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CG 25 parte 2a

SEGUNDA PARTE

A AVALIAÇÃO DAS ESTRUTURAS

DE ANIMAÇÃO E DE GOVERNO CENTRAL 

A AVALIAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE ANIMAÇÃO

E DE GOVERNO CENTRAL

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Introdução

87.  O Capítulo Geral 25 procedeu à avaliação das estruturas de governo e do seu funcionamento, pedida na carta de convocação do mesmo Capítulo feita pelo Reitor-Mor, a partir de uma releitura atenta do conteúdo dos artigos 122 e 123 das Constituições, artigos relativos aos princípios e critérios gerais do serviço da autoridade em nossa Sociedade. Em sua reflexão, além disso, fez próprio quanto relembrou o Conselho Geral, fundando-se nos estudos e na experiência do último sexênio, acerca do valor do princípio geral de “unidade em torno do Superior, considerado sempre como o centro de unidade e o animador da comunhão da comunidade em todos os níveis”[1] (ACG 372, 54-55) e de alguns artigos constitucionais[2] (ACG 372, pp. 58-60) específicos, relativos a:

- a natureza do Conselho geral que assiste o Reitor-Mor e com ele colabora na função de governo e de animação da Congregação (C 130);

- a articulação do Conselho em Conselheiros de setor e Conselheiros regionais, considerada substancialmente positiva para a animação e o governo da Congregação (C 133);

- a residência dos Conselheiros regionais na sede do Conselho, considerada necessária para garantir a unidade de orientação e de ação na animação das Inspetorias (C 131);

- a subsidiariedade e a descentralização, que reconhecem uma conveniente autonomia e uma justa distribuição de poderes entre os diversos órgãos de governo (C 124).

1. Relacionamento e ligação entre o Reitor-Mor com o seu Conselho e as Inspetorias e Regiões, e modalidades de animação e de governo

Expectativas

88.

As Inspetorias apreciam, em geral, a unidade da Congregação como fruto da comunhão e da fidelidade carismática. Mas desejam que o Conselho Geral fomente mais ainda o crescimento dessa unidade, levando na devida consideração as diversidades culturais presentes na Congregação, e acompanhe o processo de inculturação, especialmente nas situações problemáticas, assegurando desta forma a fidelidade carismática.

89.

As estruturas de animação e de governo já garantem a comunhão nos diversos níveis. As Inspetorias, entretanto, esperam por um seu melhoramento, visto que a complexidade cultural (mentalidade, organização social, sistema político e econômico, línguas, costumes, etc.) está em contínuo crescimento e se constatam quer um desenvolvimento ulterior em algumas regiões da Congregação no mundo, quer mudanças de situação (diminuição de irmãos, unificação de inspetorias, etc.) em outras.

90.

A programação do sexênio do Reitor-Mor com o seu Conselho suscitou na Congregação interesse e consideração, e ajudou a todas as inspetorias a empreender o caminho do planejamento. Numerosas inspetorias aguardam um ulterior empenho do Governo central que, no típico estilo de família, favoreça, estimule e acompanhe o crescimento da “mentalidade de planejamento” na Congregação, nas Regiões e em cada Inspetoria, levando em consideração as diversidades culturais.

91.

Muitas Inspetorias fazem uma avaliação substancialmente positiva do serviço de animação e de governo do Reitor-Mor e do seu Conselho (visitas de conjunto, visita extraordinária, escolas de formação, encontros na região, etc.). A presença do Reitor-Mor nas Inspetorias é especialmente apreciada como expressão de comunhão em torno do Sucessor de Dom Bosco. As Inspetorias, porém, manifestam o desejo de um maior contato e proximidade com os Conselheiros gerais, a fim de garantir o conhecimento das diversas situações locais e para facilitar uma coordenação mais eficaz, tanto inspetorial quanto regional. Aprecia-se o fato de que o mesmo Conselho, no meio do sexênio, tenha feito uma avaliação global, tendo em vista uma distribuição mais eqüitativa, nas Inspetorias, da presença animadora do Reitor-Mor e dos seus Conselheiros.

92.

As cartas-circulares do Reitor-Mor demonstram ser um bom serviço de unidade e entrosamento da Congregação, a ser mais proficuamente valorizado nas Inspetorias.

Problemáticas

93.

O grande número de orientações, propostas, iniciativas, oferecidas pelos vários organismos de animação da Congregação (p. ex., Documentos dos Capítulos Gerais , Cartas do Reitor-Mor, documentos dos vários Setores, documentos das Visitas de conjunto, relatório final nas Visitas extraordinárias) torna difícil a atuação dos processos de mudança e de amadurecimento comum, por causa de uma certa dificuldade na assimilação dos conteúdos, das diferentes mentalidades dos irmãos, da debilidade de animação que pode existir em algumas Inspetorias ou Regiões.

94. A pluralidade e a complexidade cultural, social e religiosa dos diversos contextos em que se deve encarnar o carisma salesiano exigem atuações diversificadas, pluralistas e objetivadas. A recíproca compreensão entre Conselho e Inspetorias e Regiões pode apresentar dificuldades.

95.

Nota-se uma certa lentidão por parte dos organismos centrais em tomar as necessárias decisões; parece também que não se programam etapas e processos de realização, associados a formas de acompanhamento e de avaliação. Semelhante situação torna por vezes ineficaz a animação, e fraco o governo.

96.

Perante as situações cada vez mais desafiadoras dos jovens do mundo, especialmente dos mais pobres e necessitados, parece que falte às vezes por parte da Congregação uma resposta adequada, com intervenções em seu favor em nível internacional e governativo para “dar voz àqueles que a não têm”.

97.

As problemáticas assinaladas mostram alguns desafios, que o governo da Congregação deverá necessariamente enfrentar:

- viver e promover a unidade na crescente diversidade das culturas e situações em contínua transformação requer diálogo ininterrupto entre Centro e Inspetorias, para que, de um lado, se conheçam e se levem em conta as situações e os problemas locais e, de outro, se crie abertura ao horizonte da universalidade da Congregação;

- governar e animar segundo processos de mudança e amadurecimento nas Inspetorias, segundo a própria situação e as reais possibilidades, requer mentalidade de projeto e visão atenta da unidade da missão salesiana;

- promover uma presença e uma ação aberta à realidade social, política e eclesial particular e global, implica a superação da tendência a uma ação por demais auto-referencial.

Critérios e linhas de ação

98.

Para construir comunhão é necessária uma verdadeira interação na gestão dos problemas. Assim “para fomentar a união fraterna entre as diversas inspetorias e cuidar de uma organização cada vez mais eficiente para que seja realizada a missão salesiana no mundo” (C 130), sugere-se que o Reitor-Mor com o seu Conselho procure sempre mais e melhor:

- individuar e aprofundar os problemas comuns emergentes;

- promover e guiar a reflexão das inspetorias e das Regiões;

- propor aos respectivos organismos critérios de solução e orientações práticas.

À luz dessas considerações, o Reitor-Mor e os Membros do Conselho avaliem as várias exigências das Inspetorias, das Conferências inspetoriais e das Regiões, a fim de tornar-se presentes de modo mais significativo e eficaz.

99.

Propõe-se que o Reitor-Mor com o seu Conselho encontre maneiras adequadas para avaliar com eficácia as Inspetorias ou Regiões interessadas: a programação do sexênio, as conclusões das Visitas de conjunto, as indicações da Visita extraordinária, especialmente acerca do empenho de inculturação, do grau de prática das deliberações do último Capítulo geral, do crescimento da mentalidade de projeto, do acompanhamento dos processos de mudança.

100

Para ajudar as Inspetorias a superar o risco de um possível fechamento na própria realidade e exigências, e abri-las a uma visão comum e solidária das problemáticas e necessidades da própria e das outras Regiões (p. ex., quanto se refere aos centros de formação e de estudo, a obras de particular importância, ao desenvolvimento ou reestruturação das Inspetorias, ao apoio aos projetos da Região, à “missio ad gentes”, etc.), o Reitor-Mor com o seu Conselho promova uma mentalidade aberta e solidária, chegando – em diálogo com as Inspetorias – também a intervenções operativas, e favorecendo a mobilidade e o intercâmbio de irmãos entre Inspetorias de diversas culturas.

101.     As cartas-circulares do Reitor-Mor são um bom serviço para o entrosamento e a unidade da Congregação. A fim de que se possam melhor valorizar nas diversas comunidades, sugere-se que sejam escritas em linguagem mais simples e discursiva, e que se alternem as cartas ricas de conteúdo sobre temas empenhativos com outras familiares e informais, sobre a vida da Congregação.

102.     Para favorecer o contato pessoal e o confronto vivo sobre o andamento da Inspetoria, propõe-se que o Reitor-Mor e os Conselheiros de setor ofereçam àqueles Inspetores que o desejem, pelo meio do seu mandato, a oportunidade de um encontro pessoal, tendo em vista uma avaliação da fidelidade ao carisma e da missão salesiana na Inspetoria, e de uma partilha da programação do sexênio.

103.     O futuro desenvolvimento da nossa missão exige a colaboração de um grupo de pesquisa e desenvolvimento formado por especialistas (salesianos e leigos) a serviço do Reitor-Mor e do seu Conselho, para responder a exigências específicas. Tal grupo permitiria ao Conselho geral oferecer intervenções significativas e eficazes, sobretudo em favor dos jovens e dos pobres em nível internacional e governativo.

104.     O Reitor-Mor com o seu Conselho continue a experiência de elaborar a Programação do sexênio, experiência que todos avaliaram positivamente, fazendo a seguir, nos sucessivos documentos e propostas, constante referência a ela. Todo o Conselho geral proceda segundo projetos, programando etapas, processos e avaliações, consideradas muito importantes, e solicite por isso freqüentemente uma avaliação das várias propostas e iniciativas, também durante o seu desenvolvimento e não somente ao final.

105.     Pede-se que as Regiões e as Inspetorias projetem e re-projetem as suas iniciativas, levando em séria consideração a programação feita pelo Reitor-Mor para o sexênio, com a finalidade de garantir uma caminhada unitária na Congregação.

106. Pede-se ao Reitor-Mor e ao seu Conselho acompanhar de modo particular aquelas Inspetorias ou Regiões que se encontram em maiores dificuldades quanto a caminhar segundo um planejamento e os relativos projetos inspetoriais.

107.     O Conselho Geral, mediante os diversos setores, tem em vista responder às diversas exigências internas das várias Inspetorias. Tal tarefa, entretanto, não deve atenuar a nossa vocação como Congregação, que pede agir em defesa e promoção de toda a juventude do mundo, especialmente da mais pobre e necessitada, também em nível internacional, eclesiástico e civil.

2. Os Conselheiros de Setor

Expectativas

108.     Enquanto o serviço de animação dos Conselheiros de setor nas Inspetorias é apreciado pelos recursos que eles podem dispensar, pelo estímulo de animação que podem oferecer e pelo encorajamento que dão às Inspetorias no desenvolvimento de um maior sentido de comunhão internacional e de entendimento interinspetorial, não falta outrossim um grande desejo, muito freqüentemente expresso, de que haja mais diálogo entre o Centro e as Inspetorias.

109.     Num mundo onde as complexidades das várias culturas, línguas, raças, religiões e sociedades tornam difícil a comunicação, as Inspetorias esperam dos Conselheiros de setor que o programa de animação por eles proposto as ajude a enfrentar os problemas locais e, ao mesmo tempo, a ampliar os próprios horizontes. Tem-se às vezes a impressão de que algumas iniciativas propostas pelos vários setores não correspondam às reais necessidades das Inspetorias.

110.     Enquanto os Conselheiros de setor freqüentemente oferecem assessoria competente e serviço de animação às Inspetorias, estas percebem a necessidade de que haja uma coordenação das iniciativas e a exigência de se evitarem superposições, propostas paralelas ou concorrentes. O CG25 aplaude os crescentes esforços de coordenação entre os Conselheiros de setor no último sexênio (p. ex., o Vade-mécum do Conselho geral, a programação do sexênio e a sua avaliação, as iniciativas interdicasteriais) e os encoraja a prosseguirem nessa mesma direção.

Problemáticas

111.     Evidencia-se a falta de suficiente comunicação com ida e volta, na preparação de programas; isso pode diminuir a eficácia da precisão na redação dos processos e enfraquecer as Inspetorias nas suas iniciativas.

112.     A falta de estudos e projetos interdisciplinares entre os vários Setores pode obstaculizar a plena compreensão da situação juvenil, que está hoje em rápida mudança e supera freqüentemente delimitações setoriais. O estudo de temas de atualidade como a diferença crescente entre ricos e pobres, as questões dos direitos da criança e dos jovens, o desaparecimento da unidade familiar, o influxo da tecnologia da informação e da comunicação, o processo de globalização, etc., poderia preencher a lacuna evidenciada.

113. Recolhendo as instâncias de alguns Capítulos Inspetoriais, da assembléia da Casa Geral e da mesma relação do Vigário do Reitor-Mor, assinala-se o desejo de uma reorganização das estruturas que operam na Casa Generalícia.

 

Critérios e linhas de ação

114.     O pedido das Inspetorias de contarem com uma presença e proximidade significativas por parte dos Conselheiros de setor reflete um desejo profundo de empenhar-se num diálogo efetivo a respeito dos modos melhores com que responder aos sinais dos tempos. Isto implica uma mudança de mentalidade, tanto no Centro quanto nas Inspetorias. Para projetar atividadesintervenções em rede, julga-se importante – de preferência a que elas se façam do alto – que  se trabalhe, juntos, com as Conferências e com os grupos de Inspetorias, envolvendo centros e delegados regionais ou inspetoriais, de preferência a que elas se façam do alto.

115.     No último sexênio fizeram-se experiências positivas de estudos coordenados entre vários Setores (p. ex., sobre voluntariado, meninos de rua, etc.). A necessidade de respostas mais flexíveis e concernentes a situações de extenso raio e complexas, implica coordenação entre os setores e com os Regionais. Propõe-se que esta seja uma preocupação constante do Vigário do Reitor-Mor, a fim de coordenar as iniciativas inter-conexas, favorecendo uma reflexão e avaliação transversal. No plano operativo poder-se-ia envolver, vez por vez, o Conselheiro mais interessado.

116.     Os Conselheiros de setor valorizem adequadamente quanto sugerem os Regulamentos no artigo 107 (utilização de departamentos técnicos e de consultorias) e se valham de comissões qualificadas de especialistas para planejar, programar e verificar as atividades de animação. O pessoal profissionalmente preparado a serviço dos vários setores se mantenha atualizado com projetos de formação contínua e garanta continuidade de programação.

117.     Pede-se ao Reitor-Mor que faça pela Comunidade Bv. Miguel Rua, da Casa Generalícia, quanto julgar mais oportuno, não excluídas eventuais articulações internas que visem tornar mais fraterna, agradável e co-responsável a vida dos irmãos, chamados a trabalhar no serviço do governo central da Congregação., mais fraterna, agradável e co-responsável.

3. Os Conselheiros regionais e os grupos de Inspetorias

Expectativas

118.     Pelo exame do documento pré-capitular, das contribuições dos Capítulos Inspetoriais e do Conselho Geral, se constata que, em geral, a figura do Conselheiro Regional é apreciada nas Inspetorias. É avaliada de maneira positiva a programação realizada pelo próprio Conselho geral.

119.     Considera-se impo

rtante e necessário o Conselheiro regional, no seu papel de ligação entre o Reitor-Mor com seu Conselho e as Inspetorias, como serviço à unidade e à descentralização. Avalia-se positivamente a sua residência em Roma, mas se deseja-se uma adequada distribuição do tempo entre sede, Regiões e Inspetorias. A Vvisita extraordinária é apreciada como oportunidade para a Inspetoria avaliar e renovar a sua caminhada, para iluminar a sua programação, como experiência de unidade e comunhão com o Reitor-Mor, como momento forte de fraternidade e de diálogo.

120.     34 Os grupos de Inspetorias esperam maior proximidade, acompanhamento e animação.  Isso em certas ocasiões se torna difícil, como conseqüência da complexidade de culturas, línguas, situações políticas e sociais e da extensão geográficas de algumas Regiões.

Problemáticas

12135. Vários fatores tornam difícil o andamento concreto da tarefa do Regional:

- a complexidade geográfica, cultural, lingüística, política, social... de algumas Regiões;

- a dificuldade para o Regional de achar um equilíbrio entre tempo passado nas visitas extraordinárias e o tempo necessário para o acompanhamento das Inspetorias;

- a crescente complexidade da vida e missão das Inspetorias, que torna mais difícil a mesma visita extraordinária por causa do incremento das relações, não só com os irmãos e os organismos comunitários, mas também com os diferentes grupos da Família Salesiana e os organismos de animação da CEP e dos jovens.

122.     36 Muitas Inspetorias interessadas apresentaram a proposta de dividir o grupo das Inspetorias da Austrália-Ásia, por causa do notável crescimento da Região no sexênio e das expectativas para o futuro, pela dificuldade de acompanhamento e de coordenação, pelada complexidade cultural, religiosa e social, e pelada extensão geográfica da mesma Região.

123,     45 Foi examinada também a situação da Região África-Madagascar. Por causa da complexidade das línguas, culturas, religiões, etc., algumas Inspetorias envolvidas propuseram a divisão dessa Região.

124.     46 Considerando as propostas de algumas Inspetorias das Regiões da Europa mais envolvidas, estudou-se  foi estudada a realidade dos agrupamentos atuais. Constata-se: - a extensão geográfica e a complexidade lingüística, histórica, política e cultural do Território da Região Europa Norte;

- a nova mentalidade européia que está crescendo nos diferentes países, com profundos processos de aproximação e partilha política, econômica, cultural e social. Observa-se porém ;

- que dentro da Congregação existem atualmente processos de reorganização e re-agrupamento de Inspetorias com conseqüências previsíveis, dentro de um futuro próximo, na configuração das regiões na Europa;

-e que, se nas Inspetorias se percebe esta sensibilidade, entretanto não chegaram propostas concretas, convergentes e viáveis de mudança.

