, sobretudo a mais pobre e necessitada.
Podereis contar com a nossa oração e com a nossa afetuosa lembrança. Assista-vos ainda com predileção o beato Pe. Filipe Rinaldi, especialmente para o bom êxito do vosso Capítulo Geral.
São João Bosco e Santa Maria Mazzarello guiem do céu o vosso trabalho e intercedam por toda a nossa Família.
Os salesianos membros do CG 23
Roma, 5 de maio de 1990

ANEXO 6
Saudação às FMA Capitulares
no Capítulo Geral XIX do Instituto
Rev.ma Madre Marinella CASTAGNO e às Revidas FMA Capitulares
no Capítulo Geral XIX do Instituto
336 Ao término do nosso CG XXIII desejamos, como capitulares, dirigir-vos, queridas Filhas de Maria Auxiliadora, que estais para iniciar o mesmo trabalho capitular a serviço do Instituto e da Igreja, nossa fraterna saudação.
Durante os dois meses da nossa reflexão, em que nos confrontamos com a educação dos jovens na fé, constatando a vastidão dos desafios que interpelam a juventude e que esperam respostas da iniciativa e da capacidade de todos nós educadores e educadoras formados na escola de Dom Bosco, muitas vezes percebemos a necessidade de crescer na unidade da Família, a serviço da missão comum. Esta necessidade foi também sublinhada pela senhora, Rev.ma Madre Marinella, que em duas ocasiões durante o nosso CG, nos dirigiu um fraterno convite à fidelidade ao patrimônio carismático do Fundador, que somos chamados a conservar, aumentar e transmitir juntos.
Também a recente glorificação do Pe. Filipe Rinaldi, verdadeiro dom da bondade do Pai, foi por nós percebida e vivida como um novo sinal e um estímulo à comunhão e à colaboração recíproca para relançar a espiritualidade salesiana.
Estamos conscientes de viver um tempo de Espírito Santo. No limiar do terceiro milênio, diante dos insistentes apelos da juventude e dos pobres e dos desafios da "nova evangelização", a nossa vocação de "missionários e missionárias" da juventude é chamada a se renovar, iluminar e espalhar com dinamismo e
criatividade.                   •
Gostaríamos poder comunicar e partilhar convosco o entusiasmo que Deus depositou em nossos corações nestes dias de graça. Desejamos que também vós possais viver uma experiência de luz e de força no Cristo Ressuscitado e com a presença entre vós da energia transformadora do Espírito Santo, que move todas as coisas.
ANEXO 7
O CG23 aos Cooperadores e Cooperadoras Salesianos
337                                   1. Dom Bosco fala aos Cooperadores e às Cooperadoras:
"Agora, portanto, eis qual deve ser mais diretamente a finalidade dos Cooperadores Salesianos: eis em que coisas devem ocupar-se. .. ( ) Quereis fazer uma coisa boa? Educai a juventude. Quereis fazer uma coisa santíssima? Educai a juventude. Quereis fazer coisa divina? Educai a juventude. Aliás, entre as coisas divinas esta é diviníssima." (Turim, 16 de maio de 1878) (MB 13, 629).

  1. O CG23 dos SDB, depois de ter longamente repensado o tema da educação dos jovens na fé, ao findar, convida todos vós, Cooperadores e Cooperadoras, a responder animadamente, com

generosidade e entusiasmo, à voz insistente de Dom Bosco, que hoje, às vésperas do Terceiro Milênio, vos exorta ao compromisso apostólico. De maneira especial sentem este apelo os mais jovens entre vós e acolhem-no com alegria para serem missionários entre seus coetâneos.
Através deste Capítulo Geral, é sempre Dom Bosco que encoraja todos a se associarem ao seu trabalho de educação, e sobretudo de educação na/da fé dos jovens, tornando-se para eles Evangelho vivo (cf RVA 13).

  1. O Evangelho é indispensável, como o é a água, o fogo, o amor ... Sem Evangelho, a sociedade se desumaniza. A documentada prova histórica desta verdade está debaixo dos olhos de todos. Urge, pois, fazer crescer os valores evangélicos nos jovens que são o futuro da sociedade e da Igreja. É preciso preparar "honestos cidadãos e bons cristãos" para o Terceiro Milênio que se aproxima. Urge assegurar a presença transformadora da fé cristã nos ambientes, nos mecanismos humano-históricos, nos setores estratégicos dos sistemas, nas estruturas sócio-econômicas e sócio-culturais, evangelizando os sinais dos tempos: é esta a "nova evangelização" à qual nos convida o Papa João Paulo II.
  2. A fé não vive sem encarnar-se nas atividades e nas culturas que fazem crescer o homem, não vive sem servir a humanidade, alicerçando a sua esperança e acendendo o seu amor. É preciso, portanto "refazer em toda a parte o tecido cristão da sociedade humana" (CL 34). Esta "encarnação" é a vossa específica voca‑

ção secular: pela força de vossa participação na índole profética de Cristo, estais plenamente envolvidos nesta tarefa da Igreja (Cf. CL 34). Bem o expressa o capítulo segundo do Regulamento de Vida Apostólica, propondo um variado leque de atividades para o vosso trabalho na Igreja e no mundo.
338 5. E como Dom Bosco quis enxertar a vossa "secularidade" na vocação "religiosa" dos SDB e FMA, não estais sozinhos nesta imensa tarefa: estamos em comunhão, somos Família Salesiana, mobilizada apostolicamente, no Espírito Santo e na Igreja, para oferecer sementes de Céu aos sulcos da nossa Terra.
Tomamos consciência d.e que nós Salesianos temos ainda muito caminho a .percorrer para chegar a um efetivo exercício da nossa tarefa e da nossa responsabilidade de animação, e para contribuir à formação e ao desenvolvimento da vossa missão laical. Mais do que em nível de eficiência organizativa, a vossa presença deve ser considerada na linha dessa complementaridade apostólica: vós Coopradores concorreis com a especificidade do vosso ministério para realizar a única missão salesiana; sois parte de nós mesmos.
6 Por isso, consenti que este Capítulo, confortado pelo Magistério do Papa sobre os leigos (cf Exortação Apostólica "Christifideles laici") e convencido da identidade salesiana (cf Constituições SDB e Carta do Reitor-Mor sobre os Cooperadores), na fidelidade ao Fundador comum, faça um apelo de crescimento nessa direção a todos os irmãos SDB: é este um dos compromissos essenciais para o próximo sexênio.
7. É ainda Dom Bosco que nos envia lado a lado, como irmãos na unidade de sua Família espiritual, "prontos a dedicar não apenas promessas, mas fatos, solicitudes, dificuldades e sacrifícios" (MB 13, 262) aos jovens, especialmente "aos mais pobres, abandonados, em perigo" e, com a índole genial de seu carisma, contribuir construtivamente, de várias maneiras, para o compromisso apostólico da Igreja e comunicando aos jovens e a todos os que encontrarmos no nosso caminho o Amor imenso do Pai Celeste.
Olhemos ao novo beato Pe. Filipe Rinaldi que "nos ensina a enfrentar com autenticidade salesiana as experiências próprias do evoluir dos tempos" (Egídio Viganó, em ACG 332, p. 62).
Maria Auxiliadora, Mãe da Igreja e Estrela da nova evangelização, faça crescer a nossa "interioridade apostólica" e esteja sempre conosco nesta maravilhosa e urgente missão.
Os Capitulares do CG23
Roma, 5 de maio de 1990.
ANEXO 8
O CG23 aos Ex-alunos
e Ex-alunas de Dom Dose()
339                           1. Chegue até vós, queridos Ex-alunos e Ex-alunas, a nossa
saudação e o nosso muito obrigado pela mensagem que nos transmitistes.
Durante os dois meses da nossa reflexão capitular, nós, membros do Capítulo Geral 23, vindos de todos os continentes, percebemos vivamente que somos chamados, seguindo Dom Bosco, a dar uma resposta aos grandes desafios que surgem do mundo dos jovens e dos múltiplos contextos sócio-culturais em que eles vivem. A vastidão e a urgência deste empreendimento envolvem toda a Família Salesiana.
Por isso, dirigimos um apelo também a vós, Ex-alunos e Ex-alunas salesianos(as): vemo-vos ativos nas nossas obras e em todas as camadas da sociedade, como colaboradores qualificados e comprometidos em viver com Dom Bosco a missão, atraente e difícil, da educação da juventude.
Renovamos a nossa confiança em vós e vos transmitimos algumas diretrizes de ação para uma comum experiência educativa.
340 2. Antes de tudo, estamos conscientes de que a tarefa de educar requer um esforço profundo: redescobrir a "paixão" pelos
jovens. Isto nos compromete a todos em várias situações.
Os jovens são a esperança de um novo futuro, e trazem consigo, inseridas em suas esperanças, sementes de bem e sementes do Reino. Com eles é possível edificar uma comunidade humana mais autêntica.
Esta convicção nos leva a olhar cada vez mais para os jovens com os olhos de Dom Bosco, a amá-los como ele os amava, a estar perto deles, como indicavam os próprios ex-alunos do Oratório no sonho-carta de Roma (1884).
Sabemos que Deus educa o seu povo com uma pedagogia que sabe adaptar-se às múltiplas circunstâncias e seguindo os passos dos povos. Por isso, trabalhamos com entusiasmo com todos os jovens de qualquer condição social, cultural e religiosa, para ajudá-los a construir a vida, na solidariedade, no compromisso e na alegria.
Estamos, porém, também convencidos — e os dias do nosso Capítulo sublinharam particularmente isso — de que se alcança a plenitude deste caminho de educação quando os jovens podem realizar a síntese contida no binômio tão caro a Dom Bosco: "honestos cidadãos e bons cristãos".
O Estatuto renovado da vossa Confederação, que recebemos durante o Capítulo, manifesta este vosso compromisso.
341 3. Vós, Ex-alunos e Ex-alunas de Dom Bosco, em razão da educação recebida, sois chamados a ser na sociedade testemunhas e portadores de uma missão juvenil.
Os que, entre vós, têm o dom da fé cristã participam também da atividade educadora da Igreja: em razão da comum dignidade batismal, de fato, cada fiel é co-responsável por este compromisso.
A presença operante da vossa Federação poderá estender-se a uma multiplicidade de formas e de atividades e desenvolver-se seja em estruturas eclesiais ou em ambientes civis e sociais, onde muitas vezes falta a atenção aos problemas juvenis, seja em obras próprias da nossa Família.
De maneira particular nas instituições salesianas, percebemos a importância de realizar uma autêntica comunidade educativa. Isto é, uma comunidade que envolve os jovens, os pais, os salesianos e todos os colaboradores, juntamente convosco ex-alunos(as). Uma comunidade "educativa" que é experiência de "comunicação e de co-responsabilidade", antes de ser um instrumento organizativo e de eficiência.
Isto exigirá, certamente, o estabelecimento de uma estratégia de envolvimento de todos, de acordo com as diferentes competências, em clima de co-responsabilidade.
De vós, em particular, esperamos a contribuição de vossa experiência de leigos comprometidos com o espírito e a magnanimidade de Dom Bosco, intensificando a mudança de mentalidade exigida pelos novos tempos.
342 4. A sociedade, com suas contínuas e profundas mudanças, nos desafia: é urgente redescobrir a viver com "profissionalidade cultural, pedagógica e espiritual" os compromissos que a responsabilidade na Família de Dom BPSCO exige. Somos, portanto, chamados, com sentido de seriedade e concretude, a realizar um caminho de atualização e de crescimento sistemático no campo educativo.
Nós Salesianos estamos conscientes do compromisso que a Congregação nos confia acompanhando-vos e ajudando-vos neste caminho de formação humana, espiritual e salesiana.
Devemos todos melhorar: os jovens querem-nos pessoas
maduras e competentes na especificidade do nosso serviço.
343 5 , Queridos Ex-alunos e Ex-alunas, o momento histórico que vivemos é momento de graça. Celebramos a memória de Dom Bosco no centenário da sua morte e hoje, durante o nosso Capítulo, participamos da beatificação do Pe. Filipe Rinaldi, herdeiro da paternidade e da sabedoria pedagógica do Fundador, primeiro organizador dos Ex-alunos e das Exalunas. São sinais proféticos, que nos infundem coragem e esperança.
A maternal solicitude de Maria Auxiliadora e a intercessão dos Santos da nossa Família nos obtenham o dom de amar os jovens e de sabê-los educar, caminhando juntos, até fazê-los encontrar Aquele que é a plenitude da vida.
Cordialmente e com esperança,
Os capitulares do CG23
Roma, 5 de maio de 1990
ANEXO 9
Discurso do Reitor-Mor no encerramento do CG23
Queridos irmãos capitulares:
344 O primeiro sentimento que brota do coração ao se encerrarem nossos trabalhos é o de um sincero agradecimento a Deus, que sempre nos acompanhou nestes meses de busca e convivência fraterna. Foi uma experiência de fecunda e operosa comunhão, que deve ser comunicada aos irmãos e fazer frutificar nas casas.
Nossa gratidão deve ser recíproca. Manifestamo-la de modo especial ao sacrificado e hábil Regulador, Pe. Francisco Maraccani, aos membros da Intercomissão, sobretudo ao seu presidente,

  1. Pe. Juan Edmundo Vecchi, e ao seu relator, o Pe. Antônio Martinelli, aos irmãos da Casa Geral, que nos acompanharam com seu serviço e bondade, e, de modo particular, às beneméritas Irmãs e jovens que muito rezaram por nós, nos alimentaram e atenderam, de maneiras diversas, com generosa e eficiente gentileza. A Eucaristia do encerramento será, de fato, para todos nós uma ação de graças muito sentida e partilhada em alegre fraternidade.

Permitam-me agora algumas reflexões sobre o nosso CG23, para sublinhar a força potencial que oferece à Congregação para

  1. próximo sexênio.

A mensagem do CG23
345 Alguém comparou nosso documento capitular à famosa carta que Dom Bosco escreveu em 1884: uma mensagem de Roma para a volta às origens da modalidade salesiana de educar os jovens na fé. Respirou-se na assembléia a consciência da hora acelerada que vivem os povos neste final do segundo milênio da fé cristã. Compreendeu-se com maior profundidade que o verdadeiro carisma fundamental dado à Igreja na segunda metade deste século foi o Concílio Ecumênico Vaticano II, que nos mergulhou no mistério de Cristo e da Igreja, como também no mistério do homem e da história. Como afirmou Paulo VI, os Pastores "voltaram-se", não "se desviaram", para o homem.
Assim, por obra do Espírito Santo, iniciou-se na Igreja uma era de "nova evangelização". Sobrevieram notáveis novidades humanas. Mas cada uma das novidades do devir deve ser enfrentada com a novidade suprema: a Páscoa de Cristo. Nasce, então, para os discípulos do Senhor, a grande tarefa de repensar, criar, recomeçar.
Diria que, neste repensamento criativo, nos é confiada, a nós, Salesianos de Dom Bosco, a responsabilidade da "refundação do Oratório"! Sabemos, com efeito, em conformidade com quanto nos sugerem as Constituições, que "ao realizarmos hoje nossa missão, a experiência de Valdocco continua critério permanente de discernimento e renovação de cada atividade e obra" (C 40).
Deveremos conceber a nova evangelização dos jovens com o "critério oratoriano" do Fundador.
A explosão das culturas
346 Lancemos um olhar, ainda que rápido, ao que acontece na sociedade. O homem, e, pois, a sua cultura, encontra-se de fato, depois de Cristo, em "situação escatológica"; quanto mais se caminha para a frente, tanto mais o sentido do futuro absoluto se reflete sobre o futuro histórico. Somente Cristo Ressuscitado revela ao homem o que ele verdadeiramente é e para onde está orientado. Prescindir de seu Evangelho acarreta carências, desvios e mutilações nas culturas; a mais evidente e nociva é a perda do sentido do pecado, camuflada por racionalizações pseudo-científicas. O ocaso de certas ideologias, a que estamos assistindo, torna-se para todos impressionante advertência e forte convite a preencher o vazio que elas deixaram, proclamando os grandes ideais evangélicos do homem integral.
Um perigo para a cultura emergente costuma originar-se do progresso científico-técnico, cheio de dinamismo e de promessas positivas, mas que fáz acreditar facilmente aos que não crêem ser ele o único motor da história, favorecendo assim urna mentalidade "pós-religiosa". A ciência e a técnica são, de certo, bens magníficos, mas não explicam o sentido da existência e não falam das grandes finalidades do homem. São um progresso da civilização, mas não possuem as verdades transcendentes. Levam facilmente a concepções "materialistas", em última análise.
Urge batizar esse providencial dinamismo com uma nova evangelização, que ajude a fazer surgir na sociedade urna cultura intrinsecamente "pós-materialista".
Hoje é preciso saber evangelizar a partir das raízes; colaborar para que se inicie um novo humanismo; ser, como crentes, agentes de cultura, artífices de uma convivência humana mais adequada à dignidade das pessoas.
A contribuição cristã específica
347                      Que contribuição específica dá à cultura o crente com sua fé
cristã? Eis a pergunta-chave. Os jovens aguardam a resposta, não tanto em expressões verbais ou arrazoados, mas o testemunho de vida e na práxis operacional.
A resposta é: o crente traz para a cultura os valores do mistério de Cristo; para quem vive de fé, como para São Paulo, "a vida é Cristo" (Fl 1,21); ele sabe que no Cristo somos "nova criatura" (2Cor 5,17) e que no projeto do Criador está o plano de "reunir em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra" (Ef 1,10). Ou seja, sabe que na história do homem Cristo é o vértice absoluto, o alfa e o ômega; e que a vitória que vence o mundo é a fé.
Cristo não é o fundador de uma religião entre outras; não é o iniciador de um movimento religioso que, provindo do homem, sobe para Deus. Ele desce de Deus para o meio dos homens e faz história com os eventos da sua existência humana, mostrando, dessa maneira, por que é o segundo Adão, a Cabeça do Corpo, o Senhor.
Em referência a Ele, mais que de "religião", fala-se de "fé"; assim o Cristianismo não é simplesmente a forma mais sublime da religião humana, mas o dado de fato mais inefável da encarnação de Deus. Por isso, a fé cristã é história: história da salvação inserida inseparavelmente na história humana. A "fé", portanto, é mais do que religião; é contato solidário, é aliança, é atitude vital, que eleva e purifica as mesmas expressões da religiosidade humana que necessariamente a acompanham e exteriorizam. A fé cristã é por si mesma uma energia do devir, como

  1. é a encarnação do Verbo, que dá início ao "homem novo"; ela cresce entre os povos, ao longo dos séculos, para transformar a sociedade e preparar a construção do Reino; vivida com autenticidade, é exatamente o contrário da "religião-ópio do povo". A objetividade da fé cristã nos leva a formular um princípio que nos interessa muitíssimo como educadores da fé, e é que o mistério de Cristo se torna a medida e a luz de uma verdadeira e integral "antropologia". E como a antropologia é o substrato de toda cultura, a fé — por obra da evangelização — presta à cultura
  2. mais alto serviço.

Eis por que deve estar bem presente na nova evangelização a capacidade profética de proclamar e testemunhar o mistério de Cristo, a luz do seu Evangelho e seus eventos históricos para a salvação humana. Aí está o centro e o vértice da educação da fé.
A originalidade da evangelização da juventude
348 A formação dos jovens na fé é parte vital da nova evangelização. Apresenta aspectos particulares e exige uma "nova educação".
Dom Bosco, suscitado pelo Espírito para essa tarefa, legou à sua Família um caminho original, que lhe mereceu na Igreja

  1. título de "Pai e Mestre da juventude". Sua práxis de ação une indissoluvelmente a evangelização e a educação. Não é uma coisa simples, lembrou-nos o Papa, implica riscos. Encontram-se na sua realização muitos elementos distintos entre si, classificáveis em dois poios em tensão, que é importante saber harmonizar.

Vamos elaborar como exemplo um breve elenco:
um polo, educar ( = ação cultural) e, o outro, educar na fé ( = ação eclesial);
um polo, ter profissionalidade pedagógica e, o outro, possuir competência pastoral;
um polo, empenhar-se em promoção humana e, o outro, cultivar

  1. crescimento cristão;

um polo, estar com os jovens e, o outro, viver em união com Deus;
um polo, inculturar-se constantemente e, o outro, evangelizar corajosamente a cultura;
um polo, apreciar os valores da laicidade e, o outro, reunir tudo em Cristo;
um polo, privilegiar no Oratório "casa", "escola", "pátio", e, o
outro, ter a arte sintética de ser "paróquia"; etc.
349                  A síntese viva entre esses dois poios tornou-se possível graças
a uma força vinda do alto, que — como ainda nos lembrou o Papa — se chama "graça de unidade". Vive-se com uma espiritualidade — ou seja, com uma participação no amor vivo e presente do Espírito Santo — que chamamos "caridade pastoral" e que junta, de maneira inseparável, união com Deus e estar com os jovens. É um aspecto da continuação do mistério da encarnação. Se no Natal nasceu o homem que introduziu um dinamismo novo na vida, na Páscoa se manifestou em plenitude a sua novidade de conteúdos. Apareceu o "novíssimo absoluto" da história,
introduzindo na cultura uma misteriosa "situação escatológica". No Natal, o Verbo inseriu-se na cultura humana, mas na Páscoa lançou, com o dom de si na cruz, a evangelização dessa cultura. Entre inculturação do Evangelho e evangelização da cultura há clara distinção e mútua correlação que, no Cristo, une dois aspectos de per si dessemelhantes: pertencer à cultura e corrigir a cultura.
A caridade pastoral segue este mesmo caminho, com o fervor de uma espiritualidade vivida com consciência cada vez mais clara.°
No início do capítulo, havíamo-nos feito uma pergunta: de que fé se trata? Pois bem, agora podemos dizer que se trata de
uma fé que é energia histórica, traduzida para nós numa espiritualidade concreta; ela torna possível uma síntese existencial entre os valores da cultura e os do Evangelho: ela faz do salesiano um educador; faz amadurecer e crescer o jovem como honesto cidadão. Graças a ela, o salesiano se torna educador competente porque é verdadeiro pastor; e o jovem se torna honesto cidadão porque é bom cristão. Esse duplo porquê não é redutivo, mas causativo; sublinha a força própria da nossa espiritualidade salesiana, como expressão dinâmica e cotidiana da graça de unidade.
A fisionomia oratoriana da práxis de Dom Bosco
359 Falei de refundação do Oratório de Dom Bosco! Para nós, a nova evangelização passa e cresce pelo critério oratoriano. Não me detenho em explicar seus aspectos complementares e as múltiplas riquezas que o tornam particularmente precioso. Faço notar que tal critério é intrínseca e indissoluvelmente ligado ao Sistema Preventivo. No discurso de abertura do Capítulo, falei desse Sistema como "fruto e fonte de espiritualidade salesiana", sublinhando a ótica do art. 20 das Constituições: ele é "modo de viver e trabalhar para comunicar o Evangelho e salvar os jovens, com eles e por meio deles. Impregna o nosso relacionamento com Deus, as relações pessoais e a vida de comunidade, no exercício de uma caridade que sabe fazer-se amar". O artigo 20, junto com o art. 40 sobre o Oratório, oferece-nos as diretrizes de fundo para a nossa atividade de "nova educação". A espiritualidade do ardor pastoral assume a práxis de pedagogia da bondade, para fazer do salesiano um operário eficaz da nova evangelização.
Dizia, na inauguração dos nossos trabalhos, que o qualificativo de "ordinário" dado a este Capítulo não devia ser considerado como algo setorial, porque o tema assumido projetava as
metas atingidas nos Capítulos anteriores (sobre a nossa identidade eclesial) no terreno prático da ação educativa: devia servir para traduzir cada vez mais os princípios em práxis! A identidade e fidelidade a Dom Bosco foi concentrada pelo CG23 na educação dos jovens na fé. Devemos formar no mundo um modo de estar com os jovens que seja como um grande Oratório, para além das, também necessárias, estruturas; ele manifestará concretamente a verdade e a genialidade do coração de Dom Bosco, a sua amizade e presença educativa entre os jovens, a sua preocupação central, a salvação.
Talvez tenhamos ficado por anos um tanto fechados estaticamente em obras na verdade válidas; o critério oratoriano não rompe as estruturas, mas vai mais além. Exige imaginação e dinamismo estimulados sempre pelo elã pastoral do "anseio pelas almas", segundo a expressão criada pelo Pe. Rinaldi.
O documento capitular destaca vários aspectos desta mobilização oratoriana, tanto no caminho a ser percorrido como na energia com que correr. Lembramos as quatro áreas com seus amplos espaços; lembramos a espiritualidade salesiana, com sua radicação na corrente fascinante do grande S. Francisco de Sales e com a peculiar aplicação juvenil e popular que dela fez Dom Bosco.
Parece-me que o CG23 nos fornece, no documento, um rico panorama de orientações e sugestões que se devem acatar e incrementar; sua prática restituirá às Inspetorias o dinamismo indispensável para quem envereda por um caminho de fé que quer acompanhar o passo da atual aceleração da história. É como se nos convidasse a refundar, tendo em vista o terceiro milênio,

  1. carisma do Oratório.

Um vibrante apelo à comunidade inspetorial e local
351 É evidente que o relançamento do critério oratoriano tem um sujeito diretamente responsável por seu êxito. Se ele não responder ao insistente apelo, o belo documento capitular não passará de papel de biblioteca. O sujeito é, precisamente, a comunidade inspetorial e local.
As Orientações operacionais do Capítulo são explícitas e exigentes. Não fazem mais do que prolongar os propósitos da renovação solene da Profissão salesiana, feita por todas as comunidades em maio de 1988. Nosso documento capitular aponta com autoridade o verdadeiro caminho que se deve percorrer.
O Reitor-Mor com o seu Conselho, os Inspetores e os Diretores são chamados a renovar todo um tipo de animação. A comunidade não é chamada a girar sobre si mesma, preocupada tão-somente com a observância religiosa. Devia sentir-se objetivamente estimulada pelas exigências do contexto juvenil. A natureza da nossa consagração é apostólica e, por isso, intrinsecamente alimentada pelo clamor dos destinatários. A educação da fé, os próprios jovens, com suas ânsias e carências, exigem que a comunidade esteja impregnada do espírito de Dom Bosco. A caridade pastoral fá-la-á programar o caminho de fé, visando sempre, como condição intrínseca de êxito, ao fervor da espiritualidade. Urge, pois, que a comunidade harmonize vitalmente metodologia

  • espiritualidade, que são como o corpo e, a alma da ação pedagógico-pastoral.

352          Falou-se, por diversas vezes, no Capítulo de "formação perma‑
nente", não só como curso intermitente para alguns — coisa certamente válida —, mas como atitude constante, amadurecida por iniciativas inspetoriais e locais que ajudem a traduzir em prática, nas casas e cotidianamente, as diretrizes capitulares.
Apraz-me assinalar, a respeito, que em cada Inspetoria deverá ser planificado oportunamente um conjunto de iniciativas para conhecer e assimilar o CG23, e assim formular propósitos adequados à condição juvenil do próprio ambiente.
Não é preciso que eu repita aqui o que o Capítulo autorizadamente afirmou. Quereria apenas exorcizar a tentação de desânimo: tudo bonito o que o documento propõe, mas com que irmãos podemos cumpri-lo, por ex., nesta casa? É preciso enfrentar logo duas dificuldades concretas.
É necessário reagir, a começar por si próprios. Convencer-se de que em cada casa existem muito mais possibilidades do que às vezes se pensa; e, sobretudo, é mister aumentar a confiança na verdadeira e ativa presença do Espírito, na energia da ressurreição dada por Cristo nos sacramentos, na ajuda materna e constante de Maria, na intercessão de Dom Bosco, dos nossos Santos

  • de toda a Igreja celeste. Há realmente necessidade de renovar
  • ardor da fé.Ela vence o mundo e faz milagres. É urgente recuperar em nossa casa uma genuína interioridade.

353                    Quereria acrescentar, em relação à comunidade inspetorial, a
utilidade e a co-responsabilidade de novas propostas interinspetoriais. Um dos aspectos interessantes que observamos durante a convivência capitular é a consciência de maior abertura dos res‑
ponsáveis aos dinamismos do devir e às muitas e grandes problemáticas que superam os confins das Inspetorias e das próprias Igrejas locais. Essa tendencialidade a uma intercomunhão mais ampla é certamente um sinal dos tempos, percebidos com rapidez e simpatia sobretudo pelos jovens.
Vimos, p. ex., os capitulares da Europa preocuparem-se com a já famosa "casa comum", ou também com as propostas da Alpeadria; vimos os que trabalham na Africa interessarem-se por maior intercomunhão de presença no continente; vimos crescer a fraternidade e as possibilidades de colaboração entre as Inspetorias de uma mesma Região ou de um mesmo País.
uma tendência de fato, que abre novas perspectivas para a pastoral juvenil e convida a aumentar a própria estatura e dirigir o olhar a horizontes mais amplos, que influem de maneira concreta e muito sobre a educação dos jovens na fé.
Este crescimento interinspetorial já existia, p. ex., no setor da formação (e é bom promovê-lo ainda mais); mas o característico
 aqui é o fato de sermos convidados a fazê-lo no campo da pastoral juvenil,
Será preciso saber cultivá-lo com inteligência e com programações adequadas, que envolvam também outros Grupos da nossa Família. Isso faz circular ar fresco e despertará novo estímulo para avançar. O êxito dependerá da adesão por parte de todos às orientações que formulamos durante o capítulo.
Mas o elemento que por certo haverá de levar os grupos juvenis a sintonizarem mutuamente, constituindo como a aurora de uma esperança inédita e envolvente, será a comunhão de todos naquele tipo de "espiritualidade" justamente chamada "salesiana" e que fará sentir vitalmente os vínculos de uma espécie de parentesco personalizador.
O envolvimento laical
354 Um ponto que merece destaque é o do envolvimento dos leigos visando à educação dos jovens na fé. Cada comunidade deve poder animar um número crescente de leigos, tanto da nossa Família (Cooperadores, Ex-alunos) como de colaboradores das nossas obras. É uma exigência da eclesiologia conciliar sobre a qual insistiram recentemente o Papa e o Episcopado. O envolvimento supõe-não só uma mentalidade eclesial mais atualizada nos irmãos — meta que se deve urgentemente atingir —, mas também a convicção da originalidade do espírito salesiano, vivido
como um bem a ser partilhado coin contagiante comunicabilidade. Isso exige também mudança de mentalidade e conversão do coração. Será possível, porém, nas atuais comunidades? É- uma pergunta inquietante, que nos faz pensar na indispensabilidade de cuidadosas iniciativas.
Parece-me importante observar que a formação do Laicato é, na Igreja, uma prioridade pastoral de máxima urgência. Ela ultrapassa o empenho por parte dos leigos como se fossem os únicos interessados; envolve, ao invés, também o clero, os religiosos e as religiosas.
Sabemos que no setor dos religiosos e das religiosas (também na nossa casa) há carência de sensibilidade conciliar a respeito. Devemos abrir-nos mais a esta área de empenho formativo: far-nos-á amadurecer na nossa própria vocação. Lembremos que o conceito de "formação" sofreu, nestes decênios, notável deslocamento de significado em virtude das aceleradas mudanças culturais. Agora a formação se mede pela capacidade de adequação permanente ou contínua; pela formação permanente é que se julga e programa a inicial. Quer dizer que hoje o verdadeiro conceito de formação implica flexibilidade existencial, preocupação diária, empenho que dura, a vida inteira.
Se, para realizar esta tarefa, olharmos para a estrutura da Exortação Apostólica "Christifideles laici", veremos que o crescimento cristão deles deve atingir quatro grandes objetivos: a identidade batismal (cap. 1.°), a comunhão eclesial (cap. 2.°), as novas fronteiras da evangelização (cap. 3.°) e a complementaridade das diferentes vocações (cap. 4.°).
O ponto que especificamente nos interessa, tendo em vista justamente a nova educação dos jovens, é o do capítulo 3.° sobre as novas fronteiras da evangelização (sobretudo os números 36 a 44).
Hoje, emprega-se facilmente a expressão "nova evangelização", mas nem sempre, talvez, com uma visão concreta de suas exigências, que são várias e de diversos setores. Nos números que apontamos, são indicadas com precisão as principais fronteiras da laicidade, que apresentam novidades e exigências: a dignidade da pessoa, o direito inviolável à vida, a liberdade religiosa, a família célula da sociedade, o amor de solidariedade nos vários níveis, a responsabilidade política, a dimensão econômico-social e, por fim, como síntese global, a cultura e as culturas dos povos.
São fronteiras em que aflora amplamente uma programação atualizada da educação dos jovens na fé.
A dimensão social da caridade
355 Ponto claramente vinculado com a nova evangelização é o da dimensão social da caridade. O documento capitular fê-lo objeto de consideração ao tratar de três dos principais pontos-chave da educação da fé. Parece-me importante sublinhar cuidadosamente, a propósito, dos aspectos.

  • primeiro é o de insistir em ter verdadeira competência na Doutrina Social da Igreja. Para tanto se exige uma dedicação atenta com mudanças de mentalidade em não poucos irmãos. É urgente possuir uma idéia clara dessa Doutrina, sem se deixar dominar por complexos de moda que surgiram em certos ambientes e que, em alguns lugares, ainda circulam, como se se tratasse de uma espécie de mediação ideológica, unilateral e puramente conceitual. A encíclica "Sollicitudo rei socialis", no n. 41, especifica sua identidade: ela não é nem "terceira via" nem "ideologia", mas uma interpretação da realidade na ótica do Evangelho. Pertence, diz a encíclica, ao campo "da teologia, especialmente da teologia moral". Sua difusão e ensino "fazem parte da missão evangelizadora da Igreja". Ela trata propriamente do aspecto ético dos problemas, embora levando em consideração os aspectos técnicos. É mediação da sabedoria evangélica com a qual a Igreja se apresenta ao mundo como "especialista em humanidade" e como mestra corajosa da verdade que liberta.
  • segundo aspecto é o da autenticidade salesiana nas iniciativas e nos empenhos que se devem assumir neste campo. Na Congregação deve-se certamente fazer mais e progredir. O art. 33 das Constituições no-lo pede, mas com um claro discernimento que garanta a identidade do nosso carisma. Neste campo é fácil ficar para trás ou ir muito além; lamentavelmente já o experimentamos aqui ou ali na Congregação: defeitos de aburguesamento parado no statu quo e exageros de sabor ideológico lançados de forma arbitrária. Seria uma espécie de traição aos jovens pobres desnaturar nossa vocação e missão específicas num sentido ou no outro.
  • apelo da juventude pobre e necessitada deve-nos por certo interpelar continuamente e levar, mesmo com sacrifício, a iniciativas corajosas. Nas Inspetorias é importante conservar, na atuação das nossas diversas presenças, o equilíbrio que nos caracteriza como amigos e educadores dos jovens do povo, lembrando quanto dizia o nosso Fundador: "para mim basta que sejam jovens para que eu os ame muito". Essa afirmação deve servir-nos sempre de medida. De qualquer maneira, a presença entre os jovens pobres e entre os aprendizes do mundo do trabalho nos estimulará continuamente a crescer como comunicadores especiais pan, eles da !doutrina social da Igreja.