Critérios e linhas de ação

125.     39 Por quanto se refere à ação dos Conselheiros regionais propõe-se:

- que na programação inicial do Conselho seja confiado ao Regional um número equilibrado de Vvisitas extraordinárias a fazer, contando com a ajuda dos outros membros do Conselho Geral;

- realizar a Vvisita extraordinária, além do modo atual de fazê-la, estruturando-a diferentemente, garantindo sempre a cada irmão a possibilidade do encontro pessoal e o adequado conhecimento da caminhada da Inspetoria e a consecução dos objetivos indicados pelo Reitor-Mor para a visita;

- dispor de colaboradores, se forsse necessário, para tornar possível um equilibrado trabalho de animação, acompanhamento das diversas iInspetorias e da aplicação das orientações da visita extraordinária.

126.     40 Por quanto se refere à organização dos grupos de Inspetorias, sugere-se:

- redimensionar adequadamente algumas Regiões, levando em consideração os critérios de extensão geográfica e de diversidade cultural;

- zelar porcuidar de uma adequada articulação interna da Região em conferências ou instâncias intermédias que garantam a agilidade e a organicidade da animação.

127.     41 Em resposta aos pedidos feitos, o grupo das Inspetorias agora confiado ao Conselheiro regional para a Austrália-Ásia é subdividido em dois grupos:

- grupo Ásia Sul: Índia-Bangalore, Índia-Mumbai, Índia-Calcutácut, Índia-Dimapur, Índia-Guawahati, Índia-Hiyderabad, Índia-Madras, Índia-Nova Délhi, Índia-Tiruchy;

- grupo Ásia Leste-Oceânia: Austrália, China, Coréia, Filipinas Norte, Filipinas Sul, Indonésia-Timor, Japão, Tailândia, Vietnã.

12842. Considerando que a Região África-Madagascar está ainda em período de consolidação e que o número dos irmãos e das Inspetorias não é grande, julga-se que os problemas existentes podem ser resolvidos mediante uma adequada distribuição e coordenação das Inspetorias em Conferências.

129.     43 Julga-se para o momento não ser conveniente proceder a mudanças na configuração das Inspetorias européias. Propõe-se todavia confiar ao Conselho Geral, envolvendointeressando especialmente os três Conselheiros regionais interessados, o encaminhamento de um estudo da situação, apoiando-se em oportunas consultorias, processos e experiências de coordenação. Tal estudo deveria prospectar, se isso aparecertanto resultar conveniente, uma nova distribuição das Inspetorias da Europa, mais cônsona com a sensibilidade e a mentalidade européias emergentes, no campo da cultura e da realidade política, social e religiosa. Entrementes, sugere-se a criação de uma secretaria de coordenação das iniciativas de âmbito europeu, que  dependa dos três Conselheiros regionais da Europa e trabalhe de entendimento com os Conselheiros de setor interessados.

130.     44 Como conseqüência, o quadro global de configuração dos grupos de Inspetorias para o próximo sexênio é o seguinte: Ggrupo África-Madagascar (inalterado); Ggrupo América Latina Cone Sul (inalterado); Ggrupo Interaméricana (inalterado); Ggrupo Ásia Sul (novo); Ggrupo Ásia Leste-Oceânia (novo); Ggrupo Europa Norte (inalterado); grupo Europa Oeste (inalterado); grupo Itália-Oriente  Médio (inalterado)..

[1] Cf. ACG 372, pp. 52-53

[2] Cf. ACG 372, pp. 58-60


DELIBERAÇÕES E ORIENTAÇÕES

REFERENTES ÀS CONSTITUIÇÕES E REGULAMENTOS

E O GOVERNO DA SOCIEDADE

As modificações do texto das Constituições, deliberadas pelo CG25,

foram aprovadas pela Sé Apostólica com Rescrito da Congregação

para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida

apostólica N. T.9-1/2002, com data de 3 de abril de 2002.

Baseado na avaliação levada a termo sobre as estruturas do governo central, visando também ao seu adequado funcionamento para a animação e a condução da Sociedade nos seus diversos níveis, levando em conta a reflexão e as propostas feitas pelos Capítulos Inspetoriais e pelos irmãos – como também se deduz do relativo documento capitular produzido sobre a avaliação – o Capítulo Geral 25 aprovou as seguintes deliberações referentes às modificações do texto das Constituições e dos Regulamentos gerais, e outras orientações operativas sobre o governo da Sociedade.

1. LIMITAÇÃO DA PERMANÊNCIA NO CARGO DE REITOR-MOR (C 128)

131

O Capítulo Geral 25º, consideradas as propostas chegadas ao mesmo Capítulo,

tendo presente a indicação geral do Código de Direito Canônico[1] acerca da temporalidade dos cargos nos Institutos de vida consagrada, como também a norma já adotada em nosso direito próprio para os Superiores em nível inspetorial e local;[2]

considerando outrossim, por um lado, o notável empenho exigido por tão alta responsabilidade e, por outro, a aceleração histórica e a grande complexidade do momento que vivemos, de modo que dois sexênios parecem suficientes para que uma pessoa possa dar o melhor de si mesma,

aprova a seguinte modificação (em itálico) ao artigo 128 das Constituições

128. O Reitor-Mor é eleito pelo Capítulo Geral por um período de seis anos e pode ser eleito somente para um segundo sexênio consecutivo. Não pode demitir-se do cargo sem o consentimento da Sé Apostólica.

2. LIMITAÇÃO  DA PERMANÊNCIA NO CARGO DOS MEMBROS DO CONSELHO GERAL (C 142)

132.

O Capítulo Geral 25º, consideradas as propostas chegadas ao mesmo Capítulo,

tendo presente a indicação geral do Código do Direito Canônico[3] acerca da temporalidade dos cargos nos Institutos de vida consagrada, como também a norma já adotada em nosso direito próprio para os Superiores em nível inspetorial e local;[4]

considerando, também, por um lado, o notável empenho exigido por um encargo em nível de Conselho Geral e, por outro, a aceleração histórica e a grande complexidade do momento que vivemos, de modo que dois sexênios parecem suficientes para que uma pessoa possa dar o melhor de si,

aprova a seguinte modificação (em itálico) do artigo 142 das Constituições:

142. O Vigário do Reitor-Mor, os Conselheiros de setor e os Conselheiros regionais permanecem no cargo seis anos e podem ser reeleitos só para um segundo sexênio consecutivo respectivamente no cargo de Vigário do Reitor-Mor, de Conselheiro de setor, de Conselheiro regional, salvo o caso previsto pelo artigo 143 das Constituições.[5]

Se algum dos membros do Conselho Geral falecer ou ficar definitivamente impedido, o Reitor-Mor, com o consentimento do seu Conselho, confiará o encargo, até o fim do sexênio, a quem no Senhor julgar mais idôneo.

3. ATRIBUIÇÃO DO SETOR DA FAMÍLIA SALESIANA AO VIGÁRIO DO REITOR-MOR E CONSTITUIÇÃO DO CONSELHEIRO PARA A COMUNICÇÃO SOCIAL (C 133. 134. 137)

133.

O Capítulo Geral 25º, consideradas as propostas chegadas ao mesmo Capítulo,

a fim de melhor evidenciar o serviço de unidade que compete ao Reitor-Mor na Família Salesiana (C 126), tendo presente que o Vigário do Reitor-Mor pode contar com uma rede organizativa bem estruturada nos vários níveis acerca dos grupos confiados ao cuidado direto dos salesianos e que, para os outros membros da Família Salesiana, existem a “Carta de comunhão na Família Salesiana” e a “Carta da missão da Família Salesiana”, e que o mais vasto empenho de promoção do Movimento salesiano e do carisma salesiano pode ser desenvolvido em colaboração com os outros conselheiros, tanto de setor quanto regionais;

e, além disso, considerando a crescente importância do setor da comunicação no contexto da atividade da Congregação Salesiana no espírito do artigo 6 das Constituições e do artigo 43 das mesmas, que afirma ser este “um campo significativo de ação, que está entre as prioridades apostólicas da missão salesiana”,

aprova as seguintes modificações (em itálico) dos artigos 133, 134 e 137 das Constituições:

Artigo 133:

Os conselheiros encarregados de setores especiais são: o conselheiro para a formação, o conselheiro para a pastoral juvenil, o conselheiro para a comunicação social, o conselheiro para as missões e o ecônomo geral.

Artigo 134:

 O Vigário é o primeiro colaborador do Reitor-Mor no governo da Sociedade e tem poder ordinário vicário.

Faz as vezes do Reitor-Mor ausente ou impedido. É-lhe confiado de modo especial o cuidado da vida e da disciplina religiosa.

Tem o encargo de animar a Congregação no setor da Família Salesiana. Promove, de acordo com o artigo 5 das Constituições, a comunhão dos vários grupos, respeitando a sua especificidade e autonomia. Além disso, orienta e assiste as inspetorias para que em seus territórios se desenvolvam, segundo os respectivos estatutos, a associação dos Cooperadores salesianos e o movimento dos Ex-Alunos”.

Artigo 137:

O conselheiro para a comunicação social tem o encargo de animar a Congregação nessa área. Promove a ação salesiana no setor da comunicação social e de modo particular coordena, em nível mundial, os centros e as estruturas que a Congregação administra nesse campo.

4. MODIFICAÇÃO DO ARTIGO 24 DOS REGULAMENTOS GERAIS

(Procuradorias em nível de Congregação)

134.

O Capítulo Geral 25º, havendo considerado a proposta que fora encaminhada pelo Conselho geral,

havendo também considerado a necessidade de melhor articular a responsabilidade do ecônomo geral na gestão e distribuição dos recursos das procuradorias missionárias internacionais, juntamente com a do conselheiro

geral para as missões,

para favorecer uma individuação mais pontual e correta dos recursos e uma coordenação mais racional da distribuição das mesmas, dado também o notável desenvolvimento assumido pelas procuradorias e organizações não governativas (ONG) internacionais,

aprova a seguinte modificação (em itálico) do artigo 24, inciso 2, dos Regulamentos gerais, relativo à constituição das procuradorias missionárias em nível de Congregação:

“Sua organização e funcionamento dependerão do inspetor ou dos inspetores em cujas circunscrições atua a procuradoria, após convênio com o Reitor-Mor e de acordo com o conselheiro geral para as missões e com o ecônomo geral”.

DIVISÃO DO GRUPO DE INSPETORIAS AUSTRÁLIA-ÁSIA

O Capítulo Geral 25, consideradas as propostas enviadas ao mesmo Capítulo,

tendo presente o notável incremento da Região no sexênio e as expectativas para o futuro, a dificuldade de acompanhamento e de coordenação, a sua complexidade cultural, religiosa e social, e a sua extensão geográfica;

e levando também em consideração que já existe uma conferência que reúne as Inspetorias da Índia, que a realidade atual da Índia é intercultural, inter-religiosa e inter-lingüística, e que o número das inspetorias e dos irmãos é adequado,

aprova a seguinte divisão do grupo de Inspetorias Austrália-Ásia:

GRUPO ÁSIA SUL, que compreende as Inspetorias:: Índia-Bangalore, Índia-Mumbai, Índia-Calcutácut, Índia-Dimapur, Índia-Guawahati, Índia-Hiyderabad, Índia-Madras, Índia-Nova Délhi, Índia-Tiruchy;

GRUPO ÁSIA LESTE-OCEÂNIA, que compreende as Inspetorias: Austrália, China, Coréia, Filipinas Norte, Filipinas Sul, Japão, Tailândia, Vietnã, e a Visitadoria Indonésia-Timor.

6. ORIENTAÇÃO OPERATIVA SOBRE AS MODALIDADES DE REALIZAÇÃO DOS CAPÍTULOS GERAIS

136.

O Capítulo Geral 25

-

[1] Cf. Cân. 624

[2] Cf. C 163 e 177; R 171

[3] Cf. cân. 624

[4] Cf. C 163 e 177; R 171

[5] Interpretação prática do Capítulo Geral: “Um Conselheiro regional não pode ser eleito para um terceiro mandato consecutivo como Conselheiro regional, mesmo no caso em que seja destinado a uma Região diferente da ou das precedentes, mas pode ser eleito Conselheiro de setor ou Vigário do Reitor-Mor. Do mesmo modo, um Conselheiro de setor não pode ser eleito para um terceiro mandato consecutivo como Conselheiro de setor, mesmo no caso em que seja destinado a um setor diferente do ou dos precedentes, mas pode ser eleito como Conselheiro Regional ou Vigário do Reitor-Mor. Enfim, o Vigário do Reitor-Mor não pode ser eleito para um terceiro mandato consecutivo, mas pode ser eleito Conselheiro de setor ou Conselheiro Regional”.


MENSAGENS

 O CG25 AOS IRMÃOS SALESIANOS

ACOLHAMOS A GRAÇA

QUE NOS FOI DADA NA BEATIFICAÇÃO

DO SALESIANO COADJUTOR ARTÊMIDES ZATTI

Nós, membros do CG25, damos graças ao Pai, que quis iluminar este Capítulo Geral com o dom da beatificação de três membros da Família Salesiana: a Irmã Maria Romero Meneses, o Sr. Artêmides Zatti e o P. Luís Variara.

Para Artêmides Zatti chamou o P. Juan Edmundo Vecchi com particular insistência a nossa atenção, para que dele fizéssemos o sinal de um renovado empenho de toda a Congregação, reconhecendo a atualidade da vocação do salesiano coadjutor e promovendo-lhe o crescimento, por fidelidade ao espírito de Dom Bosco. Em Zatti, na verdade – como nos salesianos coadjutores mártires já beatificados –, realiza-se de modo especial aquela “medida alta” da vocação salesiana ordinária, que nos leva às raízes da nossa mesma consagração.

Numerosos elementos de esperança convidam-nos a propor com convicção um novo empenho. Os jovens, que entram em nossos noviciados para serem salesianos leigos, demonstram apreciar esta vocação. Em todo lugar, no mundo salesiano, há figuras de salesianos leigos, que vivem a vocação de modo alegre e atraente, manifestando-lhe a plenitude no complexo mundo da comunicação, na formação ao trabalho, na solidariedade social, na educação na fé, na audácia missionária, na formação à salesianidade.

João Paulo II – por ocasião da beatificação do Sr. Artêmides Zatti – sublinhou “a sua incessante e alegre atividade”, “o seu caráter jovial e particular competência, unidos a uma disponibilidade sem limites” (Udienza di lunedì, 15 de abril de 2002). Manifesta-se, de fato, com especial evidência, nos salesianos irmãos leigos, o testemunho de uma vocação salesiana que reúne em si, por meio da caridade educativa e solidária, os dons da consagração e os da laicidade. Às comunidades religiosas ela relembra os valores da criação e das realidades seculares; às famílias e aos leigos, os valores da total dedicação a Deus pela causa do Reino (cf. CG24, 154). O salesiano irmão torna-se assim protagonista daquela nova civilização do amor e da vida, por que tanto anseiam as pessoas do nosso tempo.

A sua especial ligação com o mundo do trabalho faz deles os protagonistas de uma aventura educativa em que se encontram sociedade civil e comunidade eclesial, valores seculares e anúncio cristão, para que, em todos os lugares, por meio do trabalho, transpareça aquele homem que Deus deseja.

A nossa reflexão sobre a “comunidade salesiana hoje” voltou a confirmar-nos na convicção de que ela é salesianamente mais propositiva quando dela fazem parte salesianos coadjutores e salesianos sacerdotes. Não pode haver esforço de renovação comunitária se não se traduzir também no renovado empenho para que cada comunidade salesiana possa viver a plenitude da própria identidade, com a presença daqueles que, com dons diferentes e complementares, revelam o semblante de Dom Bosco.

Salesianos sacerdotes e salesianos leigos olham juntos para Dom Bosco, a fim de reapresentá-lo ao mundo. Juntos vivem-lhe o espírito e lhe perpetuam a missão a serviço dos jovens e do povo de Deus. Juntos e em contínuo diálogo recíproco, cada qual se torna salesiano mais verdadeiro, porque mais radicado na própria identidade vocacional. E juntos também sobem às honras dos altares.

Com a presença do salesiano leigo, a comunidade salesiana se completa e adquire plena eficácia. Experimentamo-lo já todos quanto o irmão coadjutor saiba ser “homem da comunidade”, disposto quer para pronto astanto para as grandes responsabilidades quanto para asquanto para as pequenas diaconias cotidianas, rico do gosto da “casa”, capaz de construir relações simples e fraternas. “Os «religiosos irmãos» lembram eficazmente aos próprios religiosos sacerdotes a dimensão fundamental da fraternidade em Cristo” (VC, 60).

O CG25 nos convida a amar as nossas comunidades, seguindo o exemplo de A. Zatti, que – para usar ainda as palavras de João Paulo II – manifestou um “serviço apaixonado, competente e cheio de amor”, sendo a um só tempo “pontual no cumprimento dos seus deveres comunitários” e “totalmente devotado ao serviço dos necessitados” (Homilia da Missa dea Beatificação). Dele – autêntico construtor de comunidade – se disse que não só era “médico”, mas também ssabia transformar-se em “medicina”,(= remédio), em força da relação evangélica que ele transmitia aos que dele se aproximavam.

Os eventos relembrados nos animam e impelem a tornar operativo em cada inspetoria o compromisso renovado, extraordinário e específico, pela vocação do salesiano irmão leigo, especialmente na pastoral juvenil e na Família Salesiana.

É vivo o desejo de que a ela se dê maior visibilidade no mundo da educação e da promoção humana, nos fóruns e nos encontros juvenis, nas iniciativas, que visam a fazer conhecer a vocação salesiana, nas equipes e nos conselhos onde, em diferentes níveis, se projeta e anima a vida e a missão dos filhos de Ddom Bosco.

A memória litúrgica do bv. Artêmides Zatti, que começaremos a celebrar dia 15 de março, e o diaa jornada mundial anual da Vida consagrada são chamadoas a se tornar-seem – para cada comunidade educativa – ocasião de testemunho e de oração, para que a fim de que esta vocação continue a florirescer, para o bem dos jovens e para a plenitude do espírito de Dom Bosco.

Enquanto voslhes escrevemos esta mensagem, com o coração ainda cheio de entusiasmo pela experiência de graça feita nestes dias, pedimos o apoio da vossasua oração, para que seja dada eficácia ao renovado empenho da Congregação pelo serviço à vocação do salesiano leigo.

 

Roma, 15 de abril de 2002.Beatificação do Bv. Artêmides Zatti.


Mensagem do CG25

à Família Salesiana

Caríssimos irmãos e irmãs,

ao final do nosso CG25 queremos que vos chegue, a cada grupo e a cada membro da Família Salesiana, uma saudação especial e um profundo agradecimento.

Somos-vos gratos pelas mensagens e contribuições que nos enviastes, por terdes acompanhado com a oração e seguido com interesse o desenrolar-se do Capítulo e por terdes manifestado a vossa alegria e os augúrios ao novo Reitor-Mor, que é para todos nós o Sucessor de Dom Bosco.

A festa da beatificação, que recentemente vivemos juntos, representa um momento significativo de reconhecimento por parte da Igreja. Os novos bem-aventurados – uma irmã, um coadjutor e um sacerdote –, unidos pela mesma vocação e impulso apostólico, são um poderoso chamado à santidade de vida, para toda a Família Salesiana.

Durante as nossas reflexões capitulares tivemos presentes as vossas contribuições e expectativas, relativas à comunidade salesiana: auguramo-nos que no documento final possais encontrar resposta aos vossos desejos. Os pedidos mais insistentes que vós nos pedistes em vossas mensagens referem-se ao nosso ser condutores espirituais capazes e à disponibilidade para acolher-nos com reciprocidade, como irmãos e irmãs, a fim de oferecermos aos jovens uma educação válida e testemunhar o Evangelho na sociedade dos nossos dias. Isto certamente ser-nos-á de auxílio para partilhar a riqueza espiritual do carisma de Dom Bosco.

Expressamos de várias maneiras no texto capitular o nosso propósito de trabalhar em rede e crescermos juntos. A complexa realidade do mundo em que vivemos está a pedir-nos que partilhemos cada vez mais profunda e co-responsavelmente a espiritualidade que Dom Bosco nos confiou, e a missão juvenil e popular a que somos chamados.

Conscientes da nossa especial responsabilidade na Família Salesiana, na qual Dom Bosco é Pai e Guia, entendemos operar juntos para o crescimento da vocação dos diversos Grupos, testemunhando a autenticidade do espírito e a comunhão dos corações.

O tema vocacional é preocupação comum, de todos os Grupos da Família. Pelo que nos diz respeito, quisemos dedicar uma atenção especial à vocação do salesiano coadjutor, figura original e essencial do nosso carisma.

Segundo a nossa missão, muitos de nós estão empenhados na educação e na evangelização dos jovens e do povo. Em escolas, oratórios, obras sociais, centros para jovens em dificuldade, paróquias e outras realidades, trabalha-se e forma-se conjuntamente para servi-los cada vez melhor. É na formação partilhada que confiamos a nossa força e a nossa esperança. Com a prática do Sistema Preventivo nos tornaremos capazes de ser na sociedade e na Igreja uma proposta significativa no campo da educação. Nestes últimos anos temos depositado grande confiança nos leigos, como a autênticos colaboradores e protagonistas: assiste-se agora, em todo o mundo, a uma expansão desse movimento laical salesiano.

O nosso Capítulo, refletindo sobre ‘a comunidade salesiana hoje’, confiou o in-derrogável empenho de crescer em fraternidade e testemunho de vida. O “viver e trabalhar juntos” como irmãos, segundo o mesmo carisma, quer ser o ideal e êxito da vida em comunidade, onde o amor fraterno se torna visível e intenso. Esta força contagiosa redundará em benefício de toda a Família Salesiana, a qual saberá enriquecer-se conjuntamente a fim de engendrar uma autêntica comunhão de irmãos e irmãs, segundo o coração de Dom Bosco.

Une-nos intensamente também o testemunho evangélico, cujo objetivo último é levar a Boa Nova de Cristo aos jovens e ao povo. Não nos sentimos sós neste empenho. A partilha do carisma e a mesma complexidade da evangelização obrigam-nos hoje a planejar e a trabalhar juntos. A grande riqueza da Família Salesiana consiste em que, por viver-se experiências diferentes, pode-se ler a realidade desde perspectivas também diferentes e com acentos carismáticos peculiares, podendo-se ao final pôr tudo em comum para benefício de todos. Ao planejarmos a educação e evangelização, o Sistema preventivo de Dom Bosco nos é para nós patrimônio comum: podemos assim chegar aos nossos destinatários com a mesma intenção educativa e as ações complementares, unidos pelo mesmo espírito.

Constrói-se assim uma Família viva, que age em sintonia e convergência, em busca de um objetivo comum. Deixando-nos, depois, guiar pelo que foi expresso na “Carta de comunhão” e na “Carta da missão”, acabamos todos envolvidos na única missão de Dom Bosco, com as nossas expressões originais, mas todos coligados com em vasto movimento salesiano.

Assim sendo, a nossa dedicação será também fruto de quanto recebemos uns dos outros, conscientes de que “há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35).

Juntos gozamos da proteção da Auxiliadora, Mãe das nossas comunidades e dos Grupos, cuja devoção, graças aos membros da Família, se vai difundindo cada vez mais pelo mundo. É com confiança que A invocamos para que nos abençoe a cada um, a cada Grupo e a todos os colaboradores com as suas famílias. Às suas mãos confiamos o futuro da Família espiritual que tanto nos está a peito.

E como Capítulo, invocamos para todos a bênção de Deus por intercessão da Auxiliadora, de Dom Bosco, dos novos Beatos e de todos os Santos salesianos.

Roma, 18 de abril de 2002.

O Reitor-Mor os Membros do CG25.

 

 MENSAGEM AOS JOVENS

Reunidos em Roma,

provindos de todos os Continentes,

nós, os Salesianos de Dom Bosco,

vos lhes escrevemos a Vós, carosó Jovens,

a Vósa Vocês que e Vocês sois ão a razão de ser da nossa vida.

Conscientes da palavra do Senhor:

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”,

confrontamo-nos sobre o modo

de aperfeiçoarmelhorar

 a nossa vida de comunidade.

Cremos que a renovação do nosso modo

de “viver e trabalhar juntos”

seja um grande dom para Vósocês como o é para todos nós;

e fazemos votos para que o saibaisam  ler como sinal de esperança

no vosso seu empenho depara superar as divisões,

depara buscar a justiça sem cair no ódio,

depara  oferecer a todos ajudauxílio e perdão.

Queremos viverestar convoscom Vocês e para Vós,ocês

nas situações de pobreza,

nos dramas da guerra,

nos conflitos que dividem

e onde quer que a vida esteja ameaçada

oue o crescimento impedido.

Estamos convoscom Vocês na busca do Amor,

Amor que dá sentido pleno à vida

e traz a felicidade.

Juntos,

queremos ser

«“sentinelas da manhã»”,

mensageiros de paz,

construtores de uma nova humanidade.

haurindo forças da Páscoa do Senhor,

haurindo força da Páscoa do Senhor.

QQueremos também dizer-vos

que-lhes

que as portas dos nossos corações e

 e das nossas ccasas

estão sempre abertas para Vósocês.

Os Salesianos do Capítulo Geral 25º

Roma, 20 de abril de 2002

 

 APELO PARA SALVAR OS JOVENS DO MUNDO

ANTES QUE SEJA MUITO TARDE,

SALVEMOS OS JOVENS, O FUTURO DO MUNDO!

«Os jovensmeninos devem ser levados a sério, do, do contrário,

  os teremos contra nós  ou buscarão a outros em outro lugar.

Não e pode abusar de sua boa vontade:

se nos pedem pão, nós damos pão,

mas se nos pedem instrução, formação, não podemos ficar indiferentesazer de conta».

 

(P. Juan Vecchi, 8o Sucessor de Dom Bosco)

Nós, Salesianos de Dom Bosco, vivemos e trabalhamos em 128 países, em contato direto com muitosmilhares e milhares de jovens, meninos e meninas, em 128 países. Como representantes de todos os salesianos, encontramo-nos reunidos em assembléia mundial e não podemos deixar de declarar, com todas as nossas forças, que o compromisso de lutar, também  com todas as energias em favor da juventude, é inadiável.

A nossa palavra se dirigeé dirigida àqueles que têm responsabilidades relacionadas com responsabilidades relacionadas aos jovens:

- aos Responsáveis pela Política e pela Economia, em todos os países e também em nível internacional;

- às Instituições humanitárias, às ONGs, às Associações de Voluntariado;

- às Igrejas e às Instituições religiosas;

- às Famílias;

- aos detentores  e operadores ndos mmeios de comunicação social;

- às agências educativas.

Nós constatamos, em todas as partes do mundo, não só a humilhação da pobreza em que vivem milhões de jovensmeninos, sem família, sem casa, sem futuro, mas também e muito mais a exploração dos menores, feitos escravos por obra de um mundo de adultos muitas vezes insensível e irresponsável, artífice de estruturas de exclusão. São muitos milhões os meninos pobres. A pobreza pode ser vencida. Mas há também um direito ao respeito da dignidade de quem é pobre. AssistimosVemos, ao contrário, a um mundo que se torna feroz contra o pobre e o humilha, impedindo-lhe de ter qualquer perspectiva de futuro. Estamos convencidos de que àna raiz de tantas pobrezas não há causas naturais, mas claras injustiças, fruto de uma visão que tudo reduz se limita ao econômico.

É difundida e conhecida a lista das chagas do mundo juvenil: trabalho de menor, meninos de rua, prostituição de menores, pedofilia, violência e exploração dos jovens, evasão escolar, difusão da Aids, analfabetismo, desocupação, droga e alcoolismo, migração forçada, meninos-soldados, corrupção, gangues juvenis – , todos  fenômenos em crescimento, que barram toda a possibilidade de futuro para numerosos países, muitos dos quais esmagados pela dívida externa. Arruinar a juventude os rapazes e jovens significa impedir completamente o futuro de uma nação e de todo o mundo.

Nós, salesianos, herdamos de Dom Bosco a missão de expender dar a vida pela realização e a educação dos jovens. É urgente investir muitos recursos para esta finalidade.

Mais de uma vez Dom Bosco (1815-1888), ao pedir ajuda às pessoas de posse em favor da educação dos seus jovensmeninos pobres, usou de palavras extremamente graves: ou abrimos hoje espontaneamente a carteira para ajudar a estes rapazes ou eles virão amanhã “a tomar do vosso dinheiro com uma faca aono pescoço e o revólver na mão”.

Conforta-nos também as palavras do padre Juan Vecchi, 8o sucessor de Dom Bosco, que lançou recentemente um “j’accuse” (, eu acuso), contra instituições políticas e econômicas desinteressadas ou diretamente culpadas pelono que diz respeito aos jovens.

Estamos com os do lado dos jovens, porque nós – como Dom Bosco – confiamos neles, confiamos em seu desejo de aprender, de estudar, de sair da pobreza, de assumir o próprio futuro. Vemos, porém,  Masque  vemos que eles infelizmente estão impossibilitados de fazê-lo porque muitíssimos adultos estão culpavelmente ausentes do seu destino deles: ; não só não querem ouvir falar de investir nos jovensneles, senão que intencionalmente os exploram.

Somos pelosEstamos ao lado dos jovens porque acreditamos no valor da pessoa humana, na possibilidade de um mundo diferente e, sobretudo, no grande valor do empenho educativo.

Surpreende-nos positivamente que os mesmos “homens do dinheiro” (FMI e Banco Mundial) hajamtenham declarado que a única solução é a da Educação.

Estamos convencidos de que é urgente que , as por parte das Instituições,  apliquemgastar muitos recursos, dinheiro e atenções, em favor da na EDUCAÇÃO DOS JOVENS: na sua proteção, na defesa dos perigos, na prevenção, no seu protagonismo. Educar os jovens é o único modo de preparar um futuro positivo para todo o mundo.

Globalizar, todos juntos, o empenho pela educação!: Eesta é a tarefa para todos os homens e mulheres que responsavelmente têm a peito o futuro dos próprios filhos e de todos os jovens da Terra.o mundo.

A uma globalização de tipo econômico procuramos , buscamos responder com uma globalização de tipo educativo, que dê vigor e esperança ao mundo juvenil.

O Reitor-Mor

e 231 representantes dos salesianos no mundo

Roma, 20 de abril de 2002

O Reitor-Mor

e 231 representantes dos salesianos no mundo


ANEXO 1

Mensagem de S. S. JOÃO PAULO II

para o início do Capítulo Geral 25

Caríssimos Filhos de Dom Bosco!

141.

            1. É com grande afeto que me dirijo a vós, que vindes dos cinco continentes para celebrar o 25o Capítulo Geral do vosso Instituto. É o primeiro do terceiro milênio e vos oferece a oportunidade de refletir sobre os desafios da educação e da evangelização dos jovens, desafios aos quais os Salesianos desejam responder, seguindo os passos do Fundador, são João Bosco. Desejo que o Capítulo seja para vós um tempo de comunhão e de trabalho profícuo, durante o qual possais compartilhar do fervor que vos reúne na missão entre os jovens, como também o amor pela Igreja e o desejo de vos abrir a novas fronteiras missionárias.

            O pensamento vai neste momento espontaneamente ao saudoso Reitor-Mor, P. Juan Vecchi, recentemente falecido após uma longa enfermidade, oferecida a Deus por toda a Congregação e especialmente por esta Assembléia Capitular. Enquanto agradeço a Deus pelo seu serviço prestado à vossa Família religiosa e à Igreja, como também pelo testemunho de fidelidade evangélica que sempre o distinguiu, asseguro-vos por sua alma uma oração especial de sufrágio. Cabe a vós agora continuar a obra por ele felizmente realizada, na esteira dos seus antecessores.

            Educadores atentos e acompanhadores espirituais competentes que sois, sabereis ir ao encontro dos jovens que querem “ver Jesus”. Sabereis conduzi-los com suave firmeza rumo a metas exigentes de fidelidade cristã. “Duc in altum!”. Seja este o lema programático também da vossa Congregação, que por esta Assembléia Capitular estimula todos os seus membros a um corajoso relançamento da própria ação evangelizadora.

142.

2. Escolhestes como tema do Capítulo: “A comunidade salesiana hoje”. Estais bem conscientes que é preciso renovar métodos e modalidades de trabalho, para que apareça, com clareza, a vossa identidade “salesiana” nas atuais e mudadas situações sociais, que exigem, entre outras coisas, também a abertura à contribuição de colaboradores leigos, com os quais partilhardes o espírito e o carisma deixados em herança por Dom Bosco. A experiência dos últimos anos evidenciou as grandes oportunidades de tal colaboração, que permite aos vários componentes e grupos de vossa Família salesiana crescer na comunhão e desenvolver um comum dinamismo apostólico e missionário. E para vos abrirdes à cooperação com os leigos é para vós importante focalizar bem a identidade peculiar das vossas comunidades: que sejam comunidades, como Dom Bosco queria, reunidas em torno da Eucaristia e animadas por um profundo amor a Nossa Senhora, prontas a trabalhar juntas, partilhando um único projeto educativo e pastoral. Comunidades capazes de animar e envolver os outros, sobretudo pelo exemplo.

143.

3. Deste modo continua Dom Bosco a estar presente no meio de vós. Vive por meio da vossa fidelidade à herança espiritual que vos deixou. Ele imprimiu em sua obra um singular estilo de santidade. E é de santidade que tem hoje necessidade, antes de tudo, o mundo! Muito oportunamente, pois, tenciona o Capítulo Geral re-propor com coragem “a busca da santidade” como principal resposta aos desafios do mundo contemporâneo. Trata-se, em conclusão, não tanto de começar novas atividades e iniciativas, mas de viver e testemunhar sem compromissos o Evangelho, a fim de que se estimulem à santidade os jovens que encontrais. Salesianos do terceiro milênio! Sede apaixonados mestres e guias, santos e formadores de santos, como o foi são João Bosco.

            Buscai ser educadores da juventude à santidade, cultivando aquela típica pedagogia de santidade alegre e serena, que vos caracteriza. Sede acolhedores e paternos, capazes a todo momento de perguntardes aos jovens com vossa vida: “Queres ser santo?”. E não tenhais medo de lhes propor a “medida alta” da vida cristã, acompanhando-os pelo caminho de uma radical adesão a Cristo, que, em seu discurso na montanha, anuncia: “Sede, pois, perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48).

            A vossa é uma história rica de santos, muitos dos quais jovens. Na “Colina das bem-aventuranças juvenis”, como hoje chamais o Colle Don Bosco, onde nasceu o Santo, durante a minha visita de 3 de setembro de 1988, tive a alegria de proclamar bem-aventurada Laura Vicuña, a jovem salesiana chilena que vós bem conheceis. Outros Salesianos encontram-se a caminho dos altares: trata-se de dois irmãos, Artêmides Zatti e Luís Variara, e de uma Filha de Maria Auxiliadora, irmã Maria Romero. Em Artêmides Zatti aparecem o valor e a atualidade do papel do salesiano coadjutor; no P. Luís Variara, sacerdote e Fundador, se manifesta mais uma realização do vosso carisma missionário.

144.

4. Ao não pequeno grupo de Santos e Bem-aventurados salesianos, sois chamados a unir-vos também vós, comprometidos a seguir as pegadas de Cristo, fonte de santidade para todo fiel. Fazei com que toda a vossa Congregação brilhe pela santidade e a fraterna comunhão.