O encorajamento apostólico do Santo Padre
356 Tivemos, como para encerrar o Capítulo, a entusiasmante visita do Sucessor de Pedro. Foi para nós um dom extraordinário. Podemos considerá-lo um evento histórico que deve ser lido segundo o significado de atualidade que tem o carisma de Dom Bosco na Igreja.
João Paulo II já havia falado ao Conselho Geral (no encerramento das celebrações centenárias, em 4 de fevereiro de 1989) sobre a importância do tema escolhido para o nosso Capítulo. Enviou-nos ainda uma estimulante Mensagem no início dos nossos trabalhos. Quis acrescentar, com generosa bondade, a iniciativa de vir-nos falar em nossa sede particular. Desejou fazê-lo na tarde de 29 de abril, domingo, após a solene beatificação do Pe. Filipe Rinaldi, mas não foi possível. Veio dia 1.° de maio, memória litúrgica de São José Operário, e não só nos falou sobre o tema capitular, mas permaneceu bondosamente entre nós, cumprimentou pessoalmente a todos, um por um, compartilhou nossa mesa e participou com simpatia de nosso estilo de alegria familiar. A Mensagem, o Discurso e também o Diálogo no refeitório guiarão o estudo e a assimilação das orientações capitulares.
Mas o nosso empenho da educação dos jovens na fé encontra também em outras importantes manifestações do Papa luzes especiais e diretrizes concretas para viver com atualidade e fidelidade a nossa vocação salesiana. Não podemos deixar de lembrar a preciosa carta "Juvenum patris", que será para nós o convite mais autorizado a realçar, na fidelidade a Dom Bosco e aos tempos, o critério oratoriano como práxis educativa do Sistema Preventivo. A meditação dessa Carta nos ajudará a aprofundar com clareza e segurança os aspectos mais empenhativos do caminho de fé.
A iniciativa que o Santo Padre tomou de conferir oficialmente a Dom Bosco, na Igreja, o título universal de "Juventutis pater et magister" deve também levar-nos, constantemente à contemplação do dom que o Espírito do Senhor quis fazer à juventude do mundo com a vida e a experiência oratoriana do nosso Fundador.
Não podíamos ter uma avaliação e um encorajamento mais autorizados sobre a necessidade urgente de nos empenharmos com todas as forças em viver com novo ardor apostólico a nossa vocação e em fazer-nos amar pelos jovens quais "sinais e portadores — para eles — do amor de Deus". A dedicação generosa à tarefa de os educar na fé será a demonstração prática da utilidade do carisma salesiano no Povo de Deus a caminho do terceiro milênio.
Em segundo lugar, confiamos a Ela o propósito de prosseguir no caminho da fé, intensificando o cultivo e o aprofundamento da espiritualidade salesiana. Pedimos a Ela que nos ajude a partilhar com os jovens o "patrimônio espiritual" próprio da órbita do humanismo cristão de S. Francisco de Sales e empregado magistralmente por Dom Bosco em favor da juventude popular. Maria mesmo guiou o nosso Fundador nesta experiência educativa e o ensinou a levar os jovens à santidade.
Tenho como um auspício profético o fato de encerrarmos os trabalhos capitulares justamente na festa de S. Domingos Sávio. É uma coincidência providencial, que nos mostra a meta a que queremos chegar: um modelo vivo de espiritualidade juve. nil e de associacionismo apostólico vivido por jovens!
Quando, em setembro de 1988, se realizou solenemente nos Becchi a beatificação de Laura Vicufía, o Santo Padre definiu aquele querido lugar salesiano como "Colina das bem-aventuranças juvenis", com o caloroso aplauso de dezenas de milhares de adolescentes e jovens que confirmavam a aceitação entusiasta. Da Colina dos Becchi espalhe-se pelo mundo a espiritualidade das bem-aventuranças juvenis!
Como resposta materna à nossa entrega confiante, esperamos da intercessão de Maria o dom da plenitude do Espírito Santo, que nos garanta um coração verdadeiramente oratoriano para sermos no mundo eficientes educadores dos jovens na fé.
Obrigado e até à vista!
A inesquecível visita fortalecerá nossa sincera e corajosa adesão ao ministério de Pedro, tal como no-la descrevem as Constituições (art. 13 e 125); é ela um dos grandes valores que Dom Bosco nos deixou em herança.
Nosso Fundador apresentou à Santa Sé, dia 23 de fevereiro de 1874, um "Resumo" sobre a vida e a identidade da "Pia sociedade de S. Francisco de Sales". Nele se expressa da seguinte maneira: "Desde o seu início, foi escopo fundamental da Congregação sustentar e defender constantemente a autoridade do Chefe supremo da Igreja na classe menos abastada da sociedade e particularmente da juventude periclitante" (Opere edite, Ris-tampa anastatica, vol. XXV, pág. (380): n. XV).
Nossa entrega confiante a Maria
357 Termino dirigindo um pensamento à SS. Virgem Maria, Auxiliadora e Mãe da Igreja, Estrela da evangelização, a maior Mestra da fé para todos os tempos: "Aquela que acreditou".
Nossa Congregação se confiou solenemente a Ela em 14 de janeiro de 1984, no início do CG22. Dizem-nos as Constituições que essa entrega nos ajuda a "nos tornarmos entre os jovens testemunhas do amor inexaurível do seu Filho" (art. 8). A Ela o CG23 entende confiar, de maneira especial, dois grandes valores que vimos crescer na experiência de trabalho nestes meses: a comunhão na identidade fraterna de todas as Inspetorias e o relançamento de uma verdadeira espiritualidade juvenil.
Antes do mais, a comunhão fraterna, numa sólida unidade de todas as Inspetorias entre si e em relação ao Reitor-Mor com o seu Conselho. "O Capítulo Geral — dizem-nos as Constituições — é o sinal principal da unidade na diversidade da Congregação. É o encontro fraterno no qual os salesianos fazem uma reflexão comunitária, para se manterem fiéis ao evangelho e ao carisma do Fundador, e sensíveis às necessidades dos tempos e lugares" (C 146). Nós confiamos à Auxiliadora o precioso estilo de família com o qual Dom Bosco nos ensinou a viver a unidade da Congregação; também o Papa o elogiou na sua agradabilíssima visita. Peçamos a Maria que reavive em nós não somente os sentimentos de genuína fraternidade, mas também o estilo alegre de expressá-lo para sermos portadores dele a todos os irmãos do mundo. Cada Capítulo Geral é chamado a ser sempre um evento que consolide a unidade familiar. Sejam portadores dela em todas as casas!
ANEXO 10
CARTA AOS JOVENS
A Assembléia capitular, ao termo da própria reflexão sobre caminho de fé, durante a qual olhou constantemente para os joven com a simpatia e o amor de Dom Bosco, pediu ao Reitor-Mor, Sucessor de Dom Bosco, que escrevesse aos jovens uma carta-mensagem, interpretando os sentimentos dos capitulares e de todos os Salesianos.
A carta, já enviada às Inspetorias, é publicada nestes Atos do Capítulo.
A vocês, jovens,
a você que lê esta carta!
358 Com alegria entro em contato com você, em nome de Dom Bosco, "pai, mestre e amigo".
Falo em nome de tantos Salesianos, espalhados pelos cinco
continentes, cuja pátria e companhia são vocês, os jovens.
O Senhor instilou no coração salesiano uma grande paixão: estar com os jovens e compreendê-los em toda a sua profundidade, partilhar fadigas e esperanças, sonhos e projetos. Dom Bosco é o modelo genial desse coração que pulsa pelos jovens. Ele transformou a predileção pela juventude em "missão", fazendo com que ela se tornasse a razão de ser de sua existência. Lançou o "método da bondade" que é o "manifesto" pelo qual o salesiano aposta seu empenho pelos jovens.
359 1. Você, meu caro, procura abrir-se cada dia às maravilhas da vida: explora o mundo que o circunda, mergulha na amizade, saboreia a alegria de viver e existir, constrói seu futuro feliz e empenha-se em coisas de valor. Sim, você quer "realizar em plenitude" o dom da vida.
Pois bem, é por isso que Dom Bosco se tornou seu amigo!
Mas essa sua generosa paixão tem como referência um Mestre de amor, muito maior, que dá sabor, sentido e energia à vida de todos. A amizade de Dom Bosco pelos jovens e também a nossa, tem suas raízes na fascinante personalidade de Jesus Cristo, o qual veio e vem com todo o poder de Deus para renovar todas as coisas, para encher o futuro humano de esperança, de justiça, de grandes ideais e valores, de verdadeira felicidade.
Nele se intui a grandeza do homem: é o Deus vizinho de nós, que se torna nosso companheiro de caminhada e fica sendo, de fato, Caminho, Verdade e Vida nova.
360 2. Hoje em dia, porém, a humanidade está passando por mudanças profundas. Também você, jovem, se interroga a si mesmo a respeito de numerosos e grandes problemas que conturbam você e a sociedade.
Estamos assistindo a coisas jamais imaginadas. Mitos com mais de dez anos estão desabando, ideologias ontem em moda acabaram por se esfacelar; mas ao mesmo tempo, apareceram no horizonte fenômenos preocupantes que, não obstante tudo o mais, suscitam uma grande fascinação. Muitos jovens são os primeiros a sacudir e fazer cair de seus ombros aqueles pesos que tolhem a liberdade, que impedem o florescer da vida; tentam novos caminhos para proclamar valores que devem se tornar mais vigorosos.
Mas, na emboscada, se encontram novos ídolos que despontam, miragens que vão surgindo e que têm lá sua atração: é necessário possuir uma consciência vigilante e um coração atento, a fim de que o efêmero, o prazer, a violência, o desejo de dominação, a indiferença ou o desânimo não acabem controlando a situação. Portanto torna-se necessária uma pesquisa empenhativa e um discernimento corajoso.
As reações dos jovens acabam sendo verdadeiros desafios para os educadores.
Perante tantas novidades, os Salesianos não pretendem fazer o papel de simples espectadores, ficando a olhar instalados em suas janelas. Tomaram uma iniciativa e ela se chama "CG 23", uma Assembléia Mundial que se desenvolveu em meio a intenso trabalho, por dois meses inteiros, março e abril de 1990. Reuniram-se provenientes de todos os continentes, para refletir, para debater, para projetar a respeito de um tema sentido e considerado como urgente: "educar os jovens na fé hoje". Daí resultou um evento, cujas projeções operativas pretendem envolver também você. Quereríamos que ele suscitasse em nós e em você um vigoroso impulso para renovar nossa mútua amizade e impelir-nos a caminhar juntos em direção aos ideais do projeto--homem.
Os contextos juvenis dos vários povos são, entretanto, muito diferentes. Perante tanta complexidade tornou-se evidente e importante compreender as culturas, relevar as interrogações juvenis e individualizar os desafios que emergem das principais situações. Temos notado que a fé no Cristo não é conhecida ou
não é valorizada em seu aspecto original de História da Salvação, ou seja, de evento central para todos. Até mesmo nos países de tradição cristã não se pode mais considerar como assunto resolvido.
Torna-se, então, para nós Salesianos, algo de relevante o perguntar-nos como podemos viver como gente que crê no Senhor, apaixonados pela causa de seu Reino, empenhados em fazer ressoar a sua "boa notícia" em meio aos jovens, como ser dignos de crédito hoje, qual caminho percorrer junto com você, para crescer na vida nova; que sentido de convivência adotar nas Comunidades Educativas — o Oratório, a Escola, o Grupo — "prontos sempre para dar uma resposta certa a qualquer um que nos pergunte a razão da esperança que está dentro de nós" (Cf. 1Pdr 3,15).
Como você pode ver não são questões de pouca importância. Nós nos questionamos com sinceridade e tentamos formular uma resposta traçando o caminho que quereríamos percorrer todos juntos e deixando bem clara a meta à qual devemos tender.
361 3 , Uma "primeira" evidência sobre a qual temos que refletir é o diagnóstico acerca da saúde e da capacidade que o jovem possui de enxergar a realidade: onde o jovem fixa o olhar, a sensibilidade, os desejos e as preocupações.
Hoje em dia, mais do que nunca, você percebe uma crescente consciência dos valores da pessoa de cada um. Você está convencido de que, sempre e por toda a parte, cada um deve ser considerado digno de viver: sujeito da própria existência, responsável pelo próprio destino. Portanto, um relacionamento educativo baseado sobre uma inexpressiva mediocridade, sobre a indiferença ou sobre a manipulação das pessoas seria contra a consciência da sua dignidade.
Jovens e adultos educamo-nos reciprocamente, contribuindo cada um com o dom daquilo que é. Não é uma fórmula de acordo com a moda; por isso, convidá-lo a "caminhar juntos" é, acima de tudo, uma exigência pedagógica, com profundas raízes.
Pelo fato de serem adultos que se dedicam à educação dos jovens, os Salesianos sentem, justamente por isso, como algo de urgente a necessidade de renovar unilá espécie de "pacto educativo" para progredirmos juntos na caminhada da fé.
Um pacto educativo empenha, mas obriga a crescer. Uma proposta de caminhar juntos exige atenção e simpatia para com os companheiros de viagem; pede interesse recíproco para sin
tonizar no mesmo comprimento de onda; disponibilidade para individualizar valores autênticos; vontade de partilhar as motivações que alimentam o sentido da vida.
Para realizar tudo isso os Salesianos precisam de você, jovem.
A você, compete apresentar uma contribuição insubstituível: o vigor da juventude, a vontade de viver, a alegria de esperar, a imaginação para pesquisar, a generosidade no agir, o entusiasmo de empenhos concretos e operativos.
As áreas de interesse são diversas, mas complementares; não há lugar para a monotonia, não há lugar para a uniformidade; estamos nos dirigindo para uma meta comum, a ser atingida com velocidades diferentes, mas com a clarividência de rota. Estamos olhando todos juntos para a meta final.
O "CG 23" entregou aos Salesianos um documento muito interessante, que mostra as diferentes possibilidades desse caminho, de acordo com as múltiplas situações do ponto de partida. Aproxime-se de qualquer um desses Salesianos. Faça com que ele conte as preciosas sugestões, as análises, as reflexões, as orientações do "CG 23".
É um dom atual, para caminhar em direção ao ano 2000 e para enriquecer de juventude a História que, por certo, continuará para a frente, aventurando-se com mais vigorosa esperança, no terceiro milênio da fé cristã.
362 4. Mas há um assunto fundamental que apresento à sua consideração.
A nossa fé está centralizada no âmago da história concreta dos homens: não é absolutamente aquela tal da religião-"ópio do povo", que foi desprezada e combatida por certas ideologias.
Na época dos antigos mitos politeístas a fé cristã era considerada quase como se fosse uma espécie de ateísmo: com efeito, jamais aceitou nem ídolos no Olimpo, nem ídolos na cidade. Mais, recentemente, no clima de ateísmo invasor, ela professou um realismo tão vigoroso a ponto de ultrapassar os estreitos horizontes do próprio materialismo, proclamando, nada mais nada menos: "a ressurreição da carne" e o advento de uma "nova Terra".
Essa nossa fé fixa seus olhares sobre o homem de Nazaré, Jesus Cristo, que se tornou "Senhor da História", em Jerusalém, na Páscoa da Nova Aliança. Ele nos revelou quem é Deus: AMOR!
O "Pai" que criou o mundo para nós e nos acompanha com infinita misericórdia; o "Filho" que se fez um de nós, tornando-se o ponto-ômega da humanidade, através de todos os séculos; o "Espírito Santo", que é portador de verdade e potência de novidade. Um Deus uno e trino, forte e coroa de tudo.
Portanto, um "Amor" que nos convida a participar, como protagonistas, do esforço de fazer progredir a criação com o nosso trabalho, com a ciência, com a técnica, com a ecologia... Que nos mostra a história como a pátria de sua aventura de doação, para lutarmos com Ele, contra o mal e a favor da justiça, da solidariedade, da paz ...; que nos acompanha e nos ajuda a edificar o verdadeiro projeto-homem, através do primado dos valores da ressurreição. É assim que o portador dessa fé, o autêntico crente, aprecia, no mundo, os valores da verdadeira laicidade; os acontecimentos históricos, os valores da genuína libertação; nas mudanças e nos sinais dos tempos, os valores da autêntica evolução.
Não diga que tudo isso é difícil e abstrato. Pelo contrário, é a realidade suprema, sempre mais fascinante, quanto mais se penetra dentro dela. Aqui está a verdade pela qual anseia a inteligência; ela abre vastos horizontes ao protagonismo do homem.
Veja você: a fé cristã tem os olhos abertos em relação a tudo; não se refugia na obscuridade nem se satisfaz com ritos ocultos; vai buscar a luz no Mistério do Amor e se rejubila com o poder repartir suas riquezas. Cada homem experimenta, no seu íntimo, o instinto e a saudade desse Mistério, da sua plenitude de verdade, de luz e de beleza. Ela se parece com o Sol que, mesmo que não possa ser fixado diretamente com os olhos, ilumina e aquece tudo, incitando-nos a participar da grande festa da vida.
Eu estava lhe dizendo que a fé orienta o seu olhar para o evento-Cristo. Para dizer a verdade, Ele não é estranho a você. A Ele interessa que você se realize em profundidade. Ele o interpela para fazer você crescer. Ele o ama: morreu e vive por você; pede a você um relacionamento de amizade pessoal, como resposta a um diálogo já começado por ele: um diálogo amplo, objetivo, envolvente. Com efeito, seria um indivíduo terrivelmente distraído aquele que não percebesse seu amor e sua verdade.
Além disso, uma vez que a amizade baseada na fé não é mito, ou imaginação ou ideologia, mas história, ela oferece a você uma ajuda e um modelo numa mulher, Maria, a Mãe de Jesus, "Aquela que acreditou", e que foi designada, pelo próprio
Senhor, como Auxiliadora de todos os que crêem. Ela acompa‑
nha você maternalmente no caminho que lhe é proposto.
363  5. Mas, como realizar esta caminhada?
Seguindo as pegadas de Dom Bosco, o "CG 23" oferece a você a experiência salesiana resumida em uma proposta concreta de "espiritualidade" juvenil.
Aqui está o grande segredo do bom êxito.
A espiritualidade é uma energia interior sempre em crescimento e que, gradualmente coloca você em sintonia com o Espírito do Senhor. Ele está verdadeiramente presente, com seu suave poder, na vida de cada um. Juntos com Ele realizamos progressos incríveis: veja por exemplo, Domingos Sávio, Laura Vicuria, Piergiorgio Frassati. Com a energia de uma espiritualidade o Senhor ajuda você a construir e a testemunhar aquela síntese entre fé e vida que é especificamente o conteúdo da "santidade".
Trata-se de viver a fé, mergulhando no quotidiano, como sendo um lugar privilegiado, no qual se podem ouvir realisticamente os convites do Espírito. Aquilo que Dom Bosco — "Mestre de Espiritualidade Juvenil" — indica pedagogicamente não é tão somente oração ou empenho em coisas excepcionais, mas também uma proposta que abraça a totalidade da existência em suas mais diversas e múltiplas expressões.
E assim é que a vida vai passando na alegria e no empenho. Com efeito, o Espírito não quer ver você triste ou como que um estrangeiro em sua própria pátria. Sua juventude é um grande valor: possui traços de semelhança com a presença criadora dEle mesmo. Alegria e esperança, ânsia de doação e responsabilidade, vontade de preparação para a vida e solidariedade: tudo isso tem de se entrosar no caminho que você precisa percorrer. O tipo de "espiritualidade" que Dom Bosco lhe oferece educa para a formação de uma consciência pessoal, atenta à progressiva experiência do Mistério, até que se possa exprimi-la como uma energia de vida. É nesse sentido que a espiritualidade se torna uma força propulsora que dinamiza cristãmente a existência.
Nesse progredir evangélico, além do mais, não caminhamos sozinhos; temos companhia: é o grupo, a comunidade local dos que crêem, a Igreja — Corpo de Cristo e povo de Deus —, que acompanham, de etapa em etapa, a marcha para a frente.
* * *
364                     6. Eis aí a essência de tudo quanto eu desejava comunicar a
você.
Dom Bosco chama você pelo nome, propõe-lhe um projeto; oferece-lhe uma boa companhia; indica um ideal de uma não difícil "santidade juvenil": simples e quotidiana, interior e apostólica, alegre e partilhada.
Todavia ele dirige a você e a todos os jovens, mais um apelo, que brota sentidamente do fundo do seu coração. Eu o expresso com o slogan: "jovem para os jovens", inventado por um de vocês. Quanto ao seu significado, você já o advinhou: cultivar a amizade com Cristo quer dizer cerrar fileiras ao lado dEle, tornar-se portador pleno de seu projeto concreto, viver pelos outros, fazer crescer o bem na sociedade. As "Bem-aventuranças evangélicas", que são a autobiografia de JESUS, constituem a verdadeira modalidade interior com a qual devemos nos empenhar.
As mais variadas formas de morte com que nos deparamos, como sejam, a exploração, a alienação, a prepotência, a injustiça, a discriminação, a intolerância... representam ameaças que causam a degeneração da vida e arruínam a história. Bem-vindos os lutadores pelo triunfo do bem! Desse modo, com o espírito das bem-aventuranças, a fé cristã haverá de se mostrar, realmente, como sendo energia da história.
A você, a cada um de vocês jovens, compete a tarefa de em‑
pregar essa força espiritual na transformação do mundo.
365 7. Como é bom pensar que a cada geração cabe escrever sua história, um evangelho especificamente seu; cada nova onda de juventude é uma hora de esperança. Como escreveu um famoso autor: "no dia em que se esfriasse o ânimo juvenil, o mundo inteiro começaria a bater os dentes".
Eu rezo por você, rezo por vocês todos. Da mesma forma o fazem os Salesianos.
E Dom Bosco, proclamado pelo Papa "Pai e Mestre da Juventude", intercede, precede e guia, com seu inflamado coração de discípulo do Senhor.
A você e a todos, os mais sinceros votos para correrem até à meta.
Com grande simpatia e em nome dos Salesianos,
Roma, Pentecostes do Espírito,
3 de junho de 1990
Pe. Egídio Viganó
Sucessor de Dom Bosco
ANEXO 11
CRÔNICA DO CG23
1. Convocação do CG 23 e itinerário de preparação
366 A carta de convocação do CG23 foi transmitida às comunidades da Congregação com o n. 327 dos Atos do Conselho Geral de outubro de 1988.. Escrevia o Reitor-Mor: "O Capítulo se realizará em Roma, na Casa Geral da via della Pisana 1111 a partir de 4 de março de 1990, por um período — assim espero — não superior a dois meses". A principal finalidade do Capítulo será a de tratar o tema: "Educar os jovens na fé: tarefa e desafio para a comunidade salesiana hoje" (cf ACG 327, p. 4-5).
O itinerário de preparação já havia começado, no verão de 1988. Nesse mesmo fascículo dos Atos, o Pe. Francisco Maraccani, nomeado Regulador, apresentava uma "pista de reflexão", anteriormente preparada por uma Comissão técnica para tanto designada, com o intuito de esclarecer a metodologia a ser seguida nos trabalhos capitulares e oferecer às comunidades e aos irmãos algumas pistas de avaliação e reflexão sobre os aspectos principais do tema.
Com referência à carta de convocação e à "pista de reflexão", realizavam-se — no período de dezembro de 1988 a julho de 1989 — os Capítulos inspetoriais, momento fundamental de participação, no qual as comunidades elegiam os delegados ao CG e aprofundavam o tema capitular com atenção à situação específica dos jovens nos próprios contextos.
Obedecendo às datas estabelecidas, em fins de julho de 1989 as Inspetorias fazem chegar a Roma as atas da eleição dos delegados juntamente com as ricas contribuições sobre o tema capitular.
Em setembro de 1989, reúne-se em Roma a Comissão pré-capitular, nomeada pelo Reitor-Mor, composta de 18 membros (provenientes de 15 inspetorias e 11 nações) e presidida pelo Regulador. A Comissão pré-capitular, depois de examinar o abundante material enviado pelas inspetorias, num mês de intenso trabalho, prepara o dossiê dos "Esquemas pré-capitulares", um volume de mais de 500 páginas, subdividido em duas seções: a primeira contém a chamada "radiografia", que vem a ser uma síntese, adequadamente ordenada, de todas as contribuições e propostas provindas dos CI e dos irmãos sobre o tema do CG23;
a segunda propõe o documento "base de trabalho" redigido pela Comissão e entregue aos capitulares para a discussão na assembléia e para tirar dele orientações operacionais para a Congregação.
Em dezembro de 1989, os Esquemas pré-capitulares são enviados aos membros do CG23, que assim têm a possibilidade de estudá-los e de se prparar para sua tarfa.
2. Chegada dos capitulares e exercícios espirituais
367 Até 4 de março de 1990, primeiro domingo de Quaresma, os capitulares e os observadores chegam de todas as partes do mundo salesiano à sede de Roma para iniciar o grande encontro. Dos 207 capitulares, apenas os dois do Vietnã foram impedidos de vir; pela primeira vez, depois de cerca de trinta anos, há inspetores e delegados dos países da Europa Oriental, Tchecoslováquia e Hungria. São cinco os observadores convidados pelo Reitor-Mor; mais tarde virá também o Pe. Jacques Mesidor, de Haiti.
Às 18 horas dá-se no auditório um primeiro encontro, com os cumprimentos do Reitor-Mor e do diretor da Casa Geral, seguidos das primeiras comunicações do Regulador. Respira-se desde o início o clima de fraternidade e de família, na alegria de estar juntos.
Às 18h30, têm início os exercícios espirituais, pregados pelo bispo salesiano D. Oscar Rodriguez, Secretário Geral do CELAM. Suas meditações tratam de alguns aspectos cruciais do que virá a ser o tema do Capítulo: as desafios da nova evangelização para a educação dos jovens, construtores do terceiro milênio.
A palavra, fraterna e competente de D. Oscar Rodriguez, que conduziu a reflexão sobre a tarefa de educadores da fé segundo o plano de Deus no estilo de Dom Bosco, diante dos grandes desafios da hora atual, e o clima de recolhimento e de oração, manifestado sobretudo nas celebrações comunitárias, foram um meio eficaz para entrar na ótica "espiritual" que caracteriza o capítulo. As "boas-noites" do Reitor-Mor que encerraram cada um dos dias, contribuíram grandemente para reforçar esse clima.
3 • Abertura oficial do CG23
368 A sexta-feira, 9 de março, abre-se, de manhã, com a concelebração presidida pelo Reitor-Mor; é a solene e coral invocação ao
Espírito Santo, para que esteja presente com sua luz e sua força durante todos os trabalhos do Captiula Geral.
Na mesma manhã, às 10h30, realizou-se a cerimônia de abertura oficial do CG23.
Acham-se presentes na sala de reuniões, juntamente com os capitulares, o Card. Jean-Jérôme Hamer, Prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada, os três cardeais salesianos, Alfons Stickler, Rosalio Castillo Lara e Antonio Javierre Ortas, os dois Bispos D. Oscar Rodriguez e D. Fernando Legal, a Superiora Geral das FMA, Madre Mariella Castagno, com sua Vigária, a Responsável-Mor das CDB, Senhorita Gianna Martinelli, a representante das Irmãs Oblatas do Sagrado Coração, Madre Bica Carini, o Coordenador Central dos Cooperadores, Sr. Paolo Santoni, o Presidente dos Ex-alunos, Sr. Giuseppe Castelli, a representante das ex-alunas das FMA, Senhorita Silvana Aloisi,

  • outros hóspedes.
  • Regulador, de acordo com o Regulamento, constitui a secretaria e declara oficialmente aberto o CG23.
  • Reitor-Mor passa então à leitura da mensagem enviada por S. S. João Paulo II. Nela o Papa, após a saudação de início, faz votos por que os Salesianos saibam elaborar projetos concretos e atualizados, visando à "síntese vital entre sabedoria pedagógica e práxis educativa" que Dom Bosco deixou em herança. Na perspectiva específica do tema capitular, o Papa sublinha dois aspectos a serem aprofundados: a "espiritualidade juvenil"
  • a "dimensão social da caridade" (cf Anexo 1).

Intervém em seguida o card. Hamer, que dirige sua saudação e mensagem aos membros do capítulo. "Estais aqui reunidos em uma assembléia de governo — diz —. O que se espera de vós são reflexões e deliberações aprofundadas que devem levar a orientações precisas. : .". Referindo-se à missão própria dos Salesianos na Igreja, acrescenta: "A vossa missão na Igreja (z5 um serviço. Procurai estar espiritual e humanamente preparados

  • qualificados para dar a vossa contribuição à evangelização dos jovens, e particularmente à evangelização dos mais necessitados de recursos, dos mais pobres. E assim estareis à disposição dos que têm a responsabilidade da evangelização na sua qualidade de sucessores dos apóstolos, nas várias dioceses" (cf Anexo 2).