            No início deste milênio, o grande desafio da Igreja consiste, como fiz notar na Carta apostólica Novo millennio ineunte, em “fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão” (nº 43). Para que o apostolado traga frutos de bem, é indispensável que as comunidades vivam um espírito de mútua e real fraternidade. Para levar adiante um único projeto educativo e pastoral, é necessário que todas as comunidades estejam unidas por um forte espírito de família. Cada comunidade seja verdadeira escola de fé e de oração aberta aos jovens, onde seja possível partilhar suas esperanças e dificuldades, e responder aos desafios que os adolescentes e jovens devem enfrentar.

            Mas onde está o segredo da união dos corações e da ação apostólica a não ser na fidelidade ao carisma? Mantende, pois, os olhos sempre fixos em Dom Bosco. Ele vivia intensamente em Deus e recomendava a unidade das comunidades ao redor da Eucaristia. Só do Sacrário pode brotar aquele espírito de comunhão que se torna fonte de esperança e de empenho para todo fiel.

            O afeto pelo vosso Pai continue a inspirar-vos e a vos sustentar. O seu ensinamento vos convida à confiança mútua, ao perdão cotidiano, à correção fraterna, à alegria de partilhar. É este o caminho que ele percorreu, e para o qual também vós podeis atrair os fiéis leigos, especialmente jovens, a partilhar da proposta evangélica e vocacional que vos unifica.

145.

5. Como podeis ver, volta constantemente, também nesta Mensagem, a referência aos jovens. Poderíamos dizer que os jovens e os Salesianos caminham juntos. De fato, caríssimos, a vossa vida transcorre no meio dos jovens, tal como queria Dom Bosco. Sois felizes entre eles e estes se alegram com vossa presença amiga. As vossas são “casas” nas quais eles se sentem bem. Não é este o apostolado que vos caracteriza em todas as partes do mundo? Continuai a abrir as vossas instituições especialmente à juventude pobre, para que aí possam os jovens sentir-se “em sua casa”, gozando da laboriosidade de vossa caridade e do testemunho de vossa pobreza. Acompanhai-os em sua inserção no mundo do trabalho, da cultura, da comunicação social, promovendo um clima de otimismo cristão no contexto de uma esclarecida e forte consciência dos valores morais. Ajudai-os a serem, por sua vez, apóstolos dos seus amigos e coetâneos.

            Esta exigente ação pastoral vos coloca em relação com tantas forças que atuam no campo da educação das novas gerações. Estai prontos a generosamente oferecer, nos vários níveis, a vossa contribuição, cooperando com todos os que elaboram as políticas educacionais nos Países em que vos encontrais. Defendei e promovei os valores humanos e evangélicos: desde o respeito da pessoa até ao amor ao próximo, especialmente aos mais pobres e marginalizados. Trabalhai para que a realidade multicultural e multi-religiosa da sociedade atual possa caminhar rumo a uma integração cada vez mais harmoniosa e pacífica.

146.

6. Caríssimos Filhos de Dom Bosco, a vós é confiada a tarefa de serdes educadores e evangelizadores dos jovens do terceiro milênio, chamados a ser “sentinelas do futuro”, como lhes disse em Tor Vergata, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude do Ano 2000. Caminhai junto com eles, ajudando-os com a vossa experiência e o vosso testemunho pessoal e comunitário. Acompanhe-vos a Virgem Santa, que vós invocais com o belo título de Maria Auxiliadora. Seguindo a Dom Bosco, confiai sempre nEla, difundi sua devoção a todos os que encontrardes. Com a sua ajuda pode-se fazer tanto; aliás, como gostava de repetir Dom Bosco, na vossa Congregação, foi Ela quem tudo fez.

            O Papa vos manifesta a sua satisfação pelo vosso empenho apostólico e educativo e reza por vós, para que possais continuar a caminhar na plena fidelidade à Igreja e na estreita colaboração entre vós. Acompanhe-vos Dom Bosco e a teoria dos Santos e Bem-aventurados salesianos.

            Enriqueço estes votos com uma Bênção Apostólica especial, que envio a vós, Membros do Capítulo Geral, aos Irmãos espalhados por todo o mundo e a toda a Família salesiana.

Do Vaticano, aos 22 de fevereiro de 2002, Festa da Cátedra de São Pedro

Johannes Paulus II

ANEXO 2

Discurso do Cardeal Eduardo Martínez Somalo

Prefeito da Congregação

para os Institutos de Vida Consagrada

e as Sociedades de Vida Apostólica

147.

1. É-me particularmente agradável estar no meio de vós para exprimir-vos, uma vez mais, a participação sincera do Dicastério da Vida Consagrada, e minha pessoal, na experiência de fé e de disponibilidade à Vontade de Deus que a vossa Congregação está a viver.

É uma experiência repleta de graça.

Se o evento do Capítulo Geral é um evento do Espírito Santo que nos abre e nos empenha na Verdade e na Caridade, o testemunho da vida e da morte do vosso Reitor-Mor, P. Juan Vecchi, exprime admiravelmente o carisma de Dom Bosco: estar prontos, com serena consciência, a viver e a dar a vida, como Deus quer, para os jovens, especialmente os mais pobres, vivendo a realidade do “já, mas não ainda” em filial abandono à vontade do Pai. Esta profundidade espiritual, que se exprime na simplicidade da vida e na confiança em Deus, parece-me ser característica na linha formativa que o Reitor-Mor, nestes anos, aperfeiçoou em vossa congregação. Também o sempre relembrado P. Egídio Viganó, em toda a sua fecunda existência e na sua última doença, havia percorrido esse caminho com o estilo em que havia vivido: a caridade pastoral pelos jovens.

Tenho reunido com freqüência na oração e na Celebração Eucarística a estes dois grandes animadores da Família Salesiana aos quais hoje confiamos o Capítulo Geral 25 que estais por iniciar.

Sinto-me feliz por saudar a todos os presentes, e em particular ao Vigário Geral, Revdo. P. Van Looy, que, com o Conselho Geral, levou avante estes meses a responsabilidade da condução da Congregação com o afeto de filho e a atenção solerte aos desejos, expressos e intuídos, do Reitor-Mor; saúdo a Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, o Responsável dos CCSS e dos EEAA e a todos os grupos religiosos e leigos que, por variados títulos, estão presentes e não deixarão de dar a própria contribuição para que a Família Salesiana continue a responder, com a prontidão e a profecia de Dom Bosco, às expectativas da Igreja, com a ajuda e a proteção de Nossa Senhora Auxiliadora.

148.

2. Estais por iniciar o primeiro Capítulo Geral dos Salesianos no III Milênio, que o Santo Padre definiu: “Um vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda de Cristo .... O Cristo contemplado e amado convida mais uma vez a pôr-nos a caminho” (NMI 58).

Vivemos recentemente momentos excepcionais de graça e de misericórdia durante o Jubileu de 2000. Sem dúvida, ninguém ficou indiferente ao testemunho de caridade pastoral e de exigente espiritualidade que o Papa João Paulo II viveu com os jovens. É uma página de história que vos diz respeito: enquanto põe a descoberto as mais profundas expectativas dos jovens, indica-nos com clareza que, quando o jovem se sente amado, mesmo com as lacunas próprias da idade e dos condicionamentos da sociedade, mira alto.

Qual teria sido a reação de Dom Bosco se tivesse podido estar presente, como um de nós, naqueles dias, e como teria repensado o empenho pastoral que caracteriza a comunidade fraterna e se expande na acolhida aos jovens, rosto de Cristo jovem, mas tantas vezes desfigurado? Vosso saudoso Reitor-Mor, nos Atos do Conselho Geral que me enviastes, sublinha nestes termos aquilo que está a peito de todos os salesianos do mundo: “O objetivo do CG25 não é tanto o que a comunidade e os irmãos ainda devem fazer pelos jovens, mas o que devem ser e viver hoje por eles e com eles (ACG, n. 172, p. 14). E esclarece: “Trata-se de fazer uma revisão de nossa vida comunitária com o espírito e a metodologia do discernimento evangélico, para descobrir as modalidades de fraternidade salesiana, capazes de responder às exigências da seqüela de Cristo e da missão” (ib.).

149.

3. Se a reflexão sobre a vida fraterna, em função da seqüela e da missão, é o interesse central do vosso Capítulo e desejais proceder a um discernimento no espírito do Evangelho, é necessária uma condição fundamental: que todos aperfeiçoem cada vez mais profundamente o próprio contato vivo, sincero e existencial com Cristo, Palavra de Deus e Eucaristia. Então a Assembléia capitular poderá verdadeiramente chegar a um discernimento evangélico sobre a identidade e sobre as linhas de ação da fraternidade salesiana. Neste sentido, o Capítulo Geral se torna uma grande ocasião de formação: põe em atitude de escuta recíproca, respeitosa e capaz de confiança, e ajuda a aperfeiçoar aquela humildade que é a via mestra para a verdade. Provoca, antes de tudo, o discernimento pessoal sobre a coerência com que cada qual vive a própria consagração a Deus no estilo salesiano, ilumina a reflexão sobre a pastoral juvenil que exige madura capacidade de discernir sobre quanto convém deixar de lado ou rever, e quanto deve ser confirmado e reforçado; abre, com equilíbrio e autêntica participação, a uma harmônica inculturação, re-confirma no espírito de Dom Bosco o empenho de suscitar no jovem a vontade de tornar-se honesto cidadão e bom cristão. Torna ao mesmo tempo atentos, como o foi ele, às autênticas exigências dos jovens, ao tempo da primeira revolução industrial, quando emigravam, sozinhos, para a cidade e eram explorados pelo trabalho ilegal, sem contrato algum sequer, que de algum modo os protegesse. Uma vida que fatalmente os punha em condição de fácil desorientação e Dom Bosco, bem o sabeis, teve a experiência direta dos efeitos devastadores do ambiente carcerário sobre os menores.

150.

4. A Igreja sente-se feliz por relevar que o vosso instituto possui forte incidência sobre os jovens e, por conseqüência, sobre o futuro da sociedade e da Igreja. Certamente a missão que Dom Bosco viveu e transmitiu requer uma grande sensibilidade educativa e uma boa dose de coragem para ir ao encontro dos jovens e com eles partilhar os problemas e as expectativas, os momentos de rejeição e o fácil entusiasmo que com freqüência se desfaz no nada. Vivem num ambiente contraditório, superficial e ao mesmo tempo convincente no apresentar a conquista fácil e uma competitividade que marginaliza o fraco e se baseia no dinheiro. Mas sente-se também a presença de ares novos e limpos de forças jovens que se comprometem com o bem. São “as sentinelas da manhã” que perscrutam a aurora de uma nova sociedade. Soube o Santo Padre ver neles a esperança que já Paulo VI guardava no coração: são os mensageiros da civilização do amor. Nada como crer profundamente numa realidade e acompanhá-la com a oração e o sacrifício, para que ela pouco a pouco viva no meio de nós. Foi assim que viveu Dom Bosco!

É uma tradição maravilhosa esta que levais avante em todas as partes do mundo. E a Igreja se compraz pelo bem que vós fazeis. E vos agradece. Como não recordar também o fecundo apostolado que realizais no mundo da cultura com as vossas Universidades, com a correta promoção dos MCS, com a vossa doação nas missões, nas paróquias, nas escolas profissionais em que preparais os jovens para um trabalho digno e honesto?

151.

5. Não se pode hoje subestimar a aflição comum a todos os institutos: a escassez das vocações. Isto obriga a numerosos irmãos – ainda de alma juvenil como a de Dom Bosco – a prolongarem a própria dedicação também quando as forças já não respondem com prontidão. Colhe-se então com pesar a diferença entre as gerações, que torna mais difícil o relacionamento com os jovens. É grande a diferença de mentalidade, de linguagem, de gostos, de escolhas, que incidem no cotidiano; no modo de sentir os problemas, de divertir-se, de orar, de julgar, de conviver. Corre-se o risco, alguma vez, de tornar cansativa a comunicação, apesar de todo o esforço. Então, só a fé na Palavra nos faz crer e viver a caridade paciente, benigna, que tudo espera e tudo desculpa, que não vai em busca da própria gratificação, mas crê nos jovens de hoje, porque Deus os ama. Vive-se, então, um dos momentos mais altos da entrega de si mesmos na caridade pela glória de Deus e a salvação dos jovens. A caridade que s. Paulo celebra na Carta aos cristãos de Corinto é a grande força, insubstituível, na experiência educativa. Não era por acaso que Dom Bosco repetia aos vossos primeiros irmãos: “É preciso que os jovens não somente sejam amados, mas que eles próprios saibam que são amados”. Ele compreendera muito bem que também o jovem mais refratário teria cedido somente ao amor paciente que, apesar de tudo, espera tudo.

Só há educação onde houver amor; quando se substitui a norma, os mesmos gestos ficam desprovidos de alma. Por isso, a quem lhe perguntava uma definição do seu sistema educativo Dom Bosco respondia com uma só palavra: “O meu sistema educativo? A Caridade!” (MB V,381). É a única estrada que abre ao anúncio de Cristo.

152.

6. João Paulo II ajuda-nos a verificar a autenticidade da nossa fé: “Quem verdadeiramente encontrou Cristo não pode guardá-Lo para si; tem de anunciá-Lo .... embora no devido respeito pelo caminho próprio de cada pessoa e com atenção pelas diferentes culturas” (NMI 40).

Anunciar Cristo com a própria vida exige certamente que esta seja sustentada  por “um amor alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, purificado no sacramento da Reconciliação, sustentado pela imploração da unidade, dom especial do Espírito para aqueles que se põem na escuta obediente do Evangelho” (VC 42). Então a comunidade fraterna pode verdadeiramente definir-se, como diz a Vita Consecrata, “espaço humano habitado pela Trindade” (VC41) e “espaço teologal onde se pode experimentar a presença mística do Senhor Ressuscitado” (VC42). Será ambiente fecundo, onde os jovens se sentem não só acolhidos, mas também desejados, para partilhar juntos os problemas e as esperanças, em diálogo aberto e sincero.

Caros salesianos, o Capítulo é um canteiro em que tantos projetos se focalizam, harmonizam e estudam, a fim de propor a toda a Congregação um caminho de novidade de vida na fidelidade ao carisma. No íntimo desta comunhão fraterna está sempre o Espírito Santo, o Qual indica o caminho, coordena, inspira o modo melhor de realizar a santidade dos filhos de Dom Bosco e dos jovens. Todos, entretanto, são chamados a contribuir, porque a cada um está confiado o bem comum.

O mesmo sucede em vossas comunidades. Cada jovem que recebeis é um projeto irrepetível do amor de Deus a vós confiado no concreto da história. Sois chamados a dar vida e espaço ao sopro do Espírito que nele habita. Quem conduz? O CRISTO, de Quem sempre devemos começar. Ele nos acompanha mediante a sua Palavra e o dom da Eucaristia. Olhando para Ele, entrevemos a Dom Bosco que, por primeiro, vos abriu este caminho de novidade, adaptando-a nas modalidades à sua própria época, mas inspirando-se na Caridade, realidade jamais ultrapassada, válida para todos os tempos.

153.     A Igreja confia em vós!

A Igreja muito espera de vós, Filhos de Dom Bosco!

Deixai-me relembrar as palavras que Jean Duvallet, um dos primeiros colaboradores do Abbé Pierre, disse a salesianos jovens: “Vós só tendes um tesouro: a pedagogia de Dom Bosco. Arriscai tudo, mas salvai a sua pedagogia! Vinte anos de ministério, passados a reeducar os jovens, me obrigam a dizer-vos: Vós sois responsáveis por este tesouro perante a Igreja e perante o mundo”.

Roma, 25 de fevereiro de 2002.

ANEXO 3

 

 

Discurso do Vigário Geral,
P. Luc Van Looy,
na abertura do CG25

Eminência Reverendíssima, Cardeal Martinez-Somalo,

Caríssimos Cardeais Alfons Stickler, Antonio María Javierre e Ignacio Velazco, Irmãos Arcebispos e Bispos,

Irmãs e Irmãos representantes da Família Salesiana,

Caros Irmãos Capitulares,

154.

Ao iniciarmos este 25º Capítulo Geral da Sociedade de São Francisco de Sales, sinto-me feliz de poder saudar-vos a todos com muita cordialidade e reconhecimento. Vejo na vossa presença uma demonstração de afeto para com a nossa Congregação e de participação a um dos atos mais importantes da sua vida, como é de fato o Capítulo Geral.

Agradeço à Madre Antonia Colombo, Superiora Geral da Filhas de Maria Auxiliadora e a todos os responsáveis pelos diversos ramos da Família Salesiana aqui presentes: o Coordenador Central dos Cooperadores, o Presidente Mundial dos Ex-alunos, a Responsável Central das Voluntárias de Dom Bosco, os Superiores e as Superioras de Congregações religiosas, e os Responsáveis dos grupos e associações reconhecidos como pertencentes à Família Salesiana. Sentimos, nesta vossa presença solidária, os vínculos que nos unem numa só Família – a Família de Dom Bosco.

E a vós, Irmãos, que vindes das diversas Inspetorias espalhadas pelo mundo, exprimo-vos as mais cordiais e fraternas boas-vindas. Sei que viestes para trabalhar, para fazer uma vigorosa experiência de mundialidade e para preparar o futuro da Congregação.

Gostaria antes de tudo de relembrar com gratidão e afeto o P. Juan Vecchi, a quem o Senhor levou para Si faz um mês. Persiste ainda viva em nossa memória a lembrança da sua amável paternidade, da sua sabedoria, da incisividade no governo da Congregação, e do seu testemunho pessoal de fé e de serena aceitação da vontade de Deus durante a sua longa enfermidade. Nesse período, a Congregação e a Família Salesiana encontraram-se compactamente ao lado do Reitor-Mor, unindo-se em oração em torno do Irmão Artêmides Zatti. Estamos certos de que o P. Vecchi, que iniciou e orientou a caminhada de preparação para este Capítulo Geral, haverá de ajudar-nos do Céu a levá-lo a bom termo.

Nestes últimos anos, a canonização de Dom Versiglia e do P. Caravario, a beatificação dos jovens oratorianos poloneses e dos mártires espanhóis estimularam toda a nossa Família para uma “medida alta de vida salesiana ordinária” (cf. NMI 31); e a próxima beatificação do P. Luís Variara, da Irmã Maria Romero e do Sr. Artêmides Zatti introduz, mais uma vez, os santos e a santidade para o meio de toda a Família Salesiana.

1. O Caminho pós-conciliar

155.

O tema deste Capítulo Geral insere-se num percurso que atravessa e se desenvolve ao longo de todo o período pós-conciliar. Depois de haver refletido globalmente sobre a nossa identidade salesiana (CG20) e de ter aprofundado alguns dos seus aspectos, como a evangelização dos jovens, o sistema preventivo, a animação da comunidade e a figura dos sócios (CG21), chegamos à promulgação das Constituições renovadas no CG22 de 1984.

Concentramos a seguir a nossa atenção sobre o caminho que, para educar os jovens à fé e na fé, devemos percorrer (CG23). Relevamos para tanto a necessidade de uma comunidade que se renove continuamente, que se insira mais ativamente no mundo juvenil com um salto de qualidade pastoral, e que se torne a um só tempo núcleo animador, tanto da comunidade educativo-pastoral quanto dos vários ramos da Família Salesiana.

O CG24 retomou esse último aspecto do envolvimento dos leigos em nosso espírito e em nossa missão, e delineou o novo papel da comunidade religiosa salesiana dentro da CEP e na elaboração do PEPS.

A comunidade salesiana, pois, tanto no CG23 quanto no CG24, emergiu como o ponto de convergência. Do seu bom funcionamento depende, de fato, em grande parte, a qualidade do testemunho, a incidência apostólica e a fecundidade da Congregação. É a comunidade religiosa dos salesianos que deve ser “sal da terra e luz do mundo” por meio das suas várias obras e atividades.

Seguindo este “fio vermelho”, o CG25 propõe-se agora avaliar os passos dados à luz do último Capítulo Geral, aprofundar as indicações não suficientemente compreendidas, e dar impulso ao trabalho já em andamento da renovação da comunidade. Pretende-se com ele relançar a comunidade como carta decisiva na evangelização dos jovens neste novo milênio.

Tal tema, portanto, não nos tira de sob os olhares nem os nossos destinatários, nem os leigos que conosco colaboram. Como escreveu o P. Vecchi na sua carta de convocação:

“O objetivo do CG25 não é tanto o que a comunidade e os irmãos ainda devem fazer pelos jovens, mas o que devem ser e viver hoje por eles e com eles. O olhar deve dirigir-se em primeiro lugar ao que somos e vivemos, do ponto de vista evangélico, para agir mais eficazmente em favor dos destinatários de nossa missão” (A caminho do 25º Capítulo Geral, ACG 372, p. 14).

A comunidade salesiana será, pois, o ponto focal do CG25. A ele se acrescenta a tarefa de dar cumprimento à orientação operativa do CG24 (n. 191) relativa às estruturas de governo, e da eleição do novo Reitor-Mor e dos membros do Conselho Geral que hão de guiar a Congregação durante o próximo sexênio.

2. O tema do CG25 perante os desafios de hoje

156.

O tema do Capítulo, “a comunidade salesiana hoje”, articula-se em quatro pontos:

a vida fraterna,

o testemunho evangélico,

a presença animadora entre os jovens,

a animação comunitária.

Os vários Capítulos Inspetoriais refletiram sobre estes pontos, a partir da experiência das comunidades locais e da individuação de alguns problemas de especial relevo, que a Comissão Pré-capitular julgou bem assinalar, como, por exemplo:

- a necessidade de reforçar a vida da comunidade segundo o Espírito. Isto é, criar as condições para que os irmãos gozem de uma intensa experiência do amor de Cristo que os leve a uma vida profundamente fraterna, a uma dedicação total à missão juvenil, a um testemunho atraente dos valores evangélicos;

- a exigência de desenvolver a capacidade inspiradora da comunidade religiosa no interior da comunidade educativa e pastoral, de forma a gerar comunhão, entusiasmo e vigoroso senso de pertença;

- a dificuldade de fazer frente às exigências reais da missão devido à diminuição das forças e o conseqüente desequilíbrio entre o volume de trabalho e o pessoal disponível;

- o envelhecimento e escassez de vocações, que tornam a vida de comunidade mais pesada e arriscam ofuscar o caminho futuro da missão.

Sobre estes e outros aspectos da vida de comunidade, o Capítulo Geral é chamado a indicar pistas seguras e motivadas para relançar a comunidade no início deste Milênio, relembrando a insistência de Dom Bosco:

“Nós escolhemos viver «in unum». Quer dizer: «in unum locum, in unum spiritum, in unum agendi finem»” (levar vida comum, com o mesmo espírito, com o mesmo objetivo a alcançar) (MB IX 573).

A idéia de escolher este tema, porém, não deriva apenas da consciência de fraquezas ou lacunas no perfil de nossa vida comunitária religiosa, mas de alguns desafios provenientes de um horizonte muito mais amplo.

157.     A cultura hodierna

Em primeiro lugar desafia-nos a cultura hodierna. Viver e anunciar a fé tornou-se difícil no mundo secularizado, em que o povo se afasta de modo gradual e silencioso da fé como de um elemento pouco importante para a vida de todos os dias.

Havendo diminuído consideravelmente o valor educativo e religioso da família, e passando a Igreja a ser considerada como uma instituição alienada da sociedade moderna, os jovens que crescem em ambientes secularizados acham difícil compreender a terminologia religiosa e se habituam a chegar aos critérios de conduta e ao sentido da vida por conta própria, sem referência a valores religiosos e, muitas vezes, sem ouvir os conselhos dos adultos que lhes estão perto. Em nossos dias, a credibilidade da Igreja é também posta sob a mira dos meios de comunicação, os quais põem em relevo, justa ou injustamente, certas fraquezas ou erros morais de religiosos e sacerdotes.

Também a escola interpela-nos fortemente, sobretudo naqueles países em que está em andamento um processo de reforma. O sistema de Dom Bosco põe como centro a pessoa e a sua educação integral, enquanto hoje constatamos que a preocupação no campo escolar se concentra quase que exclusivamente na instrução, nada se importando com a formação e o acompanhamento da pessoa. O ensino religioso, além disso, tende a ter cada vez menos peso, levando inevitavelmente ao enfraquecimento da formação integral do jovem e da sua capacidade de desenvolver uma cultura pessoal.

A tarefa hoje é a de encontrar um modo de superar essas barreiras físicas, psicológicas e culturais, a fim de chegar também aos jovens mais afastados, e ajudá-los a chegar à fé em Cristo. Não serão, em primeiro lugar, as palavras e os arrazoados a abrir tal caminho, mas o testemunho de uma comunidade que vive a própria fé em Jesus Cristo, encontra nela a sua coesão e a torna visível pela alegria e a transparência.

Esta carga espiritual conduz a comunidade de fé a superar o setorialismo e o individualismo, e a viver em fraterna amizade e colaboração, a ponto de tornar-se atraente e evangelizadora, como indica a Exortação Vita Consecrata:

“A vida de comunhão torna-se um sinal para o mundo e uma força de atração que leva à fé em Cristo. .... Deste modo, a comunhão abre-se para a missão e converte-se ela própria em missão” (VC 46).

O mesmo amor por Cristo leva também a um generoso acolhimento e doação de si aos outros. Aos jovens em primeiro lugar, por meio de uma presença ativa e amiga entre eles, e, depois, aos colaboradores leigos e aos membros dos diversos ramos da Família Salesiana, mediante uma comunhão feita de experiências de planejamento comum, participação responsável e formação conjunta, “até poder tornar-se uma experiência de Igreja, reveladora do plano de Deus” (C 47).

Em sendo sinal, a comunidade torna-se escola de fé que encontra a coragem e a criatividade para mostrar o seu próprio rosto cristão e sabe dar sabor e orientação à vida dos destinatários.

158.     Expansão geográfica e inserção

O fenômeno da globalização, com o correlativo fenômeno da localização, sublinha a necessidade de um equilíbrio entre a unidade do carisma e o pluralismo das expressões.

Exige que se dê mais peso ao valor da fraternidade do que às diferenças de etnia, língua, etc., de modo que as nossas comunidades, abertas às diversas culturas, se tornem um verdadeiro presente para a Igreja e a sociedade. A nossa presença em todos os continentes, em 128 nações, ajuda-nos a ter uma visão mundial do nosso carisma e a observar o movimento geográfico da vida da Igreja e das vocações. Enquanto se envelhece em algumas regiões tradicionais, se cresce e renasce em outros países e continentes.

Diz o Santo Padre em sua Exortação Apostólica Vita Consecrata, ao n. 51:

“Situadas nas várias sociedades do nosso planeta – sociedades tantas vezes abaladas por paixões e interesses contraditórios, desejosas de unidade, mas incertas sobre os caminhos a seguir –, as comunidades de vida consagrada, nas quais se encontram como irmãos e irmãs pessoas de diversas idades, línguas e culturas, aparecem como sinal de um diálogo sempre possível e de uma comunhão capaz de harmonizar as diferenças. As comunidades de vida consagrada são enviadas a anunciar, pelo testemunho de sua vida, o valor da fraternidade cristã e a força transformadora da Boa Nova, que faz reconhecer a todos como filhos de Deus e leva ao amor oblativo para com todos, especialmente para com os últimos. .... Os Institutos internacionais, nesta época caracterizada  pela repercussão universal dos problemas e simultaneamente pelo regresso dos ídolos do nacionalismo, sobretudo eles têm a missão de manter vivo e testemunhar o sentido da comunhão entre os povos, as raças, as culturas. Num clima de fraternidade, a abertura à dimensão mundial dos problemas não sufocará as riquezas particulares, nem a afirmação de uma particularidade gerará contrastes com as outras e com o todo. Os Institutos internacionais podem realizar isso eficazmente, já que eles próprios devem enfrentar criativamente o desafio da inculturação e conservar ao mesmo tempo a sua identidade”.

159.     A busca da qualidade

A inserção na realidade cultural exige um empenho sério para qualificar as pessoas e as obras. A significatividade da nossa ação depende principalmente da capacidade de conjugar o profissionalismo com o espírito carismático.

Falando do papel da comunidade salesiana como núcleo animador, o P. Vecchi indicou metas a alcançar. É preciso que nos esforcemos por tornar-nos:

- pessoas que vivem, com confiança e alegria, a própria vida, com atitude de compreensão e de diálogo com os jovens e o seu mundo, com atenção à cultura, com capacidade de inserção no seu território;

- educadores competentes que sabem conjugar a educação e a evangelização, e preparar agentes para a transformação cristã da sociedade;

- animadores dispostos a partilhar os caminhos formativos com os colaboradores leigos na vida de cada dia e nos momentos comunitários de especial importância, como a elaboração do PEPS, a avaliação da CEP, e o discernimento diante de situações concretas;

- dirigentes que interiorizaram o valor da participação e da co-responsabilidade e sabem animar, criando e renovando as modalidades oportunas;

- salesianos que trabalhando em equipe com outros manifestam uma sensibilidade particular para a educação dos mais pobres e se tornam promotores de uma cultura de solidariedade e de paz (cf. Especialistas, testemunhas e artífices de comunhão.  A comunidade salesiana – núcleo animador, in ACG 363, pp.37-38).

Para alcançar essa qualidade, tanto das comunidades quanto dos irmãos, a Congregação no sexênio fez um esforço notável para repensar e atualizar a sua práxis formativa, adequando a tarefa formadora aos desafios e às exigências de hoje. A Ratio, promulgada em dezembro de 2000, é um compêndio das normas e das orientações da Congregação em matéria de formação. Contempla toda a formação na perspectiva da formação permanente, atribui uma eficácia formativa à vida e ao trabalho de todos os dias.

Para tanto, requer-se haja na comunidade:

- um clima que favoreça o crescimento dos irmãos como pessoas e como comunidade (espírito de família, que cria uma mentalidade de busca e discernimento comuns, valorizando a experiência de todos; clima de fé e de oração que reforça as motivações interiores e dispõe a vivê-las com radicalismo evangélico e doação apostólica...);

- a valorização dos diversos tempos e meios que favorecem a formação permanente;

- a programação anual da formação permanente;

- a comunicação com a comunidade inspetorial e com a Congregação, e o acolhimento dos estímulos e das orientações que delas dimanam... (cf. Ratio, n. 543).

3. Algumas perspectivas

160.

A tarefa confiada por Cristo – de ser sal da terra e luz do mundo – leva a defrontar-nos com a realidade, na qual queremos repensar constantemente a nossa originalidade carismática, verificando se o sal ainda tem sabor e se a luzerna está bem colocada.

O Ano Jubilar convidou-nos a levantar a medida de nossa vida. Com sua palavra de ordem – “Duc  in altum!”  – o Santo Padre estimula-nos a que nos façamos ao mar aberto e profundo, tal como a fez ecoar o P. Vecchi em sua Estréia para este ano de 2002. Para este primeiro Capítulo Geral do novo Milênio, “Duc in altum” quer dizer relançar a Congregação em um dos seus aspectos fundamentais que testemunham o seu vigor religioso e carismático. A comunidade é, na verdade, a chave para a renovação e o crescimento da Congregação na sua missão juvenil, na sua pastoral vocacional e no seu impacto carismático e evangélico sobre o mundo.

Neste encontro fraterno, que é o Capítulo Geral, queremos em primeiro lugar viver a comunhão como sinal da unidade da Congregação; queremos fazer juntos uma reflexão sobre a comunidade, para redescobrir e re-exprimir o núcleo da inspiração evangélica do carisma de Dom Bosco, sensíveis às necessidades dos tempos e dos lugares (cf. C 146). Trata-se de reavivar e fundamentar o nosso testemunho evangélico e carismático como comunidade, a fim de tornar-nos profetas do novo Milênio. Queremos individuar e partilhar as linhas de percurso de toda a Congregação no próximo sexênio.

161.

A este respeito, gostaria de indicar desde já algumas pistas ou perspectivas para as nossas comunidades, mirando a um testemunho significativo de futuro, capaz de re-fundar ou re-desenhar a nossa presença no mundo de hoje:

Antes de tudo, como testemunhas de pobreza, as nossas comunidades se inserirão na sociedade, participando das multíplices formas de pobreza, material e espiritual, e empenhando-se pela justiça e o respeito pela pessoas humana. É, na verdade, a vocação de seus membros consagrados que as coloca nesta sensibilidade que é típica para a Igreja.

“A opção pelos pobres” – relembrou-nos o Papa – “inscreve-se na própria dinâmica do amor, vivido segundo Jesus Cristo. .... Isto comporta para cada Instituto, de acordo com o seu carisma específico, a adoção de um estilo de vida, tanto pessoal quanto comunitário, humilde e austero” (VC 82).

As comunidades serão solicitadas a repensar o seu modo de viver e trabalhar, favorecendo a sua presença entre os jovens menos afortunados e fomentando em seus membros e nos destinatários uma cultura de solidariedade que seja expressão do Evangelho da caridade.

162.

Em segundo lugar, como testemunhas de fé, as comunidades deverão responder à sede de espiritualidade que os jovens manifestam.

Cito as palavras do P. Vecchi:

“Os jovens .... precisam de testemunhas, de pessoas e de ambientes que demonstrem por meio de exemplos as possibilidades de organizar a vida em nossa sociedade segundo o Evangelho. Esse testemunho evangélico, que é ao mesmo tempo comunhão entre irmãos, seqüela radical de Cristo e presença ativa, estimulante e portadora de vida entre os jovens, constitui o primeiro serviço educativo a oferecer-lhes, a primeira palavra de anúncio do Evangelho. É evidente, do ponto de vista vocacional, que eles se sintam atraídos a entrar em ambientes comunitários significativos, mais do que só assumir um compromisso” (A caminho do 25º CG, in ACG 372, p. 17).

Na Exortação o Papa convida os consagrados a

“suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade, um forte desejo de conversão e renovação pessoal num clima de oração cada vez mais intensa” (VC 39).

E o seu testemunho comunitário de vida fraterna e de caridade para com os necessitados constituirá um vigoroso convite e encorajamento aos demais para partilharem o carisma salesiano. Realizarão assim quanto dizem as nossas Constituições: “A descoberta e orientação das vocações” constitui o “«coroamento» de toda a nossa ação educativo-pastoral” (C 37).

163.

Terceiro: como testemunhas de comunhão as nossas comunidades deverão zelar por expandir, reforçar e recriar a comunhão a fim de tornar-se, como disse o Papa, verdadeiros “especialistas de comunhão” (VC 46).

Tornar-se-ão assim significativas no território, mediante o seu envolvimento, na linha do seu carisma, tanto na pastoral da Igreja local quanto no trabalho em favor dos jovens pobres e em co-ligação com outras entidades e organizações. Cuidarão quer de promover os valores evangélicos, com palavras e mais ainda com o próprio exemplo, quer de estar presentes lá onde se decidem os critérios educativos e se estabelecem as linhas políticas relativas à juventude.

Não só: a vocação de educadores e consagrados, e o ministério sacerdotal levarão as comunidades a dar impulso a atividades sistemáticas para a orientação e a formação dos colaboradores e das comunidades educativas. Para torná-los (a eles e a elas) capazes de viver a própria vida com maturidade e alegria, de compreender e viver a espiritualidade salesiana e de cumprir a missão educativo-pastoral com competência e profissionalismo, as comunidades terão em mira não só o seu crescimento cultural e profissional mas também e sobretudo o desenvolvimento de sua vocação humana, cristã e salesiana.

Entrelaçarão relacionamentos de colaboração e co-responsabilidade na comum missão, e empenhar-se-ão ativamente na Igreja e na sociedade, especialmente em áreas como a educação, a evangelização da cultura e a comunicação social.