Seguem-se as saudações dos representantes dos Grupos da Família Salesiana presentes. Falam: a Madre Geral das FMA, a Madre representante das Irmãs Oblatas, a Responsável-Mor das VDB, o Coordenador central dos Cooperadores salesianos, o Presidente dos Ex-alunos de Dom Bosco e a representante das Ex-alunas das FMA.
Toma, então, a palavra o Reitor-Mor que, na sua qualidade de Presidente do Capítulo, faz o discurso programático de abertura. Apresenta o CG23 na sua índole de Capítulo "ordinário", depois dos Capítulos que redefiniram a identidade do carisma salesiano, à luz do Vaticano II; detém-se nas funções específicas doi Capítulo, entre as quais ressalta a delicada responsabilidade das eleições; apresenta alguns aspectos do tema confiado a este CG23, enquadrando-o na ótica do Sistema Preventivo e augurando, de modo particular, que se possa chegar a aperfeiçoar o projeto educativo-pastoral com critérios salesianos para "itinerários" de fé e a delinear uma concreta "espiritualidade juvenil". "Estou convencido, diz o Reitor-Mor, de que a síntese orgânica entre fé e vida a ser cultivada hoje nos jovens só se obtém mediante a força de uma espiritualidade concreta (cf Anexo 3)).
4. A relação do Reitor-Mor
369 Na mesma tarde de 9 de março, às 17 horas, o Reitor-Mor apresenta à Assembléia capitular sua relação sobre o estado da Congregação, como pede o art. 119 dos Regulamentos Gerais. A relação forma um volume de 272 páginas, com o título "A Sociedade de São Francisco de Sales no sexênio 1984-1990"; junta-se a ele um segundo volume de "Dados estatísticos".
Na sua apresentação, o Reitor-Mor discorre brevemente sobre as diversas partes que compõem a relação; a primeira apresenta uma visão sintética de cada "Região" da Congregação; a segunda oferece uma avaliação, em nível mundial, da área própria de cada "Dicastério" central, segundo as responsabilidades de animação confiadas pelas Constituições; a terceira informa sobre o funcionamento de alguns serviços e instituições de interesse universal; a quarta, por fim, propõe um juízo global, concentrando a atenção sobre alguns aspectos que de modo especial nos interpelam. É sobretudo sobre esta quarta parte, sobre a análise das situações, sobre os problemas e os desafios, sobre os motivos de esperança, que se detém a reflexão do Reitor-Mor.
Após um dia de estudo pessoal, os capitulares apresentam observações, pedidos de esclarecimentos, perguntas de aprofundamento para a discussão prevista na Assembléia. Esta se realiza em dois tempos sucessivos nos dias 12 e 13 de março; às numerosas interpelações, o Reitor-Mor responde com exatidão e clareza sobre os temas mais vivos que se agitam na Congregação.
O estudo da relação e o confronto que se lhe seguiu confirmam a convicção da vitalidade da Congregação nos vários contextos em que opera, do vasto empenho colocado na missão juvenil, mas também dos grandes desafios que as situações novas apresentam hoje aos Salesianos que querem ser fiéis ao próprio carisma para o bem dos jovens.
5, O primeiro debate geral
slo Terminado o exame da relação do Reitor-Mor, o Capítulo entra imediatamente a trabalhar sobre o tema que lhe foi proposto.
Dia 13 de março, o Regulador apresenta o Regulamento do Capítulo e, logo depois, propõe uma ampla e detalhada relação sobre os "Esquemas pré-capitulares", que os membros do CO já tinham recebido e que agora devem ser submetidos à avaliação da Assembléia. Foi examinado de modo particular o "documento de trabalho", preparado pela Comissão pré-capitular, sobre o qual se pede um primeiro juízo global.
No dia seguinte, 14 de março, depois da aprovação do Regulamento e a nomeação dos Moderadores, inicia-se o primeiro debate geral sobre o documento pré-capitular (que continua também no dia 15): o debate havia sido preparado pelo estudo pessoal e por trabalhos de grupo.
Da discussão surgem as primeiras indicações gerais para os objetivos que o Capítulo se propõe. Antes de tudo, o documento pré-capitular é julgado pela Assembléia como útil "base de trabalho" e é por isso tomado como referência para os futuros trabalhos das. Comissões.
São dadas também algumas linhas precisas para o que se espera de todo o trabalho de avaliação e reflexão. O documento do capítulo deverá ser um documento "pastoral", muito concreto, "dirigido aos Salesianos nas diversas situações e contextos enquanto educadores da fé". Há o vivo desejo de "querer mostrar Dom Bosco e a sua experiência de educador e de evangelizador, falando aos jovens, mas caminhando com os jovens". A atitude é de "diálogo-escuta", de "serviço", "educando os para a fé e educando-nos na fé".
6. As Comissões de trabalho
371                        Esclarecidos os objetivos principais que o Capítulo se propõe,
enfrenta-se a metodologia de trabalho. E o primeiro ponto to‑
mado em consideração é o da constituição das Comissões, previstas pelo Regulamento do Capítulo.
O problema é delicado: deseja-se, com efeito, um método de trabalho ágil e eficaz, que leve em conta a forte unidade do tema confiado ao Capítulo.
O Regulador apresenta uma hipótese sobre o método de trabalho, que fora estudada na Comissão pré-capitular e também no Conselho Geral. Segue-se um amplo debate, que serve para esclarecer muitos aspectos da questão e sobretudo para criar a ótica justa para proceder de maneira expedita e eficaz.
Concluindo o debate, dia 15 de março, a Assembléia vota a constituição de quatro Comissões, que estudarão todo o tema do Capítulo. Cada Comissão poderá subdividir-se em grupos, lingüísticos ou de acordo com os contextos, para tornar mais ágil o trabalho. Será em seguida formada uma pequena Comissão coordenadora ("intercomissão"), que receberá as indicações das quatro citadas Comissões e da Assembléia para redigir o documento capitular.
É constituída também uma quinta Comissão, que terá a função de estudar as propostas referentes às Constituições e os Regulamentos Gerais, e outros problemas de caráter estrutural.
Formadas as Comissões, cada uma delas elege o próprio Presidente, o Relator e o Secretário.
Pode-se assim constituir a "Comissão central de coordenação", formada pelo Presidente do Capítulo, pelo Regulador, pelos Moderadores e por cinco membros eleitos pela Assembléia (que foram os Presidentes das Comissões).
7. Trabalho intenso e comunhão de família
W72                     Satisfeitos, na primeira semana de Capítulo, todos os requisitos
gerais, muito importantes para um trabalho eficaz, na segunda-feira, 19 de março, festa de São José, as Comissões podem entrar de cheio no exame do documento de base, confrontado com os resultados dos Capítulos Inspetoriais e com a experiência dos capitulares trocada nas Comissões e nos grupos.
Durante três semanas desenvolve-se o intenso trabalho das Comissões, que relatam à Assembléia, apresentando observações e propostas, à medida que são examinadas as várias partes do tema. Sucedem-se desta maneira vivos debates na Assembléia,
que definem antes alguns "nós" de fundo, depois a estrutura e as linhas essenciais das três partes em que foi subdividido o documento.
Trabalhos de comissão, de grupo, de assembléia, encontros regionais e outras convocações enchem o "dia-tipo" do capitular, sem solução de continuidade. Ele se divide em quatro momentos de trabalho: dois de manhã (das 9 às 11 horas e das 11h30 às 13 horas) e dois à tarde (das 16 às 17h30 e das 18 às 19h30).
São de grande importância as celebrações da oração. Pela manhã se fazem ordinariamente por grupos lingüísticos; à tarde, juntos para as vésperas e a boa noite. Um dia por semana, além do domingo, faz-se a celebração eucarística comunitária, sempre bem preparada pelos diversos grupos; algumas dessas celebrações foram presididas, com grande disponibilidade e familiaridade, pelos nossos Cardeais salesianos: o card. Rosalio Castillo (festa da Anunciação), o card. Antonio Javierre Ortas (quinta-feira depois da Páscoa), o card. Alfons Stickler (25 de abril), o card. Raúl Silva Henríquez (1." de maio).
Um momento sempre esperado é o da "boa noite". Na primeira semana foi o Reitor-Mor que falou da vida e dos problemas da Congregação. Depois, cada noite, após a celebração das vésperas, sucedem-se os Inspetores para apresentar a história, as atividades, os projetos e as dificuldades de cada Inspetoria. Vai-se aos poucos delineando um panorama interessantíssimo, que reflete a vasta atividade da Congregação, o seu empenho de responder às necessidades e expectativas dos jovens, os problemas e as dificuldades que encontra no seu caminho. Comoventes, de modo particular, os testemunhos dos irmãos das Inspetorias da Europa do Leste (Tchecoslováquia e Hungria), que contaram como puderam conservar e acrescer o carisma de Dom Bosco nós difíceis momentos de sua história recente.
8. A intercomissão e a conclusão da primeira fase dos trabalhos
373                        Iniciado o trabalho das Comissões, percebe-se bem depressa a
urgência de definir a "intercomissão" que havia sido imaginada para coordenar os trabalhos das Comissões e proceder à redação do texto unificado, que seria depois novamente submetido à Assembléia.
Por isso, dia 24 de março, após os necessários esclarecimentos na Assembléia para precisar o íter e as funções da "intercomissão", procede-se à constituição dessa comissão coordenadora. Ela se compõe dos quatros relatores das Comissões,
de quatro membros eleitos por cada uma das Comissões e de quatro outros escolhidos e nomeados pelo Presidente do Capítulo.
A "intercomissão" elege depois como seu Presidente o Pe. Juan Vecchi e como Relator o Pe. Antonio Martinelli, e se põe imediatamente a trabalhar sobre a primeira parte do tema, com base em quanto foi transmitido pelas Comissões e em quanto surgiu na Assembléia. Pode logo apresentar um esboço sobre a estrutura da primeira parte e alguns quesitos-sondagem para melhor definir os conteúdos.
Com este ritmo de trabalho, através das sucessivas passagens entre Comissões e Assembléia, e entre Assembléia e "inter-comissão", e vice-versa, consegue-se, na primeira semana de abril, terminar a primeira fase dos trabalhos. As Comissões apresentaram na Assembléia as próprias relações e desenvolveram-se os debates sobre cada parte. A "intercomissão" pôde então organizar a estrutura geral pelo menos da primeira e da segunda parte.
Quando se concluía a primeira fase dos trabalhos, o Reitor-Mor, na qualidade de Presidente, precisando a situação, sublinha alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração: a "consciência capitular" e a "meta da unanimidade" que se quer atingir, no diálogo fraterno e no confronto; a percepção de responsabilidade "universal" exigida pela natureza do Capítulo Geral; a ótica específica para a leitura das interpelações e dos desafios, colocada na "caridade pastoral", centro do espírito salesiano; a atenção às duas recomendações do Santo Padre: "espiritualidade juvenil" e "dimensão social da caridade".
Levanta-se também a questão da "duração" do Capítulo; a esse respeito, a Comissão central de coordenação pôde finalmente apresentar uma hipótese mais pormenorizada do iter sucessivo dos trabalhos.
9. A quinta Comissão para as Constituições e os Regulamentos
374 Enquanto as primeiras quatro Comissões e a assembléia trabalham sobre o tema específico do Capítulo (a educação dos jovens na fé), a quinta Comissão examina as observações e propostas chegadas dos Capítulos Inspetoriais e dos irmãos, referentes ao nosso direito próprio (Constituições e Regulamentos) e alguns aspectos das estruturas de animação e governo da Congregação.
Não são muitas as propostas que pedem a revisão dos textos legislativos, que os precedentes Capítulos Gerais haviam amplamente estudado, e que o CG22 tinha aprovado. São, todavia,
destacados alguns pontos, para os quais se pede alguma correção de caráter jurídico ou prático, ou se retomam sugestões já surgidas nos Capítulos anteriores.
A quinta Comissão, após haver aprofundado cada uma das questões, apresenta todas as propostas e as sugestões à Assembléia, a fim de que expresse o próprio voto.
Mediante o debate e oportunas votações-sondagem, chega-se à orientação de admitir somente as modificações que se julguem urgentes e importantes.
Por isso, as modificações ao texto constitucional e regulamentar, que a Assembléia aceitou, são poucas e não substanciais. Acrescentam-se algumas "interpretações práticas" de textos, que o Capítulo sancionou, de acordo com o art. 192 das Constituições.
Um ponto sobre o qual a Assembléia se põe cuidadosamente a refletir é o da configuração das Regiões salesianas. Na discussão do assunto vê-se a oportunidade de deixar substancialmente como está a configuração das Regiões existentes, embora se preveja que durante o sexênio poderá haver alguma mudança.
A fim de estimular uma melhor coordenação da presença salesiana na África, a Assembléia aprova uma orientação operacional específica.
10. A eleição do Reitor-Mor
315 Cerca de um mês após iniciado o Capítulo, chega o momento importante das eleições. Desde o discurso de abertura o Reitor-Mor tinha sublinhado a responsabilidade especial de todos. A convivência capitular e o intercâmbio fraterno serviram também para adquirir conhecimento das pessoas e das funções, tendo em vista o necessário discernimento.
Para uma preparação imediata, toda a tarde do dia 6 de abril, vigília do dia marcado para a eleição do Reitor-Mor, é dedicado ao recolhimento e à oração.
O dia 7 de abril abre-se com a solene concelebração, invocando a luz do Espírito Santo. Depois, às nove, começam as eleições. Por volta das 12 horas, o grande momento: o Pe. Egídio Viganõ é reeleito Reitor-Mor, para o terceiro sexênio. O aplauso caloroso da Assembléia expressa a alegria de todos.
O Pe. Luís Fiora, o capitular mais idoso, sobe ao palco e, em nome da Assembléia, pergunta ao eleito se aceita. Responde brevemente o Pe. Egídio Viganõ: "Em nome da obediência reli‑
giosa, digo: obedeço". E dirige algumas palavras à assembléia. Renova se o aplauso, enquanto os capitulares passam à mesa da Presidência para congratular-se com o eleito.
A notícia da reeleição espalha-se rapidamente, e na tarde sucedem-se as visitas de irmãos e de grupos da Família Salesiana para cumprimentar e congratular-se com o Pe. Viganó. A noitinha, a comunidade capitular, os irmãos da Casa Geral e as Irmãs com as jovens que as ajudam unem-se ao Reitor-Mor numa sessão de fraternidade e alegria.
11. A eleição do Conselho Geral
376                  Logo após a sua eleição, o Reitor-Mor, entre outras coisas, havia
dito: "Aguardo bons colaboradores".
E os colaboradores do Reitor-Mor, isto é, os membros do Conselho Geral, são eleitos nos dias imediatamente seguintes, de 9 a 11 de abril, em diversas sessões.
Dia 9 de abril, é eleito o Vigário do Reitor-Mor na pessoa do. Pe. Juan Edmundo Vecchi. Ao aceitar o encargo diz: "Assumo a função não somente com serenidade, mas com entusiasmo, confiante sobretudo no sinal que o Senhor me dá, através da seriedade do vosso discernimento .. Disponho-me, pois, a exemplo dos nossos ilustres predecessores, Pe. Rua, Pe. Rinaldi, e por último Pe. Scrivo, a colaborar em plena comunhão e em filial entendimento com o Reitor-Mor Pe. Viganõ . ".
Terça-feira, 10 de abril, realiza-se a eleição dos Conselheiros encarregados dos "setores" especiais. A assembléia elege o Pe. José Nicolussi, Conselheiro para a Formação; o Pe. Luc Van Looy, Conselheiro para a Pastoral Juvenil; o Pe. Antonio Martinelli, Conselheiro para a Família Salesiana e a Comunicação Social; o Pe. Luciano Odorico, Conselheiro para as Missões; o Pe. Omero Paron, Ecônomo Geral. A aceitação de cada um segue-se sempre um vivo agradecimento àquele que, eventualmente, deixa o cargo depois de haver servido com dedicação a Congregação.
Finalmente, quarta-feira, 11 de abril, são eleitos os Conselheiros Regionais: o Pe. Carlos Techera, para a América Latina "Atlântico"; o Pe. Guilherme Garcia Montano, para a América Latina "Pacífico-Caribe; o Pe. Martin McPake, para a região de língua inglesa; o Pe. Thomas Papakezham, para a Ásia; o Pe. Antonio Rodriguez Tallon, para a região ibérica; o Pe. Giovanni Fedrigotti, para a Itália e o Oriente Médio; o Pe. Domingos
Britschu, para a região Norte da Europa e África Central. A delegação da Polônia será representada por um delegado do Reitor-Mor, por ele nomeado.
12. A celebração da Páscoa
377 A primeira fase dos trabalhos e as eleições do Reitor-Mor e do seu Conselho ocuparam o Capítulo até à Páscoa.
Muitos capitulares começam a Semana Santa participando na praça de São Pedro do "dia da juventude" — no domingo de Ramos — juntamente com o Santo Padre. Mas é particularmente significativo para toda a comunidade capitular encontrar-se reunida, Quinta-Feira Santa, para celebrar a Missa "in Coena Domini". Preside a Eucaristia o Reitor-Mor, há poucos dias reeleito, o qual precisa o sentido da celebração: "Celebramos esta Eucaristia "in Coena Domini". Como Assembléia capitular salesiana. Cada um de nós está aqui como representante de todos os irmãos nas diversas comunidades. Podemos dizer que o sentido fraterno, o afeto do coração, o mandato constitucional e as responsabilidades capitulares fazem da nossa Assembléia eucarística a síntese viva de toda a Congregação e também o precioso núcleo animador da grande Família Salesiana . . . Juntos aqui, participando no memorial da Ceia do Senhor, garantimos para todas as latitudes a identidade no mesmo espírito e na mesma missão, harmonizamos em comunhão orgânica a multiformidade das nossas diferenças contextuais, proclamamos a unidade e a atualidade do carisma de Dom Bosco, e nutrindo-nos juntos do pão eucarístico formamos um só corpo com Cristo, tornando-nos sinais e portadores do seu amor aos jovens".
Nos dias seguintes do tríduo pascal, o Capítulo faz uma pausa nos trabalhos. Vários capitulares, que ficaram em Roma, podem desta maneira participar das celebrações pascais nos lugares sagrados romanos, em união com o Sumo Pontífice.
A celebração da Páscoa se prolonga pelo resto do Capítulo. Entre os momentos significativos, lembram-se aqui dois: a Missa comunitária celebrada quinta-feira durante a Oitava de Páscoa, presidida pelo Card. Antonio Javierre Ortas, e a original iniciativa da "Via Lucis" vivida quinta-feira, 26 de abril, ao cair do sol, nas Catacumbas de São Calisto, estando presente também o Conselho Geral das FMA. A "via lucis" é estruturada como a "via crucis": 14 estações percorrem o caminho pascal do Cristo, que culmina no mistério de Pentecostes. Para nós salesianos lembra o art. 34 das Constituições: "Caminhamos com os jovens para levá-los à pessoa do Senhor ressuscitado".

  • A segunda fase dos trabalhos

378 Terça-feira de Páscoa, após a breve pausa, a Assembléia se reúne pontualmente para iniciar a "segunda fase" do trabalho capitular. É entregue aos capitulares, quase por inteiro, o documento que a "intercomissão", com base nas propostas das Comissões e dos debates na Assembléia, com trabalho intenso e sacrificado preparou.
Começa assim um novo confronto, cujos interlocutores são os grupos, a Assembléia e a "intercomissão". O documento nas diversas partes é examinado de preferência em grupos "regionais" ou formados em torno de argumentos específicos, passa em seguida para a Assembléia para uma reação comunitária, e é entregue novamente à "intercomissão" para que faça as oportunas correções e complementações.
Os debates da Assembléia sobre cada parte chegam à primeira votação do texto, com possibilidade de se expressar "juxta modum" e de apresentar "modos" para a melhor definição do texto.
É uma fase que exige um trabalho assíduo e não muito fácil, que ocupa muitas vezes até tempos fora do horário normal, sobretudo para chegar e determinar as deliberações ou orientações concretas que deverão guiar a comunidade.

  • O dia esperado da beatificação do Pe. Rinaldi

370 Caminhando, dia após dia, no confronto e na reflexão empenhada para responder aos grandes temas que a "nova evangelização" nos apresenta, o Capítulo chega ao grande dia da beatificação do Pe. Filipe Rinaldi, terceiro sucessor de Dom Bosco.
Foi um dia esperado! Desde os exercícios espirituais, o exemplo do Pe. Rinaldi brilhara para os capitulares como um farol luminoso para testemunhar a meta de um caminho de santidade percorrido na escola de Dom Bosco. E, durante o Capítulo, repetidas vezes se fazia a referência ao Pe. Rinaldi sobre temas do método da bondade e da espiritualidade.
Agora que o dia chegou, ele se revela rico de graça e transbordante de alegria muito mais do que se esperava.
Pela manhã, na praça de São Pedro, em meio a tanta gente reunida, sente-se comoção e alegria ao mesmo tempo, ouvindo o Santo Padre proclamar beato o humilde servo, que deu tudo
pelos jovens e por seus irmãos. E é bonito vê-lo ao lado de outros beatos que testemunharam a mesma caridade até à prova do martírio.
A. tarde, os capitulares participaram, na nossa Universidade Salesiana, de um ato solene em honra do novo Beato. O Card. Rosalio Castillo Lara fez a comemoração oficial. Mas há outros testemunhos, entre os quais o comovente relato da miraculada Ir. Carla de Noni; e muita alegria salesiana pelo dom feito à Família Salesiana e à Igreja.