Quarto: como testemunhas de uma profunda vida espiritual as comunidades deverão empenhar-se sobretudo em reavivar a própria espiritualidade salesiana, reconhecendo que a comunidade deve a sua existência e missão ao Espírito, e que, portanto, não poderá nunca reinventar a si mesma ou cumprir uma sua tarefa com fruto sem uma intensa experiência espiritual. Procuraremos “partir de Cristo” (NMI 29), com a consciência de que “a comunidade religiosa é, antes de tudo, um mistério a ser contemplado e acolhido com coração reconhecido numa límpida dimensão de fé” (A vida fraterna em comunidade, n. 12).

Na virada do novo Milênio é-nos lembrada com insistência a importância de sermos cristãos autênticos e testemunhas competentes e fidedignas. Diz-se hoje que, ‘sem paixão e mística, ninguém poderá ser cristão’; muito menos religioso e salesiano, acrescentamos. Saiba o Capítulo Geral reacender esse fogo em cada comunidade salesiana.

Conclusão

164.

Confiemo-nos à ajuda de Maria, “modelo de oração e de caridade pastoral, mestra de sabedoria e guia da nossa Família” (C 92), e confiemo-nos à condução do Espírito Santo, com a docilidade de Dom Bosco, para sermos iluminados em todos os passos que dermos e em todas as decisões que tomarmos neste Capítulo. Saibamos também que toda renovação feita segundo a moção do Espírito e em sintonia com o carisma de Dom Bosco será acompanhada por sua força criadora. É assim que podemos empreender o nosso trabalho com a plena confiança de fazer a vontade de Deus.

São estes os votos que nos fazemos, certos de que o Senhor está no meio de nós.

Roma, 25 de fevereiro de 2002.


“Boa-noite” do P. Pascual Chávez no dia da eleição para Reitor-Mor

Espero que na minha nomeação não tenha influído o fato de estarmos no tempo pascal; dado que o meu nome é uma palavra que se repete muitíssimo neste tempo litúrgico (fala-se de fato de círio pascal, tempo pascal...), poderia ter sido visto como uma mensagem subliminar.

1. Agradecimento

172.

            Começo por exprimir o meu muito obrigado, antes de tudo a Deus Nosso Senhor que quis dar à Congregação e à Família salesiana um novo pastor segundo o estilo de Dom Bosco.

Obrigado ao P. Luc Van Looy, que, por quase dois anos, desde o início da doença do P. Vecchi, guiou a Congregação com verdadeira dedicação e amorevolezza. Obrigado ao P. Anthony McSweeny, que acompanhou o processo de discernimento com sabedoria e amor pelos Salesianos. Devo dizer que o fato de não ter tornado público à Assembléia Capitular o número das preferências no resultado da primeira sondagem, permitiu-me dormir muito bem, a ponto de sentir-me agora mais sereno do que ontem.

Obrigado a todos vós que fostes os instrumentos de Deus para fazer-me conhecer a Sua vontade. Pusera-me inteiramente em suas mãos, como diz o salmo 130, ‘como criança no regaço acolhedor de sua mãe’, para estar pronto a responder a qualquer coisa que me pedisse. Não sei se vos destes conta de quanto haveis feito. Seja como for, eis-me aqui.

2. Uma surpresa

173.

            Esta nomeação é, antes de tudo, uma surpresa para mim e a recebo como expressão da vontade de Deus, tal como o disse quando me foi perguntado se aceitava. Exprime o desejo amorável de Deus, que me deseja cada vez mais a serviço dos irmãos e dos jovens, tendo-o como único Senhor da minha vida. Sinto-me porém muito pouco adequado para desempenhar a grande tarefa e assumir a grande honra de ser o sucessor de Dom Bosco.

3. O perfil

174.

            Lendo e relendo o elenco das qualidades requeridas para o cargo de Reitor-Mor e apresentadas à assembléia para o discernimento, posso confidenciar-lhes que aí não me encontrava, não me sentia enquadrado. Estava certo por isso de que seria eleito um outro. E o digo com muita sinceridade. Agora compreendo que nesse perfil vós quisestes traçar não somente as vossas expectativas relativas ao Reitor-Mor, mas também o seu programa pessoal de vida. Muito obrigado. Esse também é um dom do Senhor.

4.  O programa sexenal

175.

            A descrição dos problemas por vós apresentados nas perguntas feitas ao Vigário do Reitor-Mor, após a apresentação da Relação sobre o estado da Congregação no sexênio 1996-2002, completa o panorama da situação, já descrita pelo P. Luc Van Looy, no seu Relatório. Junto com as prioridades indicadas e com as conclusões do CG25, essa entrará a fazer parte da Programação do Reitor-Mor e do seu Conselho para o próximo sexênio.

5. Um percurso veloz

176.

            Talvez vos pergunteis como tenha chegado a este encargo. Foi, a meu ver, um percurso decididamente curto e veloz. Em 1995, no fim do meu mandato como Inspetor de Guadalajara, México, fui chamado pelo P. Viganó que me convidava a concluir o percurso formativo com o doutorado em Teologia Bíblica. Lembro-me muito bem de suas palavras: “A Congregação precisa desse doutorado”. Quando lhe perguntei qual seria o meu futuro, respondeu-me: “Não sei ainda. Poderias talvez ser professor na UPS, ou colaborar no dicastério da formação, ou talvez poderias... poderias ser Inspetor!». Dispunha de apenas um ano e meio para terminar.

Lembrar-vos-eis provavelmente de como fui chamado ao Conselho geral neste último sexênio. Estava seis anos atrás a pregar um curso de Exercícios Espirituais a um grupo de irmãos da Inspetoria de Madri, quando me chegou um telefonema do P. Vecchi, o qual me informava que a assembléia capitular me havia eleito Conselheiro para a Região Interamérica e que me pedia uma resposta. Era o dia 2 de abril de 1996. Isto quer dizer que somente 6 anos e um dia depois, me chega esta nova nomeação.

Nomeando-me Inspetor, o P. Viganó convidava-me a deixar-me guiar pelo Espírito, pondo de lado os projetos pessoais e assumindo os que Deus me apresentava como programa de vida.

Por seu lado, o P. Vecchi, na sua introdução aos trabalhos do novo Conselho Geral, convidava-nos a viver o cargo como uma graça, uma oportunidade para progredir no caminho da santidade, iluminando a própria e alheia realidade com a luz de Dom Bosco, do seu carisma, da sua missão, tal como está codificado nas Constituições. Embora sinta que nestes últimos anos cresci salesianamente, confesso-vos que há ainda muito caminho por fazer. Conto entretanto com o Senhor e a sua Graça, assim como com cada um de vós e com todos os irmãos das vossas Inspetorias.

6. Em continuidade com os últimos Reitores-Mores

177.

            Sinto-me chamado a continuar o esplêndido trabalho de animação e de governo desempenhado pelo P. Viganó e pelo P. Vecchi. O esforço do primeiro para renovar a identidade salesiana segundo as indicações do Concílio Vaticano II e para colocar a Congregação em sintonia com as necessidades dos jovens de hoje, foram uma contribuição à qual se não pode não responder adequadamente, fazendo nossa aquela identidade. E a contribuição do P. Vecchi de criar um modelo pastoral cônsono com a situação da sociedade atual, com as novas concepções de educação, de evangelização e de pastoral juvenil, serviu sobretudo para tornar significativa a nossa obra em favor dos jovens.

A sólida formação teológica do P. Viganó e a sua proximidade com o carisma de Dom Bosco desembocaram numa original interpretação atualizada de nosso Pai fundador. A competência pedagógica e a visão antropológicas do P. Vecchi enriqueceu a Congregação, dando-lhe segurança sobre o que fazer hoje para ser verdadeiramente significativos, tanto como indivíduos quanto como comunidades.

7. O meu desejo

178.

            Quereria ter a preparação teológica do P. Viganó, a sensibilidade pedagógica e cultural do P. Vecchi, mas sobretudo a amorável paternidade do P. Rinaldi e a fidelidade do P. Rua, de quem Paulo VI afirmou dever-se a sua beatificação ao fato de que Rua havia feito de Dom Bosco uma escola, da sua santidade um modelo, da sua regra um espírito. Consciente dos meus limites e das minhas fraquezas, convido-vos, e por meio de vós a todos os irmãos da Congregação, idosos e jovens, padres e coadjutores, doentes e em plena saúde, a reproduzirmos juntos a imagem de Dom Bosco .

8. Uma nova fase

179.

            Sou o primeiro Reitor-Mor não italiano. (O P. Vecchi era argentino, mas de pais italianos.) Este é um sinal da multiculturalidade da Congregação já espalhada por todo o mundo.

Aproveito da ocasião para agradecer a toda a Itália salesiana, que soube até agora cumprir a sua responsabilidade histórica de transmitir fielmente o carisma de Dom Bosco. Obrigado caríssimos irmãos italianos aqui presentes, ou inseridos nas várias comunidades da península, ou como missionários no mundo.

Agora esta responsabilidade histórica passa a todos, porque todos somos chamados a encarnar Dom Bosco. Precisamos aprofundar o conhecimento de Dom Bosco, justamente porque necessitamos de identidade carismática, para não perder-nos neste vasto oceano a que fomos chamados a adentrar, tal como nos indica a Estréia do meu predecessor. Precisamos conhecer Dom Bosco, até torná-lo nossa mens, o nosso ponto de vista, o nosso agir perante as necessidades dos jovens. Convido-vos a amá-lo. É o presente mais belo que Deus nos deu: Dom Bosco, caminho seguro para a realização humana e sobretudo para a seqüela de Cristo. Eis a minha exortação: conhecê-lo, amá-lo, imitá-lo porque somos todos herdeiros e transmissores do seu espírito, e por isso divulgá-lo.

8. A minha atitude hoje

180.

            Com que atitude assumo hoje esta responsabilidade? Com a atitude de Moisés e de Dom Bosco. Com efeito quando fui ordenado sacerdote, dia 8 de dezembro de 1973, escolhi como mote uma expressão que me havia impressionado enquanto estudava a Carta aos Hebreus: «Como se visse o invisível, perseverou firme na fé». É o texto com que o autor da Carta resume a experiência espiritual de Moisés, o homem pascal. Para fazer o longo e perigoso caminho junto com o Povo de Deus, povo que conduziu como líder fora do Egito, ele precisava de muita audácia, de “parrésia”; mas esta mostrara-se insuficiente, sobretudo quando soube que estava sendo procurado por haver matado um egípcio e se refugiar no deserto; aí amadureceu a opção de abdicar dos seus projetos. Por isso, quando foi novamente convocado pelo Senhor, teve Moisés de renunciar a si mesmo e aos seus projetos e entregar-se totalmente a Deus, crer nEle, caminhar como se contemplasse o invisível.

Asseguro-vos que experimentei uma grande emoção quando, anos depois, li no artigo 21 do texto renovado das Constituições esta mesma expressão aplicada a Dom Bosco, no qual o Santo é apresentado como Pai e Mestre. Dom Bosco foi um homem que viveu para realizar um único sonho: salvar os jovens, especialmente os mais necessitados e periclitantes; foi um padre educador, totalmente “consagrado” à missão que Deus lhe havia confiado, e a esse serviço orientou todas as suas qualidades de natureza e de graça.

Este ser um homem unificado, a perfeita encarnação da interioridade apostólica, está na raiz da sua maravilhosa intrepidez, da sua fantástica criatividade, da sua incansável capacidade de trabalho, da sua rica sensibilidade, do seu amor generoso.

9. Entrega a Nossa Senhora

181.

            Termino convidando-vos a entregar a Maria a minha pessoa e toda a Congregação. Ela é o precioso testamento deixado por Jesus, para que fosse Mãe nossa e nos ensinasse a ser fiéis e discípulos do seu Filho. Ela foi, desde o sonho dos nove anos, a Mãe e a Mestra de Dom Bosco. Ela é hoje a “Stella Maris”, que nos guiará e nos acompanhará na aventura de “fazer-nos ao largo” a que nos convidou o P. Vecchi, para pôr a Congregação e a Família Salesiana em sintonia com o programa da Igreja no início do terceiro milênio.

Obrigado. Boa noite!

ANEXO 7

Discurso do Reitor-Mor P. Pascual Chávez Villanueva no encerramento do CG25

182. Caros  Irmãos Capitulares,

eis que -nos chegamosdos ao fim da experiência do CG25, que nós vivemos como dom do Espírito, dom para nós e para a nossa Congregação. O Espírito de Cristo derramou sobre nós a riqueza e a variedade dos seus dons, dons que nos encheram de alegria e nos indicaram os caminhos para o futuro. O nosso primeiro pensamento, humilde e grato, é pois dirigido a Deus, que por meio do seu Espírito animou a nossa assembléia a viver a unidade na comunhão e a buscar a resposta aos seus apelos.

São muitas as pessoas a quem desejo agradecer neste momento de conclusão. Agradeço primeiramente ao Vigário do Reitor-Mor, P. Luc Van Looy, ao Regulador do Capítulo, P. Antonio Domenech, ao P. Antonio Martinelli, à Comissão pré-capitular, aos Moderadores e aos Secretários da Assembléia, a Dom Alois Kothgasser, ao P. Anthony Mc Sweeny, que com variada intensidade de empenho e de responsabilidades orientaram a vida e o trabalho da mesma Assembléia.

Agradeço além disso inda à Assembléia capitular, que esteve sempre pronta, operantetrabalhadora e disponível, nas várias etapas e prazos que se foram sucedendo, ajudada pelas suas Comissões e articulações internas. Agradeço aos secretários do Capítulo, aos tradutores, àa ANS e à sua equipe, aos irmãos da Casa Geral, ao pessoal de apoio, que com um trabalho discreto e ativo tornaram possível todo o desdobramento desta importante assembléia.

Agradeço finalmente aos membros do Conselho geral em final de mandato, que realizaram o seu trabalho com verdadeira dedicação e competência; saúdo especialmente os Conselheiros que findaram o seu mandato; dou a seguir os parabéns ao Vigário e aos Conselheiros gerais que acolheram a indicação da assembléia capitular para serem meus colaboradores neste sexênio.

Acompanhou-nos nestes dias a preocupação pela Terra de Jesus. O drama da guerra esteve-nos sempre presente; acompanhamos as notícias, que se foram sucedendo nos foram chegando rapidamente; unimo-nos na oração ao grito angustiado de João Paulo II. As matanças, as represálias, as ocupações, as destruições infelizmente criaram uma fratura entre os dois povos. Nós também ficamos preocupados com a sorte de nossos irmãos e irmãs de Belém e de Cremisã e continuamos acompanhando o desenrolar-se da situação com a oração, a proximidade e a solidariedade.

Ficamos também impressionados com o escândalo divulgado pela mídia relativo a padres e religiosos da Igreja dos Estados Unidos, acusados de abusos contra menores. Tudo isso nos está a exigir, de nós educadores, uma particular atenção. Como também continuamos a acompanhar as situações de conflitos sociais ou de guerras, que afligem os países onde estamos presentes.

Seguindo o exemplo da comunidade apostólica, enviada por Jesus a levar o anúncio do Reino e a ensinar a todas as nações “na alegria do Espírito”, agora a nossa assembléia está pronta para ir a todo o o mundo inteiro, a fim de que cada um possa voltar a percorrer os caminhos da história, a viver com os jovens, a animar as comunidades, a caminhar com a Igreja.

1. A Comunidade Salesiana Hoje

183.

O CG25 desenvolveu o tema principal da “Comunidade salesiana hoje” e o secundário da “Avaliação do funcionamento das estruturas do governo central”. A maior parte do tempo foi dedicada à reflexão sobre o tema da comunidade, que já se havia iniciado nos dois Capítulos precedentes; eles haviam feito emergir a comunidade local como o lugar estratégico da educação na fé dos jovens e do envolvimento dos leigos.

O Capítulo Geral 23 enfrentara o desafio da educação dos jovens na fé. Ela estava se tornando uma ação cada vez mais complexa, conseqüência de uma cultura emergente, que exigia um repensamento da metodologia e dos conteúdos. Partindo dos desafios da realidade juvenil nos seus vários contextos, os capitulares traçaram um caminho de educação na fé para os jovens, oferecendo-lhes uma proposta de vida cristã significativa e de espiritualidade juvenil salesiana.

Era preciso renovar a qualidade da nossa proposta educativo-pastoral. Não se tratava de criar novas presenças, mas de fazer nascer uma presença nova, um modo novo de estarmos presentes aí no lugar onde já nos encontramos. Mais uma vez a Congregação se sentia chamada a relançar a atitude do «da mihi animas», convertendo a comunidade em «sinal de fé, escola de fé e centro de comunhão».

O Capítulo Geral 24 concentroucentralizou a sua reflexão sobre o desafio de criar uma nova sinergia entre SDB e leigos, ou seja, sobre o desafio de multiplicar as pessoas que queiram viver o seu batismo na área da educação, de fazer convergir Salesianos e leigos para um num novo modelo de relações, de colocar os salesianos perante a sua tarefa prioritária de animação pastoral e pedagógica.

CresciaEnraizava-se cada vez mais a convicção de que a nova evangelização e a nova educação não podiam se realizar sem a colaboração orgânica e qualificada dos leigos. Quanto às comunidades salesianas, elas deviam agora atualizar-se mais e cada vez mais, para se a fim de se tornarem as animadoras das comunidades educativo-pastorais e da Família Salesiana.

Nestes dois últimos Capítulos Gerais projetou-se um novo modelo pastoral. Nele, a comunidade salesiana tem uma tarefa de animação, o de ser o ponto de referência carismático para todos aqueles que partilham o espírito e a missão de Dom Bosco. A qualidade de sua vida consagrada, a profundidade de sua experiência espiritual, a significatividade do seu testemunho e a incisividade da sua proposta, são fatores indispensáveis para dar vida e força evangélica à animação da CEP e da Família Salesiana.

184.

Com o Capítulo Geral 25 a comunidade salesiana é colocada no centro e é vista em todas as suas dinâmicas e características. Não é tanto a dimensão comunitária a ser tomada em consideração, mas a comunidade local como sujeito, ou seja, a sua capacidade de planejar, de envolver as numerosas forças, de profecia evangélica, de comunhão e, em última análise, de evangelização. O CG25 aprofunda assim a caminhada feita pela Congregação e dá um novo relevo à realização da “subjetividade plena” da comunidade. O modelo de comunidade que emerge do CG25 é aquele que faz referência à nossa consagração apostólica, como se expressa no artigo 3 das Constituições. A comunidade vive a graça de unidade, que realiza a síntese vital entre a vida fraterna, o seguimento radical de Cristo, a experiência espiritual, a dedicação à missão juvenil.

O texto capitular sobre a comunidade se apresenta como um conjunto de cinco módulos operativos ou fichas de trabalho. A comunidade salesiana é o sujeito principal, a que se dirige oeste texto. Assumindo-o, ela é convidada a acolher o chamado que Deus lhe dirige por meio dos acontecimentos históricos e eclesiais, das indicações da Palavra de Deus e da nossa Regra de vida, dos apelos dos jovens, das necessidades dos leigos e da Família Salesiana. A comunidade aprofunda, a seguir, a leitura da própria situação, descobrindo as disponibilidades e as resistências, os recursos e as carências, as possibilidades e os limites. AEla aprende ainda a reconhecer os desafios fundamentais e a enfrentá-los com coragem e esperança; sabe também questionar-se apropriadamente e buscar as respostas. Finalmente, a comunidade se confronta com as orientações operativas propostas e determina as condições para traduzi-las em prática.

185.

Os conteúdos fundamentais referem-se à vida fraterna, ao testemunho evangélico, à presença animadora entre os jovens. A vida fraterna da comunidade propõe-se favorecer os processos de crescimento humano e vocacional dos irmãos, de superar a inércia de relações formais ou funcionais, de reforçar o sentido de pertença e o clima fraterno, de facilitar a comunicação, de ajudar a construção de uma visão partilhada. Podem, para tantoor isso, ser úteis: o projeto pessoal de vida, a prática do discernimento comunitário, a valorização dos momentos de encontro comunitários, o projeto da comunidade salesiana.

O testemunho evangélico nos pede manifestar visivelmente o primadoa primazia de Deus na vida da comunidade, de viver a “graça de unidade” na experiência espiritual e nas expressões comunitárias, de tornar radical, profético e atraente o testemunho comunitário do seguimento de Cristo, de partilhar as nossas motivações e empenhos vocacionais. A centralidade da Palavra de Deus, favorecida pela prática da “lectio divina”, a qualidade da oração comunitária, a Eucaristia cotidiana, a comunicação e a partilha da vida ajudam o aprofundamento da experiência espiritual e a manifestação do primado de Deus. A maneira, além dissoportanto, de viver o seguimento de Cristo, mediante a centralidade de uma obediência alegre na missão, a concretitude de uma pobreza austera, o esplendor da castidade vigilante e serena, torna mais transparente o testemunho da comunidade.

Onde existe uma comunidade salesiana, está presente uma experiência de fé, se constrói uma rede de relações, oferecem-se multíplicesúltiplas formas de serviço aos jovens. A comunidade torna visível a presença salesiana entre os jovens, anima-a e promove seu crescimento. É necessário, pois, antes de tudo, voltar para o meio dos jovens e ser não somente uma comunidade para os jovens, mas também com os jovens. Por isso, a comunidade salesiana constrói uma presença de comunhão e de participação, envolve os leigos e a Família Salesiana, insere-se no território. Ela se torna presença que educa e evangeliza, criando ambientes de intensa carga espiritual, tomando consciência e agindo perante as situações de pobreza, realizando projetos e processos de crescimento para os jovens. Ela, enfim, promove a escolha vocacional de cada jovem, anima a comunidade educativo-pastoral para que seja lugar de crescimento vocacional, atua uma metodologia do acompanhamento e da proposta vocacional.

Para ser uma comunidade que vive a fraternidade, que dê um intenso testemunho evangélico, que anime a presença entre os jovens, ela mesma precisa ser animada, atualizada, motivada, encorajada, orientada, guiada. A animação da comunidade passa principalmente através da formação contínua. A comunidade pode oferecer momentos de renovação espiritual, ocasiões de confronto, oportunidade de atualização educativa e pastoral; mas a valorização e a qualificação da vida cotidiana são o primeiro recurso de formação na comunidade. O diretor possui um papel fundamental na animação da comunidade, mas envolvendo e responsabilizando todos os irmãos; a sua atenção se concentra no carisma, na missão, na fraternidade. Ele anima a comunidade conjuntamente com os irmãos.

O CG25 propõe, enfim, algumas condições que tornam possível o ser comunidade salesiana hoje; trata-se de ajudar a comunidade a trabalhar de acordo com um projeto comunitário, de garantir a consistência qualitativa e quantitativa da comunidade, de aprofundar o relacionamento entre comunidade e obra, de atualizar o projeto orgânico inspetorial. Algumas destas condições dizem respeito ao nível local, mas na maioria das vezes exigempedem  também a responsabilidade e as escolhas da comunidade inspetorial.

A cada comunidade o Capítulo confia estes cinco itinerários, para que os estude, aprofunde, conscientize, a fim de que se torne uma comunidade carismática significativa.

2. A avaliação do funcionamento das estruturas centrais de governo

186.

O segundo elemento temático da reflexão capitular consistiu na avaliação do funcionamento das estruturas do governo central. TalEssa avaliação, pedida explicitamente pelo CG24, foi iniciada pelo Conselho geral e foi aprofundada por este CG25. O Conselho geral iniciou o trabalho de revisão mediante o auxílio através da ajuda de um estudo externo e a reflexão de um grupo de Inspetores, orientada pelo Vigário do Reitor-Mor. Foram a seguir interpelados os Capítulos Inspetoriais com algumas perguntas que se referiam aos Conselheiros de setor, aos Conselheiros regionais e às Visitas extraordinárias. O Capítulo Geral 25, por fim, levoutomou em consideração este trabalho e desenvolveu sua reflexão, com a finalidade de tornar mais ágil e eficaz o funcionamento das estruturas do governo central.

A avaliação feita levou o CG25 a fazer algumas modificações constitucionais; elas se referem à temporalidade do encargo do Reitor-Mor e dos membros do Conselho geral, a atribuição da animação da Família Salesiana ao Vigário do Reitor-Mor e a conseqüente entrega a um Conselheiro geral do único encargo do setor da Comunicação social. Deste modo, se oferecem: uma modalidade de mudança dentro do Conselho Geral, que, sendo programada com tempo, poderá ser preparada; uma nova possibilidade de animação para a Família Salesiana; uma ulterior valorização da Comunicação social ao serviço da educação e da evangelização.

Constituíram-se dois diferentes grupos de Inspetorias, chamadas Ásia Sul e Ásia Leste-Oceânia, nascidos da divisão do único grupo chamado Austrália-Ásia. Tal decisão vai permitir uma animação maior das duas novas “Regiões”, por parte dos respectivos conselheiros, e impele a encontrar formas mais apropriadas de coordenação dentro das mesmas “Regiões”.

Sente-se a necessidade de estudar um modo diferente de realizar o Capítulo Geral, para que responda melhor às necessidades do planejamento e da concretitude. Tem-se consciência de que os Capítulos gerais de releitura do carisma já terminaram e que se passou aos Capítulos gerais ordinários. Reflexões análogas poderão ser feitas sobre o funcionamento dos Capítulos inspetoriais.

Sublinha-se a instância para que o Reitor-Mor com o Conselho geral trabalhe de maneira mais orgânica e coordenada, a partir da programação do sexênio, mas também nas realizações sucessivas. Deseja-se especialmente que se supere o setorialismo; sobretudo que os assim chamados setores da “missão salesiana”, ou seja, pastoral juvenil, comunicação social e missões, trabalhem mais conjugadamente. Percebe-se também a urgência de trabalhar com projetos e de zelar por uma animação capaz de ativar processos. Nota-se outrossim a importância de valorizar os recursos presentes nas Regiões, nas Conferências e nas Inspetorias, e de uni-las em rede. Nisto também a Casa Geral pode dar sua específica contribuição para melhorar as modalidades de trabalho com toda a Congregação.

Aprecia-se a contribuição, dada ao crescimento das Inspetorias, pela realização do descentralização e da subsidiariedade; mas se reconhece também a exigência de uma solidariedade que supere o âmbito inspetorial ou regional e a necessidade de uma maior coordenação interinspetorial. Em tempos de mundialização é necessária a moderação para amenizar as instâncias globais e os impulsos locais; é preciso refletir sobre aquilo que é conveniente que as Inspetorias façam comp suaselas próprias forças e aquilo que é mais útil que realizem juntas. Há, de fato, necessidades, urgências e prioridades que ultrapassam o âmbito das “Regiões”. As fronteiras da missão requerem se conjuguem subsidiariedade e solidariedade.

A realização do processo de discernimento para a eleição do Reitor-Mor e dos Conselheiros gerais foi uma ocasião para viver e experimentar uma práxis, um método e uma experiência espiritual, que precisam ainda ser aprofundados, mas que já estão dando resultados apreciáveis. O discernimento, realizado em comum nas coisas de importância (C 66), é um caminho aberto a ser experimentado nos momentos de governo e da vida pastoral nos vários níveis. O exercício desta prática nos ajudará a chegar a visões partilhadas.

A exigência da avaliação das estruturas do governo central continua aberta à efetiva realização de um diferente funcionamento e requer um empenho análogo nos vários níveis da Congregação. De um modo melhor de trabalhar se chegará a um trabalhar conjuntojuntos, a um trabalhar bem, a um trabalhar eficaz.

3. A hora que vivemos

187.

A hora que estamos vivendo é empolgante e dramática; oferece novas oportunidades e limita algumas possibilidades; abre espaços inéditos e aponta para desafios não fáceis. As orientações operativascionais do CG25 inserem-se em contextos de referência mais amplos, que é preciso ter presentes; e a caminhada das comunidades vai-se dando dentro das situações da sociedade e da cultura, da Igreja, da vida religiosa. A aplicação do CG25 nos pede conhecer nossos contextos particulares, mas também de situar-nos nas grandes mudanças em andamento.

3.1 O contexto social e cultural da secularização, globalização e fragmentação

Na sociedade e na cultura estão em andamentoacontecendo profundas e rápidas transformações, que interpelam o trabalho de educação e de evangelização, o testemunho da vida religiosa, o modelo de homem e de mulher que propomos.

Constata-se um acentuado pluralismo étnico, cultural e religioso, favorecido também por migrações em massa. Muitas vezes tornam-se difíceis a tolerância e a integração cultural; aparecem ainda várias formas de sincretismo religioso; às vezes nascem tensões, conflitos e guerras com matizes étnicoas, nacionalistas e religiosoas. No campo religioso é muito forte o processo de secularização, que diz respeito interessa prevalentemente a fé cristã, mas que envolve também outras religiões. São também acentuados os movimentos que buscam experiências espirituais, satisfação interior, emoções profundas.

A globalização, por sua vez, é uma realidade que se afirma cada vez mais e que se manifesta especialmente no planejamento econômico em dimensões mundiais, na crescente consciência de solidariedade, na defesa do ambiente, na exigência de uma partilha mais justa e distribuição dos bens, na comunicação social e no desenvolvimento da informática. Mas ela produz também injustiças e exclusões sociais, em prejuízo das populações mais vulneráveis. O bem-estar econômico, que assume aspectos cada vez mais arrogantes nas faixas privilegiadas da humanidade, produz nelas o consumismo e o hedonismo. Ao mesmo tempo os desafios da fome, da pobreza, das doenças e da exclusão, que atingem bilhões de pessoas, tornam-se cada vez mais agudos.

A complexidade e a fragmentariedade, por fim, criam instabilidade e diversidade de pontos de referência, de valores e de interesses. Junto com um sadio pluralismo e a busca de novos critérios multiplicam-se os desafios e se difundem o relativismo e o pragmatismo. Enquanto, por um lado, se sublinha com força o valor da pessoa e dos seus direitos e a dignidade da mulher é progressivamente reconhecida na prática, tem-se uma visão mais objetiva do corpo, da afetividade e da sexualidade, por outro, nascem novas formas de exploração da pessoa e especialmente dos menores, e aumenta a fuga do compromisso com a solidariedade. A pós-modernidade acentua o cultivo das relações interpessoais, o interesse pelos afetos, mas também o individualismo e o subjetivismo.

O CG25 pede às comunidades que aceitem os desafios que a cultura apresenta à educação e à evangelização; que vivam a fraternidade dando atenção ao amadurecimento vocacional de cada irmão e ao cuidado das relações interpessoais; que dêem um testemunho evangélico propositivo e alternativo com relação ao contexto em que se encontram. Cada comunidade busca assim não só aprofundar cada vez mais o conhecimento do contexto em que vive e age, mas também apresentaroferecer respostas eficazes.

3.2 O contexto eclesial da “Novo Millennio Ineunte”

188.

No fim do Ano Jubilar e no início do novo milênio, João Paulo II convidou a Igreja a «fazer-se ao largo»[1], a «fixar os olhos no Senhor Jesus»[2], a «partir de Cristo»[3], a ser «testemunhas do amor»[4], construindo comunhão.

A primeira área na qual é preciso individuar as orientações pastorais adaptadas a cada comunidade é o “partir de Cristo”. «O horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade»[5]: chegou a hora de repropor a todos esta medida alta da vida cristã que é a santidade e de ter uma pedagogia da santidade. «Para esta pedagogia da santidade há necessidade dum cristianismo que se destaque pela arte da oração»[6]: as nossas comunidades são urgidas a serem autênticas escolas de oração; a educação à oração deve tornar-se um ponto qualificador de toda programação pastoral. «Não há dúvida de que este primado da santidade e da oração só é concebível a partir duma renovada escuta da Palavra de Deus».[7] Santidade, oração e escuta da Palavra de Deus são os caminhos fundamentais da pastoral pós-jubilar.

A segunda área em que é preciso manifestar um decidido compromisso programático é o da comunhão. «Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas profundas do mundo».[8] A profecia da comunhão pressupõe que se cultive a espiritualidade da comunhão; ela se exprime no cultivo da variedade das vocações, na promoção do compromisso ecumênico, no apostar na caridade, no favorecer o diálogo inter-religioso e a missão “ad gentes”, no enfrentar os desafios da cultura atual.

Com o CG25apítulo Geral 25, a Congregação entende responder ao apelo de João Paulo II para trabalhar nas fronteiras da nova evangelização e para colocar em ação os dons e tarefas do Jubileu: “Duc in altum”. Todas as comunidades são chamadas a partir de Cristo e a construir comunhão. Isto irá trazer novos frutos de vida espiritual e de evangelização.

3.3 O contexto religioso da re-fundação carismática

189.

Durante estes anos pós-conciliares a vida consagrada viveu um insistente convite a se renovar, tornando-se eloqüente e significativa; especialmenteem particular, a Exortação Apostólica “Vita Consecrata” acata as instâncias de re-fundação que nestes trinta anos se verificaram na vida consagrada e constitui o ponto de referência para “uma grande história a ser construída”.[9]

No delicado processo de renovação, desejado pela Igreja, a nossa Congregação dedicou três Capítulos Gerais “extraordinários”, que especificaram a identidade salesiana. Será útil relembrar o caminho feito. Enquanto o CG19, que se deu durante o Concílio, «tomou consciência e preparou», o CG20 «pôs em órbita», o CG21 «avaliou, retificou, confirmou e aprofundou»; o CG22 foi chamado a «re-examinar, precisar, completar, aperfeiçoar e concluir»[10].

O Capítulo Geral Especial 20 realizou a avaliação e a adequada renovação da Congregação segundo o espírito do Fundador e de acordo com os objetivos indicados pela Constituição Dogmática Luúmen Gentium e pelo Decreto Perfectae Caritatis. O Capítulo propôs-se não só cumprir as orientações e as diretrizes do Concílio Vaticano II como simples formalidade, mas aproveitou da oportunidade para responder melhor a Deus e aos jovens. Por isso, o CGE, precedido por uma preparação muito acurada, por meio de interpelação feita a todas as Inspetorias, quis reformular um projeto global. A pergunta fundamental era como tornar visível e atual o testemunho particular da vida religiosa salesiana na Igreja. Tratava-se também de exarar um texto renovado das Constituições e dos Regulamentos. Em síntese, era necessário re-fundar a identidade da Congregação.

O resultado de sete meses de trabalho capitular encontra-se nos 22 documentos de orientações doutrinais e operativas. O que se fez, pois, foi uma reformulação, mais carismática, do “Texto Constitucional”. Codificou-se nos “Regulamentos” o modo prático universal de viver as Constituições, remetendo às Inspetorias a tarefa de regulamentar o que é próprio dos lugares, por meio dos Diretórios Inspetoriais.

O Capítulo Geral 21 teve como objetivo avaliar se e como se havia feito a renovação. A profundidade e a rapidez da mudança, fruto do Concílio Vaticano II, trouxeram à Igreja e à Congregação uma situação de mal-estar, que pedia clareza de orientação e sabedoria nas soluções. A ação profundamente renovadora, realizada na Congregação pelo CGE, impunha revisão, retificação, aprofundamento e re-confirmação.

No CG21 foram estudaram-sedos também alguns temas substanciais para a Congregação: o Sistema Preventivo, a Formação à Vida Salesiana, o Salesiano Coadjutor e a Universidade Pontifícia Salesiana. Esse trabalho de esclarecimento da identidade, reforçado pela Encíclica Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, aprofundou a missão específica salesiana. Em seu discurso de encerramento, o Reitor-Mor, P. Egídio Viganó, sintetizou os três objetivos que se foram evidenciando tomaram corpo durante o trabalho capitular: a tarefa prioritária de levar o Evangelho aos jovens, que implicava um projeto educativo pastoral; o espírito religioso; o novo estatuto da comunidade salesiana como animadora da comunidade educativo-pastoral.