  • A visita do Papa

380 O dia 1.° de maio ficará como um dia inesquecível não só para os capitulares mas para toda a Congregação. O Papa João Paulo II, a quem havíamos pedido uma audiência, com delicado gesto de amizade quis vir Ele próprio visitar o Capítulo em sua sede.
São 12h45. Os capitulares estão reunidos em Assembléia, quando- se anuncia que o Papa chegou. Depois de alguns minutos — durante os quais o Santo Padre se deteve na Igreja diante do Tabernáculo e cumprimentou os irmãos da Casa Geral —, entra na sala capitular, acolhido por um aplauso interminável e pelo canto "Oremus pro Pontifice". Acompanham-no, além do Secretário pessoal e de Mons. Monduzzi, os nossos Cardeais salesianos Raúl Silva Henríquez, Alfons Stickcler, Rosalio Castillo Lara e Antonio Javierre Ortas, o Bispo diocesano D. Diego Bona e os Bispos salesianos D. Pietro Carretto, D. Ignacio Velasco e D. Oscar Rodríguez.
É um acontecimento histórico! "Estamos admirados e cheios de gratidão por este seu gesto paterno — fala comovido o Reitor-Mor — de querer visitar-nos e falar-nos na mesma sede do nosso Capítulo Geral" (cf Anexo 4).
"Queridos capitulares da Sociedade Salesiana de São João Bosco -- responde Sua Santidade — é me grato encontrar-me convosco numa circunstância tão significativa, na luz festiva da elevação às honras dos altares do vosso irmão Pe. Filipe Rinaldi, que tive a alegria de proclamar Beato precisamente anteontem. Dirijo-vos minha afetuosa saudação e agradeço a cordial acolhida a cada um de vós que representais toda a Família Salesiana".
Depois do discurso, que se prolongou por uma dezena de minutos (cf Anexo 5), o Papa, permanecendo no palco, convida os capitulares a subir e cumprimenta-os um por um. Dá a todos
um aperto de mão, uma palavrinha. Os fotógrafos fixam o momento, enquanto a assembléia canta "Madonna nera".. , Depois o Papa desce, coloca-se no centro da Assembléia e deixa-se fotografar com todos os capitulares para uma lembrança da visita.
Mas há mais. O Santo Padre fica para a refeição com a comunidade capitular, partilhando dessa maneira um momento característico de alegria familiar. Há alegria, entusiasmo, que se expressa numa saudação amigável e em alguns cantos, bem escolhidos por grupos regionais.
Ao fim, o Papa toma a palavra e em tom familiar lembra e agradece. Eis suas palavras como foram gravadas:
"Diz-se que quando um homem entra no septuagésimo ano de vida, se torna mais voltado para o passado. Noto também em mim este olhar retrospectivo, porque, estando aqui, volto a um outro ambiente salesiano, na minha cidade, na minha paróquia, donde saí, a paróquia de Santo Estanislau Kostka em Cracóvia (aplauso). Foi lá que passei a minha juventude, difícil, por causa da guerra, mas também cheia de inspirações, em grande parte graças a essa paróquia e às pessoas que nela encontrei, durante a ocupação nazista. Voltei lá repetidas vezes: como sacerdote para celebrar a primeira Missa, como Bispo também para celebrar uma primeira Missa, como Arcebispo de Cracóvia e como Cardeal... Sempre revivi estas primícias naquela igreja deles, que era a minha igreja paroquial (não a única, porque antes havia a de Wadowice). E depois havia sempre uma recepção, um almoço, como aqui. Devo dizer que os almoços se assemelham. E também a atmosfera salesiana dos almoços se assemelha, a de Roma e a de Cracóvia. Mas hoje aqui em Roma há uma síntese salesiana de todo o mundo!
Eu vos agradeço ainda uma vez este convite salesiano, num dia que no Vaticano se diz "dia livre" (aplauso). Num dia dedicado liturgicamente a S. José, festeja-se o trabalho "não trabalhando". E é justo. Eu penso que isto se acha na linha do Gênesis. Também o nosso Criador nos deu o exemplo neste sentido: festejar o trabalho não trabalhando. Agradeço-vos esta festa do trabalho, que passamos com os representantes da grande Família Salesiana de todo o mundo.
Auguro-vos que continueis sempre nesta mesma linha. Se encontrei nesta sala de refeições aqui em Roma — estamos em Roma ou fora de Roma? (aplauso) estamos numa suburbicária de Roma — a continuação do ambiente de Cracóvia, quer dizer
que há continuidade de um princípio orgânico, presente em todos os ambientes salesianos, onde quer que estejam.
E isso pertence também ao espírito da família. A família aspira sempre a estar junta. Mesmo que vivam distantes, (os membros da família) aspiram a viver a mesma vida, o mesmo ambiente, os mesmos costumes. Isso é muito precioso para uma família humana, e não menos para uma família religiosa.
Grande Família a vossa! Verdadeiramente a Providência vos abençoou, abençoou a obra do vosso Fundador, Pe. João Bosco, com uma grande "atratividade".
Ë sempre uma vocação atraente a vossa. Sempre caminham juntos ele, Dom Bosco, os salesianos e os jovens! Não se perde essa atração entre os dois, não se deve perder; porque os jovens têm necessidade de alguém que os ame; e, por outra parte, nós sacerdotes, religiosos, pastores, temos necessidade de amar, de amar os jovens... Naturalmente não somente a eles: há também os anciãos, os pobres, os sofredores, tantas outras categorias, .
Diria, porém, que é muito importante conservar este laço orgânico com os jovens. Eles são ricos, têm grande potencialidade, mais ou menos desenvolvida, mas sempre uma potencialidade real. Empregando bem seus talentos, sua potencialidade, eles se tornam verdadeiramente ricos e podem enriquecer os outros. Enriquecer, como enriqueceu Jesus, que sendo rico, se fez pobre para nos enriquecer (cf 2 Cor 8,9). Dessa pobreza e dessa riqueza é que se trata.
Mas os jovens podem fazer como o "filho pródigo", perdendo e dissipando tudo. Então ensinar-lhes como enriquecer os outros e não dissipar a si mesmos, as próprias riquezas, as próprias potencialidades é uma grande obra de caridade, obra pastoral, obra de Cristo. Esse é também o gênio de São João Bosco, que deve permanecer sempre o vosso carisma.
Faço votos por que prossigais nesta linha, a linha do carisma salesiano de São João Bosco. Obrigado".
Após novo e caloroso aplauso e cumprimentar as Filhas de Maria Auxiliadora e as jovens que as ajudam, o Santo Padre retorna ao Vaticano. O encontro histórico fica como estímulo de maior fidelidade à vocação e missão salesiana na Igreja.
16. A votação do documento capitular
381                   Concluídas, na última semana de abril, as primeiras votações
com os "modos", a "intercomissão", com um intenso trabalho
para examinar os "modos" e integrá-los no texto, apresentou a redação definitiva do documento capitular. Segunda-feira, 30 de abril, ele pode ser entregue, quase por inteiro, aos capitulares, para que o possam reler e controlar com vistas à votação definitiva. Faltam pequenos esclarecimentos ou retoques, que a intercomissão" com admirável diligência se esforça por entregar à .Assembléia.
Chega-se assim à sexta-feira, 4 de maio, dia marcado para a votação final. Ë votada cada uma das partes e cada um dos capítulos do documento, agrupando oportunamente os vários números; em particular, votam-se uma por uma as deliberações capitulares e as orientações operacionais. Há satisfação ao constatar que em todos os pontos há uma convergência, que vai muito além da maioria exigida. No fim é votado o documento no seu todo: a aprovação do texto é acolhida com prolongado aplauso.
Ë preciso dizer que antes a Assembléia tinha também aprovado as pequenas modificações nas Constituições e nos Regula‑
mentos e as outras deliberações respeitantes às estruturas.
17. Saudações, mensagens e avaliações
382 O Capítulo já se encaminha para o fim. Antes de terminar, a Assembléia pensa em alguns gestos de saudação e votos, expressão de fraternidade e encorajamento.
Os primeiros em que se havia pensado eram os dois grupos da Família Salesiana, os Cooperadores e Cooperadoras Salesianos e os Ex-alunos e Ex-alunas de Dom Bosco, que tinham enviado ao Capítulo sua saudação. Para esses dois grupos a Comissão central de coordenação tinha encarregado alguns capitulares de preparar uma breve mensagem, que havia sido entregue aos capitulares, para que pudessem fazer observações e sugestões. Agora, as mensagens, oportunamente revistas, são novamente apresentadas à assembléia, que dá parecer favorável.
Há porém, um acontecimento que os Capitulares querem ressaltar de modo especial: no próximo mês de setembro as Filhas de Maria Auxiliadora celebrarão o seu XIX Capítulo Geral com um tema muito chegado ao do nosso CG23. A Assembléia pede que se mande à Madre Geral e às FMA capitulares uma particular saudação e votos, assegurando a participação fraterna e a oração para o bom êxito do grande evento.
E os jovens? Eles estiveram sem dúvida presentes no nosso Capítulo; antes, por muitos motivos, foram protagonistas dele. Pergunta-se: como fazer-lhes ouvir a voz da Congregação reunida em Capítulo? Entre as propostas apresentadas, uma é preferida pela Assembléia: o Reitor-Mor, na qualidade de Sucessor de Dom Bosco, escreverá uma carta aos jovens, na qual fará falar os Salesianos que querem, como Dom Bosco, dar toda a sua vida pelos jovens.
Entre essas mensagens, não se deve esquecer, por fim, uma iniciativa especial, promovida por um grupo de capitulares: propor Dom Bosco como padroeiro especial dos esportistas, mesmo dos profissionais.

18. O Encerramento do CG23
383 Finalmente, no sábado, 5 de maio, 58 dias depois da abertura oficial, o CG23 chega ao termo. Â tarde, reunidos pela última vez em Assembléia Geral, os Capitulares atendem às últimas exigências do Regulamento. Depois, após a assinatura de todos, capitulares e observadores, na última ata, o Reitor-Mor faz o discurso conclusivo. Ë um olhar autorizado ao caminho percorrido, às metas atingidas e ao empenho que se abre para a Congregação no próximo sexênio.
Apresentando a mensagem do CG23, o Reitor-Mor percorre alguns pontos mais importantes das reflexões capitulares, que se traduziram em indicações operacionais: a explosão das culturas, a contribuição do específico cristão, a originalidade da evangelização da juventude, a fisionomia oratoriana da práxis de Dom Bosco, um vibrante apeló-à comunidade inspetorial e local, o envolvimento laical, a dimensão social da caridade. O Reitor-Mor conclui voltando o pensamento para a SS. Virgem Maria, Auxiliadora e Mãe da Igreja, Estrela da evangelização: "Nossa Congregação se confiou solenemente a Ela em 14 de janeiro de 1984, no início do CG22. Dizem-nos as Constituições que essa entrega nos ajuda a nos tornarmos entre os jovens testemunhas do amor inexaurível do seu Filho (art. 8). A Ela o CG23 entende confiar, de maneira especial, dois grandes valores que vimos crescer na experiência de trabalho nestes meses: a comunhão na identidade fraterna de todas as Inspetorias e o relançamento de uma verdadeira espiritualidade juvenil" (cf Anexo 9).
Um aplauso vibrante e prolongado diz ao Reitor-Mor o muito obrigado e o afeto de todos os capitulares.
Finalmente, às 18 horas, a solene Concelebração Eucarística, na comemoração de São Domingos Sávio, estreita os vínculos de unidade espiritual e de empenho apostólico. E é justamente no fim da celebração eucarística que o Regulador, Pe. Francisco Maraccani, declara oficialmente encerrado o CG23.
Todos voltam para as próprias Inspetorias, para os jovens, a fim de retomar com os irmãos e os mesmos jovens o caminho de fé que o Capítulo quis iluminar, na luz do projeto de "santidade juvenil" que Dom Bosco testemunhou e transmitiu até nós.


ANEXO 12
Elenco dos participantes do CG23
CONSELHO GERAL

  • Pe. VIGANÒ Egídio                 Reitor-Mor - Presidente
  • Pe. SCRIVO Gaetano             Vigário do Reitor-Mor
  • Pe. NATALI Paolo                   Conselheiro para a Formação
  • Pe. VECCHI Juan Edmundo          Conselheiro para a Pastoral Juvenil
  • Pe. CUEVAS LEON Sergio   Conselheiro para a FS e a CS
  • Pe. VAN LOOY Luc                 Conselheiro para as Missões
  • Pe. PARON Omero                 Ecônomo geral
  • Pe. BOSONI Luigi                   Conselheiro regional
  • Pe. BRITSCHU Domenico     Conselheiro regional
  • Pe. McPAKE Martin                Conselheiro regional

11, Pe. PANAKEZHAM Thomas   Conselheiro regional

  • Pe. RICO José Antonio           Conselheiro regional
  • Pe. TECHERA Carlos              Conselheiro regional
  • Pe. MARACCANI Francesco Secretário geral - Regulador
  • Pe. PIORA Luigi                       Procurador geral

Região América Latina - Atlântico

  • Pe. CANTINI Juan                    Inspetor Argentina - Buenos Aires

17, Pe. NEGROTTI Santiago         Delegado Argentina - Buenos Aires

  • Pe. STOCHETTI Benjamin     Inspetor Argentina - Bahía Blanca
  • Pe. SANTECCHIA Benito       Delegado Argentina - Bahía Blanca
  • Pe. BRIONES Juan Antolín   Inspetor Argentina - Córdoba
  • Pe. JARA Wálter Luis              Delegado Argentina - Córdoba
  • Pe. IZURIETA Hugo                 Inspetor Argentina - La Plata
  • Pe. TIMOSSI Luis                     Delegado Argentina - La Plata
  • Pe. DEL DEGAN Mario           Inspetor Argentina - Rosario
  • Pe. PERSIG Mario                    Delegado Argentina - Rosario

26, Pe. ZANDONADE Décio         Inspetor Brasil - Belo Horizonte

  • Pe. CALIMAN CAMATTA Cleto       Delegado Brasil - Belo Horizonte
  • Pe. MARINONI José                Inspetor Brasil - Campo Grando
  • Pe. FORALOSSO José           Delegado Brasil - Campo Grande

30 Pe. MORANDO Benjamin        Inspetor Brasil - Manaus
31, Pe. SUCARRATS João          Delegado Brasil - Manaus
32 Pe. BALESTIERI José Jovêncio       Inspetor Brasil - Porto Alegre

  • Pe. SANDRINI Marcos           Delegado Brasil - Porto Alegre
  • Pe. LINARD NUVENS Orsini Inspetor Brasil - Recife

35, Pe. COSTA Raimundo            Delegado Brasil - Recife

  • Pe. PICCOLI Luiz Gonzaga  Inspetor Brasil - São Paulo
  • Pe. PESSINATTI Nivaldo Luiz        Delegado Brasil - São Paulo
  • Pe. ZABALA Ascensio           Inspetor Paraguai
  • Pe. MACIEL Bienvenido        Delegado Paraguai
  • Pe. REYES F. Victor               Inspetor Uruguai
  • Pe. MUNIZ Claudio                 Delegado Uruguai

Região América Latina - Pacífico - Caribe

  • Pe. SOTO Angel                      Inspetor Antilhas
  • Pe. SOTO Julio                        Delegado Antilhas
  • Pe. LONGO Carlos                  Inspetor Bolívia
  • Pe. IRIARTE AGUIRREZABAL José Delegado Bolívia
  • Pe. CHINCHILLA Luis Ricardo       Inspetor América Central
  • Pe. VIAN MORALES Oscar Julio Delegado América Central
  • Pe. EZZATI Ricardo                Inspetor Chile
  • Pe. NICOLUSSI José             Delegado Chile
  • Pe. VIDELA Alfredo                Delegado Chile
  • Pe. APONTE Carlos Julio      Inspetor Colômbia - Bogotá
  • Pe. CASTRELLON Camilo    Delegado Colômbia - Bogotá
  • Pe. CALLE Juan Bautista      Inspetor Colômbia - Medellín
  • Pe. BARON Marcos                Delegado Colômbia - Medellín
  • Pe. DELGADO Germán         Inspetor Equador
  • L. PEREZ Gregorio                 Delegado Equador
  • L. GANIS Luis                          Delegado Equador
  • Pe. CHAVEZ Pascual            Inspetor México - Guadalajara
  • Pe. PLASCENCIA José Luis           Delegado México - Guadalajara
  • Pe. GARCIA MONTA= Guillermo Inspetor México - México
  • Pe. ALTAMIRANO A. Fco. Javier Delegado México - México
  • Pe. GIACOMUZZI Carlos       Inspetor Peru
  • Pe. CORDERO Carlos           Delegado Peru
  • Pe. PERON Juan Fabio         Inspetor Venezuela
  • Pe. DIVASSON José Angel  Delegado Venezuela

Região de Língua Inglesa

  • Pe. LONERGAN Patrick         Inspetor África Meridional
  • Pe. COLEMAN John              Delegado África Meridional
  • Pe. FOX Julian                        Inspetor Austrália
  • Pe, FORD Norman                  Delegado Austrália
  • Pe. AUTHIER Richard            Sup. Visit Canada Este
  • Pe. CAVOTO Nino                  Delegado Canada Este
  • Pe. WINSTANLEY Michael   Inspetor Grã-Bretanha
  • Pe. GALLAGHER James       Inspetor Grã-Bretanha
  • Pe. HARRINGTON Joseph   Inspetor Irlanda
  • Pe. FINNEGAN John             Delegado Irlanda
  • Pe. McCORMICK Richard     Inspetor Estados Unidos Leste
  • Pe. ANGELUCCI Patrick        Delegado Estados Unidos Leste
  • L. DUBÉ Emile                         Delegado Estados Unidos Leste
  • Pe. PRENDIVILLE Thomas   Inspetor Estados Unidos Oeste
  • Pe. WANNER Richard           Delegado Estados Unidos Oeste

Região Ásia

  • Pe. ZEN Giovanni Battista     Inspetor China
  • Pe. HON TAI-FAI Savio          Delegado China
  • Pe. THAYIL Thomas               Sup. Visit África Este
  • Pe. ODORICO Luciano ,        Delegado Africa Este
  • Pe. PANFILO Francesco       Inspetor Filipinas
  • Pe. GUSTILO Francis             Delegado Filipinas
  • Pe. BACLIG Mario                   Delegado Filipinas
  • Pe. MASSA Bautista               Inspetor Japão

89, Pe. MIZOBE OSAMU Francesco     Delegado Japão
90. Pe. PIRES Loddy                     Inspetor índia - Bombaim
91, Pe. DSOUZA Joaquim           Delegado índia - Bombaim

  • Pe. ALANCHERIL Sebastian   Inspetor índia - Calcutá
  • Pe. POLACKAL Thomas         Delegado índia - Calcutá
  • Pe. COLUSSI Luciano             Delegado índia - Calcutá
  • Pe. NEDUMALA Soaria           Inspetor Ilidia - Dimapur
  • Pe. MULAYINKAL Thomas     Delegado índia - Dimapur
  • Pe. KALAPURAPUTHENPURA      Johnlnspetor Índia Guwahati
  • Pe. JALA Dominic                    Delegado índia - Guwahati
  • Pe. THELEKKAT Joseph        Delegado índia - Guwahati
  • Pe. THEKEDATHU Joseph    Inspetor índia - Bangalore
  • Pe. PUTHANANGADY            Delegado índia Bangalore
  • Pe. MALAYATTI Jacob            Delegado Índia - Bangalore
  • Pe. DURAIRAJ Vincent           Inspetor Índia - Madrasta
  • Pe. RAJ JASWANT Joseph    Delegado índia - Madrasta
  • Pe. SATHIARAJ John Peter   Delegado índia - Madrasta
  • Pe. CUVELIER Marc                Sup, Visit Coréia
  • Pe. HWANG Paul                     Delegado Coréia
  • Pe. PEDRON Tito                     Inspetor Tailândia
  • Pe. BANCHONG Joseph        Delegado Tailândia
  • Pe. VAN TY Nguyen                Sup, Visit Vietnã
  • Delegado Vietnã

Região Ibérica

  • Pe. BERNARDO David           Inspetor Portugal
  • Pe. CRUZ Simão Pedro          Delegado Portugal
  • Pe. CARABIAS Miguel            Inspetor Espanha - Barcelona
  • Pe. DOMENECH C. Antonio  Delegado Espanha - Barcelona
  • Pe. RIU R. Francisco               Delegado Espanha - Barcelona
  • Pe. ARIAS GOMEZ Ricardo   Inspetor Espanha - Bilbao
  • Pe. MIRANDA REGOJO Angel        Delegado Espanha - Bilbao
  • Pe. CUADRADO SENDINO ArcadioDelegado Espanha - Bilbao
  • Pe. RODRIGUEZ TALLON Antonio Inspetor Espanha - Córdoba
  • Pe. MUSOZ Eusebio                Delegado Espanha - Córdoba
  • Pe. RODRIGUEZ M. Filiberto Inspetor Espanha - León
  • Pe. SANMARTIN PEREZ José Ant. Delegado Espanha - León
  • Pe. GARCIA MARTINEZ Antonio Delegado Espanha - León 125, Pe. LAGUNA VEGAS Aureliano Inspetor Espanha - Madri
  • Pe. CASTRO BARCO Manuel          Delegado Espanha - Madri
  • Pe. ALBUQUERQUE F. Eugenio Delegado Espanha - Madri
  • Pe. VAZQUEZ Francisco        Inspetor Espanha - Sevilla
  • Pe. CALERO Antonio              Delegado Espanha - Sevilla
  • Pe. ASURMENDI Miguel        Inspetor Espanha - Valencia
  • Pe. ORDUNA Cándido            Delegado Espanha - Valencia

Região Itália - Oriente Médio

  • Pe. GALBUSERA Gaetano   Inspetor Itália - Adriática
  • Pe. MAGGI Dalmazio              Delegado Itália - Adriática

134, Pe. VIGANÔ Angelo               Inspetor Itália - Central

  • L. DALLA TORRE Silvano     Delegado Itália - Central
  • Pe. PERRENCHIO Fausto    Delegado Itália - Central
  • Pe. SCAGLIONI Arnaldo        Inspetor Itália - Lombardo Emiliana
  • Pe. RONCHI Ennio                 Delegado Itália - Lombardo Emiliana
  • Pe. RIVA Eugenio                   Delegado Itália - Lombardo Emiliana
  • Pe. LIBERATORE Pasquale                              Inspetor Itália - Ligure Toscana
  • Pe. SAVIO Vincenzo              Delegado Itália - Ligure Toscana
  • Pe. MARTINELLI Antonio      Inspetor Itália - Meridional
  • Pe. ORLANDO Vito                Delegado Itália - Meridional
  • Pe. PALMISANO Nicola        Delegado Itália - Meridional
  • Pe. FILIPPINI Carlo                Inspetor Itália - Novarese Helvética
  • Pe. PALIZZI Giuliano            Delegado Itália - Novarese Helvética
  • Pe. SPERA Ilario                    Inspetor Itália - Romana
  • Pe. PUSSINO Gian Luigi      Delegado Itália - Romana
  • Pe. PETROSINO Antonio     Delegado Itália - Romana
  • Pe. CASTI Giusippe               Sup, Visit Itália - Sardegna
  • Pe. LILLIU Giovanni              Delegado Itália - Sardegna
  • Pe. COSTANZO Vittorio        Inspetor Itália - Sicília
  • Pe. PERRELLI Vito Luigi      Delegado Itália - Sicília
  • Pe. ROMEO Umberto            Delegado Itália - Sicília
  • Pe. BASSET Luigi                  Inspetor Itália - Subalpina
  • Pe. TESTA Luigi                     Delegado Itália - Subalpina
  • Pe. GHIGLIONE Giovanni    Delegado Itália - Subalpina
  • Pe. FILIPPIN Giovanni          Inspetor Itália - Vêneta Leste
  • Pe. ZUPPINI Luigi                  Delegado Itália - Vêneta Leste
  • Pe. TREVISAN Alberto          Delegado Itália - Vêneta Leste
  • Pe. FEDRIGOTTI Giovanni  Inspetor Itália - Vêneta Oeste
  • Pe. BREGOLIN Adriano        Delegado Itália - Vêneta Oeste
  • Pe. PICCHIONI Alfredo         Inspetor Médio Oriente
  • Pe. POZZO Vittorio                Delegado Médio Oriente

Região Europa Norte e África Central

  • Pe. DINGSNEN Jean            Inspetor África Central
  • Pe. TAFUNGA Jean-Pierre  Delegado Africa Central
  • Pe. KELER Josef                   Inspetor Áustria
  • Pe. MAIER Bernhard             Delegado Áustria
  • Pe. DESMET Lucien             Inspetor Bélgica Norte
  • Pe. BIESMANS Hendrik       Delegado Bélgica Norte
  • Pe. DOUTRELUINGNE Michel     Delegado Bélgica Sul
  • Pe. DURIEUX Gérard            Delegado Bélgica Sul
  • Pe. KAISER Jozef                  Inspetor Tchecosl. - Bratislava
  • Pe. DERMEK Andrej             Delegado Tchecosl. - Bratislava
  • Pe. VIK Ladislas                     Inspetor Tchecosl. - Praga
  • Pe. KUNETKA Frantisék       Delegado Tchecosl. - Praga
  • Pe. WIRTH Morand                Inspetor França - Lyon
  • Pe. KLENK Edmond              Delegado França - Lyon
  • Pe. BALBO Gérard                 Inspetor França - Paris
  • Pe. RÉAUDIN Yvon               Delegado França - Paris
  • Pe. HELBING Reinhard        Inspetor Alemanha Norte
  • L. MULLER Jean-Paul          Delegado Alemanha Norte
  • Pe. BRECHEISEN August   Inspetor Alemanha Sul
  • Pe. GRÜNNER Josef            Delegado Alemanha Sul
  • Pe. SCHOCH Joannes         Delegado Alemanha Sul
  • Pe. 11ÓCEVAR Stanislav    Inspetor Jugoslávia - Ljubljana
  • Pe. SKRABL Franc                Delegado Jugoslávia - Ljubljana
  • Pe. BARBARIC Mirko            Inspetor Jugoslávia - Zagreb
  • Pe. PRANJIC Marko              Delegado Jugoslávia - Zagreb
  • Pe. ASMA André                    Inspetor Holanda
  • Pe. VAN VIIET Bertus            Delegado Holanda
  • Pe. PASZTOR János             Inspetor Hungria
  • Pe. BAJI János                       Delegado Hungria

 

Delegação da Polônia

  • Pe. WEDER Zdzislaw           Inspetor Polônia - Varsóvia
  • Pe. JANECZEK Aleksander Delegado Polônia - Varsóvia
  • Pe. MALINOWSKI Zbigniew           Delegado Polônia - Varsóvia
  • Pe. SKOPIAK Stanislaw       Inspetor Polônia - Pila
  • Pe. STYRNA Stanislaw        Delegado Polônia - Pila
  • Pe. GLISCINSKYI Jan           Delegado Polônia - Pila
  • Pe. SMIGIELSKI Adam          Inspetor Polônia - Wroclaw
  • Pe. WILK Józef                       Delegado Polônia - Wroclaw
  • Pe. BIEGUS Piotr                   Inspetor Polônia - Cracóvia
  • Pe. DZIUBINSKI Marian       Delegado Polônia - Cracóvia
  • Pe. KRASON Franciszek      Delegado Polônia - Cracóvia

Visitadoria Universidade Pontifícia Salesiana

  • Pe. VAN LUYN Adriaan        Sup. Visit. UPS
  • Pe. BERTONE Tarcisio         Delegado UPS

Casa Geral

  • L. ROMALDI Renato              Delegado RMG

1) Substituído pelo Pe. Josef Kopecky a partir de 15.04
Observadores

  • Pe. DZIEDZIEL Augustyn       Delegado do RM para a Polônia
  • L. DUSABEYEZU Cyprien     África Central
  • L. MARTIN Fernando               México - México
  • L. VALERI Nello                        índia     Guwahati
  • L. VESPA Pietro                       Itália - Romana
  • Pe. MÉSIDOR Jacques           Haiti

Secretários
Pe. AUCELLO Giacinto                 Casa Geral
Pe. CASTELLANOS Francisco    Casa Geral
Pe. MAURI Mario                            Casa Geral
Tradutores
Pe. MERINO Nicola                       Espanhol
Pe. OHALLORAN James             Inglês
Pe. PETIT Lambert                         Francês
Pe. WILLLIAMS George                Inglês

ÍNDICE ANALÍTICO
(os números indicam os marginais do texto)
Acolhida
Jesus manifesta a pedagogia do amor na a. aos pequenos e aos pecadores 12;
valores de a. em alguns contextos 23 28;
a a. do salesiano sinal de Deus para o jovem 98-99 105 164 219;
a. da vida 124;
a. como atitude para favorecer a pertença eclesial 143;
a educação da fé nos ambientes de ampla a. (oratórios, centros juvenis e outros)
262-266;
comunidade de a. para jovens em situação difícil 290-294
África
empenho da Congregação no contexto da A. 33s;
orientação operacional para a presença salesiana na A. 310
Agências educativas
relação dos jovens com as a. e. 53: a família 54-55, a instituição escolar 56, as instituições religiosas 57-59;
a. e. particulares: o trabalho 60, o grupo juvenil 61, a rua e os outros ambientes de agregação espontânea 62, a comunicação social 63;
empenhos da Congregação: nos ambientes de ampla acolhida 262-266, nos ambientes de educação sistemática 267-273, nos grupos juvenis 274-283, nas grandes convocações juvenis 295-299
Alegria
espiritualidade da a. como núcleo fundamental da espiritualidade juvenil salesiana: a a. da bondade 165, e o empenho do crescimento 166
Amadurecimento
quatro grandes aspectos do a. cristão 116-119: para o a. humano 120-129, para o encontro autêntico com Jesus Cristo 130-139, para uma intensa pertença eclesial 140-148, para um empenho pelo Reino 149-156;
a. progressivo da pertença à Igreja 141-148;
reflexos da atual relação vida/amor sobre o a. 193-196
Ambiente/es

  • a. humano lugar concreto no qual a comunidade expressa a sua fé 1;

a. "oratoriano" paradigma de qualquer ambiente nosso 100;
a. acolhedor para quem começa o caminho de fé 105;
a. salesiano e experiência de Igreja 169-170;
para educar no amor criar a. ricos de intercâmbios comunicativo-afetivos 196:
a educação da fé nos a. de ampla acolhida (oratórios, centros juvenis e outros)
262-266; nos a. de educação sistemática 267-273:
novos a. (lugares) do agregação e educação: a rua, as salas de divertimento e
de reunião, etc. 62;
v. também Situações
Amizade
ocasiões de a. para o jovem no trabalho 60, na rua e nos outros espaços de
agregação 62;
a necessidade de a. no jovem 143 169;
a presença de a. dos educadores, elemento fundamental do ambiente educativo
salesiano e do caminho de fé 99-100 107 124 143 159 290;
valor da a. no caminho vocacional 151;
espiritualidade juvenil salesiana como espiritualidade da a. para com o Senhor
Jesus 167-168;
a a. na espiritualidade de comunhão eclesial 169-170;

  • clima de a. na celebração da Eucaristia 175; v. também Festa

Amor
pedagogia do a. testemunhada por Jesus Cristo 12, por Dom Bosco 97;

  • testemunho de modelos inspirados pelo a. de Cristo revela aos jovens o valor da fé 135;
  • empenho apostólico amadurece o a. que se faz dom na comunidade cristã e na sociedade 155;

na bondade do salesiano os jovens descobrem um sinal de Deus que ama (o que os leva a amar a vida) 164;.
Reconciliação o Eucaristia sacramentos do a. 174-175;
educação para o a.: a situação 192, os reflexos sobre o caminho de fé 193-196, aspectos de uma educação adequada 197-200, o testemunho do salesiano 201, uma atenta catequese 202;
para a construção da civilização do a, 210-214;
v. também Caridade, Vida
Animadores
promoção dos a. no oratório-centro juvenil 266;
programação e avaliação anual de um caminho de formação pedagógica e sale‑
siana para os a. de grupo 281;
a. para as grandes reuniões juvenis 298;
a Inspetoria prepare os irmãos para a função de a. de comunidades 222;

  • Inspetor nomeia um a. que oriente e coordene a dimensão vocacional e mantenha os contatos com a Igreja 253

Áreas
a. de atenção no caminho de educação da fé: a meta global (o homem orientado para Cristo que sabe integrar fé e vida) 112-115; quatro grandes aspectos do amadurecimento cristão como "a." 116-119: para a maturidade humana 120-129, para o encontro autêntico com Jesus Cristo 130.139, para uma intensa pertença eclesial 140-148, para um empenho pelo Reino 149-156
Batismo
a vocação batismal na espiritualidade juvenil salesiana 159 164 173;
opção vocacional como desenvolvimento da vocação humana e batismal 149s; espiritualidade participação viva no poder do Espírito Santo recebida no Batismo

  • completada na Crisma (discurso do Papa ao CG) 334

Bem-aventuranças

  • espírito e as exigências das b. na espiritualidade juvenil salesiana, 162 166 167

Bosco (Dom)
DB tornou os jovens protagonistas da evangelização de outros jovens 70 159;
a experiência espiritual vivida na esteira de DB na raiz da nossa esperança 92;
DB nos ensina a reconhecer a presença operante de Deus nos jovens 94;
DB mestre em ir ao encontro dos jovens 97 100;
DB modelo de integração fé e vida 120, e síntese entre fé e vida 162 178 180;
para DB a religião é ponto de referência para a educação 123 159;
DB santo da alegria 165-166;
DB mestre das bem-aventuranças 166, e do encontro com Jesus Cristo 167-168;
DB educador dos jovens para uma comunhão de responsabilidade 170;
DB e o amor à Igreja 171;
DB e a influência educativa dos sacramentos 148 173-175, e da oração 176;
DB e Maria 177;
DB e a compreensão da fórmula "honestos cidadãos e bons cristãos" 178-180;
a experiência exemplar de DB no seu contexto social 207;
DB e a orientação vocacional 248, cf 154 (a apresentação de DB na proposta
vocacional);
DB e o desafio dos meios de comunicação 256;
DB e Bartolomeu Garelli, tipo da aproximação aos meninos e jovens em dificul‑
dade 291;
DB convida a "educar com um projeto" com a originalidade e a coragem da proposta de uma "santidade juvenil" (mensagem do Papa) 312-313);
DB "gênio do coração" transmissor de uma opção pedagógica original (do discurso do Papa ao CG) 332
Caminho (de educação da fé)
construir um c. apropriado aos jovens: resposta do CG23 10;
as comunidades devem tomar em consideração o próprio contexto se quiserem
percorrer um c. de fé com os jovens 17;
na origem do c. a obra de Deus reconhecida em cada situação juvenil 94-96;

  • ponto de partida do e.: ir aos jovens 97-100;

momentos do c.: uma proposta de fé dentro de um c. educativo com particulares características (critérios) 101-111;
áreas de atenção: a meta global (o homem orientado para Cristo, que sabe integrar fé e vida) 112-115; quatro grandes aspectos do amadurecimento cristão como "áreas" 116-119: para a maturidade humana 120-129, para o encontro autêntico com Jesus Cristo 130.139, para uma intensa pertença eclesial 140-148, para um compromisso pelo Reino 149-156;
a presença de Maria no c. de fé 157;
c. de fé e formação da consciência 185;
os reflexos da atual relação vida/amor sobre o c. 193;

  • c. de fé dos jovens exige o testemunho da comunidade 219-220;
  • c. de fé dos jovens exige que a comunidade salesiana se insira no mundo juvenil com uma nova qualidade pastoral 225-230;
  • c. de fé dos jovens exige que a comunidade salesiana se torne animadora da comunidade educativa pastoral e da Família Salesiana 232-238;
  • c. de fé dos jovens exige da comunidade uma pastoral orgânica 239-246, uma particular atenção à orientação vocacional 247-253, uma nova forma de comunicação 254-260;
  • c. de fé dos jovens em situações particulares: nos ambientes de ampla acolhida 262-266, nos ambientes de educação sistemática 267-273, nos grupos juvenis (MJS) 274-283, no encontro pessoal com o jovem 284-289, nas comunidades para jovens em situação difícil 290-294, nas grandes reuniões juvenis 295-299;
  • caminho vocacional: v. Vocação

Capítulo/os Geral/ais
a missão salesiana no CG20 5, no CG21 6, no CG22 7, no CG23 8-11;

  • CG23 relança a pesquisa sobre a espiritualidade juvenil salesiana aprofundada no CGE e no CG21 158;
  • CG23 e os salesianos diante dos pobres no mundo 203-204;

ligação ideal com o CG21 para situações particulares que orientam específicas experiências juvenis 261;
importância e notas distintivas do CG (palavras do card. Hamer) 315-317; características e finalidade do CG23 (discurso inicial do RM) 318-323; a mensagem do CG23 (discurso final do RM) 345
Caridade
seguimos o método da c. do bom Pastor 93; a c. característica do ambiente oratoriano 100; c. e integração fé/vida 115 122;

  • testemunho de modelos eminentes de c. revela aos jovens o valor da fé 135; vivendo a c. pastoral e o ambiente de família, os salesianos despertam nos jovens a pergunta sobre a felicidade 162;

a formação dos irmãos cultivará a interioridade apostólica que é a um tempo c. pastoral e capacidade pedagógica 221;
da c. pastoral jorra a força de síntese unitiva (discurso do Papa ao CG) 332; cf. 349;
dimensão social da c.: componente essencial da ética cristã 203-204, necessidade de uma educação difusa 205.207, a resposta histórica de Dom Bosco 207-208, educar no valor da pessoa 209, conhecer a complexidade da realidade sócio-política 210, introduzir os jovens em situações que pedem solidariedade 211, responder com projetos concretos de solidariedade 212, uma solidariedade fundada sobre o Evangelho e sobre a fé 213, também em exigências de participação política 214;
na atividade educativa e pastoral salesiana deverá brotar a dimensão social da c. (mensagem do Papa) 314;
um ponto claramente vinculado com a nova evangelização é a dimensão social da c. (discurso final do RM) 355;
v. também Amor
Catequese
c. que favorece o anúncio 136, e leva à transformação tia vida 138 (confronto
com os grandes problemas culturais);
c. sacramental progressiva 148;
c. que encaminha para a reflexão vocacional 153;
c. específica para a formação da consciência 189;
c. e educação do amor 202;
a c. no oratório-centro juvenil 264-265;
a comunidade cultive a capacidade comunicativa na c. 258;
v. também Evangelização, Fé (Educação na)
Centros
os c. de pastoral nacionais e regionais 245;
a educação da fé nos c. juvenis 262-266, nos c. de preparação para o trabalho (ambientes de educação sistemática) 267-273
Ciências (da educação)
a reflexão sobre os contextos serve-se da contribuição das c. especificas 16; para o amadurecimento da fé o educador se serve das c. da educação 123; empenho pela qualificação dos irmãos (especificação pastoral e competência educativa profissional) 221 223
Colaboração
clima de c, nos ambientes salesianos 125 159;
Dom Bosco exemplo de educador dos jovens para a c. 170;
os grupos da Família Salesiana colaboram conosco em co-responsabilidade 234;
a Inspetoria estimule a c, dos leigos 237
Comunicação
procura de c. por parte dos jovens 51;
falta de c, com os jovens distantes 77;
necessidade de uma linguagem capaz de comunicar dentro da nova cultura 85;
a c. interpessoal 125 144 192 196;
promoção da c. pastoral nos vários níveis da Congregação 242246;

  • caminho de fé dos jovens exige da comunidade uma nova forma de c.: importância da c. 254, para o jovem 255, desafio aos educadores 256, orientações operacionais 257-260;

cultivo da c. entre os grupos juvenis 282; nos grandes encontros juvenis 297; v. também Relações
Comunicação social
por causa dos meios de c. s. o mundo se torna cada vez mais uma "aldeia" 17; os jovens e a c. s. 63 183 254 255;
a c. s, e a irrelevância da fé 84;
a c. s. desafia os educadores salesianos 256; empenho da Congregação na c. s. neste sexênio 257, a comunidade local e a c. s. 258, o Inspetor e o encarregado inspetorial da c. s. (funções) 259, o Conselheiro Geral para a c. s. (Punções) 260; v. também Comunicação
Comunidade
a c. salesiana como prioridade no CG21 6;
a c. salesiana empenhada em compreender o contexto em que é colocada 15s; a c. salesiana interpelada pelos desafios juvenis 89, a resposta e as convicções que a alimentam 90-93 208-214;
a c. salesiana e a nova evangelização 215: sinal de fé 216, escola de fé 217, centro de comunhão 218, testemunha de Jesus Cristo 219-220; a c. local: programa anual de formação permanente para cada c. 1. 243; a c. 1. e inserção evangelizadora no contexto e no mundo juvenil (escrutínio anual) 229, c. I e realização da c. educativa pastoral 236, as funções na c. I. 243; a c. 1, lugar resolutivo da pastoral vocacional 250, expressa suas modalidades no próprio projeto educativo pastoral e as realiza 252, cuide da própria capacidade comunicativa 258;
experiências de participação juvenil na c. cristã 147;
a c. educativo-pastoral único âmbito do processo de educação da fé 110-111 170 232-233;

  • caminho de fé dos jovens exige que a c. salesiana se torne animadora da c. educativo-pastoral 232-246;

necessária unidade e convergência operativa na c, educativa pastoral 242, orientações operacionais 242-246;
c. para jovens em situação difícil 290-294;
vibrante apelo à c, inspetorial e local (discurso final do RM) 351.352, iniciativas interinspetoriais (ib) 353;
v. também Educação, Fé, Desafios
Concentrações
as grandes c. juvenis 295-296, para que tenham qualidade de anúncio 297-299
Concílio Vaticano II

  • C. V. II estimula a educação e o acompanhamento do homem 3; novo clima ecumênico por influência do C. V, II 71

Confirmação
catequese da C. para despertar o sentido da presença do Espírito 148;
a C. leva a realizar a maturidade da fé 173;
Espiritualidade participação viva no poder do Espírito Santo recebida no Batis‑
mo e levada a termo na Crisma (discurso do Papa ao CG) 334
Congregação