O CG21 significou, certamente, uma radical renovação pastoral.

O CGapítulo Geral 22, realizado após um tempo intenso de experimentação e aprofundamento da identidade salesiana, propunha-se concluir o projeto de renovação, com a definitiva revisão da Regra de Vida. O resultado final do trabalho capitular foi, segundo as palavras do Reitor-Mor, «um texto orgânico, profundo, melhorado, permeado de Evangelho, rico da genuinidade das origens, aberto à universalidade e voltado para o futuro, sóbrio e digno, denso de equilibrado realismo e de assimilação dos princípios conciliares».[11] A redação definitiva da Regra de Vida trouxe consigo, entre outras coisas, a renovação da Ratio; a idéia central era que toda a formação dos salesianos sintonizasse com a natureza da vocação e de sua missão específica de educadores e pastores dos jovens.

Assim a nossa Congregação se empenhou-se na releitura ‘fundacional’ do seu carisma e na sua “re-fundação”. Depois dApós os Capítulos Gerais “extraordinários” seguiram-se mais três Capítulos Gerais “ordinários”, voltados para assuntos de caráter operativo: a educação na fé dos jovens, o envolvimento dos leigos no espírito e na missão salesiana, e a comunidade salesiana hoje. A releitura carismática da identidade estava concluída, mas sua tradução concreta ainda está em andamento.

4. A meta do CG25

190.

Concluídas as etapas da preparação e da celebração do CG25, chegou a hora de passar à fase da prática. Agora é tempo de assimilar o Capítulo com todos os irmãos, de torná-lo programa de governo inspetorial, de traduzi-lo operativamente nas comunidades. Para individuar os passos a serem dados, agora nos detemosivemo-nos a considerar as perspectivas de futuro e a meta a ser alcançada.

Revendo o caminho feito pela Congregação nestes trinta anos, pode-se notar que a mudança nem sempre foi linear. Penso que a resistência maior não se deu na renovação das Constituições, ou dnas estruturas de governou, ou dda prática pastoral, mas na renovação espiritual, que acarreta uma profunda conversão interior.

Nestes anos de transformação, foi-se configurando uma nova forma de vida religiosa salesiana. Já temos os “odres novos”: uma nova evangelização, uma nova educação, um novo modelo pastoral, uma nova formação. Foi-se aos poucos também produzindo o “vinho novo”: o novo evangelizador, o novo educador, o novo sujeito pastoral, o novo salesiano.

Sentimo-nos, por vezes, incomodados perante o uso do adjetivo “novo” para qualificar realidades que consideramos conhecidas, sobretudo pelas conseqüências práticas que isso comporta: a necessidade de nos renovarmos espiritualmente, de nos atualizarmos profissionalmente, de nos qualificarmos pedagogicamente. A novidade provémnasce das situações, dos contextos, das mudanças da realidade, da visão antropológica.

Hoje a preocupação da vida religiosa em geral, e da Congregação em particular, não pode ser a da sobrevivência, mas a de criar uma presença significativa e eficaz. É questão de profecia. «Isto comporta – escrevia o P. Vecchi – dar vida a uma presença que suscite questionamentos, dê razões de esperança, convoque pessoas, desperte colaboração, ative uma comunhão cada vez mais fecunda, para realizarmos juntos um projeto de vida e de ação segundo o Evangelho».[12] O que se quer é um tipo de vida fascinante e atraente, que dê o primadoa primazia ao profético mais que ao organizativo, que privilegie as pessoas mais que as estruturas.

Parafraseando Karl Rahner em seu testamento espiritual, podemos dizer que o futuro da vida religiosa passa através da sua força mística, a sua sólida experiência e o transparente testemunho de Deus, a superação de todo tipo de aburguesamento, atonia e mediocridade. A vida religiosa nasceu e tem sentido só como sinal da busca e da primazia de Deus. A sua missão é a de ser sacramento: ser “sinais e portadores do amor de Deus” (C 2), especialmente em favor dos mais necessitados, para que eles possam fazer a experiência de que Deus existe e os ama.

Quando os Superiores Gerais decidiram aprofundar o tema da re-fundação da vida religiosa[13], movia-os a consciência de que há necessidade deo “vinho novo em odres novos” (cf. Mc 2,22);: uma fonte de novidade é o chamado a voltar às origens do carisma. Trata-se para nós de expressar a originalidade da Congregação, de ir ao essencial, de re-escrever a carta de Roma de 1884. Voltemos a Dom Bosco e voltemos aos jovens!

As imagens da “luz”, do “sal” e do “fermento”, empregadas por Jesus no Evangelho para definir a identidade e a missão dos discípulos, são reveladoras e empenhativas. Simplesmente é preciso “ser” para ter significado e relevância. Mas se o sal perder o seu sabor, ou se a luz se colocar porpuser sob a mesa, ou se o fermento não puder já levedar, para nada mais já não servem:irão para mais nada , perderam a razão dose seu “ser”.

A força da vida religiosa está no seu caráter profético perante a cultura, subversivo perante o aburguesamento, alternativo perante um progresso ilimitado, mas que não tem transcendência. O problema é o da identidade e da identificação: o que nos caracteriza e nos manifesta é uma intensa experiência de Deus, que mude profundamente a nossa vida, e uma comunidade em que se comece a viver a viver com novidade de vida. «Não vos conformeis com a mentalidade deste século – escreveu s. Paulo aos Romanos -–, mas transformai-vos renovando a vossa mente, para poder discernir a vontade de Deus, o que é bom, agradável a Ele. E perfeito» (Rm 12,2).

Nesta linha, desejo traçar cinco perspectivas de futuro, que estiveram como objeto de reflexão e de estudo por parte do P. Egídio Viganó e do P. Juan Vecchi em suas cartas, mas que são ainda campo necessitado de renovação, para introduzir-nos decididamente no novo milênio com energia e clareza de projeto.

4.1 A renovação espiritual de cada salesiano

191.

A renovação espiritual exige a volta ao fundamento da nossa vocação: Deus e o seu Reino. Deus deve ser a nossa primeira “ocupação”. É ele que nos envia e nos confia os jovens, para ajudá-los a crescer até alcançarem a estatura de Cristo, o homem perfeito. Para nós, a recuperação da espiritualidade não pode estar separada da missão, se não quisermos cair no perigo da evasão. Deus nos espera nos jovens para oferecer-nos a graça de um encontro com Ele (cf. C 95; CG23, 95). É por isso inconcebível inaceitável, portanto, e injustificável pensar que a “missão” seja um obstáculo para o encontro com Deus e para cultivar a Sua intimidade.

4.2 A consistência da comunidade

192.

A qualidade da vida de comunhão e a ação educativa e pastoral requerem uma consistência qualitativa e quantitativa da comunidade salesiana. Todas as propostas para tornar formativo o cotidiano e melhorar a qualidade da metodologia, dos conteúdos e das atividades, se deparam com as acabam por chegar às possibilidades reais da comunidade. Para nós, a vida fraterna em comunidade é um elemento da nossa consagração apostólica e, portanto, da profissão religiosa (cf. C 3 e 24), junto com o seguimento de Cristo obediente, pobre e casto, e com a missão. Ela é também o âmbito em que somos chamados a viver a experiência espiritual, a missão e os conselhos evangélicos. Não podemos, portanto, continuar com a pretensão de querer resolver todos os problemas, a expensasàs custas do carisma e da vida da comunidade.

4.3 A re-significação da presença

193.

A significatividade da presença é uma exigência tanto da comunidade quanto da missão; trata-se da qualidade de ambas. No passado, quando se falava de “redimensionamento”, o acento era dirigido para o fechamento de obras ou da sua entrega aos leigos. Hoje, entretanto, enquanto se continua a afirmar que o redimensionamento é uma tarefa inevitável, se não quisermos enfraquecer as comunidades e sobrecarregar os irmãos, a insistência deve ser posta sobre a “significatividade” da presença salesiana no território. EstaEla  não se reduz à obra ou às atividades; é antes uma forma de ser, de trabalhar e de organizar que busca não só a eficácia  mas também dar sentido, abrir perspectivas, convocar pessoas, promover novas respostas. Trata-se de recolocar a Inspetoria lá onde são mais prementes as necessidades dos jovens e onde é mais fecunda a nossa presença. A nossa vida consagrada não será onipresente, nem mesmo sempre socialmente relevante, mas continuará a ser referência necessária na medida em que for sinal do Reino.

4.4 A qualidade da proposta educativo-pastoral

194.

A caminhada feita até agora, pelo menos em muitos lugares, foi a de multiplicar as obras, comprometendo em não poucos casos a qualidade da nossa atividade. Privilegiou-se por vezes o aspecto organizativo de preferência ao pastoral, ou a manutenção e a construção de edifícios antes que a clareza e a seriedade do projeto educativo-pastoral. Hoje a realidade nos pede que desenvolvamos formas mais intensas de evangelização, que nos concentremos no amadurecimento humano e na educação na fé dos jovens, que formemos os leigos, que animemos a comunidade educativo-pastoral e, junto com ela, elaboremos um projeto. Tal tarefa é já realização da significatividade.

4.5 A formação do salesiano

195.

A complexidade das situações atuais, os desafios dos jovens, a exigência da nova evangelização, a tarefa da inculturação requerem uma formação capaz de habilitar o salesiano a viver com dinamismo e solidez a sua vocação, a cumprir com profissionalismo e competência a missão, a assimilar pessoalmente a identidade carismática. Para nós Dom Bosco não é só ponto de referência constante; é norma de vida; e a formação nada mais é que apropriar-nos dossumir o dom que Deus nos deu quando nos chamou. O documento sobre a formação na Vvida cCoonsagrada afirma com clareza: «A renovação dos institutos religiosos depende principalmente da formação de seus membros».[14] Este é o maior desafio que tem diante de si a Congregação, desafio que aceitou com a edição da nova Ratio[15].

A Igreja e o Mundo precisam de pessoas que façam profissão de encarnar o interesse por Deus, que sejam uma reserva de humanismo, que se tornem um sinal poderoso, eloqüente, radical da “sequela Christi”. Era isto que o Concílio Vaticano II desejava e esperava da vida religiosa. Foi este o objetivo da Congregação durante estes 30 anos. Agora o CG25 quis dar a sua contribuição específica para alcançar esta meta, uma contribuição realista que, como já vimos, visa a reforçar a comunidade salesiana em todas as suas dinâmicas.

5. O dom das beatificações

196.

«Queridos salesianos, .... sede santos! É a santidade – vós bem o sabeis – a vossa tarefa essencial». Foi com esta exortação que João Paulo II se dirigiu a nós, participantes do Capítulo Geral, recebidos em audiência na manhã de 12 de abril. A santidade é também a imposição desteobrigação entregue por este Capítulo, que finda com o presente de três novos Bem-aventurados da Família Salesiana: o P. Luís Variara, o Sr. Artêmides Zatti e a Ir. Maria Romero Meneses.

É a doação o dom alegre de si e a dedicação generosa aos mais pobres que associamunem  estes Bem-aventurados que se acrescentam ao grupo numeroso de santos da nossa Família carismática. Não há nada que tanto atraia como o testemunho da entrega total de si sem reservas, sem medida, sem condições; não há nada que fascine tanto como o serviço aos mais pobres, aos mais humildes, aos mais necessitados. Os leprosos do P. Variara, os doentes do Ssr. Zatti, as meninas abandonadas da Ir. Romero lembram imediatamente a oferecimento gratuitoentrega da vida destas três figuras, que nos são propostas como modelos. O cuidado dos mais pobres e a doação total de si se harmonizam, testemunhando assim a caridade heróica dos três novos bem-aventurados.

A santidade é o caminho mais exigente que juntos queremos realizar nas nossas comunidades; é «o dom mais precioso que podemos oferecer aos jovens» (C 25); é a meta mais alta que devemos propor com coragem a todos. Somente em um clima de santidade vivida e experimentada, terão os jovens a possibilidade de realizar escolhas corajosas de vida, de descobrir o plano de Deus sobre seu futuro, de apreciar e acolher o dom das vocações de ão de especial consagração.

A beatificação do sr Artêmides Zatti, especialmente, evidencia a atualidade e a validade da vocação do salesiano irmão leigo. O carisma salesiano não seria o que deve ser sem sua figura. Sua presença na vida da comunidade salesiana não é um acréscimo extrínseco de uma categoria de pessoas, mas é parte imprescindível de sua fisionomia. Isto nos pede uma proposta vocacional mais convicta e uma presença mais visível desta figura na comunidade educativo-pastoral.

O fio condutor da existência do Sr. Zatti é constituído pelo seguimento de Jesus, com Dom Bosco e como Dom Bosco, em todos os lugares e sempre.[16] Isto significa que Dom Bosco o fascinou e atraiu; a exemplo de Dom Bosco, viveu a doação total de si; como Dom Bosco, escolheu ser educador: Zatti foi um enfermeiro educador enfermeiro. Ele viveu com unidade profunda a experiência espiritual, o trabalho profissional, a fraternidade alegre, até se tornar um reflexo de Deus com radicalidade evangélica. A luminosa figura deste salesiano coadjutor bem-aventurado nos ensine os caminhos com que levar os jovens a descobrirem a beleza de tal vocação.

6. Confiados em sua Palavra, fazer-se ao mar altoIr ao mar alto, confiando em sua Palavra

197.

O episódio evangélico da pesca milagrosa, apresentado pela “Novo Millennio Ineunte” e retomado pelana última Estréia do P. Vecchi, é um símbolo da retomada do nosso caminho ao findar o nosso Capítulo Geral 25.

Podemos ter experimentado também nós, às vezes, a canseira inútil do nosso trabalho. O Senhor Jesus também hoje nos convida a “fazer-nos ao largo”, a renovar o nosso esforço de lançar a rede. A, a tentar novamente. Mesmo depois de o ter feito muitas vezes inutilmente. É esta a hora da coragem! É preciso fazer-se lançar-se ao mar aberto, enfrentando os desafios de hoje, e é preciso rumar para asir às  águas profundas, cultivando uma intensa experiência espiritual e fomentando a qualidade da nossa ação.

O que nos estimula a tentar novamente é a fé no Senhor Jesus: confiando em sua palavra continuaremos a lançar a nossa rede. É esta a hora da esperança! O tempo que estamos vivendo está orientado para as grandes responsabilidades que nos esperam, para a feliz aventura de ainda jogar atirar as redes para a pesca e e sentirde experimentar o poder da Palavra de Deus. Estamos certos de que o Senhor Jesus saberá ainda maravilhar-nos com sua fidelidade e as suas surpresas.

Onde existem grandes desafios, é necessária a coragem e a esperança da comunidade. Os caminhos novos e as tarefas difíceis da evangelização poderão ser enfrentados por comunidades que empreendem uma radical conversão pastoral e vivem uma profunda experiência espiritual. Coragem e esperança são as expressões mais eloqüentes da profecia das nossas comunidades.

Não nos passe despercebido o fato de que no episódio evangélico o gesto gratuito da pesca surpreendente não tem outra finalidade que a de suscitar a fé e de provocar o seguimento. Diante do gesto super-abundante de Jesus e depois do convite: «Não tenhas medo! De agora em aqui em diante serás pescador de homens», os primeiros discípulos, puxados os barcos a terra, deixaram tudo e seguiram Jesus (cf. Lc 5,1-11). Estarão desta forma envolvidos na mesma missão e no mesmo destino de Jesus: o chamado definitivo a todos para acolherem o Reino. Os gestos surpreendentes e superabundantes de coragem e de esperança das nossas comunidade provocam a resposta vocacional dos jovens; o testemunho profético da comunidade ainda hoje será capaz de suscitar jovens disponíveis a partilhar o projeto de vida de Dom Bosco: “Da mihi animas; caetera tolle”.

7. Com Maria nosso auxílio

198.

Também em nossas comunidades, como na comunidade apostólica das origens, Maria está presente. Está em oração com os discípulos do seu Filho; vive conosco, feitos seus filhos aos pés da Cruz. Desde então, Maria está presente na Igreja com uma presença orante; reza para que os discípulos superem os fechamentos do medo, estejam atentos e prontos para o sopro do Espírito, se aventurem pelas estradas da evangelização.

Dom Bosco nos deixou-nos como preciosa herança a consagração consagração confiante a Maria: Ela é o nosso Auxílio, é a Mãe da Igreja, é o auxílio dos jovens e dos pobres, é a Mãe de todos. Como o discípulo predileto, também nós acolhamos Maria em nossa casa, nas nossas comunidades. Ela nos tornará atentos às necessidades do tempo presente: «Não têm mais vinho»; e nos tornará sensíveis às exigências evangélicas: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2,3-5).

Maria, ajudai-nos, com a vossa intervenção materna,

a voltarmos para Dom Bosco e para os jovens!

Maria, nosso auxílio,

rogai por nós e pelas nossas comunidades!

FIM

[1] NMI, 1

[2] Cf. NMI, 16-28

[3] Cf. NMI, 29-41

[4] Cf. NMI, 42-57

[5] NMI, 30

[6] NMI, 32

[7] NMI, 39

[8] NMI, 43

[9] VC, 110

[10] Cf. ACS 305, p. 9

[11] Capítulo Geral 22 da Sociedade de São Francisco de Sales, Documentos, Roma 1984, p. 19

[12] VECCHI J.E., Especialistas, testemunhas e artífices de comunhão, ACG 363, 21. Não é indiferente que o próprio P. Vecchi cite este texto em sua carta de convocação do CG25, ACG 372, 30

[13] Cf. AA.VV., Per una fedeltà creativa. Rifondare: ricollocare i carismi, ridisegnare la presenza, Il Calamo, Roma 1999, que reúne o 54o Convenius Semestralis da USG, em Ariccia, no mês de novembro de 1998.

[14] Potissimum Institutioni, 1

[15] A Formação dos Salesianos de Dom Bosco. Princípios e Normas. Ratio Institutionis et Studiorum. Terceira edição, Roma, 2000, (n.15), 33

[16] Cf. ACG 376, p. 27