  • caminho de renovação percorrido pela C. nestes anos 1-10; a C. desafiada pela leitura dos contextos e da situação dos jovens diante da fé 75s;
  • empenho prioritário da C. para a formação permanente e a qualificação contínua dos irmãos 221-224;
  • empenho prioritário da C. para a formação permanente e a qualificação contínua dos irmãos 221-224;

empenho da C. em qualificar as próprias presenças para a educação da fé 228-231, em construir em todas as presenças a comunidade educativa pastoral e em qualificar os leigos 235-238;
a C. e as estruturas de animação pastoral: necessidade da comunhão operativa 240, orientações operacionais 242-246;
reflexão feita pela C. sobre a orientação vocacional 249.250;
fazer conhecer e amar a história e a vida da C. 252;
envolvimento da C. nos problemas da comunicação social, 256, orientações operacionais 257-260
Conselho Geral v. Reitor-Mor
Contextos
c. em que vivem as comunidades salesianas: um olhar pastoral para os c. 15-17, c. marcados por abundância de bens materiais 18-21, c. de empobrecimento 22-26, c. de outras religiões 27-32, novos países independentes 33-37, êxodo dos regimes autoritários 38-41, grupos autóctones e minorias étnicas 42-44
Conversão

  • caminho de c. à Pessoa de Cristo 137-138

Cooperadores Salesianos
mensagem do CG23 aos CCSS 337-338: um convite no nome de DB para associar-se ao seu trabalho de educação na/da fé dos jovens 337, a complementaridade

  • apostólica na FS e o apelo de crescimento aos irmãos salesianos 338

Consciência
formação da c.: sentido vivo deliberativo 182, o reflexo sobre os jovens 183-185, a intervenção educativa 186-187, uma leitura evangélica da realidade 188, catequese especifica 189, sentido do mistério, do pecado e do limite 190, a exigência de confrontar-se com uma norma 191
Constituições
modificações e acréscimos ao texto das C. 301-304: supressão do n. 14 do § 1 do art. 132 das C. 304; modificações do § 2 do art. 132 das C. 303; modificações do art, 151,8 das C. 304;
interpretação prática com referência ao art. 151, 7 e 8 das C. 306
Cotidiano
espiritualidade do c.: é síntese entre fé e vida 162, riqueza descoberta da Encarnação 163, amor à vida 164
Cristo
v. Jesus Cristo
Critérios
c. segundo os quais se move o sentido salesiano ao orientar para a fé: 101111: uma proposta de fé dentro do processo educativo 102, que tem constantemente presente dois poios: os jovens e Cristo 103; é um caminho educativo 104, que privilegia os últimos e os mais pobres 105, que caminha sempre para novas metas 106, que se adequa ao ritmo de cada jovem 107-109, que se realiza em comunidade 110-111
Crônica
c. do CG23 366.383
Cultura
situação juvenil e c.: nos contextos marcados por abundância de bens materiais 19, nos contextos de empobrecimento 22-23, nos contextos de outras religiões 28, nos novos países independentes 33-34, no êxodo dos regimes autoritários 39, nos grupos autóctones e minorias étnicas 42;
c, vivida e fé 16; irrelevância da fé na c. hodierna 83-85, o confronto entre fé e problemas da c. 138 186-188 228;

  • percurso para a maturidade humana como resposta aos desafios da c. atual 129; a c. e as outras dimensões nos ambientes de educação sistemática 267-273; a explosão das c. e a nova evangelização (discurso final do RM) 346.347; v. também Contextos

Delegado

  • d. da pastoral juvenil e a sua equipe 244


Deliberações
d. referentes a grupos de Inspetorias 308-309;
d. capitulares sobre os empenhos operacionais da comunidade 219-256
Desafios
os novos d. do mundo dos jovens 8, observados por todas as Inspetorias 9, ao qual responde o CG23 10, inspirando-se na pedagogia do Pai 11, testemunhada pelo Filho 12, difundida pelo Espírito Santo 13, para que os jovens tenham a vida 14;
os desafios mais urgentes focalizados pelo CG23: distância/estraneidade 76-77, a pobreza 78-82 203-204, irrelevância da fé 83-85, encontro com as outras religiões 86, a vida 87-88;
a resposta da comunidade salesiana aos d. juvenis 89; convicções na raiz da sua esperança 90-93;
quatro grandes aspectos do amadurecimento cristão, resposta aos d. da atual situação cultural e juvenil 117; v. também Amadurecimento;

  • percurso em direção à maturidade humana como resposta aos d. 129; a espiritualidade juvenil salesiana perante o d. fundamental para o fiel 162-164

Deus
presença de D. Pai na experiência do salesiano 7;
a pedagogia de D. Pai como modelo para a educação dos jovens na fé 11;
testemunhada pelo Filho 12, difundida pelo Espírito Santo 13;
D. como pergunta para os jovens 8; irrelevância da pergunta sobre D. 83;
a missão juvenil colaboração na obra de D. 90-91;
a obra de D. reconhecida em cada situação juvenil na origem do caminho de
educação da fé 94-96;
abertura a D. na descoberta do sentido da vida 128;

  • humano como lugar do encontro com D. na espiritualidade juvenil salesiana

163-164;
D. horizonte de autêntica compreensão do amor 194;
a comunidade salesiana testemunha de D. 219.220;
v. também Jesus Cristo, Espírito Santo
Diálogo
d. pessoal com o jovem (formas e indicações) 284-289 Dicastério/os

  • Reitor-Mor ofereça, por meio dos dicastérios, elementos e linhas para um "projeto-leigos" na Congregação 238;
  • d. para a Pastoral Juvenil referência unificadora dos serviços, atividades e obras que visam à educação da juventude 246 v. também Reitor-Mor

Diretor
comunidade local, animada pelo d., tenha um programa anual de formação permanente 222;
a Inspetoria preveja iniciativas de formação dos d. no campo da direção espiritual 223;

  • d. recupere o papel de orientador dos jovens 252;

ao d. pedem-se empenhos para os grupos juvenis e para a SJS 279-283;

  • d. tome a peito o encontro pessoal com os jovens 287

Direção espiritual
a d. e, no discernimento vocacional 155;
a d, e. no Sistema Preventivo 158;
a d. e. no prolongamento da Reconciliação 174;
iniciativas de formação da d. e. 223 253;
a d. e. como encontro pessoal com o jovem 284-289
Discernimento
educação ao d. ético 186-187;

  • d. vocacional 155 250 252-253

Distantes
jovens religiosamente d.: situações 64-66, como desafio à nossa vocação de educadores da fé 76-77 97-100 225, destinatários privilegiados do caminho de educação da fé 105 226 230
Economia
sistema econômico e contextos marcados pela abundância de bens materiais 18, nos contextos de empobrecimento 22 24-25, nos contextos de outras religiões 29, nos novos países independentes 33, no êxodo dos regimes autoritários 38
Educação
história do empenho da Congregação para a e. 140;
a e, se inspira na pedagogia de Deus 1144;
a e. nos novos países independentes 34 37;
as instituições educativas e os jovens 53: a família 54-55, a instituição escolar 56,
as instituições religiosas 57-59;

  1. oratório como paradigma de todo ambiente educativo salesiano 100;
  2. processo educativo, espaço privilegiado para o caminho para a fé 102-111;

ciência e sabedoria exigidas para a e. 123, algumas metas essenciais 124-129;
a espiritualidade salesiana é uma espiritualidade juvenil e por isso espirituali‑
dade educativa 160;
alguns pontos-chave da e. da fé 181: formação da consciência 182.191, e do
amor 192-202, dimensão social (sócio-política) da caridade 203-214;
coroamento da e. é a orientação vocacional 247
a e. da fé nos ambientes de e. sistemática 267-273;
a e. dos jovens é uma das grandes instâncias da nova evangelização (discurso
do Papa ao CG) 332;
"nova e." exigida pela "nova evangelização": a síntese pedagógica do método de
Dom Bosco (discurso final do RM) 348-349;
v. também Caminho, Fé, Amadurecimento
Encarnação
descoberta da E. na espiritualidade juvenil salesiana 163
Encontro

  1. e. pessoal com o jovem e a educação da fé (orientações) 284-289

Escola
os jovens e a e. (instituições educativas) 56;
a rua e. de vida para muitos jovens em contextos de pobreza 62;
comunidade "e. de fé" para os jovens 217;
a educação da fé na e. (ambientes de educação sistemática) 267-273
Escrutínio
e. anual da comunidade local sobre a inserção evangelizadora no contexto e no mundo juvenil 229
Esperança
as nossas comunidades sinais de e. 82 85;
exercício da e. como estilo de vida 115 124;
a e. como característica do ambiente de Valdocco 165;
Maria SS. fonte de e. 177
Espírito Santo
E. S. guia do caminho de renovação da Congregação 1 5;
E. S. difunde a sabedoria pedagógica do Pai 13;
a obra do E. S. nos jovens, base para a educação da fé 91 95 112 164 (recompo‑
sição da unidade) 168;
E. S. e vida como projeto vocacional 178-180;
E. S. fonte de comunhão operativa na pastoral 239;
espiritualidade significa participação no poder vivo do E. S. recebido no sacra‑
mento do Batismo e levado à plenitude na Crisma (discurso do Papa ao CG) 334
Espiritualidade (juvenil salesiana)
a EJS como experiência vivida 92;
a EJS: uma espiritualidade "salesiana" e uma e. "juvenil", por isso é uma e. "educativa" 158-160;
os núcleos fundamentais da EJS 161: e. do cotidiano 162.164, e. da alegria e do otimismo 165-166, e, da amizade com o Senhor Jesus 167-168, e. de comunhão eclesial 169-177, e. de serviço responsável 178-180;
aprofundamento da EJS pelos responsáveis dos grupos juvenis e do MJS 283; e. juvenil a ser aprofundada: DB "mestre de espiritualidade juvenil" (mensagem do Papa) 313;
a síntese orgânica entre fé e vida que se deve fazer amadurecer nos jovens se alcança somente mediante a força de uma e. concreta (discurso inicial do RM) 327;
suscitar entre os jovens uma autêntica e. (discurso do Papa ao CG) 334
Eucaristia
participação no mistério da Igreja mediante a E. 148;

  1. encontro com Cristo e com os irmãos no sacramento da E. 175; acompanhamento dos jovens em dificuldades até ao encontro na E. 294; v. também Sacramentos

Evangelho

  1. anúncio do E. aos jovens 136-137;

E. e vida cotidiana 149-184 186.189;
releitura do E. na espiritualidade juvenil salesiana 162-163 166;
a dimensão social da caridade, dimensão constitutiva do E. 204;
a comunidade salesiana chamada a repensar-se e renovar-se à luz do E. 215-218;
v. também Palavra de Deus
Evangelização
a nova e., razões e contexto 4;
nova e. e missão juvenil salesiana 90-91;
nova e. e comunidade salesiana 215.218, necessidade do testemunho da comuni‑
dade 219-220;
a comunidade local procura os caminhos concretos para revitalizar a própria
presença entre os jovens e avalia anualmente, com um "escrutínio", a incidência
da sua ação evangelizadora 229;
a e. alma do oratório-centro juvenil 264;
explosão das culturas e nova e. (discurso final do RM) 346.347;
a originalidade da e. da juventude segundo a práxis educativa de DB (ib) 348
Ex-alunos
Mensagem do CG23 aos E. de Dom Bosco 339-343: redescobrir a paixão pelos jovens e olhar para eles com os olhos de DB 340; os E. chamados a se tornarem testemunhas de• uma missão juvenil 341; a importância de realizar Uma autêntica comunidade educativa 341; a responsabilidade dos SDB em relação à formação humana espiritual e salesiana dos E. 342
Experiência
e. espiritual a ser comunicada aos jovens 92;

  1. anúncio de Jesus Cristo inserido na e. do jovem;

e. de vida e e. religiosa 120 132;
e. de Igreja 140s;
e. unitária do sistema preventivo 158;
partilhar a e. dos jovens 160;
a e. evangélica, síntese fé e vida 162-164; a e. de grupo e a educação da fé 144 274; v. também Cotidiano
Falências
f. educativas: significado 108
Família
a f. e os jovens 54-55 193-196;
a iniciação na fé a partir da f. 139; preparação para formar a f. 148 178 180
Família Salesiana

  1. caminho de fé nos jovens exige que a comunidade salesiana se torne animadora da FS 234; empenhos operacionais 235-236;

estamos- em comunhão, somos FS mobilizada apostolicamente (da mensagem do CG23 aos Cooperadores) 338;
empenho de animação dos leigos da FS (discurso final do EM) 354

da "missão" ao "caminho de educação da 1." 1-14;
novas perguntas à f. dos jovens 8.9, e resposta do CG23 10-14; f. e contextos: v. Contextos;
perspectivas e riscos para a educação dos jovens na :f.: v. Jovens (situações); os jovens diante da f.: jovens distantes 64-66, jovens abertos ao discurso religioso 67, jovens da prática religiosa 68, jovens empenhados 69-70, jovens de outras confissões cristãs 71, jovens das outras religiões 72-74;
desafios para a educação da f. 75: distância.estraneidade 76-77, pobreza 78-82, irrelevância da f. na vida e na cultura 83-85, encontro com as outras religiões 86, a vida 87-88; o caminho de educação na f.: origem do caminho 94-96, momentos do caminho 101-111, meta global e áreas de atenção 112-156 (v. também Caminho); integração f. e vida 114-115 138 162-164 178-180 186-187; confronto entre f. e problemas culturais 138; cf. 349 (discursos final do RM); para uma f. robusta e dinâmica 139;

  1. ato de f. na Igreja 146;

alguns pontos-chave da educação da f. 181: formação da consciência 182-224; a inserção no contexto e no mundo juvenil 225-231, a animação da comunidade educativa pastoral e da FS 232-238, uma pastoral orgânica 239-246; a atenção à orientação vocacional 247-253, uma nova forma de comunicação 254-260; a educação da f. em algumas situações particulares 261: ambientes de ampla acolhida 262-266, ambientes de educação sistemática 267-273, o grupo juvenil (MJS) 274-283,

  1. encontro pessoal com o jovem 284-289, comunidades para jovens em situação difícil 290-294, grandes reuniões juvenis 295-299


Festa
características da f. salesiana 165
Filhas de Maria Auxiliadora
Saudação às FMA capitulares no Capítulo Geral XIX do Instituto 336 Fim
todo o processo educativo seja ordenado ao f. religioso da salvação (discurso do Papa ao CG) 331;
v. Meta
Formação Permanente
necessidade da f. p. para a comunidade salesiana 229;
a f. p. empenho prioritário da Congregação neste sexênio 221: programa anual de f. p. para cada comunidade local 222, plano orgânico de f. p. para cada Inspetoria 223; f. p. como atitude constante amadurecida por iniciativas inspetoriais e locais que ajudem a traduzir em prática nas casas e cotidianamente as diretrizes capitulares (discurso final do RM) 352
Grupo/os
Importância do g. juvenil entre as "agências de educação" 61;
a "vontade" de grupo 144, e o grupo como lugar de descoberta da Igreja 145;
os j. na comununhão eclesial 169;
os j. vocacionais 249-252; a dimensão vocacional em cada j. 253; o g. juvenil na
educação da fé 274; o Movimento Juvenil Salesiano (MJS) 275.277, orientações
operacionais 278-283
História
a Congregação na h. da salvação: da "missão" ao "caminho" da "educação da fé" 1-14;
solidariedade com a h. 2;

  1. caminho para inserir o Reino na h. 117; v. também Bosco (Dom), Congregação

Homem
um "noir() humanismo" torna urgente a educação do h. como pessoa 2.3; os
jovens são sensíveis ao novo humanismo 184;
no caminho de fé é preciso pensar em que tipo (imagem) de h, construir 10
112-113 123 129;
Jesus Cristo verdadeiro e definitivo "projeto-homem" 12, h. perfeito, meta do
caminho do h. 103 113 116 130; também a espiritualidade juvenil salesiana tende
a fazer crescer os jovens segundo a medida de Cristo h. perfeito 160;
cf também 347;
espiritualidade salesiana como espiritualidade de serviço ao h. 178s;
a área do amadurecimento humano 120-129
Igreja
em comunhão com a I. 5 8;
a I. perita em educação 13;
e cultura 16;
a I. nos contextos marcados por abundância de bens materiais 19,
nos contextos de empobrecimento 24, nos contextos de outras religiões 30,
nos novos países idependentes 36, no êxodo dos regimes autoritários 39 40,
junto aos grupos autóctones e as minorias étnicas 43;
situação dos jovens frente à, 1.: jovens distantes 66, jovens abertos a alguma par‑
ticipação 67-68, jovens empenhados 69;
a referência à I. é constante e atravessa todas as áreas 118;

  1. caminho para uma intensa pertença à I.: o encontro com Cristo na I. 140, uma pertença que amadurece progressivamente 141-142, a necessidade de amizade e de relacionamento interpessoais 143, a "vontade" de grupo 144, o grupo como lugar de descoberta ela I. 145, o ato de fé na I. 146, experiências de participação na comunidade cristã 147, a celebração da salvação 148;

a espiritualidade juvenil salesiana como espiritualidade de comunhão eclesial:

  1. desejo de viver juntos 169, para uma comunhão na responsabilidade 170, para com a I. particular 171 226, para com a I. universal 172, com Cristo encontrado nos sacramentos 173, no sacramento do perdão 174, no sacramento da Eucaristia 175; na oração 176; Maria mãe e auxílio da I. 177;
  2. confronto com a experiência da I. para a formação da consciência 181, com o ensino social da I. 210-214, com as orientações da I. na "Christifideles laici" 233; comunhão operativa pastoral tia I. 226 239-242;

ligações com a I. local na pastoral vocacional 253;
a missão salesiana a serviço da I. (card. Hamar) 316, o CG ato de comunhão eclesial (ib) 317;
a I. olha com confiança para os Salesianos e anima a prosseguir no caminho da educação dos jovens (discurso do Papa ao CG) 331
Inserção
a comunidade vive em sintonia com os grandes problemas do mundo e está atenta aos sofrimentos do ambiente em que está inserida 208; i. da comunidade salesiana no contexto e no mundo juvenil-com uma nova qualidade pastoral 225-230;
a i. na Igreja local e no território na revisão do projeto educativo pastoral 230
Inspetor/Inspetoria
desafios observados pelas Inspetorias 8-9;
cada I. elabore um plano orgânico de f. p. dos irmãos 223;
a responsabilidade da L em relação à inserção no contexto e no mundo juvenil 227;
até o próximo CI cada 1.. fará a revisão do PEPS 230;

  1. 1. verifica o caminho feito na realização da comunidade educativa pastoral 236; a I. elabore um programa de formação dos leigos 237;
  2. i. com o seu Conselho é o responsável da pastoral da I.: nomeará um delegado seu para a pastoral juvenil 244;
  3. i. nomeie o encarregado inspetorial da comunicação social (funções) 259;
  4. i. verifique a dimensão vocacional, nomeie um animador inspetorial para coordenar a pastoral vocacional 253;

os organismos da I. e o ensino da religião nos ambientes de educação sistemática 271;
empenhos do i. e dos responsáveis inspetoriais em relação aos grupos juvenis • e ao Movimento Juvenil Salesiano 178-283;
deliberações referentes a grupos de I. 308-309
Integração
i, entre fé e vida ("bom cristão e honesto cidadão") 114.115; v. também Fé, Vida
Interiorização
necessária i. de cada proposta 119;
i. das normas 182 191; v. Consciência
Internatos
a educação da fé nos i. 267-273
Itinerários
os 1. de fé, determinações do caminho adequadas aos jovens que o percorrem 109,
tarefa para o próximo Capitulo Inspetorial 230-261;
a pastoral vocacional parte qualificante dos 1. de fé 251;
i. que devem ser explicitados para cada grupo juvenil e constelação de grupos 280
Jesus Cristo
J. testemunha da obra educativa do Pai 12;
J. e o nosso encontro com as outras religiões 86;
3. e o desafio da "vida" 88;

  1. estilo de existência de J. caminho e método do caminho de fé 92-93; J. ponto de referência do caminho de educação da fé 103 104 110 111 123;
  2. homem orientado para J., meta global do caminho de educação da fé 112-114; a referência a J. é constante e atravessa todas as áreas 118;
  3. caminho para o encontro autêntico com J.: plenitude de vida em Cristo 130
  4. encontro com Ele 131, pelo testemunho 132; algumas metas: dos sinais de Cristo ao testemunho 134.135, do testemunho ao anúncio 136, do anúncio à descoberta da Pessoa de Cristo 137, a transformação da vida 138, uma fé robusta e dinâmica 139;
  5. encontro com J. na Igreja 140s (v. Igreja).

a espiritualidade juvenil salesiana e a contínua descoberta da. Encarnação de J. 163, a seqüela de J. crucificado 166; a espiritualidade juvenil salesiana como espiritualidade da amizade com o Senhor J.: encontro com J. Ressuscitado 167, para um coração novo 168; J. encontrado nos sacramentos 173, no sacramento do perdão 174, no sacramento da Eucaristia 175, na oração 176;
a comunidade salesiana testemunha da seqüela de J. 216;

  1. anúncio de J. nas comunidades de meninos e jovens em dificuldades 292-293

Jovens
a evangelização dos j. no CG20 5, no CG21 6, CG22 7, no CG23 8-14
os j. nos vários contextos marcados por abundância de bens materiais 21, nos contextos de empobrecimento 25, nos contextos de outras religiões 31, nos novos países independentes 37, no êxodo dos regimes autoritários 41, nos grupos autóctones e minorias étnicas 44;
empenho dos j. no social: nos contextos marcados por abundância de bens materiais 21, nos contextos de empobrecimento 26, nos contextos de outras religiões 32, no êxodo dos regimes autoritários 41, perante as várias formas de pobreza 47, no trabalho 60;
aspectos positivos e negativos da situação dos j. 45: diante da pobreza 46-47, a vontade de construir-se 48, a busca de novos valores 49.50, o pedido de novos relacionamentos 51-52;
os j. e as instituições educativas 53: a família 54-55, a instituição escolar 56, as instituições religiosas 57-59, o trabalho 60, o grupo juvenil 61, a rua 62, a comunicação social 63 255; os j. perante a fé: j. distantes 64-66, j. abertos ao discurso religioso 67, j. da prática religiosa 68, j. empenhados 69-70, j. de outras confissões cristãs 71, j. das outras religiões 72-74;
Deus age nos j. na origem do caminho de educação da fé 94-96;

  1. nosso empenho: ir aos j, 97, encontrá-los onde se encontram 98, valorizando quanto já têm 99, oferecendo um ambiente educativo (ambiente "oratoriano"). 100; a espiritualidade salesiana é uma espiritualidade "juvenil" 159; os j. e o sentido da liberdade: a formação da consciência 182-191 (v. também Consciência);

educação dos j. na solidariedade (sócio-política) 203.214; (v. Caridade).

  1. caminho de fé dos j. requer da comunidade salesiana: o testemunho 219-220, a inserção no contexto e no mundo dos j. com uma nova qualidade pastoral 225-230, a animação da comunidade educativa pastoral e da Família Salesiana 232-234; uma pastoral orgânica 239-246, uma particular atenção à sua orientação vocacional 247-259, uma nova forma de comunicação 254-260;

situações específicas dos j. (orientações operacionais) 261: ambientes de ampla acolhida 161-166, ambientes de educação sistemática 267-273, o grupo juvenil 274-283,

  1. encontro pessoal com o jovem 284-289, comunidade para jovens em situação difícil 290-294, grandes reuniões juvenis 295.299;

no centro da vossa atenção estejam sempre os jovens... sede para eles pais e irmãos como DB vos ensinou (discurso do Papa ao CG) 331;
Carta aos jovens 358-365;
v. também Caminho, Evangelização, Fé.
Leigos
a Tnspetoria prepare os irmãos para as funções de formadores dos 1. 223; valorização e co-responsabilidade dos 1. 232-233, orientações operacionais 235-238; envolvimento dos 1. com vistas à educação dos jovens na fé (discurso final do RM) 354
Liberdade/Libertação
liberdade nos contextos marcados pela abundância 18; as aspirações à 1. e a Igreja nos contextos de empobrecimento 24; novo clima de liberdade nos países que saem de regimes autoritários 38 40;
jovens e 1. nas mudanças da sociedade 47 88;
a nossa ação educativa e a 1. 80 115 122 166;

  1. atual sentido vivo de 1. 182, o reflexo sobre os jovens 183-185, a intervenção educativa 186-187, uma leitura evangélica da realidade 188, catequese específica com sentido do mistério e do pecado e do limite 190, a exigência de confrontar-se com uma norma 191;

a libertação das formas velhas e novas de pobreza 204-208 v. também Caridade (dimensão social), Pobreza
Linguagem
irrelevância da 1. religiosa e desafios que de aí derivam 83-85;
1. fácil e imediata para os que começam o caminho 105;
a 1. dos sinais 134 148;
testemunho 1. que convence o jovem 254-255;
a 1. como desafio aos educadores 256, orientações operacionais 257-260;
cultivar a capacidade do salesiano de usar uma 1. adequada 258.
v. também Comunicação, Comunicação Social, Testemunho
Maria SS.
a presença materna de. M. e o caminho de fé 121 157;
M. Mãe e auxílio da Igreja, na espiritualidade juvenil salesiana 177;
a nossa confiança na ajuda de M. (discurso inicial do EM) 328;
M. seja para vós como foi para DB a Mestra e a Guia, a Estrela da nova evangeli‑
zação (discurso do Papa ao CG) 335;
confiemos a M. a comunhão na identidade fraterna de todas as Inspetorias e o
relançamento de uma verdadeira espiritualidade juvenil (discurso final do RM) 357
Mass Media
cf Comunicação Social
Matrimônio
a catequese sobre o m. prepara para viver o amor 148
Meta/as
meta global do caminho de educação na fé: o homem orientado a Cristo 112-113, que sabe integrar fé e vida 114-115;
m. do caminho para a maturidade humana: acolhida da vida 124, abertura aos outros 125, emergir das aspirações profundas 126, descoberta do sentido da vida 127, anseio pelo transcendente 128;
v. também Fim
Missão
da m. para a educação da fé 1-3: a m. no CG20 5, no CG21 6, no CG22 7, no CG23 8.14;
unidade de m. e consagração no CG22 7;
a m. razão de ser da comunidade salesiana 217;
a m. juvenil, colaboração na obra de Deus 90.91 94-96;
vocações e m. 180;
a m. e a dimensão social da caridade 203.214;
vasta é a m. e árdua a tarefa, mas a Igreja olha com confiança para vosso Insti‑
tuto e vos anima a prosseguir (discurso do Papa ao CG) 231
Missões
a primeira expedição missionária salesiana provocação de sensibilidade mundial entre os jovens 172;

  1. renovado entusiasmo missionário abre novos horizontes vocacionais 249

Mistério

  1. sentido do m. na vida de cada pessoa 190

Modelo/os
m. e educação nos novos países independentes 34; m. educativo da tradição salesiana 123, metas 124-129; m. e proposta vocacional 153.154;
m. propostos pela comunicação social 154
Movimento Juvenil Salesiano
natureza do MJS, 175-276, a comunicação entre os grupos no MJS 277, orientações operacionais para a educação da fé no MJS 278-283
Norma
a exigência de confrontar-se com uma n. 191
Oração
a o. no caminho de fé 139;
mediante a o. se realiza a participação mais intensa no mistério da Igreja 148; oração e discernomento vocacional 155;

  1. encontro com Cristo na o. na espiritualidade juvenil salesiana 176

Oratório

  1. O. paradigma de todo nosso ambiente educativo 100;
  2. O. de Vaidocog berço da espiritualidade juvenil salesiana 158, ambiente favorável à vocação 179;

a educação da fé no O. 262-266;
a nós SDB é confiada a responsabilidade da "refundação" do O. (discurso final do RM) 345, fisionomia oratoriana da práxis de DB (ib) 350
Orientação/ões
o. operacionais para situações particulares 261-299: ambiente de ampla acolhida 262-266, ambiente de educação sistemática 267-289, comunidades para jovens em situação difícil 290-294, grandes concentrações juvenis 295-299;
o. operacional para a presença salesiana na África 310;      •
o. vocacional: v. Vocação
Papa
reconheciiento da missão do P. e dos pastores da Igreja 146 171; amor e adesão ao P. componentes da espiritualidade juvenil salesiana 172;
mensagem do P. no início do CG23 311-314;
palavras de homenagem ao P. pronunciadas pelo RM 329; discurso do P. ao CG23 durante a visita de 1.° de maio 330-335;

  1. encorajamento apostólico do P. (discurso final do RM) 356; crônica da visita do P. 380

Palavra de Deus
empenho de ler os contextos à luz da P. 15;
a P. no amaduracimento cristão 118 136 186;
a P. no centro da própria existência na Igreja 146 148;
a P. na iluminação da consciência 191, e no amadurecimento do empenho so‑
cial 213;
P. e uso dos meios da comunicação social 256
v. também Evangelho
Pastoral
a reflexão capitular é uma reflexão pastoral 16;

  1. caminho de fé dos jovens exige uma p. orgânica: a comunhão operativa 239, estruturas de unidade 240-241, as funções na comunidade local 243, o inspetor com o delegado e a equipe para a p. juvenil 244, os centros de p. nacionais ou regionais 245; referência unificadora do dicastério para a p. juvenil 246;

fazem parte da equipe inspetorial de p. juvenil: o delegado para a p. juvenil 244,

  1. animador da p. vocacional 253, o encarregado da comunicação social 259

Pecado

  1. sentido do p. 190;

v. também Consciência, Reconciliação
Peregrinação
a p. como concentração juvenil 295
Pensionatos
a educação da fé nos p. para estudantes e trabalhadores 267-273
Pertença
amadurecimento progressivo da p. à Igreja 141-148
Pessoa/personalidade
a educação da p. empenho prioritário 2;
a vontade de construir uma p. válida, tarefa atual da juventude 48;
p. e valores 49 50 184 192-194 198M
educar para o valor da p. 209;
a "nova evangelização" e a p. 4;
p. que tem Cristo como referência, meta global do caminho 114;
a descoberta da p. de Cristo 137; v. também Jesus Cristo;
v. também Consciência, Amor
Piedade
p. como atitude filial para com o Pai 139 176;
v. Oração, Deus
Política
p. e contexto marcados por abundância de bens materiais 18 e contextos de empobrecimento 22, e contextos de outras religiões 29, e novos países independentes 33, e êxodo dos regimes autoritários 38-39, e grupos autóctones e minorias étcas 42;
étca e p.: rupturas 205-206 necessidade de uma educação difusa 205, educar no valor da pessoa 209, encaminhar ao conhecimento da complexidade da realidade sócio-política 210, introduzir os jovens em situações que pedem solidariedade 211, respondem com projetos concretos de solidariedade fundada sobre o Evangelho e sobre a fé 213, e também em exigências de participação política 214
v. também Caridade (dimensão social)
Pobreza
a p. nos contextos marcados por abundância de bens materiais 18, nos contextos
de empobrecimento 22, nos contextos de outras religiões 29, nos novos países
idependentes 37;
a rua como única escola de vida nos contextos de p. 62;
reações dos jovens diante das várias formas de p. 46-47;
a ID. como desafio à nossa vocação de educadores da fé 78-82 203-204;

  1. caminho de educação da fé privilegia os mais pobres 105, 120, 226;
  2. CG23 e o contínuo confronto com as formas antigas e novas de p. 203-204, o desafio que de aí deriva e a necessidade de formar a mentalidade 205-206, a resposta histórica de Dom Bosco 207, e da comunidade salesiana 208, educar para
  3. valor da pessoa 209, encaminhar ao conhecimento da complexidade da realidade sócio-política 210, introduzir os jovens em situações que pedem solidariedade 211, responder com projetos concretos de solidariedade 212, uma solidariedade fundada sobre o evangelho e sobre a fé 213, também em exigências de participação política 214;

v. também Caridade (dimensão social)
Pontos-chave
alguns p. da educação da fé 181: a formação da consciência 182-191, a educação do amor 192-202, dimensão social da caridade 203-214
Projeto/os

  1. p. educativo pastoral: como prioridade no CG21 6, seu objetivo 10 12; avaliação do p. e. p. como resposta aos desafios dos jovens 89 226; revisão do p. e. p. por parte do próximo Capítulo Inspetorial 230; a pastoral vocacional no p. e. p. local 252-253;
  2. caminho de educação da fé com p. original de vida cristã, Sistema Preventivo como p. de espiritualidade 158; v. também Espiritualidade, a dimensão social da caridade e os p. de solidariedade 212-214;

partilha do p. com os jovens 225-226
Pureza
p. e educação do amor 191 201;

  1. testemunho de castidade do salesiano e a educação no amor 201; v. também Amor

Qualificação
q. contínua dos irmãos, empenho prioritário neste sexênio 221 223;
q. das presenças para a educação da fé 228-231
Reconciliação

  1. encontro com Cristo no sacramento da R. 174 191;
  2. sacramento da R. momento privilegiado de encontro pessoal com o jovem 289;
  3. sacramento da R. graça e força para os jovens em dificuldades 294;

v. também Consciência, Sacramentos
Regulamentos
R. gerais: modificação no art. 76,4 305
Reino (de Deus)
para um empenho pelo R., o caminho vocacional 149-156
Reitor-Mor

  1. RM com o seu Conselho orienta, segue e avalia os planos inspetoriais de formação permanente 224, dá orientações e apoio para as decisões inspetoriais sobre a significatividade eclesial e social das obras 227, orienta as reflexões-e as decisões das Inspetorias para adequar os empenhos pastorais às novas situações 231;
  2. EM, mediante os dicastérios competentes, oferece elementos e linhas para um

"projeto leigos" 238;
discurso do RM na abertura do CG23 318-328;
palavras do RM dirigidas ao Santo Padre 329;
discurso do RM no encerramento do CG23 344-357;
relação do EM ao CG23 (crônica) 369;
carta aos jovens 358-365
Relações
pedido de novas r. por parte dos jovens 51-52;
a necessidade de r. interpessoais no caminho para a fé 143-145;

  1. crescimento dos jovens e as r. de comunicação 254-255, como desafio aos educadores 256

Religião
os jovens e as instituições da r. 57-59;

  1. valor da experiência religiosa na formação da personalidade 129; qualificar o ensino da r. nos ambientes de educação sistemática 271

Religiões
características dos contextos de outras r. 27-32; os jovens de outras r. perante a fé 72-74;

  1. encontro com as outras r. como desafio às nossas comunidades de educadores da fé 86

Religiosidade
a r. (popular) nos contextos marcados por abundância de bens materiais 20, nos contextos de empobrecimento 23, nos contextos de outras religiões 27-28, nos novos países idenpendentes 35, no êxodo dos regimes autoritários 39, nos grupos autóctones e minorias étnicas 42;
r. juvenil e estruturas religiosas 57-59;
jovens e r.: os distantes 64-66, os abertos ao discurso religioso 67, jovens da prática religiosa 68, os empenhados 69-70, jovens de outras confissões religiosas 71, jovens das outras religiões 72-74
Responsabilidade
Dom Bosco exemplo de educador dos jovens na r. participada 159 170;
abertura à r. no grupo juvenil 144;
assumir r. na Igreja 147;
r. no empenho vocacional 149s;
a espiritualidade juvenil salesiana como espiritualidade de serviço respon‑
sável 178-180;
formação do jovem na r. ética 126 186-187 203-205;
introduzir os jovens em situações que exigem r. e solidariedade social 211-214;
r. comum na comunidade educativa: v. Comunidade,
r. nossas em relação à Família Salesiana 233; v. também Consciência, Comunidade
Rua
os jovens e a r. (como ambiente) 62 Sacramentos
os S. celebração da salvação 148;

  1. S. encontro com o Cristo ressuscitado 173, no s. do perdão 174, e no s. da Eucaristia 175; v. Batismo, Confirmação, Eucaristia, Reconciliação

Santidade
a s. juvenil salesiana e o caminho de fé 8 70 106;
as expressões da s. juvenil salesiana na nossa tradição 1.00 158-160 165;
a originalidade e a audácia da proposta de uma "santidade juvenil" é intrínseca
à arte educativa de DB (mensagem do Papa) 313;
v. também Espiritualidade
Serviço
a espiritualidade de s. responsável, núcleo fundamental da espiritualidade juvenil salesiana: tornar-se honestos cidadãos e bons cristãos 178, com a criatividade do amor 179, até empenhar toda a vida como e com Dom Bosco 180;
s. e educação do amor 201;
oferta aos jovens de experiências de s. como caminha vocacional 252;

  1. empenho de s. da comunidade salesiana 219-220; v. também Voluntariado

Sexualidade
a s. entre os jovens em alguns contextos 21 192; os reflexos no caminho de fé 193-1995; a educação da s. 197-200
Sinal/ais
os s. da presença de Cristo e sua apresentação aos jovens 134-135; comunidade salesiana "s. de fé" 216;

  1. s. da aproximação aos jovens em dificuldades 291

Sistema Preventivo
S. P. como prioridade sublinhada pelo CG21 6; S. P. no encontro com as outras religiões 86;
S. P. como projeto de espiritualidade 148;
educação do amor e S. P. 193-196;
S. P. e acolhida dos jovens em dificuldade 190-194;
S. P. como fruto e fonte de espiritualidade salesiana (discurso inicial do RM) 326
Situação (da juventude)
alguns dados da s. da juventude: a pobreza 46-47, a vontade de construir-se 48, a busca de novos valores 49-50, exigência de novas relações 51-52, a juventude em relação às "agências educativas" (família, instituição escolar, instituições religiosas) 53-59, o trabalho 60, o grupo juvenil 61, a rua 62, a comunicação social 63
Situações
Orientações operacionais para s. particulares 261: ambientes de ampla acolhida 262-266;
ambientes de educação sistemática 267-273; o grupo juvenil 274-283; o encontro pessoal com jovem 284-289; comunidades para meninos e jovens em dificuldade 290-294; grandes concentrações juvenis 295-299
Sociedade/social
a s. nos contextos. Marcados por abundância de bens materiais 18, nos contextos de empobrecimento 22, nos contextos de outras religiões 29, nos novos países independentes 33, no êxodo dõs regimes autoritários 38, nos grupos autóctones

  1. minorias étnicas 42;

personalidades chamadas a construir uma s. renovada, meta global do caminho de educação da fé 112-115;

  1. serviço responsável à s. 178-180;

dimensão social da caridade: componente essencial da ética cristã 203-204, :laces, sidade de formar mentalidade 205-206, a resposta histórica de Dom Bosco 207-208, educar no valor da pessoa 209, encaminhar para o conhecimento da complexidade da realidade sócio-política 210, introduzir os jovens em situações que pedem solidariedade 211, responde com projetos concretos de solidariedade 212, uma solidariedade fundada no Evangelho e na fé 213, também em exigências de participação política 214; cf 31.4 (mensagem do Papa), 355 (discurso final do RM);
v. também Contextos, Jovens, Serviço, Vida
Solidariedade
s. com o mundo e sua história, com o mundo dos jovens 8;
caridade e s. na nova evangelização 4;
valor da s. sublinhado nos vários contextos 19 23 42 49;
necessidade de s. nos jovens que se deve despertar 143 151l164 178;
necessidade de uma educação para a s. 205-206, a resposta histórica de Dom Bosco 207-208, educar no valor da pessoa 209, encaminhar ao conhecimento da complexidade da realidade sócio-política 210, introduzir os jovens em situações que pedem s. 211, responde com projetos concretos de s. 212, uma s. fundada no Evangelho e na fé 213, também em exigências de participação política 214;
v. também Caridade (dimensão social)
Território
Animação educativa e cultural do t. 179;
a comunidade local valorize toda forma de comunicação e solidariedade com o própria t. 229;
cada inspetoria prestará atenção à inserção viva de cada obra na Igreja local

  1. no t. 230

Testemunho

  1. t. dos cristãos, caminho fundamental para o encontro autêntico com Jesus Cristo 131-132 135;
  2. t. na educação do amor 200-201;
  3. caminho de fé dos jovens exige o t. de uma comunidade 219, que se renova constantemente 220; a comunidade salesiana e o t, da dimensão social da caridade 208-214;
  4. t. das comunidades de acolhida para meninos e jovens em dificuldade 290

Trabalho
a exigência do t. nos vários contextos 18 22 25 31 37;
os »vens e o t. 60;
iniciativas que preparam inserção dos jovens no mundo do t., primeiros passos
do caminho de fé 122;
centros de preparação ao T. (entre os ambientes de educação sistemática) 267s
Unidade
u. missão/consagração no CG22 7; a "graça de u." 162 164 220;
u. da comunidade salesiana sinal evangélico 219;

  1. operativa pastoral na Igreja e na Congregação 239, estruturas de u. 240-246; "graça de u. testemunhada por São Francisco de Sales e por São João Bosco confirma que a união com Deus é a verdadeira fonte do amor operoso do próximo (discurso do Papa ao CG) 332;

"graça de u." que realiza a síntese entre educação e evangelização (discurso final do RM) 348-349
Valores
a busca de novos v. na juventude atual 49-50;
desafio para a educação da fé no desenvolvimento dos v. humanos 84-85 117 183; ajuda para superar as carências que condicionam a abertura aos v. 122 193; estima e busca dos v. nas pessoas 211;

  1. também Jovens

Vida
irrelevância da fé na v. como desafio 83-85;

  1. desafio da v. como síntese e matriz de todos os outros desafios 87-88;

levar a acolher a v. 124, e a saboreá-la abrindo-se aos outros 125, fazendo aflorar
as aspirações profundas 126, descobrindo-lhe o sentido 127, aberta ao
transcendente 128;
integração fé e v. 114-115 120 162 164 178-180;
a proposta de v. em Cristo 130, a transformação da v. em Cristo 138;
a v. como vocação 149 151-154;
a v. humana como lugar de encontro com Deus na espiritualidade juvenil salesiana
(amor à v.) 163-164 180;
a Eucaristia celebração alegre da v. 175;
a elaboração de um código coerente de v.: v. Consciência
v. também Amor
Violência
jovens e v. nos contextos marcados por abundância de bens materiais 21, nos contextos de empobrecimento 22 25, nos contextos de outras religiões 31, como reação às várias formas de pobreza 47 206
Vocação
para um empenho pelo Reino: a vida como v. 149, descobrir o próprio lugar 150, fazer emergir o positivo de cada jovem 151, a alegria de comunicar os próprios dons 152, a explicita proposta vocacional 153-154, o discernimento vocacional 155, a opção vocacional 156;
v. que nascem de uma experiência de serviço 180;
o caminho de fé dos jovens exige que a comunidade salesiana dê particular atenção à sua orientação vocacional: dimensão qualificante 247.248,
novas experiências 249-250, como parte dos itinerários de fé 251, orientações opecionais 252-253 no oratório-centro juvenil 265
Voluntariado
v. civil e missionário 179;
oferecimento aos jovens de experiências de v. 252